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30/10/2013

Europa

 

20/10/2013

IKEA Ideias e promoções

Sugestão para comer no local de trabalho (incentivo no Orçamento de Estado de 2014):
 
 
 
 

16/10/2013

Novas secretárias

Medida incluída no Orçamento de Estado para 2014, para funcionários públicos:
 

29/09/2013

Moçambique, (penosa) luta pela sobrevivência...

Todos os dias, dezenas de indivíduos submetem-se a penosas jornadas de trabalho para extrair ouro na zona de Tsiquire, a sensivelmente 10 quilómetros da vila municipal da Gorongosa, na província de Sofala. Na sua maioria são jovens e adolescentes que abandonam a escola para ganhar o sustento diário arriscando a vida.

Há também casos de professores e membros da Polícia moçambicana que procuram aumentar a sua renda mensal recorrendo ao garimpo. A atividade acontece aos olhos das autoridades locais que se mostram inoperantes. A aproximadamente 10 quilómetros da área municipal da Gorongosa um mundo à parte, criado pela necessidade de sobrevivência, ganha vida a cada novo dia. Os vastos campos de mapira, que sobressaem aos olhos de quem por lá passa, não escondem uma atividade que cresce a uma velocidade estonteante nos últimos tempos.


A miséria, o desemprego e a urgência de ganhar dinheiro para subsistir arrastam dezenas de jovens e adolescentes para essa "indústria" que prospera informalmente naquele ponto do país. Têm entre 16 e 30 anos de idade, alguns dispõem de baixo grau de escolaridade e outros nunca sequer se sentaram num banco de uma sala de aulas. Sem opção, nem profissional e tão-pouco de formação, pensam, invariavelmente, numa única coisa: extrair ouro. Este é o perfil de grande parte das pessoas que, todos os dias, se desloca até Tsiquire, uma área de pouco mais de 2500 hectares que se transformou no posto de trabalho de dezenas de indivíduos.


Neste local, os dias começam muito cedo e só terminam quando o sol se põe.


A febre do ouro


Felizardo Sandes chegou há seis meses a Gorongosa, oriundo da vila de Caia, na província de Sofala. Ele tem um currículo robusto no que diz respeito à atividade de garimpo. Porém, começou perscrutando potenciais compradores de minérios extraídos no distrito de Gilé, na Zambézia, mas logo descobriu que a evulsão de ouro dava mais dinheiro. Presentemente, arrenda uma pedaço de terra, de dimensão 20 por 30 metros, em Tsiquire. Paga 30 meticais pelo espaço por dia e, em média, amealha 15 mil por mês. Ele afirma que já trabalhou em mais de 10 minas do país no decorrer dos seus 26 anos de idade, atrás de uma vida melhor. "Eu procuro ganhar dinheiro para sobreviver, tenho uma família por cuidar", diz. Já Joaquim Malia, de 35 anos de idade, trabalha para um grupo de cidadãos estrangeiros, de que desconhece a proveniência. "Eles não falam português, mas nós entendemo-nos.


Devem ser sul-africanos, pois eles falam inglês", afirma. No princípio, o jovem era apenas um simples garimpeiro, e conta que a atividade era bastante desgastante. Entrava por volta das 5h00 da manhã, só saía às 18h00 com dores em quase todo o corpo, e tinha um intervalo de apenas 30 minutos para tomar o almoço. Muitas vezes, via-se obrigado a passar a noite naquele local. Hoje, ele tem a responsabilidade de supervisionar o trabalho de um conjunto de seis trabalhadores. Como Sandes e Malia, existem dezenas de jovens que sobrevivem da mesma atividade na vila sede de Gorongosa, onde a atividade é desenvolvida de forma impetuosa.


Juca Marinta, de 28 anos de idade, tem a 10ª classe concluída há dois anos. Recentemente, interrompeu a 11ª classe para se dedicar à exploração de ouro em Tsiquire. E a justificação imediata para a decisão é a falta de emprego e a necessidade de garantir o sustento diário da família. Quase todas as semanas, há relatos de pelo menos dois acidentes nas minas de Tsiquire em Gorongosa.


No início do mês em curso (Julho), um rapaz, de 17 anos de idade, sobreviveu a uma queda. Um pedaço de terra no qual se encontrava de pé desabou, tendo ficado aproximadamente uma hora dentro de uma cratera com pouco mais de dois metros de profundidade. No passado mês de Junho, um outro jovem teve a perna esquerda entalada num buraco. Neste ano, a pior situação aconteceu em Abril último e a vítima chama-se Marinta. Ele foi resgatado com vida pelos seus colegas depois de três horas soterrado. "Não sei explicar o que me teria acontecido, de repente senti muita areia por cima de mim. No momento, perdi a consciência", conta. O jovem encontrava-se no interior de uma cratera provocada pela atividade de garimpo, quando parte de terra desmoronou.


O incidente não foi argumento suficiente para desencorajar Juca Marinta, até porque, à semelhança de tantos outros que para lá se dirigem, a necessidade de garantir o sustento diário é imperiosa. Volvidos três semanas, o jovem retomou à actividade. "Procuro tomar o máximo de cuidado possível, mas acidente é acidente e ninguém pode prever quando irá acontecer", diz o garimpeiro. A exploração de ouro não só atrai os jovens e adolescentes. Há cada vez mais professores e agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) a nível do distrito de Gorongosa a trocarem os seus postos de trabalho pelas minas de Tsiquire. A título de exemplo, quando nos aproximámos de um dos acampamentos instalado naquele local, um garimpeiro que não quis ser identificado pediu-nos para que não fosse fotografado. Quando nos apresentámos como jornalistas do Jornal @Verdade, sentiu-se descontraído, tendo afirmado que já conhecia o semanário em Maputo, onde morava antes de ser transferido para a província de Sofala, e questionou a razão de a publicação ser de distribuição gratuita. Desembaraçado, revelou que é um membro da PRM e que estava ali à procura da vida. "Não sou único neste local, há pelo menos seis polícias nestas minas", afirma.


Embora negue o abandono do posto de trabalho para se dedicar ao garimpo, o professor de carreira N3 que se identificou simplesmente por Mendes também é um dos funcionários públicos que faz das minas de Tsiquire uma alternativa ao emprego. Com dois adolescentes trabalhando para si, o docente procura um rendimento estável, e afirma que nos últimos tempos tem sido difícil extrair ouro naquele local. Trabalho "forçado" A zona de Tsiquire foi transformada num acampamento, onde pequenas cabanas improvisadas albergam os garimpeiros que todos os dias se dedicam àquela atividade exercida de forma penosa, até porque os mesmos não dispõem de meios à altura para a exploração mineira. Debaixo de um sol escaldante, sem as mínimas condições de trabalho, os jovens travam uma batalha de caça ao ouro.


Ignorando o iminente risco de desmoronamento de terras, eles descem até grandes profundidades, submetendo-se ao exercício braçal e degradante em jornadas quase intermináveis. Pá e picareta são os únicos instrumentos usados. Naquele ponto, a tabela de preços é definida pelos próprios garimpeiros. Nenhum aceita trabalhar por menos de 100 meticais por dia. "Este é o valor que definimos como o mínimo neste local. Quem aceitar abaixo disso, é expulso deste ponto", explica o jovem que se identificou por Vasco. Mas a maior inquietação não é cair numa cratera ou morrer soterrado, pelo contrário, é a extorsão que sofrem por parte dos agentes da Polícia que por ali circulam esporadicamente.


No YouTube há estes vídeos:



in @ Verdade



23/09/2013

Angela Merkel, a Grande



 

19/09/2013

Crise e alternativas

Nos últimos meses, tenho defendido que os efeitos perversos dos violentos cortes orçamentais se tornaram contraproducentes. Várias pessoas me perguntam por alternativas. Pondo de parte a sugestão de Manuela Ferreira Leite de gritarmos com os representantes da troika, a resposta não é fácil.

Uma possível alternativa passa por decretar o não-pagamento da dívida, reestruturá-la e, eventualmente, sair do euro. Soluções de ruptura são possíveis e atá poderão tornar-se inevitáveis. Tais caminhos encerram riscos económicos desmedidos, podendo, inclusivamente, pôr em causa o regime democrático. Portanto, até serem inevitáveis, devem-se evitar.
 
O que sobra além de fazer o que a troika exige? A resposta a esta pergunta passa por perceber a resposta a uma outra: por que é que a troika insiste numa receita que gerou resultados tão desastrosos? Insanidade é uma possível resposta. Mas há outra: se a troika vai sair de Portugal em 2014, então, a partir desse ano, deixam de ter instrumentos para nos obrigar a fazer as reformas que garantem a nossa capacidade de pagar as dúvidas.
 
Ou seja, como não confiam em nós para reformarmos o Estado depois de 2014, querem tudo feito até lá. E, sendo este o terceiro resgate da nossa jovem democracia, podemos condená-los? Essa é a encruzilhada em que nos encontramos: para tornarmos o nosso Estado viável no longo prazo, exigem de nós políticas inviáveis e contra-indicadas no imediato.
 
Até há um ano, vivíamos em ambiente de austeridade descontrolada. Sempre que algum indicador mostrava um desvio, colossal ou não, novas medidas eram anunciadas em catadupa. Os colossais efeitos nefastos estão aí para quem os quiser ver. Mas os indicadores económicos relativos a 2013 também sugerem que a economia portuguesa é suficientemente
flexível para recuperar, desde que lhe dêem a necessária estabilidade para o fazer.
 
Convencer a troika a aceitar um compromisso de longo prazo que garanta alguma estabilidade macroeconómica e substitua a loucura dos cortes impensados é tarefa de políticos.
 
Mas é possível que a teoria dos jogos possa dar uma ajuda. E a teoria diz-nos que a nossa capacidade negocial aumenta se criarmos mecanismos que garantam o nosso empenho. Por exemplo, acrescentar uma norma à Constituição que impeça a Assembleia da República de aprovar um Orçamento do Estado que aumente a despesa pública enquanto existir défice orçamental. Exigir um visto prévio ao Tribunal de Contas reforçaria ainda mais essa norma. Um mecanismo deste género tornar-nos-ia credíveis perante os nossos credores.
 
Este tipo de compromisso exige apoio parlamentar alargado. Algo que logo a seguir às eleições legislativas teria sido mais fácil. Recentemente, o Presidente da República, de forma bastante inábil, tentou e falhou.

Só encerrando as urgências do curto prazo, será possível preparar uma reforma do Estado que respeite as diferentes visões para a economia e para o país. Esta discussão é particularmente importante porque, infelizmente, apesar de encorajadores, os últimos dados são ainda frágeis e periclitantes. Diferentes partidos defenderão, legitimamente, caminhos distintos. Será o regresso da ideologia ao espaço político. E não faltam assuntos para debate.

O aumento das importações serve de alerta para um equilíbrio externo que se desenrola no fio da navalha. É bom ter em mente que o principal estrangulamento que a nossa economia enfrenta é o endividamento externo. Isso quer dizer que o crescimento económico não deve ser conseguido à custa do aumento do consumo interno, que, inevitavelmente,
se traduz em aumentos das importações.

A melhor forma de evitar que o consumo aumente, sem que se reduza o rendimento das pessoas, é o de fomentar a poupança. Tornar os Certificados de Aforro e de Tesouro mais atrativos é uma boa ideia.

Do que conheço, o mais eficaz será alterar o sistema de financiamento da Segurança Social, pondo na mesa a transição do atual regime de repartição para um regime de capitalização ou um regime misto.

Tanto quanto sei, em todos os países onde isto foi feito, as taxas de poupança aumentaram (por vezes abruptamente). A sustentabilidade da Segurança Social no imediato está em causa. Reformas levadas a cabo pelo Governo de José
Sócrates garantem a convergência de longo prazo dos diversos sistemas de pensões.
 
No entanto, a crise por que passamos criou um problema a curto prazo. Com a emigração e um desemprego tão elevados, as receitas da Segurança Social não chegam para as necessidades. Basta lembrar que cerca de metade dos desempregados não têm subsídio de desemprego. A solidariedade tem de ser para todos e partir de todos.
 
Nestas condições, fará sentido que pessoas que beneficiaram de regimes de pensões mais favoráveis não prescindam de parte das suas exceções e dêem um contributo adicional? Faz sentido que os cortes previstos não tenham em conta que mesmo entre funcionários públicos havia, e há, regimes de pensões e reforma muito diversos?
 
Havendo folga para descer impostos, reduzir o IVA é uma má ideia, precisamente porque é um imposto sobre o consumo. O ideal será reduzir impostos sobre a produção, como a TSU. Baixar a TSU tem a vantagem adicional de reduzir os custos do trabalho, essencial para reduzir o desemprego e aumentar a nossa competitividade internacional. Tenho sérias
dúvidas quanto à utilidade, nesta fase, de baixar o IRC, dado que poucas empresas iriam benefiaciar dessa descida.
 
Enfim, há imensas políticas económicas para discutir. Essa discussão é essencial, é determinante para o nosso futuro e é, também, ideológica. Mas, primeiro, é necessário libertar o país da cascata austeritária.

Luís Aguiar-Conraria

Professor de economia da Universidade do Minho
in «Público», 18.09.2013

11/06/2013

Anedotas

O Socialismo em sonhos cor-de-rosa:

Notícia no «Público»
 

25/05/2013

Ciência africana










 

23/04/2013

D'ont cry me Argentina

O texto de hoje é da autoria de Andrés Malamud, cientista político e investigador do Instituto de Ciências Sociais. O Andrés era membro do governo da Argentina aquando do colapso de 2001.

A 26 de julho de 2001, pelas 21 horas de Buenos Aires, mandei um email que achei original a um amigo americano. Nele informava-o que o default (calote) da Argentina era inevitável e que apenas faltava saber o quando. Eu começava a ter essa conversa diariamente com os meus colegas de governo, mas eles gozavam comigo. "Por que é que gostas tanto de dizer default?", mimicavam. "É o som da palavra que te excita?", zombavam, acho que com carinho. Ninguém acreditava nessa possibilidade, nem no oficialismo nem na oposição.


A Lei de Convertibilidade, que estabelecia que o governo daria um Dólar a todos os que entregassem um Peso, garantia a poupança dos argentinos e a estabilidade da economia.


A 26 de julho de 2001, eu era assessor de gabinete no Ministério de Justiça e Direitos Humanos e o meu amigo era o politólogo dos EUA que melhor conhecia a Argentina. Por isso, ele era consultado frequentemente pelo Departamento de Estado, e eu suspeitava que também teria feito trabalhos para a CIA. Como analista, entenda-se.


A sua resposta foi imediata e lapidar: "Conta-me algo que eu não saiba". E eu que achava que a minha era insider information!


O resto da história é conhecido. A 1 de dezembro, para deter uma corrida aos bancos que ameaçava todo o sistema financeiro, o governo decretou o corralito (restrição ao levantamento de depósitos). Mas numa economia com um alto grau de informalidade, sem dinheiro vivo não há transações - ou seja, falta comida no lar. Seguiram-se assaltos a supermercados, por vezes organizados e sempre aproveitados por fações opositoras, grupos anárquicos e delinquentes comuns.


A repressão policial alimentou a violência, e a 20 de dezembro o governo demitiu-se entre gases lacrimogéneos e 30 mortos em enfrentamentos de rua. A 23 de dezembro, um governo provisório declarou o default perante uma ovação em pé do parlamento nacional. A 30 de dezembro, o governo provisório demitiu-se perante massivas manifestações populares contra a corrupção sob o lema "que vão todos (os políticos) embora, que não fique nenhum".


Em janeiro de 2002, um mês depois do corralito, um novo governo provisório decretou o fim da convertibilidade: a Argentina saía do dólar. A economia parou literalmente durante dois meses: as pessoas iam ao emprego e ficavam a olhar umas para as outras. No terceiro mês, boa parte delas resolveu o problema ficando sem emprego. A inflação disparou e a Argentina afundou. Um ano e poucos meses mais tarde, o governo voltou a cair por causa de mais duas mortes violentas. Os partidos políticos implodiram e o novo presidente foi eleito com apenas 22% dos votos.

Mas, no terceiro ano, o país saiu do inferno. Durante uma década, a Argentina passou a exportar mais do que importava, a arrecadar mais do que gastava, e passou a ter alguma estabilidade política. Há quem diga que agora os tempos de bonança estão para acabar, mas isso é outra história. A que aqui se contou é a que espera, quiçá, metade da Europa - e não apenas a Portugal.

Meia Europa que continua a achar que pior não é possível e que a austeridade, ou então a resistência à austeridade, pode travar o colapso. Quando disse ao meu amigo americano que o euro não era para durar, ele manteve o discurso de então: "conta-me algo que eu não saiba".

Henrique Raposo
in "Expresso", 23.04.2013


















19/04/2013

Cobrança da dívida

Esquadra da Marinha chinesa chega a Lisboa!


Em declarações à RTP, o embaixador chinês em Portugal disse acreditar numa solução pacífica para o problema. A afirmação coincidiu com a chegada a Lisboa de uma esquadra da marinha chinesa!



07/04/2013

Titanic

A bem do funcionamento regular das instituições, devemos respeitar a decisão do TC, o que é diferente de com ela sempre concordar.

A música toca, os pares dançam alegres. Os que não dançam bebem, fumam e conversam. Num canto um grupo discute, animado, os negócios. Ouvem-se pequenas risadas. Numa mesa joga-se o bingo. Nem o capitão sabe, ainda, que o barco se está a afundar.

1. Estamos no início de uma queda. O Acórdão do Tribunal Constitucional de sexta-feira passada é histórico. Marcará provavelmente o início do fim da III República tal como a conhecemos, isto é, com esta Constituição, com o euro, com estes partidos políticos. Isto porque a dívida pública continua numa dinâmica explosiva (124% do PIB em 2012 e provavelmente 128% em 2013), os encargos com essa dívida sobem e o crescimento económico é ainda uma miragem.

O Governo português, com a adesão de Portugal ao euro, ganhou várias coisas (integração num espaço político europeu, baixas taxas de juro por exemplo), mas perdeu outras (a soberania monetária e a política cambial). Com o Tratado orçamental ficou condicionado na política orçamental (objetivo de equilíbrio das contas públicas em condições normais). Com o Acórdão do Tribunal Constitucional, ficou ainda mais limitado. A implicação singela do Acórdão é que neste processo de ajustamento orçamental e de tentativa de redução do défice orçamental - essencial para reganharmos a soberania nacional e não estarmos sujeitos a ditames da troika - a via não pode ser essencialmente a de redução da despesa (pois só se aceita um corte ligeiro nos salários, art.º 27.º, mas não na despesa bruta em pensões), mas sim a do lado do aumento da receita: contribuição extraordinária de solidariedade (art.º 78.º), sobretaxa de IRS de 3,5% (art.º 187.º), redução de escalões (186.º). Não apenas os orçamentos devem estar tendencialmente equilibrados (Tratado) como esse equilíbrio deverá provir do aumento da receita.

2. É precisamente porque não é clara a Constituição que necessitamos de um tribunal para a interpretar. A bem do funcionamento regular das instituições, devemos respeitar essa decisão, o que é diferente de com ela sempre concordar. Acho relevante e coerente a argumentação em torno da não constitucionalidade das contribuições obrigatórias de recebedores de prestações associadas com doença ou situação de desemprego. Discordo, quer da aceitabilidade da contribuição extraordinária de solidariedade quer da argumentação da inconstitucionalidade de um corte moderado e progressivo (isenções seguidas de cortes proporcionalmente maiores) em salários e pensões. O TC argumenta que um aumento de imposto ou uma redução salarial é a mesma coisa do ponto de vista da "repartição dos encargos públicos", pelo que estando os funcionários públicos sujeitos a ambos e os do privado, hipoteticamente, só ao aumento de impostos, está a haver tratamento diferenciado, o que, na opinião do tribunal, é excessivo. O ponto fraco da argumentação do tribunal é precisamente este. Assume implicitamente que os do privado só estão sujeitos ao aumento de impostos dos do público e não a redução salarial. O que é verdade na óptica das implicações do OE. Mas já não o é se pensarmos numa conjuntura económica em que aumenta dramaticamente o desemprego, sobretudo de antigos trabalhadores do privado, em que o novos trabalhadores são contratados a salários muito mais baixos, em que há uma descida no valor das prestações de serviços, em remunerações acessórias, etc. É pois falacioso o argumento implícito de que só existe queda salarial na administração pública. E se esta hipótese não for válida, a argumentação do TC sofre um profundo revés e levaria porventura a outras conclusões.

Gostaríamos de ter visto esclarecido no Acórdão se a Constituição (CRP) trata de forma simétrica subidas de impostos e descidas de salários. A CRP é omissa em relação a cortes de salários, mas não aos impostos. Isto não significa que não deva haver limites ao "sacrifício razoável" de cortes de salários e ao tratamento diferenciado de "funcionários" e trabalhadores do privado. Esses limites são obviamente subjetivos. Considerámos e defendemos aqui a inconstitucionalidade de dois cortes salariais (OE 2012), mas não de um corte (OE 2013). O TC deliberou de outra forma.

3. A crise de regime, a que assistimos, obviamente que não é da responsabilidade do Constitucional e revisitar o resgate de 2011 ajuda a compreender as narrativas passadas e presentes e os caminhos de saída. Aquilo que nos levou à atual crise de regime foi o mau funcionamento das nossas instituições (em particular regulatórias e políticas). O sistema partidário, o sistema político democrático e o sistema empresarial público (central, regional e local) construído paulatinamente nas últimas décadas levaram, com a ajuda da crise internacional, à situação em que estamos. Não foi o chumbo do PEC IV que levou ao resgate. Antes dessa votação realizou-se no ISEG um debate público sobre a eventual necessidade desse resgate, baseado em simulações sobre a dinâmica da dívida pública. Silva Lopes, João Duque e eu próprio defendemos que ele era inevitável. João Ferreira do Amaral, que não era desejável. O problema da quase universal ocupação do espaço público mediático por ex-governantes ou ex-líderes do passado (obviamente que Sócrates tem os mesmos direitos que Marcelo, Marques Mendes ou Santos Silva) é que obstrui a uma leitura crítica da realidade da qual foram protagonistas. Não dão espaço a diferentes leituras, não apenas do passado, mas sobretudo não permitem repensar e reinventar o futuro. Os históricos têm uma função muito importante a desempenhar que é repensar o funcionamento interno dos partidos, a criação de grupos de estudo internos, o debate programático, e pela sua experiência, a reforma do sistema político.

4. Esta reforma do sistema político tem sido discutida à margem, individualmente, em pequenos grupos ou em manifestos. Aqui, é de salientar o recente "Manifesto pela Democratização do Regime" subscrito, entre outros, por Henrique Neto, Elísio Estanque, Luís Salgado Matos, Eurico Figueiredo e Rui Tavares, que, aqui no PÚBLICO, tem abordado várias vezes esta temática de que é necessário abrir o sistema político introduzindo primárias, clarificando o financiamento partidário e aumentando a personalização do voto. O manifesto tem infelizmente uma redação algo patriótica e anti partidos que não subscrevo. Se se quer fazer lóbi para a reforma do sistema político, é necessário deixar a retórica de parte e consensualizar uns princípios básicos de reforma - por exemplo, permitir a personalização do voto como acontece na maioria dos países europeus - e convencer os atores políticos de que é a saída para a credibilização do regime.

5. Para além do problema político temos um económico. A nossa adesão à então CEE e o acesso aos fundos estruturais e posteriormente a adesão ao euro foram oportunidades não aproveitadas de alterar a estrutura produtiva e aumentar a competitividade. Hoje, pelas razões acima aduzidas (falta de instrumentos de política monetária e, em parte, orçamental) e mais bem explicadas nos dois livros que são lançados para a semana (de Vítor Bento e João Ferreira do Amaral) temos um problema económico entre mãos a resolver. Convém estudá-lo para encontrar uma solução.

6. A crise política, agravada pela decisão do Constitucional, não terá um desfecho imediato. Portugal necessita de renegociar as maturidades da dívida e deveria diminuir os juros já. Mas nada será como dantes, após este Acórdão do Constitucional. Haja esperança e resiliência.
 
Paulo Trigo Pereira
in «Público», 07-04-2013

05/04/2013

Tribunal inConstitucional

O presidente do Tribunal Constitucional português, Joaquim Sousa Ribeiro, lendo hoje o chumbo do Orçamento de Estado de 2013.
 
Alguém vai pagar a bancarrota...

Fotografia de Paulo Alexandre Coelho, Diário Económico


13/03/2013

Baixar as calças

Conta-se que Sócrates estava de visita à Venezuela Hugo Chávez, em 2010.

À época, o ministro das Finança, Teixeira dos Santos, estavam incumbido de vender títulos da Dívida Pública e fechar vários negócios. A aflição da comitiva portuguesa era elevada pois a situação económica degradava-se rapidamente.

Em Caracas, chovia fortemente.
José Sócrates, vaidoso como sempre foi, saiu do carro para ser bem visto por jornalistas e populares que rodeavam o local.

Para não molhar as calças, dobrou a bainha e subiu as calças para não as molhar.

De seguida, entra na sala da reunião intergovernamental onde as negociações corriam difíceis. Chávéz fugia a fechar contratos e o tempo passava....

Teixeira dos Santos, sentado a seu lado, repara que Sócrates ainda estava com as calças para cima e tenta logo avisá-lo:

- Senhor Primeiro-Ministro! Baixe as calças....

- Oh, Fernando! Calma! Primeiro temos de fechar um acordo!


 

01/12/2012

Regresso ao Escudo

12/11/2012

Bem-vinda a Portugal

A chanceler alemã Angela Merkel chega hoje a Lisboa numa breve vista oficial.

A importância desta visita não está a ser adequadamente expressada nos meios de comunicação social, em geral um couto do bloquismo e do socretinismo corrupto.

De forma anarquista e irresponsável a imprensa e televisões estão em carneira competição pelo cretinismo acéfalo, assancando aos outros o que são puras culpas nacionais.

Seria suficiente pergunrar quem elegeu a camarilha guterrista-socretina-maçónica durante 15 anos de destruição que conduziu ao desastre?

Mas os portugueses sabem que, sem a ajuda alemã e europeia, a bancarrota de 2011 teria lançado o país na miséria e desordem e que isso só não aconteceu porque Angela Merkel e outros dirigentes europeus aceitaram contrariar a tragédia, em nome de um projeto de Europa.

É por isso que, a visita de Angela Merkel a Lisboa tem de ser encarada como uma oportunidade para lançar investimento alemão e europeu no país. Tem de ser vista como oportunidade de relançar projetos europeus e reestruturar a economia portuguesa depois de anos de dopagem socretina e drogaram Portugal.


29/10/2012

Quando China mandar no Mundo

A aclamada obra de Martin Jacques foi agora editado em Portugal pelas mãos do «Círculo de Leitores/Bertrand». A obra original é de 2009

Trata-se de uma obra conhecedora e analítica do Oriente em que se antecipa a decadência do Ocidente e a ascenção da China.

"Em breve, a China mandará no mundo. Mas, ao fazê-lo, não se tornará mais «ocidental». Neste seu aclamado livro, já traduzido em 11 línguas, Martin Jacques rejeita o pensamento convencional acerca da ascensão da China, mostrando que o seu impacte não será apenas económico, mas também cultural. À medida que a poderosa civilização da China se for reafirmando, assinalará o fim do domínio global do estado-nação ocidental e um futuro de «modernidade contestada»."

Quem sabe, antecipa o futuros. Por isso, é absolutamente indispensável ler! 


26/10/2012

Laurentina faz 80 anos

Ora aí vai, a história da magnífica cerveja que tantas vezes nos matou a sede e animou convívios.

No início do século xx, um imigrante grego chamado Cretikos, que percorria os bairros ricos de Lourenço Marques a vender água fresca de porta em porta, apercebeu-se de que não existia gelo para conservar o peixe que todos os dias era descarregado nas docas da cidade.

Foi assim que, em 1916, Cretikos abriu a primeira fábrica de gelo e de água mineral de Moçambique, mesmo em frente ao porto de pesca. Chamava-se Victoria Ice and Water Factory e teve um êxito imediato.

Em poucos anos, começou também a produzir refrescos e a sonhar com a primeira marca de cerveja feita em Moçambique.
 
Isso aconteceu em 1932, quando o grego viajou até à Alemanha para contratar um mestre cervejeiro que desenvolveu uma receita de cerveja de estilo europeu a que Cretikos chamou Laurentina, em homenagem aos naturais de Lourenço Marques - laurentinos.
 

23/10/2012

A crise é culpa de funcionários públicos

Sim, a culpa da crise é do funcionário público Vítor Constâncio que não viu, ou não quis ver o buraco do BPN;

Sim, a culpa da crise é do funcionário público Teixeira dos Santos que não viu, ou não quis ver o buraco da Madeira;

Sim, a culpa da crise é do funcionário público Alberto João Jardim que criou "às escondidas para os do continente não cortarem nas tranches" um buraco de seis mil milhões de euros;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos da Assembleia da República que auferiram só em ajudas de custo no ano de 2010 a módica quantia de três milhões de euros, fora os salários e demais benefícios;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que gerem, continuamente, em prejuízo as empresas públicas como a Metro do Porto, CP, ANACOM, REFER, REN, CARRIS, Estradas de Portugal, Águas de Portugal, a lista é interminável, mas não abdicam das viaturas topo de gama, telemóveis, talões de combustível... enfim a lista é interminável;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos das Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais que ganham por cada reunião assistida;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos da Assembleia da República, já reformados**, com as suas subvenções vitalícias por meros 6 anos de "serviço". Reformados alguns com apenas 40 anos de idade!!! Quantos são desde 1974? Enfim, a lista é interminável.

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que presidem fundações como a Guimarães 2012 com salários imorais, na ordem dos milhares de euros.

Quantas são? Enfim, a lista é interminável;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que compram submarinos;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que adjudicam pareceres jurídicos a empresas de advogados, quando podiam solicitar o mesmo serviço às Universidades, pagando dez vezes menos, ajudando dez vezes mais as finanças das mesmas;

Sim, a culpa da crise é dos funcionários públicos que adjudicaram obras permitindo as famosas "derrapagens financeiras". E quem paga? É o Estado!!!

Sim, a culpa da crise é desses funcionários públicos, e não dos funcionários publicos que trabalham arduamente para alimentar estes pulhas.

22/10/2012

Peter Economides - Rebranding Greece

Aprender com a Grécia!

21/10/2012

O novo Multibanco

A contraproposta socialista de Orçamento de Estado 2012 tem uma única proposta - o famoso choque tecnológico aplicado ao multibanco: