30/06/2010

Burrada na Vivo

O governo socretino acaba de impedir a venda da parte (50%) que a PT tem na operadora brasileira Vivo. A proposta apresentada pela operadora espanhola Telefónica - 7.150 milhões de euros - representou 90% do valor bolsista da operadora portuguesa e foi aprovada por uma elevada maioria de 74% dos acionistas.

A esquerda cretácica aplaudiu mais uma escandalosa intromissão socretina na propriedade privada, em nome de um nebuloso interesse estratégico do país. Para quem tem passado o tempo a interferir e a colocar boys na gestão da PT, convenhamos que é uma argumento estafado.

Mas o pior está para vir: o Tribunal de Justiça da União Europeia, a 8 de Julho, vai-se pronunciar sobre a legalidade dos direitos especiais do Estado na PT, sendo muito forte a possibilidade de obrigar à sua eliminação ou provocar uma OPA sobre a própria PT (quem dá 90% dá 100%).

Na verdade, o governo socretino fez um piscar de olhos aos cretácicos para mais tarde se defender com a culpa da UE.

O certo é que a oferta da Telefónica permitiria uma reformulação estratégica da Portugal Telecom, livrando-se definitivamente destes espanhóis que há anos andam a dar facadas no matrimónio e, em alternativa, relançar-se numa aliança com operadoras brasileiras para, desse ponto de apoio, entrar na América Hispânica. Mantendo um casamento à força, a PT passa estar sujeitas aos caprichos da Telefónica na gestão da Vivo e de que já há ameaças conhecidas (congelamento de dividendos, bloqueio de decisões, etc.).

Se a Telefónica desistir da oferta - entretanto prolongada até 16 de Julho - o governo socretino terá deitado para o lixo um valor correspondente a 4% do PIB português, o que para burrada, só lhe faltam as orelhas...

Idiota que só vê o próprio umbigo

Há idiotas por todo o lado mas, alguns, que terão o rei na barriga, não conseguem perceber que se sujeitam à vingança do peão [um risco que correm].

Entalados pela indigência e selvajaria de quem só vê o seu próprio umbigo, há sempre o argumento que estava a trabalhar...

(imagem de Lisboa)

As alemãs

Uma reportagem pelas ruas de uma qualquer cidade alemã tem o condão de agradar à vista especializada.

Mulhers jovens, de cabelos louros, ruivos, castanhos ou negros, de olhos azuis, verdes ou turquesa e de peles amêndoa, açafrão, caqui, damasco ou rosa, alegram as lojas e ruas sob efeito dos raios solares do Verão que agora começa.

29/06/2010

E agora... vamos aos socretinos...

Apesar de tudo, um jogo fantástico e um herói indesmentível.

Mas acabou o sonho e folga aos socretinos. Agora, o mundo real, a crise, o desemprego, as dívidas por pagar.

O embate ibérico

Esperemos que não o embate não se transforme num combate. Acima de tudo, inteligência e desporto.

Lá vão mais dois!!

Dois jornais portugueses acabam de morrer em consequência de "o mundo mudou" [afirmação socretina].

Um deles, gratuito, até se lia na falta de melhor. O outro, um pasquim total, até contaminava as sardinhas! A prova de que não é o preço que determina a qualidade: ou se tem, ou não se tem, ponto final.

Querido líder

A FIFA acaba de excluir a equipa portuguesa da fase seguinte do Campeonato Mundial de Futebol, na África do Sul.

Em seu lugar, estará a equipa da República Popular e Democrática da Coreia, conforme acaba de anunciar a TV de Pyongyang.


28/06/2010

Munique Englischer Garten

O Biergarten do «Englischer Garten» de Munique (criado em 1789) é um local excelente para beber e comer as melhores especialidades da Baviera.

27/06/2010

Chiemsee

Chiemsee, situado a N 47°53′24″, E 12°28′12″, a 80 Km de Munique, Alemanha, a uma altitude de 520 m e com uma área de perto de 80 Km2, é o maior lago da Europa central.

No meio da enorme massa de água, existem várias ilhas das quais, as duas mais famosas são a Herrenchiemsee (literalmente, a ilha do Homens) e Frauenchiemsee (a ilha das Mulheres).

Na primeira, está construído um dos três castelos/palácios de Luís II da Baviera, o Schloss Herrenchiemsee, uma réplica do Palácio de Versalhes em homenagem a Luís XIV de França.

Com um tempo invulgarmente quente, as multidões de turistas chegam de carro ou de (antiquíssimo de 1887) comboio e passam de barco de Prien ou Gstadt para cada uma das ilhas.


26/06/2010

Munique e Nymphenburg Schloss

Em Munique, o Palácio de Nymphenburg é uma imponente obra barroca do séc. XVII e que servia de residência de Verão dos reis da Baviera. O edifício é complementado com extenso jardim, de mais de 800 mil m2, ampliado durante o séc. XVIII.

25/06/2010

Paris com Cristiano Ronaldo

A loja da NIKE em Paris tem uma "estátua" do português Cristiano Ronaldo. Na verdade, do mais famoso português de hoje.

Vem isto a propósito da partida Portugal-Brasil no Campeonato Mundial de 2010 na África do Sul, país onde Ronaldo é um ídolo de sul-africanos, portugueses, moçambicanos e de todos.

Paris com Adidas

Em Paris, a loja da Adidas tem as paredes com publicidade de impacte.

25 de Junho

Moçambique obteve a independência a 25 de Junho de 1975, faz hoje 35 anos.
Uma data de festa para todos os moçambicanos e os povos da lusofonia.

24/06/2010

As SCUT de António Guterres

O problema das SCUT, que rebentou agora, foi criado por António Guterres. É bom ter memória: Guterres é o grande responsável pelo estado do país.

I. A ideia de que podia haver auto-estradas gratuitas é uma ideia típica do guterrismo. Nesse período, o PS elevou ao máximo o dogma de que o Estado pode dar tudo às pessoas. Desde o rendimento mínimo (a SCUT de Ferro Rodrigues) até às SCUT (de João Cravinho), António Guterres fez do Estado o pai natal dos portugueses. Criou-se a ideia de que tudo era de borla. Foi esta sorridente maneira de governar que criou o tal "pântano". E, quando viu a sua obra pantanosa, Guterres abandonou o país de forma inacreditável. Guterres abandonou o país.

II. O actual problema das portagens nas SCUTs representa, de forma quase perfeita, a relação entre o "guterrismo" e o "socratismo": a governação de José Sócrates tem consistido na retirada das benesses dadas por António Guterres; Sócrates está a tirar ao país aquilo que Guterres deu de maneira totalmente irresponsável. Verdade seja dita, quando penso em Guterres, a minha aversão a Sócrates até diminui um pouco. Antes de José Sócrates, o grande culpado pelo estado do pais chama-se António Guterres.

III. Portugal devia fazer um acordo como a ONU: devíamos pagar uma taxa para manter Guterres como alto-comissário vitalício para os refugiados. Guterres será um bom diplomata lá fora, mas foi um péssimo político cá dentro.

Henrique Raposo
in www.expresso.pt), 24.06.2010

Socialismo em mercado negro

Darsi Ferrer foi libertado em Cuba.

O prisioneiro político cubano Darsi Ferrer foi libertado pelo Governo após 11 meses de detenção, mas irá ficar três meses em prisão domiciliária, acusado de comprar cimento no mercado negro. Foi julgado em Havana após o início do diálogo entre a Igreja Católica cubana e o governo de Raúl Castro, que já levou à libertação de outro dissidente, Ariel Sigler Amaya.
Ferrer é médico, tem 40 anos e já tinha sido preso várias vezes por actividades de oposição ao regime.

in «Público», 24.06.2010

Nota de ironia: "comprar cimento no mercado negro" que existe como resultado do Socialismo Castrista. Prendam-se os Castro e liberte-se o cimento!

Munique no Westpark

O Westpark de Munique é um espaço exemplar da importância que a natureza recebe na Alemanha.

Desenhado pelo arquiteto Peter Kluska e concluído em 1983 para a International Garden Show (IGA 83), tem uma área de mais 720 mil m2. Ao longo da sua vasta área que se deve percorrer preferencialmente de bicicleta, é possível encontrar

23/06/2010

Versalhes

O Palácio de Versalhes (Château de Versailles) é o símbolo da monarquia absoluta personalizada em Luís XIV, o Rei-Sol entre 1643 e 1715.

A construção de tão gigantesca obra, entretanto, classificada "Património Mundial da Unesco", à época, arruinou os cofres franceses.

Todavia, hoje, milhares de visitantes percorrem o seu espaço e alimentam uma indústria de turismo absolutamente impressionante.

22/06/2010

Paris de sonho

Paris de noite ou de dia é fantástica.

A Torre Eiffel é deslumbrante. O Arco do Triunfo é gigantesco e imponente.

Paris imponente

O Museu do Louvre é certamente, o mais famoso e mais rico do Mundo. O Palácio da Assembleia Nacional francesa é a sede do poder. La Défense é o centro da finança.



21/06/2010

7 - 0 &#£$*@& o|o

A ideia Juche já tinha demonstrado ser uma vigarice completa em que nem ninguém acredita .

Hoje, 21 de Junho de 2010, em Capetown, África do Sul, a seleção portuguesa de futebol derrotou a infeliz equipa da Chosŏn Minjujuŭi Inmin Konghwaguk, isto é, a impropriamente designada República Popular e Democrática da Coreia - nem República, nem Popular, nem Democrática...

O querido líder, o idiota Kim Jong-Il, vai lançar as culpas sobre os esfomeados jogadores nortecoreanos e, como habitual, fuzilar um pobre "traidor".

À equipa nortecoreana restará recorrer às vuvuzelas para assobiar e correr com o amigo do PCPista Bernardino Soares.

Vuvuzelas

FIFA, deus e as vuvuzelas

Joseph Blatter teve um sonho com Afonso Costa, e não quer que os jogadores brasileiros expressem a sua religiosidade em campo. A FIFA pediria o mesmo a jogadores muçulmanos?

I. A patetice politicamente correta sempre fez parte do património da FIFA. Mas agora a FIFA bateu os seus próprios records: a selecção brasileira foi intimada. Motivo? As celebrações religiosas dos jogadores brasileiros após a marcação de golos, etc. (no i de hoje). A FIFA não quer religião dentro do campo.

II. Perante esta parvoíce, faço uma perguntas: a FIFA vai dar o mesmo aviso a selecções muçulmanas? E, já agora, a FIFA também vai proibir as danças dos jogadores africanos? Aquilo não são danças das crenças pagãs africanas? O sr. Blatter quer que todos os jogadores se comportem como suíços chatos e ateus?

III. Em vez de estar ocupada com a fé dos jogadores, a FIFA devia estar preocupada com a porcaria das vuvuzelas, aquelas gaitas que estragam o prazer de ver um jogo do mundial - mesmo quando o vemos pela TV. A FIFA devia proibir a entrada daquela porcaria nos estádios. Ah, mas esperem: a FIFA não pode fazer isso, porque os africanos diriam que essa proibição seria um desrespeito pelas tradições africanas e um exemplo do "imperalismo" branco. A FIFA é um bom representante do politicamente correto europeu. Mudem a sede da FIFA para o Rio de Janeiro, sff.

Henrique Raposo
in «Expresso», 14.06.2010

(a propósito do jogo Portugal - Coreia do Norte, a fotografia é dedicada à equipa da autodesignada República Popular e Democrática da Coreia, uma prisão em ponto grande)

Cognac famosa

Cognac é nome de cidade francesa e, por razões evidentes, o nome da famosa bebida nesta região. De entre as marcas com mais renome está a "Otard", cuja sede é o palacete abaixo.





20/06/2010

O Colar do Neandertal

Na linha de outras obras fortemente recomendadas (ver) sobre a história do ser humano, é altura de referir "O Colar de Neandertal", uma obra soberba do espanhol Juan Luis Arsuaga.

Veja-se esta síntese bem explicada:

O livro, de Juan Luis Arsuaga, professor catedrático de paleontologia da Universidade de Madrid, descreve a trajetória de hominídeos de uma outra humanidade, não ancestral dos seres humanos, misteriosamente desaparecida há 30 mil anos.

Entre todas as ciências, a paleontologia é uma das que mais está ligada à busca de respostas a perguntas como: “O que somos?”, “De onde viemos” ou “Como nos tornamos o que somos?”.

No seu livro "O Colar do Neandertal - em busca dos primeiros pensadores", o paleoantropólogo espanhol Juan Luis Arsuaga conduz o leitor ao cenário em que se deu o encontro de hominídeos mais decisivo da evolução humana.

Há cerca de 40 mil anos, após habitarem durante quase 300 milénios a Europa e o Oriente Médio, os brancos neandertais passaram a ter em seu hábitat a presença de nossos ancestrais recém-chegados da África - e então com a pela mais escura - os cro-magnons.

Depois de aproximadamente dez mil anos dessa convivência no mesmo continente com seus novos vizinhos, os antigos habitantes desapareceram para sempre.

Desde quando foi descoberto o primeiro fóssil dessa linhagem, em 1856, no vale do rio Neander, na Alemanha, os neandertais foram considerados nossos antecessores até quase o final do século XX. Hoje, a partir de pesquisas genéticas com material obtido dos seus fósseis, esses hominídeos cada vez mais são compreendidos como uma outra linhagem, como uma outra humanidade, surgida há cerca de 300 mil anos a partir de uma outra espécie ancestral comum ao cro-magnon, o Homo Antecessor. Essa nova compreensão da árvore genealógica dos hominídeos colocou um novo mistério para a ciência: como e por que o Homem de Neandertal desapareceu?

Longe de diminuir nosso interesse por esses caçadores selvagens que se extinguiram há cerca de 30 mil anos, a concepção de que eles não teriam sido nossos antepassados acabou por aumentar ainda mais nossa atração pelo estudo de sua evolução. Além de buscar as causas de seu desaparecimento, especialistas em paleontologia e em áreas diretamente ligadas a ela estão cada vez mais empenhados em entender por que nós os sobrepujamos. O que não somos? Como e por que nossa diferença com relação a eles teria nos ajudado a sobreviver?

Em "O Colar do Neandertal", Arsuaga, que é professor catedrático de paleontologia da Universidade de Madrid, apresenta de forma emocionante e rigorosa os fatores evolutivos e ambientais que foram cruciais ao longo do trajeto que vai desde os primeiros hominídeos, há mais de dois milhões de anos, a esse dramático encontro entre nossos antepassados e seus parentes mais próximos. Co-diretor de pesquisas sobre as escavações que vêm sendo feitas em um dos mais importantes sítios paleoantropológicos de todos os tempos, a Serra de Atapuerca, próximo a Burgos, no norte da Espanha, o autor ressalta a importância da especialização que o Homem de Cro-Magnon desenvolveu com o uso da linguagem e de símbolos, que teria proporcionado melhores condições para unir esforços coletivos para enfrentar as grandes transformações climáticas ocorridas nesse período.

Diferentemente das interpretações simplistas sobre o Homem de Neandertal, o livro de Arsuaga mostra em detalhes, como essa linhagem havia também desenvolvido a elaboração de ferramentas e o uso de símbolos. Mas, para o pesquisador, havia diferenças cruciais de enfoque da simbologia dessas duas linhagens. “Os deuses dos caçadores não eram os mesmos deuses dos agricultores e fazendeiros.”

Mais que um pesquisador de grande importância para o conhecimento da evolução humana, Juan Luis Arsuaga - que nasceu em Madrid em 1959, em uma família de origem basca - é um divulgador científico que possui texto de qualidade literária e de fácil compreensão para o público não especializado.

19/06/2010

As cobras

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugia com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia. Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:

- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!


E é assim....
Diariamente, tropeçamos em cobras

18/06/2010

José Saramago

Faleceu o escritor português e Prémio Nobel da Literatura, José Saramago (1922-2010).

Prestemos homenagem à sua obra literária e ao contributo dado à divulgação internacional da língua portuguesa.

Previsões sobre crise financeira global

Começou uma depressão.
Os jornalistas ainda estão timidamente a perguntar
aos economistas se podemos ou não estar a entrar numa mera recessão. Não acreditem nem por um minuto. Já estamos no início de uma completa depressão mundial, com desemprego extensivo em quase todo o lado.

Pode assumir a forma de uma deflação nominal clássica, com todas as suas consequências negativas para as pessoas comuns. Ou pode tomar outra forma, um pouco menos provável, de inflação galopante, que é apenas uma outra forma de deflacionar valores, e que é ainda pior para as pessoas comuns.

Claro que todos estão a perguntar o que desencadeou esta depressão. Foram os derivados, que Warren Buffett chamou de "armas financeiras de destruição maciça"? Ou foram as hipotecas subprime? Ou são os especuladores do petróleo? Trata-se de um jogo sem qualquer importância real. É prestar atenção à poeira, como dizia Fernand Braudel acerca dos eventos de curta duração. Se queremos entender o que está a acontecer, é preciso olhar para duas outras temporalidades, que são muito mais reveladoras. Uma é a dos ciclos de média duração. E a outra é a das tendências estruturais de longa duração.

A economia-mundo capitalista teve, por pelo menos algumas centenas de anos, duas formas principais de ondas cíclicas. Uma é a dos chamados ciclos de Kondratieff, que historicamente tinham uma duração de 50-60 anos. E a outra é a dos ciclos hegemónicos, que são muito mais longos.

Em termos de ciclos hegemónicos, os Estados Unidos eram um ascendente candidato à hegemonia em 1873, conquistaram o pleno domínio hegemónico em 1945, e têm vindo a declinar lentamente desde os anos 70. As loucuras de George W. Bush transformaram um lento declínio numa queda precipitada. E,  por agora, já estamos longe de qualquer aparência de hegemonia dos EUA. Entrámos, como normalmente acontece, num mundo multipolar. Os Estados Unidos permanecem uma forte potência, talvez ainda a mais forte, mas vão continuar o declínio relativo às outras potências nas próximas décadas. Não há muito o que se possa fazer para mudar isto.

Os ciclos Kondratieff têm uma periodicidade diferente. O mundo saiu da última fase B de Kondratieff em 1945, e entrou na mais forte subida de fase A da história do moderno sistema-mundo. Chegou ao seu ponto mais alto cerca de 1967-73 e começou a descer. Esta fase B durou muito mais tempo que todas as anteriores, e ainda estamos nela.

As características de uma fase B de Kondratieff são bem conhecidas e correspondem ao que a economia-mundo tem vindo a atravessar desde os anos 70. As taxas de lucro das actividades produtivas diminuem, especialmente nos tipos de produção que foram mais lucrativos. Consequentemente, os capitalistas que desejam obter realmente altos níveis de lucro, viram-se para a arena financeira, envolvendo-se no que basicamente é especulação. As atividades produtivas, para não se tornarem demasiado pouco lucrativas, tendem a transferir-se de zonas centrais para outras partes do sistema-mundo, trocando baixos custos de transacção por custos mais baixos com o pessoal. Este é o mecanismo que fez desaparecer os empregos de Detroit, de Essen e de Nagoya, ao mesmo tempo que se expandem as fábricas na China, na Índia e no Brasil.

Quanto às bolhas especulativas, sempre há quem faça muito dinheiro com elas. Mas as bolhas especulativas sempre estoiram, mais tarde ou mais cedo. Se perguntarmos por que esta fase B de Kondratieff durou tanto tempo, é porque os poderes reais - o Tesouro dos EUA e a Reserva Federal, o Fundo Monetário Internacional e os seus colaboradores na Europa ocidental e no Japão - intervieram no mercado com regularidade e importância para sustentar a economia-mundo: 1987 (queda das bolsas), 1989 (colapso das poupanças e empréstimos nos Estados Unidos), 1997 (queda financeira da Ásia Oriental), 1998 (má gestão do Long Term Capital Management), 2001-2002 (Enron). Aprenderam as lições das anteriores fases B de Kondratieff, e os poderes reais pensaram que podiam derrotar o sistema. Mas há limites intrínsecos para fazê-lo. E atingimo-los agora, como estão a aprender Henry Paulson e Ben Bernanke, para seu desconsolo e provavelmente espanto. Desta vez não vai ser tão fácil, provavelmente impossível, evitar o pior.

No passado, quando uma depressão executava a sua devastação, a economia-mundo recuperava de novo, na base de inovações que podiam ser quase monopolizadas por algum tempo. Assim, quando se diz que a Bolsa de Valores vai-se levantar de novo, isto é o que se pensa que vai acontecer, desta vez, como no passado, depois de todos os estragos que foram feitos às populações mundiais. E talvez aconteça, dentro de alguns anos.

Há porém algo novo que pode interferir com este belo padrão cíclico que sustentou o sistema capitalista durante cerca de 500 anos. As tendências estruturais podem interferir com os padrões cíclicos. As características estruturais básicas do capitalismo como sistema-mundo operam de acordo com certas regras que podem ser desenhadas num gráfico como um equilíbrio ascendente. O problema, como em todos os equilíbrios estruturais de todos os
sistemas, é que ao longo do tempo as curvas tendem a afastar-se do equilíbrio e torna-se impossível equilibrá-las de volta.

O que levou o sistema tão longe do equilíbrio? Muito brevemente, é porque durante 500 anos os três custos básicos da produção capitalista - pessoal, inputs e impostos - subiram constantemente como percentagem dos possíveis preços de venda, de tal forma que hoje tornam impossível obter os grandes lucros da produção quase monopolizada que sempre tem sido a base da acumulação significativa do capital. Não é porque o capitalismo esteja a
falhar no que faz melhor. É precisamente porque fez tão bem, que acabou por minar a base da futura acumulação.

Que acontece quando chegamos a um tal ponto em que o sistema se bifurca (na linguagem dos estudos de complexidade)? As consequências imediatas são uma alta turbulência caótica, que pela qual o nosso sistema-mundo está a passar neste momento e que vai continuar a atravessar durante talvez outros 20-50 anos. À medida em que cada um empurra para qualquer direção que considera ser aquela que é imediatamente melhor para ele, uma nova ordem vai emergir do caos, tomando um de dois caminhos alternativos e muito diferentes.

Podemos afirmar com confiança que o atual sistema não pode sobreviver. O que não podemos prever é que nova ordem será escolhida para substituir esta, porque será o resultado de uma infinidade de pressões individuais. Mas, mais tarde ou mais cedo, será instalado um novo sistema. Não será um sistema capitalista, mas pode ser muito pior (mesmo mais polarizador e hierarquizado), ou muito melhor (relativamente democrático e relativamente igualitário) que este sistema. A escolha de um novo sistema é a maior luta
política mundial dos nossos tempos.

Quanto às nossas perspetivas imediatas e interinas de curta duração, é claro o que está a acontecer em todo o lado. Estamos a caminho de um mundo protecionista (esqueçam a chamada globalização). Estamos no caminho de uma ingerência muito mais directa do governo na produção. Mesmo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão a nacionalizar parcialmente os bancos e as grandes indústrias moribundas. Estamos a caminho de uma redistribuição populista, dirigida pelos governos, que pode assumir formas social-democratas de centro-esquerda ou autoritárias de extrema-direita. E estamos a caminho de conflitos sociais agudos no interior dos Estados, em que todos competem pela torta menor. Na curta duração, a imagem não é, nem de longe, bonita.

Immanuel Wallerstein
traduzido por Luís Leiria
15/10/2008 

17/06/2010

Tecnologia 3D

Há uma grande vantagem na tecnologia na tecnologia touch screen com 3D:


16/06/2010

Uma experiência socialista

Um professor de economia na Universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo. '

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Pierce Rogers, 1931

15/06/2010

Palhaçadas

Acho que os portugueses andam a ser enganados desde que fugiram os palhaços do circo.

Chico

14/06/2010

TV Tagus



13/06/2010

Jangada de pedra

11/06/2010

Munique e cerveja

Tempo invulgarmente quente em Munique, faz florir a beleza e generaliza o convívio ao ar livre e, como é tradição, o consumo de cerveja.

É o caso do insuspeito parque Hirschgarten com o seu Biergarten onde milhares de pessoas jantam e bebem ao final de cada dia, numa organização tão calma quanto impecável.

Para quem tem outra ideia do país, uma amostra muito civilizada.

10/06/2010

10 de Junho

O dia 10 de Junho é visto de diferentes formas conforme é olhado pela "esquerda" ou pela "direita".

A despeito das perspetivas mais radicais, há quem utilize o poder para se servir.

09/06/2010

O iPad em Munique

A Apple Store de Munique, na Rosen Strasse, está diariamente repleta de entusiastas e curiosos de produtos Mac.


Como seria de esperar, o novo iPad é a estrela da companhia: revolucionário, polémico, marca indiscutivelmente o início de uma nova era.

Irresistível, já está encomendado. É só aguardar...

Praia das Maçãs

Praia das Maçãs é local de encontro com violência do mar.

08/06/2010

Peseteiro?

07/06/2010

Há mais vida para além deste orçamento

Jacinto Nunes,  economista, governador do Banco de Portugal, em 1983, diz que a actual crise é mais grave do que as anteriores e mostra-se preocupado com as soluções que estão a ser postas em prática pelas autoridades.

Conheceu de perto a crise de 1983. Como é que a compara com a atual?

Esta crise é diferente da de 1983, que não foi tão grave. O que vivemos em 1983 foi uma crise de pagamento. A atual situação é de gravidade quase idêntica à de 1929, mas de natureza diferente. A de 1929 era de insuficiência da procura e por isso surgiu o keynesianismo como doutrina para compensar a insuficiência de procura. Esta é uma crise de crédito.

Não teme que com as medidas de contenção que se estão a tomar não se esteja a caminhar também para uma crise de procura?

Se temos 600 mil desempregados, com certeza que a procura se ressente.

E não seriam adequadas políticas keynesianas de reforço da procura?

Políticas keynesianas de insuficiência da procura, não. Pelo seguinte: o mundo dos anos 30 não é o mundo de hoje, são diferentes. Não digo que mudou em três semanas. O que digo é que o mundo de há 80 anos não é o mundo de hoje. E há duas diferenças fundamentais: uma é que antes não existia a globalização e, portanto, o livro de Keynes foi dirigido sobretudo para economias desenvolvidas, EUA e Grã-Bretanha, onde a aplicação da despesa tinha os seus efeitos multiplicadores dentro dos próprios países. Agora, se em Portugal seguirmos uma politica keynesiana, vai ser um desastre, pois em equipamento importamos tudo. Hoje até importamos alimentos, desde a alface, ao tomate, à cebola.

Portanto, iríamos ajudar outros países?

Sim. Se o Estado fizer uma politica keynesiana pura de aumento maciço de despesa, isso traduz-se num aumento da dívida externa, porque não existe oferta nacional para satisfazer esse aumento da procura.

Então, se fosse primeiro-ministro, que medidas adoptaria? Não apostaria no investimento público?

A propósito de investimento público, está a fazer-se uma confusão. Eu sou um partidário de investimento público, mas sou completamente contra as grandes obras que não são reprodutivas. E até admito que possa existir uma grande obra que tenha retorno. O TGV para passageiros não acredito, mas penso que quando houver condições é fundamental desenvolver o porto a sul de Sines, para acabar com aquele buraco, e outro a norte, em Leixões ou Aveiro, e fazer uma linha de alta velocidade para a Europa, mas só quando a Espanha fizer a ligação a França. O que é que vamos fazer até Madrid? Ou aquela infantilidade de dizer que os espanhóis vêm cá tomar banho... Só por brincadeira se admite uma afirmação destas. Eu não sou contra o investimento público, e penso até que temos de o fazer. Com mais de 600 mil desempregados e com o acesso ao subsídio de desemprego a ser ainda mais limitado, isto vai refletir-se na insuficiência de procura líquida. Depois quem é que dos privados vai investir num clima destes? Temos que ir buscar alguma compensação ao investimento público, mas ao pequeno investimento público. É claro que aquilo que o primeiro-ministro citou na última entrevista à RTP está certo, ele falou de creches, de escolas, da qualificação urbana. Mas lá acrescentou o TGV, o que é uma tolice... já lhe chamam o TGV do Alentejo.

Uma das diferenças em relação a 1983 é que havia a expectativa de que a economia ia recuperar. Mas hoje não temos essa expectativa. Preocupa-o?

Por isso é que digo que, quando Jorge Sampaio disse que havia vida para além do défice, naquela altura a frase não era apropriada, mas hoje, reinterpretada, é apropriada. Porque vamos chegar a 2013, se estas medidas de contenção de facto chegarem, numa situação económica má. E em 2014, começam as PPP e vamos outra vez apertar o cinto e sem recuperação à vista. E o que é que vai melhorar a situação da economia nacional? O TGV? O aeroporto? Não. Temos que ir fazendo alguns investimentos privados e temos que ir tomando medidas estruturais. Não custa dinheiro fazer a reforma da Justiça, do código penal e do código civil. Como é que vamos atrair o investimento estrangeiro se ele sabe que, se tiver um problema da justiça, demora oito anos a resolvê-lo? Porque não fazemos a reforma da educação? Estas reformas não custam nada, mas não se fazem. Agora só se pensa no défice. Por isso digo que agora faz sentido dizer que há vida para além do défice. E qual é essa vida? Um conjunto de medidas de reformas estruturais da administração pública e outras.

Critica este Governo pela situação em que estamos?

As coisas boas deste Governo foram a reforma da Segurança Social e a politica energética. Mas houve erros que levaram a este défice enorme e um deles foi a redução do IVA. Outro foi dar 2,9 por cento aos funcionários públicos num ano em que a inflação é negativa. Para quê 2,9 por cento? Eu até sou tolerante ao ponto de dizer vamos dar qualquer coisa, um por cento, porque a política tem que ser tida em conta. Não sou um técnico surdo, cego e mudo à realidade política. Mas 2,9 por cento? O terceiro erro, dos mais graves, teve a ver com os certificados de aforro (nota). Foram cortar os juros das pessoas que tinham títulos. Foram centenas de milhões de euros de poupanças que saíram para os bancos. Quem é que os vai adquirir agora?

Em 1983, a desvalorização da moeda ajudou muito...

Sim, agora estamos mais limitados, pois não temos nem politica cambial, nem política monetária, só temos a política orçamental, que agora se pode dizer que passou para Bruxelas. Antes fazíamos um abaixamento dos salários, chamado fenómeno da anestesia fiscal, porque as pessoas não davam por isso. Ainda me lembro de propor no orçamento em 1978/79 um aumento dos salários dos funcionários públicos de 20 por cento, quando a inflação estava em 24 por cento. Perdiam poder de compra, mas não ligavam muito. Agora, um processo de ajustamento tem que se fazer mesmo com a quebra dos salários. Não há anestesia fiscal e o ajustamento é direto. E portanto dói e não tenham dúvidas que vai haver contestação social.

Alguns economistas defendem reduções nominais dos salários. Concorda?

O Krugman diz que a área do euro só pode subsistir com uma redução dos salários dos países do Sul, face à Alemanha, de 30 por cento. Talvez seja muito, mas que têm que baixar, têm. E vamos ver como é que os mercados vão reagir aos pacotes anticrise. Uma coisa é o que pensa Bruxelas, mas o problema fundamental é saber como é que os mercados reagem. Se eles considerarem insuficiente, teremos novos pacotes. Já o Maquiavel dizia: quando se começa a fazer mal, então faça-se mesmo muito mal. E depois então abrande-se. Aqui tem-se a mania dos paninhos quentes. Quando se tem que fazer, deve fazer-se.

Portanto, acha que o Governo vai ter de adoptar medidas mais duras do que as que foram anunciadas...

Sim, penso que será inevitável.

Fernando Ulrich, presidente do BPI, disse que "o dia em que batermos na parede pode ser no curto prazo". Como é que viu as declarações ?

Pode ser que tenha razão, mas talvez não tenha sido oportuno. Eu sou insuspeito porque gosto muito dele, mas as declarações podem causar alarme.

Acredita que a vinda do FMI está para breve?

Acho que não. É mais provável que, nós, por nossa iniciativa, adoptemos medidas mais duras. Se o FMI chegar, é porque está tudo muito mal.

Preocupa-o a recente quebra do euro?

Não me assusta muito, se não for um trambolhão, porque alarga a nossa capacidade concorrencial. Quando criámos o euro, o dólar valia mais, algo que agora ainda não acontece.

A resposta dos líderes europeus a esta crise tem sido convincente?

O problema mais difícil está na Alemanha. Lá o euro não é lá muito bem visto. Estive lá na Páscoa e nas sondagens realizadas mais de metade eram favoráveis ao retorno ao marco e à saída do euro. É por isso que Angela Merkel se tentou defender politicamente, sendo dura em relação ao auxilio à Grécia. Agora o BCE fez uma coisa boa que foi começar a comprar títulos de dívida soberana. Mesmo assim, a UE está muito centrada no défice, e por isso é que defendo que há vida para além do défice. A UE devia começar a pensar no que é que os países deverão e poderão fazer para tratar mais do crescimento económico. E não dizer apenas que temos que baixar o défice para baixo de 2,8 por cento. Mas a mim não me faz diferença nenhuma que se em vez de o baixarmos em 2013 o baixarmos em 2014. De resto a França já admitiu essa hipótese. O importante é que a tendência seja descendente. Se em 2013 tivermos um défice de 3,8 por cento, sem grandes estragos na economia, não me preocupa.

Acha que o Banco de Portugal fica bem entregue a Carlos Costa?

Tenho uma boa impressão do novo governador, com quem tenho relações pessoais. É um homem que vem do BEI e que conhece bem este meio e os mercados, com boas relações internacionais.

Como avalia a atual situação do sector financeiro? Teme que haja uma ruptura?

O sector bancário está fragilizado, mas tem-se aguentado. Penso que, em termos de liquidez, não me parece que haja grandes problemas, pois temos colaterais suficientes para ir ao Banco Central Europeu buscar dinheiro.

O vice-governador, Pedro Duarte Neves, já veio dizer que a banca europeia precisava de 700 mil milhões de euros para cumprir Basileia II, que entra em vigor já este ano.

Basileia II tem que ser revista, já está mesmo a ser revista. Numa altura destas de fragilidade, exigir estes níveis de solvabilidade e de liquidez vai arrasar com os bancos. O reforço dos capitais fortalece os bancos, mas retira fundos à economia.

in «Público», 07.06.2010

A sede da BMW

A sede da BMW em Munique, Alemanha, é uma moderna obra de arquitetura.

O complexo das instalações, onde estão expostos diversos modelos de viaturas e motas, é uma lição de marketing, de onde saiem sorridentes e cautelosos, clientes ao volante de veículos fabulosos.

06/06/2010

Munique

A capital da Baviera, Munique, na Alemanha, é uma cidade visionária, moderna, tradicional e palpitando riqueza, com mais de 1 milhão de habitantes.

Além de ser a sede de importantes empresas (BMW, Siemens, Allianz, MAN, etc.), do clube de futebol FC Bayern München e do prestigiado Instituto Max Planck, é mundialmente conhecida pela famosa Oktoberfest, a festa da cerveja.

No centro da cidade, a Marienplatz é sede da câmara municipal. Muito perto, a feira de produtos tradicionais Viktualienmarkt.

(fotografias: «Tempos Modernos»)

05/06/2010

O iPad em Paris

Na FNAC dos Champs-Elysées, em Paris, está disponível o revolucionário iPad.
É possível tocar-lhe, experimentá-lo e, por fim, comprá-lo.

Uma obra de arte absolutamente indispensável para tudo o que se possa imaginar: desde ler o «Público» e o «Tempos Modernos», consultar mapas de viagem com todos os detalhes, rever fotografias de monumentos e paisagens, ver filmes, ler livros...

Salzburg

04/06/2010

FRELIMO: A queda da máscara

MBS: a queda da máscara

A menção pela Casa Branca de que o proprietário do Maputo Shopping Center, Momed Bachir Suleman (MBS), está envolvido no narcotráfico, simboliza a queda de uma máscara que o Estado moçambicano andou a suportar há mais de duas décadas. MBS é um comerciante do norte de Moçambique que, em meados dos anos 90, no auge da liberalização da economia, começou a prosperar vendendo electrodomésticos de ponta num mercado sempre sedento de artefactos eletrónicos a preços de pechincha. Bachir tinha um passado modesto, diz-se, de vendedores de capulanas em pequenas cantinas.

Em meados de 90, Moçambique era um país completamente mergulhado nas malhas do crime organizado. Abertas as fronteiras e reduzido o poder repressivo e vigilante do Estado, irrompeu uma tentação por dinheiro fácil e o país passou a ser usado como rota de tráfico de droga. Em 1995, quarenta toneladas de haxixe foram encontradas em plena cidade de Maputo mas nunca houve condenados. De lá para cá, foram vários os casos de drogas denunciados, ligações expostas, comerciantes que prosperaram nessa maré, mas nunca foram responsabilizados.

Numa democracia emergente e um Estado paupérrimo, altos oficiais públicos optaram por viver das luvas da impunidade que ofereciam à grande corrupção e ao crime organizado. Em 2001, num artigo em conjunto com Peter Gastrow, descrevemos as principais formas de lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado em Moçambique, identificando a excessiva penetração que as redes criminosas tinham no Estado, nomeadamente na Polícia, nas Alfândegas e na Justiça. Na altura, até dissemos que Moçambique era um Estado criminalizado, devido a essa penetração criminosa nas suas estruturas dirigentes. E acrescentamos que estava a beira do chamado state capture. A mim, chamaram-me de anti-patriota e ao serviço de mão externa. Mas o assassinato de Siba Siba Macuácua pôs freio ao rol de acusações, pois, estava ali, trágica, revoltante, uma evidência sem disfarce de uma realidade que apenas ficou menos pungente porque o assassinato do editor Carlos Cardoso teve julgamento e condenações. Por pressão da comunidade internacional.

Os barões moçambicanos sempre cultivaram uma forte consciência de que, para triunfarem, tinham que aliar-se ao Partido no poder, que controla todo o aparato estatal. Desde os tempos de Joaquim Chissano que era normal ver comerciantes ligados a actividades sujas oferecerem enormes quantias de dinheiro ao Partido Frelimo em tempo de eleições, numa prática de financiamento político desarmado de regras, que era o mesmo que comprarem a sua impunidade ou a vista grossa do Estado em matéria fiscal e aduaneira. Lembram-se das jantaradas em que o antigo presidente recebia directamente dinheiros da chamada comunidade empresarial de Maputo? Existem fotos documentando Nini Satar em ofertórios generosos à nata do partidão.

MBS cultivou ferozmente esse desiderato. De pequeno cantineiro de venda de capulanas em Nampula, tornou-se em pouco tempo um importante agente económico em Moçambique, um grande contribuinte, como sói dizer-se. A sua Kayum Center, na Karl Marx, era, antes do Maputo Shopping Center, o principal mercado de electrodomésticos de Moçambique, ao mesmo tempo que mantinha algumas lojinhas de capulanas nos subúrbios para cumprir a tradição.

Nos corredores de Maputo, o crescimento pujante do seu negócio era algo que assustava e deixava incrédula toda a gente. Amigos na Polícia e nas Alfândegas sussurravam explicações óbvias, mas nunca ninguém ousou levá-las às últimas consequências: MBS triunfava não com negócios limpos, mas porque estava ligado à droga. Por isso, todo o moçambicano que ouviu hoje a bombástica notícia, respira um alívio cúmplice: já sabíamos!!! Todos sabíamos, mas quem ousaria meter a mão num homem que alimentava o partidão?

Aliás, esta relação de MBS com o Partido é reveladora da promiscuidade entre política e negócios em Moçambique. E MBS soube usar desse trunfo, da noção de que o Partido era o centro do poder e que para manter esse poder precisaria de dinheiro para aguentar campanhas eleitorais desgastantes e tão caras dada a dimensão do país. Por isso, quando Armando Guebuza emergiu como sucessor de Chissano, quase a contragosto deste, MBS alimentou o novo candidato, comprando os seus cachimbos a preços astronómicos, oferecendo canetas de luxo mas comprando-as logo a seguir, voltando a oferecer os mesmos cachimbos (que Guebuza aparentemente já não usa), financiando o Congresso do Partido em Quelimane, tornando esta força política numa das suas lavandarias instrumentais para o funcionamento das redes agora desmascaradas.

Em 2004, na primeira corrida de Guebuza foi assim. Em 2009, também. Embora as chamadas alas honestas do partido soubessem das cavalgadas sujas de Bachir, nunca ninguém teve a coragem de sugerir que isso era perigoso para o país, para a economia, para a sociedade, para o nosso futuro colectivo. Houve sempre um silêncio cúmplice de todos, porque chefe é chefe.

MBS continuou a “progredir” por essa via. Com o partidão na mão, podia fazer sem que ninguém ousasse enfrentá-lo. Nos corredores das Alfândegas, ainda nos tempos em que a corporação aduaneira passava por uma reforma operacional e remoralizadora, os camiões de Bachir, cheios de importações, tinham luz verde para não serem revistados. Mais tarde, quando as Alfândegas regressaram para mãos moçambicanas, e, numa operação obscura em a introdução de scanners de inspeção não intrusiva foi confiada à Kudumba, uma firma de que a SPI (a holding do Partido) é sócia, MBS conseguiu que a sua mercadoria não passasse nesses instrumentos desenhados para impor maior controlo e ordem no comércio internacional, mas que no caso de Bachir nunca foram usados.

A impunidade e a evasão aduaneira já haviam sido compradas há tempo mas, ao longo dos anos, uma série de moçambicanos, figuras com cargos de chefia em departamentos do Estado (Alfândegas, Polícia, Finanças) aproveitaram-se da generosidade narcótica de MBS para construírem impérios de dinheiro, evidenciando enriquecimento ilícito e corrupção desenfreada, à qual o Estado não consegue controlar, mesmo depois de uma Lei (6/2004) e uma Estratégia Anti-Corrupção (2006) terem sido aprovadas sob o slogan da tolerância zero.

A menção pela Casa Branca do nome de MBS como sendo um dos mais influentes barões de tráfico de droga na África Austral é um golpe tremendo que Moçambique recebe por causa da sua relutância em lutar contra a corrupção e o crime organizado de cabeça erguida. Essa relutância não é inocente. Ela resulta da venda de impunidade que alimentou campanhas eleitorais e outras bizarrias de personalidade e imitações de grandeza. O mesmo lugar onde Barak Obama proíbe agora os cidadãos americanos de consumirem, é onde o Partido Frelimo abriu uma loja a custo zero – contra as centenas de USD/mês que custa o aluguer de um m2 para a prática comercial comum – para fazer merchandising dos seus símbolos e camisolas. E é onde, num acesso de provincianismo desmedido, foi instituída uma Guebuza Square, numa imitação insípida à famosa praça de Sandton City.

Esse lugar é o famoso Maputo Shoping Center, que abriu em 2007, depois de um investimento de 32 milhões de USD (segundo tem dito MBS a amigos), alegadamente financiados pela banca. E foi o Presidente Guebuza quem inaugurou o centro. Um dos incentivos dado a esse “grande investimento” foi MBS abastecer a mercearia do centro com produtos importados sem pagarem impostos, numa tremenda concorrência desleal.

Vivendo com salários de miséria, os moçambicanos adoram o Maputo Shopping, pelos baixos preços de mercearia, tal como adoravam o Kayum Center antes deste sofrer um incêndio no ano passado. Do incêndio, a polícia nunca revelou as causas, mas os bombeiros tiveram tremenda dificuldade em debelar o fogo e houve quem dissesse que isso tinha a ver com as “substâncias” que lá estavam. Quando o fogo deflagrou, um das caras públicas que acorreu ao local foi o ministro Manuel Chang, das Finanças, pois era preciso consolar um “grande contribuinte”.

Há meses, antes desta grande relevação da Casa Branca, foi anunciado que MBS conseguiu que o Estado lhe trespassasse o recinto da Marinha de Guerra, que fica mesmo defronte ao Shopping na baixa de Maputo. Não houve hasta nem concurso público, e MBS conseguiu mexendo uns pequenos pauzinhos controlar uma valiosa porção de terra na baixa de Maputo. Tem sido assim em Moçambique. A Lei de Procurement (54/2005) ainda não serviu para impor decência nos negócios do Estado e a gestão do solo urbano é feita sem critérios, servindo apenas para enriquecer figuras bem colocadas num país onde a Constituição estabelece que a terra é do povo.

Agora, o Estado moçambicano deve agir para fazer justiça usando as leis nacionais. As autoridades judiciais moçambicanas devem urgentemente solicitar à Justiça americana as evidências que ela diz ter contra MBS e, a partir daí, tomar todas as medidas devidamente enquadradas no direito nacional e no direito internacional aplicável a Moçambique. É uma questão de honra para todos os cidadãos moçambicanos. E é o mínimo que o Presidente Guebuza pode fazer para proteger a nossa dignidade.

Marcelo Mosse
in «Savana», 02.06.2010