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16/11/2013

No Reino da Dinamarca

Em Copenhaga, Dinamarca, um motorista de autocarro, somali, de nome Mukhtar fez anos e vai trabalhar como em qualquer dia.

Ele está na empresa de autocarros há muito tempo e faz a mesma carreira todos os dias. É querido por todos pela sua atenção e especialmente pelo sorriso que carrega sempre       nos seus lábios. Eis o que lhe prepararam a companhia e os passageiros.


04/08/2013

Anoushka Shankar "Traveller"

Por todas e mais uma razões, um tesouro a não perder: 

26/07/2013

Grândola Vila Morena

A canção que hoje persegue os políticos da era da troika nunca foi pacífica para as pessoas de Grândola - nem para o intérprete Zeca Afonso, que nunca mais lá a cantou depois de uma vez ter sido impedido de a terminar.

Viagem ao passado recente de um símbolo. Aquilo foi uma espécie de “Grândola” ao contrário, mas aconteceu em Grândola.

Ninguém foi impedido de falar por causa da canção como se tornou costume agora, deu-se o inverso: a cantiga foi interrompida, o que é difícil de entender, os tempos eram tão estranhos que hoje ainda há quem oiça esta história custando acreditar nela.

Parecia tudo às avessas, o mundo estava revirado pelos forros, e a prova é que o sucedido se passou com Zeca Afonso, a cantar o “Grândola Vila Morena” no salão dos Bombeiros Voluntários de Grândola, ali na Praça da Palmeiras, nome popular, uma vez que o verdadeiro é da República, com estátua de um republicano no meio.

José Afonso começou, mas não acabou, não o deixaram terminar, aconteceu o impensável: apuparam-no, assobiaram-no, gritaram-lhe “esquerdista”, estragaram o espectáculo, estava o caldo entornado, não havia fraternidade, muito menos um amigo em cada esquina, o Zeca meteu a viola no saco, literalmente. Fez o que fazem hoje alguns ministros, quando pela canção não os deixam falar, estes tempos de troika também são dos avessos. Ele foi-se embora, abalou, como dizem os alentejanos.

Os manifestantes não eram fascistas, antes fossem, ai do fascista que se metesse em trabalhos naqueles tempos, levava uma carga de porrada que nem sabia, aquela malta era danada, e até havia um bairro chamado “Danado” no centro da vila a provar que a pancadaria era fruta da época quando fosse preciso.

Os autores dessa “grandolada”, designação moderna que não existia no pós-PREC, eram comunistas, custa a crer. Eram militantes do PCP, organizados ou voluntariosos, quem fala disso não o sabe dizer, não perdoavam a José Afonso o apoio a Otelo Saraiva de Carvalho nas presidenciais de 1976 contra o camarada Octávio Pato, nem a sua aproximação à LUAR, organização de extrema-esquerda, que como as outras forças radicais não alinhava com o Partido Comunista, força dominante no Alentejo e em Grândola também, pelo menos até 2001.

Podia compreender-se a tristeza da militância exacerbada, afinal a revolução passara, o PREC finara-se em finais de 1975, mas em Grândola ainda estava tudo muito quente, muito vivo, as fronteiras bem traçadas, nos códigos da esquerda chamava-se a isto setarismo, por isso é que o PCP e o Bloco de Esquerda ainda hoje não se entendem.

O boicote foi testemunhado por José Horta, que foi próximo da UDP e hoje é presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Serra (independente pelo PS), e confirmado por Dulce Manuel, sobrinha do célebre Zé da Conceição, um dos responsáveis pelo convite que desencadeou a criação do poema do “Grândola Vila Morena”, mas essa é outra história, já lá vamos. Nem um nem outro se lembram da data certa do incidente, talvez em 1976, no máximo terá acontecido em 1978, na fase em que o adversário político se confundia com inimigo, um tempo em que as atitudes políticas deixavam marcas para uma vida.

José Afonso não esqueceria o episódio. “No fim do concerto, veio falar comigo e com os meus pais e estava muito aborrecido com aquela situação”, recorda Dulce Manuel. “Ficou muito magoado com Grândola”, diz. Segundo se lembra José Horta, o Zeca havia de “comentar que tinha sido a única terra onde não tinha conseguido acabar o Grândola Vila Morena”. Não voltou a cantar na vila cujo nome celebrizou, embora nem para todos essa fosse uma designação de boa fama.

A historiadora Irene Pimentel, que escreveu uma fotobiografia de José Afonso, destaca a sua humildade e “pudor” em relação a homenagens – na vila há ruas e praças com o nome dele – mas também confirma: “Sei que ele estava muito magoado com Grândola”. Teria a ver com o referido episódio, e ao mesmo tempo com a tentativa de apropriação por parte do PCP, não deixava de parecer contraditório.

Dentro de Grândola, a “Vila Morena” era em geral uma cantiga desconfortável para quem não fosse comunista. Os grupos de extrema-esquerda acusavam o PCP de se ter apropriado da obra de Zeca Afonso e de tentar ocupar a sua memória. Apesar disso, na Renault 4L que circulava pelas ruas com os megafones do PCP no tejadilho, o partido emitia dias a fio músicas de Zeca como se ele fosse um comunista.

Para os não comunistas, que sendo menos ainda eram alguns, tanto fazia. Aquela canção, bonita como os mais belos cantares alentejanos, com uma letra política subtil, menos panfletária que muitas outras, a falar de amigos e de fraternidade, era coisa de comunas, merecia distância, vade retro brejenvistas, durante muito tempo se confundiu a revolução com o processo revolucionário, as cicatrizes eram profundas. A terra tinha nome próprio e dois apelidos, Grândola e “Vila Morena”, motivo suficiente para um anónimo ao longo dos anos os pintar na placa de entrada na localidade, que a seguir alguém riscava, embora ele voltasse escrever: “Grândola Vila Morena” e alguém tornasse a riscar…

A cantiga não era universal como viria a ser. “As pessoas não gostavam de Grândola porque, por causa da música, ficou com a fama de ser a causadora da revolução e depois toda a gente achava que em Grândola só havia comunistas!”, contou um idoso grandolense a Joana Correia, no âmbito de um mestrado da Universidade Aberta sobre Identidade e Memória, realizado em 2010.

Os depoimentos recolhidos foram todos anónimos, ainda hoje poucos aceitam dar a cara para falar destes desconfortos. A proprietária de uma mercearia recordava outro episódio eloquente: “A única vez que disse [ser de Grândola] serviu de lição: tínhamos ido numa excursão, eu e um grupo de amigas, e estávamos a almoçar numa pensão. Calhou estarmos a falar na nossa terra e, de repente, todas as pessoas que estavam a almoçar à nossa volta levantaram-se e saíram, a dizerem que não comiam na mesma sala em que estivesse ‘gentalha’ de Grândola.

O dono da pensão veio ter connosco e convidou-nos a sair, dizendo que não servia almoços a comunistas. E eu que nunca fui comunista…” As histórias sucedem-se, como a do agricultor que numa feira de gado teve de ser acudido por um compadre de Alcácer do Sal. “A verdade é que por causa disso acabei metido numa bonita sem ter feito nada”. Quando disse que era de Grândola, o homem que estava à sua frente voltou-se, agressivo. “E eu só dizia: mas eu não tenho culpa de ser de Grândola!” Ninguém tinha culpa, os símbolos são o que são.

Naquele tempo, em que os carros usavam uma placa a dizer a localidade de origem, podia ser um problema transportar aquele nome e viajar para o Norte, onde até há poucos anos se queimavam sedes do PCP em autos de fé políticos. “Quando íamos passear para fora de Grândola, tínhamos sempre que tapar essa chapa porque corríamos o risco de sair do carro e quando voltássemos ter o carro todo partido. Aconteceu a muita gente. Nunca dizia que era de Grândola.

As pessoas não gostavam, achavam que em Grândola éramos todos comunistas”, contou uma professora reformada à mesma investigadora. Se no Norte e no Centro do País os grandolenses eram rotulados de moscovitas mesmo não o sendo, em Grândola se não o fossem eram pelo menos reaccionários. Os piores seriam fascistas, dependia se tinham terras ou fábricas de cortiça. O mundo era a preto e branco, os cinzentos e as tonalidades vieram depois com o amornar dos fervores tanto revolucionários, como da reação.

O centro geométrico político daquela Vila Morena estava muito deslocado, havia razões sobejas para isso, tanto sociais como históricas, de modo que a direita começava demasiado à esquerda, eram sintomas não só dos tempos mas do contexto de décadas. Bastava ver o que era a vida dos trabalhadores rurais.

O tempo fez o seu trabalho. Toda esta história começou 10 anos antes do 25 de Abril. Era o ano de 1964. O encenador Hélder Costa, natural de Grândola, estudava em Coimbra, onde vivia numa república chamada Prá-Kys-Tão, e era amigo de Zeca Afonso, que aparecia de vez em quando a visitar os que prály-estavam. Apesar da distância, o alentejano filho da D. Mariana continuava activo como membro da “Música Velha”, o nome simplificado que o povo dá à SMFOG – Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense – onde o já referido Zé da Conceição desenvolvia um trabalho de dinamização cultural de contornos políticos.

Nesse ano, no âmbito do 52º aniversário da “Música Velha”, Zé da Conceição convidou Zeca Afonso através de Hélder Costa para actuar no dia 17 de Maio em Grândola. Era um luxo. Carlos Paredes tinha acabado de compor os Verdes Anos. Atuaram os dois no mesmo dia. Conheceram-se ali. “Foi extraordinário”, recorda Hélder Costa, “durante a noite o Zeca estreou canções que ninguém conhecia.

A relação foi tão afectiva que dias depois mandou para a direção da coletividade um poema de homenagem a Grândola, que não era uma canção”, recorda o encenador. O poema foi lido publicamente na sociedade a 31 de Maio. A carta enviada tinha sido escrita a tinta verde, “não sei o que lhe passou pela cabeça”, recorda-se Hélder Costa, e o original foi guardado por Zé da Conceição. “Desgraçado, perdeu-a, ou está escondida ou muito bem guardada”, diz o encenador, a verdade é que a letra começou a ser cantada com a música do “Baleizão, Baleizão”, lembra-se Dulce Manuel, a sobrinha de Zé da Conceição.

A canção definitiva do autor só apareceu com a edição do álbum Cantigas do Maio, em 1971, depois de pelo menos quatro versões diferentes e após e de ter perdido uma estrofe pelo caminho: “Capital da cortesia / Não se teme de oferecer / Quem for a Grândola um dia / Muita coisa há-de trazer”.

Como o destino é feito de acasos, a canção nunca teria esta importância política se a Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA) não se tivesse lembrado de escolher “a Grândola” como contra-senha para a operação que desencadeou o golpe militar, no dia 25 de Abril de 1974.

Carlos Beato, ex-presidente da Câmara de Grândola (2001-2013), alferes na coluna de Salgueiro Maia que tomou o poder a Marcello Caetano, diz que a “Vila Morena” foi escolhida porque não estava na lista da censura e podia ser passada na rádio sem levantar suspeitas. Foi emitida na Renascença à meia noite e vinte. Tornou-se um hino.

No entanto, a relação do autor com a sua “capital da cortesia” nunca mais seria a mesma depois daquele concerto no salão dos bombeiros. José Afonso chegaria a ter uma casa em S. Francisco da Serra, perto de Grândola, e são vários os relatos, exagerados ou não, de que entrava no café Pica-Pau, onde se juntavam os simpatizantes e militantes comunistas, e que não lhe falavam ou saíam para a rua para não lhe falarem. Pelo menos não era recebido de forma calorosa. Em cada esquina um amigo. E em cada rosto igualdade.

Em meados dos anos 80, um grupo que não estava ligado diretamente ao PCP organizou-lhe uma homenagem, já José Afonso estava doente. “Aceitou, mas estava muito triste porque tinha sido mal recebido na terra”, conta Isabel Revez, quadro superior da câmara de Grândola, uma das organizadoras do evento. O autor falou com amigos para participarem, colaborou mas não esteve presente, e pediu, quase como condição, que se falasse de Timor, o que a organização cumpriu, convidando os refugiados timorenses em Portugal.

Apesar de tudo, “fez-se o espetáculo debaixo de alguma tensão”, diz Isabel Revez. As comemorações tinham dois dias, mas não passaram do primeiro, quando Francisco Fanhais se sentiu visado por um funcionário da autarquia, quando ao dedicar uma música a Otelo, preso no âmbito do processo das FP’25, o animador cultural da câmara o tentou apressar ou calar. Caiu mal. Fanhais terá dito que se não o calavam antes do 25 de Abril não seria agora censurado, houve alguma confusão. No dia seguinte a homenagem foi um fiasco, com o cartaz cancelado, de Fausto a José Mário Branco, tudo ausente.

Quando houve uma petição na Assembleia Municipal para reunir fundos e apoiar tratamentos para o cantor no estrangeiro, a proposta não passou, com os votos contra do PCP, recorda Graça Nunes, actual presidente da câmara, do PS.

Quando se organizou o concerto no Coliseu em 1983, o último do cantor, Ivone Chinita, uma grandolense que trabalhava na produtora Era Nova, terá enviado convites para a câmara municipal, que ficaram por usar. Dilar Chinita, irmã de Ivone, já falecida, recorda: “A minha irmã ofereceu um envelope com 40 bilhetes para a câmara organizar um autocarro, mas ninguém foi. Disseram-lhe na câmara que as pessoas não estavam interessadas”.
Mais setarismo.

02/07/2013

Coro do Metroploitan House de Nova York

Tu mereces: Fantástico, Soberbo!

09/05/2013

Göttingen Barbara

A União Europeia é uma fabulosa construção Humana, uma conquista da Liberdade e da Paz.

É por isso que é preciso tudo fazer para continuar e aprofundar o Projeto Europeu.

E recordar Göttingen docemente cantado por Barbara Brodi:



03/05/2013

Mary Hopkin

Porque hoje ela faz anos! Música boa.

24/04/2013

Richie Havens e "Freedom" no Woodstock 1969

Para a memória de inesquecíveis tempos, em dia de mais uma perda:

22/04/2013

Lado B

Um pequeno single em cujo lado B havia esta preciosidade (Françoise Hardy "J'ai coupé le telephone"):


30/10/2012

Bill Cosby "I'm 74 and Tired"

Tenho 74 anos e estou cansado. Exceto um breve período na década de 50, quando fiz o meu serviço militar, tenho trabalhado duro desde que eu tinha 17 anos. Trabalhava 50 horas por semana, e não caí doente em quase 40 anos. Tinha um salário razoável, mas não herdei o meu trabalho ou o meu rendimento. Eu trabalhei para chegar onde estou, e cheguei economizando muito, mas estou cansado, muito cansado.
 
Estou cansado de que me digam que eu tenho que "distribuir a riqueza" para as pessoas que não querem trabalhar e não têm a ética de trabalho. Estou cansado de ver que o governo fica com o dinheiro que eu ganho, pela força, se necessário, e o dá a vagabundos com preguiça para ganhá-lo.
 
Estou cansado de ler e ouvir que o Islamismo é uma "religião da paz", quando todos os dias eu leio dezenas de histórias de homens muçulmanos a matar suas irmãs, esposas e filhas pela "honra" da sua família; de tumultos de muçulmanos sobre alguma ligeira infração; de muçulmanos a assassinar cristãos e judeus porque não são "crentes"; de muçulmanos queimando escolas para meninas; de muçulmanos apedrejando adolescentes, vítimas de estupro, até a morte, por "adultério"; de muçulmanos a mutilar o genital das meninas, tudo em nome de Alá, porque o Alcorão e a lei Sharia diz para eles o fazerem.
 
Estou cansado de que me digam que por "tolerância para com outras culturas" devemos deixar que Arábia Saudita e outros países árabes usem o dinheiro do petróleo para financiar mesquitas e escolas madrassas islâmicas, para pregar o ódio na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, enquanto que ninguém desses países está autorizado a fundar uma sinagoga, igreja ou escola religiosa na Arábia Saudita ou qualquer outro país árabe, para ensinar amor, tolerância e paz.
 
Estou cansado de que me digam para eu baixar o meu padrão de vida para lutar contra o aquecimento global, o qual não me é permitido debater.
 
Estou cansado de que me digam que os toxicodependentes têm uma doença, e eu tenho que ajudar no seu tratamento e pagar pelos danos que fazem. Eles procuraram sua desgraça. Nenhum germe gigante os agarrou e encheu de pó branco seus narizes nojentos, ou à força injetou porcaria em suas veias esquerosas.
 
Estou cansado de ouvir ricos atletas, artistas e políticos de todas os partidos falarem sobre erros inocentes, erros estúpidos ou erros da juventude, quando todos sabemos que eles pensam que seus únicos erros foi serem apanhados. Estou cansado de pessoas sem senso do direito, sejam elas ricas ou pobres.
 
Estou realmente cansado de pessoas que não assumem a responsabilidade por suas vidas e ações. Estou cansado de ouvi-las culpar o governo e a sociedade de discriminação pelos "seus problemas."
 
Também estou cansado e farto de ver homens e mulheres serem repositório de pregos, pinos e tatuagens de mau gosto, tornando-se assim pessoas não-empregáveis e, por isso, reivindicando dinheiro do governo (Dos impostos pagos por quem trabalha e produz).
 
Sim, estou muito cansado. Mas também estou feliz por ter 74, porque não vou ter de ver o Mundo que essas pessoas estão CRIANDO.
 
Mas estou triste por minha neta e os seus filhos. Graças a Deus estou no caminho de saída e não no caminho de entrada.
 
Não há maneira de isto ser amplamente divulgado... A menos que cada um de nós colabore, enviando e ganhando força para contrariar esse (mau) caminho que o Mundo, por força de (péssimos) governantes, nos está proporcionando.
 
 
" I'm 74 and I'm tired.
(Tenho 74 e estou cansado)
 

16/10/2012

Xico

Esta mulher - Luísa Sobral - desperta paixões!
Música fabulosa.

28/08/2012

Márcia: A pele que há em mim (Quando o dia entardeceu)

Uma voz espantosa é a da portuguesa Márcia. Acompanhada por JP Simões diz:

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu


E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
O sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu


Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu o caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei, p’ra lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
P’ra voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber…

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada,
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala
Na vertigem da voz quando enfim se cala.


15/08/2012

Luísa Sobral: "Não és homem para mim"

Depois de ouvir Luísa Sobral, temos a certeza que é mulher de todos nós.

Tem uma voz fabulosa e faz uso de letras e melodias envolventes.
E demonstra-se que com conhecimento e bom gosto se pode transformar (até) música pimba (original: Romana) em arte.

Está tudo dito: é preciso comprar "The Cherry On My Cake"!

11/05/2012

A felicidade existe num momento e pode deixar de existir noutro

A felicidade existe num momento e pode deixar de existir noutro.
Bernardo Sassetti (24.06.1970 - 10.05.2012)

23/03/2012

Nini

Chamava-se Nini
Vestia de organdi
E dançava (dançava)
Dançava só pra mim
Uma dança sem fim
E eu olhava (olhava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Que lá no baile não havia outro igual
E eu ia para o bar
Beber e suspirar
Pensar que tanto amor ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a canção
E eu dançava (dançava)
Sentia uma aflição
Dizer que sim, que não
E eu dançava (dançava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda sempre assim
Nini dançava só pra mim

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só pra mim
Nini dos Meus 15 anos

Paulo Carvalho

Aí Benjamim!


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seu seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
" - Não viu... (ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
Viriato Cruz

24/02/2012

Adios Nonino. Piazzolla

Esse vídeo é realmente fantástico, um tango maravilhoso tocado por Carel Kraayenhof, e quando a orquestra e o coral entram então é de arrepiar. O casamento é de um príncipe holandês e uma argentina e ela vai às lágrimas com a homenagem à música típica da sua pátria.
A música, Adios Nonino, do mestre Astor Piazolla e Bob Zimmerman. O solista é o alemão Carel Kraayenhof.

Antes uma pequena historinha:

"Em 1959, na República Dominicana, e quando faltavam minutos para começar seu recital, Piazzola ficou sabendo que na Argentina distante seu pai havia morrido. Subiu ao palco em silêncio, tocou com a agonia de sempre e quando tudo terminou voltou para casa, pediu para ficar sozinho e compôs aquele que seria seu tango mais tocado e conhecido: Adiós Nonino. Era assim, em italiano, que Diana e Daniel, filhos de Piazzola chamavam o avô".

(Eric Nepomuceno, no encarte Piazzola: O Homem que reinventou Buenos Aires, que acompanha o CD Arthur Moreira Lima interpreta Piazzola).

Aqui, em homenagem a uma Mulher e Mãe brilhante

30/01/2012

Sem palavras

19/01/2012

Elis Regina

Foi há 30 anos que a língia portuguesa perdeu uma estrela.

Aqui:

10/01/2012

Paganini, Il carnevale di Venezia

Uma atuação imperdível:

28/12/2011

Sous la mer, comme si tu y étais ...

Para um ser em especial: