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27/11/2013

Schweine Σωκράτης

Ouve lá animal: os portugueses estão fartos das tuas porcarias e negociatas. Desampara-nos a loja, emigra, desaparece, vai filosofar para Antártida.

Não inventes mais. Não são precisos mais TGV, OTA, SCUT e Magalhães.

Esquece-nos, deixa-nos em paz, porra!

19/11/2013

Cunha para a filha do camarada Sérgio Vieira

 
Embaixadora tentou favorecer filha de político que decidiria sobre a Vale

Leda Lúcia Camargo comandava a Embaixada do Brasil em Moçambique quando pediu, em 2004, que fosse 'considerada com especial atenção' candidatura de estudante ao PEC-G

 
Amanda Rossi - Especial para o Estado, 31 de outubro de 2013

A embaixadora brasileira Leda Lucia Camargo tentou favorecer a candidatura da filha de um político de Moçambique para o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que oferece vagas para estrangeiros no Brasil, em 2004. Segundo a diplomata, o político era um dos "mais importantes integrantes" do grupo que decidiria naquele ano se a Vale do Rio Doce receberia concessão para explorar o carvão de Moatize, no norte do país. 
Telegrama da embaixadora - Reprodução
Reprodução
Telegrama da embaixadora
"Tomo a liberdade de recomendar que seja considerada com especial atenção a candidatura da estudante (4ª colocada com alta média entre 33 candidatos) ao curso de Estilismo e Moda da Universidade de Londrina. A estudante é filha de Sérgio Vieira, alta autoridade do núcleo político do governo moçambicano, um dos mais importantes integrantes do grupo que decidirá sobre as minas de Moatize", escreveu em telegrama confidencial e urgente enviado para o Itamaraty em 21 de julho de 2004.
Apesar do pedido, a estudante não foi aceita. A Vale ganhou o direito de explorar o carvão moçambicano em novembro de 2004. Leda Camargo foi a embaixadora do Brasil em Maputo entre 2004 e 2007 e hoje comanda a Embaixada na Suécia.
O PEC-G é o maior programa de cooperação educacional do Brasil, desenvolvido pelo Itamaraty e pelo Ministério da Educação (MEC). Estão cadastradas 97 instituições de ensino superior, entre elas USP, Unicamp, UnB e UFRJ. De 2000 a 2013, foram beneficiados 7.600 estudantes da África e América Latina. A escolha é feita em duas etapas. Primeiro, as embaixadas brasileiras fazem uma pré-seleção. Em 2004, a Embaixada do Brasil em Moçambique selecionou 33 nomes, entre eles o da estudante citada no telegrama. Já a seleção final é feita em Brasília pelo MEC. Nesta fase, a garota não foi incluída entre os 20 selecionados.
Negativa. O Itamaraty e a embaixadora Leda Camargo disseram que não podem comentar o teor do telegrama porque ele está classificado como "secreto", ou seja, com grau de sigilo de 15 anos – até 2019. Originalmente, o grau de sigilo era "confidencial" - 10 anos. Em abril de 2012, um mês antes da entrada em vigor do decreto que regulamentou a Lei de Acesso à Informação, o Itamaraty ampliou o prazo de sigilo do telegrama.
Em nota, a Vale afirmou que não tem nenhuma relação com os temas apresentados.
Já Sérgio Vieira nega ter sinalizado para Leda Camargo que a decisão de Moatize poderia ser influenciada pela escolha de sua filha para universidade brasileira. "Jamais me passaria pela cabeça uma tal tentativa nojenta de corrupção. A Vale obteve a concessão porque ganhou num concurso em que participaram várias transnacionais". Ele diz que não fez parte do júri que tomou a decisão.
Vieira é um quadro histórico da Frelimo, partido que lutou pela independência e segue no poder. Muito respeitado em Moçambique, ele deixou o governo em 2012 e tem feito críticas ao reassentamento de famílias que viviam na região hoje explorada pela Vale. "Movimenta-se pessoas como mercadorias e no mero interesse do chamado investidor. O que lhes dá em troca? Uma casa a dezenas de quilômetros quando nunca pediram uma nova casa?", afirmou em evento em Maputo, em maio.
A embaixadora Leda Camargo, apesar de considerada no Itamaraty como uma boa negociadora, é uma figura polêmica. Em 2005, a imprensa moçambicana publicou supostas declarações suas de que seu cachorro era mais limpo que os moçambicanos. A frase teria sido dita após Leda ser impedida de entrar com o animal em um shopping de Maputo, capital do país. A embaixadora nega o caso.
Vale. No telegrama de julho de 2004 para o Itamaraty, Leda Camargo ainda dá informações sobre o processo de escolha da mineradora de carvão. "Vieira disse que a CVRD [Companhia Vale do Rio Doce] não deve esquecer que tem 3 concorrentes de peso e que a vencedora certamente será a empresa que estiver mais atenta aos interesses moçambicanos". Para o Estado, Vieira disse que os interesses eram "não ficarmos com os buracos e eles com tudo de riqueza. Infelizmente já surgiram vários conflitos com a Vale, populações sentem-se espoliadas".
O telegrama continua: "Embora o governo local deseje ver vencedora a companhia brasileira, esse sentimento se deve não a uma preferência específica pela Vale, mas por querer atender ao interesse manifestado nesse sentido pelo presidente Lula". No ano anterior, durante a primeira viagem de Luiz Inácio Lula da Silva à África, o então presidente havia se pronunciado a favor da empresa brasileira.
"Necessitamos de projetos de grande envergadura, que sirvam de âncora ao nosso relacionamento econômico. Por isso tenho procurado apoiar o interesse de algumas empresas e, sobretudo, da Vale do Rio Doce na exploração de carvão de Moatize", discursou Lula.
A participação do governo brasileiro nas negociações para a exploração do carvão de Moçambique começou em 1980 e envolveu praticamente todos os presidentes de João Figueiredo a Lula. Em 1981, a Companhia Brasileira de Recursos Minerais começou a fazer pesquisa geológica no país. Em 1989, com José Sarney, a Vale – ainda estatal – assinou acordo para fazer um estudo de viabilidade baseado no modelo de Carajás, no Pará.
Em 2000, após a privatização da Vale, Fernando Henrique Cardoso visitou Moçambique e o carvão voltou à baila. "As negociações estão avançando. Elas se desenvolvem a partir do impulso inicial dado pela visita a Maputo do Presidente Fernando Henrique Cardoso", escreveu em telegrama de fevereiro de 2001 o então embaixador Hélder Martins de Moraes. Ao longo de 2002, a Vale firmou seu interesse no projeto. Com a entrada de Lula, em 2003, as conversas avançaram.
Em 2004, depois de mais de 24 anos de negociações, o Brasil ganhou concessão para explorar o carvão moçambicano. "A Vale apresentou um projeto, que teve apoio do governo brasileiro. Certamente o apoio e a presença do governo brasileiro foram um diferencial para nós. Tem sido e acho que vai permanecer sendo importante", disse Ricardo Saad, diretor de projetos da Vale para África, Ásia e Austrália, em entrevista realizada em abril deste ano.
 

05/11/2013

Voo do cuco

À socapa e ao mesmo tempo que nega dinheiro para pagar decententemente aos médicos moçambicanos, o cuco presidencial torrou mais de 12 milhões de dólares americanos na compra de um avião de luxo para as deslocações presidenciais, da "primeira dama" e filhas.

É preciso muita falta de vergonha.

Eis o famoso Hawker 850XP do senhor Guebuza:

02/11/2013

Guebuza, você está fora de controlo...

Senhor Presidente, você está fora de controlo. Depois de ter gasto um mandato inteiro a inventar insultos para quem quer que seja que tenha ideias sobre os problemas nacionais, em vez de criar oportunidades para beneficiar da experiência e conhecimentos dessas pessoas, agora você acusou os media de serem culpados da crise política... nacional e mandou atacar as sedes políticas da RENAMO.

A crise político-militar que se está a instalar a grande velocidade faz lembrar as antecâmaras do fascismo. Em situações semelhantes, Hitler e Mussolini, Salazar e Franco, Pinochet e outros ditadores militares latino-americanos, Mobutu e outros ditadores africanos, foram instalados no poder, defendidos pelo grande capital enquanto serviam os interesses desse grande capital, e no fim caíram.

Será que você, senhor Presidente, se prepara para a fascização completa do País? Destruir a RENAMO, militarmente, é um pretexto. Fazer renascer a guerra é um pretexto. Parte do problema dos raptos - não todo - e do crime e caos urbano é um pretexto. Permitir a penetração da Al Quaeda em Moçambique é um pretexto. Pretexto para quê? Para suspender a Constituição e aniquilar todas as formas de oposição, atirando depois as culpas para os raptores e outros criminosos e terroristas, ou para aniquilá-los em nome da luta pela estabilidade.

Senhor Presidente, você pode estar a querer fascizar o País, mas não se esqueça que a sua imagem e a do seu partido estão muito descredibilizadas - por causa de si e do seu exército de lambe botas. E essa credibilidade não se recupera com palavras e com mortos. Só se pode recuperar com a paz e a justiça social. O que prefere, tornar-se num fascista desprezível e, a longo prazo, vencido? Ou um cidadão consciente e responsável que defendeu e manteve a paz e segurança dos cidadãos, evitando a guerra e combatendo o crime?

Senhor Presidente, você tem que ser parte da solução porque você é uma grande causa do problema. Ao longo de dois mandatos, quem se rodeou de lambe botas que lhe mentem todos os dias, inventam relatórios falsos e o assessoram com premissas falsas? Quem deu botas a lamber e se satisfez com isso, com as lambidelas? Quem se isolou dos que realmente o queriam ajudar por quererem ajudar Moçambique e os moçambicanos, sem pretenderem usufruir de benefícios pessoais? Quem preferiu criar uma equipa de assessores estrangeiros ligados ao grande capital multinacional em vez de ouvir as vozes nacionais ligadas aos que trabalham honestamente? Quem insultou, e continua a insultar, os cidadãos que apontam problemas e soluções porque querem uma vida melhor para todos (mesmo podendo estar errados, honestamente lutam por uma vida melhor para todos)?

Quem acusa os pobres de serem preguiçosos e de não quererem deixar de ser pobres? Quem no princípio e fim dos discursos fala do maravilhoso povo, mas enche o meio com insultos e desprezo por esse mesmo povo?

Quem escolheu o caminho da guerra e a está a alimentar, mesmo contra a vontade do povo maravilhoso? Quem diz que a guerra, e o desastre humanitário a ela associado, é um teste à verdadeira vontade de paz do povo maravilhoso? Por outras palavras, quem faz testes políticos com a vida do povo maravilhoso? Quem deixa andar o crime, a violência e a pobreza, quem deixa andar a corrupção, o compadrio e as associações criminosas? Quem nomeia, ou aceita a nomeação, de um criminoso condenado a prisão maior para comandante de uma das principais forças policiais no centro do país?

Quem se apropria de toda a riqueza e ao povo maravilhoso oferece discursos e desse maravilhoso povo quer retirar (ou gerir, como o senhor diz) qualquer expetativa? Quem só se preocupa com os recursos que estão em baixo do solo, mandando passear as pessoas,os problemas e as opções de vida construídas em cima desse solo? Quem privatiza os benefícios económicos e financeiros dos grandes projetos e depois mente dizendo que ainda não existem?

Quem se defende nos media internacionais dizendo que passou todos os seus negócios para os familiares enquanto é presidente - e quem é suficientemente idiota para aceitar isto como argumento e como defesa?

Quem divide moçambicanos em termos raciais e étnicos, regionais e tribais, religiosos e políticos - já agora, o que são moçambicanos de gema? Serão os autómatos despersonalizados e ambiciosos que nascem das gemas dos seus patos? O que são moçambicanos de origem asiática, europeia ou africana - são moçambicanos ou não são?

Quem ficou tão descontrolado que hoje acusa os media de serem criadores do clima que se vive no país - foram os media que se apropriaram das terras, iniciaram uma guerra, deixam andar o crime urbano e foram pedir conselhos ao Zé Du? Que tipo de media você quer? Um «jornal notícias» que não tem uma referência destacada a três grandes manifestações populares pela paz e segurança e justiça social que aconteceram ontem no nosso país, embora tenha uma notícia sobre manifestações contra violações no Quénia? Porque é que as manifestações dos outros são verdade e as nossas mentira?

E, já agora, senhor Presidente, pode esclarecer-nos quem matou Samora?

Senhor Presidente, você não merece representar a pérola do Índico nem liderar o seu povo maravilhoso. E desmerece-o mais cada dia. Você foi um combatente da luta de libertação nacional e um poeta do combate libertador, mas hoje não posso ter a certeza que liberdade e justiça tenham sido seus objetivos nessa luta heróica.

O povo maravilhoso, ontem, prestou homenagem a Moçambique, a Mondlane e Samora, aos valores mais profundos da moçambicanidade cidadã e da cidadania moçambicana. Foi bonito ver as pessoas a manifestarem-se por causas justas comuns, a partilharem a água e as bolachas, a abraçarem-se e distribuírem sorrisos, a apanharem o lixo que uma tão grande multidão não poderia deixar de criar. Foi bonito ver quão bonitos e cívicos Moçambique e os moçambicanos, na sua variedade, são. Foi bonito ver os cidadãos aplaudirem a polícia honesta e abraçarem os seus carros, e os polícias absterem-se de atacar os cidadão. Foi bonito ver que conseguimos juntar uma multidão consciente, cívica e honesta, que o seu porta voz partidário, Damião José, foi incapaz de desmobilizar. Foi bonito ver a bandeira e o hino nacionais a cobrirem todos os moçambicanos, moçambicanos que são só moçambicanos e nada mais.

E no seu civismo e afirmação da cidadania moçambicana, esta multidão para si só tinha três palavras: "fora, fora, fora". Tenha dignidade e, pelo menos uma vez na vida, respeite os desejos do povo. Reúna os seus patos e saia, saia enquanto ainda há portas abertas para sair e tempo para caminhar. Não tente lutar até ao fim. Isso só vai trazer tragédia, mortes e sofrimento para todos e, no fim, inevitavelmente, você e todos os outros belicistas, criminosos e aspirantes a fascistas, sejam de que partido forem, serão atirados para o caixote do lixo da história. Saia enquanto é tempo, e faça-o com dignidade. Ninguém se esquecerá do que você fez - de bem e de mal - mas perdoá-lo-emos pelo mal por, pelo menos no fim, ter evitado uma tragédia social e saído com dignidade.

Que, pelo menos, o seu último acto seja digno e merecedor deste povo maravilhoso. E, enquanto se prepara para sair, por favor devolva ao país e ao Estado a riqueza de que você, a sua família e o seu grupo de vassalos e parceiros multinacionais se apropriaram. Leve os seus patos mas deixe o resto. E, por favor, use as presidências abertas, pela última vez, mas para se despedir, pedir desculpas e devolver a riqueza roubada.

Saia, senhor Presidente, enquanto ainda é suficientemente Presidente para sair pelas suas próprias pernas.

Você sabe, de certeza, o que quer dizer "A Luta Continua!" Então, saia.

E não perca tempo a abater ou mandar abater ou encorajar a abater ou deixar abater alvos seleccionados, sejam eles quem forem. O sangue de cada um desses alvos só vai engrossar ainda mais o rio em cheia que o atirará a si, e seus discípulos, como carga impura, para as margens do rio poderoso fertilizadas pela luta popular. O povo não morre, e é o povo, não um alvo seleccionado, seja quem for, quem faz a revolução. Não se esqueça que a fúria do rio em cheia é proporcional à água que nele flui e à pressão que sobre ele exercem as margens opressoras.

Senhor Presidente, não tente fascizar Moçambique. Se o fizer, pode levar tempo, podem muitas vidas ser encurtadas pelas suas forças repressivas de elite, mas se seguir este caminho, você sairá derrotado. A história não perdoa.

Adeus, senhor Presidente, vá descansar na sua quinta com a sua família e dê à paz e à justiça social uma oportunidade nesta pérola do Índico e em benefício do seu maravilhoso povo. Por favor.

Não lhe queremos mal. Mas, acima de tudo, queremos a paz e que os benefícios do trabalho fluam para todos.

 
Maputo, 01.11.2013
Professor Associado da Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane, UEM
 
 

 

25/10/2013

Os ratos

Eles chegaram pobres do exílio e do norte.
 
Começaram por roer o cofre, a fortuna que os colonos portugueses deixaram. Roeram aquilo a que chamavam lojas do povo, roeram as peixarias do povo, os supermercados do povo.
 
Os ratos roeram tudo.

Roeram as cooperativas de consumo, as barbearias do povo. Roeram as antigas empresas estatizadas. Roeram as fábricas de calçados nacionais, roeram as fábricas de bebida ou refrigerantes nacionais.

Roeram às moageiras. Roeram as padarias do povo.

Os ratos nacionais de colarinho e luvas brancas roeram as lojas interfrancas, roeram o grosso do património nacional que diziam ser do povo.

Roeram o grosso do parque industrial intervencionado pelo Estado, depois da independência.

Roeram o que de melhor havia: fábricas de curtumes, as empresas avícolas.
Roeram empresas ferro-portuárias.

Os ratos nacionais vestidos de cordeiros não têm dó nem piedade.

Roeram o país até ao osso, mostram a nossa face de ruína, em 1996.

Como se não bastasse, apresentaram a fatura de seis mil milhões de dólares, não de lucro em favor do Estado, mas de dívida externa, metade da qual a favor da dívida aos países do ocidente e instituições financeiras (FMI e Banco Mundial), outra metade à antiga União Soviética, pela obra da guerra civil que nos ofereceram.

Os ratos afogaram o país na pobreza e dizem que os cidadãos lhes devem pela empreitada com que nos roem e ao país. Mas os mesmos ratos que roeram e roem tudo não pararam com a odisseia, com as suas investidas, roeram a banca (BCM e Banco Austral), não para pagar a dívida externa, mas para acrescerem o lucro e a riqueza, pois se julgam eleitos e legíveis para roeram tudo que se lhes depara à frente, pela participação na luta anticolonial.

Mas os ratos não se satisfazendo nunca, com a gula que lhes precipita, vão buscar o dinheiro às algumas empresas estatais convertidas em públicas.

Os nossos gloriosos ratos nacionais o que têm é o apetite. Têm estômagos e bolsos sem fundos. Roeram as indústrias têxteis e de malha. Roeram as fábricas de confecções de vestuários.

Roeram as fábricas de lacticínios, onde se produzia o presunto e o queijo.
Roeram as empresas que produziam o chá, roeram as sociedades produtoras de copra, margarina, roeram os palmares da Zambézia.

Os nossos ratos vestidos de fatos de heróis e apóstolos do combate à pobreza trouxeram a caricatura do que somos como país: cinquenta e quatro por centos dos vinte milhões de moçambicanos na pobreza. Do índice de pobreza de quinze por cento em 1980, os nossos ratos impulsionaram a utopia da revolução que nos levou à indigência.

Ainda assim os nossos ratos espalham a mentira de que hoje a nossa vida é melhor. Mesmo com o facto de estarmos entre os cinco países mais pobres do mundo, os ratos papagueiam que levamos uma vida melhor de todos os tempos.

Os nossos ratos roeram uma das mais prósperas companhias de aviação estatizadas, a TTA, na sua insaciez. Roeram as empresas algodoeiras e de condutores eléctricos. Tornaram-se patrões de tudo o que açambarcaram ao Estado, na sua conversa fiada de patriotismo e nacionalismo.

Roeram as antigas empresas estatizadas de transportes terrestres e o respetivo património, enquanto papagueavam o socialismo enquanto se autoproclamavam contra o capitalismo e a burguesia.

Roeram e roem tudo.
Roeram as empresas madeiras para fundarem as suas, roeram as empresas de caju para fazer de seus edifícios armazéns.

Roeram as empresas dos correios e telecomunicações.
Roeram as agências de despacho e navegação, para serem os patrões.
Roeram e roem o país, deixando-o totalmente derrído e quase sem ossos, quase sem pele de tanto ruído que está e ainda assim lhe vão até à medula. Expurgaram o país até ao pus.

Os roedores, na sua escalada depredadora, roeram tudo o que havia nos quartéis.
Roeram as armas que lá haviam. Venderam-nas e alugam-nas ao crime organizado com a sua conivência.

Os roedores extirparam as cápsulas e o mercúrio do material de guerra, para alimentarem o contrabando que governa a nossa economia. Para dissipar provas puseram os paióis de Maputo e Beira a arder.

Os ratos deixam as suas impressões digitais em tudo que roem e saqueiam do erário público depauperado e paupérrimo. Nas mortes que causam entre os filhos do povo, orgulham-se de serem guardiões do Estado e da paz.

Os ratos não dissimulam a sua inspiração revolucionária, progressista.
Os ratos, que se converteram hoje em endocolonialistas, os nossos colonos de pele escura como a nossa.

Agora que os ratos roeram tudo e o abscesso rebentou querem controlar o país, querem controlar o cheiro incontrolável que se espalhou por todos os cantos.

Os ratos instalaram-se em todas as instituições do Estado, pois não podem viver sem o saco azul do erário público. São os mesmos que na dualidade com que roem, estão empenhados em roer a lei da liberdade de imprensa.

Os nossos ratos acreditam que na eternidade. Os nossos ratos não acreditam na  efemeridade. Sofisticam a ciência da rataria que tecnicamente dominam.
Acumulam habilidades e podem exportar conhecimentos.

Os ratos que mataram Carlos Cardoso, Siba-siba Macuácua, juízes, procuradores, são os mesmos que roeram a justiça que não funciona, roem as leis que só funcionam para as suas vítimas. Os ratos agem como ovelhas ranhosas, na sua sede de vingança.

Os ratos estão na corrida renhida dos recursos minerais.
A profissão mesmo dos moçambicanos é esperar.
Portanto, quem pára a praga de ratos que roem o país?

por Adelino Timóteo in https://www.facebook.com/CanalMoz/posts/534967036572398




20/10/2013

Savana entrevista o camarada Jorge Rebelo

Entrevista de Jorge Rebelo ao jornal "SAVANA"

Visto por muitos como uma das últimas reservas morais do movimento de libertação, Jorge Rebelo diz em entrevista ao SAVANA que está dececionado com a Frelimo atual, mas reconhece que neste momento não vê alternativas.

Eterno admirador de Samora, Rebelo, um dos fundadores da Frelimo, onde foi o temido secretário do trabalho ideológico, afirma que se o proclamador da independência de Moçambique voltasse não ficaria contente com a situação que se vive no país.

Lamenta o facto de atualmente o país estar infestado de lambebotas, porque, segundo ele, as pessoas são escolhidas na base da sua capacidade de lamber as botas do chefe.

Numa conversa amena, onde a ideia era falar do legado de Samora (amanhã, sábado, passam 27 anos após a sua morte), Rebelo aceitou abordar o tema de sucessão na Frelimo e defende que não há necessidade de reuniões dos órgãos do partido (Comité Central e reunião nacional de Quadros) "porque hoje já há um pensamento comum".

O tema sobre as críticas dirigidas directamente a alguns colaboradores de Samora nalguma imprensa em que os apelida de "revolucionários da desgraça" foi incontornável.

Amanhã, (sábado 19 de Outubro), passam 27 anos após a morte de Samora Machel. O sr. Jorge Rebelo conviveu muitos anos com o presidente Samora. Que recordações guarda do homem que proclamou a independência de Moçambique?

Há alguns dias participei nas cerimónias do aniversário do nascimento do presidente Samora. Nesse encontro, alguns defendiam que Samora, se ressuscitasse, ficaria contente com aquilo que está a acontecer no país. Iria elogiar a direção atual.

Outros diziam que ficaria dececionado de tal forma que quisesse regressar de onde veio. Nesse encontro não me pronunciei. Se tivesse falado diria que amigos tenham calma, porque Samora já não está connosco e não é bom inventar coisas que iria dizer ou não dizer. Como a bíblia diz que não podemos evocar o nome de Deus em vão. Neste caso diria para não evocar o nome de Samora para obter ganhos políticos.

Portanto, não podemos dizer categoricamente como Samora iria reagir perante a situação atual.

O seu sonho está ou não a ser efetivado…

Na base daquilo que sei de Samora através do seu pensamento e atuação na luta armada de libertação, onde se forjou a ideologia da Frelimo e depois na independência, onde o novo Estado começou a ser construído, posso imaginar o seguinte: Samora chegaria e perguntaria como é que estão as coisas.

Se perguntasse a mim diria que está tudo bem camarada presidente, porque ultimamente o povo está a ser formatado para avaliar as coisas sempre pela positiva. É o que acontece hoje, avaliar as coisas positivamente é a palavra de ordem. Portanto, nunca diria que as coisas estão más.

Contudo, ele vai fazer-me várias perguntas como: Nós lutámos para libertar a terra e os homens. A terra está libertada? A terra pertence ao povo como era o nosso sonho?

Aí eu diria que sim. A Constituição ainda diz que a terra não pode ser vendida, pertence ao Estado.

Mas, se ele dissesse que lá onde estou vejo que muitos dirigentes apropriam-se da terra e vendem-na às grandes multinacionais e a população fica na miséria, sem meios para ganhar a sua vida. Você está a enganar-me. Eu aí ficaria engasgado.

Depois levantaria a questão da corrupção. De certeza que Samora diria que era implacável contra a corrupção, não admitia corruptos e ao mínimo sinal de corrupção tomava medidas enérgicas, por isso que no meu tempo não havia corrupção.

Samora definia a corrupção como utilização de cargos públicos e políticos para obter benefícios pessoais e para familiares. Aí ele me perguntaria se os dirigentes, filhos, sobrinhos, irmãos não estão a enriquecer e a maioria do povo cada vez mais na miséria. Perante os factos, não poderia negar e diria que sim estão a enriquecer e o povo a empobrecer.

Depois perguntaria se esses que ficam ricos ganham a riqueza através do seu trabalho ou se aproveitam dos seus cargos para enriquecer. Se ele insistisse quem é o dirigente que está a ficar cada vez mais rico com a sua família. Eu não iria mencionar os nomes, porque toda a gente sabe.

Samora diria mais. Por exemplo, podia dizer que as pessoas andam carregadas em carrinhas de caixa aberta sem qualquer comodidade nem protecção; o emprego não existe; a qualidade de ensino é baixa (hoje os alunos chegam à nona classe sem saber ler nem escrever); a saúde é um desastre, não há medicamentos, os médicos e todo o pessoal da saúde estão desmotivados.

Por fim, Samora diria que não estou contente pela situação que vive o meu povo.

Com isso podemos concluir que, na óptica de Jorge Rebelo, os sonhos e os desejos de Samora não estão a ser tidos em conta pela actual direcção da Frelimo?

Tudo dependente de como é que a pessoa se situa. Se está preocupado com o enriquecimento de um pequeno grupo, diria que o país está em franco desenvolvimento. Se se coloca de ponto da população em geral diria que este crescimento não é o desejado e não é aquilo que Samora defendia.

A minha conclusão é de que se Samora voltasse não ficaria contente com a situação que se vive no país. Na nossa sociedade, os casos de corrupção aumentam progressivamente.

Ela está a tomar conta de todos e há que inverter isso, porque pode nos levar ao abismo. Infelizmente, hoje não podemos dizer isso publicamente porque não encontramos abertura da parte da actual direção do país. Lembro-me de uma conversa com Samora, em que num tom de desabafo dizia que os camaradas que vieram connosco da luta armada estavam a ser apanhados pelo vírus de corrupção e nós tínhamos que tomar medidas para eliminar esse vírus.

E ele dizia que hoje os camaradas estão preocupados com dinheiro, comodidade e regalias que durante a luta de libertação nunca exigiam. Não tínhamos nenhuma preocupação em ficar ricos e lutávamos por um ideal que era a libertação do povo e melhoria das condições de vida de todos. Agora a situação é diferente.

O pensamento de Samora Machel para Moçambique teria estado à altura das profundas mudanças que o país conheceu nos últimos anos?

Há muitos aspectos, políticas e princípios que Samora defendia e que hoje não são aplicáveis. Por exemplo: na área da saúde, Samora dizia que o médico não pode ser um mercenário, não pode utilizar a doença como meio para enriquecer. O médico deve trabalhar só para o Estado e receber o seu salário como qualquer funcionário. Não se admitia clínicas privadas porque seria utilização da doença como meio para enriquecer.

Isso hoje não é viável. Já naquele tempo eu próprio já me interrogava porquê, por exemplo, alguém que estudou durante sete anos para tirar o curso de medicina e fica limitado ao salário que o Estado paga que normalmente é baixo. Se um engenheiro, um jurista e outras profissões não vinculadas exclusivamente ao Estado, podiam trabalhar onde quiserem e ganhar muito mais.

De certeza que muitos médicos iriam fugir da profissão.

Outro exemplo é da economia centralizada. O Estado é que dirigia todos os setores económicos. A experiência mostrou que isso não é benéfico para o país e não era viável. Nessa altura já era possível aferir que o homem é mais flexível e criativo quando motivado pelo lucro e numa economia centralizada a pessoa sabia que se esforçando como não teria o seu salário.

Samora morreu num período de partido único e de uma economia centralizada. Como é que conviveria com a atual realidade, de maior abertura política e económica, pelo menos no plano formal?

Teria que se adaptar porque as sociedades avançam. De certeza que não ficaria tranquilo, mas teria consciência de que aquele modelo de socialismo que nós adoptámos não estava a dar resultados. Claro que há outros factores que contribuíram para isso, porque os países imperialistas entraram em pânico quando Moçambique e Angola se proclamaram países socialistas. Isso era um germe aqui na zona porque poderia influenciar países à volta. Então atacaram-nos e isso contribuiu muito para que o projecto socialista de Samora e de muitos de nós não avançasse.

"Direcção da Frelimo esconde os reais ideais de Samora"

Uma das coisas que marcaram o mandato de Guebuza foi a imortalização da figura de Samora. Foram construídas estátuas em todo o lado, homenagens e discursos benevolentes. Contudo, de outro lado os males que Samora combatia aumentaram. Falo da corrupção e pilhagens dos recursos nacionais. Será que a figura de Samora está mesmo a ser valorizada?

As estátuas são uma coisa boa porque quando as pessoas passam pelas ruas ou praças onde estão erguidas lembram-se de Samora. Mas o mal é que ficamos por aí. Se falamos do legado de Samora apenas dissemos que foi um grande líder, foi o primeiro presidente de Moçambique independente. Não entramos no seu pensamento. Parece que a atual direção da Frelimo e do país não está interessada no pensamento de Samora. Ela esconde o seu pensamento.

Nos seus discursos esquece que Samora era uma figura sensível à corrupção, ao sofrimento do povo, à expropriação dos bens do povo para satisfazer apetites e ganância de um pequeno grupo de dirigentes.

Como é que Samora Machel encararia o facto de sectores importantes da soberania económica de Moçambique, nomeadamente os recursos naturais, estarem hoje nas mãos do capital estrangeiro?

Se ele viesse só para visitar ficaria dececionado. Se ele viesse para impor ordem diria que vamos acabar com estas coisas, mas não no sentido de impedir a exploração desses recursos. Os recursos existem, são nossos e devem contribuir para o crescimento e desenvolvimento do país. Agora, o que ele diria é que temos que dirigir esse processo de tal maneira que o povo inteiro não sofra e uma pequena minoria beneficie.

"Falta vontade política na investigação da morte de Samora"

Como é que reage a um aparente esmorecimento do processo de investigação da morte de Samora Machel, depois de alguma euforia suscitada pelo Presidente Armando Guebuza e Jacob Zuma?

Há duas maneiras de analisar a sua pergunta. Uma pela complexidade das investigações e outra na falta de vontade. Lembro-me do assassinato do primeiro-ministro da Suécia, Olof Palme, foi quase no mesmo período com o do presidente Samora, mas até hoje ainda não foi descoberto quem é que matou.

Portanto, talvez seja tão difícil. Porém, exprimindo o meu sentimento digo que estou desapontado com o nível das investigações. Gostaria que esse processo avançasse para se descobrir os verdadeiros autores do crime.

Sente alguma preocupação da parte dos Governos de Moçambique e da África do Sul em investigar o crime?

Não sinto. Se houvesse esforço de cada um dos lados seria divulgado, o que não está a acontecer. Haveria alguns resultados visíveis indicando que a investigação está a avançar neste ou naquele sentido, já se descobriu isto ou aquilo, mas não se fala. Isso é preocupante.

Acha que um dia Samora podia apertar a mão do líder da Renamo, Afonso Dhlakama?

Em nome dos princípios que defendia não iria prejudicar o povo. Se ele se convencesse de que esse era o único caminho para conseguir que o país estivesse em paz, ele ia fazer isso.

"O nosso chefe fomenta lambebotismo"

As críticas dirigidas directamente a colaboradores de Samora nalguma imprensa não configuram comportamentos racistas que ele tão veemente denunciou e repreendeu?

Samora foi uma pessoa que sempre combateu o racismo, regionalismo e o tribalismo. Ele dizia que esses são os nossos piores inimigos porque impedem-nos de assumir a grandeza do nosso país, não permitem compreender a complexidade da nossa pátria e sobretudo dispersam as nossas forças.

Não lutámos por uma raça, uma religião, uma tribo. Lutámos pela mesma nação, pelo ideal único e pela libertação da nossa terra e do nosso povo. São esses pensamentos que a direção atual da Frelimo esconde. Quando a actual direcção fala de Samora só se limita a dizer que era um grande líder, mas aquilo que ele defendia não fala, esconde.

Quando o mais alto dirigente do país diz que temos que distinguir quem é moçambicano genuíno e não genuíno, a quem se refere e qual é que é o seu objetivo? O que ele pretende?

Eu levantei essa questão no congresso de Pemba. Dirigi-me ao presidente e disse: camarada presidente, o que são moçambicanos genuínos e não genuínos? Disse ao camarada presidente, olha para os membros da Comissão Política, veja o camarada Manuel Tomé. Olha para minha pele e olha para a pele dele, eu vejo que ele é mais claro do que eu. Olha para Graça Machel, ela é mais clara do que eu, então eles não são moçambicanos genuínos? Não me respondeu.

Com isso sente que há focos de racismo no seio da Frelimo?

Não disse isso. Citei apenas o que o dirigente máximo do partido e do país disse e o que eu lhe perguntei. Só esse chefe que disse isso pode responder a questão.

Há quem diga que Jorge Rebelo e outros moçambicanos da raça não negra eram muito "mimados" por Samora Machel. Após a sua morte, essa classe ficou órfã e hoje não vê coisas boas. É um grupo de saudosistas. Concorda com isso?

Há um aspeto que devemos ter em conta que é dos bajuladores e dos lambebotas. Hoje, o país, infelizmente, está infestado desse tipo de gente. O aparelho estatal está infestado por esse tipo de gente porque as pessoas são escolhidas na base da sua capacidade de lamber as botas do chefe. Todos nós assistimos isso. Basta abrir alguns jornais. Mas esses que escrevem são encomendados.

Recebem instruções para defenderem algumas ideias nas linhas e orientação e aceitam.

Mas os bajuladores estão a empurrar o país para o abismo. Pelo que, apelo a essas pessoas para que deixem de serem bajuladores e guiem-se pelo seu pensamento natural porque isso retira-lhes a sua dignidade. Já imaginou o que o termo lambebotas significa. Estar sempre a bajular retira ao indivíduo alguma dignidade e retira a visão do chefe porque fica sem saber o que é bom e o que é mal porque eles continuarão a dizer que tudo está bom para manter as mordomias.

Mas, por outro lado, a culpa é do próprio chefe porque ele é que alimenta esses bajuladores. Escolhe aquele tipo de gente para serem seus conselheiros. Portanto, no fim ao cabo tudo desemboca no chefe porque ele escolhe aqueles que lhe agradam e dizem sempre coisas boas. Normalmente, esse tipo de chefes não gostam que alguém diga que camarada presidente aqui estamos a errar.

O atual dirigente não aceita críticas. Uma das virtudes de Samora é que aceitava críticas. Lembro-me de um episódio. Houve uma altura em que Samora andava meio frustrado porque ele não encontrava nos seus colaboradores respostas para os problemas e passou a tomar decisões sozinho e nós colaboradores diretos sentíamos isso.

Um dia, num encontro restrito, ele disse que não sabia o que estava a acontecer connosco, dizia que não éramos os mesmos. Eu atrevi-me e disse: o problema é que agora o camarada presidente comporta-se como um ditador e fiquei à espera da reação. Fiquei com medo, porque ele podia dizer que isso é uma ofensa ao mais alto magistrado da nação portanto, prendam-no.

Samora não reagiu, não me mandou prender e o que eu notei foi que a partir daí ele chamava-me constantemente para conversarmos. Em vez de me perseguir, marginalizar-me, ele mostrou que gostava de pessoas que lhe diziam as coisas frontalmente e isso é uma indicação da grandeza de um chefe.

Há quem diga que nos últimos dias, há tendência, através da Comunicação Social, de reduzir os progressos de Moçambique, numa única figura, enquanto que na realidade, o desenvolvimento de Moçambique é resultante do trabalho de todos os moçambicanos cada um à sua maneira. Qual é a sua opinião acerca disso?

É uma coisa que me deixa preocupado. Esta tendência de tentar endeuzar o chefe. Esses bajuladores dizem que o chefe é que faz tudo. Todos os dias aparecem artigos na imprensa a falar das realizações de sua excelência. Tudo aquilo que está a acontecer é obra do chefe. Foi o chefe que fez isto e aquilo. Isso cria um mal estar nos cidadãos. Na nossa altura era completamente diferente. Os sucessos eram de todos. Os sucessos do chefe deviam-se aos seus colaboradores e isso estimulava-nos. Quando fazíamos uma coisa certa, éramos elogiados, quando fazíamos uma coisa errada, éramos reprimidos, mas nunca se apresentou como o único que faz coisas.

De certeza que Samora também podia dizer que fui eu que libertei o país, fui eu que corri com os colonos, mas não. Mandela podia dizer que eu sofri na cadeia pelo povo sul-africano, agora quero ficar rico. São atitudes dessas que elevam um líder e não endeuzamentos.

Se estivesse próximo do presidente Guebuza, que conselhos daria?

Não sou conselheiro e nada posso comentar.

Acha que o projeto de justiça social ainda está presente na Frelimo, tendo em conta as gritantes assimetrias económicas vigentes no país?

Não. A Frelimo de hoje tem características muito diferentes da Frelimo do tempo de Mondlane e Samora.

Hoje, no papel falamos de justiça social, igualdade, mas na prática o que está a acontecer é que os pobres estão ficar mais pobres e a minoria rica está a ficar cada vez mais rica.

Marcelino dos Santos disse numa das suas intervenções, no ano passado, que esta Frelimo não respondia aos ideias da sua criação pelo que não sabia se votaria nela em 2014. Qual é o posicionamento de Jorge Rebelo?

Estou dececionado com a Frelimo atual, mas neste momento não vejo alternativas. Portanto, votar pela queda da Frelimo sem essa alternativa significa condenar o país ao caos.

Neste momento, apesar de todos os defeitos que tem a Frelimo atual, ainda é o único partido que pode garantir o mínimo de estabilidade e o desenvolvimento embora esse desenvolvimento beneficie apenas uma pequena camada. Não estou a ver a Renamo como alternativa. O MDM ainda está na fase embrionária e não pode aparecer a dirigir o país. Não conheço os princípios ideológicos do MDM, mas de qualquer forma tem que se afirmar.

Como é que olha o facto de a Frelimo não ter ainda eleito o candidato para as próximas eleições presidenciais, uma vez que nos processos anteriores tinha candidato com maior antecedência?

Isto é uma preocupação de muitos de nós, porque quando foi do tempo do presidente Guebuza, ele começou a campanha dois anos antes porque tinha que se fazer conhecer nas bases. Não é em três meses ou seis meses que um candidato pode percorrer o país todo e dizer eu sou candidato e votem em mim. O pais é grande. Por isso que não compreendo como é que há este atraso na indicação do sucessor do presidente Guebuza. A demora não é benéfica para a Frelimo, porque como disse antes, o presidente Guebuza teve dois anos para fazer campanha e isso ajudou que ganhasse as eleições.

Não compreendo a razão dessa demora e não creio que haja alguém que compreenda porque já é tempo. Talvez os chefes saibam.

Qual é que seria o candidato ideal da Frelimo para as eleições de 2014?

Não tenho perfil do candidato da Frelimo. Olhando à minha volta não vejo o candidato.

Uma das coisas que sempre caracterizaram o partido Frelimo é que sempre reuniu os seus órgãos centrais duas a três vezes por ano. Estranhamente esse hábito não se está a repetir este ano. Desde que a Frelimo saiu do congresso só se reuniu vez uma em sede de Comité Central. O que isso significa?

Podíamos dizer que não há necessidade de reuniões dos órgãos do partido (Comité Central e reunião nacional de Quadros) porque hoje já há um pensamento comum.

Todos pensam da mesma maneira. Para quê fazer reuniões de quadros, gastar-se dinheiro e tempo enquanto pensa-se da mesma maneira e já se sabe o que pensam.

Não vale a pena continuar com essas reuniões porque já sabemos o que se vai decidir. Todos têm o mesmo caminho a seguir.

Se a Frelimo é um partido apologista de diversidade de ideias porque é assim que cresce. É através da crítica e autocrítica que se constrói um partido forte.

Esqueça, essas coisas de críticas, auto-criticas é uma coisa do passado. A Frelimo de hoje não aceita a crítica e muito menos fazer auto-crítica.






Otário uni-vos !

Depois de endividar e arruinar Portugal, depois de todas as cretinices feitas (quem não se recorda ?), depois de robalos e sucatas, só faltava mesmo não ter nenhuma vergonha na cara para ser capa de uma publicação ordinária.

Está tudo às Claras! O monstro está de volta...

Não se poderá despachar a encomenda por TGV ou pelo Aeroporto da Ota, para a Sibéria ou a Coreia do Norte?




19/10/2013

Mural do povo em Maputo

No comments, está tudo escrito, FRELAMO!

25/09/2013

Carta aberta aos "libertadores" da Pátria

Peço a Vossa Excelência ia para que aceite o meu pedido de publicação desta carta no jornal que sabiamente dirige.

Não sou jovem, pertenço à geração dos da luta armada. Não fui à luta armada porque nem todos deveríamos lá ir e nem tive condições para o efeito.

Naturalmente, compreendi as razões da luta armada de libertação em 1970 e, a partir daí apoiei e acreditei no que a falecida Ivete Mboa, na altura, me dizia.

Entre muitas coisas, ela vincava que lutar para libertar a terra e os homens do jugo colonial português era uma ação justa, pois o sistema vigente era uma coisa dolorosa e detestável.

Ela comparava o colonialismo a alguém que sofria de falta de tudo e que viesse à sua casa pedir para ser acolhido e depois se tornar dono(a) da casa.

Chegou o 25 de Abril de 1974 e o grupo Massinga, Taurino Migano, Sumbana, Muthemba e outros juntaram alguns jovens, na altura, para chamá-los à consciência sobre a luta de libertação e que o futuro ainda era incerto, havendo assim a necessidade de se avançar para várias frentes.

A mim, Ana Maria, Guilhermina, Calisto e Milagre Mazuze coube-nos o trabalho de mobilização na zona sul e, infelizmente, a caminho de Chibuto tivemos um grande acidente donde saí sem uma única lesão, mas os meus colegas ficaram feridos. Porém, antes trabalhei na organização das mulheres para a causa da luta pela formação da nova sociedade, por isso, fui da OMM.

Acreditei e li em livros, dizendo que a Frelimo era um movimento de massas, um movimento anticolonialista, anticapitalista, anti-racista, antirregionalista, anticorrupção de tal sorte que ter amante, na altura, era visto como uma pessoa corrupta. Nunca na época se vislumbrava a dimensão da atual corrupção, daí o facto de ter aderido à revolução encabeçada pela Frelimo com maior vigor por acreditar nos seus ideais.

A avidez por dinheiro era impensável; quanto a mim, o dinheiro, esse sim, era necessário para a satisfação das necessidades básicas, mas tudo o que era ambição exagerada era combatido. Talvez o básico mesmo era suficiente, pois com 5$50 (cinco escudos e cinquenta centavos) dava para um litro de gasolina normal para o meu Volkswagen 1200 que eu tinha e dei boleia a muitos que chegaram da luta de libertação e que, na altura, nem sabiam comer com faca e garfo na mesa.

Anos depois, apesar da sobrevivência com repolho, farinha amarela e peixe sem cabeça que nunca cheguei a saber que peixe era, vivíamos moralmente felizes e, é por isso que aceitávamos ir à machamba do povo, limpar as estradas, ir à colheita do arroz no Chókwè com Jorge Tembe,na altura, Diretor do Complexo Agro-Industrial do Limpopo, ex- colonato do Limpopo.

Mas, deixo para os historiadores o relato das várias etapas por que passou este país e vamos agora à minha indignação dirigida às senhoras e aos senhores libertadores da pátria amada:
DEOLINDA GUEZIMANE,
GRAÇA MACHEL,
MARINA PACHINUAPA,
MONICA CHITUPILA,
MARCELINO DOS SANTOS,
JORGE REBELO,
JOAQUIM CHISSANO,
MARIANO MATSINHE,
ALBERTO CHIPANDE,
RAIMUNDO PACHINUAPA,
SERGIO VIEIRA,
JOAO AMÉRICO MPFUMO,
HAMA THAI,
ÓSCAR MONTEIRO,
PASCOAL MOCUMBI,
PADRE FILIPE COUTO
 Vocês todos respondam-me, por favor, quem foi verdadeiramente o combatente Armando Emílio Guebuza?

Sabem porque? Samora deixou o país destruído pela guerra, mas tinha moral, ética, identidade e espírito de unidade nacional. Dizia que lutava pela unidade de todos mesmo que tivesse sido em teoria; ele procurava refletir a moral do seu povo e ninguém imaginava que o atual presidente estava metido em negócios. Sabem, no meu tempo, filha de uma prostituta subia para o altar de véu e grinalda.

Joaquim Chissano saiu do poder e deixou os cidadãos com alguma moral e esperança. Que me lembre não deixou muita gente tão descontente como estão os cidadãos hoje, sem esperança, sem moral, sem dignidade onde cada um só pensa em roubar para ser rico.

Nunca ouvi o povo tão revoltado e sem esperança como está agora.

Ora, vejamos:
A corrupção aumentou sem qualquer plano de acção para o seu combate; A incompetência dos governantes acentuou-se mais e passamos a ver ministros que nem sequer sabem o que fazem, não conhecem a casa que governam, os problemas dos seus pelouros e não medem palavras quando se dirigem aos cidadãos; a criminalidade aumentou assustadoramente; a sinistralidade está ceifando vidas diariamente nas estradas; os incêndios jamais vistos ocorrem nesta governação; o branqueamento de capitais, o tráfico de órgãos humanos, drogas e armas fazem parte do sistema de uma forma impune.

Os raptos sucedem-se e atingem números que assustam. A comunidade asiática, apesar de ser composta por moçambicanos com igual direito de proteção, nada é feito para a acudir. No mínimo o estado deve esclarecer este fenómeno que, ultimamente, virou crime organizado com impacto social e económico bastante negativo.

As manifestações de vários segmentos sucedem-se, dia após dia, mas a Polícia de Intervenção Rápida é, de facto, veloz para descarregar sobre cidadãos no gozo dos seus direitos. Para não falar de perseguições consequentes desde o emprego até a casa. Vivemos, sim, momentos de terror e incerteza.

A greve do pessoal da saúde, por duas vezes, sem resposta e que continua silenciosa. Basta ir para qualquer posto de saúde ou hospital para ver como é que o povo sofre. A greve silenciosa na saúde tem efeitos mais nefastos do que a da rua.

Os médicos, enfermeiros, todo o pessoal da saúde e suas famílias continuam a sofrer, ameaças, despedimentos, transferências, descontos, processos disciplinares e humilhações.

É para isto que lutaram e pensam que nos libertaram? Libertaram a terra, mas os homens continuam debaixo do sofrimento.

Os dois levantamentos populares aconteceram e marcaram os dois mandatos de Armando Guebuza em que as pessoas procuraram demonstrar a sua revolta ante a má governação. E o governo no lugar de transmitir mensagem de esperança, distanciou-se cada vez mais, matando inocentes.

Senhoras e Senhores libertadores acima citados e outros esclareçam-me:

Quem foi, afinal, Armando Guebuza, ontem, na luta de libertação que tantos anos convosco viveu e não o descobriram que é a pessoa com mais espírito de negócios pessoais, ambição e ganância desmedida. Porquê não descobriram que ele é que poderia virar o país para o abismo e não somente o Lázaro Nkavandame e Urias Simango que os textos parciais da Frelimo tanto nos deliciam?

Digam-me minhas senhoras e meus senhores foi para isto que lutaram e tomaram o poder para num minuto tornar a filha dele a mulher mais rica de Moçambique; não lutaram por uma sociedade equilibrada e de justiça social?

Eu acreditei no socialismo propalado pela Frelimo, não nisto que estou a ver e sentir porque é repugnante. Não tolero mais, confesso, publicamente.

Digam-me minhas senhoras e meus senhores porquê e de que medo têm de o enfrentar e lhe dizerem que esta não é a Frelimo que nós construímos em Junho de 1962? O que vos prende a ele ao ponto de engolir tudo isto? O povo está a sofrer e vocês são cúmplices do sofrimento do povo.

A história julgará-vos-à por este silêncio do que pelos crimes que cometeram durante a luta armada de libertação. Porque durante a luta de Libertação todos estávamos convencidos que o colono é que era o nosso inimigo e todo aquele que a ele se aliasse ou tivesse suas atitudes era contra nós.

E hoje, porquê o cidadão que já foi amado maltrata o seu povo; persegue-o. Traz exploradores piores que os colonos, pois não sabemos o que irão deixar quando saírem deste solo pátrio onde o colono nos deixou com a terra , os recursos naturais e casas onde hoje habitamos e, arrendamos por dólares sem termos construído.

Sabem, senhoras e senhores libertadores, esta indignação não é só minha é de muitos outros cidadãos e, se não saem à rua têm medo da FIR que implantaram para maltratarem o povo que vocês lhe tiraram do colonialismo para pessoalmente maltratarem. Nas casas, nas ruas, nas festas e nos "chapas" toda, mas toda a gente só fala da má governação de Guebuza; escutem o jovem que canta a má governação dele, mesmo os que se encontram no poder dizem que o povo tem razão mas que fazer, temos filhos por sustentar e educar; dizem basta ver como ele exonera os seus quadros é humilhante nem parece que merecem dignidade. Eles bajulam, dizendo falem vocês, nós o que queremos é garantir o pão.

O Senhor Joaquim Alberto Chissano na última campanha nas instalações da EMOSE afirmou categoricamente que confia no Guebuza porque o que ele promete cumpre. Recorda-se? Então posso assumir que toda a trama que ele faz é do seu conhecimento e consentimento é assim que combinaram que quando libertarem a terra quem não foi à luta e as outras gerações vão passar mal. Vão nos fazer comer o pão que o diabo amassou e vocês outros senhoras e senhores? Recorda-se que eu, peremptoriamente, lhe afiancei que não iria votar em vós.

Significa isto que nós também deveremos ir à luta para nos libertarmos de vocês?

Porquê quando o saudoso Samora vos aconselhava a não lhe entregarem o poder o chamaram de louco ou alucinado? Desvendam-nos o porquê ele dizia isso.

Senhora Graça Machel:

Como consegues viver, conviver e fazer negócios com esta pessoa que o seu marido dizia abertamente o que representava para o povo? Que consciência pesa sobre si esposa que preserva o nome de uma pessoa que aos olhos do povo era são a conviver e fazer negócios com quem o seu marido não aceitaria fazer. Para Samora vale mais o povo do que o dinheiro e para si vale mais dinheiro do que o Povo. Me responda.

Sabem senhoras e senhores libertadores a escritora e poetiza Noémia de Sousa já dizia que a Africa é mítica.

Sabem porquê? Por causa dos seus mistérios em todas as suas dimensões. Kadafi domou o seu povo, era o mais rico que tinha até uma pistola de ouro os seus cidadãos até tinham casas, comida, enfim o básico, mas como morreu? Porque o povo não tinha liberdades que nasceram com eles os direitos fundamentais, pois a liberdade de pensamento, de manifestação e de reunião é extremamente fundamental para que o indivíduo viva em paz sem falar por dentro que um dia explode e a explosão, regra geral, mata.

O povo na sua maioria tem saudades de Mondlane que não o conheceu só vocês o conheceram e conheceram os seus feitos; o povo na sua maioria tem saudades de Samora e o povo na sua quase totalidade tem saudades de Joaquim Chissano e perguntam de que medo tem de levar o poder ao Guebuza para pararmos de sofrer.

Quem mais terá saudades de Guebuza? A esperança dos cidadãos até crianças é que depressa chegue Novembro de 2014 para se ver livre de Guebuza e sua família.

Os críticos vão-me crucificar por esta carta mas eu não vivo para os críticos com interesses, vivo com e para o povo que sofre. Só me vai sacrificar quem com Guebuza desfruta o sabor da libertação. Que o digam os madjermanes; os desmobilizados de guerra; os antigos combatentes escorraçados das suas habitações; os sofridos médicos e enfermeiros; os espoliados das suas terras a favor da Vale, Pro-Savana, Petroleiros, Gaseiros, Chineses e Brasileiros exploradores, sem dó nem piedade.

Os militares entregues a guerras sem necessidades de novos confrontos, sim essa é herança do Chissano mas ele sabia gerir, não havia rixas. Quem sabem, ele tivesse, neste momento, resolvido tal como soube parar com a guerra dos 16 anos. Sim, ele era diplomata e com calma resolvia os problemas dos cidadãos em momento certo.

Hoje, o espírito do deixa andar virou "xipoko" de roubar os impostos dos cidadãos, "xipoko" do tráfico de drogas e armas , "xipoko" da alta criminalidade, "xipoko" da falsidade dos funcionários públicos. Diariamente só se vê nos jornais funcionários a roubarem dinheiro do povo para não falar dos barões que sacam os cofres do estado para se tornarem ricos de Moçambique a partir do nada.

Acredito que o povo pobre e os cidadãos ricos e honestos vão apoiar esta minha inquietação.

QUEM FOI, QUEM É, O QUE PRETENDE E ONDE QUER CHEGAR O CIDADÃO ARMANDO EMILIO GUEBUZA?

Respondam-me senhores libertadores da terra e, vamos friamente analisar a sua governação. Caso seja possível ele interiorizar e corrigir a sua forma de atuação, gostaria de lhe ver a sair do poder pela porta da frente e deixar saudades neste um ano que lhe falta.

Desde a Constituição de 1990 até a de 2004 que gozo da liberdade de expressão e de pensamento e, é por isso que escrevo e continuarei a escrever como uma cidadã deste país e não em representação de nenhum grupo ou agenda.

Esperando continuar com vida após esta indignação, despeço-me com a promessa de voltar.

Maputo, Setembro de 2013
Alice Mabota

19/08/2013

Procura-se extraterrestre

AEG, o extraterrestre que vive nas nuvens em cima de pilhas de notas obtidas nas negociatas em que está envolvido.