JORNAL PROGRESSO
A Inocência das Idades
O bosque é, por vezes, tão extenso e denso que deixa as pequenas árvores vegetarem sem o entendimento da realidade onde se integram.
Bastam-lhes as raízes saudavelmente firmadas no solo, a chuva, o sol, a lua e o vento que lhes asseguram os ciclos de vida, como garantia da missão aparentemente acometida pela Mãe-Natureza.
É como quem deixa a vida passar, sem perceber que também tem de passar pela vida.
Talvez o mesmo se possa aplicar à interpretação de um episódio ocorrido há trinta e cinco anos e que gira à volta de um Jornal que não chegou a ser: - O "Progresso".
Na passagem do final dos Anos Sessenta para o início dos Anos Setenta formou-se um grupo que, na antiga cidade de Lourenço Marques, pretendeu fundar o Jornal "Progresso" como veículo de expressão juvenil e participação activa na vida sócio-político e económica não só do País, mas sobretudo da antiga Província Ultramarina de Moçambique.
Vivia-se, então, o tempo da Guerra Colonial e sentiam-se também os primeiros sinais da pretensiosa "Primavera Marcelista" que, per si, justificaram o imediato e, porque não, entusiástico apoio de Maria José Salema, na época reitora do Liceu António Enes.
Alguns contributos para a História
Curiosamente ou não, o núcleo inicial era constituído por alunos da Alínea E que propiciava a admissão à Faculdade de Direito, então inexistente em Moçambique por ser entendida como potencial foco subversivo do "status quo", apesar de já existir a Universidade de LM, sucedânea dos "Estudos Gerais" e implantada pelo Professor Doutor Veiga Simão, seu primeiro Reitor e, mais tarde, Ministro da Educação do Governo de Marcelo Caetano e Ministro da Defesa do Governo de António Guterres no início do Século XXI.
Quem terminava a Alínea E teria assim e se pudesse, rumar a outras cidades da Metrópole porque também não existia a Licenciatura em Direito nas restantes Províncias Ultramarinas, não fosse o Diabo tecê-las.
E desse núcleo inicial fundador do projecto "Progresso" faziam parte Victor Nogueira Pereira, Luís Carlos Patraquim, Mário José Fernandes e Emílio Luz Branco, mais conhecido por "Nampula", alcunha que provavelmente lhe estava associada à terra de origem.
A ideia deste projecto surgiu nas conversas que usualmente tínhamos nos intervalos das aulas (dez minutos entre cada disciplina) e cimentou-se em reuniões pós-horário escolar, começando por se criar uma Comissão Directiva que integrou os referidos nomes do núcleo fundador.
Cedo percebemos que a tarefa era aliciante mas de trabalhosa e difícil execução por dois motivos principais e facilmente entendíveis: - por um lado era necessário mobilizar colaboração redactorial com qualidade q.b. e, por outro lado, era também preciso assegurar a viabilidade económica do Jornal.
Com dezassete anos de idade nada parece impossível e até a Lua está mesmo ali à mão.
É claro que o Jornal, sendo do Liceu, só seria possível se fosse autorizado pela reitoria e esse passo foi, como já se disse, realizado e apoiado não só pela Reitora Maria José Salema como também pela Vice-reitora Inês Calisto que se reuniram connosco.
Dado este primeiro passo "oficial", passámos ao contacto directo com algumas empresas da cidade que acolheram com agrado a ideia e contratualizaram verbalmente a publicação de anúncios num montante que não só suportava os custos de produção e distribuição, como sobrava ainda verba para nos aventurarmos a sonhos mais altos, nomeadamente admitir a hipótese de fazer circular o "Progresso" e receber colaboração para o Jornal de todos os Liceus do País, desde o Minho a Timor, como então se dizia.
Contrariamente ao que e pudesse imaginar, até foi muito fácil garantir suporte económico, via publicação de anúncios das empresas locais.
Como não era suposto investirmos em meios gráficos próprios, valeu-nos o apoio da empresa proprietária e editora da Revista "Tempo", dirigida por Rui Cartaxana e que, como jornalista profissional, nos foi dando algumas instruções sobre o processo de fabrico de um jornal. Com ele, passámos algumas tardes no seu gabinete de trabalho e com ele definimos o formato tablóide do "Progresso", paginado a seis colunas e ilustrado com fotografias a preto e branco.
Lembro-me que chegou a ser impresso e distribuído um cartaz a anunciar o nascimento do jornal, cartaz esse desenhado pelo nosso colega Firmino Sousa.
Quanto à colaboração de outros alunos do Liceu, também não foi tarefa difícil e, por isso, logo se conseguiu matéria suficiente para compor e paginar o primeiro exemplar e passá-lo a "offset", fase que antecede a impressão no papel, o que não chegou a acontecer como se verá. Tudo parecia correr bem, o ânimo era elevado quando, afinal, surge a primeira pedra na engrenagem.
A Associação Académica e a FNI
Nesta época do Jornal "Progresso" existia já uma incipiente actividade política centrada na Associação Académica de Moçambique e na chamada Frente Nacional Integracionista (FNI), desenvolvida por estudantes universitários.
O grupo da Associação Académica de Moçambique era liderado pelo Ivo Garrido, na altura Presidente da A.A.M. e hoje médico e Ministro da Saúde do governo moçambicano, e conotado com o que na altura se chamava "os do contra".
Através do SIPE, Serviço de Informação e Propaganda Estatística, a Associação Académica editava documentos políticos poli copiados na velha "Stencil" e que eram ou distribuídos gratuitamente ou comprados, como foi por exemplo o caso do "Processo Histórico" de Juan Clemente Zamora, editado semanalmente em fascículos clandestinos.
A "FNI" era um grupo de Direita ou mesmo de Extrema-Direita, alinhado com o Governador-geral da Província e, nomeadamente, com o general Kaulza de Arriaga, Chefe de estado-maior na Província de Moçambique e que coordenava toda a acção política e militar na guerra contra os então chamados terroristas da Frelimo.
A "FNI" era liderada pelo Gonçalo Mesquitela, já falecido, e que era filho do dr. Mesquitela, deputado de Salazar e Caetano e com assento, por nomeação, na "União Nacional" e, mais tarde, na "Assembleia Nacional Popular", ambos Partidos Políticos únicos, uma vez que se vivia em Ditadura.
Com excepção do "Nampula" que era Comandante de Bandeira da Mocidade Portuguesa, todos os outros membros do grupo fundador do Jornal "Progresso" estavam mais ligados ao grupo da Associação Académica do que à "FNI", mas o próprio "Nampula" nada tinha a ver com a "FNI".
Por isso, foi com naturalidade que pedimos alguma colaboração à "A.A.M.", na pessoa do Ivo Garrido, no sentido de ocuparem algum espaço nas páginas do "Progresso" e enriquecerem o conteúdo do jornal. E foi a partir daí que a porca começou a torcer o rabo.
A "FNI" apercebeu-se da ligação do "Progresso" ao grupo da Associação Académica e quis também integrar o grupo de colaboradores do jornal.
Uma reunião aterrorizante!
Foi, então, marcada uma reunião com a "FNI" para se conversar sobre a colaboração deles e juntámo-nos no apartamento do Gonçalo Mesquitela, localizado num dos prédios da antiga Avenida António Enes, próximo do local onde terminava a Avenida Pinheiro Chagas.
A reunião foi à noite, o andar era alto, e nela participaram eu próprio, o "Nampula", o Luís Carlos Patraquim e o Mário José Fernandes, ou seja, a Comissão Directiva do "Progresso" em peso, estando a representar a "FNI" o Gonçalo Mesquitela, um indivíduo de apelido Belmonte (que não conhecíamos) e o Guilherme da Silva Pereira, a quem apelidámos de "mata-hari" porque já o tínhamos visto participar em eventos da Associação Académica, o que pressupunha ser um espião que jogava nos dois tabuleiros da actividade política universitária.
A reunião foi dirigida pelo Gonçalo Mesquitela que se dirigiu a nós sempre em tom intimida tório. Refira-se, a propósito, que o Gonçalo era um indivíduo de forte compleição física e cinturão negro de "karaté".
Começou por nos ameaçar com a "PIDE" e por nos dizer que estávamos metidos em maus lençóis por nos relacionarmos com o grupo da Associação Académica de Moçambique, contestatários ao governo e relacionados com os "turras".
As ameaças subiram de tom e, confesso, estávamos todos verdadeiramente amedrontados, par não usar expressão mais vernácula, com o que se estava a passar e o meu pavor era tanto maior quantas as vezes que o Gonçalo se levantava e se dirigia à varanda, espreitando lá para baixo. Cheguei a temer que íamos ser atirados dali a baixo!
Às tantas é-nos lançada a seguinte ordem : - proibição da colaboração da Associação Académica de Moçambique nas páginas do jornal e só a "FNI" poderia publicar os textos que entendesse.
Ainda ripostámos e concedemos ceder igual espaço nas páginas do "Progresso" à "FNI" e à "A.A.M.", mas não aceitámos a exclusão da Associação.
A "FNI" engrossou ainda mais o tom intimida tório e para nos mostrar a gravidade da situação decidiram, ali mesmo e connosco presentes, telefonar ao general Kaulza de Arriaga a quem disseram que os "rapazes" não aceitam desligarem-se do grupo da Associação.
A conversa entre a "FNI" e o general Kaulza de Arriaga durou alguns minutos e, depois de desligarem o telefone, informaram-nos que se persistíssemos na nossa posição seríamos convocados para a tropa e colocados em zona cem por cento de guerra.
Já quase sem voz na garganta, acabámos por dizer que íamos pensar melhor no assunto e que voltaríamos para nova reunião.
É preciso, talvez, recordar que a Comissão Directiva do "Progresso" rondava a faixa etária dos dezassete/dezoito anos e que éramos todos alunos do sétimo ano do liceu António Enes.
O ir para a tropa significava não só enfrentar uma guerra com que discordávamos, mas também a interrupção dos estudos, para além da preocupação que isso causava, naturalmente, às nossas famílias.
Quando descemos o elevador e nos apanhámos na rua, a nossa reacção foi desatar a correr pela Pinheiro Chagas acima e só parámos no velho "Tico-Tico", ponto de encontro da malta da Associação Académica.
Numa das mesas do "Tico-Tico" lá estava o Ivo Garrido com alguns colegas e amigos em animada cavaqueira e que, o verem-nos completamente encharcados em suor e com ar aterrorizado, nos perguntaram o que tinha acontecido?
Nós contámos, eles ficaram muito indignados e depois de umas catembes bem bebidas e de uns pregos trinchados, a noite acabou par ali.
No dia seguinte fomos chamados ao gabinete da reitora que, na presença da vice-reitora, nos informou que o Jornal tinha acabado, afinal sem nunca ter vindo a público!
Os nossos Encarregados de Educação foram, dias depois, também convocados para se responsabilizarem pelas despesas que já tinham sido feitas pela empresa da Revista "Tempo" e que na altura orçavam, salvo o erro, trinta contos em moeda moçambicana.
Sei que o meu pai se recusou a assumir essa responsabilidade e que perguntou à Dr.ª Maria José Salema porque razão não tinha convocado os Encarregados de Educação quando autorizou os alunos a fazerem o referido Jornal e os convocava só agora?
Ainda hoje não sei se essas despesas foram ou não pagas, mas posso assegurar que, caso o Jornal tivesse sido publicado, a receita da publicidade era mais do que suficiente para cobrir as despesas existentes.
Entre nós, miúdos, o ambiente era de revolta que foi ainda agravada quando, passados mais uns dias, entra na aula de Latim da professora Ana Jacob o contínuo que lê um comunicado da reitoria que dizia mais ao menos o seguinte "…na sequência das actividades relacionadas com a criação de um Jornal deste Liceu são aplicadas sanções disciplinares de um dia de suspensão e sete dias de repreensão registada aos alunos Victor Pereira, Luís Carlos Patraquim e Mário José Fernandes e repreensão registada ao aluno Emílio Luz Branco. Inacreditável! Levantámo-nos e saímos logo da sala de aula, depois de autorizados pela Dr.ª Ana Jacob, e dirigimo-nos ao Gabinete da Reitora para apresentarmos o nosso protesto, mas não fomos recebidos.
Mais tarde, o Mário José Fernandes e o Patraquim encontraram a reitora Maria José Salema na rua, junto ao edifício do BNU na antiga Avenida República e insultaram-na e ainda lhe deram uns bem merecidos encontrões.
Na sequência disso, o Mário Fernandes e o Luís Carlos Patraquim viram a pena agravada para um ano de suspensão das aulas.
"Dimensão Quatro"
Este desaire do "Progresso" não nos liquidou a esperança e conseguimos ver aceite um pedido feito à Direcção da Associação dos Naturais de Moçambique, situada na Avenida 24 de Julho e onde pontificavam alguns vultos da cultura moçambicana como José Craveirinha, Eugénio Lisboa, Rui Knopli, entre outros.
Esse pedido consistiu na elaboração de um Suplemento Juvenil no Jornal "Voz de Moçambique", editado pela referida Associação e a que demos o nome de "Dimensão Quatro" porque pretendemos dar continuidade à Comissão Directiva do "Progresso", constituída por quatro pessoas.
Mas, decididamente, estávamos em Maré de azar. Logo no primeiro suplemento fizemos uma primeira página com uma fotografia de graduados da Mocidade Portuguesa em saudação fascista e com uma legenda elucidativa: " Levados, levados sim!"
A falta de humor da "PIDE" determinou a apreensão daquela edição do Jornal "Voz de Moçambique", bem como do primeiro suplemento juvenil que terminou também.
Capítulos seguintes
Depois destas peripécias, o Mário José Fernandes e o Luís Carlos Patraquim deram o salto para a Suécia onde, suponho, pediram asilo político e só voltaram a Portugal e a Moçambique depois do Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974.
Eu continuei a estudar e fiz o curso de Jornalismo na Escola Superior de Meios de Comunicação Social em Lisboa. Iniciei a profissão de jornalista a 1 de Junho de 1976 no semanário "Tempo", passando depois pelo C1 da RTP, Jornal Novo, Teledifusão de Macau (TDM) e RTP-Açores, onde me aposentei por doença em 1997.
O Luís Carlos Patraquim regressou a Moçambique e, meu caro Armando Rocheteau, faz o favor de completar o resto e de acrescentar ou alterar o que achares conveniente.
Sassoeiros, 8 de dezembro de 2005
Victor Pereira
03/10/2012
02/10/2012
Fantástica autobiografia de um fantasista
Guilherme Pereira, nacionalidade portuguesa, nascido em Lourenço Marques (Moçambique), oficial Deficiente das Forças Armadas por ferimentos adquiridos em combate durante a guerra colonial em Moçambique, medalha de Cruz de Guerra de Primeira Classe, é Licenciado e Doutorado em Filologia Românica e Doutorado em “Jornalismo e Ciências da Comunicação” (classificação de vinte).
Foi dirigente associativo na Associação Académica de Coimbra e também dirigente da Associação Académica de Moçambique.
Na Universidade de Coimbra, integrou o núcleo duro dos 39 estudantes que lideraram a insurreição contra o regime político fascista – ao lado de Alberto Martins, Celso Cruzeiro, Strech Ribeiro, entre muitos outros – acabando por ser expulso de todas as universidades portuguesas e mais tarde reintegrado justamente por força da greve geral a exames (98,7% de adesão) levada a efeito em 1969 pelos estudantes da Universidade de Coimbra (in COIMBRA 69, de Celso Cruzeiro, Edições Afrontamento).
Por via do seu envolvimento na luta contra o fascismo, em Moçambique e Portugal, foi várias vezes preso. Estava preso em 25 de Abril de 1974, tendo sido libertado por via da amnistia decretada pela “Junta de Salvação Nacional”. Estes factos constam, documentalmente e testemunhalmente, do livro de sua autoria editado pela EDITORIAL PRESENÇA (“Prisão Maior”) e em várias publicações nacionais e internacionais.
Jornalista profissional há 37 anos - rádio,TV e imprensa escrita - titular da carteira profissional 6964 emitida pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, sócio 6600 do Sindicato de Jornalistas, exerceu e ainda exerce a sua profissão, no total em vinte e três (23) órgãos de informação, cinco dos quais não nacionais.
É também colaborador em cinco órgão de informação chamados regionais, dois dos quais on-line.
Professor Universitário, é membro (número 070540) do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, ensino superior.
Cofundador e ator, sob a direcção de Mário Barradas, do TEUM (Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique), tendo representado, entre outras, a peça de William Shakespeare “Measure for Measure” no papel principal de “Escalus”; foi fundador e Dirigente do Núcleo Provincial de Minibasquete, em Moçambique, e igualmente fundador e Director Geral em 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 das “Ficções Reais”, (nome de registo FICÇÕES ACTUAIS Lda, no Registo Nacional de Pessoas Coletivas) empresa profissional de guionismo e escrita criativa para TV e cinema, que subscreveu contratos com os canais de TV SIC e TVI, ainda com o grupo SONAE, empresa para a qual são produzidos os documentários subordinados à temática do “Desenvolvimento Sustentável”. Esta empresa iniciou a sua atividade com seis profissionais, tendo actualmente 49, desde guionistas a operadores de câmara, produtores, maquetistas, gráficos, aderecistas, iluminadores, assistentes de realização e realizadores.
Guilherme Pereira, 4 filhos, dois dos quais jornalistas, é autor de 158 publicações académicas relacionadas com literatura portuguesa, literatura africana de expressão portuguesa, linguística e ainda sobre o fenómeno da deficiência em geral, 7 dos quais sobre deficiência de antigos combatentes de Portugal, Vietname, França, Somália, Ruanda, Bósnia, Moçambique, Angola, Reino Unido e EUA.
Do ponto de vista da sua intervenção cívica e académica, é membro, entre outras, da Academia Brasileira de Letras, WWF (World Wilde Foundation), Amnistia Internacional, Prisioners Abroad, Forum Prisões, Sport Lisboa e Benfica, Associação 25 de Abril, Asssociação Deontológica dos Profissionais Militares, Stratego, EUROMIL - Organização Europeia das Associações Militares, Eurodefense-France, Quercus, Associação dos Deficientes das Forças Armadas e Deco.
É igualmente Cofundador e Secretário Geral da ONG “Forum Prisões”.
Guilherme Pereira está coletado, do ponto de vista fiscal, como professor, jornalista, escritor e guionista.
Sempre incansável lutador pelos ideais da liberdade e sem filiação partidária, amigo do seu amigo, indescolável dos seus ideais, sempre até às últimas consequências, Guilherme Pereira, justamente porque não é (não quer ser) indiferente face aos problemas do país, das funções que desempenha e do mundo em geral, que aliás conhece muito pessoalmente, em boa parte devido à sua atividade de jornalista e académico, é uma figura controversa que gera paixões e ódios, sendo geralmente pouco sensível a uns e a outras.
Costuma dizer, entre familiares, amigos e camaradas de profissão, que “está de passagem pela vida e não gostaria de permanecer a observar o mundo comodamente na estação das camionetas do comodismo ou da indiferença”, preferindo escolher “um caminho, mesmo que não seja confortável ou pacífico, até porque há guerras que é preciso fazer e outras que é preciso comprar”.
Publicação: terça-feira, 16 de janeiro de 2007 21:02 por Guilhas
http://comunidade.sol.pt/blogs/guilhas/archive/2007/01/16/GUILHERME-PEREIRA.aspx
NR: A biografia publicada por este herói antifascista e anticolonialista é tão resumida que só por humildade do seu autor se pode entender o esquecimento de muitos outros pontos interessantes:
- porque será que o lutador antifascista ocupava o maior parte do seu tempo como secionista da equipa feminina de basquetebol da Associação Académica de Moçambique, como disfarce da sua atividade clandestina de luta contra a ditadura?
- porque ficou deficiente das forças armadas, em que dia, em que local e contra quem combatia este herói antifascista?
- porque será que o famoso jornalista da "Tribuna" de Lourenço Marques, apareceu agredido pelas forças da reação, em maio de 1974 mas, por alguns, associada a uma refeição bem regada?
- porque será que as agitadas intervenções nas assembleias de estudantes da Universidade de Lourenço Marques, terminavam num galhofa generalizada?
- porque será que o Festival de Música Popular que o Guilhas organizou, nos anos 70 do séc. XX, nunca se chegou a realizar e os músicos contratados não viram um tusto e sentiram-se (no mínimo) enganados?
- porque será que o jornal «Expresso» recebeu contas de hospedagem de um jornalista homónimo, em diversos hóteis do Algarve que, na verdade, nunca integrou os quadros do jornal?
- porque será que o Guilhas foi parar à prisão nos anos 80 do séc. XX?
- porque o Guilhas está com o ex-advogado Romeu Francês, no Forum Prisões, uma organização sem fins lucrativos fundada por ex-reclusos?
- porque será que o Guilhas deu uma entrevista televisiva a Margarida Marante, no canal «SIC» em que reconheceu a sua personalidade dupla de fantasista e de herói das suas próprias histórias?
Foi dirigente associativo na Associação Académica de Coimbra e também dirigente da Associação Académica de Moçambique.
Na Universidade de Coimbra, integrou o núcleo duro dos 39 estudantes que lideraram a insurreição contra o regime político fascista – ao lado de Alberto Martins, Celso Cruzeiro, Strech Ribeiro, entre muitos outros – acabando por ser expulso de todas as universidades portuguesas e mais tarde reintegrado justamente por força da greve geral a exames (98,7% de adesão) levada a efeito em 1969 pelos estudantes da Universidade de Coimbra (in COIMBRA 69, de Celso Cruzeiro, Edições Afrontamento).
Por via do seu envolvimento na luta contra o fascismo, em Moçambique e Portugal, foi várias vezes preso. Estava preso em 25 de Abril de 1974, tendo sido libertado por via da amnistia decretada pela “Junta de Salvação Nacional”. Estes factos constam, documentalmente e testemunhalmente, do livro de sua autoria editado pela EDITORIAL PRESENÇA (“Prisão Maior”) e em várias publicações nacionais e internacionais.
Jornalista profissional há 37 anos - rádio,TV e imprensa escrita - titular da carteira profissional 6964 emitida pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, sócio 6600 do Sindicato de Jornalistas, exerceu e ainda exerce a sua profissão, no total em vinte e três (23) órgãos de informação, cinco dos quais não nacionais.
É também colaborador em cinco órgão de informação chamados regionais, dois dos quais on-line.
Professor Universitário, é membro (número 070540) do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, ensino superior.
Cofundador e ator, sob a direcção de Mário Barradas, do TEUM (Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique), tendo representado, entre outras, a peça de William Shakespeare “Measure for Measure” no papel principal de “Escalus”; foi fundador e Dirigente do Núcleo Provincial de Minibasquete, em Moçambique, e igualmente fundador e Director Geral em 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006 das “Ficções Reais”, (nome de registo FICÇÕES ACTUAIS Lda, no Registo Nacional de Pessoas Coletivas) empresa profissional de guionismo e escrita criativa para TV e cinema, que subscreveu contratos com os canais de TV SIC e TVI, ainda com o grupo SONAE, empresa para a qual são produzidos os documentários subordinados à temática do “Desenvolvimento Sustentável”. Esta empresa iniciou a sua atividade com seis profissionais, tendo actualmente 49, desde guionistas a operadores de câmara, produtores, maquetistas, gráficos, aderecistas, iluminadores, assistentes de realização e realizadores.
Guilherme Pereira, 4 filhos, dois dos quais jornalistas, é autor de 158 publicações académicas relacionadas com literatura portuguesa, literatura africana de expressão portuguesa, linguística e ainda sobre o fenómeno da deficiência em geral, 7 dos quais sobre deficiência de antigos combatentes de Portugal, Vietname, França, Somália, Ruanda, Bósnia, Moçambique, Angola, Reino Unido e EUA.
Do ponto de vista da sua intervenção cívica e académica, é membro, entre outras, da Academia Brasileira de Letras, WWF (World Wilde Foundation), Amnistia Internacional, Prisioners Abroad, Forum Prisões, Sport Lisboa e Benfica, Associação 25 de Abril, Asssociação Deontológica dos Profissionais Militares, Stratego, EUROMIL - Organização Europeia das Associações Militares, Eurodefense-France, Quercus, Associação dos Deficientes das Forças Armadas e Deco.
É igualmente Cofundador e Secretário Geral da ONG “Forum Prisões”.
Guilherme Pereira está coletado, do ponto de vista fiscal, como professor, jornalista, escritor e guionista.
Sempre incansável lutador pelos ideais da liberdade e sem filiação partidária, amigo do seu amigo, indescolável dos seus ideais, sempre até às últimas consequências, Guilherme Pereira, justamente porque não é (não quer ser) indiferente face aos problemas do país, das funções que desempenha e do mundo em geral, que aliás conhece muito pessoalmente, em boa parte devido à sua atividade de jornalista e académico, é uma figura controversa que gera paixões e ódios, sendo geralmente pouco sensível a uns e a outras.
Costuma dizer, entre familiares, amigos e camaradas de profissão, que “está de passagem pela vida e não gostaria de permanecer a observar o mundo comodamente na estação das camionetas do comodismo ou da indiferença”, preferindo escolher “um caminho, mesmo que não seja confortável ou pacífico, até porque há guerras que é preciso fazer e outras que é preciso comprar”.
Publicação: terça-feira, 16 de janeiro de 2007 21:02 por Guilhas
http://comunidade.sol.pt/blogs/guilhas/archive/2007/01/16/GUILHERME-PEREIRA.aspx
NR: A biografia publicada por este herói antifascista e anticolonialista é tão resumida que só por humildade do seu autor se pode entender o esquecimento de muitos outros pontos interessantes:
- porque será que o lutador antifascista ocupava o maior parte do seu tempo como secionista da equipa feminina de basquetebol da Associação Académica de Moçambique, como disfarce da sua atividade clandestina de luta contra a ditadura?
- porque ficou deficiente das forças armadas, em que dia, em que local e contra quem combatia este herói antifascista?
- porque será que o famoso jornalista da "Tribuna" de Lourenço Marques, apareceu agredido pelas forças da reação, em maio de 1974 mas, por alguns, associada a uma refeição bem regada?
- porque será que as agitadas intervenções nas assembleias de estudantes da Universidade de Lourenço Marques, terminavam num galhofa generalizada?
- porque será que o Festival de Música Popular que o Guilhas organizou, nos anos 70 do séc. XX, nunca se chegou a realizar e os músicos contratados não viram um tusto e sentiram-se (no mínimo) enganados?
- porque será que o jornal «Expresso» recebeu contas de hospedagem de um jornalista homónimo, em diversos hóteis do Algarve que, na verdade, nunca integrou os quadros do jornal?
- porque será que o Guilhas foi parar à prisão nos anos 80 do séc. XX?
- porque o Guilhas está com o ex-advogado Romeu Francês, no Forum Prisões, uma organização sem fins lucrativos fundada por ex-reclusos?
- porque será que o Guilhas deu uma entrevista televisiva a Margarida Marante, no canal «SIC» em que reconheceu a sua personalidade dupla de fantasista e de herói das suas próprias histórias?
01/10/2012
Escapadinha
Um sujeito casado volta de uma viagem de negócios na China, onde aproveitou para conhecer algumas garotas de programa.
O médico olha o órgão do sujeito e sentencia:
Dias depois de voltar, o seu pénis ficou todo verde. Parecia sorvete de pistachos: verde e flácido. Claro que escondeu isso da mulher como pôde e vai, então, consultar um médico.
O médico olha o órgão do sujeito e sentencia:
- Ahaa...! Você foi para a China ! Não?
- É verdade.
- E andou com umas garotas!
- E andou com umas garotas!
- É verdade!
- Infelizmente isso não tem cura. Vamos ter que cortar.
O sujeito não acredita no que ouve, e vai consultar outro médico, mas o diagnóstico é o mesmo. Em desespero, procura urologistas, especialistas, catedráticos e, todos, sem exceção, confirmam o diagnóstico.
O sujeito não acredita no que ouve, e vai consultar outro médico, mas o diagnóstico é o mesmo. Em desespero, procura urologistas, especialistas, catedráticos e, todos, sem exceção, confirmam o diagnóstico.
Arrasado e sem saída, decide confessar as suas escapadelas à mulher que, depois de uma tremenda barracada, se compadeceu com o marido e aconselhou-o a procurar um médico chinês. Um especialista em urologia na própria China. Afinal eles devem estar acostumados com esta doença. O sujeito volta à China, paga uma nota pela passagem e marca uma consulta com o médico mais renomado do país.
Ao examiná-lo, ele dá uma risadinha:
- Hehehehe! O senhor esteve na China lecentemente... Non?
- É verdade...
- E o senhor fez umas bobagens com as galotas... Non?
- É verdade.
- E o senhor foi ver médico basileilo... Non?
- É verdade.
- E médico basileilo lhe disse que telia que cortar..... Non?
- É verdade.
- Médico basileilo não sabe nada! Non plecisa cortar.
O sujeito nem acredita! Quase desmaia de tanta emoção.
Começa a pular pelo consultório. Abraça e beija o médico. O seu pesadelo tinha acabado!
- Então, existe tratamento para isso?
- Non... Non.... Non plecisa coltal... Cai sozinho!
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My God
30/09/2012
Gutenberg
A 30 de setembro de 1452, Johannes Gutenberg publicava a primeira obra impressa - a Bíblia de Gutenberg - por tipos móveis.
Em suma, o inventor da Tipografia e - consequentemente - do Mundo livre, pensador e conhecedor que temos hoje.
Em suma, o inventor da Tipografia e - consequentemente - do Mundo livre, pensador e conhecedor que temos hoje.
Loira
Manuel entrou num bar cerca das 20:00 h.
Escolheu um lugar junto de uma loira esplendorosa e olhou para o aparelho de TV, no momento em que começavam as notícias do dia.
A equipa de reportagem cobria a notícia de um homem que estava prestes a atirar-se do alto de um enorme edifício...
A loira voltou-se para o Manuel e disse:
- Você acha que ele vai saltar?
Manuel respondeu:
- Eu aposto em como ele vai saltar.
A loira respondeu:
- Bem, eu aposto que não vai.
Manuel pôs uma nota de 20 € na mesa e exclamou:
- Vamos a isso…!
Logo que a loira colocou o seu dinheiro na mesa, o homem atirou-se, morrendo no embate com o solo.
A loira ficou muito aborrecida, mas entregou-lhe a nota de 20 €.
- Aposta é aposta... é justo... Aqui está seu dinheiro.
Manuel respondeu:
- Eu não posso aceitar o seu dinheiro. Eu vi a ocorrência anteriormente no noticiário das 18 horas. Eu sabia que ele ia saltar.
A loira respondeu:
- Eu também, mas nunca pensei que ele o fizesse novamente.
Manuel pegou o dinheiro e saiu...
Escolheu um lugar junto de uma loira esplendorosa e olhou para o aparelho de TV, no momento em que começavam as notícias do dia.
A equipa de reportagem cobria a notícia de um homem que estava prestes a atirar-se do alto de um enorme edifício...
A loira voltou-se para o Manuel e disse:
- Você acha que ele vai saltar?
Manuel respondeu:
- Eu aposto em como ele vai saltar.
A loira respondeu:
- Bem, eu aposto que não vai.
Manuel pôs uma nota de 20 € na mesa e exclamou:
- Vamos a isso…!
Logo que a loira colocou o seu dinheiro na mesa, o homem atirou-se, morrendo no embate com o solo.
A loira ficou muito aborrecida, mas entregou-lhe a nota de 20 €.
- Aposta é aposta... é justo... Aqui está seu dinheiro.
Manuel respondeu:
- Eu não posso aceitar o seu dinheiro. Eu vi a ocorrência anteriormente no noticiário das 18 horas. Eu sabia que ele ia saltar.
A loira respondeu:
- Eu também, mas nunca pensei que ele o fizesse novamente.
Manuel pegou o dinheiro e saiu...
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Idiota
29/09/2012
Depois da missa
O que deve fazer um homem casado depois da missa?
O esposo regressa da missa, entra em casa a correr e dirige-se à esposa com invulgar alegria.
Abraça-a, levanta-a ternamente nos braços e vai dançando com ela suspensa no ar, à volta de cada móvel de casa.
Pergunta a esposa, bastante admirada com o gesto:
- O que foi que disse hoje o padre no sermão? Será que disse que os maridos devem ser mais carinhosos com as suas esposas?
Responde o marido, radiante:
- Não, amor. O padre disse que temos que carregar a nossa cruz com alegria redobrada...
O esposo regressa da missa, entra em casa a correr e dirige-se à esposa com invulgar alegria.
Abraça-a, levanta-a ternamente nos braços e vai dançando com ela suspensa no ar, à volta de cada móvel de casa.
Pergunta a esposa, bastante admirada com o gesto:
- O que foi que disse hoje o padre no sermão? Será que disse que os maridos devem ser mais carinhosos com as suas esposas?
Responde o marido, radiante:
- Não, amor. O padre disse que temos que carregar a nossa cruz com alegria redobrada...
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| O casal Guebuza, carregando a cruz... |
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Opinião
26/09/2012
No Porto, carago, que caril !!!
Veio da Zambézia, província central de Moçambique, com 14 anos. Está em Portugal há 32, mas ai de quem disser que não é moçambicana! É que há sabores e cheiros que nunca se esquecem e a Tia Orlanda raramente despe a tradicional capulana de cores vivas. Porque ela gosta de cozinhar tal como aprendeu na sua terra, mas também de mostrar a sua cultura. E sempre com um doce sorriso no rosto.
Depois de dois anos a fazer uns petiscos na Associação Portugal Moçambique, a Tia Orlanda conquistou a independência e acaba de abrir o seu próprio restaurante. É vê-la à volta dos grandes tachos a apurar temperos. As chamuças (como entrada) já estão na mesa, mas é o cheirinho do caril de caranguejo que faz salivar. Mesmo que já se esteja a saborear um pratinho de camarão frito à maneira. Virá também um feijão com coco (imperdível). Assim como outras surpresas, que nisto de prazeres não convém contar logo tudo...
Precisa apenas de saber que pode comer estes pratos por 15 euros (inclui bebida de cápsula), a que se acrescenta uma sobremesa: mistura de fruta exótica ou um doce (pudim de côco, mousse de manga ou maracujá). Agora sim, a Tia Orlanda faz aquilo que realmente quer fazer. E a tempo inteiro, pois deixou para trás o serviço de telefonista da Câmara de Gondomar, depois de ter sido costureira e jardineira. Nos tempos livres, aperfeiçoava os cozinhados ao ritmo da marrabenta.
Filha de uma parteira de Moçambique, Orlanda Klyronomus Barros Barbosa é o símbolo dos cruzamentos possíveis do tempo dos impérios. O seu avô materno era grego, o pai biológico é indiano e o pai adotivo português. Casada com um português, tem uma filha escurinha e um filho branquinho. "Não faço diferenças", diz.
Apenas quer que todos se satisfaçam com o cruzamento de temperos que vai arquitetando com os seus dotes culinários. Aos fins de semana, o músico cabo-verdiano Valdir Divad poderá animar o serão. Não se espante, porém, se a Tia Orlanda surgir de garrafão na mão a servir uma lipipa ou marréu. Se for esse o caso, prove primeiro e pergunte depois.
TIA ORLANDA SABORES MOÇAMBICANOS
Terça a Domingo, 11h-24h
15€ (buffet) / 8-10€ (dose para dois) / 8€ (vegetariano)
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Turismo
25/09/2012
Guebuzistão, o reino do ladrão
Era uma vez, nas longínquas terras africanas, existia um reino para lá do comum. Algumas pessoas chamavam-no "Pérola do Índico" e outras simplesmente "Pátria de Heróis". Mas havia uns que preferiam designá-lo "Guebuzistão".
Pouco importa o nome, bem poderia ser "Pátria Amada" ou "Pátria Qualquer Coisa", mas tinha de ter um Rei.
O Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e ampliar o seu património (financeiro) pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i) merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como :
"Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade".
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de "Revolução Verde" que morreu antes de nascer, inventou a história de "Jatropha" que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de "Cesta Básica" que ninguém chegou a ver.
Aliás, para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada "Auto-estima" e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou ainda uma guerra que denominou "Combate à Pobreza Absoluta" e, até então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não têm motivos para lutar, uma vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem escudo, apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os meios de repressão modernos ao seu dispor.
Chamaram o rapaz à razão, mas ele fez orelhas moucas. Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime.
Num certo dia, quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos carrascos. Foi encarcerado. Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida. Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
*PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.*
Mia Couto
Pouco importa o nome, bem poderia ser "Pátria Amada" ou "Pátria Qualquer Coisa", mas tinha de ter um Rei.
O Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e ampliar o seu património (financeiro) pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i) merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como :
"Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade".
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de "Revolução Verde" que morreu antes de nascer, inventou a história de "Jatropha" que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de "Cesta Básica" que ninguém chegou a ver.
Aliás, para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada "Auto-estima" e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou ainda uma guerra que denominou "Combate à Pobreza Absoluta" e, até então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não têm motivos para lutar, uma vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem escudo, apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os meios de repressão modernos ao seu dispor.
Chamaram o rapaz à razão, mas ele fez orelhas moucas. Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime.
Num certo dia, quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos carrascos. Foi encarcerado. Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida. Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
*PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.*
Mia Couto
NR: texto dedicado por "Tempos Modernos" para assinalar o dia 25 de setembro e o congresso do Partido de Ali Babá e os demais ladrões. O escritor é alheio à escolha deste jornal.
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Negociatas
24/09/2012
O buraco
Há gente que ainda não percebeu a dimensão do buraco financeiro em que Portugal foi metido pelos socretinos.
E há gente que, por mais que se explique, nunca vai perceber o que está calculado, demonstrado e escrito aqui no Blasfémias mesmo que se destaque que a Dívida Pública por português aumentou 93% durante a gestão socretina:
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Economia,
Negociatas
23/09/2012
A inocência
Há alguns incompetentes, mas poucos inocentes.
O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda sairia mais caro ao Estado?
Como caixa de ressonância daqueles que de quem é porta-voz (tendo há muito deixado de ter voz própria), o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, veio alinhar-se com os conselhos da troika sobre Portugal: não há outro caminho que não o de seguir a “solução” da austeridade e acelerar as “reformas estruturais” — descer os custos salariais, liberalizar mais ainda os despedimentos e diminuir o alcance do subsídio de desemprego.
Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro eletrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstração matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República.
Durão Barroso é uma espécie de catavento da impotência e incompetência dos dirigentes europeus. Todas as semanas ele cheira o vento e vira-se para o lado de onde ele sopra: se os srs. Monti, Draghi, Van Rompuy se mostram vagamente preocupados com o crescimento e o emprego, lá, no alto do edifício europeu, o catavento aponta a direcção; se, porém, na semana seguinte, os mesmos senhores mais a srª Merkel repetem que não há vida sem austeridade, recessão e desemprego, o catavento vira 180 graus e passa a indicar a direção oposta.
Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direção, uma ideia, um projeto lógico. Como é que se começou por brincar ao diretório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal: o contágio do subprime americano na banca europeia, que era afirmadamente inviável e que estoirou com a Islândia e a Irlanda e colocou a Inglaterra de joelhos; a falência final da Grécia, submetida a um castigo tão exemplar e tão inteligente que só lhe restou a alternativa de negociar com as máfias russas e as Three Gorges chinesas; como é que a tão longamente prevista explosão da bolha imobiliária espanhola acabou por rebentar na cara dos que juravam que a Espanha aguentaria isso e muito mais; como é que as agências de notação, os mercados e a Goldman Sachs puderam livremente atacar a dívida soberana de todos os Estados europeus, exceto a Alemanha, numa estratégia concertada de cerco ao euro, que finalmente tornou toda a Europa insolvente. Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista — a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia — e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro — isto é, a Alemanha e seus satélites — se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.
Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos.
O que podemos nós pensar quando o ex-ministro Teixeira dos Santos ainda consegue jurar que havia um risco sistémico de contágio se não se nacionalizasse aquele covil de bandidos do BPN? Será que todo o restante sistema bancário também assentava na fraude, na evasão fiscal, nos negócios inconfessáveis para amigos, nos bancos-fantasmas em Cabo Verde para esconder dinheiro e toda a restante série de traficâncias que de há muito — de há muito! — se sabia existirem no BPN? E como, com que fundamento, com que ciência, pode continuar a sustentar que a alternativa de encerrar, pura e simplesmente, aquele vão de escada “faria recuar a economia 4%”? Ou que era previsível que a conta da nacionalização para os contribuintes não fosse além dos 700 milhões de euros?
O que poderemos nós pensar quando descobrimos que à despesa declarada e à dívida ocultada pelo dr. Jardim ainda há a somar as faturas escondidas debaixo do tapete, emitidas pelos empreiteiros amigos da “autonomia” e a quem ele prometia conseguir pagar, assim que os ventos de Lisboa lhe soprassem mais favoravelmente?
O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado?
Como poderíamos adivinhar que havia uns contratos secretos, escondidos do Tribunal de Contas, em que o Estado garantia aos concessionários das PPP que ganhariam sempre X sem portagens e X+Y com portagens?
Mas como poderíamos adivinhá-lo se nos dizem sempre que o Estado tem de recorrer aos serviços de escritórios privados de advocacia (sempre os mesmos), porque, entre os milhares de juristas dos quadros públicos, não há uma meia dúzia que consiga redigir um contrato em que o Estado não seja sempre comido por parvo?
A troika quer reformas estruturais? Ora, imponha ao Governo que faça uma lei retroativa — sim, retroativa — que declare a nulidade e renegociação de todos os contratos celebrados pelo Estado com privados em que seja manifesto e reconhecido pelo Tribunal de Contas que só o Estado assumiu riscos, encaixou prejuízos sem correspondência com o negócio e fez figura de anjinho.
A Constituição não deixa? Ok, estabeleça-se um imposto extraordinário de 99,9% sobre os lucros excessivos dos contratos de PPP ou outros celebrados com o Estado. Eu conheço vários.
Quer outra reforma, não sei se estrutural ou conjuntural, mas, pelo menos, moral? Obrigue os bancos a aplicarem todo o dinheiro que vão buscar ao BCE a 1% de juros no financiamento da economia e das empresas viáveis e não em autocapitalização, para taparem os buracos dos negócios de favor e de influência que andaram a financiar aos grupos amigos.
Mais uma? Escrevam uma lei que estabeleça que todas as empresas de construção civil, que estão paradas por falta de obras e a despedir às dezenas de milhares, se possam dedicar à recuperação e remodelação do património urbano, público ou privado, pagando 0% de IRC nessas obras. Bruxelas não deixa? Deixa a Holanda ter um IRC que atrai para lá a sede das nossas empresas do PSI-20, mas não nos deixa baixar parte dos impostos às nossas empresas, numa situação de emergência? OK, Bruxelas que mande então fechar as empresas e despedir os trabalhadores. Cumpra-se a lei!
Outra? Proíbam as privatizações feitas segundo o modelo em moda, que consiste em privatizar a parte das empresas que dá lucro e deixar as “imparidades” a cargo do Estado: quem quiser comprar leva tudo ou não leva nada. E, já agora, que a operação financeira seja obrigatoriamente conduzida pela Caixa Geral de Depósitos (não é para isso que temos um banco público, por enquanto?). O quê, a Caixa não tem vocação ou aptidão para isso? Não me digam! Então, os administradores são pagos como privados, fazem negócios com os grandes grupos privados, até compram acções dos bancos privados e não são capazes de fazer o que os privados fazem? E, quanto à engenharia jurídica, atenta a reiterada falta de vocação e de aptidão dos serviços contratados em outsourcing para defenderem os interesses do cliente Estado, a troika que nos mande uma equipa de juristas para ensinar como se faz.
Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem, estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz.
Miguel Sousa Tavares
in «Expresso», junho 2012
.
O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda sairia mais caro ao Estado?
Como caixa de ressonância daqueles que de quem é porta-voz (tendo há muito deixado de ter voz própria), o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, veio alinhar-se com os conselhos da troika sobre Portugal: não há outro caminho que não o de seguir a “solução” da austeridade e acelerar as “reformas estruturais” — descer os custos salariais, liberalizar mais ainda os despedimentos e diminuir o alcance do subsídio de desemprego.
Que o trio formado pelo careca, o etíope e o alemão ignorem que em Portugal se está a oferecer 650 euros de ordenado a um engenheiro eletrotécnico falando três línguas estrangeiras ou 580 euros a um dentista em horário completo é mais ou menos compreensível para quem os portugueses são uma abstração matemática. Mas que um português, colocado nos altos círculos europeus e instalado nos seus hábitos, também ache que um dos nossos problemas principais são os ordenados elevados, já não é admissível. Lembremo-nos disto quando ele por aí vier candidatar-se a Presidente da República.
Durão Barroso é uma espécie de catavento da impotência e incompetência dos dirigentes europeus. Todas as semanas ele cheira o vento e vira-se para o lado de onde ele sopra: se os srs. Monti, Draghi, Van Rompuy se mostram vagamente preocupados com o crescimento e o emprego, lá, no alto do edifício europeu, o catavento aponta a direcção; se, porém, na semana seguinte, os mesmos senhores mais a srª Merkel repetem que não há vida sem austeridade, recessão e desemprego, o catavento vira 180 graus e passa a indicar a direção oposta.
Quando um dia se fizer a triste história destes anos de suicídio europeu, haveremos de perguntar como é que a Europa foi governada e destruída por um clube fechado de irresponsáveis, sem uma direção, uma ideia, um projeto lógico. Como é que se começou por brincar ao diretório castigador para com a Grécia para acabar a fazer implodir tudo em volta. Como é que se conseguiu levar a Lei de Murphy até ao absoluto, fazendo com que tudo o que podia correr mal tivesse corrido mal: o contágio do subprime americano na banca europeia, que era afirmadamente inviável e que estoirou com a Islândia e a Irlanda e colocou a Inglaterra de joelhos; a falência final da Grécia, submetida a um castigo tão exemplar e tão inteligente que só lhe restou a alternativa de negociar com as máfias russas e as Three Gorges chinesas; como é que a tão longamente prevista explosão da bolha imobiliária espanhola acabou por rebentar na cara dos que juravam que a Espanha aguentaria isso e muito mais; como é que as agências de notação, os mercados e a Goldman Sachs puderam livremente atacar a dívida soberana de todos os Estados europeus, exceto a Alemanha, numa estratégia concertada de cerco ao euro, que finalmente tornou toda a Europa insolvente. Ou como é que um pequeno país, como Portugal, experimentou uma receita jamais vista — a de tentar salvar as finanças públicas através da ruína da economia — e que, oh, espanto, produziu o resultado mais provável: arruinou uma coisa e outra. E como é que, no final de tudo isto, as periferias implodiram e só o centro — isto é, a Alemanha e seus satélites — se viu coberto de mercadorias que os seus parceiros europeus não tinham como comprar e atulhado em triliões de euros depositados pelos pobres e desesperados e que lhes puderam servir para comprar tudo, desde as ilhas gregas à água que os portugueses bebiam.
Deixemos os grandes senhores da Europa entregues à sua irrecuperável estupidez e detenhamo-nos sobre o nosso pequeno e infeliz exemplo, que nos serve para perceber que nada aconteceu por acaso, mas sim porque umas vezes a incompetência foi demasiada e outras a inocência foi de menos.
O que podemos nós pensar quando o ex-ministro Teixeira dos Santos ainda consegue jurar que havia um risco sistémico de contágio se não se nacionalizasse aquele covil de bandidos do BPN? Será que todo o restante sistema bancário também assentava na fraude, na evasão fiscal, nos negócios inconfessáveis para amigos, nos bancos-fantasmas em Cabo Verde para esconder dinheiro e toda a restante série de traficâncias que de há muito — de há muito! — se sabia existirem no BPN? E como, com que fundamento, com que ciência, pode continuar a sustentar que a alternativa de encerrar, pura e simplesmente, aquele vão de escada “faria recuar a economia 4%”? Ou que era previsível que a conta da nacionalização para os contribuintes não fosse além dos 700 milhões de euros?
O que poderemos nós pensar quando descobrimos que à despesa declarada e à dívida ocultada pelo dr. Jardim ainda há a somar as faturas escondidas debaixo do tapete, emitidas pelos empreiteiros amigos da “autonomia” e a quem ele prometia conseguir pagar, assim que os ventos de Lisboa lhe soprassem mais favoravelmente?
O que poderemos nós pensar quando, depois de tantos anos a exigir o fim das SCUT, descobrimos que, afinal, o fim das auto-estradas sem portagens ainda iria conseguir sair mais caro ao Estado?
Como poderíamos adivinhar que havia uns contratos secretos, escondidos do Tribunal de Contas, em que o Estado garantia aos concessionários das PPP que ganhariam sempre X sem portagens e X+Y com portagens?
Mas como poderíamos adivinhá-lo se nos dizem sempre que o Estado tem de recorrer aos serviços de escritórios privados de advocacia (sempre os mesmos), porque, entre os milhares de juristas dos quadros públicos, não há uma meia dúzia que consiga redigir um contrato em que o Estado não seja sempre comido por parvo?
A troika quer reformas estruturais? Ora, imponha ao Governo que faça uma lei retroativa — sim, retroativa — que declare a nulidade e renegociação de todos os contratos celebrados pelo Estado com privados em que seja manifesto e reconhecido pelo Tribunal de Contas que só o Estado assumiu riscos, encaixou prejuízos sem correspondência com o negócio e fez figura de anjinho.
A Constituição não deixa? Ok, estabeleça-se um imposto extraordinário de 99,9% sobre os lucros excessivos dos contratos de PPP ou outros celebrados com o Estado. Eu conheço vários.
Quer outra reforma, não sei se estrutural ou conjuntural, mas, pelo menos, moral? Obrigue os bancos a aplicarem todo o dinheiro que vão buscar ao BCE a 1% de juros no financiamento da economia e das empresas viáveis e não em autocapitalização, para taparem os buracos dos negócios de favor e de influência que andaram a financiar aos grupos amigos.
Mais uma? Escrevam uma lei que estabeleça que todas as empresas de construção civil, que estão paradas por falta de obras e a despedir às dezenas de milhares, se possam dedicar à recuperação e remodelação do património urbano, público ou privado, pagando 0% de IRC nessas obras. Bruxelas não deixa? Deixa a Holanda ter um IRC que atrai para lá a sede das nossas empresas do PSI-20, mas não nos deixa baixar parte dos impostos às nossas empresas, numa situação de emergência? OK, Bruxelas que mande então fechar as empresas e despedir os trabalhadores. Cumpra-se a lei!
Outra? Proíbam as privatizações feitas segundo o modelo em moda, que consiste em privatizar a parte das empresas que dá lucro e deixar as “imparidades” a cargo do Estado: quem quiser comprar leva tudo ou não leva nada. E, já agora, que a operação financeira seja obrigatoriamente conduzida pela Caixa Geral de Depósitos (não é para isso que temos um banco público, por enquanto?). O quê, a Caixa não tem vocação ou aptidão para isso? Não me digam! Então, os administradores são pagos como privados, fazem negócios com os grandes grupos privados, até compram acções dos bancos privados e não são capazes de fazer o que os privados fazem? E, quanto à engenharia jurídica, atenta a reiterada falta de vocação e de aptidão dos serviços contratados em outsourcing para defenderem os interesses do cliente Estado, a troika que nos mande uma equipa de juristas para ensinar como se faz.
Tenho muitas mais ideias, algumas tão ingénuas como estas, mas nenhumas tão prejudiciais como aquelas com que nos têm governado. A próxima vez que o careca, o etíope e o alemão cá vierem, estou disponível para tomar um cafezinho com eles no Ritz.
Miguel Sousa Tavares
in «Expresso», junho 2012
.
22/09/2012
Culpado, procura-se!
Este homem é responsável pelo estado de miséria a que Portugal chegou.
Em seis anos que esteve à frente do país, duplicou a sua dívida soberana, endividou-o junto de credores internacionais, patrocionou as grandes ruinosas negociatas conhecidas por "parcerias público-privadas" e promoveu duvidosos negócios com amigos.
Em maio de 2011, Portugal entrou em bancarrota ao deixar de ter dinheiro para pagar salários de funcionários públicos e pensionistas.
Enquanto milhares de portugueses estão no desemprego, passam fome ou são forçado a emigrar, o principal culpado frequenta os cafés de Paris a 15 mil euros por mês...
Falta chamá-lo a tribunal!
Em seis anos que esteve à frente do país, duplicou a sua dívida soberana, endividou-o junto de credores internacionais, patrocionou as grandes ruinosas negociatas conhecidas por "parcerias público-privadas" e promoveu duvidosos negócios com amigos.
Em maio de 2011, Portugal entrou em bancarrota ao deixar de ter dinheiro para pagar salários de funcionários públicos e pensionistas.
Enquanto milhares de portugueses estão no desemprego, passam fome ou são forçado a emigrar, o principal culpado frequenta os cafés de Paris a 15 mil euros por mês...
Falta chamá-lo a tribunal!
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Economia,
Negociatas,
Socialismo
19/09/2012
Sacríficios
Quando o Governo decidiu cortar, em 2013, dois subsídios aos funcionários públicos, a medida foi considerada «inevitável» pela maioria dos comentadores.
O que se discutiu foram, essencialmente, as «excepções», ou seja, o facto de o Banco de Portugal, a TAP ou a CGD ficarem de fora.
Mas o Tribunal Constitucional decidiu – irresponsavelmente, quanto a mim – chumbar a medida, e tornou-se necessário encontrar uma alternativa.
Que foi, grosso modo, estender os sacrifícios a todos – públicos e privados.
Desapareceram as ‘excepções’.
Funcionários públicos e funcionários privados foram atingidos pelos cortes.
Face à ‘previsibilidade’ da decisão, anunciada por Passos Coelho na sexta-feira passada, era de admitir que não levantasse excessiva polémica.
Foi, pois, com estupefação que, no regresso de férias, encontrei um ambiente de histeria colectiva, como se tivesse ocorrido uma catástrofe.
Ou como se Portugal tivesse entrado em guerra.
Vi noticiários na TV que eram verdadeiras peças de propaganda: colavam-se opiniões de comentadores umas às outras, seleccionadas criteriosamente com a mesma orientação: bater forte e feio no Governo.
Os jornalistas perderam a cabeça e até o sentido do ridículo.
Um jornal diário escrevia num editorial não assinado: «Sr. primeiro-ministro, os 5,5 mil milhões que visa obter com esta insanidade política desenham sobre os céus de Portugal, em cego galope, dois cavaleiros do apocalipse. Fome e Morte, em sentido literal».
Mas o que é isto?
Os funcionários públicos podiam arcar com os sacrifícios mas os privados já não podem?
Era aceitável tirar dois subsídios aos funcionários públicos, mas cortar o equivalente a um subsídio aos privados já é intolerável?
Ajudem-me a perceber.
As pessoas indignam-se com o aumento de impostos mas, simultaneamente, recusam medidas que podem aliviar a despesa do Estado.
Recusam os despedimentos na Função Pública.
São contra as dispensas de professores.
Não aceitam as taxas na Saúde ou a redução de despesas nos hospitais.
Contestam os cortes de subsídios às fundações.
Levantam-se contra a privatização da RTP.
Ou seja, são contra os impostos mas também são contra decisões que podem reduzir a despesa do Estado (e, portanto, aliviar os impostos).
Assim, nada feito.
Para compensar a austeridade, a oposição reclama ‘crescimento económico’.
Ora quem é contra o crescimento económico?
Ninguém.
Sucede que o crescimento não depende do Governo – depende das empresas.
São as empresas que criam riqueza e criam emprego.
Assim, as propostas da oposição para dinamizar a economia acabam por se resumir à exigência de mais investimento público, de mais subsídios, de mais facilidades, de mais apoios.
Mas isso, a prazo, terá o efeito exactamente contrário – porque o Estado, para fazer essas obras, para dar esses apoios, precisa de mais dinheiro.
E tal traduzir-se-á no agravamento dos impostos.
O caricato é que a única medida incluída neste pacote que visa dar um sinal de incentivo à economia (a descida da TSU para as empresas) também é criticada pelos que reclamam o crescimento!
Mas, no fim de contas, tudo isto é normal.
Ninguém fica satisfeito por lhe cortarem o salário.
E os partidos da oposição e os sindicatos não podem deixar passar oportunidades como esta para explorar o descontentamento popular.
A verdade é que nunca houve grandes correcções orçamentais nem alterações estruturais sem protestos a sério.
Se não fosse assim, não seria preciso coragem para as fazer.
Esperemos, agora, que o Governo não recue perante as dificuldades e as críticas brutais de que é alvo.
Porque muitos portugueses ainda não perceberam que a alternativa a estes cortes não é menos austeridade, como alguns prometem; a alternativa a estes cortes é a bancarrota.
E aí as pessoas não perderão 7% do seu salário, nem 10%, nem 20% – perderão 50% ou mais e verão as suas economias sumir-se pelo esgoto abaixo.
Isto, sim, mete medo.
E pode vir a acontecer, se a irresponsabilidade de uns quantos interromper a meio a única política sustentável a prazo.
http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=59249
O que se discutiu foram, essencialmente, as «excepções», ou seja, o facto de o Banco de Portugal, a TAP ou a CGD ficarem de fora.
Mas o Tribunal Constitucional decidiu – irresponsavelmente, quanto a mim – chumbar a medida, e tornou-se necessário encontrar uma alternativa.
Que foi, grosso modo, estender os sacrifícios a todos – públicos e privados.
Desapareceram as ‘excepções’.
Funcionários públicos e funcionários privados foram atingidos pelos cortes.
Face à ‘previsibilidade’ da decisão, anunciada por Passos Coelho na sexta-feira passada, era de admitir que não levantasse excessiva polémica.
Foi, pois, com estupefação que, no regresso de férias, encontrei um ambiente de histeria colectiva, como se tivesse ocorrido uma catástrofe.
Ou como se Portugal tivesse entrado em guerra.
Vi noticiários na TV que eram verdadeiras peças de propaganda: colavam-se opiniões de comentadores umas às outras, seleccionadas criteriosamente com a mesma orientação: bater forte e feio no Governo.
Os jornalistas perderam a cabeça e até o sentido do ridículo.
Um jornal diário escrevia num editorial não assinado: «Sr. primeiro-ministro, os 5,5 mil milhões que visa obter com esta insanidade política desenham sobre os céus de Portugal, em cego galope, dois cavaleiros do apocalipse. Fome e Morte, em sentido literal».
Mas o que é isto?
Os funcionários públicos podiam arcar com os sacrifícios mas os privados já não podem?
Era aceitável tirar dois subsídios aos funcionários públicos, mas cortar o equivalente a um subsídio aos privados já é intolerável?
Ajudem-me a perceber.
As pessoas indignam-se com o aumento de impostos mas, simultaneamente, recusam medidas que podem aliviar a despesa do Estado.
Recusam os despedimentos na Função Pública.
São contra as dispensas de professores.
Não aceitam as taxas na Saúde ou a redução de despesas nos hospitais.
Contestam os cortes de subsídios às fundações.
Levantam-se contra a privatização da RTP.
Ou seja, são contra os impostos mas também são contra decisões que podem reduzir a despesa do Estado (e, portanto, aliviar os impostos).
Assim, nada feito.
Para compensar a austeridade, a oposição reclama ‘crescimento económico’.
Ora quem é contra o crescimento económico?
Ninguém.
Sucede que o crescimento não depende do Governo – depende das empresas.
São as empresas que criam riqueza e criam emprego.
Assim, as propostas da oposição para dinamizar a economia acabam por se resumir à exigência de mais investimento público, de mais subsídios, de mais facilidades, de mais apoios.
Mas isso, a prazo, terá o efeito exactamente contrário – porque o Estado, para fazer essas obras, para dar esses apoios, precisa de mais dinheiro.
E tal traduzir-se-á no agravamento dos impostos.
O caricato é que a única medida incluída neste pacote que visa dar um sinal de incentivo à economia (a descida da TSU para as empresas) também é criticada pelos que reclamam o crescimento!
Mas, no fim de contas, tudo isto é normal.
Ninguém fica satisfeito por lhe cortarem o salário.
E os partidos da oposição e os sindicatos não podem deixar passar oportunidades como esta para explorar o descontentamento popular.
A verdade é que nunca houve grandes correcções orçamentais nem alterações estruturais sem protestos a sério.
Se não fosse assim, não seria preciso coragem para as fazer.
Esperemos, agora, que o Governo não recue perante as dificuldades e as críticas brutais de que é alvo.
Porque muitos portugueses ainda não perceberam que a alternativa a estes cortes não é menos austeridade, como alguns prometem; a alternativa a estes cortes é a bancarrota.
E aí as pessoas não perderão 7% do seu salário, nem 10%, nem 20% – perderão 50% ou mais e verão as suas economias sumir-se pelo esgoto abaixo.
Isto, sim, mete medo.
E pode vir a acontecer, se a irresponsabilidade de uns quantos interromper a meio a única política sustentável a prazo.
http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=59249
16/09/2012
Segurança Social
A INSUSTENTABILIDADE DA SEGURANÇA SOCIAL
A Segurança Social nasceu da Fusão (Nacionalização) de praticamente todas as Caixas de Previdência existentes, feita pelos Governos Comunistas e Socialistas, depois do 25 de Abril de 1974. As Contribuições que entravam nessas Caixas eram das empresas privadas (23,75%) e dos seus Empregados (11%).
O Estado nunca lá pôs 1 centavo. Nacionalizando aquilo que aos Privados pertencia, o Estado apropriou-se do que não era seu. Com o muito, mas muito dinheiro que lá existia, o Estado passou a ser "mãos largas"!
Começou por atribuir Pensões a todos os não-contributivos (domésticas, agrícolas e pescadores). Ao longo do tempo foi distribuindo Subsídios para tudo e para todos. Como se tal não bastasse, o 1º Governo de Guterres (1995/99) criou ainda outro subsídio (Rendimento Mínimo Garantido), em 1997, hoje chamado RSI.
E tudo isto, apenas e só, à custa dos Fundos existentes nas ex-Caixas de Previdência dos Privados. Os Governos não criaram rubricas específicas nos Orçamentos de Estado, para contemplar estas necessidades. Optaram isso sim, pelo "assalto" àqueles Fundos.
Cabe aqui recordar que os governos de Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram. Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou!
Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o "Livro Branco da Segurança Social".
Cabe aqui recordar que os governos de Salazar, também a esses Fundos várias vezes recorreram. Só que de outra forma: pedia emprestado e sempre pagou!
Em 1996/97 o 1º Governo Guterres nomeou uma Comissão, com vários especialistas, entre os quais Correia de Campos e Boaventura de Sousa Santos, que em 1998, publicam o "Livro Branco da Segurança Social".
Uma das conclusões, que para este efeito importa salientar, diz respeito ao Montante que o Estado já devia à Segurança Social, ex-Caixas de Previdência, dos Privados, pelos "saques" que foi fazendo desde 1975. Pois, esse montante apurado até 31 de Dezembro de 1996 era já de 7 300 milhões de Contos, na moeda de hoje, cerca de 36 500 milhões €.
De 1996 até hoje, os Governos continuaram a "sacar" e a dar benesses, a quem nunca para lá tinha contribuído, e tudo à custa dos privados.
Faltará criar agora outra Comissão para elaborar o "Livro NEGRO da Segurança Social", para, de entre outras rubricas, se apurar também o montante actualizado, depois dos "saques" que continuaram de 1997 até hoje. Mais, desde 2005 o próprio Estado admite Funcionários que descontam 11% para a Segurança Social e não para a CGA e ADSE.
Então e o Estado desconta, como qualquer empresa privada 23,75% para a SS? Claro que não!...
Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE?
Há poucos meses, um conhecido economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70 000 milhões €!... Ou seja, pouco menos, do que o empréstimo da Troika!...
Ainda há dias falando com um advogado, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Há já um grupo de juristas a movimentar-se nesse sentido.
Esta síntese que, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!...
Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.
Outra questão se pode colocar ainda. Se desde 2005, os Funcionários que o Estado admite, descontam para a Segurança Social, como e até quando irá sobreviver a CGA e a ADSE?
Há poucos meses, um conhecido economista, estimou que tal valor, incluindo juros nunca pagos pelo Estado, rondaria os 70 000 milhões €!... Ou seja, pouco menos, do que o empréstimo da Troika!...
Ainda há dias falando com um advogado, em Lisboa, ele me dizia que isto vai parar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Há já um grupo de juristas a movimentar-se nesse sentido.
Esta síntese que, é para que os mais Jovens, que estão já a ser os mais penalizados com o desemprego, fiquem a saber o que se fez e faz também dos seus descontos e o quanto irão ser também prejudicados, quando chegar a altura de se reformarem!...
Quem pretender fazer um estudo mais técnico e completo, poderá recorrer ao Google e ao INE.
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15/09/2012
Milhares marcharam em Lisboa
Resultado de anos de roubalheira e desbunda socialista explicam o sofrimento por que passam os portugueses.
De forma democrática, ordeira e muito cívica, mulheres, crianças, homens, famílias inteiras, de esquerda, de direita, de cima e de baixo, com diferentes opiniões mas unidas contra a impunidade e injustiça que caiu sobre Portugal.
De forma democrática, ordeira e muito cívica, mulheres, crianças, homens, famílias inteiras, de esquerda, de direita, de cima e de baixo, com diferentes opiniões mas unidas contra a impunidade e injustiça que caiu sobre Portugal.
14/09/2012
Hotel de charme
E lá estavas tu, tão esbelta como da última vez. Parece que foi ontem.
Correste a fazer a cama do meu quarto sem cuidar que eu estava no banho. No meio dos vapores da água corrente, trocámos um beijo e carícias tantas que me desfiz...
Volto cá na próxima semana, prometo. Eu corro o país em trabalho e já sabes que passo sempre por este hotel, com o teu charme.
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12/09/2012
10/09/2012
Manifestação contra o racismo em Angola
A antiga e repetida expressão do "perigo amarelo" ganha uma nova vida em Angola.
É o novo colonialismo. E a nova escravatura.
É sabido que a antiga escravatura levada a cabo pelos negreiros europeus, era feita com profunda conivência comercial dos reis, régulos e tiranetes africanos que, para o efeito, faziam guerras de razia pelo interior do continente para capturar as suas vítimas, depois enviadas para as plantações nas Américas.
Hoje, a China investe em massa no continente em busca desenfreada de recursos minerais e agrícolas. Para isso, despeja dólares sobre os novos tiranetes africanos e explora selvaticamente as florestas, as minas e a mão de obra local.
É o novo colonialismo. E a nova escravatura.
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09/09/2012
Vermelho fogo
Estavas simplesmente deslumbrante no teu vestido vermelho fogo com que dançaste descalça até à meia-noite.
Depois, foi uma noite muito quente para nós dois.
Depois, foi uma noite muito quente para nós dois.
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| Leka |
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08/09/2012
04/09/2012
A derrota dos amigos do PCP
CNN Breaking News
Data: 4 de Setembro de 2012 18:59:03 WEST
Colombian government and FARC guerrillas to begin peace talks in October in Oslo, Norway, says Colombian president.
*Get more from CNN International*
Data: 4 de Setembro de 2012 18:59:03 WEST
Colombian government and FARC guerrillas to begin peace talks in October in Oslo, Norway, says Colombian president.
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02/09/2012
Quase Outono
Fizemos uma pausa durante a caminhada matinal pela serra de Grândola.
O tempo anuncia o próximo Outono mas teu corpo quente desperta-me a Primavera.
O tempo anuncia o próximo Outono mas teu corpo quente desperta-me a Primavera.
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| Milana |
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01/09/2012
Isabel, a dona de Angola
O descaramento destes novos exploradores é impressionante. A inginheira Isabel dos Santos, cuja fortuna lhe caiu nos bolsos das negociatas do papá Zédu, consegue, sem se envergonhar um pouquinho, dar conselhos, aos seus concidadãos, sobre como trabalhar.
Não fora a "carinha loroca" que a garota tem, seria caso para dizer que, na TV, em programa de garota é garota de programa ou então, tem muita grana.
TVA, 28.08.2012
Não fora a "carinha loroca" que a garota tem, seria caso para dizer que, na TV, em programa de garota é garota de programa ou então, tem muita grana.
TVA, 28.08.2012
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30/08/2012
28/08/2012
Márcia: A pele que há em mim (Quando o dia entardeceu)
Uma voz espantosa é a da portuguesa Márcia. Acompanhada por JP Simões diz:
Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu
E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
O sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu
Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.
Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu o caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou
Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei, p’ra lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
P’ra voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber…
Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada,
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala
Na vertigem da voz quando enfim se cala.
Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu
E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
O sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu
Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.
Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu o caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou
Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei, p’ra lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
P’ra voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber…
Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada,
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala
Na vertigem da voz quando enfim se cala.
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26/08/2012
25/08/2012
Neil Armstrong – um salto gigantesco para a Humanidade
Recordando a longa e entusiasmante noite de 20 de julho de 1969 em que Neil Armstrong deu os primeiros passos na Lua e daria ímpeto ao desenvolvimento tecnológico que hoje está nas mãos de todos.
Descanse em paz!
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24/08/2012
Uma Fazenda em África
O livro «Uma Fazenda em África», de João Pedro Marques, é um romance histórico fabuloso. Tem por base a história heróica da colonização de Moçâmedes, Angola (hoje, Namibe) por portugueses idos de Pernambuco, Brasil, no séc. XIX, acontecimento que exalta os grande sacrifícios de portugueses e angolanos e cimenta a lusofonia.
Uma obra a não perder!
Uma obra a não perder!
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