Um pequeno single em cujo lado B havia esta preciosidade (Françoise Hardy "J'ai coupé le telephone"):
19/04/2013
Cobrança da dívida
Esquadra da Marinha chinesa chega a Lisboa!

Em declarações à RTP, o embaixador chinês em Portugal disse acreditar numa solução pacífica para o problema. A afirmação coincidiu com a chegada a Lisboa de uma esquadra da marinha chinesa!
09/04/2013
Vendedor de Banha da Cobra
Vidas paralelas
Na semana passada, celebrámos o retorno de um homem que tínhamos como morto.
Alguém que foi alvo de grandes injustiças, que se sacrificou por nós e que depois voltou em toda a sua glória. Mas não foi só o regresso de José Sócrates que se festejou. Também se comemorou a Páscoa e a ressurreição de Jesus Cristo.
São duas figuras impressionantes. Uma apresentou-se ao povo como o seu salvador, capaz dos mais incríveis milagres. Mas, à sua maneira, Jesus também era especial.
Subsistem dúvidas sobre o que se passou realmente com Jesus, uma vez que os únicos relatos foram redigidos muitos anos depois da sua morte, por pessoas que, algumas delas, nem o tinham conhecido. E subsistem ainda mais dúvidas sobre o que se passou realmente com Sócrates, uma vez que os únicos relatos são os do próprio.
Enfim, podia continuar aqui a usar este artifício estilístico para ampliar a grandeza de Sócrates, estabelecendo paralelismos entre Sócrates e Cristo ao referir características divinas do messias e equiparando-as às características de Jesus. (Cá está outro. Peço desculpa.) Mas o resto é incomparável. Afinal, só ao fim de mais de um século é que Jesus teve uma verdadeira religião em seu nome, enquanto José Sócrates teve-a ao fim de uma semana.
Percebe-se porquê. É uma questão de infra-estruturas. Para crescer, o cristianismo teve de esperar que Saulo de Tarso caísse na Estrada de Damasco e se convertesse. Ora, a religião de Sócrates não está dependente de uma só estrada para converter discípulos. Há, espalhadas por Portugal, várias estradas onde podemos ter a real noção do poder de Sócrates. A minha predilecta é a A17, entre Aveiro e Leiria. Enquanto toda a gente usa a A1, estou isolado do resto do mundo. São 150 km de solitude onde qualquer pessoa facilmente se converte a José Sócrates. Como essa, há várias estradas vazias, ideais para a instrospecção. É só escolher.
De uma maneira ou de outra, Sócrates tocou-nos a todos. A uns tocou no coração. A outros tocou no sítio do coração, mas por cima da roupa. Foi um daqueles toques mais ao estilo dos apalpões que os seguranças do aeroporto usam, de quem revista o bolso do casaco à procura da carteira. Mas qualquer português tem um episódio de Sócrates que o tenha marcado mais.
O meu é a parábola de Chico Buarque. Naquele tempo, Sócrates estava em visita oficial ao Brasil. Revelou que Chico Buarque queria muito conhecê-lo e tinha-o convidado para tomar um cafezinho. Os jornais apressaram-se a transmitir esta boa nova que muito prestigiava o país. Se um cançonetista brasileiro queria conhecer o nosso primeiro-ministro, o futuro de Portugal só podia ser radioso. Em breve, haveria um artista plástico zairense a desejar travar conhecimento com Sócrates. Ou um encenador turco. Um bailarino indonésio, porque não? As possibilidades eram imensas.
Infelizmente, Chico Buarque veio desmentir esta linda história: afinal, José Sócrates é que se tinha feito convidado para sua casa. Só que tinha dito aos jornalistas o contrário.
Por isso, quando Sócrates fez questão de dizer que a RTP é que o tinha convidado, recordei esse episódio com ternura. O meu Sócrates continua igual.
José Diogo Quintela
in «Público», 07-04-2013
Na semana passada, celebrámos o retorno de um homem que tínhamos como morto.
Alguém que foi alvo de grandes injustiças, que se sacrificou por nós e que depois voltou em toda a sua glória. Mas não foi só o regresso de José Sócrates que se festejou. Também se comemorou a Páscoa e a ressurreição de Jesus Cristo.
São duas figuras impressionantes. Uma apresentou-se ao povo como o seu salvador, capaz dos mais incríveis milagres. Mas, à sua maneira, Jesus também era especial.
Subsistem dúvidas sobre o que se passou realmente com Jesus, uma vez que os únicos relatos foram redigidos muitos anos depois da sua morte, por pessoas que, algumas delas, nem o tinham conhecido. E subsistem ainda mais dúvidas sobre o que se passou realmente com Sócrates, uma vez que os únicos relatos são os do próprio.
Enfim, podia continuar aqui a usar este artifício estilístico para ampliar a grandeza de Sócrates, estabelecendo paralelismos entre Sócrates e Cristo ao referir características divinas do messias e equiparando-as às características de Jesus. (Cá está outro. Peço desculpa.) Mas o resto é incomparável. Afinal, só ao fim de mais de um século é que Jesus teve uma verdadeira religião em seu nome, enquanto José Sócrates teve-a ao fim de uma semana.
Percebe-se porquê. É uma questão de infra-estruturas. Para crescer, o cristianismo teve de esperar que Saulo de Tarso caísse na Estrada de Damasco e se convertesse. Ora, a religião de Sócrates não está dependente de uma só estrada para converter discípulos. Há, espalhadas por Portugal, várias estradas onde podemos ter a real noção do poder de Sócrates. A minha predilecta é a A17, entre Aveiro e Leiria. Enquanto toda a gente usa a A1, estou isolado do resto do mundo. São 150 km de solitude onde qualquer pessoa facilmente se converte a José Sócrates. Como essa, há várias estradas vazias, ideais para a instrospecção. É só escolher.
De uma maneira ou de outra, Sócrates tocou-nos a todos. A uns tocou no coração. A outros tocou no sítio do coração, mas por cima da roupa. Foi um daqueles toques mais ao estilo dos apalpões que os seguranças do aeroporto usam, de quem revista o bolso do casaco à procura da carteira. Mas qualquer português tem um episódio de Sócrates que o tenha marcado mais.
O meu é a parábola de Chico Buarque. Naquele tempo, Sócrates estava em visita oficial ao Brasil. Revelou que Chico Buarque queria muito conhecê-lo e tinha-o convidado para tomar um cafezinho. Os jornais apressaram-se a transmitir esta boa nova que muito prestigiava o país. Se um cançonetista brasileiro queria conhecer o nosso primeiro-ministro, o futuro de Portugal só podia ser radioso. Em breve, haveria um artista plástico zairense a desejar travar conhecimento com Sócrates. Ou um encenador turco. Um bailarino indonésio, porque não? As possibilidades eram imensas.
Infelizmente, Chico Buarque veio desmentir esta linda história: afinal, José Sócrates é que se tinha feito convidado para sua casa. Só que tinha dito aos jornalistas o contrário.
Por isso, quando Sócrates fez questão de dizer que a RTP é que o tinha convidado, recordei esse episódio com ternura. O meu Sócrates continua igual.
José Diogo Quintela
in «Público», 07-04-2013
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Opinião
08/04/2013
Vozes de burro não chegam a Belém
O regressado Sócrates, cábula de Paris e de inglês técnico, dispara insultos em todas as direções.
Só atinge quem lhe der troco.
Vá de retro...
Só atinge quem lhe der troco.
Vá de retro...
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Idiota
07/04/2013
Titanic
A bem do funcionamento regular das instituições, devemos respeitar a decisão do TC, o que é diferente de com ela sempre concordar.
A música toca, os pares dançam alegres. Os que não dançam bebem, fumam e conversam. Num canto um grupo discute, animado, os negócios. Ouvem-se pequenas risadas. Numa mesa joga-se o bingo. Nem o capitão sabe, ainda, que o barco se está a afundar.
1. Estamos no início de uma queda. O Acórdão do Tribunal Constitucional de sexta-feira passada é histórico. Marcará provavelmente o início do fim da III República tal como a conhecemos, isto é, com esta Constituição, com o euro, com estes partidos políticos. Isto porque a dívida pública continua numa dinâmica explosiva (124% do PIB em 2012 e provavelmente 128% em 2013), os encargos com essa dívida sobem e o crescimento económico é ainda uma miragem.
O Governo português, com a adesão de Portugal ao euro, ganhou várias coisas (integração num espaço político europeu, baixas taxas de juro por exemplo), mas perdeu outras (a soberania monetária e a política cambial). Com o Tratado orçamental ficou condicionado na política orçamental (objetivo de equilíbrio das contas públicas em condições normais). Com o Acórdão do Tribunal Constitucional, ficou ainda mais limitado. A implicação singela do Acórdão é que neste processo de ajustamento orçamental e de tentativa de redução do défice orçamental - essencial para reganharmos a soberania nacional e não estarmos sujeitos a ditames da troika - a via não pode ser essencialmente a de redução da despesa (pois só se aceita um corte ligeiro nos salários, art.º 27.º, mas não na despesa bruta em pensões), mas sim a do lado do aumento da receita: contribuição extraordinária de solidariedade (art.º 78.º), sobretaxa de IRS de 3,5% (art.º 187.º), redução de escalões (186.º). Não apenas os orçamentos devem estar tendencialmente equilibrados (Tratado) como esse equilíbrio deverá provir do aumento da receita.
2. É precisamente porque não é clara a Constituição que necessitamos de um tribunal para a interpretar. A bem do funcionamento regular das instituições, devemos respeitar essa decisão, o que é diferente de com ela sempre concordar. Acho relevante e coerente a argumentação em torno da não constitucionalidade das contribuições obrigatórias de recebedores de prestações associadas com doença ou situação de desemprego. Discordo, quer da aceitabilidade da contribuição extraordinária de solidariedade quer da argumentação da inconstitucionalidade de um corte moderado e progressivo (isenções seguidas de cortes proporcionalmente maiores) em salários e pensões. O TC argumenta que um aumento de imposto ou uma redução salarial é a mesma coisa do ponto de vista da "repartição dos encargos públicos", pelo que estando os funcionários públicos sujeitos a ambos e os do privado, hipoteticamente, só ao aumento de impostos, está a haver tratamento diferenciado, o que, na opinião do tribunal, é excessivo. O ponto fraco da argumentação do tribunal é precisamente este. Assume implicitamente que os do privado só estão sujeitos ao aumento de impostos dos do público e não a redução salarial. O que é verdade na óptica das implicações do OE. Mas já não o é se pensarmos numa conjuntura económica em que aumenta dramaticamente o desemprego, sobretudo de antigos trabalhadores do privado, em que o novos trabalhadores são contratados a salários muito mais baixos, em que há uma descida no valor das prestações de serviços, em remunerações acessórias, etc. É pois falacioso o argumento implícito de que só existe queda salarial na administração pública. E se esta hipótese não for válida, a argumentação do TC sofre um profundo revés e levaria porventura a outras conclusões.
Gostaríamos de ter visto esclarecido no Acórdão se a Constituição (CRP) trata de forma simétrica subidas de impostos e descidas de salários. A CRP é omissa em relação a cortes de salários, mas não aos impostos. Isto não significa que não deva haver limites ao "sacrifício razoável" de cortes de salários e ao tratamento diferenciado de "funcionários" e trabalhadores do privado. Esses limites são obviamente subjetivos. Considerámos e defendemos aqui a inconstitucionalidade de dois cortes salariais (OE 2012), mas não de um corte (OE 2013). O TC deliberou de outra forma.
3. A crise de regime, a que assistimos, obviamente que não é da responsabilidade do Constitucional e revisitar o resgate de 2011 ajuda a compreender as narrativas passadas e presentes e os caminhos de saída. Aquilo que nos levou à atual crise de regime foi o mau funcionamento das nossas instituições (em particular regulatórias e políticas). O sistema partidário, o sistema político democrático e o sistema empresarial público (central, regional e local) construído paulatinamente nas últimas décadas levaram, com a ajuda da crise internacional, à situação em que estamos. Não foi o chumbo do PEC IV que levou ao resgate. Antes dessa votação realizou-se no ISEG um debate público sobre a eventual necessidade desse resgate, baseado em simulações sobre a dinâmica da dívida pública. Silva Lopes, João Duque e eu próprio defendemos que ele era inevitável. João Ferreira do Amaral, que não era desejável. O problema da quase universal ocupação do espaço público mediático por ex-governantes ou ex-líderes do passado (obviamente que Sócrates tem os mesmos direitos que Marcelo, Marques Mendes ou Santos Silva) é que obstrui a uma leitura crítica da realidade da qual foram protagonistas. Não dão espaço a diferentes leituras, não apenas do passado, mas sobretudo não permitem repensar e reinventar o futuro. Os históricos têm uma função muito importante a desempenhar que é repensar o funcionamento interno dos partidos, a criação de grupos de estudo internos, o debate programático, e pela sua experiência, a reforma do sistema político.
4. Esta reforma do sistema político tem sido discutida à margem, individualmente, em pequenos grupos ou em manifestos. Aqui, é de salientar o recente "Manifesto pela Democratização do Regime" subscrito, entre outros, por Henrique Neto, Elísio Estanque, Luís Salgado Matos, Eurico Figueiredo e Rui Tavares, que, aqui no PÚBLICO, tem abordado várias vezes esta temática de que é necessário abrir o sistema político introduzindo primárias, clarificando o financiamento partidário e aumentando a personalização do voto. O manifesto tem infelizmente uma redação algo patriótica e anti partidos que não subscrevo. Se se quer fazer lóbi para a reforma do sistema político, é necessário deixar a retórica de parte e consensualizar uns princípios básicos de reforma - por exemplo, permitir a personalização do voto como acontece na maioria dos países europeus - e convencer os atores políticos de que é a saída para a credibilização do regime.
5. Para além do problema político temos um económico. A nossa adesão à então CEE e o acesso aos fundos estruturais e posteriormente a adesão ao euro foram oportunidades não aproveitadas de alterar a estrutura produtiva e aumentar a competitividade. Hoje, pelas razões acima aduzidas (falta de instrumentos de política monetária e, em parte, orçamental) e mais bem explicadas nos dois livros que são lançados para a semana (de Vítor Bento e João Ferreira do Amaral) temos um problema económico entre mãos a resolver. Convém estudá-lo para encontrar uma solução.
6. A crise política, agravada pela decisão do Constitucional, não terá um desfecho imediato. Portugal necessita de renegociar as maturidades da dívida e deveria diminuir os juros já. Mas nada será como dantes, após este Acórdão do Constitucional. Haja esperança e resiliência.
Paulo Trigo Pereira
in «Público», 07-04-2013
A música toca, os pares dançam alegres. Os que não dançam bebem, fumam e conversam. Num canto um grupo discute, animado, os negócios. Ouvem-se pequenas risadas. Numa mesa joga-se o bingo. Nem o capitão sabe, ainda, que o barco se está a afundar.
1. Estamos no início de uma queda. O Acórdão do Tribunal Constitucional de sexta-feira passada é histórico. Marcará provavelmente o início do fim da III República tal como a conhecemos, isto é, com esta Constituição, com o euro, com estes partidos políticos. Isto porque a dívida pública continua numa dinâmica explosiva (124% do PIB em 2012 e provavelmente 128% em 2013), os encargos com essa dívida sobem e o crescimento económico é ainda uma miragem.
O Governo português, com a adesão de Portugal ao euro, ganhou várias coisas (integração num espaço político europeu, baixas taxas de juro por exemplo), mas perdeu outras (a soberania monetária e a política cambial). Com o Tratado orçamental ficou condicionado na política orçamental (objetivo de equilíbrio das contas públicas em condições normais). Com o Acórdão do Tribunal Constitucional, ficou ainda mais limitado. A implicação singela do Acórdão é que neste processo de ajustamento orçamental e de tentativa de redução do défice orçamental - essencial para reganharmos a soberania nacional e não estarmos sujeitos a ditames da troika - a via não pode ser essencialmente a de redução da despesa (pois só se aceita um corte ligeiro nos salários, art.º 27.º, mas não na despesa bruta em pensões), mas sim a do lado do aumento da receita: contribuição extraordinária de solidariedade (art.º 78.º), sobretaxa de IRS de 3,5% (art.º 187.º), redução de escalões (186.º). Não apenas os orçamentos devem estar tendencialmente equilibrados (Tratado) como esse equilíbrio deverá provir do aumento da receita.
2. É precisamente porque não é clara a Constituição que necessitamos de um tribunal para a interpretar. A bem do funcionamento regular das instituições, devemos respeitar essa decisão, o que é diferente de com ela sempre concordar. Acho relevante e coerente a argumentação em torno da não constitucionalidade das contribuições obrigatórias de recebedores de prestações associadas com doença ou situação de desemprego. Discordo, quer da aceitabilidade da contribuição extraordinária de solidariedade quer da argumentação da inconstitucionalidade de um corte moderado e progressivo (isenções seguidas de cortes proporcionalmente maiores) em salários e pensões. O TC argumenta que um aumento de imposto ou uma redução salarial é a mesma coisa do ponto de vista da "repartição dos encargos públicos", pelo que estando os funcionários públicos sujeitos a ambos e os do privado, hipoteticamente, só ao aumento de impostos, está a haver tratamento diferenciado, o que, na opinião do tribunal, é excessivo. O ponto fraco da argumentação do tribunal é precisamente este. Assume implicitamente que os do privado só estão sujeitos ao aumento de impostos dos do público e não a redução salarial. O que é verdade na óptica das implicações do OE. Mas já não o é se pensarmos numa conjuntura económica em que aumenta dramaticamente o desemprego, sobretudo de antigos trabalhadores do privado, em que o novos trabalhadores são contratados a salários muito mais baixos, em que há uma descida no valor das prestações de serviços, em remunerações acessórias, etc. É pois falacioso o argumento implícito de que só existe queda salarial na administração pública. E se esta hipótese não for válida, a argumentação do TC sofre um profundo revés e levaria porventura a outras conclusões.
Gostaríamos de ter visto esclarecido no Acórdão se a Constituição (CRP) trata de forma simétrica subidas de impostos e descidas de salários. A CRP é omissa em relação a cortes de salários, mas não aos impostos. Isto não significa que não deva haver limites ao "sacrifício razoável" de cortes de salários e ao tratamento diferenciado de "funcionários" e trabalhadores do privado. Esses limites são obviamente subjetivos. Considerámos e defendemos aqui a inconstitucionalidade de dois cortes salariais (OE 2012), mas não de um corte (OE 2013). O TC deliberou de outra forma.
3. A crise de regime, a que assistimos, obviamente que não é da responsabilidade do Constitucional e revisitar o resgate de 2011 ajuda a compreender as narrativas passadas e presentes e os caminhos de saída. Aquilo que nos levou à atual crise de regime foi o mau funcionamento das nossas instituições (em particular regulatórias e políticas). O sistema partidário, o sistema político democrático e o sistema empresarial público (central, regional e local) construído paulatinamente nas últimas décadas levaram, com a ajuda da crise internacional, à situação em que estamos. Não foi o chumbo do PEC IV que levou ao resgate. Antes dessa votação realizou-se no ISEG um debate público sobre a eventual necessidade desse resgate, baseado em simulações sobre a dinâmica da dívida pública. Silva Lopes, João Duque e eu próprio defendemos que ele era inevitável. João Ferreira do Amaral, que não era desejável. O problema da quase universal ocupação do espaço público mediático por ex-governantes ou ex-líderes do passado (obviamente que Sócrates tem os mesmos direitos que Marcelo, Marques Mendes ou Santos Silva) é que obstrui a uma leitura crítica da realidade da qual foram protagonistas. Não dão espaço a diferentes leituras, não apenas do passado, mas sobretudo não permitem repensar e reinventar o futuro. Os históricos têm uma função muito importante a desempenhar que é repensar o funcionamento interno dos partidos, a criação de grupos de estudo internos, o debate programático, e pela sua experiência, a reforma do sistema político.
4. Esta reforma do sistema político tem sido discutida à margem, individualmente, em pequenos grupos ou em manifestos. Aqui, é de salientar o recente "Manifesto pela Democratização do Regime" subscrito, entre outros, por Henrique Neto, Elísio Estanque, Luís Salgado Matos, Eurico Figueiredo e Rui Tavares, que, aqui no PÚBLICO, tem abordado várias vezes esta temática de que é necessário abrir o sistema político introduzindo primárias, clarificando o financiamento partidário e aumentando a personalização do voto. O manifesto tem infelizmente uma redação algo patriótica e anti partidos que não subscrevo. Se se quer fazer lóbi para a reforma do sistema político, é necessário deixar a retórica de parte e consensualizar uns princípios básicos de reforma - por exemplo, permitir a personalização do voto como acontece na maioria dos países europeus - e convencer os atores políticos de que é a saída para a credibilização do regime.
5. Para além do problema político temos um económico. A nossa adesão à então CEE e o acesso aos fundos estruturais e posteriormente a adesão ao euro foram oportunidades não aproveitadas de alterar a estrutura produtiva e aumentar a competitividade. Hoje, pelas razões acima aduzidas (falta de instrumentos de política monetária e, em parte, orçamental) e mais bem explicadas nos dois livros que são lançados para a semana (de Vítor Bento e João Ferreira do Amaral) temos um problema económico entre mãos a resolver. Convém estudá-lo para encontrar uma solução.
6. A crise política, agravada pela decisão do Constitucional, não terá um desfecho imediato. Portugal necessita de renegociar as maturidades da dívida e deveria diminuir os juros já. Mas nada será como dantes, após este Acórdão do Constitucional. Haja esperança e resiliência.
Paulo Trigo Pereira
in «Público», 07-04-2013
05/04/2013
Tribunal inConstitucional
O presidente do Tribunal Constitucional português, Joaquim Sousa Ribeiro, lendo hoje o chumbo do Orçamento de Estado de 2013.
Alguém vai pagar a bancarrota...
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Economia
01/04/2013
A boia do papá
- Pai, posso levar a tua boia para a piscina?
- Que boia, filho?
- Aquela que está no teu quarto.
- Não sei de boia nenhuma, mas podes pegar no que quiseres e não me chateies mais.
- Obrigado, pai!
E lá vai o menino feliz para a piscina ...

- Que boia, filho?
- Aquela que está no teu quarto.
- Não sei de boia nenhuma, mas podes pegar no que quiseres e não me chateies mais.
- Obrigado, pai!
E lá vai o menino feliz para a piscina ...

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Idiota
21/03/2013
13/03/2013
Baixar as calças
Conta-se que Sócrates estava de visita à Venezuela Hugo Chávez, em 2010.
À época, o ministro das Finança, Teixeira dos Santos, estavam incumbido de vender títulos da Dívida Pública e fechar vários negócios. A aflição da comitiva portuguesa era elevada pois a situação económica degradava-se rapidamente.
Em Caracas, chovia fortemente.
José Sócrates, vaidoso como sempre foi, saiu do carro para ser bem visto por jornalistas e populares que rodeavam o local.
Para não molhar as calças, dobrou a bainha e subiu as calças para não as molhar.
De seguida, entra na sala da reunião intergovernamental onde as negociações corriam difíceis. Chávéz fugia a fechar contratos e o tempo passava....
Teixeira dos Santos, sentado a seu lado, repara que Sócrates ainda estava com as calças para cima e tenta logo avisá-lo:
- Senhor Primeiro-Ministro! Baixe as calças....
- Oh, Fernando! Calma! Primeiro temos de fechar um acordo!
À época, o ministro das Finança, Teixeira dos Santos, estavam incumbido de vender títulos da Dívida Pública e fechar vários negócios. A aflição da comitiva portuguesa era elevada pois a situação económica degradava-se rapidamente.
Em Caracas, chovia fortemente.
José Sócrates, vaidoso como sempre foi, saiu do carro para ser bem visto por jornalistas e populares que rodeavam o local.
Para não molhar as calças, dobrou a bainha e subiu as calças para não as molhar.
De seguida, entra na sala da reunião intergovernamental onde as negociações corriam difíceis. Chávéz fugia a fechar contratos e o tempo passava....
Teixeira dos Santos, sentado a seu lado, repara que Sócrates ainda estava com as calças para cima e tenta logo avisá-lo:
- Senhor Primeiro-Ministro! Baixe as calças....
- Oh, Fernando! Calma! Primeiro temos de fechar um acordo!
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11/03/2013
28/01/2013
21/12/2012
14/12/2012
08/12/2012
Mudar de paróquia
Ora um dia, estando o padre no confessionário, ouve do lado de fora:
- Eu sou o Abel!
- Ah... vens confessar os teus numerosos pecados?!!!
- Nãããão... - responde o tal Abel - venho dizer-lhe que se não me der 50% dos lucros vou para outra paróquia...
- Eu sou o Abel!
- Ah... vens confessar os teus numerosos pecados?!!!
- Nãããão... - responde o tal Abel - venho dizer-lhe que se não me der 50% dos lucros vou para outra paróquia...
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My God
01/12/2012
13/11/2012
A carta de Sofia
Observações da Sofia
(8 anos de idade), depois de ter recebido da sua mãe a espinhosa missão
de vigiar escondida sua irmã Susana (17anos), que teve permissão de sua
severa mãe de poder namorar no sofá da sala.
Ela faz seu ingénuo e detalhado relatório de tudo que viu, ouviu e sentiu:
"Para a minha mãe:
Mãe, a Susana e o namorado apagaram a maior parte das luzes e sentaram-se no sofá.
Ele chegou perto dela e começou a abraçá-la. A Susana deve ter começado a ficar doente, porque seu rosto começou a ficar vermelho.
O namorado dela deve ter percebido que ela começava a passar mal, porque ele colocou a mão dentro da blusa dela, acho que para entir seu coração.
Só que ele demorou muito para encontrá-lo!
Aí, foi ele quem começou a ficar doente, porque os dois começaram a ficar ofegantes, com pouca respiração. Acho que a mão dele estava fria, porque ele colocou-a por dentro da saia da Susana, que deitou no sofá dizendo que estava muito quente.
Depois de algum tempo consegui ver o que estava deixando os dois doentes: uma enguia enorme tinha saltado do bolso da calça dele, era muito grande mesmo, devia ter uns 20 cm de comprimento.
Foi então que Susana agarrou a enguia com as duas mãos, acho que para evitar que ela fugisse, e disse que era a maior que já tinha visto.
De repente a Susana deve ter ficado maluca, porque ela tentou comer a enguia. Colocou-a inteirinha na boca e ficou a tentar engolir.
Acho que enguia é uma coisa muito dura e ruim de comer, principalmente viva, porque depois de um tempão a enguia vomitou e saiu da boca da Susana ainda inteirinha!
O namorado da Susana então, enfiou a enguia num saco plástico, tentando sufocá-la, daí a Susana tentou ajudá-lo e deitou prendendo a enguia entre as pernas, enquanto o namorado deitava em cima dela. Eles ficaram a tentar esmagar a enguia entre eles.
Mãe, eu confesso que fiquei assustada porque a Susana gritava tanto e contorcia-se toda.
Depois de muito tempo os dois soltaram um suspiro de alívio. Acho que conseguiram matar a enguia, porque eu a vi pendurada abaixo da barriga do namorado da Susana.
A Suzana e o namorado sentaram-se no sofá e começaram a se beijar e, quero que um raio caia na minha cabeça, se a enguia morta não ressuscitou e eles começaram a batalha novamente.
Acho que o namorado estava cansado, pois foi a Susana que tentou esmagar a enguia sentando-se em cima dela. Imagino que a Susana é muito fraquinha, porque depois de algum tempo o namorado pediu para ela se deitar de bruços e voltou a tentar esmagar a enguia, mas dessa vez com muita força.
Fiquei preocupada, porque a Susana gritava muito, porém, a vontade de matar a enguia era tanta que ela gritava "Vai, vai, não para, não para".
Depois de uns 40 minutos enfim o alívio: a enguia morreu!
O namorado da Susana disse que tava todo esfolado e jogou a pele da enguia pela janela.
Mãe, eu estava a pensar, acho que as enguias são como gatos, tem sete vidas ou mais...
Ass.: Sofia"
Ela faz seu ingénuo e detalhado relatório de tudo que viu, ouviu e sentiu:
"Para a minha mãe:
Mãe, a Susana e o namorado apagaram a maior parte das luzes e sentaram-se no sofá.
Ele chegou perto dela e começou a abraçá-la. A Susana deve ter começado a ficar doente, porque seu rosto começou a ficar vermelho.
O namorado dela deve ter percebido que ela começava a passar mal, porque ele colocou a mão dentro da blusa dela, acho que para entir seu coração.
Só que ele demorou muito para encontrá-lo!
Aí, foi ele quem começou a ficar doente, porque os dois começaram a ficar ofegantes, com pouca respiração. Acho que a mão dele estava fria, porque ele colocou-a por dentro da saia da Susana, que deitou no sofá dizendo que estava muito quente.
Depois de algum tempo consegui ver o que estava deixando os dois doentes: uma enguia enorme tinha saltado do bolso da calça dele, era muito grande mesmo, devia ter uns 20 cm de comprimento.
Foi então que Susana agarrou a enguia com as duas mãos, acho que para evitar que ela fugisse, e disse que era a maior que já tinha visto.
De repente a Susana deve ter ficado maluca, porque ela tentou comer a enguia. Colocou-a inteirinha na boca e ficou a tentar engolir.
Acho que enguia é uma coisa muito dura e ruim de comer, principalmente viva, porque depois de um tempão a enguia vomitou e saiu da boca da Susana ainda inteirinha!
O namorado da Susana então, enfiou a enguia num saco plástico, tentando sufocá-la, daí a Susana tentou ajudá-lo e deitou prendendo a enguia entre as pernas, enquanto o namorado deitava em cima dela. Eles ficaram a tentar esmagar a enguia entre eles.
Mãe, eu confesso que fiquei assustada porque a Susana gritava tanto e contorcia-se toda.
Depois de muito tempo os dois soltaram um suspiro de alívio. Acho que conseguiram matar a enguia, porque eu a vi pendurada abaixo da barriga do namorado da Susana.
A Suzana e o namorado sentaram-se no sofá e começaram a se beijar e, quero que um raio caia na minha cabeça, se a enguia morta não ressuscitou e eles começaram a batalha novamente.
Acho que o namorado estava cansado, pois foi a Susana que tentou esmagar a enguia sentando-se em cima dela. Imagino que a Susana é muito fraquinha, porque depois de algum tempo o namorado pediu para ela se deitar de bruços e voltou a tentar esmagar a enguia, mas dessa vez com muita força.
Fiquei preocupada, porque a Susana gritava muito, porém, a vontade de matar a enguia era tanta que ela gritava "Vai, vai, não para, não para".
Depois de uns 40 minutos enfim o alívio: a enguia morreu!
O namorado da Susana disse que tava todo esfolado e jogou a pele da enguia pela janela.
Mãe, eu estava a pensar, acho que as enguias são como gatos, tem sete vidas ou mais...
Ass.: Sofia"
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