13/02/2012

Acordo ortográfico moçambicano

«Eh Oena, Nós aqui em Moçambique sabemos que os mulungos de Lisboa fizeram um acordo ortográfico com aquele tocolocha do Brasil que tem nome de peixe. A minha resposta é: naila.
Os mulungos não pensem que chegam aqui e buissa saguate sem milando, porque pensam que o moçambicano é bongolo. O moçambicano não é bongolo não; o moçambicano estiva xilande.
Essa bula bula de acordo ortográfico é como babalaza de chope: quando a gente acorda manguana, se vai ticumzar a mamana já não tem estaleca e nem sequer sabe onde é o xitombo, e a gente arranja timaca com a nossa família.

E como pode o mufana moçambicano falar com um madala? Em português, naturalmente. A língua portuguesa é de todos, incluindo o mulato, o balabasso e os baneanes. Por exemplo: em Portugal dizem "autocarro" e está no dicionário; no Brasil falam "bus" e está no dicionário; aqui em Moçambique falamos "machimbombo" e não está no dicionário. Porquê?

O moçambicano é machimba? Machimba é aquele congoaca do Coelho que pensa que é chibante junto com o chiconhoca ministro da economia de Lisboa. O Coelho não pensa, só faz tchócótchá com o th'xouco dele e aquilo que sai é só matope.

Este acordo ortográfico é canganhiça, chicuembo chanhaca! Aqui na minha terra a gente fez uma banja e decidiu que não podemos aceitar.

Bayete Moçambique!
Hambanine.»

Assina: Zé Macaneta
TRADUÇÃO LIGEIRA
MULUNGO = BRANCO 
TOCOLOCHA = MACACO
BUISSA SAGUATE = DAR GORJETA
MILANDO = PROBLEMA
BONGOLO = BURRO
TICUMZAR = RECUSAMO-NOS A TRADUZIR (%&%;+$#&«p;a<;%*!§)

NR: este texto é uma merecida homenagem ao poeta Vasco Graça Moura pelo seu papel de irredutível lusitano para os lados de Belém

12/02/2012

Tempestade sobre Maputo

Tempestade impressionante sobre a cidade de Maputo, a 11/02/2012 (filme concentrado em 2 minutos).

Raios e coriscos sobre Guebuza!

11/02/2012

Grécia

Entre o póquer e a tragédia

A crise grega aproxima-se de um desenlace. Cresce o número dos que, na Europa, passaram a apostar numa falência da Grécia, porque não faz as reformas exigidas, e daqueles que, na Grécia, estão persuadidos de que os europeus serão obrigados a pagar, façam eles o que fizerem. Este resumo, feito por um diplomata, indica que estamos num momento de fronteira. Para Bruxelas, a falência da Grécia é um pesadelo, pelo risco de efeito em cadeia sobre os países do euro, a começar por Portugal e Espanha. Para os gregos, que repudiam a austeridade mas querem permanecer no euro, a rutura significaria uma catástrofe. Joga-se póquer.

Para lá dos muitos erros e hesitações, a UE queima as derradeiras ilusões de controlar a situação grega. É simples: os governos gregos não querem, e talvez não possam, fazer a maioria das reformas exigidas. A questão excede os interesses eleitorais dos partidos - eleições em Abril - ou a exasperação social: após drásticos sacrifícios, os gregos não vêem perspetiva de saída da crise. O problema excede também o debate sobre a bondade ou a perversão das receitas de austeridade impostas a Atenas. O centro do problema é outro: diz respeito ao Estado, é eminentemente político.

Para que a Grécia se salve, será necessário reformar de alto a baixo o Estado e os "pactos" em que economia e sociedade assentam. O ultimato europeu sobre as reformas, que será debatido amanhã no Parlamento grego, significa fazer explodir o sistema político grego. Nada mais, nada menos.

É inevitável uma passagem pela História. O Estado grego não funciona como os outros. Estigmatizar os gregos é um exercício mistificador. O problema está nas instituições. O Estado, que por vezes foi autoritário, é ao mesmo tempo tentacular e débil.

Após a emancipação do Império Otomano, em 1829, o Estado foi formalmente construído por funcionários alemães que acompanharam o príncipe bávaro Otão. A Grécia era um mosaico populacional e territorial, unido pela religião e pela língua. "A centralização foi imposta por um exército de mercenários europeus contra a resistência de uma sociedade que vivia num quadro político, institucional e cultural otomano, ou seja, fragmentado e reticular", lembra Georges Prevelakis, especialista em geopolítica balcânica.

Ao longo dos séculos XIX e XX, esse Estado foi sendo construído, com avanços e regressões, na base de um compromisso. Prossegue Prevelakis: "O poder serviu-se do aparelho de Estado não apenas como instrumento de repressão mas também como um sistema de distribuição de uma espécie de renda ou tributo. A principal moeda de troca foi o emprego pelo Estado. Um lugar na administração traduzia-se num primeiro tempo em submissão e, depois, em votos".

"O princípio central da sociedade grega foi sempre o clientelismo político, um sistema em que o apoio político é concedido em troca de vantagens materiais", escreve o jornalista Takis Michas. "Neste contexto, é primordial o papel do Estado enquanto principal fornecedor de prestações a grupos e indivíduos." Corrobora o economista Kostas Vergopoulos: "Desde meados do século XIX que nada se pode fazer na Grécia sem passar obrigatoriamente pela máquina do Estado."

Para distribuir uma renda às clientelas, o Estado foi forçado a elevar a carga fiscal sobre a economia, suscitando uma cultura de fraude fiscal; e a recorrer ao empréstimo estrangeiro, o que gerou colapsos das finanças públicas. Atenas esteve sob tutela de uma comissão financeira internacional entre 1897 e 1936, para garantir o pagamento do serviço da dívida aos credores.

Após a queda da "Ditadura dos Coronéis", em 1974, o sistema não mudou, foi modernizado e alargado. Os dois partidos dominantes, o Pasok (social-democrata) e a Nova Democracia (conservador), reorganizaram as redes de patrocínio, graças à adesão à Comunidade Económica Europeia, em 1981. Sobretudo o Pasok, liderado por Andreas Papandreou (pai do ex-primeiro-ministro), promoveu um generoso welfare state assente numa lógica eleitoralista e não numa racionalidade económica, sublinha o politólogo Christos Lyrintsis.

As empresas públicas são a extensão do tentacular Estado clientelar. Os sindicatos, designadamente os do funcionalismo e do sector público, são parte activa deste sistema.

A adesão ao euro resolveu o impasse em que o sistema se encontrava em meados dos anos 1990. Abriu a torneira dos mercados financeiros. Atenas não reunia condições para entrar na moeda única. Deve-o - ironicamente - a Paris e Berlim, guiados por interesses geoestratégicos - estabilizar os Balcãs e o Mediterrâneo Oriental. A Grécia era um pequeno país cuja eventual bancarrota não assustava a próspera UE.

Havia outro factor: "A Grécia ocupa um lugar central no imaginário europeu." A própria criação do Estado grego moderno foi "um grande empreendimento identitário europeu". A Grécia Antiga era a raiz da sua cultura.

Como reformar o Estado clientelar? "A classe política recusa o questionamento da sua política estatista, pois ela permite-lhe constituir clientelas políticas. Na Grécia não se vota por ideologias, vota-se por quem nos ajuda materialmente", diz ao Libération o historiador Nicolas Bloudanis. A tragédia grega é que o seu sistema político impede os seus governos de enfrentar a crise da dívida. Resta a experiência da arriscada explosão do sistema.

Ontem, Atenas parecia estar "a ferro e fogo" e o Governo ameaçava desfazer-se. Sob impulso da Alemanha, e empurrada por opiniões públicas crescentemente hostis à ajuda a Atenas, a UE lançou um ultimato, visando desta vez promover uma espécie de "state building" dentro da própria União. É um jogo de alto risco, que poderá despertar o latente anti-ocidentalismo grego.

A Grécia tem pela frente a escolha entre "ser Europa" ou "regressar aos Balcãs". Mas também é complicada a escolha da UE. Pensando em geopolítica, avisa Prevelakis: "Uma eventual saída da UE, ou mesmo da zona euro, transformaria de novo a Grécia num campo de batalha entre interesses ingleses, alemães, franceses, americanos, russos e chineses." Humilharia e enfraqueceria a Europa, que se quer modelar e "seria obrigada a confessar o fracasso em "europeizar" um Estado, membro há 30 anos e que considera o berço da democracia"

Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 11.02.2012

07/02/2012

Primavera árabe

Um árabe cheio de sede atravessava o deserto há várias horas quando ao longe vislumbrou uma banca.
Na esperança de lá ter água, acelerou o passo. Uma hora depois chega finalmente e aproxima-se:
- Boa tarde, tem água?
- Não, a única coisa que tenho são gravatas para venda.
- Gravatas? Quem é que compra isso no deserto??
- Olhe que estão em promoção, cinco euros cada uma. Quer comprar?
- Claro que não! Estou cheio de sede e o que eu queria era água!
- Tenho aqui umas que combinam com a sua túnica...
- Não quero nada disso, já disse! Quero é matar a sede.
- Ok. Mas olhe, depois daquela duna ali, se virar para Oeste encontra um oásis a cerca de 4km.
- A sério?!
- Garantido!
- Então vou-me pôr a caminho.
Passadas cinco horas e já rente à noitinha, o árabe volta ao local da banca das gravatas:
- Então, encontrou o oásis?
- Encontrei.
- E?
- O cabr** do porteiro diz que não se pode entrar sem gravata ....

05/02/2012

Pão e circo

Chama-se "Agora é que conta", passa na TVI" e é apresentado por Fátima Lopes.

O programa começa com dezenas de pessoas a agitar uns papéis. E os papéis são contas por pagar. Reparações em casa, prestações do carro, contas da eletricidade ou de telefone. A maioria dos concorrentes parece ter, por o que diz, muito pouca folga financeira.

E a simpática Fátima, sempre pronta a ajudar em troca de umas figuras mais ou menos patéticas para o País poder acompanhar, presta-se a pagar duzentos ou trezentos euros de dívida. "Nos tempos que correm", como diz a apresentadora - e "os tempos que correm" quer sempre dizer crise - , a coisa sabe bem.

No entretenimento televisivo, o grotesco é quase sempre transvestido de boas intenções.

Os concorrentes prestam-se a dar comida à boca a familiares enquanto a cadeira onde estão sentados agita, rebolam no chão dentro de espumas enormes ou tentam apanhar bolas de ping-pong no ar. Apesar da indigência absoluta do programa, nada disto é novo. O que é realmente novo são as contas por pagar transformadas num concurso "divertido".

Ao ver aquela triste imagem e a forma como as televisões conseguem transformar a tristeza em entretenimento, não conseguimos deixar de sentir que esta é a "beleza" televisiva onde tudo se vende, até as pequenas desgraças quotidianas de quem não consegue comprar o que se vende.

Houve um tempo em que gente corajosa se juntava para lutar por uma vida melhor e combater quem os queria na miséria. E ainda há muitos que não desistiram. Mas a televisão conseguiu de uma forma extraordinariamente eficaz o que os séculos de repressão nem sonharam: pôr a maioria a entreter-se com a sua própria desgraça. E o canal ainda ganha uns cobres com isso. Diz-se que esta caixa mudou o Mundo.


Entretanto a apresentadora recebe 40.000 euros por mês. Foi o valor da transferência da SIC para a TVI. Uma proposta irrecusável segundo palavras da própria.

A pobre da Fátima Lopes só ganha 1290 euros por dia. Brincando com miséria dos miseravelmente felizes.



01/02/2012

Perspicácia

Momento de reflexão feminina:"Fui ao Pingo Doce, e levava isto no carrinho:
      
1 litro de leite
1 caixa de ovos
1 pacote de sumo de laranja
1 embalagem de fiambre
1 alface
1 pacote de café
      
Estava a colocar as compras no tapete rolante da caixa e atrás de mim estava um fulano perdido de bêbado a observar enquanto a funcionária fazia os registos.
      
Quando ela terminou, ele disse:

- "Deves ser solteira...".

Fiquei admirada com este comentário, mas curiosa porque de facto sou solteira.
Olhei para os seis artigos que tinha acabado de comprar e não achei que houvesse nada que pudesse denunciar o meu estado civil.

Sem conseguir conter-me de curiosidade, disse: "Você está absolutamente certo. Mas como é que chegou a essa conclusão?"

O bêbado respondeu: "Porque és feia como a merda!!!"


31/01/2012

Esquerda X Direita

Um texto de Mário de Carvalho, do tempo em que as galinhas tinham dentes e voavam sobre a Coreia do Norte:

"Não sei como se pode ser de direita. É viver e pensar entre zinabres, bolores e cotões. A direita não tem, nem nunca teve, princípios: tem preconceitos.

A direita não tem, nem nunca teve, propostas: tem slogans. A direita não defende nem nunca defendeu causas: mas interesses. A direita não cria ideias: inventa pretextos. A direita não expressa razões: faz propaganda. A direita é a imagem do nosso atraso, responsável e promotora do que há de mais boçal, retrógrado e deprimente na sociedade portuguesa.

Quando alguém se proclama de direita (e é de ressalvar que, individualmente falando, há na direita gente estimável e e respeitável a muitos títulos) assume um lastro de opressão, violência, ignomínia, mentira, obscurantismo, que pesa através dos séculos e que nos vem diminuindo e amesquinhando até aos nossos dias."


in DN, 10.11.2006, pág. 3

30/01/2012

Sem palavras

27/01/2012

Cartazes

"Antigamente, os cartazes nas ruas com fotos de criminosos ofereciam recompensas, hoje em dia, pedem votos."

Juntos, enterraram Portugal!


25/01/2012

Turismo

Porque os moçambicanos não têm culpa da cambada que os (des)governa, aqui fica uma sugestão de turismo:

22/01/2012

Falando de socretinos

Os portugueses, governados nos últimos anos por políticos sem densidade cultural, licenciados tardiamente por universidades de segunda, têm com a política uma relação cada vez mais distante, desde o desprezo à crítica fácil.

Os debates políticos não interessam (quem não está farto de "politólogos" a desfiar banalidades?) e os telespetadores parecem conformados com uma programação em que já nem o entretenimento tem qualidade, e onde a devassa de uma pobre intimidade e o futebol ganham as audiências.

Daniel Sampaio
in «Pública», 15.01.2012

19/01/2012

Elis Regina

Foi há 30 anos que a língia portuguesa perdeu uma estrela.

Aqui:

17/01/2012

Maputo 17 de janeiro

Bem podem os holandeses pagar obras de hidráulica, é o guebuzismo no seu melhor:

11/01/2012

Aumentos

O jovem empregado vai à sala do patrão:
- Senhor diretor, vim aqui para lhe pedir um aumento. E adianto já que há quatro empresas atrás de mim.

O patrão, com medo de perder o talento promissor, dobra-lhe o salário. As empresas só valorizam os funcionários quando eles recebem outras propostas...

- Mas mate-me uma curiosidade, meu rapaz. Pode dizer-me quais são essas quatro empresas?

- Sim, senhor. A de luz, água, telefone e o meu banco...

10/01/2012

Paganini, Il carnevale di Venezia

Uma atuação imperdível:

09/01/2012

Mr. Guebusine$$

The tentacles of Mozambican President Armando Emilio Guebuza's huge family business empire make Zuma Incorporated look like a spaza-shop operation.

Guebuza has wide-ranging Mozambican interests in the banking, telecommunications, fisheries, transport, mining and property sectors, among others. Critics complain that, as president, he makes critical decisions about economic matters that have a direct bearing on his business activities.

Already a wealthy businessperson when he became president in 2005, Guebuza has steadily expanded his interests, drawing in more and more members of his family. His children Valentina, Armando, Ndambi, Norah and Mussumbuluko, nephews Miguel and Daude, brother-in-law and former defence minister Tobias Dai, Dai's cousin José Eduardo Dai and sister-in-law Maria da Luz Guebuza now share in the spoils.

Known in Mozambique as "Mr Guebusiness", he has also entered into lucrative partnerships with Indian, Chinese, Dutch and Bermuda-registered companies. His most important South African connection is an interest in Trans African Concessions, the company that operates the crucial N4 toll route between Pretoria and Maputo.

Guebuza is on the board of Cornelder, the company that manages the Beira and Quelimane ports. He is also a shareholder in South African cellphone company Vodacom's Mozambique subsidiary through Intelec Holdings, a sprawling group that administers the president's investments.

With interests in electricity transmission and equipment, telecommunications, gas, consulting, cement, tourism, construction, Tata vehicles and fishing, Intelec holds 5% of Vodacom Moçambique, the private cellphone company that competes with the state operator, Cornelder de Moçambique.

Intelec, chaired by the former head of Mozambique's employer body, Confederação das Associações Económicas, also has a stake in Moçambique Capitais, which recently launched the bank Moza Banco in partnership with Macau magnate Stanley Ho's Geocapital.

The group has started a consulting company called Intelec Business Advisory and Consulting, in which a Mozambican resident of Cape Town, Tania Romana Matsinhe, has a 35% stake and serves as chief executive. Among its other shareholders is Guebuza's son, Armando, with a 12.5% stake. Matsinhe served as economic adviser to the Mozambique minister of planning and development and also sits on the board of 1Time airline.

One of Guebuza's business front-men, Intelec director Salimo Amad Abdula, has links to chalk-mining operations in Mozambique and picked up a 15% stake in Elephant Cement Moçambique in May last year. This makes him a partner of Indian cement manufacturer Shree Cement, which holds the rest of the shares in Elephant Cement.

The family member with the widest range of business interests is Guebuza's youngest daughter, 31-year-old Valentina, who already has several directorships under her belt and a growing list of companies linked to her name.

In 2001 Valentina became a shareholder in the family's holding company, Focus 21 Management and Development Limited, with her brothers Armando and Mussumbuluko. In 2007 she took a giant step when she became a shareholder in Beira Grain Terminal, which operates the bulk grain terminal in the Mozambican port.

Valentina has a 2.5% stake in the consortium, the three main shareholders of which are Bermuda-registered company Seaboard Moz Ltd (32.5%), state-owned port and railway company Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (15%) and Cornelder de Moçambique (15%). She is also believed to be a shareholder in Cornelder.

The network of family members that dominates the Guebuza empire also includes José Eduardo Dai, who has partnered Valentina in a range of enterprises. In 2008 the pair joined forces with Carlos Salvador, a Mozambican businessperson with interests in South Africa, in launching computing and telecommunications firm Orbttelcom.

In the same year José Eduardo Dai, Valentina and Mussumbuluko created mining company Dai Servicon Limited. In 2009 they featured as directors in the newly formed import-export company Mozambique Investment and Development Limited, again after its rules were structured to accommodate the two members of the president's family.

Valentina is also joint owner of Imogrupo, which has interests in real estate, engineering, construction, hospitality and tourism. She has an interest in Maputo's Tunduro Botanical Gardens, which are being rehabilitated with municipal funds.

Valentina is chief executive of Chinese-owned TV company StarTimes, which has a joint undertaking with the Guebuza-owned Focus 21 to digitise public broadcasting. There was no public tender for the contract.

Guebuza's oldest son, Armando, has a degree in architecture from a South African university. His name appears among the directors of seven registered companies in Mozambique. With South African and Angolan partners, he registered a company last year called Billion Group Moçambique, which has interests in mining, energy, construction and public works. It appears to be part of the Bongani Investment Holdings empire -- a Christian business network that has close links with South African President Jacob Zuma. Its chief executive, Alph Lukau, is the pastor who officiated at the lavish wedding of Zuma's daughter Duduzane last year.

Guebuza's other son, Mussumbuluko, with siblings Armando and Valentina, is the Maputo representative of Christian Bonja, a Lebanese company owned by Michal Mansou, who is well known in the Middle East and Europe for handmade Lebanese jewellery and Swiss watches.

Linked to four undertakings by the companies register, Mussumbuluko is on the board of Intelec.

Guebuza's oldest daughter, Norah, has also entered the field after her father again amended company rules in 2005 to allow her to become a Focus 21 director. She joined forces with Zimbabwean and Mozambican partners to launch the firm MBT Construçoes Lda, specialising in construction and public works, at the beginning of last year.

Guebuza's nephew, Miguel, launched his business career in 1993 by partnering Guebuza in a furniture and import-export company, Venturin. Miguel is a director in the construction consulting company Englob-Consultores Lda, in which one of his partners is Tendai Mavhunga, Guebuza's son-in-law.

Miguel was recently appointed to the board of newly formed Mozambique Power Industries, a South African-based concern that plans to manufacture and market electrical transformers. Its shareholders include South Africans Wilhelm François Jacobs and Christoffel Cornelius Koch. He is also a shareholder in Vodacom Moçambique.

In 2005 he partnered Dimitrios Perrevos, who has business interests in South Africa, in launching an electrical undertaking called Luminoc. Perrevos, who appears to be Angolan, was a shareholder in the ill-fated Angolan diamond-mining interests pursued by the late Brett Kebble.

The other Guebuza nephew, Daude, has interests in the property, construction, hotel, heavy sand and oil sectors, among others. In 2000, with Guebuza, he launched courier company New Express.

Daude is a partner with another South African, Oded Besserglik, in a waste-disposal company, Wasteman Mozambique. Besserglik, an Israeli who moved to South Africa during the apartheid era, has more recently had several business connections with Zulu King Goodwill Zwelethini and members of his family.

Catching the early bus
The dangers inherent in President Armando Emilio Guebuza holding the reins of government while presiding over a private business empire were thrown into harsh relief by a public-transport contract of the Mozambican government.

In July last year the weekly newspaper Canal de Moçambique reported that the Mozambican government had bought 150 gas-powered buses through a state investment corporation, the Transport and Communications Development Fund, for the use of the Maputo municipality. The trouble is that the buses were manufactured by the Indian group Tata and supplied by its local subsidiary, Tata Mozambique, in which Guebuza has a 25% stake.

According to fund executive director Luis Mula, the transaction was worth R161.4-million.

Canal de Moçambique reported that the contract did not go out to international tender, which is a requirement of Mozambique's procurement law.

From September 29 to October 4 2010 Guebuza travelled to India on a state visit. His delegation included Mozambique's ministers of foreign affairs, interior, mineral resources and transport and communications.

In 2003 he visited India as minister of transport and communications.

08/01/2012

Socretino no armário

Há um cientista que anda atrasado e, sem ter o cuidado de se assumir como um socretino desfasado, tem o desplante de não ver para dentro do ninho de víboras em que está metido.

Como muito descaramento, faz através do «Público» uma pergunta ao primeiro-ministro Passos Coelho que devia ter feito, 9 meses antes, ao anterior ocupante de São Bento: "É possível confiar num Estado onde, além da promiscuidade entre política e negócios, há também conúbio entre serviços secretos, maçonaria e empresas privadas?"

Oh André: sai do armário e assume-te como socretino! E não faças perguntas parvas. O José foi para Paris e deixou tudo arruinado.

07/01/2012

Pingo Doce

03/01/2012

Finanças Públicas 55 AC



29/12/2011

Egito

Isto é no Egito e não se pinta o dedo. Neste caso, a votante não é identificável e não comprova que só vota uma vez.

Tem que dar trapalhada... um sistema à moda dos socialistas do Porto!

28/12/2011

Sous la mer, comme si tu y étais ...

Para um ser em especial:


26/12/2011

Margaret Thatcher

O último grande líder político que não tinha medo de assumir que, nas contas públicas, se devia ter o mesmo tipo de preocupação de uma dona de casa foi — poderia deixar de ser? — uma mulher.

Margaret Thatcher, é claro.

Logo na primeira campanha eleitoral em que participou, em 1949, trinta anos antes de chegar a primeira-ministra, recomendou às suas eleitoras que "não se assustassem com a linguagem complicada dos economistas e dos ministros, antes pensassem na política tal como pensam nos seus problemas domésticos". Isso para defender que não se deve gastar para além do que se ganha — em casa ou no país.





25/12/2011

Natal é quando se quer

Porque hoje é dia de Natal, para crentes, descrentes, não-crentes ou doutras crenças:


23/12/2011

Lá vai ele tão (in)seguro!

Não é surpresa para ninguém que o largo do Rato é um covil! De há muito que os camaradas se mordem e esfaqueiam uns aos outros. Está-lhes na natureza.

Supresa será a baixaria de que já é alvo o recente, ambicioso mas inseguro secretário-geral, o Tozé para os amigos.

Tudo bem destilado e vomitado a partir do caixote que dá pelo nome de «Aspirina B» e que não se coíbe de usar liguagem das docas - é certo, hoje muito comum como muleta linguística, quiçá uma das mais visíveis conquistas de abril e das "aprendizagens" na Educação!

O certo é que o jovem está rodeado de múmias socretinas que, a todo o tempo, lhe passam rasteiras. Ele é zorrada para aqui, costada para ali. O homenzito não tem tempo e nem testículos para se impor à tralha de que está cercado.

Oh homem, dê um murro na mesa, parta a loiça, não durma, que lhe fazem a cama! O outro está em Paris mas deixou raizes daninhas! São batoteiros e não pagam contas, como sabe...











18/12/2011

Perdemos uma fonte muito camarada

Segundo fontes confidenciais do paraíso do socialismo, o nosso amado correspondente em Pyongyang, 金正日; 김정일, também conhecido por Yuri Irsenovich Kim ou ainda por Kim Jong-Il, não acordou da viagem de trabalho incansável que ontem fazia.

Supõe-se que partiu diretamente para junto do pai!
Vamos, portanto, lamentar o desaparecimento deste amigo do camarada Bernardino e do impagável PCP!

Rei morto, rei posto, supomos... e teremos lágrimas infindas lá de dentro desta prisão.

17/12/2011

Saodade num dia triste

Esta amiga vai-nos fazer muita falta. Era uma das maiores da lusofonia!

Estamos de luto por Cesária Évora.

16/12/2011

Está quente, está quente!

O excelente «The Delagoa Bay» (14.12.2011) faz um interessante comentário ao nosso artigo de 23.10.2011, o dia em que se assinalou o fim do samorismo.

A ele acrescenta uma nota de "possivelmente plausível"!

Pois não só é plausível como verdade, como inside information explica o que se publica.

Além disso, a 25.06.1975, o fotógrafo estava ali (chamava-se Av. do Brasil, um nome "colonial" que agora daria jeito).

Está quente, está quente mas, o resto, é segredo do negócio...

14/12/2011

Jovens tenores no país do "bello canto"

12/12/2011

A GNR no Alentejo

Dois GNR na berma de uma estrada no distrito de Beja vêem passar um carro a mais de 160 km/h.
Diz um para o outro:
- Aquele não é o gajo a quem apreendemos a carta a semana passada por excesso de velocidade?

- Era pois!! - respondeu o segundo.
- Vamos caçá-lo!

Uns Kms mais adiante, já com o carro parado, um dos GNR chega-se ao pé dele e pergunta-lhe:

-A sua Carta de Condução?....
-Mau!!! - responde o condutor - Atão perderam-na??!!!

11/12/2011

Hoje: uma homenagem à vida...

.. de quem tanto fez para a merecer:

05/12/2011

The Orchestrated Heist

25/11/2011

Memórias de uma aula no Liceu de Setúbal

Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política.


Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala.

Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear.
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições corretas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjeturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu.

O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efetivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.

Depois, veio o mais surpreendente:
- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.

Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.

Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.

Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho lecionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria.

Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.

Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.

Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objetivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal? Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

23/11/2011

Querem a Dona Angela Merkel?

Todos os dias há debates nas televisões.Diz-se, por isso, que as pessoas estão hoje muito mais bem informadas. Eu constato o contrário: as pessoas estão mais baralhadas.

E porquê?
Porque esses debates criam nos telespectadores a ideia de que todas as opiniões são igualmente válidas. Por motivos de isenção, as televisões colocam no mesmo plano as intervenções mais fundamentadas e sensatas e as mais demagógicas, infundadas ou mesmo disparatadas.

E assim, fica a ideia de que todas as opiniões valem o mesmo e são aceitáveis.
Ora isso não é verdade: nem todas as opiniões valem o mesmo, nem todas são igualmente respeitáveis.

Há umas mais certas do que outras.

Hoje é raro o debate televisivo em que não vem à baila a «senhora Merkel».
A 'senhora Merkel' é o bombo da festa de muitos opinadores, dos mais importantes aos mais insignificantes.

Julgo que aqui há uma ponta de machismo: porque se diz «a senhora Merkel» e não se diz «o senhor Sarkozy»?
Só por ela ser mulher? E por que se diz «a senhora Merkel» e não se diz «a senhora Ségolène Royal» ou «a senhora Martine Aubry»? Só por Angela Merkel ser 'de direita'?

Mas, machismo ou ideologia à parte, ainda não percebi o que quererão as pessoas que constantemente a criticam. Acham que ela deveria usar ano após ano o superavit da Alemanha para compensar os défices dos países do Sul?

Acham que deveria dispor dos impostos dos alemães para pagar a falta de rigor financeiro dos gregos, portugueses, italianos ou espanhóis? E já agora: acham saudável que um país viva com um défice permanente? Gaste recorrentemente acima das suas possibilidades?

Há quem pense que Angela Merkel deveria ser uma espécie de Madre Teresa de Calcutá da política europeia. Só que, mesmo que o quisesse, os alemães não lho permitiriam. Nenhum povo aceita estar constantemente a trabalhar para outros.

Isso pode acontecer num momento excepcional – um terramoto, um conflito armado, um cataclismo financeiro -- mas nunca de forma permanente.

Por isso, os povos têm de se haver por si: têm de viver de acordo com aquilo que produzem, só se endividando para conseguirem produzir mais e não para poderem consumir mais.
A regra tem de ser esta.

Outra crítica habitual nos dias de hoje tem que ver com a preponderância do eixo franco-alemão.

Com o facto de as grandes decisões na Europa serem aparentemente tomadas em encontros Merkel-Sarkozy. Ora isso era inevitável a partir do momento em que a União Europeia começou a crescer descontroladamente.

Recorde-se que, quando Portugal entrou, havia 10 países – e agora há 27.
Os mecanismos de decisão tornaram-se muitíssimo mais difíceis, conseguir consensos tornou-se uma tarefa ciclópica.

Com uma Europa a 27, de duas, uma: ou não se conseguiriam tomar decisões em tempo útil ou os grandes desbravavam caminho e se entendiam para andar para a frente, devendo depois os outros segui-los.
É isto que está a acontecer.

Critica-se, neste aspeto, Durão Barroso.
Diz-se que ele perdeu a liderança europeia e se deixa quase sempre ultrapassar.
Ora é necessário perceber o seguinte: enquanto Merkel e Sarkozy têm um poder real, são os governantes eleitos pelos cidadãos das duas maiores nações do continente, Durão Barroso tem um poder delegado.

Enquanto os outros têm atrás deles a força de dois grandes Estados, Durão tem uma estrutura burocrática.

Por isso, não está no mesmo plano de Merkel e Sarkozy – e sou levado a pensar que o seu papel vai mudar.

Durão Barroso vai tender cada vez mais a ser, na União Europeia, 'a voz dos mais fracos'.
Os países pequenos e médios da União não poderão, só por si, bater o pé à França e à Alemanha. Mas Durão pode fazê-lo em nome deles.

A Europa, neste momento, com o Ocidente em crise e ameaças vindas de toda a parte, tenderá a ser governada por uma troika.

Uma troika em que Merkel e Sarkozy irão concertando posições – e Durão Barroso representará os anseios dos mais pequenos. Durão Barroso já está, informalmente, a desempenhar este papel.

Nas últimas semanas tem constituído uma espécie de contrapeso ao eixo franco-germânico (recolhendo, por isso, os aplausos do Parlamento Europeu).

Mas não se lhe peça o que, humanamente, ele não pode fazer: sobrepor-se à França e à Alemanha. Perante a força, não há argumentos que vençam.

E já agora deixem de dizer «a senhora Merkel».

José António Saraiva
in «Sol», 21.11.2011

22/11/2011

Münchner Residenz

Em Munique, Alemanha, há um palácio fabuolso para visitar. Residência dos reis da Baviera, foi seriamente danificado durante a II Guerra Mundial.

Reconstruído impecavelmente depois Guerra, apresenta algumas feridas (irrecuperáveis) do conflito.


20/11/2011

A praia onde estivemos

Naquela praia de areia dourada e águas agitadas, que tu percorres nas caminhadas infindas ao longo da água fronteira à que cai da cascata.

As tuas curvas, as ondas do mar, os seios, as colinas, o azul atlântico, o verde vegetal, o vermelho dos teus lábios, o laranja do Sol, o branco da espuma em fuga para as nuvens apressadas.

Que sonho explosivo eu tive, no verão passado e aqui:

18/11/2011

Guebuzismo

Carta aberta ao Presidente da República
Cuamba, 27 de Fevereiro de 2011

Gostaria de confessar-lhe, Senhor Presidente da República que me perturbam profundamente os insistentes convites para nos filiarmos no Partido Frelimo, como condição para a devolução do nosso património.

Uma vez mais lhe escrevo, Senhor Presidente da República. Por um lado para reagir ao despacho exarado por Vossa Excelência que nos remete para a Justiça, "querendo". Por outro, porque necessário se torna que não se passe por cima de alguns aspectos ligados à minha petição, aspectos esses que se não forem analisados à luz da história deste País, nunca serão cabalmente entendidos.

O historial breve de meus pais:

1. O cidadão português José Caetano Moreno, meu pai, chegou a Moçambique no longínquo ano de 1951, tendo-se fixado em Niassa;


2. Nessa altura, ele conhece a cidadã moçambicana Ana João Chukwa com que se casa, constrói todo o património e de quem tem dois filhos (eu e o João António). De uma ligação anterior com uma outra pessoa, nascera Maria Rosa, minha irmã mais velha;

3. Com efeito, depois de casados, meus pais construíram duas residências e um hotel na Cidade de Cuamba, uma propriedade agro-pecuária, uma pescaria e uma mina de pedras semi-preciosas. Eram igualmente proprietários de mais de duas mil cabeças de gado bovino; na sua acção quotidiana, meus pais nunca descuraram o apoio social às camadas mais carenciadas. Nos seus investimentos, não faltavam a escola e o posto de saúde, devidamente apetrechados, para seus trabalhadores, familiares e vizinhos;

4. Com a Independência de Moçambique – com a qual meu pai estava de acordo e tinha activamente apoiado – de forma natural, ele e família optou por continuar a viver neste País que aprendera a amar como seu. Durante cerca de três anos o meu pai foi responsável dos Assuntos Sociais de Cuamba, tarefa que executou com todo o zelo e dedicação;

5. O sistema social que se estava a implantar em Moçambique era, do ponto de vista do discurso, um sistema baseado numa sociedade de igualdade e fraternidade entre os homens, filosofia com a qual meu pai e toda a família estavam de acordo;

6. Alguns anos depois, com apreensão, a minha família começou a perceber que do discurso proferido às acções praticadas, a distância era cada vez maior. Num País que se afirmara, na proclamação da sua Independência, de maior justiça social e respeito pelos direitos dos cidadãos, as injustiças eram mais e mais gritantes. Surgiram os campos de reeducação de triste memória; Com eles as prisões arbitrárias e as execuções sumárias de pessoas muitas vezes bastante próximas de minha família;

7. Sensivelmente na mesma altura, meu pai toma conhecimento, através de amigos seus bem posicionados no aparelho partidário, que estava eminente a sua detenção e encaminhamento (dele e esposa) para o campo de reeducação de Mitelela, onde já se encontravam figuras como Joana Simeão, Urias Simango e esposa e tantos outros;

8. A partir dessa altura e, perante a gravidade das atrocidades que eram diariamente cometidas no Niassa (onde era Governador o senhor Aurélio Benete Manave) sair de Moçambique com sua esposa, era uma questão de vida ou de morte. Os meus pais foram forçados a sair do País, sob risco de serem mortos;

9. Meus pais saíram numa madrugada de Setembro (dia 20) de 1978. Eles haviam sido informados, às 23 horas do dia 19 que constavam de uma lista de cinco pessoas que seriam presas e mortas, no dia seguinte; efetivamente, na manhã do dia 20, o Padre Estêvão, o Sr. Ramassane (funcionário da Administração) e o Sr. Floriano, foram presos – o Padre Estêvão à saída da igreja - e levados para os campos de reeducação onde, pouco depois, foram sumariamente executados;

10. Foi exatamente isto que aconteceu. Eles não saíram de livre e espontânea vontade. Foram coagidos a sair. O Governo não esperou sequer que decorressem os 90 dias preconizados na Lei das Nacionalizações; tratou logo de ocupar e usufruir de todas as suas propriedades, chegando ao extremo de abater todas as cabeças de gado deixadas pelos meus pais; Diga-me, Senhor Presidente da República: havia condições para eles voltarem?

11. À semelhança do que aconteceu com muitas outras famílias, a minha família viu-se forçada a um exílio de 15 anos, exílio a que o Acordo Geral de Paz veio pôr fim. Eliminadas as causas que forçaram minha família a sair de Moçambique, retornámos;

12. Mas a Paz que veio para Moçambique não foi usufruída por todos da mesma forma. Meus pais continuaram a ser perseguidos: tentativas de envenenamento e duas minas antitanque foram colocadas para atingi-los, em duas ocasiões diferentes, no ano de 1994. Numa das ocasiões tiveram que ser resgatados e escoltados pelas forças da ONUMOZ. O objetivo tem sido, claramente, eliminar fisicamente a minha família;

13. De 1993 a esta parte, junto de quem de direito, temos reivindicado a devolução do nosso património. Paradoxalmente estes processos têm vindo a colapsar, sempre porque o expediente misteriosamente se perde...

14. Ao negar devolver o património de minha família, há moçambicanos que são altamente lesados com esta decisão;

Eu, meus irmãos e minha mãe (se estivesse viva) somos moçambicanos.

Não se trata de uma questão com um estrangeiro, português, meu pai, como Vossa Excelência quis dar a entender.

Senhor Presidente da República, as nossas diferenças políticas não devem servir de desculpa para o Governo ocupar o património de minha família.

A experiência mostra que a exclusão político-socio-económica é nefasta às sociedades. Os ventos que sopram pelo mundo, são ventos de mudança, em busca de uma melhor justiça social.

Para finalizar, gostaria de confessar-lhe, Senhor Presidente da República que me perturbam profundamente os insistentes convites para nos filiarmos no Partido Frelimo, como condição para a devolução do nosso património. Continuo a acreditar que a adesão a um partido político deve ser voluntária.

Tomara que esta minha petição seja acolhida por Vossa Excelência.

Maria José Moreno Cuna (*)

C/C
- Liga Moçambicana dos Direitos Humanos
- Embaixada de Portugal em Maputo
- Gabinete do Primeiro-Ministro de Portugal
- Dr. Almeida Santos

(*) Ex-deputada da Assembleia da República e ex-chefe da Bancada da Renamo

16/11/2011

Nunca mais

Para esta Europa diferente, um filme soberbo, vencedor do Festival de Cannes na categoria de duração máxima de três minutos e com um mínimo de diálogos:


15/11/2011

O beijo do Sol

Obra de Pedro Osório e baseada num canto tradicional do Quénia,

Faz parte do álbum "Cantos da Babilónia"



14/11/2011

Cunhado

Em São Paulo, um sujeito passou mal no meio da rua, caiu e foi levado para o setor de emergência de um hospital particular, pertencente à Universidade Católica, administrado totalmente por freiras.

Lá, verificou-se que teria que ser urgentemente operado ao coração, o que foi feito com total êxito.

Quando acordou, a seu lado estava a freira responsável pela tesouraria do hospital e que lhe disse prontamente:

- Caro senhor, a sua operação foi bem sucedida e o senhor está salvo. Entretanto, há um assunto que precisa da sua urgente atenção: como é que o senhor pretende pagar a conta do hospital?

E a cobrança começou...
- O senhor tem seguro-saúde?
- Não, Irmã.
- Tem cartão de crédito?
- Não, Irmã.
- Pode pagar em dinheiro?
- Não tenho dinheiro, Irmã.

E a freira começou a suar frio, antevendo a tragédia de perder o recebimento da conta hospitalar! Continuou com o questionamento.
- Em cheque então, o senhor pode pagar?
- Também não, Irmã.

A essa altura, a freira já estava à beira de um ataque. E continuou...
- Bem, o senhor tem algum parente que possa pagar a conta?
- Ah.... Irmã, eu tenho somente uma irmã solteirona, que é freira, mas não tem um tostão.
A Freira, corrigindo-o...

- Desculpe que o corrija, mas as freiras não são solteironas, como o senhor disse. Elas são casadas com Deus.
- Então, por favor, mande a conta pró meu cunhado!

Assim nasceu a expressão: "Deus lhe pague".

13/11/2011

Paul Grote

Paul Grote é um escritor alemão, de policiais. É nessa qualidade que escreveu uma interessante obra cuja ação decorre Douro.
Nome da obra«O herdeiro do Vinho do Porto» (ainda não há em português) e a ver em pormenor aqui!

Uma excelente promoção de Portugal.

12/11/2011

Utopia

Sobre o direito à utopia:

11/11/2011

Vou passear com meus (16) cães e volto já!

08/11/2011

África também é...

... isto:

05/11/2011

Um violino no Fado

Para quem aprecia música, aqui está uma original interpretação de fado, com a "voz do violino", de Natália Jusckiewicz. Basta aumentar o som... fechar os olhos e... abandonar-se...

Natalia é polaca e violinista residente em Portugal. Formada na Academia de Poznan, uma das escolas mais conceituadas do mundo, começou a carreira musical como intérprete solista e integrou orquestras e formações polacas de prestígio internacional.

Durante umas férias, apaixonou-se por Portugal e decidiu mudar-se. Adaptou-se à língua, à cultura e à maneira de ser dos portugueses.

Uma guitarra portuguesa  e um violino primorosamente tocado.


Basta fechar os olhos e relaxar:

03/11/2011

Indignados

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer o seu saco para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. A sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.

- Você está certo - responde a velha senhora - a nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, em vez de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência de cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a relva, era utilizado um cortador de relva que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e era preciso ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Afiávamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o autocarro e os meninos iam nas suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

01/11/2011

Dia de Todos-os-Santos

A maçã é a causa de tanta excitação.