16/04/2012

Ou eu ou eles!

António José Seguro andou nove meses a fazer equilibrismo no arame.

Não queria renegar o memorando da troika, que o PS tinha assinado, mas ao mesmo tempo queria mostrar que discordava das medidas mais impopulares.

Não chumbava as alterações às leis laborais mas também não as aprovava.

Não rejeitava a redução do número de freguesias mas fazia-a depender da concordância das populações.

Não punha liminarmente em causa a austeridade mas dizia que o Governo ia para além do que estava acordado.

E assim sucessivamente.

SEGURO, para se aguentar, foi dando uma no cravo e outra na ferradura.

Acontece que quem quer agradar a todos acaba por não agradar a ninguém.

E assim este discurso não convenceu muitos socialistas, que começaram a morder-lhe as canelas, acusando-o de fazer uma oposição frouxa ao Governo 'de direita'.

Mas também não convenceu muitos portugueses, porque cheirava a demagogia, a facilitismo, a fuga às medidas impopulares – quando todos sabem que o tempo é de exigência e não de facilidades.

Assim, o próprio Seguro foi percebendo que por este caminho não ia lá.

Que andava a fazer figura de tolinho, correndo o país de lés a lés a fingir que fazia oposição – enquanto alguns 'camaradas' comodamente sentados à secretária lhe cortavam na casaca.

Até que Seguro se cansou.
E decidiu dar um murro na mesa.

MUDOU os estatutos do partido para tentar travar António Costa, que lhe fazia uma oposição surda, e entrou em rota de colisão com a bancada parlamentar, que lhe estava a fazer uma guerra sem quartel, parecendo mais inspirada por Sócrates a partir de Paris do que fiel à linha definida pela direção legítima do partido.

«Não escondo que há dificuldades [no grupo parlamentar] que prejudicam a ação política do PS e a minha liderança», disse esta semana à TVI.

Seguro percebeu que por este caminho só se estava a desgastar, perdendo a pouco e pouco, mas inexoravelmente, o limitado poder que detinha.

A pior oposição é sempre a interna – e torna-se mais desgastante quando não se mostra.

António José Seguro decidiu, assim, citar o toiro – para o poder combater.
Decidiu ir para a luta e dizer: 'Ou eu ou eles'.

TODOS os partidos, a seguir à saída de um líder forte, passam por isto.

O PSD, depois da partida de Durão Barroso para Bruxelas, experimentou Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Pedro Passos Coelho.

Só acertou à quarta – quando muitos já diziam que o PSD estava em risco de acabar.

Ora o PS ainda vai na primeira experiência após a saída de Sócrates – e só por sorte acertaria já.

Acrescente-se que, quanto mais depressa Seguro cair, pior será para o seu sucessor.

Faltam mais de mil dias para as próximas legislativas.

Ora alguém aguenta mil dias na oposição, a ter de fazer diariamente declarações, a combater adversários internos e externos, a ter de inventar factos políticos, a não ter espaço para fazer promessas porque as pessoas já não acreditam nelas?

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

É este, hoje, o problema dos políticos.

As pessoas já não vão em conversas da treta.

José António Saraiva, jornalista
SOL

15/04/2012

Um ateu no Inferno

Um ateu morreu.

Para grande surpresa sua, depois da morte, está diante da porta do Inferno.

"Esta agora!" – diz para os seus botões – "afinal esta merda existe mesmo!" e entra no Inferno com um muito mau pressentimento. Vai avançando, acabando por ir ter a uma baía cheia de sol, com uma praia de areias brancas, onde sopra uma brisa fresca, ouvindo-se em fundo uma música suave.

O diabo está deitado à sombra de uma palmeira a beber o seu cocktail:
" Vem para aqui, amigo, junta-te a nós, manda vir uma bebida e dá uma vista de olhos por aí..."

Uma mulher muito bela serve-lhe uma bebida, e cheio de curiosidade dá um passeio pelas redondezas.


No extremo da baía, depara de repente com um grande buraco, donde sai fumo e algumas labaredas. Muito admirado, regressa para junto do diabo:

- "Gosto muito de estar aqui, mas no extremo da baía, existe assim que a modos de um buraco escuro com muito fumo e ouvem-se gemidos e lamentos de dor, o que é aquilo?"

O diabo: "É fácil de saber, é para os cristãos, eles querem assim!"


12/04/2012

Acontece de 2000 em 2000 anos

Uma senhora levou a filha de 17 anos ao médico, queixando-se que a miúda andava com vómitos... tonturas... que tinha perdido o apetite...

O médico, observada a rapariga, concluiu:
- Minha senhora! A sua filha esta grávida de 3 meses!
- A minha filha??? Ela nunca esteve sozinha com um homem! Não é verdade, Carla Susana!?
- Eu nem sequer beijei ainda um homem, mãe...!

O médico armou-se de uns binóculos que tirou da gaveta, aproximou-se da janela e ficou, calado, a perscrutar o infinito...

Passados minutos, a mãe da Carla Susana, admirada e farta de esperar, perguntou ao médico o que se passava.

- Da última vez que isto sucedeu, nasceu uma estrela no oriente e chegaram três reis magos. Desta vez não vou perder o espetáculo!



07/04/2012

Física

O Dr. Pinto, do Departamento de Física da Universidade de Aveiro é conhecido por fazer perguntas do tipo: "Porque é que os aviões voam?".

A sua única questão na prova final de Maio para a turma da cadeira de "Transmissão de Movimento, Massa e Calor II" foi:

"O INFERNO É EXOTÉRMICO OU ENDOTÉRMICO? Justifique a sua resposta."
(ou seja, pretendia saber se o Inferno é um sistema que liberta calor ou se recebe calor).

Vários alunos justificaram as suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma, mas houve um aluno, Roberto, que respondeu o seguinte:

«Primeiramente, postulamos que, se as almas existem, então devem ter alguma massa. Se tiverem, então uma mol de almas também tem massa.
Então, em que percentagem é que as almas estão a entrar e a sair do inferno? Eu acho que podemos assumir seguramente que uma vez que uma alma entra no inferno nunca mais sai. Por isso, não há almas a sair.

Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhadela às diferentes religiões que existem no mundo hoje em dia.
Algumas dessas religiões pregam que, se não pertenceres a ela,  então vais para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as pessoas e almas vão para o inferno.
Com as taxas de natalidade e mortalidade da maneira que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar para a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem constantes, a relação entre a massa das almas e o volume do Inferno também deve ser constante.

Existem então duas opções:
1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir.

2) Se o inferno se estiver a expandir numa taxa maior do que a de entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele.

Então, qual das duas opções é a correta? Se nós aceitarmos o que me disse a Teresa, minha colega do primeiro ano: "Haverá uma noite fria no inferno antes de eu ir para a cama contigo" e levando em conta que ainda NÃO obtive sucesso na tentativa de fazer amor com ela, então a opção 2 não é verdadeira. OU SEJA, O INFERNO É EXOTÉRMICO.»

O aluno Roberto tirou o único "20" na turma.
E na nossa opinião, merecia ir para a cama com a Teresa...


01/04/2012

Frases de Millôr Fernandes

23/03/2012

Nini

Chamava-se Nini
Vestia de organdi
E dançava (dançava)
Dançava só pra mim
Uma dança sem fim
E eu olhava (olhava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Que lá no baile não havia outro igual
E eu ia para o bar
Beber e suspirar
Pensar que tanto amor ainda acabava mal

Batia o coração mais forte que a canção
E eu dançava (dançava)
Sentia uma aflição
Dizer que sim, que não
E eu dançava (dançava)

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda sempre assim
Nini dançava só pra mim

E desde então se lembro o seu olhar
É só pra recordar
Os quinze anos e o meu primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Toda a ternura que tem o primeiro amor
Foi tempo de crescer
Foi tempo de aprender
Que a vida passa
Mas um homem se recorda, é sempre assim
Nini dançava só pra mim
Nini dos Meus 15 anos

Paulo Carvalho

Aí Benjamim!


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seu seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.
Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.
Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.
Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.
Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.
Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
" - Não viu... (ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário
Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
Viriato Cruz

15/03/2012

A bolha chinesa

12/03/2012

17 anos,17 imitações

11/03/2012

Em honra dos socretinos

Agora que Cavaco Silva explicou as golpadas finais do antigo inquilino de S. Bento, importa enviar recomendações à pandilha orientada de Paris:


10/03/2012

Xegaremux a exta perfaisaum?


Maria Clara Assunção,
14 Agosto 2009

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa

Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.

Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.

Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.

Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.

Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.

Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.

Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.

Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.

Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.

No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.

Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.

É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?

Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.

A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.

É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.

Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.

Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.

Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.

Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?




07/03/2012

O pintinho piu

27/02/2012

Grécia: as consequências da crise

A. Zeus vende o trono para uma multinacional coreana.


B. Aquiles vai tratar o calcanhar na saúde pública.

C. Eros e Pan inauguram prostíbulo.

D. Hércules suspende os 12 trabalhos por falta de pagamento.

E. Narciso vende espelhos para pagar a dívida do cheque especial.

F. O Minotauro puxa carroça para ganhar a vida.

G. Acrópole é vendida e aí é inaugurada uma Igreja Universal do Reino de Zeus.

H. Eurozona rejeita Medusa como negociadora grega: "Ela tem minhocas na cabeça".

I. Sócrates inaugura Cicuta's Bar para ganhar uns trocados.

J. Dionisio vende vinhos à beira da estrada de Marathónas.

K. Hermes entrega currículo para trabalhar nos correios. Especialidade: entrega rápida.

L. Afrodite aceita posar para a Playboy.

M. Sem dinheiro para pagar os salários, Zeus libera as ninfas para trabalharem na Eurozona.

N. Ilha de Lesbos abre resort hétero.

O. Para economizar energia, Diógenes apaga a lanterna.

P. Oráculo de Delfos vaza números do orçamento e provoca pânico nas Bolsas.

Q. Áries, deus da guerra, é pego em flagrante desviando armamento para a guerrilha síria.

R. A caverna de Platão abriga milhares de sem-teto.

S. Descoberto o porquê da crise: os economistas estão falando grego!

25/02/2012

100 anos de moda em 100 segundos

24/02/2012

Adios Nonino. Piazzolla

Esse vídeo é realmente fantástico, um tango maravilhoso tocado por Carel Kraayenhof, e quando a orquestra e o coral entram então é de arrepiar. O casamento é de um príncipe holandês e uma argentina e ela vai às lágrimas com a homenagem à música típica da sua pátria.
A música, Adios Nonino, do mestre Astor Piazolla e Bob Zimmerman. O solista é o alemão Carel Kraayenhof.

Antes uma pequena historinha:

"Em 1959, na República Dominicana, e quando faltavam minutos para começar seu recital, Piazzola ficou sabendo que na Argentina distante seu pai havia morrido. Subiu ao palco em silêncio, tocou com a agonia de sempre e quando tudo terminou voltou para casa, pediu para ficar sozinho e compôs aquele que seria seu tango mais tocado e conhecido: Adiós Nonino. Era assim, em italiano, que Diana e Daniel, filhos de Piazzola chamavam o avô".

(Eric Nepomuceno, no encarte Piazzola: O Homem que reinventou Buenos Aires, que acompanha o CD Arthur Moreira Lima interpreta Piazzola).

Aqui, em homenagem a uma Mulher e Mãe brilhante

23/02/2012

Stefan Zweig 23 fevereiro

A 23 de fevereiro de 1942 desapareceu Stefan Zweig, o escritor austríaco que importa ler por várias razões, sendo todas elas ligadas aos dias de hoje:

Uma delas, porque, como a grande distância, antecipou o Brasil como País de Futuro, precsiamente num livro com esse nome.

Depois, porque biografou o navegador português Fernão de Magalhães como mais ninguém fez.

E, finalmente, porque deixou registo do suicídio da Europa em duas Guerras Mundiais que viveu, no seu livro "O Mundo de ontem / Die Welt von Gestern" (ed. Assírio Alvim, em Portugal) em cujos traços de época de loucura se vê muita da irracionalidade dos dias de hoje.

Um autor a ler, em edições modernas ou a procurar no alfarrabista.

Stefan-Zweig-Weg, em Munique

20/02/2012

Não ser piegas é...

… jogar bilhar em quaisquer circunstâncias (mesa na província da Zambézia, Moçambique):

19/02/2012

O problema grego não é economia

A Grécia está crescentemente polarizada entre dois "partidos": o do euro e o do regresso à dracma. A mais recente sondagem indica que 79% dos gregos rejeitam o memorando da troika, mas que 70% não aceitam em nenhuma circunstância abandonar a moeda única. Só 15% crêem que a dracma lhes abriria melhores perspetivas.

A linha divisória entre estes dois "partidos" é em parte ideológica: a saída do euro é defendida na extrema-esquerda, em termos anticapitalistas, e na extrema-direita, numa base nacionalista. Mas não só. Os milhares de gregos que colocaram as suas reservas na Suíça apostam num regresso à dracma, denuncia a imprensa. Poderiam então comprar "o património nacional a preço de saldo". Também serão tentados pela dracma muitos lobbies que temem que as reformas impostas pela UE destruam o sistema de clientelismo e a impunidade fiscal em que prosperaram.

Os gregos conhecem o preço da opção. Christophoros Passaridis, o cipriota Nobel da Economia, avisa-os: o eventual regresso à dracma levaria a uma desvalorização monetária na ordem dos 60%, muito mais violenta do que os cortes da troika.

A Grécia não é "a preto e branco". As imagens do fogo em Atenas, transmitidas pela televisão para o mundo inteiro, produzem uma mistificação. A situação social é certamente explosiva. Mas convém lembrar que as vagas de violência em Atenas são sempre promovidas por um ou dois milhares de encapuzados, fardados de negro, que se reclamam do "anarquismo". O problema é que desta vez eram mais do que o costume, o que inquieta os editorialistas.

O jornalista ateniense Nikos Chrysoloras lembra no Guardian que houve 100 mil manifestantes na rua, na maioria pacíficos, e que mais de quatro milhões de atenienses não aderiram ao protesto. Para Chrysoloras, o que seguramente lançaria o caos na Grécia e provocaria uma onda de desestabilização no Mediterrâneo Oriental, com graves consequências para a Europa, seria a sua saída do euro.

Resumi, na semana passada, o olhar que os gregos têm sobre a origem da crise nacional e o seu "irreformável" sistema político, económico e social. Esta semana foi marcada por espetaculares atos de contrição.

No discurso da noite de domingo, antes da votação do memorando, o antigo primeiro-ministro Giorgios Papandreou declarou: "O nosso sistema político é coletivamente responsável por todos os funcionários que nós empregámos por favoritismo, pelos privilégios que nós concedemos por lei, pelas exigências escandalosas que nós satisfizemos, pelos sindicalistas e homens de negócios que nós favorecemos e pelos ladrões que não metemos na cadeia."

Os gregos dizem que não tinham a noção de que viviam acima das posses. Respondendo a esta queixa, escrevia ontem, no diário Ta Nea, o economista Panayotis Ioakeimidis, professor da Universidade de Atenas: "Todos partilhamos a responsabilidade. Mas um reformado que recebe 500 euros por mês não conhecia e não era obrigado a conhecer o montante da dívida na percentagem do PIB, nem a data de vencimento das obrigações, nem o momento em que os mercados financeiros fechariam as portas a um país que despudoradamente não deixava de pedir emprestado."

Quem é responsável? "O problema da Grécia não é económico. É profundamente político e cultural. São o sistema e o mundo políticos que, em primeiro lugar, têm responsabilidade pela crise que assola a Grécia. De resto, todos temos uma parte da responsabilidade, maior ou menor. E a dos economistas é grande."

A dois meses das eleições (29 de Abril ou 6 de Maio), os partidos políticos começam a estilhaçar-se. De momento, a Nova Democracia, de Antonis Samaras, afastada do poder em 2009, beneficia da implosão do Pasok, de Papandreou e de Evangelos Venizelos, atual ministro das Finanças, que surge nas sondagens na casa dos 8% a 12%. Explicou ao Monde o politólogo George Sefertzis: "Há dois partidos em cada um deles: um centrista e um populista. Estão em vias de implosão. A crise enfraquece a classe média e o sistema clientelista que acompanhou a sua progressão." A recomposição do quadro político levará tempo e é uma incógnita. O jornal To Vima teme a depressão do centro moderado e o reforço dos pólos, "a direita popular" e a "esquerda populista".

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, tem razão em dizer que o seu país não está disposto a meter mais dinheiro "num poço sem fundo". Mas não pode, por exemplo, insinuar a vontade de fazer adiar as eleções na Grécia. Entre gregos e alemães houve dois anos de jogo perverso. Berlim demorou a agir, seguindo a vontade alemã de punir os gregos, e permitiu que a crise se generalizasse à zona euro. Para evitar a bancarrota, Atenas aprovou acordos que não tencionava cumprir. E, de facto, dado o "sistema grego", os políticos dificilmente poderiam fazer reformas, sob pena de harakiri eleitoral. Assiste-se hoje - talvez demasiado tarde - a um vislumbre de mudança na Grécia, graças à percepção da iminente falência.

A semana foi também marcada por uma escalada verbal entre Berlim e Atenas. Os gregos dizem-se insultados por declarações alemãs e ameaçados pela suposta vontade de Berlim os afastar do euro. "Não humilhem os gregos", apela no New York Times o jornalista Alexis Papahelas, director do Kathimerini. Sobretudo quando a Grécia percebeu que tem de mudar.

Não é apenas a crise do euro ou a queda da Grécia que estão em cima da mesa. Está em gestação uma crise política à escala europeia, entre soberanias nacionais e decisões comunitárias. Os mecanismos democráticos funcionam a nível nacional e não a nível comunitário. Em épocas de expansão, é fácil conciliar as decisões democráticas nacionais e as decisões intergovernamentais da UE. Em épocas de crise, o risco de conflito é muito elevado. Os políticos, tanto nos "países do Sul" como nos "países AAA", estão sob crescente pressão das opiniões públicas, logo dos eleitorados. Às reacções antigregas e anti-Sul, pode suceder-se uma vaga de reacções anti-alemãs. Seria a mais rápida via de desagregação da UE.

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, e uma eurodeputada francesa, Sylvie Goulard, escreveram há dias: "Entre as questões que a crise actual suscitou, nenhuma é mais importante e nenhuma é menos debatida do que a democracia na Europa." É o recado da semana.


Jorge Almeida Fernandes
in «Público» 18.02.2012

17/02/2012

Movimento perpétuo

Extremo ocidental
Os "direitos adquiridos" dos "cavaquistas anónimos"

Há um politicamente correto que só subsiste porque em Portugal se fala muito e se pensa pouco

A física dos direitos adquiridos

Noronha do Nascimento é um homem antigo. Nota-se na pompa, na pose, no discurso. Como homem antigo, o nosso presidente do Supremo Tribunal de Justiça é também alguém formado no tempo das "duas culturas", a científica e a humanística, e, por isso, se sabe citar Camilo, tem mais dificuldades com a segunda lei da termodinâmica. Não fosse isso e certamente não teria falado como falou de "direitos adquiridos" no seu discurso de abertura do ano judicial.

Bem sei que esta lei é uma das mais difíceis de entender da física, pois não é intuitivo que, em todos os sistemas fechados, exista uma tendência para a entropia subir. No entanto, é esta lei que explica por que razão não é possível construir uma máquina de movimento perpétuo. Se a transpusermos para a vida do dia-a-dia, ela também nos ajuda a perceber porque é que uma casa se desarruma, mesmo que não a desarrumemos deliberadamente. Assim, se a única forma de manter uma máquina a trabalhar é nunca deixar de adicionar energia, só a "energia" de uma dona de casa mantém o lar arrumado.

Na vida das sociedades, na economia, o equivalente ao movimento perpétuo é o progresso inelutável: um como o outro correspondem a utopias irrealizáveis. A história da humanidade está cheia de episódios de civilizações que entraram em colapso, existindo até algumas que desapareceram, quando desapareceu a sua fonte de energia - um caso bem interessante é o do fim da civilização da ilha da Páscoa, provocado pelo consumo das suas florestas até à última árvore. Muitos dos problemas que vivemos hoje no Ocidente também podem ser relacionados com a diminuição de algumas das suas "fontes de energia". Basta pensar na crise demográfica ou na dificuldade em fazer funcionares dos motores da inovação, sobretudo na Europa.

Quando chegam a estes pontos críticos - e nós, em Portugal e na União Europeia, estamos num ponto crítico -, as sociedades, se continuam a viver como antes viviam, não se regeneram, antes entram em colapso. Para os habitantes da ilha da Páscoa abater as árvores das suas florestas era o que estavam habituadas a viver - era um hábito adquirido... -, pelo que as abateram até não restar mais nenhuma. Para venerandas figuras a chegarem ao momento de se tornarem pensionistas (mesmo se abastados pensionistas), a ideia de que não receberão as reformas tal e qual como esperavam receber deve ser tão estranha como teria sido a de procurar fontes de energia alternativas às florestas em via de desaparecimento. Por isso chamam às suas expetativas "direitos adquiridos" e enroupam-nas com argumentos sibilinos.

Como num sistema fechado a tender para a máxima entropia, para a morte térmica, as sociedades em que vivemos deixaram de ter energia suficiente para acrescentarem a riqueza necessária à consagração dessas expectativas. Não é um mal temporário e passageiro, é um mal profundo e há muito diagnosticado, um mal fatal, se tudo continuar como dantes. Daí que seja uma falácia tomar como "adquiridos" direitos que só seriam sustentáveis, se a nossa máquina económica continuasse a trabalhar com o vigor de há algumas décadas. A actual crise só precipitou essas evidências.

O tremendismo apocalítico

Como homem antigo, Noronha do Nascimento cita Rousseau. Cita mal. Duplamente mal. Primeiro porque o seu "contrato social" não vem na linha dos propostos por Hobbes e Locke, como sugere, antes se lhes opõe. Depois porque, para Rousseau, a sociedade ideal é governada não democraticamente, antes por uma suprema "vontade geral" - "cada um de nós coloca na comunidade a sua pessoa e todos os seus poderes, sob a direcção suprema da vontade geral" -, o que implica abdicar de todos direitos individuais (e não apenas dos "adquiridos") - "a total alienação por cada associado de ele próprio e de todos os direitos, para toda a comunidade".

O princípio das sociedades democráticas é diferente. Baseia-se na ideia de que os homens são imperfeitos, o governo deve ter poderes limitados e é natural a existência de conflitos. Não há pois, ao contrário do que sugere o presidente do Supremo, qualquer "noção subliminar do contrato tacitamente aceite pelo povo", um povo que só aceitaria o governo, se este cumprisse certas "prestações contratuais". Esta curiosa forma de raciocinar leva-o a descrever para Portugal uma situação pré-revolucionária, tipo vésperas da Revolução Francesa - diagnóstico que, porém, não parece colar à realidade, como ainda ontem se viu com o relativo fracasso da greve dos transportes.

O que nos leva ao tremendismo da sua anunciada "caixa de Pandora" capaz de nos levar ao "Inverno (ou ao Inferno) do nosso descontentamento". Aqui Noronha não está sozinho. Não têm faltado porta-vozes desse povo que, para surpresa geral, ainda não assaltou a nossa Bastilha, fosse ela qual fosse. Maria José Morgado até já vê magistrados a passar fome (porventura fome dos brioches de Maria Antonieta...). E os "cavaquistas anónimos" que, este fim-de-semana, irromperam na cena política, dizem-se prontos a marchar contra o ministro das Finanças.

Tudo isto de pouco valeria, se não tivesse recebido algum gás vindo de Belém, onde afinal mora um Cavaco Silva que também é, à sua maneira, um homem antigo. Só assim se compreende o seu evidente mal-estar - o seu desastroso mal-estar - com as pensões que recebe. É que se tivesse hoje 40 ou 50 anos saberia, como sabem todos os que andam por essas idades, que no futuro nunca haverá dinheiro para pagar reformas semelhantes àquelas de que ainda beneficia a sua própria geração. E, no entanto, todos os que têm 40 ou 50 anos "descontaram toda a vida", talvez até mais do que descontou Cavaco Silva. O sistema de Segurança Social do seu tempo acabou, e ele é apenas a menor das vítimas, algo que tem a obrigação de saber.

Os cavaquistas clandestinos

Não deixa também ser curioso - mas não é surpreendente - que os nossos "cavaquistas anónimos" tenham adotado parte da linguagem política da oposição.

(Breve nota: como é possível que, em democracia, com uma imprensa livre, se aceite que alguém se proteja com o anonimato para proferir opiniões? Que regras são estas? Que escrutínio podem ter tais afirmações? O que é que isso revela de doentio e obscuro na relação com a opinião pública?)

O Expresso anunciava, por exemplo, que o Presidente estaria contra o "Estado mínimo". Estado mínimo? Saberá o Expresso (saberá o Presidente) que o Estado gasta, em Portugal, metade da riqueza do país? Será razoável considerar que teremos um "Estado mínimo", se se cumprir o prometido por este Governo, isto é, uma redução, em 2015, para 43,5% do peso das despesas públicas no PIB. 43,5% de toda riqueza produzida em Portugal vai para o Estado e ainda falamos de "Estado mínimo"? O que será então o Estado máximo?

O PÚBLICO dava mais um passo: anunciava que um número indefinido de "cavaquistas anónimos" considerava Vítor Gaspar um "ultraliberal". Não chegava liberal, ou mesmo neoliberal - o insulto preferido por estes dias -, era preciso dar o salto para "ultraliberal". Saberá o PÚBLICO (saberão os "cavaquistas anónimos") o que é um ultraliberal? Como classificariam então Ron Paul, candidato nos EUA à nomeação pelo Partido Republicano? Como extraterrestre?

Infelizmente todo este non senseé revelador. Traduz a incapacidade de discutir políticas sem ser no quadro de referências que, mesmo sendo muito marcadas ideologicamente, se pretendem apresentar como neutras. É uma lógica que tem de ser quebrada, pois o verdadeiro "fanatismo ideológico", tão criticado por alguns, não está em quem tenta apagar o fogo da dívida e do défice, mas em quem insiste em que se deixe arder em nome de valores ditos superiores. É que esses supostos valores, ou dos chamados "avanços civilizacionais irreversíveis", muitos propalados apenas em nome da manutenção de inconfessáveis direitos adquiridos, são na prática tão utópicos, irrealistas e autodestrutivos como a convicção de que haveria sempre árvores para cortar na ilha da Páscoa.

Os "cavaquistas anónimos" apenas vieram dar força a este politicamente correcto, que só subsiste porque em Portugal se fala muito e se pensa pouco.

 
José Manuel Fernandes, Jornalista
in «Público»

16/02/2012

Encurtamento da Páscoa

O Governo prepara encurtamento da Páscoa: Jesus Cristo morre crucificado e ressuscita no mesmo dia.

Depois de ter acabado com o Corpo de Deus, o 15 de Agosto, o 5 de Outubro, o 1 de Dezembro e de não ter dado tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval, Passos Coelho prepara uma pequena  alteração ao ano litúrgico, nomeadamente a Semana Santa, de forma a obter uma versão da Páscoa mais adaptada a um país que quer ser mais competitivo.

"A Última Ceia a uma quinta-feira é coisa de garoto mimado e irresponsável que chula os pais e o Estado.

Acabou-se a Sexta-Feira Santa e a Última Ceia passa a lanche ajantarado no sábado até às 23 horas, no máximo.

Domingo de Páscoa passa a ser o dia do julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e ressurreição.

Também Jesus Cristo tem de deixar de ser piegas!",  revelou Passos Coelho.