06/06/2011

Pedro Passos Coelho

Só escreveu um discurso em toda a sua vida. As outras centenas, na Assembleia da República, nas comissões políticas, nos congressos, fê-los todos - mesmo todos - de improviso. E já fez centenas de discursos, intervenções, interpelações e declarações.

Pedro Passos Coelho começou cedo na política. Era um menino sério, "um parvo" diziam às vezes os seus amigos do liceu Camilo Castelo Branco, em Vila Real, que não compreendiam por que raio de razão o Pedrocas gostava mais de falar com os amigos do pai do que com eles. O Tintin, o Zorro e o Mandrake passaram-lhe depressa. Mas, vamos ao início, Pedro Manuel Mamede Passos Coelho nasceu em Coimbra em 24 de Julho de 1964. Os pais eram de Trás-os-Montes, família de pequenos industriais de madeira. O seu pai, António Passos Coelho, 84 anos, é médico pneumologista e foi dirigente do PSD em Vila Real. E chegou aos órgãos nacionais do partido no tempo de Sá Carneiro, conta um amigo.
A liberdade africana
António Passos Coelho abandonou a direção do sanatório do Caramulo e foi para Angola, levando com ele a família: a mulher e os filhos, Teresa, Paulino e Pedro. "Em África fui sempre um miúdo à solta", conta Passos no seu livro «Mudar».
Pedro saía de manhã, almoçava numa cubata, brincava com os meninos tuberculosos, lanchava noutra cubata e ia brincando, até outra família lhe dar jantar numa outra cubata. Assim, com seis anos, aparecia em casa pelas nove da noite. Já nessa altura Pedro Passos não tinha medo.
Foi em Silva Porto, capital do Bié, que se iniciou nas tertúlias do pai. Assistia às conversas entre o pneumologista, o diretor do hospital, o delegado de saúde, o intendente, o administrador e o próprio governador. Ouvia e aprendia. Ainda hoje tem a mania que é médico.
"Faz diagnóstico e automedica-se", brincam os amigos. Em Silva Porto, Pedro não gostou do colégio de freiras em que fora matriculado. Descreve-o assim no seu livro: "Era preciso, antes da aula, passar pela capela, onde se tinha de estar de penitência, de braços abertos. Isto, para uma criança de seis anos, era uma coisa insuportável. Não gostei nada daquilo, do ambiente, dos medos que incutiam às crianças, monstros, diabos, infernos."
Teimoso, conseguiu que os pais o mudassem para a escola pública, que ficava mesmo ao lado de casa. Saltava o muro do jardim e estava no pátio da escola. Fez a terceira classe na cama, atacado por doença renal aguda. Entretanto, entrara para os Maristas. Mas ali a religião não era obrigatória e não havia monstros nem medos.
Pedro lembra-se do exame da quarta classe, nos Maristas. "O meu pai ofereceu-me uma caneta de tinta permanente para fazer o exame escrito. Recordo-me também de ter feito as orais: geografia, matemática e português".
A primeira personalidade que o impressionou foi a de António Soares Carneiro, então major, que também falou de improviso durante toda a sua vida. "Aquele homem não se repetia" escreve Passos, que aos 16 anos colaborou na campanha presidencial do general.
Regressa a Trás-os-Montes deixando para trás o pai, que havia de reunir-se à família em 1975, já depois da independência de Angola. O choque de trocar as planícies africanas pela aldeia de Valnogueiras, Vila Real, misturou-se, na cabeça de Passos Coelho com a estranha surpresa de viver numa aldeia belíssima mas escura e triste.

Sem eletricidade, nem saneamento, nem água canalizada, nem televisão. Nem pretos. Para quem crescera na capital do Bié e convivera diariamente com pessoas de outra cor, a diferença era assinalável.
Passos Coelho não é racista. Aliás, casou há sete anos com Laura, com quem teve a sua terceira filha, Júlia, agora com três anos. Fisioterapeuta, Laura é guineense mas está habituada a passar por cabo-verdiana porque "as pessoas pensam que todos os guineenses são pretos retintos", diz bem-humorada. E Laura é bastante clara. De pele também.

E simpática, diga-se. Do seu anterior casamento, com Fátima Padinha - a Fá das Doce - tinha já duas filhas, Joana e Catarina. Pedro Passos é um pai dedicado. Sempre fez questão de dar banho às filhas e de brincar com elas. E não poucas vezes é ele quem dá o jantar "à garotada toda", como costuma dizer.

Da aldeia do avô, a família mudou-se para Vila Real. Por pouco Pedro não teve como professor o famoso Padre Max, morto durante o Processo Revolucionário Em Curso (PREC). O padre da UDP dava aulas de francês ao Tó Mané, um dos colegas de quem Pedro ficaria amigo. Tó Mané, ou melhor, António Manuel Correia Dias, hoje empresário de sucesso em Vila Real, tem mais três anos do que Pedro.

Fala do miúdo que viera de Angola e tinha o descaramento de concorrer à associação de estudantes contra os mais velhos. E de ganhar.

Vila Real era palco de uma guerra política extremada naqueles tempos revolucionários. "Até Franck Carlucci, [antigo director da CIA e depois embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa], lá foi", lembra Correia Dias. "Não sei de onde lhe vinha aquela postura. Ele andava sempre com pessoas mais velhas. Cresceu muito mais depressa do que nós.

E sempre soube o que queria: queria ir para Lisboa", diz Tó Mané. E reforça "o Pedro era visto pelas pessoas como um 'jovem adulto', não como um miúdo, mesmo aos 15 anos!" O amigo conta que Pedro tinha mais de 20 apaixonadas "as transmontanas não são cegas!". Nem suspeitou de muitas delas. Teve a primeira namorada aos 16. Ela tinha 20 anos. "O discurso dele era muito adulto. E gostava mesmo de acompanhar pessoas mais velhas.", lembra Correia Dias.

Outro que se lembra bem de Passos é o antigo jornalista Alexandre Parafita, que trabalhou em "O Comércio do Porto" e dirigiu o semanário transmontano "A Região".

Foi lá que Parafita escreveu um curto artigo sobre o jovem vila-realense, estudante de Matemática, que acabara de ser eleito Secretário-Geral da JSD. O título era: "Pedro Passos Coelho, um jovem que promete..." Alexandre Parafita diz que tentou levar Pedro para o jornalismo, "aproveitando as suas qualidades vocais, que já então eram notáveis". O rapaz, porém queria era a política.

E foi a politica que o trouxe a Lisboa. Veio para estudar Matemática. Mas a JSD tomava-lhe todo o tempo. Foi secretário-geral aos 20, e presidente aos 26. Eleito deputado em 1991, viria a integrar a Comissão Política Nacional (CPN) do PSD de Cavaco Silva. Muitos se lembram de o jovem Pedro ter feito frente a Cavaco Silva. Um dos motivos era a política de Educação.

Era então ministra, curiosamente, Manuela Ferreira Leite. Passos Coelho teve como secretário-geral Miguel Relvas, que ainda hoje é o seu braço direito. Mas havia outros. Como Jorge Moreira da Silva, que também foi seu secretário-geral e lhe sucedeu na após três mandatos na Jota.

Entre os seus companheiros contou-se Pedro Pinto, outro antigo presidente da JSD que muito ajudou Pedro nesta campanha interna. E Jorge Paulo Roque da Cunha, médico, que esteve com Pedro Passos nas bancadas do Parlamento. Um dos episódios em que Passos mostrou a sua frieza passou-se com o seu amigo Luís Nobre, hoje advogado. Manuel Dias Loureiro, então braço direito de Cavaco Silva no PSD, apresentou a Passos e lista da CPN a qual incluía apenas um representante da JSD, o próprio Pedro.

Passos foi inflexível: ou Luís Nobre entrava na lista ou ele saía. A lista, que já estava pronta, foi mesmo alterada. E ninguém soube que houvera um braço de ferro e que este fora ganho por Passos. A mesma discrição foi usada, muitos mais tarde, quando abandonou a CPN presidida por Marques Mendes. Passos deixou de ser vice-presidente e ninguém soube os motivos pelos quais se zangara com Mendes.

Mais: ninguém chegou a saber que se zangara, mas apenas que saíra. Manteve a lealdade até ao fim. Sem comentários. Outro episódio que retrata bem Pedro Passos é a sua recusa de receber a subvenção vitalícia da Assembleia. Foi o único deputado que a recusou. E fê-lo por uma questão jde princípio.

Quem viveu em África tem outra forma de ver e uma mente mais aberta!

in «Portais»

05/06/2011

Um Presidente, uma Maioria e um Governo

Com 30 anos de atraso, cumpre-se o sonho de Sá Carneiro.

Por muito que custe aos retrógados de "esquerda", Portugal tem, finalmente, «Uma Maioria, um Governo, um Presidente!».

Hoje, às 20 horas, Portugal sabe que mudou e porque quis!

Mais claro do que água

Perfeitamente cristalino: os portugueses decidiram, está decidido!

A nossa previsão às 20:00 horas de hoje:


Os portugueses não são tolos

Hoje é o dia!
Expulsar os socretinos do poder e do assalto à riqueza do país, é missão inadiável.

Qualquer solução é melhor do que estado atual mas deseja-se que vença a melhor proposta. E, seguramente, os portugueses não são tolos nem suicidas.

(imagem Expresso, 28.5.2001) 

04/06/2011

Portugal meretrizou-se

Há dias, num comentário de televisão, João Cantiga Esteves fazia notar que os homens da troika, em três semanas apenas, realizaram o que os ineptos que nos governam não tinham conseguido levar a cabo em vários anos: pôr de pé um programa para fazer face ao descalabro.

Esta verificação, de uma evidência chocante, não é apenas mais uma medida dessa tenebrosa inépcia governamental. É também um indicador rigoroso da falta de seriedade com que Portugal tem sido governado: toda a gente sabia o que era preciso fazer; ninguém quis tomar a iniciativa da adoção das medidas necessárias por razões de eleitoralismo, conservação do poder e talvez outras ainda menos confessáveis.
Com essa omissão criminosa, o nosso país acaba de perder a sua independência, a sua viabilidade e a sua dignidade.
A questão de qualquer independência nacional, no quadro da União Europeia, prende-se com a capacidade de pôr e de gerir em comum determinadas parcelas da soberania dos estados membros, sem que tal situação prejudique a ultima ratio da soberania de cada um deles.

O funcionamento de mecanismos de solidariedade entre os estados na perspetiva de uma convergência crescente é um dos objetivos mais importantes da própria construção europeia.
Os programas e fundos estruturais, a criação da moeda única e da zona euro, a livre circulação prevista no espaço Schengen, sendo notas de cariz acentuadamente mais federalista numa Europa das nações, mostram que o processo da construção europeia tem de ser híbrido, gradual e sectorial.

Tanto nesses aspectos como em vários outros, a transferência de uma parcela de cada uma das soberanias nacionais para um dispositivo de gestão em comum do conjunto assim integrado não acarreta uma perda da independência nem da dignidade dos Estados que livremente decidiram fazê-lo, cada um deles entendendo cumprir altos objetivos do respetivo interesse nacional.

A independência e a viabilidade dos estados membros são mesmo um a priori da construção europeia e também uma condição da democraticidade dela, tal como foi concebida pelos seus founding fathers e acabou por ficar espelhada nos tratados, por muito que estes deixem a desejar ou tenham aspectos mal calibrados e nocivos, como acontece com o de Lisboa.

Mas o documento que a troika acaba de impor a Portugal significa que o país perdeu a sua viabilidade e a sua independência. É um diktat que corresponde à concretização de uma indignidade vexatória imposta por técnicos aos políticos rascas que a tornaram inevitável.

Antes, quando ainda era um país independente, Portugal tinha o poder de traçar a própria conduta e de impor o respeito dela a terceiros, num quadro de valores civilizacionais partilhados e de respeito e cooperação recíprocos.

Agora é uma espécie de câmara-de-ar esburacada e vazia, à espera de uns remendos. Não vale absolutamente nada, não tem poder nenhum e não vai a lado nenhum. Come e cala. E como o respeitinho é muito bonito, levará no pêlo se não fizer o que lhe mandarem. A Europa já percebeu que "isto" só vai assim e a vergasta já começou a zunir por cima das pátrias orelhas.

A partir de agora, Portugal sujeita-se a inspeções e verificações periódicas, metódicas e severas, tal como as putas de antigamente, que tinham de circular com um livrete de tarja amarela e de comparecer regularmente à inspecção médica. Eram punidas se não o fizessem ou não se apresentassem em condições. E arriscavam-se a ser internadas à força num hospital.

Hoje, está-se perante uma patologia do destino coletivo. Portugal meretrizou-se pelo Governo que tem tido e graças às gentes ignaras que colocaram esse Governo no poder.

Foi um país compreendido, escutado e respeitado. Hoje, não tem virtude, nem dignidade, nem merece o respeito de ninguém. Faz o trottoir europeu como pode e, numa humilhação sem precedentes, sujeita-se ao que lhe derem. Já não é uma simples questão de combate à sífilis e repressão dos proxenetas. Tornou-se imunodeficiente. Se ainda há quem se proponha tratar-lhe da saúde, é só para evitar o efeito de contágio. Foi isso que a troika veio fazer.

Vasco Graça Moura

03/06/2011

O álibi

Ao ver as reportagens do Congresso do PS, a pergunta que mais frequentemente me ocorreu foi como é que os Portugueses, na angustiante situação que vivemos, olhariam para aquele espetáculo.

Um espetáculo que exibia uma incómoda exuberância de meios ao mesmo tempo que revelava uma montagem atenta ao mais ínfimo pormenor (com música, abraços e lágrimas). Mas de onde, na verdade, não brotava uma só ideia, uma só preocupação com o País, uma só proposta para o futuro...

Onde, pelo contrário, era bem visível a obsessão com o poder e a preocupação em bajular o líder no seu bunker, seguindo um guião e repetindo "ad nauseam" um só argumento, com uma disciplina de fazer inveja ao PCP! Ter-se-á atingido aqui o lúgubre apogeu do "socialismo moderno", esse híbrido socrático que ficará na história por ter esvaziado o Partido Socialista de quase todos os seus valores patrimoniais e diferenciadores, reduzidos agora a um mero videoclip.

Como na história ficará também a indigência intelectual e o perfil ético de tantos "senadores" do PS que subiram ao palco para - com completo conhecimento de causa sobre o gravíssimo estado do País - acenar cinicamente aos militantes e aos Portugueses, por puro e interessado calculismo político.

O Congresso assumiu a estratégia de Sócrates que é, há muito, clara: ignorar os factos e sacudir as responsabilidades. Inventando uma boa história, que seja simples, que hipnotize as pessoas e, sobretudo que as dispense de olhar para os últimos seis anos de governação, para os números do desemprego, do défice, da dívida ou da recessão. Ou de pensar nas incontornáveis consequências de tudo isto no nosso futuro. Eis o marketing político no seu estado mais puro, e mais perverso.

Esta história começou a ser preparada logo em Janeiro, quando era por demais evidente o que se iria passar com o nosso endividamento e com as nossas finanças públicas. Sócrates lançou então o slogan "Defender Portugal", insinuando subliminarmente que os adversários do PS só podiam ser adversários de Portugal.

Montado o cenário, faltava apontar os vilões. Primeiro, o inimigo externo, e para isso diabolizou-se o FMI, qual dragão que paira ameaçadoramente sobre as nossas cabeças, e contra o qual o herói luta com denodo. Um pouco mais tarde, com o chumbo do PEC IV, estava encontrado o inimigo interno. Um inimigo que "tira o tapete" ao nosso herói, exatamente quando este "ia salvar Portugal". Ferido, o herói não sai de cena. Ei-lo que se reergue, determinado, para mais uma batalha.

Desce o pano, e agenda-se o segundo ato para dia 5 de Junho.

Há que reconhecer: tudo isto foi muito bem planeado, teatralizado e concretizado, de modo a que esta fábula funcione não só como um álibi para Sócrates mas, também, como uma "cassete" de campanha.

Montada a história, trata-se agora de repeti-la. É como se todos os dirigentes socialistas passassem a falar pelo teleponto do próprio Sócrates, como se todos tivessem esse teleponto dentro da própria cabeça - e isso, como vimos, funciona, pelo menos em mundos como o da "bolha" do Congresso de Matosinhos.

A força da história avalia-se pelo modo como deforma os factos e maquilha a realidade. Em Matosinhos, ela foi muito eficaz para esconder aquilo que na verdade mais perturba os socialistas: esta é a terceira vez que o FMI é chamado a intervir em Portugal, e, sendo verdade que veio sempre a pedido de governos liderados pelo PS, esta é a primeira vez em que vem devido a erros de governação do próprio PS.

Isto nunca tinha, de facto, acontecido: em 1977/78 o FMI veio por causa dos "excessos" revolucionários, e em 1983/84 para corrigir os deslizes do governo de direita, da Aliança Democrática. Em ambas as situações o PS apareceu, com a coragem de Mário Soares, a corrigir os erros de governações anteriores e a defender o interesse nacional. Desta vez é diferente: o FMI é chamado a Portugal justamente devido à acção de um governo do PS, dirigido pelo seu secretário-geral.

Para grandes males, grandes desculpas? É o que parece. Esta história inventada pelos conselheiros de Sócrates vai fazendo o seu caminho. Espalha-se com mais desenvoltura que um programa eleitoral, e consegue fazer com que muita gente, sem dar por isso, acredite no inacreditável: num dia o nosso primeiro-ministro estava "quase a conseguir salvar-nos", e no dia seguinte o chumbo do PEC IV abriu um buraco de 80 mil milhões de euros...

Não consigo conformar-me com este modo de "fazer política". Sofro, como milhares de socialistas, e certamente muitos mais portugueses, com este tipo de comportamento que joga no "vale tudo" para permanecer no poder. Ao arrepio de todos os valores, ignorando as mais elementares regras da ética, transformando a política num mero exercício de propaganda que se avalia por um único resultado: continuar no poder.

O Partido Socialista ficou reduzido ao álibi de Sócrates. Um secretário-geral que deu sem dúvida provas como candidato eficaz, mas que também já as deu como governante medíocre, conduzindo o País à bancarrota e à mais grave crise que o País já conheceu desde o 25 de Abril de 1974.

Foi com estes dados que o PS saiu do Congresso, à espera de um milagre eleitoral no próximo dia 5 de Junho. Mário Soares falava prudentemente, aqui no DN de anteontem, no risco de um duche gelado que entretanto o PS corre. Mas mesmo que tal não aconteça, não haja ilusões: ganhe ou perca, no dia seguinte às eleições este PS do álibi vai estar como estava na véspera - com uma mão-cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Talvez, finalmente, a olhar para o abismo onde nos conduziu. E quanto a Portugal, o que será de nós?

Manuel Maria Carrilho
in «DN» 14.04.2011

À procura de emprego

Num congresso internacional de medicina.
O médico alemão diz:
Na Alemanha, fazemos transplantes de dedo. Em 4 semanas o paciente está procurando emprego.
O médico espanhol afirma:
A medicina espanhola é tão avançada que conseguimos fazer um transplante de cérebro. Em 6 semanas o paciente está procurando emprego.
O médico russo diz:
Fazemos um transplante de peito. Em 1 semana o camarada pode procurar emprego.
O médico grego disse:
Temos um trabalho de recuperação de bêbados. Em 15 dias o indivíduo pode procurar emprego.
O médico português diz orgulhoso:
Isso não é nada! Em Portugal, nós arranjamos um homem sem cérebro, sem consciência, sem peito, mentiroso, corrupto e elegêmo-lo primeiro-ministro.
Em 3 anos o país inteiro está à procura de emprego.

02/06/2011

2 milhões de desempregados

Se os emigrantes portugueses espalhados pelo mundo regressassem ao país;
Se todos os desempregados fossem contados e os números não fossem aldrabados;
Se os que não trabalham fossem todos contados;

O número verdadeiro de desempregados seria de 2 milhões!
É obra, tanto socialismo, tanta pobreza.

Porque não voto em ti

Tu podes dizer que te perseguiram, que te fizeram a cama, que te tramaram, que as tuas  intenções eram as melhores e que querias evitar a todo o custo a ajuda externa.
Tudo isso até pode ser verdade mas olha que me fazes lembrar o Vale e Azevedo.

Tens de me explicar como conseguiste tornar o PS no "teu partido". 

Assim é que é: 93% de apoio !!! 
Tu és o líder, tu és o chefe, tu és o comandante, tu és o pai, o filho, o espírito santo.
O partido és tu e é teu.

Zé, assim não vamos lá. Que consigas enganar os "crentes" é uma coisa, agora querer
enganar outra vez a gente é outra.

Oh Zé. Tu lixaste a gente, deixaste-nos na merda, pá. 

Vai pró caraças, mas estás a querer fazer-nos de estúpidos ?

Será que não tens vergonha, será que não tens um pingo de humildade para que caias
em ti e reconheças os teus pecados e os teus erros?

Repara só: 

- 600 000 desempregados;
- bancarrota;
- faturas elevadíssimas a vencer nos próximos anos;
- uma imagem péssima do país no estrangeiro: caloteiros, calaceiros, vigaristas, trapaceiros, corruptos, mentirosos, malandros, estúpidos, teimosos, etc.;
- as reformas todas por fazer, as nossas empresas, bancos e empresários mal vistos e mal cotados;
- uma dívida pública astronómica;
- a nossa indústria desamparada;
e etc, etc....

Tu que tiveste uma maioria, que tiveste as condições que poucos tiveram, lembra-te que quando te elegemos em 2005 nós estávamos fartos de Durões, Santanas, de
sermos desgovernados e tu, sim tu, puseste-nos na miséria pá.

Oh Zé, deixa-me que te explique isto a ver se entra na tua cabeça.

Tu já não serves para representar os nossos interesses, tu estás avariado, estragado, queimado, fora de prazo.

A tua 
teimosia, a tua estupidez, a tua soberba demonstrou um gajo que não
sabe negociar, que não sabe gerir, que não sabe o que é um país, que não sabe o
que é ser-se integro e o que é servir.
O que tu tens é um grande patuá. Só que não chegou para os mercados !!!
O que pensariam de nós se voltasses a ser parte do problema, tu que foste, e és
o problema.

Uma coisa te garanto: em ti não voto!


Este é um Desígnio Nacional: por-te na prateleira, na galeria dos notáveis que nos enganaram.

Olha Zé não estou nada porreiro pá e quero que vás pró Bordalo.
António Dejosé
(leitor)

01/06/2011

Cesária Évora em Angola

Há momentos que são de sonho:

31/05/2011

Christine Lagarde

Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças de França, à pergunta sobre um pedido de José Sócrates para uma renegociação da dívida portuguesa, caso hipoteticamente viesse a ser Diretora-Geral do FMI, respondeu com toda a clareza que se possa esperar.

... E vai ser!

30/05/2011

Piada a recordar

Um grande empresário português marca uma audiência com José Sócrates,na Residência Oficial do Primeiro-Ministro.
Enquanto aguarda, encontra Armando Vara que o recebe com muitos abraços.

Quando é recebido pelo Primeiro-Ministro, sente falta da carteira e resolve abordar o assunto com o PM:
- Não sei como lhe hei-de dizer, Senhor Primeiro-Ministro, mas a minha carteira acabou de desaparecer!

E continuou:
- Tenho a certeza de que estava com ela ao entrar na sala de espera. Tive o cuidado de a guardar bem, após apresentar o BI ao segurança. Não quero fazer nenhuma insinuação, mas a única pessoa com quem estive depois disso foi o dr. Armando Vara, que está aqui na sala de espera ao lado.

O Primeiro-Ministro retira-se do gabinete. Pouco tempo depois, regressa com a carteira na mão.

Reconhecendo a sua carteira, o empresário comenta:
- Espero não ter causado nenhum problema pessoal entre o Senhor Primeiro-Ministro e o dr. Armando Vara.

Ao que José Sócrates responde:
- Não se preocupe! Ele nem percebeu!...

29/05/2011

Póstroika

28/05/2011

Pioneiro da fotografia na Golegã

O Estúdio de Fotografia Carlos Relvas, na Golegã. A obra imperdível e tardiamente reconhecida de um pioneiro português (1838-1894).

A não perder!

27/05/2011

Joia de Walt Disney

Uma maravilha brasileira:

26/05/2011

Barcelona - detalhe da Sagrada Família

Um detalhe da Sagrada Família, Barcelona:

25/05/2011

O dia da Umidade Africana

A 25 de Maio comemora-se o Dia da Unidade Africana.

Com a verdadeira Umidade Africana, aqui está a nossa homenagem aos leitores de África!

24/05/2011

FHM Calendar 2011, Indigo Bay, Mozambique

Indigo Bay, Moçambique na FHM: uma vista sobre o paraíso!

23/05/2011

Parque Escolar

É assim que se contraem dívidas (climatizar igloos):

“ …conceitos típicos dos EUA nos anos 60. Uma vez que instalámos ar condicionado, não deixamos abrir as janelas para não perturbar o sistema…”                                                                                                                       

Importa ouvir o idiota que explica como se dinamiza a construção civil.

22/05/2011

Excerto do debate... Portas x Sócrates

Esta diz tudo!
Excerto do debate na TVI entre Paulo Portas e José Sócrates.
Paulo Portas: "O senhor disse que nunca seria primeiro-ministro com o FMI."
José Sócrates: "Não foi isso que eu disse. O que eu disse é que não estava disponível para ser primeiro-ministro com o FMI."
Judite de Sousa: "Não é a mesma coisa?"
José Sócrates: "Não. É diferente."

21/05/2011

Dia de praia

20/05/2011

Putativo ministro da Saúde socretino

Médico absolvido de violação porque não foi muito violento

Relação do Porto absolveu psiquiatra com argumentos muito polémicos.

O Tribunal da Relação do Porto absolveu o psiquiatra João Villas Boas do crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, que estava a ter acompanhamento devido à gravidez. 


Segundo a maioria de juízes, os atos sexuais dados como provados no julgamento de primeira instância não foram suficientemente violentos. Agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de ser enquadrados como violentos.



in «Diário de Notícias»

19/05/2011

Barcelona: Sagrada Família

A cidade de Barcelona é espantosa. Gente de todo o Mundo percorre meio planeta para ver obras de arte com a igreja da Sagrada Família de Antonio Gaudi, que contuna em construção para se materializar o sonho do arquiteto catalão.

18/05/2011

O fim do Mundo

Deus cansou-se de tanta asneira que há milénios vê a humanidade fazer e decidiu acabar com ela em 24 horas. Chamou os governantes mundiais e anunciou-lhes solenemente:

- Basta ! Vou terminar com esta treta ! Têm 24 horas para dizerem aos vossos povos que o mundo vai acabar.

Obama chamou as televisões à Casa Branca e declarou: Americanos, tenho uma boa e uma má notícia para vos dar. A boa é que Deus existe mesmo. Acabo de o ver. A má é que a nossa grande e querida Nação se vai extinguir dentro de poucas horas.

Raúl Castro, por seu lado, mal regressou a Cuba, convocou as massas e arengou-lhes assim:
Camaradas, tenho duas más notícias para vos dar. A primeira é que Deus existe, eu próprio o vi há algumas horas. A segunda é que a nossa gloriosa Revolução está prestes a terminar.

Quanto a Sócrates, regressado a Portugal, marcou de imediato uma conferência de imprensa para a hora de abertura dos telejornais, sem direito a perguntas, vestiu um dos seus fatos Armani e, depois de perguntar ao Luís se estava com bom aspecto, disse:

- 'Caros compatriotas ! Tenho duas bos notícias para vos dar ! A primeira é que Deus me nomeou seu mensageiro. A segunda é que, tal como eu vos tinha prometido, vão acabar no nosso país, daqui a muito poucas horas, o desemprego, a corrupção - a miséria, o insucesso
escolar e até o IVA !

17/05/2011

A tasca

A tasca é um local muito movimentado:

16/05/2011

A CRIL comentada

Trinta e muitos anos depois de ter projetada, a CRIL - Circular Interior de Lisboa - foi concluída.

Uma excelente oportunidade para a TVI brilhar.


15/05/2011

Uma quinzena depois

Esperamos ansiosamente pelo cliente seguinte, Khadafi.


14/05/2011

Bom senso português


A Europa está profundamente receosa quanto ao bom senso dos portugueses. Ou a ausência dele.

É altura de demonstrarem como não há motivos para isso e que a gente "tuga" se prepara para varrer o lixo para o lixo.

Avante camaradas.
Dia 5 de junho, os "lellos" para a rua.
 A luta é alegria!

10/05/2011

Invasão chinesa

09/05/2011

Mini-saia

Um dia, na paragem do autocarro, estava uma rapariga que usava uma mini-saia muito apertada.

Quando o autocarro chegou e era a sua vez de entrar, apercebeu-se que a saia estava tão apertada que ela não conseguia levantar a perna o suficiente para chegar ao primeiro degrau.

Tentando arranjar uma maneira de conseguir levantar a perna ela recuou esticou os braços para trás e desapertou um bocadinho o fecho da saia. Ainda assim não conseguia chegar ao degrau...

Embaraçada recuou novamente e esticou os braços para trás das costas para desapertar um pouco mais o fecho. Ainda assim não conseguiu subir para o primeiro degrau...

Então, recuou novamente esticou os braços para trás e desapertou completamente o fecho da saia.

Pensando que desta vez ia conseguir levantou novamente a perna, apenas para descobrir que ainda não conseguia alcançar o degrau...

Vendo como ela estava embaraçada, o homem que estava atrás dela na fila do autocarro, pôs as suas mãos à volta da cintura dela, levantou-a e pousou-a no primeiro degrau do autocarro.

A rapariga virou-se furiosa e perguntou:
- Como se atreve? Eu nem sequer o conheço...

Chocado o homem respondeu-lhe:
- Bem, minha senhora, eu pensei que depois de ter recuado e me ter desapertado a braguilha três vezes, bem, pensei que já éramos pelo menos amigos... !?!?!?

08/05/2011

Missa do 7º dia

Faz hoje uma semana que o mundo se livrou do fanático terrorista-mor.
É motivo de festa mas é preciso manter alerta contra outras "cobras" em roda livre.

Cristã

07/05/2011

Socialismo, igualdade e liberdade

Tem havido aqui uma interessante discussão sobre o socialismo e o seu significado. Estamos tão agarrados à ideia da bondade das intenções do socialismo que mesmo aqueles que com ele recusam qualquer identificação não conseguem deixar de lhe prestar um tributo ético.

É como uma mão amputada que continua a doer. A mão é fantasma, mas a dor é real.
O socialismo morreu no fim do século XX e eu fui dos que celebrou a sua morte.
Contudo esta morte fez desaparecer do horizonte político da nossa civilização provavelmente a única alternativa real, estruturada e com raízes nos valores judaico-cristãos, ao capitalismo liberal.

E porque o capitalismo (tal como todos os sistemas) continua a alimentar a rejeição e a insatisfação de vastos sectores das próprias sociedades que enformou, sem o socialismo, a contestação interna anti-capitalista resume-se a variações sobre a tirania e a barbárie, seja ela da “multitude”, caracterizada por Hardt e Negri, seja de vontades ad-hoc que se esgotam no próprio acto de contestar. Custa-me dizê-lo, mas por vezes sinto pena que o socialismo (que partilha alguns valores essenciais com o liberalismo), não esteja já aí para federar a contestação, função que sempre cumpriu bem.

É verdade que muita gente continua a reclamar-se socialista, partidos e regimes socialistas é o que não falta por aí mas a essência do ideal socialista, essa é bastante vaga e não pode deixar de o ser, face às tenebrosas realidades que gerou no século passado e que acabaram por lhe selar o caixão. Existe também um núcleo duro de fiéis que afirmam que não se pode julgar o socialismo pelas suas realizações. Para estes, Cuba, URSS, RDA, Líbia, Iraque, Venezuela, não eram/são verdadeiramente socialistas, nem as políticas seguidas pelos partidos socialistas são verdadeiramente socialistas (o nosso PCP chama-lhes sempre “politicas de direita”).

Esta argumentação não é séria. O socialismo é aquilo que faz, e o lamento dos crentes, de que o verdadeiro socialismo nunca foi realizado, é uma falácia obstinada que poderá ser invocada por qualquer ideologia falhada. Por exemplo, os fascistas podem dizer que Mussolini não realizou o “verdadeiro fascismo” e os apaziguadores do Islamismo que o islão violento e intolerante não é o “verdadeiro islão”.

A relação do socialismo com a realidade parece ser como a do potássio com a água: ao mínimo contacto volatiliza-se, o que suscita a questão de saber o que há então no ideal socialista que o torne tão incompatível com a realidade quando parecia aos seus defensores um sistema racional, que expunha os defeitos óbvios da sociedade capitalista.

O primeiro socialismo era utópico, como Marx lhe chamou. Insatisfeito com a modernidade, essa insatisfação era basicamente uma versão secular da crítica católica a um mundo cada vez mais surdo ao seu discurso. Saint-Simon acreditava até ser uma espécie de Messias que trazia a revelação final.

A sua principal crítica era a de que a liberdade não é o mais importante porque uma sociedade fundada apenas nos direitos individuais não tem lugar para certas virtudes que devem caracterizar uma comunidade política, nomeadamente um núcleo moral comum e uma ideia do que deve ser uma vida “boa”. Na verdade a sociedade capitalista descrita por Adam Smith e outros, de certo modo negligenciava essas virtudes, remetendo-as para a esfera privada. Fazia-o, não porque as considerasse desnecessárias, mas porque tinha como assumido e inabalável o acervo moral judaico-cristão. O indivíduo era “formatado” nesses valores e, mesmo que rejeitasse a crença religiosa, os valores estavam lá, já faziam parte dele.

O capitalismo respirou nesta e desta atmosfera moral que, contudo, se foi desgastando face à emergência de conceitos relativistas e niilistas, de certa forma gerados no e pelo próprio espírito do capitalismo.

O socialismo cativou tanta gente inteligente e bem intencionada, porque foi um esforço moderno para resistir à corrupção ética da própria modernidade. É, por isso, uma religião secular, conceito de resto assumido como necessário pelos próprios “saint-simonianos”.

Contém um núcleo religioso, um conjunto de princípios de “mal” e “bem”, no qual são endoutrinados os fiéis. A experiência israelita do kibbutz é, por isso, extraordinariamente similar à pequena comunidade religiosa, uma comunidade socialista que funciona, mas apenas na medida em que as pessoas aderem ao núcleo de valores, a comunidade se mantém suficientemente pequena para evitar a divisão do trabalho e as classes sociais que isso implicaria, e manifeste alguma indiferença para com os bens materiais não essenciais, sem a qual não existiria igualdade.
Os socialistas utópicos esperavam abolir a pobreza, mas visavam padrões modestos, típicos de uma comunidade Amish, por exemplo, porque a exaltação de apetites individuais que fossem para além disso, necessariamente criariam tensões no seio da comunidade, como de facto aconteceu nos kibbutz. A comunidade socialista deveria também produzir um tipo de indivíduo socialista, um homo novus que estivesse acima do materialismo e da vulgaridade dos apetites burgueses, típica do indivíduo capitalista.

Contudo o tipo de socialismo que varreu a história não foi este, mas sim o “socialismo científico” de Marx e seus discípulos, que alimentou a ambição, muito mais vasta, de transformar rapidamente toda a sociedade. O seu ímpeto moral era também decorrente da luta contra a modernidade mas acabou, nas suas várias vertentes (comunismo, social-democracia, etc.,) por fazer caminhos muito diferentes.

Todas as variantes do socialismo científico acreditavam em políticas manipuladoras e dirigistas que, pela acção governativa de uma elite iluminada, sobre as populações ignorantes ou alienadas, criariam a comunidade virtuosa.

Mas, ao contrário do seu antecessor utópico, o socialismo científico criticava o capitalismo por este ser incapaz de produzir a abundância que a tecnologia possibilitava e, em vez de uma igualdade assente na escassez, trombeteava a igualdade na abundância. Não é por isso de admirar que tenha atraído imediatamente todos aqueles que se sentiam frustrados por aquilo que o sistema capitalista lhes dava. As massas não queriam uma vida virtuosa e modesta, mas sim ter tudo aquilo a que se julgavam com direito.
O socialismo científico cristalizou em duas correntes que chegaram ao poder no séc. XX: uma que entendia que a comunidade socialista devia manter o sistema liberal de democracia parlamentar e outra que considerava isso indesejável.

O socialismo totalitário, falhou rotundamente. O planeamento centralizado foi incapaz de lidar com a complexidade da realidade moderna e da natureza humana. É certo que foram realizadas grandes obras e projectos, mas não há nisso nada que se possa creditar ao socialismo. A História está cheia de grandes realizações levadas a cabo por poderes autocráticos, desde as Pirâmides, à Grande Muralha da China. Naquilo que interessava ou seja, criar uma sociedade de abundância para todos, este socialismo falhou em toda a linha e revelou-se mais “utópico” do que o socialismo utópico propriamente dito.

A vertente social-democrata não leninista, não teve muito melhor sorte e onde aparentou algum êxito, foi sempre à custa da própria doutrina.

O caso sueco é paradigmático. Décadas de governação social-democrata, desembocaram num país próspero, com uma economia que, no início da década de 70, se dividia a meio entre capitalismo privado e capitalismo de estado. Mas a pressão ideológica socialista para nacionalizar ainda mais e fazer uma redistribuição mais igualitária dos rendimentos, conduziu ao abrandamento económico, inflação galopante, baixa de produtividade, quase bancarrota e ao descontentamento que acabou por determinar a derrota dos social-democratas e o regresso a um caminho mais próximo do capitalismo liberal.

Na Inglaterra, então designada pelo “doente da Europa”, aconteceu mais ou menos o mesmo, tendo finalmente emergido Margaret Tatcher que pôs fim à deriva socialista e salvou o país.
Hoje, face à crise e à retórica socializante que se ouve de novo, as sociedades precisam de se vacinar contra o regresso de um fantasma que morreu, mas ainda pensa estar vivo.

O ingrediente estritamente económico da vacina está mais do que identificado, e passa por um Estado-Previdência que evite a lei da selva e associe compulsividade e livre escolha, de resto perfeitamente compatível com o capitalismo liberal.

O ingrediente ético é um osso mais duro de roer. O declínio das crenças religiosas e dos valores tradicionais, é uma das mais sérias contradições, no sentido dialético, do capitalismo, uma vez que resulta da própria ideia liberal de que estas coisas são da esfera privada.

Mas é um osso que tem de ser roído pelo próprio sistema capitalista liberal, sob pena de a morte do socialismo redundar no aparecimento de fantasmas pseudo-socialistas que assentam os seus gritos lancinantes de além-túmulo no repúdio da liberdade individual em nome da “igualdade”.

E esse caminho já sabemos onde conduz.
in «Lidador»

06/05/2011

Portugal é um casino

«Ao longo deste último ano lutei todos os dias para que isto não acontecesse […] Tentei tudo.»

Estas palavras de José Sócrates, na comunicação ao país de 6 de Abril anunciando o pedido de ajuda ao Fundo Europeu, levantam um problema muito curioso.

São, sem dúvida, declarações espantosas. Qualquer observador imparcial surpreende-se por o Primeiro-Ministro, no cargo há seis anos, se poder considerar inocente do descalabro nacional, que tantos há tanto tempo viam como inevitável devido à estratégia seguida pelo Governo. Agora o principal responsável não só não assume culpas, mas diz-se um lutador
vencido. Ou é inconsciência absoluta ou rematada perversidade. Como explicar isto? Este é um dos problemas mais desafiantes da atualidade.

O professor Daniel Bessa encontrou uma peça central da resposta:
«Faz-me lembrar um jogador de casino, que acha que há ainda uma última hipótese de sair aquela sorte grande, que nunca tinha saído, e que o pode salvar.» (Rádio Renascença 26/Abril/2011).

Mas existe outro elemento essencial. Durante anos, Sócrates saiu das situações mais difíceis e delicadas graças à sua retórica imparável, argumentação brilhante, magistral prosápia. Ao fim de certo tempo, uma pessoa assim convence-se de que tudo é possível. Acaba confundindo a ficção com a realidade e acha-se capaz de tudo.

Temos na História múltiplos exemplos disto, de Hitler a Saddam, de Alves dos Reis a Madoff.

O mais espantoso neste caso é o número de pessoas que nesta fase ainda acredita nisto, incluindo um do mais antigos partidos portugueses.

João César das Neves

Sabes do Celso?

- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um doente internado. Queria saber se a pessoa está melhor ou se piorou...
- Qual é o nome do doente?
- Chama-se Celso e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a chamada para o sector de enfermagem...

- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes... O que deseja?
- Gostaria de saber a condição clínica do doente Celso do quarto 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de plantão.

- Aqui é o Dr. Carlos. Em que posso ajudar?
- Olá, doutor. Precisava que alguém me informasse sobre a saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.


- Só um momento que eu vou consultar a ficha do doente... Hummm! Aqui está: alimentou-se bem hoje, a pressão arterial e o pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado da monitorização cardíaca amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará a alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?
- Não, sou o próprio Celso telefonando aqui do 302! É que toda a gente entra e sai deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma.
Eu só queria saber como estou....

05/05/2011

Cretino

Já lhe aconteceu, ao olhar para pessoas da sua idade, pensar: não posso estar assim tão velho/a?

Veja o que conta uma amiga:
- Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava exposto na parede.


Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei-me de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.

Era da minha turma do Liceu, uns 30 anos atrás, e eu perguntei-me: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?

Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado... era demasiadamente velho para ter sido a minha paixão secreta.

Depois de ele ter examinado o meu dente, perguntei-lhe se ele tinha estudado no Colégio Sacré-Coeur.
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou?, perguntei.
- 1965. Por que pergunta?, respondeu.
- É que... bem... o senhor era da minha turma!, exclamei eu.

E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, filho de uma pu*a, lazarento perguntou-me:

- A Sra. era professora de quê?

04/05/2011

A culpa está solteira

A culpa é de…A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.
A culpa de não haver PEC 4 é do PSD e do CDS.
Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda.

E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é apenas dos 3 anos de governação não socialista.


A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.

A culpa é dos mercados. Excepto do "mercado" Magalhães.
A culpa é do 'rating'. A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro.
A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.
A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho.

A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames.
A culpa é dos submarinos. A culpa é do TGV espanhol.
A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3.
A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura.
A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da 'pen'.

A culpa é do funcionário do Powerpoint.
A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa.
A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI.

A culpa é de uma qualquer independente universidade.

E, agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal.
A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam.
A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos.

A culpa é do excesso de pensionistas.
A culpa é dos desempregados.
A culpa é dos doentes.
A culpa é dos contribuintes.
A culpa é dos pobres.
A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime.

A culpa é da meteorologia.
A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.


A culpa é da insensibilidade. Dos outros.
A culpa é da arrogância. Dos outros.
A culpa é da incompreensão. Dos outros.
A culpa é da vertigem do poder. Dos outros.
A culpa é da demagogia. Dos outros.
A culpa é do pessimismo. Dos outros.
A culpa é do passado. A culpa é do futuro.

A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias.
A culpa é da esquerda. A culpa é da direita.


A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.
Há sempre "novas oportunidades" para as culpas (dos outros).

Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera, foi culpa do PM de Cabo-Verde.
No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria absoluta ao imaculado.
A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa.

Povo ingrato! Basta!

03/05/2011

A vida da Marcelina

Marcelina era uma daquelas mulheres feias, feia com força.Tão desengonçada que nunca tinha conseguido arranjar um namorado!
Decidiu, e foi consultar uma vidente....

- Minha filha - disse a vidente - nesta vida você não vai ser muito feliz no amor... mas na próxima encarnação, você será uma mulher muito cobiçada e todos os homens se arrastarão aos seus pés.


Marcelina saiu de lá muito feliz e, ao passar por um viaduto, pensou:
 - "Quanto mais cedo eu morrer, mais cedo começará a minha outra vida!"


E decidiu atirar-se lá de cima do viaduto.
Mas, por uma incrível coincidência, a Marcelina não morreu!
Marcelina caiu de costas em cima de um camião carregado de bananas, perdendo os sentidos.
Assim que se recuperou, ainda atordoada e sem ver nem saber onde estava, começou a apalpar à sua volta e, sentindo as bananas, murmurou, com um sorriso nos lábios:
- Senhores, por favor......! Um de cada vez...!!!

 

02/05/2011

O diabo foi morto

03:52 h - Osama bin Laden is dead, CNN reports, citing sources. Statement from U.S. President Barack Obama to come.

Excelentes notícias chegaram de Washington, EUA, durante esta noite, dando conta de que um grupo de agentes especiais das Forças Armadas norte-americanas e da CIA descobriram o covil de Osama Bin Laden e liquidaram-no, ontem, 1 de maio.
Fabulosa de comemoração do Dia do Trabalhador, com um excelente trabalho!

Na verdade, trata-se da segunda morte da "cobra":
Desde do princípio de janeiro de 2011, a chamada Primavera Árabe, iniciada na Tunísia, vem abalando e derrubando sucessivas ditaduras do norte de África e Médio Oriente. E se é certo que ainda não se sabe para que lado tombam as revoluções há, pelo menos a evidência de um forte desejo de democracia.

Essa foi, portanto, a primeira morte de Bin Laden, não há sinais de adesão à sua lógica bombista. Pelo contrário!

A segunda morte ocorreu em Abbottabad, Paquistão e em local [x] que lança uma forte suspeita de conivência dos serviços secretos desse país. Sem dúvida, uma matéria a seguir e que não deixará de ter uma forte resposta norte-americana.


Cai ou não cai ?

01/05/2011

Primeiro de maio

Ao que dizem, o primeiro de maio é uma dia de quebrar amarras e alcançar a libertação.


30/04/2011

As mulheres ao poder


Muito bem... - gritou São Pedro - vamos organizar duas filas:
1) homens que sempre dominaram as mulheres, façam fila do lado esquerdo.
2) homens que sempre foram dominados pelas suas mulheres façam fila à direita.
Depois de muita confusão, os homens estão em fila.
A fila dos dominados por suas mulheres tem mais de 100 km.
A fila dos que dominavam mulheres tinha só um fulano.

São Pedro fala em alta voz:
- Vocês deveriam ter vergonha! Deus criou vocês à Sua imagem e semelhança e vocês deixaram-se dominar pelas vossas mulheres. Apenas um de vocês honrou o nome e deixou Deus orgulhoso da Sua criação. Aprendam com ele!
Virando-se para o homem solitário, São Pedro diz:
- Conte-nos como você fez para ser o único nesta fila?
 


E o homem timidamente respondeu:
- Eu não sei, foi minha mulher que me mandou ficar aqui...