07/05/2011

Socialismo, igualdade e liberdade

Tem havido aqui uma interessante discussão sobre o socialismo e o seu significado. Estamos tão agarrados à ideia da bondade das intenções do socialismo que mesmo aqueles que com ele recusam qualquer identificação não conseguem deixar de lhe prestar um tributo ético.

É como uma mão amputada que continua a doer. A mão é fantasma, mas a dor é real.
O socialismo morreu no fim do século XX e eu fui dos que celebrou a sua morte.
Contudo esta morte fez desaparecer do horizonte político da nossa civilização provavelmente a única alternativa real, estruturada e com raízes nos valores judaico-cristãos, ao capitalismo liberal.

E porque o capitalismo (tal como todos os sistemas) continua a alimentar a rejeição e a insatisfação de vastos sectores das próprias sociedades que enformou, sem o socialismo, a contestação interna anti-capitalista resume-se a variações sobre a tirania e a barbárie, seja ela da “multitude”, caracterizada por Hardt e Negri, seja de vontades ad-hoc que se esgotam no próprio acto de contestar. Custa-me dizê-lo, mas por vezes sinto pena que o socialismo (que partilha alguns valores essenciais com o liberalismo), não esteja já aí para federar a contestação, função que sempre cumpriu bem.

É verdade que muita gente continua a reclamar-se socialista, partidos e regimes socialistas é o que não falta por aí mas a essência do ideal socialista, essa é bastante vaga e não pode deixar de o ser, face às tenebrosas realidades que gerou no século passado e que acabaram por lhe selar o caixão. Existe também um núcleo duro de fiéis que afirmam que não se pode julgar o socialismo pelas suas realizações. Para estes, Cuba, URSS, RDA, Líbia, Iraque, Venezuela, não eram/são verdadeiramente socialistas, nem as políticas seguidas pelos partidos socialistas são verdadeiramente socialistas (o nosso PCP chama-lhes sempre “politicas de direita”).

Esta argumentação não é séria. O socialismo é aquilo que faz, e o lamento dos crentes, de que o verdadeiro socialismo nunca foi realizado, é uma falácia obstinada que poderá ser invocada por qualquer ideologia falhada. Por exemplo, os fascistas podem dizer que Mussolini não realizou o “verdadeiro fascismo” e os apaziguadores do Islamismo que o islão violento e intolerante não é o “verdadeiro islão”.

A relação do socialismo com a realidade parece ser como a do potássio com a água: ao mínimo contacto volatiliza-se, o que suscita a questão de saber o que há então no ideal socialista que o torne tão incompatível com a realidade quando parecia aos seus defensores um sistema racional, que expunha os defeitos óbvios da sociedade capitalista.

O primeiro socialismo era utópico, como Marx lhe chamou. Insatisfeito com a modernidade, essa insatisfação era basicamente uma versão secular da crítica católica a um mundo cada vez mais surdo ao seu discurso. Saint-Simon acreditava até ser uma espécie de Messias que trazia a revelação final.

A sua principal crítica era a de que a liberdade não é o mais importante porque uma sociedade fundada apenas nos direitos individuais não tem lugar para certas virtudes que devem caracterizar uma comunidade política, nomeadamente um núcleo moral comum e uma ideia do que deve ser uma vida “boa”. Na verdade a sociedade capitalista descrita por Adam Smith e outros, de certo modo negligenciava essas virtudes, remetendo-as para a esfera privada. Fazia-o, não porque as considerasse desnecessárias, mas porque tinha como assumido e inabalável o acervo moral judaico-cristão. O indivíduo era “formatado” nesses valores e, mesmo que rejeitasse a crença religiosa, os valores estavam lá, já faziam parte dele.

O capitalismo respirou nesta e desta atmosfera moral que, contudo, se foi desgastando face à emergência de conceitos relativistas e niilistas, de certa forma gerados no e pelo próprio espírito do capitalismo.

O socialismo cativou tanta gente inteligente e bem intencionada, porque foi um esforço moderno para resistir à corrupção ética da própria modernidade. É, por isso, uma religião secular, conceito de resto assumido como necessário pelos próprios “saint-simonianos”.

Contém um núcleo religioso, um conjunto de princípios de “mal” e “bem”, no qual são endoutrinados os fiéis. A experiência israelita do kibbutz é, por isso, extraordinariamente similar à pequena comunidade religiosa, uma comunidade socialista que funciona, mas apenas na medida em que as pessoas aderem ao núcleo de valores, a comunidade se mantém suficientemente pequena para evitar a divisão do trabalho e as classes sociais que isso implicaria, e manifeste alguma indiferença para com os bens materiais não essenciais, sem a qual não existiria igualdade.
Os socialistas utópicos esperavam abolir a pobreza, mas visavam padrões modestos, típicos de uma comunidade Amish, por exemplo, porque a exaltação de apetites individuais que fossem para além disso, necessariamente criariam tensões no seio da comunidade, como de facto aconteceu nos kibbutz. A comunidade socialista deveria também produzir um tipo de indivíduo socialista, um homo novus que estivesse acima do materialismo e da vulgaridade dos apetites burgueses, típica do indivíduo capitalista.

Contudo o tipo de socialismo que varreu a história não foi este, mas sim o “socialismo científico” de Marx e seus discípulos, que alimentou a ambição, muito mais vasta, de transformar rapidamente toda a sociedade. O seu ímpeto moral era também decorrente da luta contra a modernidade mas acabou, nas suas várias vertentes (comunismo, social-democracia, etc.,) por fazer caminhos muito diferentes.

Todas as variantes do socialismo científico acreditavam em políticas manipuladoras e dirigistas que, pela acção governativa de uma elite iluminada, sobre as populações ignorantes ou alienadas, criariam a comunidade virtuosa.

Mas, ao contrário do seu antecessor utópico, o socialismo científico criticava o capitalismo por este ser incapaz de produzir a abundância que a tecnologia possibilitava e, em vez de uma igualdade assente na escassez, trombeteava a igualdade na abundância. Não é por isso de admirar que tenha atraído imediatamente todos aqueles que se sentiam frustrados por aquilo que o sistema capitalista lhes dava. As massas não queriam uma vida virtuosa e modesta, mas sim ter tudo aquilo a que se julgavam com direito.
O socialismo científico cristalizou em duas correntes que chegaram ao poder no séc. XX: uma que entendia que a comunidade socialista devia manter o sistema liberal de democracia parlamentar e outra que considerava isso indesejável.

O socialismo totalitário, falhou rotundamente. O planeamento centralizado foi incapaz de lidar com a complexidade da realidade moderna e da natureza humana. É certo que foram realizadas grandes obras e projectos, mas não há nisso nada que se possa creditar ao socialismo. A História está cheia de grandes realizações levadas a cabo por poderes autocráticos, desde as Pirâmides, à Grande Muralha da China. Naquilo que interessava ou seja, criar uma sociedade de abundância para todos, este socialismo falhou em toda a linha e revelou-se mais “utópico” do que o socialismo utópico propriamente dito.

A vertente social-democrata não leninista, não teve muito melhor sorte e onde aparentou algum êxito, foi sempre à custa da própria doutrina.

O caso sueco é paradigmático. Décadas de governação social-democrata, desembocaram num país próspero, com uma economia que, no início da década de 70, se dividia a meio entre capitalismo privado e capitalismo de estado. Mas a pressão ideológica socialista para nacionalizar ainda mais e fazer uma redistribuição mais igualitária dos rendimentos, conduziu ao abrandamento económico, inflação galopante, baixa de produtividade, quase bancarrota e ao descontentamento que acabou por determinar a derrota dos social-democratas e o regresso a um caminho mais próximo do capitalismo liberal.

Na Inglaterra, então designada pelo “doente da Europa”, aconteceu mais ou menos o mesmo, tendo finalmente emergido Margaret Tatcher que pôs fim à deriva socialista e salvou o país.
Hoje, face à crise e à retórica socializante que se ouve de novo, as sociedades precisam de se vacinar contra o regresso de um fantasma que morreu, mas ainda pensa estar vivo.

O ingrediente estritamente económico da vacina está mais do que identificado, e passa por um Estado-Previdência que evite a lei da selva e associe compulsividade e livre escolha, de resto perfeitamente compatível com o capitalismo liberal.

O ingrediente ético é um osso mais duro de roer. O declínio das crenças religiosas e dos valores tradicionais, é uma das mais sérias contradições, no sentido dialético, do capitalismo, uma vez que resulta da própria ideia liberal de que estas coisas são da esfera privada.

Mas é um osso que tem de ser roído pelo próprio sistema capitalista liberal, sob pena de a morte do socialismo redundar no aparecimento de fantasmas pseudo-socialistas que assentam os seus gritos lancinantes de além-túmulo no repúdio da liberdade individual em nome da “igualdade”.

E esse caminho já sabemos onde conduz.
in «Lidador»

06/05/2011

Portugal é um casino

«Ao longo deste último ano lutei todos os dias para que isto não acontecesse […] Tentei tudo.»

Estas palavras de José Sócrates, na comunicação ao país de 6 de Abril anunciando o pedido de ajuda ao Fundo Europeu, levantam um problema muito curioso.

São, sem dúvida, declarações espantosas. Qualquer observador imparcial surpreende-se por o Primeiro-Ministro, no cargo há seis anos, se poder considerar inocente do descalabro nacional, que tantos há tanto tempo viam como inevitável devido à estratégia seguida pelo Governo. Agora o principal responsável não só não assume culpas, mas diz-se um lutador
vencido. Ou é inconsciência absoluta ou rematada perversidade. Como explicar isto? Este é um dos problemas mais desafiantes da atualidade.

O professor Daniel Bessa encontrou uma peça central da resposta:
«Faz-me lembrar um jogador de casino, que acha que há ainda uma última hipótese de sair aquela sorte grande, que nunca tinha saído, e que o pode salvar.» (Rádio Renascença 26/Abril/2011).

Mas existe outro elemento essencial. Durante anos, Sócrates saiu das situações mais difíceis e delicadas graças à sua retórica imparável, argumentação brilhante, magistral prosápia. Ao fim de certo tempo, uma pessoa assim convence-se de que tudo é possível. Acaba confundindo a ficção com a realidade e acha-se capaz de tudo.

Temos na História múltiplos exemplos disto, de Hitler a Saddam, de Alves dos Reis a Madoff.

O mais espantoso neste caso é o número de pessoas que nesta fase ainda acredita nisto, incluindo um do mais antigos partidos portugueses.

João César das Neves

Sabes do Celso?

- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um doente internado. Queria saber se a pessoa está melhor ou se piorou...
- Qual é o nome do doente?
- Chama-se Celso e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a chamada para o sector de enfermagem...

- Bom dia, sou a enfermeira Lourdes... O que deseja?
- Gostaria de saber a condição clínica do doente Celso do quarto 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de plantão.

- Aqui é o Dr. Carlos. Em que posso ajudar?
- Olá, doutor. Precisava que alguém me informasse sobre a saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.


- Só um momento que eu vou consultar a ficha do doente... Hummm! Aqui está: alimentou-se bem hoje, a pressão arterial e o pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado da monitorização cardíaca amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará a alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?
- Não, sou o próprio Celso telefonando aqui do 302! É que toda a gente entra e sai deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma.
Eu só queria saber como estou....

05/05/2011

Cretino

Já lhe aconteceu, ao olhar para pessoas da sua idade, pensar: não posso estar assim tão velho/a?

Veja o que conta uma amiga:
- Estava sentada na sala de espera para a minha primeira consulta com um novo dentista, quando observei que o seu diploma estava exposto na parede.


Estava escrito o seu nome e, de repente, recordei-me de um moreno alto, que tinha esse mesmo nome.

Era da minha turma do Liceu, uns 30 anos atrás, e eu perguntei-me: poderia ser o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?

Quando entrei na sala de atendimento, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Este homem grisalho, quase calvo, gordo, com um rosto marcado, profundamente enrugado... era demasiadamente velho para ter sido a minha paixão secreta.

Depois de ele ter examinado o meu dente, perguntei-lhe se ele tinha estudado no Colégio Sacré-Coeur.
- Sim, respondeu-me.
- Quando se formou?, perguntei.
- 1965. Por que pergunta?, respondeu.
- É que... bem... o senhor era da minha turma!, exclamei eu.

E então, este velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, filho de uma pu*a, lazarento perguntou-me:

- A Sra. era professora de quê?

04/05/2011

A culpa está solteira

A culpa é de…A culpa do PEC 3 é do PEC 2. Que, por sua vez, tem culpa do PEC 1.
A culpa de não haver PEC 4 é do PSD e do CDS.
Chegados a este, a culpa é da situação internacional. E da Grécia e da Irlanda.

E antes destas culpas todas, a culpa continua a ser dos Governos PSD/CDS. Aliás, nos últimos 16 anos, a culpa é apenas dos 3 anos de governação não socialista.


A culpa é do Presidente da República. A culpa é da Chanceler. A culpa é de Trichet. A culpa é da Madeira. A culpa é do FMI. A culpa é do euro.

A culpa é dos mercados. Excepto do "mercado" Magalhães.
A culpa é do 'rating'. A culpa é dos especuladores que nos emprestam dinheiro.
A culpa até chegou a ser das receitas extraordinárias. À falta de outra culpa, a culpa é de os Orçamentos e PEC serem obrigatórios.
A culpa é da agricultura. A culpa é do nemátodo do pinho.

A culpa é dos professores. A culpa é dos pais. A culpa é dos exames.
A culpa é dos submarinos. A culpa é do TGV espanhol.
A culpa de haver portagens nas Scuts é do PSD que viabilizou o PEC 3.
A culpa é da conjuntura. A culpa é da estrutura.
A culpa é do computador que entupiu. A culpa é da 'pen'.

A culpa é do funcionário do Powerpoint.
A culpa é do Director-Geral. A culpa é da errata, porque nunca há errata na culpa.
A culpa é das estatísticas. Umas vezes, a culpa é do INE, outras do Eurostat, outras ainda do FMI.

A culpa é de uma qualquer independente universidade.

E, agora em versão pós Constâncio, a culpa também já é do Banco de Portugal.
A culpa é dos jornalistas que fazem perguntas. A culpa é dos deputados que questionam.
A culpa é das Comissões parlamentares que investigam. A culpa é dos que estudam os assuntos.

A culpa é do excesso de pensionistas.
A culpa é dos desempregados.
A culpa é dos doentes.
A culpa é dos contribuintes.
A culpa é dos pobres.
A culpa é das empresas, excepto as ungidas pelo regime.

A culpa é da meteorologia.
A culpa é do petróleo que sobe. A culpa é do petróleo que desce.


A culpa é da insensibilidade. Dos outros.
A culpa é da arrogância. Dos outros.
A culpa é da incompreensão. Dos outros.
A culpa é da vertigem do poder. Dos outros.
A culpa é da demagogia. Dos outros.
A culpa é do pessimismo. Dos outros.
A culpa é do passado. A culpa é do futuro.

A culpa é da verdade. A culpa é da realidade. A culpa é das notícias.
A culpa é da esquerda. A culpa é da direita.


A culpa é da rua. A culpa é do complexo de culpa. A culpa é da ética.
Há sempre "novas oportunidades" para as culpas (dos outros).

Imagine-se, até que, há tempos, o atraso para assistir a uma ópera, foi culpa do PM de Cabo-Verde.
No fim, a culpa é dos eleitores, que não deram a maioria absoluta ao imaculado.
A culpa é da democracia. A culpa é de Portugal. De todos. Só ele (e seus pajens) não têm culpa.

Povo ingrato! Basta!

03/05/2011

A vida da Marcelina

Marcelina era uma daquelas mulheres feias, feia com força.Tão desengonçada que nunca tinha conseguido arranjar um namorado!
Decidiu, e foi consultar uma vidente....

- Minha filha - disse a vidente - nesta vida você não vai ser muito feliz no amor... mas na próxima encarnação, você será uma mulher muito cobiçada e todos os homens se arrastarão aos seus pés.


Marcelina saiu de lá muito feliz e, ao passar por um viaduto, pensou:
 - "Quanto mais cedo eu morrer, mais cedo começará a minha outra vida!"


E decidiu atirar-se lá de cima do viaduto.
Mas, por uma incrível coincidência, a Marcelina não morreu!
Marcelina caiu de costas em cima de um camião carregado de bananas, perdendo os sentidos.
Assim que se recuperou, ainda atordoada e sem ver nem saber onde estava, começou a apalpar à sua volta e, sentindo as bananas, murmurou, com um sorriso nos lábios:
- Senhores, por favor......! Um de cada vez...!!!

 

02/05/2011

O diabo foi morto

03:52 h - Osama bin Laden is dead, CNN reports, citing sources. Statement from U.S. President Barack Obama to come.

Excelentes notícias chegaram de Washington, EUA, durante esta noite, dando conta de que um grupo de agentes especiais das Forças Armadas norte-americanas e da CIA descobriram o covil de Osama Bin Laden e liquidaram-no, ontem, 1 de maio.
Fabulosa de comemoração do Dia do Trabalhador, com um excelente trabalho!

Na verdade, trata-se da segunda morte da "cobra":
Desde do princípio de janeiro de 2011, a chamada Primavera Árabe, iniciada na Tunísia, vem abalando e derrubando sucessivas ditaduras do norte de África e Médio Oriente. E se é certo que ainda não se sabe para que lado tombam as revoluções há, pelo menos a evidência de um forte desejo de democracia.

Essa foi, portanto, a primeira morte de Bin Laden, não há sinais de adesão à sua lógica bombista. Pelo contrário!

A segunda morte ocorreu em Abbottabad, Paquistão e em local [x] que lança uma forte suspeita de conivência dos serviços secretos desse país. Sem dúvida, uma matéria a seguir e que não deixará de ter uma forte resposta norte-americana.


Cai ou não cai ?

01/05/2011

Primeiro de maio

Ao que dizem, o primeiro de maio é uma dia de quebrar amarras e alcançar a libertação.


30/04/2011

As mulheres ao poder


Muito bem... - gritou São Pedro - vamos organizar duas filas:
1) homens que sempre dominaram as mulheres, façam fila do lado esquerdo.
2) homens que sempre foram dominados pelas suas mulheres façam fila à direita.
Depois de muita confusão, os homens estão em fila.
A fila dos dominados por suas mulheres tem mais de 100 km.
A fila dos que dominavam mulheres tinha só um fulano.

São Pedro fala em alta voz:
- Vocês deveriam ter vergonha! Deus criou vocês à Sua imagem e semelhança e vocês deixaram-se dominar pelas vossas mulheres. Apenas um de vocês honrou o nome e deixou Deus orgulhoso da Sua criação. Aprendam com ele!
Virando-se para o homem solitário, São Pedro diz:
- Conte-nos como você fez para ser o único nesta fila?
 


E o homem timidamente respondeu:
- Eu não sei, foi minha mulher que me mandou ficar aqui...

29/04/2011

10 homens e 1 mulher

Onze pessoas estavam penduradas numa corda num helicóptero. Eram dez homens e uma mulher.

Como a corda não era forte o suficiente para segurar todos, decidiram que um deles teria que se soltar da corda.

Eles não conseguiram decidir quem, até que, finalmente, a mulher disse que se soltaria da corda, pois as mulheres estão acostumadas a largar tudo pelos seus filhos e marido, dando tudo aos homens e recebendo nada de volta e que os homens, como a criação primeira de Deus, mereceriam sobreviver, pois eram também mais fortes, mais sábios e capazes de grandes façanhas...

Quando ela terminou de falar, todos os homens começaram a bater palmas...

Conclusão: Nunca subestimar o poder e a inteligência de uma mulher.....

28/04/2011

Carta a Deus!

Um rapazito de 8 anos queria 100 euros e, para os obter, rezou durante  duas semanas a Deus.

Como nada acontecia, resolveu mandar uma carta ao Todo Poderoso com o  pedido.
Os CTT receberam uma carta dirigida a "Deus - Portugal", e decidiram  enviá-la para o Primeiro-Ministro.

José Sócrates ficou muito "comovido" com o pedido e resolveu mandar uma nota de 10 euros ao rapazito, pois achou que 100 euros, era muito dinheiro  para uma criança daquela idade...

O rapazito recebeu os 10 euros e, imediatamente, escreveu uma carta a  agradecer:
"Querido Deus: Muito obrigado por me mandar o dinheiro que Lhe pedi. No entanto, reparei que mo mandou através do Primeiro-Ministro José Sócrates, e como sempre, o filho da p*** ficou com 90% do que era meu!!!"

27/04/2011

Razão para aprender inglês técnico

A prova consta de três módulos...
1.MÓDULO BÁSICO(Basic)
Três bruxas olham três relógios Swatch. Qual bruxa olha qual relógio?

Em inglês:
Three witches watch three Swatch watches. Which witch watch which Swatch watch?

2. MÓDULO AVANÇADO (Advanced)
Três bruxas "travestis" olham os botões de três relógios Swatch. Qual bruxa travesti olha os botões de qual relógio Swatch?

Em inglês:
Three switched witches watch three Swatch watch switches. Which switched witch watch which Swatch watch switch?

3. E ESTE É PARA PHD:
Três bruxas suecas transexuais olham os botões de três relógios Swatch suíços. Qual bruxa sueca transexual olha qual botão de qual relógio Swatch suíço?

Em inglês:
Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch switch?

26/04/2011

Desmascarar os farsantes

A gravidade da situação económica portuguesa, lamentavelmente, ainda mal percepcionada por muitos portugueses, impõe que chamemos a atenção para o desastre, a catástrofe,  a ruína, em que o país está metido.

Lamentavelmente, há muitos portugueses que ainda estão convencidos de que os problemas resultam da crise internacional e que o governo PS tudo tem feito para defender Portugal da "cobiça" dos mercados. Esses mesmos portugueses estão convencidos que é o PS quem melhor pode tirar o país do sarilho em que o meteram.

Nada mais errado! Como demonstra o Professor Álvaro Santos Pereira, Portugal foi metido num enorme sarilho pelos sucessivos governos PS desde 1995.

E não colhe o argumento de que o PSD (ou Cavaco Silva) também são responsavéis pela situação. Cavaco deixou a governação em 1995 e o PSD esteve cerca de dois anos (Durão Barroso e Santana Lopes), entre 2002 e 2005.

Seria uma grande inconsciência partir do princípio que, em função do pacote FMI, qualquer governo de outro partido fará o mesmo que o PS. Essa é a mentira que Sócrates propagandeia. Essa é a mentira que serve Sócrates e a sua sobrevivência.

Se isso tivesse que ser assim, então Portugal "fecharia portas" e abria bancarrota total.

E também não serve a ir pela abstenção sob o pretexto de que "os partidos são todos iguais".
Não são todos iguais. Os portugueses terão que admitir que se deixaram enganar pelo PS.

Os portugueses terão de ser exigentes com qualquer governo que substitua o do PS nas eleições de 5 de junho. Terão que impedir que se repitam os desmandos socretinos. É preciso retomar a ética e a seriedade na política.

Porque é preciso salvar Portugal! É preciso retirar o PS do poder! É preciso afastar Sócrates do governo! É preciso mudar Portugal!

Os verdadeiros factos da campanha
Álvaro Santos Pereira
Professor de Economia na Universidade Simon Fraser do Canadá
14.02.2011

Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituída por um rol de "factos" que só servem para distrair os portugueses daquilo que realmente é essencial.

E o que é essencial são os factos.
E os factos são indesmentíveis.
Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governo lega.
E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes: 

01) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos.

02) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB. 

03) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional). 

04) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das parcerias público-privadas (PPP) (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.
05) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.

06) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses.

07) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.

08) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações

09) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis.

10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 230% do PIB.

11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB.

12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível.

13) As dívidas das empresas são equivalentes a 150% do PIB.

14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado.

15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos.

16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE.

17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos.

18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB.

19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 630 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa.

20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia).

21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB.

22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missão, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda, 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Intermunicipais.

22) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade.

Isto não é política.
São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação?

O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar?
O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país?
Quem conduziu o país quase à insolvência?
Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país?
Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa?
Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos?

As respostas a estas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser.
Só não vê quem não quer mesmo ver.

A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis.
Factos irrefutáveis.
Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual.
Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral.
As distrações dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.

25/04/2011

25 de Abril sempre !!!


Hoje passam 37 anos sobre o 25 de Abril de 1974, quando uma ação das forças armadas portuguesas derrubou o regime anacrónico e obsoleto da ditadura.

Na verdade, Portugal, desde o séc. XX, tem estado sujeito a dois lemas:

No Estado Novo (1926-1974), o lema era : "Deus, Pátria e Família!"

Na Democracia de Abril, por espantoso que possa parecer, o lema tem sido praticamente igual, com um simples aumento ... de uma letra. O lema socretino é agora: "Adeus, Pátria e Família!".


Passada a euforia e os tempos de loucura, eis um retrato realista das "conquistas de Abril" e um registo dos seus intervenientes para a História.


"Aqui comando do Movimento das Forças Armadas:"

24/04/2011

Propaganda sem vergonha

A impressionante e desavergonhada máquina tipo Goebbels
Medina Carreira

Bom, dado o que está em causa é tão só o futuro dos nossos filhos e a própria sobrevivência da democracia em Portugal, não me parece exagerado perder algum tempo a desmontar a máquina de propaganda dos bandidos que se apoderaram do nosso país. Já sei que alguns de vós estão fartos de ouvir falar disto e não querem saber, que sou deprimente, etc., mas é importante perceberem que o que nos vai acontecer é, sobretudo, nossa responsabilidade porque não quisemos saber durante demasiado tempo e agora estamos com um pé dentro do abismo e já não há possibilidade de escapar.

Estou convencido que aquilo a que assistimos nos últimos dias é uma verdadeira operação militar e um crime contra a pátria (mais um). Como sabem há muito que ando nos mercados (quantos dos analistas que dizem disparates nas TVs alguma vez estiveram nos ditos mercados?) e acompanho com especial preocupação (o meu Pai diria obsessão) a situação portuguesa há vários anos.

Algumas verdades inconvenientes não batem certo com a "narrativa" socialista há muito preparada e agora posta em marcha pela comunicação social como uma verdadeira operação de PsyOps, montada pelo círculo íntimo do bandido e executada pelos jornalistas e comentadores "amigos" e dependentes das prebendas do poder (quase todos infelizmente, dado o estado do "jornalismo" que temos).

Ora acredito que o plano de operações desta gente não deve andar muito longe disto:

Narrativa: Se Portugal aprovasse o PEC IV não haveria nenhum resgate.
Verdade: Portugal já está ligado à máquina há mais de 1 ano (O BCE todos os dias salva a banca nacional de ter que fechar as portas dando-lhe liquidez e compra obrigações Portuguesas que mais ninguém quer - senão já teríamos taxas de juro nos 20% ou mais). Ora esta situação não se podia continuar a arrastar, como é óbvio. Portugal tem que fazer o rollover de muitos milhares de milhões em dívida já daqui a umas semanas só para poder pagar salários! Sócrates sabe perfeitamente que isso é impossível e que estávamos no fim da corda.  O resto é calculismo político e teatro. Como sempre fez.

Narrativa: Sócrates estava a defender Portugal e com ele não entrava cá o FMI.
Verdade: Portugal é que tem de se defender deste criminoso louco que levou o país para a ruína (há muito antecipada como todos sabem). A diabolização do FMI é mais uma tática do spin doctors de Sócrates. O FMI fará sempre parte de qualquer resgate, seja o do mecanismo do EFSF (que é o que está em vigor e foi usado pela Irlanda e pela Grécia), seja o do ESM (que está ainda em discussão entre os 27 e não se sabe quando, nem se, nem como irá ser aprovado).

Narrativa: Estava tudo a correr tão bem e Portugal estava fora de perigo mas vieram estes "irresponsáveis" estragar tudo.
Verdade: Perguntem aos contabilistas do BCE e da Comissão que cá estiveram a ver as contas quanto é que é o real buraco nas contas do Estado e vão cair para o lado (a seu tempo isto tudo se saberá).
Alguém sinceramente fica surpreendido por descobrir que as finanças públicas estão todas marteladas e que os papéis que os socráticos enviam para Bruxelas para mostrar que são bons alunos não têm credibilidade nenhuma? E acham que lá em Bruxelas são todos parvos e não começam a desconfiar de tanto oásis em Portugal? Recordo que uma das razões pela qual a Grécia não contou com muita solidariedade alemã foi por ter martelado as contas sistematicamente, minando toda a confiança. Acham que a Goldman Sachs só fez swaps contabilísticos com Atenas? E todos sabemos que o Eng.º relativo é um tipo rigoroso, estudioso e duma ética e honestidade à prova de bala, certo?

Narrativa: Os mercados castigaram Portugal devido à crise política desencadeada pela oposição. Agora, com muita pena do incansável patriota Sócrates, vem aí o resgate que seria desnecessário.
Verdade: É óbvio que os mercados não gostaram de ver o PEC chumbado (e que não tinha que ser votado, muito menos agora, mas isso leva-nos a outro ponto), mas o que eles querem saber é se a oposição vai ou não cumprir as metas acordadas à socapa por Sócrates em Bruxelas (deliberadamente feito como se fosse uma operação secreta porque esse aspecto era peça essencial da sua encenação). E já todos cá dentro e lá fora sabem que o PSD e CDS vão viabilizar as medidas de austeridade e muito mais.

É impressionante como a máquina do governo conseguiu passar a mensagem lá para fora que a oposição não aceitava mais austeridade. Essa desinformação deliberada é que prejudica o país lá fora porque cria inquietação artificial sobre as metas da austeridade. Mesmo assim os mercados não tiveram nenhuma reacção intempestiva porque o que os preocupa é apenas as metas. Mais nada. O resto é folclore para consumo interno. E, tal como a queda do governo e o resgate iminente não foram surpresa para mim, também não o foram para os mercados, que já contavam com isto há muito (basta ver um gráfico dos CDS sobre Portugal nos últimos 2 anos, e especialmente nos últimos meses).

Porque é que os media não dizem que a bolsa lisboeta subiu mais de 1% no dia a seguir à queda? Simples, porque não convém para a narrativa que querem vender ao nosso povo facilmente manipulável (julgam eles depois de 6 anos a fazê-lo impunemente).

Bom, há sempre mais pontos da narrativa para desmascarar mas não sei se isto é útil para alguém ou se é já óbvio para todos. E como é 6ª feira e estou a ficar irritado só a escrever sobre este assunto termino por aqui. Se quiserem que eu vá escrevendo mais digam, porque isto dá muito trabalho.

Henrique Medina Carreira


23/04/2011

Empresários de sucesso para o governo

Há boatos cíclicos, dizendo que governantes contratarão empresários de sucesso para reformar o governo. Raramente eles se materializam, e mesmo quando isso acontece, mais raramente ainda dão certo.

A regra básica do sucesso empresarial é triunfar no mercado, enfrentando concorrência, tomando decisões estratégicas recebidas de clientes que consomem, ou não, os produtos e serviços de empresas. As mensagens são rápidas e eficientes. Alguns mercados são mais estáveis: tijolos e materiais básicos de construção, por exemplo; outros, menos. Às vezes, o segredo está na compra, como é o caso do mercado da moda: empresários e empresárias compram - ou mandam produzir- o que acham que será vendido. Esse é um dos maiores e mais dinâmicos mercados do Brasil, com trocas de coleções e uma incessante busca de novidades rentáveis. Errar na mira e comprar produtos que encalham é um risco altíssimo.

Em outros, o segredo está na venda e na performance como, por exemplo, no futebol e no humor. Os deputados Romário e Tiririca sabem disso. No futebol, o mercado testa o produto (jogador) a cada partida e no humor a cada show. Se caem as vendas, as audiências, ou se as torcidas começam a reclamar, adeus craque e adeus palhaço.

No governo, nada disso acontece. Para começar, há uma dissonância: quem manda, de direito, tem contratos de 2 ou 4 anos (a duração dos mandatos). Quem executa é estável por uma carreira inteira e não pode ser mandado embora. Além do mais, a clientela só pode votar nos políticos a cada 2 ou 4 anos. Nos burocratas, não vota nunca. Por isso, a figura do empresário-ministro, com frequência não dá certo. O governo não é um mercado. Tem algumas regras de mercado altamente regulado, que são exercidas a intervalos mais longos - as eleições - mas que não atingem os executores das decisões, que são concursados para a vida inteira. Nenhum mercado tem capacidade de puni-los.

Delfim Neto, o todo-poderoso ministro da fazenda nos governos militares, contou-me uma vez que, quando chegou ao Ministério, ninguém obedecia às suas ordens. Só o faziam quando ele dava as ordens erradas e, nas palavras de Delfim, "aí eles cumpriam com todo o afinco e dedicação e morriam de rir de mim quando dava errado. Demorei cerca de seis meses para conseguir controlar a máquina do Ministério", isso dentro de um regime autoritário. Os burocratas sabem quando vai dar errado, os ministros que vêm de empresas não sabem. As regras no imperfeito mercado de decisões governamentais são completamente diferentes daquelas das empresas, dada a ausência das mensagens instantâneas e inequívocas dos mercados de bens e serviços privados.

No governo, nada disso acontece porque os consumidores não têm escolha de que produtos governamentais consumirão. São forçados a consumir os que são oferecidos em sistema de monopólio, ou simplesmente ficam sem o serviço. Se estiverem insatisfeitos, fora reclamar com o bispo (e não se fazem mais bispos como antigamente), só resta a oportunidade de não reeleger um político na eleição seguinte, fato que terá impacto próximo de zero sobre os prestadores de serviços. Quando, por exemplo, a telefonia era estatal no Brasil, uma linha telefônica podia custar uma fortuna e/ou demorar de 10 a 20 anos para ser entregue.
Meu primeiro ato de cidadania formal foi praticado aos dezasseis anos de idade: pedi autorização a meu pai para tirar uma carteira de identidade (já houve isso para menores de 18 anos). No dia em que fui buscá-la, no Rio de Janeiro, minha primeira parada saindo da repartição em que tinha pegado a carteira foi na Companhia Telefônica Brasileira, que era estatal, para entrar na fila do telefone.

Fiz isso em dezembro de 1958. Terminei o segundo ciclo, perdi um ano fazendo serviço militar obrigatório, entrei para a faculdade, formei-me, virei bacharel, trabalhei um ano e ganhei uma bolsa de estudos. Mais de dez anos depois, quando estava estudando em Chicago, meus pais tiveram a grata surpresa de receber uma carta avisando que iriam instalar o meu telefone, coisa que ninguém recusava. Uma linha telefônica era um bem que podia ser usado, alugado, vendido ou legado em herança. Tinha gente que vivia de alugar telefones. Havia até uma "bolsa" de linhas telefônicas.

Os cidadãos não tinham nenhuma capacidade de mandar aos governantes uma mensagem eficaz dizendo que queriam telefones. Assim, os consumidores que se danassem. Bastou privatizar a telefonia e no Brasil passou a haver sobra de telefones. Qualquer um pode ter mais de um se quiser. E mais, se não estiver satisfeito com uma prestadora de serviços, pode ir para outra e ainda levar o número. Mesmo este sendo um mercado muito limitado, regulado por uma agência governamental que limita a concorrência, a toda hora as pessoas mudam, sobretudo no caso dos celulares.

Mas não existe NENHUMA área de serviços prestados pelo governo que dê escolhas aos consumidores para que eles possam mandar mensagens mais eficazes aos prestadores de serviços para que estes mudem seus comportamentos ou melhorem os serviços que prestam. Nas áreas de serviços prestados por "concessionárias", há sempre as agências reguladoras, que funcionam como uma espécie de para-choques. Elas impedem que o impacto dos desejos do mercado tenha capacidade de causar sérios e rápidos danos no bolso dos prestadores de serviços.

É por essas e outras que empresários bem sucedidos não dão certo no governo: eles não dispõem de um mecanismo eficaz para receber comunicações do mercado. Mesmo quando "percebem", de alguma maneira, que algo não está funcionando bem, sua capacidade de dar uma ordem à burocracia estatal e fazer com que ela seja cumprida é próxima do zero. Por isso, vamos parar de acreditar que empresários darão jeito nos governos - quaisquer governos - e deixemo-los seguir sendo empresários pois, como tais, poderão nos prestar serviços mais úteis, melhores e mais baratos.

A verdadeira batalha é para diminuir o governo, privatizando serviços sem monopólios ou oligopólios regulados. Só assim cidadãos poderão ter melhores serviços, sem esbarrar na indiferença de burocratas profissionais e na impotência de autoridades competentes no setor privado mas burocraticamente impedidas de fazer cumprir o que, de alguma forma, sabem que o mercado quer.

Alexandre Barros, cientista político (PhD, University of Chicago) e diretor-gerente da Early Warning: Políticas Públicas e Risco Político (Brasília - DF), colaborador regular d'«O Estado de São Paulo». Pode ser contactado em alex@eaw.com.br.

22/04/2011

Kanimambo

Faleceu um grande amigo de Moçambique, cantor que espalhou o seu nome por todo o mundo: João Maria Tudela.
(Ouvir aqui, via Macua)

Obrigado, Kanimambo, João.

O país de tanga

Ver José Sócrates permitir-se acusar o PSD de "ânsia de poder" fez-me atirar o telecomando ao LCD. Aliás, o primeiro-ministro demissionário já me 'deve' vários eletrodomésticos em casa.

Este é o mesmo indivíduo que, dois dias antes de anunciar a vinda do FMI, dizia a um jornalista, em horário nobre, que só a pergunta sobre um hipotético pedido de ajuda externa o "ofendia". Este é o mesmo cavalheiro que baixou o IVA em 1%, prometeu um salário mínimo de 500 euros e a criação de pelo menos 100.000 empregos em ano de eleições.

Este é o sujeito da licenciatura ao domingo, o tipo que abandona o Parlamento quando vão falar os outros, o homem que nego­ceia um PEC com o estrangeiro sem dar Cavaco, o amigo de Khadafi e Chávez e Vara, apanhado ao telefone em conversas manhosas sobre personalidades e órgãos de media inquietantes para as suas pretensões.

Este é o mesmo protagonista de manchetes escabrosas, nunca inteiramente esclarecidas e aviadas sob o epíteto de "campanha negra". Este é o tiranete que processa jornalistas, o homem que - ao do ministro das finanças que agora humilha - anunciou o "fim da crise" apenas semanas antes da recessão bater.

Num tempo ou num local onde vigorassem os serviços mínimos de um código de honra, Sócrates seria o exemplo daquilo que um verdadeiro homem jamais poderá ser. A estes, os de carácter, exige-se por exemplo a capacidade da vergonha. E a incapacidade de jurar que é da oposição a culpa de estarmos entregues ao FMI por terem recusado subscrever o PEC4 quando na verdade o país precisa de 80 mil milhões de euros (quantos zeros são?) - e esse já enésimo pacote de austeridade nem a uns míseros 5 % desse valor chegaria.

Saber - após tudo isto, e foi um mero resumo - que este José continua a fazer parte da equação, que as sondagens nem sequer o tiram da corrida, que vai de uma forma ou doutra sentar-se à mesa e assim lá teremos, perdoe-se a expressão, de continuar a levar com ele ... é mais ou menos como se um marido traísse a mulher com uma prostituta e a esposa, na tentativa de salvar o matrimónio, ainda tivesse de suportar - em plena consulta de terapia conjugal - com a presença da meretriz.

Dupla desgraça: o país de tanga, e o rei vai nu.

Luís Filipe Borges
in «Tabu», Sol, 21.04.2011


20/04/2011

O homem e a avestruz

Um homem entra num restaurante com um avestruz atrás dele....

A empregada pergunta o que querem.

O homem responde: - Um hambúrguer, batatas fritas e uma Coca.
E vira-se para a avestruz.
- E você, o que é que quer?
- Eu quero o mesmo, responde a avestruz.

Um tempo depois a empregada entrega o pedido e a conta no valor de  22 euros.
O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta.

No dia seguinte o homem e a avestruz voltam, e o homem pede:
- Um hambúrguer, batatas fritas e uma Coca.
E vira-se para a avestruz:
- E você, o que é que quer?
- Eu quero o mesmo, responde a avestruz.

De novo o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exacto para pagar a conta.

Isto torna-se uma rotina, até que um dia a garçonette pergunta:
- Vão querer o mesmo de sempre?

-Não, hoje é sexta e eu quero um bife do lombo com salada, diz o homem.
- Eu quero o mesmo, diz a avestruz.

Após trazer o pedido, a empregada entrega a conta e diz: - Hoje são 48 euros.

O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta, colocando em cima da mesa.

A empregada não controla a sua curiosidade e pergunta:
- Desculpe, senhor, mas como é que faz para ter sempre o valor exato a ser pago?

E o homem responde:
- Há alguns anos achei uma lâmpada velha e, enquanto a esfregava para limpar, apareceu um génio que me ofereceu 2 desejos. O meu 1º desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse.

- Que ideia brilhante! disse a empregada. - A maioria das pessoas desejam ter um grande valor em mãos, ou algo assim, mas o senhor será sempre rico enquanto viver!

- É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou um Mercedes, sempre tenho o valor necessário no bolso.

E a empregada perguntou:
- Agora, o senhor pode explicar-me a avestruz...?

O homem fez uma pausa, suspirou e respondeu:
- O meu 2º desejo foi ter como companhia alguém com um rabo grande, sem celulite, que rebolasse bem o andar, pernas altas, e que concordasse comigo em tudo...

19/04/2011

As línguas ibéricas



18/04/2011

Novas tecnologias blutufe

Haroldo tirou o papel do bolso, conferiu a anotação e perguntou à balconista:

- Bom dia menina, vocês têm pendrive?
- Temos, sim.
- E o que é pendrive? Pode esclarecer-me? O meu filho pediu para comprar uma.
- Bem, pendrive é um aparelho em que o senhor salva tudo o que tem no computador.
- Ah, como uma disquete...
- Não. Na pendrive o senhor pode salvar textos, imagens e filmes. A disquete, que já nem existe, só salva texto.
- Ah, está bem. Então, quero.
- Quantos gigas?
- Como?
- Com quantos gigas quer o seu pendrive?
- O que é giga?
- É o tamanho da pen.
- Ah, está bem. Eu queria um pequeno, que dê para levar no bolso sem fazer muito volume.
- Todos são pequenos, senhor. O tamanho, aí, é a quantidade de coisas que ele pode arquivar.
- Ah, e quantos tamanhos têm?
- Dois, quatro, oito, dezesseis gigas...
- Hmmmm, o meu filho não me falou em quantos gigas queria.
- Neste caso, o melhor é levar o maior.
- Sim, acho que sim. Quanto custa?
- Bem, o preço varia conforme o tamanho. A sua entrada é USB?
- Como?
- É que para ligar a pen no computador, terá que ter uma entrada compatível.
- USB não é a potência do ar condicionado?
- Não, aquilo é BTU.
- Ah! É isso. Confundi as iniciais. Bom, sei lá se a minha entrada é USB.
- USB é assim: com dentinhos que se encaixam nos buraquinhos do computador. O outro tipo é este, o P2, mais tradicional, o senhor só tem que enfiar o pino no buraco redondo. O seu computador é novo ou velho? Se for novo é USB, se for velho é P2.
- Acho que o meu tem uns dois anos. O anterior ainda era com disquete. Lembra-se da disquete?  Quadradinho, preto, fácil de carregar, quase não tinha peso. O meu primeiro computador funcionava com aqueles disquetes do tipo bolacha, grandes e quadradas. Era bem mais simples, não acha?
- Os de hoje já nem têm entrada para disquete. Ou é CD ou pendrive.
- Que coisa! Bem, não sei o que fazer. Acho melhor perguntar ao meu filho.
- Que tal o senhor ligar-lhe?
- Bem que eu gostaria, mas meu telemóvel é novo e tem tanta coisa nele que ainda não aprendi a usá-lo.

- Deixe-me ver. Caramba, um Smarthphone! Este é mesmo bom ! Tem bluetooth, woofle, brufle, trifle, banda larga, teclado touchpad, câmera fotográfica, flash, filma, rádio AM/FM, TV digital, pode mandar e receber e-mail, torpedo direcional, micro-ondas e conexão wireless....
- Blu... Blu... Blutufe? E microondas? Dá para cozinhar com ele?

- Não senhor. Assim o senhor me faz rir. É que ele funciona no sub-padrão, por isso é muito mais rápido.
- E para que serve esse tal blutufe?

- É para um telemóvel comunicar com outro, sem fios.
- Que maravilha! Essa é uma grande novidade! Mas os telemóveis não se comunicam já com os outros sem usar fio? Nunca precisei fio para ligar para outro telemóvel. Fio em telemóvel, que eu saiba, é apenas para carregar a bateria...
- Não, já vi que o senhor não entende mesmo nada. Com o bluetooth o senhor passa os dados do seu telemóvel para outro, sem usar fio. Lista de telefones, por exemplo.
- Ah, e antes precisava fio?
- Não, tinha que trocar o chip.
- Hein? Ah, sim, o chip. E hoje não precisa de chip...
- Precisa, sim, mas o bluetooth é muito melhor.
- Ótimo, esse negócio do chip. O meu telemóvel terá chip?
- Um momentinho... Deixe-me ver... Sim, tem chip.
- E o que faço com o chip?
- Se o senhor quiser trocar de operadora, portabilidade, o senhor sabe.
- Sei, sim, portabilidade, não é? Claro que sei. Não ia saber uma coisa dessas, tão simples? Imagino, então que para ligar tudo isso, no meu telemóvel, depois de fazer um curso de dois meses, eu só preciso clicar nuns duzentos botões...
- Nããão! É tudo muito simples, o senhor apreende logo. Quer ligar para o seu filho? Anote aqui o número dele. Isso. Agora é só teclar, um momentinho, e apertar no botão verde... pronto, está a chamar.


Haroldo segura o telemóvel com a ponta dos dedos, temendo ser levado pelos ares,
para um outro planeta:

- Olá filho, é o pai. Sim. Diz-me, filho, o seu pendrive é de quantos... Como é mesmo o nome? Ah, obrigado, quantos gigas? Quatro gigas está bom? Ótimo. E tem outra coisa, o que era ...? A nossa conexão é USB? É? Que loucura.
- Então está, filho, estou a comprar o teu pendrive. À noite eu levo para casa.
- Que idade tem seu filho?
- Vai fazer dez em março.
- Que engraçado...
- É isso menina, vou levar um de quatro gigas, com conexão USB.
- Certo, senhor. Quer para presente?


Mais tarde, no escritório, examinou o pendrive, um minúsculo objeto, menor do que um isqueiro, capaz de gravar filmes! Onde iremos parar? Olha, com receio, pôe o telemóvel sobre a mesa. "Máquina infernal", pensa. Tudo o que ele quer é um telefone, para ligar e receber chamadas. E tem, nas mãos, um equipamento sofisticado, tão complexo que ninguém que não seja especialista ou tenha a infelicidade de ter mais de quarenta, saberá compreender.
Em casa, ele entrega o pendrive ao filho e pede para ver como funciona. O garoto insere o aparelho e na ecrã abre-se uma janela. Em seguida, com o mouse, abre uma página da internet, em inglês. Seleciona umas palavras e um 'havy metal' infernal invade o quarto e os ouvidos de Haroldo. Um outro clique e, quando a música termina, o garoto diz:
- Pronto, pai, descarreguei a música. Agora eu levo o pendrive para qualquer lugar e onde tiver uma entrada USB posso ouvir a música. No meu telemóvel, por exemplo.
- O teu telemóvel tem entrada USB?
- É lógico. O teu também tem.
- É? Quer dizer que eu posso gravar músicas num pendrive e ouvir pelo telemóvel?
- Se o senhor não quiser baixar direto da internet...
Naquela noite, antes de dormir, deu um beijo em Clarinha e disse:
- Sabe que eu tenho blutufe?
- Como é que é?
- Bluetufe. Não me vais dizer que não sabes o que é?
- Não sejas chato, Haroldo, deixa-me dormir.
- Meu bem, lembra-te como era boa a vida, quando telefone era telefone, gravador era gravador, giradiscos tocava discos e a gente só tinha que apertar um botão, para as coisas funcionarem?
- Claro que lembro, Haroldo. Hoje é bem melhor, né?
- Várias coisas numa só, até bluetufe temos. E conexão USB também.
- Que bom, Haroldo, os meus parabéns.
- Clarinha, com tanta tecnologia a gente envelhece cada vez mais rápido. Fico doente de pensar em quanta coisa existe, por aí, que nunca vou usar.
- Ué? Por quê?
- Porque eu tinha aprendido a usar computador e telemóvel e tudo o que sei já está superado.
- Por falar nisso temos que trocar nossa televisão.
- Como? A nossa estragou-se?
- Não. Mas a nossa não tem HD, tecla SAP, slowmotion e reset.
- Tudo isso?
- Tudo.
- A nova vai ter blutufe?
- Boa noite, Haroldo, dorme que eu não aguento mais.

17/04/2011

Quero ir para Portugal...

Uma comitiva do Parlamento Europeu, a convite de Sócrates e da sua Ministra Isabelinha, visitam uma escola-modelo no país maravilha.

Numa sala da primária cheia de jornalistas a ensaiada professora com ambição a uma futura boa colocação, pergunta aos alunos:
- Onde existe a melhor escola?
- Em Portugal. - Respondem todos.
- Onde existe o Magalhães, o melhor portátil do mundo?
- Em Portugal. - Respondem.
- E onde há os melhores recreios da Europa?
- Em Portugal. - Respondem mais uma vez.
- E onde existem as melhores cantinas, que servem os melhores almoços, com boas sobremesas?
- Nas escolas de Portugal!


A professora ainda insaciada, continua:
- Onde é que vivem as crianças mais felizes do mundo?
- Em Portugal! - Respondem os alunos com a lição bem estudada.


Os tradutores lá iam informando a comitiva estrangeira, que abanava a cabeça, desconfiada.

Nisto uma garota no fundo da sala começa a chorar baixinho.
Com as televisões em direto, Sócrates, para impressionar convidados e jornalistas, pondo-se a jeito para as câmaras, resolve acudir à menina perguntando-lhe:
- Que tens minha Menina?


Responde a menina, soluçando:
- QUERO IR PARA PORTUGAL!!!!!