09/12/2010

Leonor

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.


Luís Vaz de Camões

Trampa socretina

Finalmente explicada a política socretina de «substituição de importações»:

08/12/2010

Visões celestes

07/12/2010

Socialista utópico

«Senhor Primeiro Ministro,
Engenheiro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa

Excelência.

Tem Vossa Excelência apenas mais um ano de idade do que eu. Permita-me no entanto que lhe diga que não tem a minha idade, no sentido de que não somos da mesma geração e não é pela diferença de calendário.

Em 1974 aderi ao Partido Socialista, fui secretário da Juventude Socialista do Estoril e nesta qualidade passei as estopinhas para que ideias, políticas sociais, fossem implementadas pelo Partido Socialista.

Quando Francisco Pinto Balsemão desistiu do "Jornal de Cascais" eu fundei um outro jornal, em Cascais, chamado "Boca do Inferno". Aldo Moro tinha sido assassinado. Lembro-me de ter escrito sobre isso, de atribuir a culpa ao PCI. O jornal era um manifesto anti-comunista.

Custou-me dezasseis contos o primeiro número de só dois (fiquei teso e o Senhor meu Pai não era o Pai Natal mas quase). Já lá vão 34 anos mas sou o mesmo. Contei com o nobre apoio de António Guterres (UM SENHOR!) - Vossa Excelência já ouviu falar ? - e José Luís Nunes (OUTRO SENHOR!) - Vossa Excelência já ouviu falar ? com quem privei (este último infelizmente partiu).

De António Lopes-Cardoso e Manuel Poppe Lopes-Cardoso (a quem desejo uma rápida recuperação e vê-lo em breve). Theutónio-Pereira e outros, como dizia Pessoa, de quem me não quero esquecer porque não me lembro.

Nestas andanças, Senhor Primeiro-Ministro, nunca o vi.

Afinal, onde estava Vossa Excelência no 25 de Abril?

Na FAUL (Federação da Área Urbana de Lisboa do PS, rua do Alecrim) nem em nenhum outro lado, vi Vossa Excelência. Vossa Excelência era provavelmente, ainda, um bebé. Nem no comício da fonte luminosa em que estive a fazer segurança a Mário Soares, armado até aos dentes com G3, entregues pelo CIAC (de Cascais), armas geridas pelo Sr. Botelho, piloto da barra, primo do José Manuel Casqueiro da CAP (Confederação dos Agricultores Portugueses), gente boa. Dispostos a dar a vida contra a tomada de poder vinda de leste, via PCP. Vossa Excelência, onde estava ? Com certeza que não no berço que não tem. Depois caíu do céu à frente da JS.

Foi nessa altura que eu me afastei definitivamente.

Anos mais tarde, vim a cruzar-me com Vossa Excelência em Gondomar em 1995/96, vi Vossa Excelência ser amigo e próximo do Major Valentim Loureiro (o restaurante 3M é do melhor que há), quando se discutia quem seriam as empresas que iriam tomar conta da "incineração", com menos preocupações com o ambiente, com mais preocupações pelo negócio, "bindo das Américas".

Permita-me Vossa Excelência duvidar das suas intenções.

A minha dúvida tem raiz no discurso de Vossa Excelência.

Nunca fala a favor do povo português, antes debita argumentos mesquinhos, insultuosos, como se lhe tivéssemos passado um cheque em branco.

Sempre um discurso de defesa, nunca a favor de ninguém. O discurso de Vossa Excelência é o que nos faz desconfiar de Vossa Excelência.

Não são os casos esquisitos do Freeport, as cenas indesculpáveis na Beira e outros sítios, os seus tios que compram Maserattis e o seu primo, pessoa de bem e homem de verticalidade inquestionável, que até se pirou para fazer um curso de "karatê" no Nepal ou na China onde ainda anda.

Não é nada disto. Todos temos Vossa Excelência em boa conta, como um homem honesto. Vossa Excelência falha, quando não abona a seu favor.

Quando discursa a promover medidas grosseiras do governo, marketing político para inglês ver (não devia ter dito isto assim, soa a Serious Fraud Office), quando o discurso de Vossa Excelência é um discurso de defesa do seu lugar, da sua posição, do seu poder. Vossa Excelência NUNCA DIRIGIU UMA PALAVRA AO POVO PORTUGUÊS! O seu discurso é reactivo, defende-se afanosamente do que é indefensável.

O caso, mais um, "computador Magalhães", seria para mim um caso de polícia, como sempre disse, e penso que Vossa Excelência estará de acordo, não fosse o alto patrocínio do Primeiro Ministro do meu país em quem tenho de confiar, nesta parceria do nosso dinheiro com a empresa J.P. Sá Couto de Matosinhos que é a fossa das Marianas da excelência em matéria de trampa informática.

Engana-se Vossa Excelência ao tratar o Povo Português como uma horda de idiotas. É só isto que não perdoo a Vossa Excelência e lhe digo de caras. Lá porque o Partido Socialista se transformou numa corja de oportunistas e arrivistas, eu estou em crer que Vossa Excelência é completamente alheio ao facto. Pergunte Vossa Excelência a António Guterres, já que o José Luís Nunes não está entre nós.

Sabe, Senhor Primeiro Ministro, houve Homens neste País que deram a vida, a fortuna, sacrificaram a família, para que a Vossa Excelência seja permitido tratar-nos como bestas. Houve homens que sofreram a perseguição, a tortura e o exílio. Houve homens assim. É verdade.

Não, Vossa Excelência não sabe.

Cá para mim, até não sabe de nada.

Compreendo no entanto, os aspectos críticos em matéria de defesa Nacional, da imagem do País. Falta-me é paciência e já não acredito em nada.

Senhor Primeiro Ministro, se é homem, se é Português, prove-o de uma forma irrefutável.

Nessa tão portuguesa expressão que tem raiz na coragem e na seriedade, mostre que tem tomates, pare de nos envergonhar. Nem lhe pedimos que prove que é sério... o ónus da prova ... prove-nos só que é Português. Deve.

Demita-se.

E desapareça para o Nepal ou para a China. Vá ter lições de Karatê com o "sensei" seu primo, que só lhe fazem bem. Não conspurque a escola de Funakoshi Guishim, meu Mestre de Shotokan. É um favor que lhe peço. Se assim for, está perdoado. Desde que não volte. Primo, idem.»

José M. Barbosa

06/12/2010

Já não sou virgem...

A família jantava tranquilamente quando, de repente, a filha de 12anos comenta:

-Tenho uma má notícia. Já não sou virgem! Sou uma vaca! E começa a chorar convulsivamente, com as mãos no rosto.

Silêncio sepulcral na mesa! De repente, começam as acusações mútuas:

-Estava-se mesmo a ver! - diz o marido à mulher. É por te vestires como uma puta barata e arregalares o olho ao primeiro imbecil que vês na rua. Claro que isto tinha que acontecer, com o exemplo de mãe que a menina vê todos os dias!

Vai daí o pai aponta também para a outra filha, de 25 anos:

- E tu também, que ficas no sofá a lamber aquele palhaço do teu namorado que tem é pinta de chulo, na frente da menina?

A mãe não aguenta mais e grita:

- Ai é?!...E quem é o idiota que gasta metade do ordenado com putas e se despede delas à porta de casa? Ou pensas que eu e as meninas somos cegas? E, ainda por cima, que belo exemplo dás desde que assinas esta maldita TV cabo, passas todos os fins-de-semana a ver pornografia de quinta categoria e depois acabas na casa de banho com gemidos e grunhidos?

Desconsolada e à beira de um colapso, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula, a mãe pega na mão da filhinha e pergunta-lhe baixinho:

- E como é que isso aconteceu, minha filha?

Entre soluços, a menina responde:

- A professora tirou-me do Presépio! A Virgem agora é a Luísa. Eu vou ser a vaca!!!!


05/12/2010

Brasília, local de concentração

O sujeito chama-se Marc Faber e é Analista de Investimentos e empresário.
Em Junho de 2008, quando o Governo Bush estudava o lançamento de um projeto de ajuda à economia americana, Marc Faber encerrava seu boletim mensal com um comentário muito bem-humorado:

"O Governo Federal está a conceder a cada um de nós uma bolsa de U$ 600,00."
Se gastarmos esse dinheiro no supermercado Walt-Mart, esse dinheiro vai para a China.
Se gastarmos com gasolina, vai para os árabes.
Se comprarmos um computador, vai para a Índia.
Se comprarmos frutas e vegetais, irá para o México, Honduras e Guatemala.
Se comprarmos um bom carro, irá para a Alemanha ou Japão.
Se comprarmos bugigangas, irá para Taiwan...

E nenhum centavo desse dinheiro ajudará a economia americana.
O único meio de manter esse dinheiro na América é gastá-lo com prostitutas e cerveja, considerando que são os únicos bens ainda produzidos por aqui.
"Por isso, estou a fazer a minha parte..."

- Resposta de um brasileiro igualmente bem humorado:
"Realmente a situação dos americanos parece cada vez pior."
Lamento informar que, depois desse seu e-mail, a Budweiser foi comprada pela brasileira AmBev... portanto, apenas restaram as prostitutas.

Todavia, se elas (as prostitutas) passarem parte da verba para seus filhos, o dinheiro virá para Brasília, onde existe a maior concentração de filhos da puta do mundo.

04/12/2010

Francisco Sá Carneiro

Francisco Sá Carneiro (1934-1980) desapareceu tragicamente há 30 anos. O destino de Portugal foi bruscamente interrompido.

Fez e faz falta!

03/12/2010

Justiça em excesso de velocidade

Justiça perde quatro anos a decidir destino de casaco velho

Uma recente decisão do Tribunal da Relação do Porto (TRP) sobre o destino a dar a um "casaco velho e podre" merece ser lida como uma lição de jurisprudência e responder às perguntas: Para que serve a Justiça? A lei serve para perder tempo com nulidades ou resolver problemas?

O TRP decidiu com base numa invulgar história judicial: o Tribunal Judicial de Amarante decidira, em 28 de Outubro de 2009, condenar um indivíduo pelo crime de condução ilegal. Mas veio a verificar-se que lhe tinha sido apreendido um velho casaco de bombazina castanha "em estado de infeta desagregação".

O casaco foi denunciado como tendo sido furtado em 22 de Março de 2006 e foi apreendido dias depois, em 5 de Abril. Em 15 de Junho de 2009, o MP decidiu o arquivamento relativo ao crime de furto. E no passado dia 18 de Janeiro, o casaco foi levado para tribunal para identificação do seu proprietário.

Como ele já tinha falecido, três anos antes, e apesar do próprio MP ter promovido a notificação dos familiares mais próximos, o juiz decidiu, quatro anos depois de o casaco ter sido apreendido, destruir essa peça de roupa, também devido ao seu "estado de infeta desagregação".

Mas o MP recorreu da decisão para o TRP, exigindo que o casaco teria de ser restituído "a quem de direito" e acusou o juiz de ter violado "o disposto nos artigos 109 do CP e o 186º do CPP".

Quatro anos e meio depois do início da história em torno daquele casaco, no passado dia 29 de Setembro, o TRP, por unanimidade, contrariou a tese do MP e dá o recurso como improcedente.

José Vaz Carreto e Joaquim Correia Gomes, da Relação do Porto, dizem que o juiz de Amarante agiu em conformidade com o disposto do artigo 417 do CPP, por considerar que o casaco não tem valor comercial. Salienta, ainda, que, com a sua decisão de ordenar a destruição do casaco, evitou gastos administrativos desnecessários e antecipou o destino a dar à velha e podre peça de vestuário. Para bom entendedor: o lixo.

Por último, o TRP, perante os factos em causa - alegada discussão prolixa em torno do destino a dar a um bem sem valor que provavelmente ninguém quereria, nem a família do seu proprietário ("não nos é indicado quais são os familiares mais próximos", questionam os juízes, - destaca que se fossem seguir "as estritas regras jurídicas" os tribunais acabariam "num mundo de absurdos inúteis, quando não é essa a ideia de lei". Ideia de lei que, para o TRP, é, sim, "solucionar as questões e resolver os problemas, e, no caso, dar destino a um bem desnecessário no processo."

Vítor Pinto Basto
in «JN», 03.11.2010

02/12/2010

A falta de juízo

A história conta-se em poucas linhas: um agente da PSP surpreendeu um magistrado do Ministério Público a conduzir e a falar ao telemóvel.

Segundo o DN, o "Ministério Público iliba magistrado que insultou agente da PSP por lhe ter passado uma multa de trânsito."

Um agente da PSP surpreendeu um magistrado a conduzir e a falar ao telemóvel. O polícia intercetou o procurador e autuou-o. Mas o infrator não gostou e bombardeou-o com palavrões e ameaças. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) considera não haver crime de injúrias ou ameaças e arquivou a queixa que o agente da PSP apresentou contra o magistrado.

"Eu não pago nada, apreenda-me tudo, car... Estou a divorciar-me, já tenho problemas que cheguem. Não gosto nada de me identificar com este cartão, mas sou procurador. Não pago e não assino. Ai você quer vingança, então o agente Frederico ainda vai ouvir falar de mim. Quero a sua identificação e o seu local de trabalho", disse o infrator ao polícia"."

[Bem, depois disto, é caso para dizermos aos senhores policias que estão a fazer o seu trabalho: "O senhor não me incomode, estou desempregado, a minha vida anda de pernas para o ar, não tenho nem tempo nem paciência, para isto. Ou então quando estiverem no tribunal, fazerem o mesmo ao dito senhor magistrado". Isto é só um aparte, continue a ler o resto da noticia, pois mais grave do que a falta de respeito à autoridade, foi a impunidade estabelecida ao caso].

"O processo, a que o DN teve acesso, foi arquivado, porque o procurador-geral adjunto que tratou deste caso na PGDL considera que "não incorre em prática de qualquer crime, designadamente o de injúrias ou de ameaças, aquele que, perante o agente de autoridade, em exercício de funções, no ato em que está a ser autuado (por eventual violação de regras de trânsito), a título de desabafo e sem que lhe dirija as palavras, se limita a expressar: "Car...! Já ando com problemas que cheguem e o senhor ainda vai ouvir falar de mim"."

[Isto nem soa ameaça, nem nada!...]

"Na sua opinião, "o vocábulo "car..." não encerra qualquer epíteto dirigido à autoridade. O alerta de que "ainda vai ouvir falar de mim", no contexto proferido, não contém a anunciação de um "mal futuro", apto a causar "inquietação, medo ou prejudicar a liberdade". De acordo com o processo, "o infrator, que é procurador da República adjunto no Tribunal Judicial do Seixal, foi interceptado, pelas 14.53 de 27 de Fevereiro de 2009, na Praça das Geminações (Torre da Marinha - Seixal), a conduzir um veículo automóvel e, em simultâneo, a falar ao telemóvel"."

O agente Frederico elaborou o respetivo auto de contra-ordenação pela infração verificada, o qual não foi assinado pelo infrator (o magistrado) por se ter recusado a fazê-lo, refere o processo.

Segundo o documento, "o condutor praticou infração rodoviária punível com coima (de 120 a 6000 euros) e com sanção acessória de inibição de conduzir (de um a 12 meses)"."

[Só uma pergunta: O polícia poderia ou não ter prendido o magistrado por falta de respeito à autoridade?]

"Por se ter sentido ofendido e ameaçado, o polícia relatou à sua chefia, na PSP, o que lhe disse o infrator no momento em que o autuava. Esses dados chegaram ao procurador-coordenador do Tribunal da Comarca do Seixal, que depois deu notícia hierárquica à Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa."

"Com base nestas informações, e após analisar o processo, o procurador-geral adjunto salienta, a propósito, que o infrator, por ser magistrado do Ministério Público, "beneficia de foro especial". Adianta: "sem margem para dúvidas, a matéria comunicada não constitui qualquer ilícito (penal ou disciplinar)"."

[Ah...! ok, quer dizer que o beneficio de foro especial, dá o direito ao desrespeito às regras impostas.]

"Quanto ao uso do vocábulo "car...", o procurador-geral adjunto diz: "Não obstante integrar um termo português de calão grosseiro, foi proferido como desabafo e não como injúria dirigida ao agente autuante. Ou seja, o autor da expressão 'desabafou' sem que tenha dirigido ao autuante o epíteto, chamando-o ou sequer tratando-o por 'Car...'. Na gíria popular, considerado o contexto e as circunstâncias (pendendo divórcio e tendo já problemas, fica aceite uma fase de perturbação do autuado), tal expressão equivale a dizer-se, desabafando 'car..., estou lixado'. Admite-se que houve falta de correção na linguagem proferida, mas não de molde a beliscar a honorabilidade pessoal e funcional do agente autuante"."

[Porreiro. Agora já podemos dizer estas coisas, pensamos que já perceberam o que têm de dizer depois, para se defenderem.]

"Sobre a expressão "ai você quer vingança, então o agente Frederico ainda vai ouvir falar de mim", considera que "não contém qualquer ameaça, ainda que velada ou insinuante, pois a frase não encerra qualquer promessa de um mal futuro"."

[Claro, é só mesmo uma questão de notoriedade de marca.]

01/12/2010

Lusíadas modernos

I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas…
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano…
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

30/11/2010

O iPad em Lisboa

O fabuloso iPad, o tablet da Apple, chegou finalmente a Portugal. Um dia digno de registo.

As lojas Worten, Fnac e MediaMarkt lançaram os seis modelos existentes, a preços europeus (entre 499 e 799 € - o modelo de topo, de 64 GB com Wi-Fi e 3G).

Na redação de «Tempos Modernos» já utilizamos estes equipamentos desde 2 de Julho (primeiras páginas do «Público» desse dia e do primeiro dia oficial do iPad em Portugal):

Senhora do Vencimento

Chegados a este dia, uns terão vencimento, outros salário, muitos, nem uma coisa nem outra.

Mas há sempre uma esperança na Senhora do Vencimento, aqui perto.

29/11/2010

Frase a reter...

"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam."

Arnold Toynbee

28/11/2010

Embaixador sob Sol tropical

Depois da proposta de compra de títulos de dívida pública portuguesa por parte de Timor-Leste, só faltava mesmo conhecer como os portugueses são "diplomaticamente" representados no extremo Oriente.

Interessante momento registado, aliás, pelo Presidente timorense, José Ramos-Horta, certamente para assinalar o dia da independência (28 de Novembro de 1975).


27/11/2010

A mulher faz a diferença

Numa ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saiu para jantar com a mulher, Michelle, e foram a um restaurante não muito luxuoso, porque queriam fazer algo diferente e sair da rotina.

Estando sentados à sua mesa no restaurante, o dono pediu aos guarda-costas para se aproximar e cumprimentar a primeira-dama, e assim o fez.

Quando o dono do restaurante se afastou, Obama perguntou a Michelle:
- Qual é o interesse deste homem em te cumprimentar?
Michele respondeu:- Acontece, que na minha adolescência, este homem foi meu apaixonado durante muito tempo.
Obama disse então:
- Ah, quer dizer que se tu tivesse se casado com ele, hoje serias dona deste restaurante?
Ao que Michelle respondeu:
- Não, meu querido, se eu me tivesse casado com ele, hoje ele seria o Presidente dos Estados Unidos. 

26/11/2010

Comunicado...

25/11/2010

Contra a violência sobre as mulheres

“Ora, menina, bate no que é dele!” Foi há uns trinta anos que pela primeira vez ouvi isto. Domingo, manhã cedo, no adro da igreja da aldeia das minhas férias. Não era incomum surgir uma mulher com a cara inchada, o olho raiado de sangue, o lábio rebentado. Causa de espanto só mesmo o meu espanto, diante de tal visão e da resignação da própria e das demais — “ai, o meu homem ontem bateu-me tanto”, “o meu também fica ruim quando bebe”. O meu “então e deixa que ele lhe faça isso?” fê-las rir, nervosas: “e o que há-de ela fazer?” Seguiu-se o remate, lapidar: “bate no que é dele”. Variante do deplorável “quanto mais me bates, mais gostas de mim”. Era outro tempo, outro contexto, feito de atraso, miséria e alcoolismo. Ou será que não?

Cenas que se desenrolam diante de mim, relatos que me chegam. O namorado que batia vinga-se da ruptura fazendo montagens escabrosas com a imagem dela, que envia a conhecidos e colegas e espalha na net. O marido que vive com a amante mas submete a mulher ao silêncio e à humilhação de o ter na sua cama quando ele queira, ameaçando tirar-lhe os filhos, que ela não consegue sustentar, por ter trocado a promissora carreira por um emprego mal pago e tempo para a família. O sujeito que, diante de qualquer mulher que se destaque, regista que “curiosamente, ela é inteligente”. O mesmo e tantos outros que, em privado e em público, mandam calar a mulher, por ser “burra” e/ou não saber o que diz, a repreendem, ora com o “és mesmo incapaz de fazer o que quer que seja em condições”, ora com o “não prestas para nada” e rematam diferendos com um “enquanto for eu a pagar, sou eu quem manda aqui”. Casos raros de péssima e retrógrada educação, dinossauros condenados à extinção neste mundo de igualdade e paridade. Ou será que não?

A minha filha teria dez anos. Um pretendente declarou-se. Rejeitado, insistiu. Sem êxito. Mudou de estratégia: nos recreios plantava-se com os amigos junto dela e chamavam-lhe “p—“. Repetidamente e aos gritos. Quando soube, passei-me. Ainda ponderei recorrer à via institucional, mas a mãe-leoa levou a melhor. Rugi: “da próxima vez, bem alto, para toda a gente ouvir, «p— é a tua mãezinha»… à minha responsabilidade!” Logo no dia seguinte, o moço deu o primeiro tiro e levou com a rajada, bem à vista da sua entourage e de quantos mais ali estavam. Ficou histérico: gritou, esbracejou, soluçou descontrolado. Foi preciso chamar a psicóloga. Soube depois, por várias mães, que as filhas haviam passado pelo mesmo, com estes e outros meninos. E que “lésbica” era também de uso corrente, para o mesmo efeito. Miúdos malcriados, idades parvas, excessiva sensibilidade e ferocidade da minha parte. Ou será que não?

São casos muito diferentes entre si, na sua gravidade, dir-se-á. Pois são. Estão todos a anos-luz das atrocidades a que são submetidas meninas e mulheres noutras latitudes, noutros ambientes culturais e religiosos, acrescentar-se-á. Pois estão. Não se trata, é certo, de violações em cenário de guerra, de casamentos forçados de meninas ainda crianças, de mutilação genital, de crimes de honra ou motivados pelo incumprimento do dote ajustado, de aborto selectivo ou de infanticídio de recém-nascidos do sexo feminino: a lista de barbaridades é bem conhecida e ressurge todos os anos por esta altura, perturbadora e ilustrada por números que nos gelam.

Mas importa não esquecer que à cabeça deste rol de infâmias, pela sua frequência, vem a violência inflingida à mulher pelo que é ou foi seu companheiro, seja através de espancamento, de coerção sexual ou de formas variadas de abuso psicológico e emocional.

Segundo números da ONU, do total de mulheres que por todo o mundo tombam vítimas de homicídio, cerca de metade morre às mãos dos seus intimate partners. Em Portugal, em 2010, a violência doméstica causou já 39 mortes e 37 tentativas de homicídio (respetivamente mais 10 e mais 9 que em 2009).

E convém ter presente que esta e as demais formas de violência referidas radicam numa visão profundamente discriminatória da mulher, no casal e na família, marcada pela sua subordinação à autoridade do homem, na sua instrumentalização à satisfação de interesses tidos como preponderantes e na desvalorização das suas capacidades pessoais e necessidades de desenvolvimento e de realização individual.

A violência sobre as mulheres, não há como negá-lo, faz parte da nossa realidade. Atravessa todos os estratos sociais, económicos, geracionais ou etários. E tende a subsistir e a replicar-se, fruto de uma pesada herança cultural, feita de atitudes, de estereótipos e de papéis, aprendidos e, não raro, banalizados como suposta expressão característica e inevitável do nosso modo de ser e de viver.

Pior, a ânsia de poder e de controlo que subjaz a esta violência convive muitíssimo mal com o sucesso profissional, a independência financeira e a autonomia emocional conquistadas pelas mulheres. Com a crescente consciência de que quem ama, não deprecia nem sufoca, de que o casamento se vive, não se aguenta. Estudos recentes apontam para um assustador aumento desta violência, potenciado pela insubmissão daquelas perante atitudes masculinas hoje vistas como inaceitáveis.

Tudo isto me incomoda e me dá que pensar, enquanto mulher que vive neste mundo e mãe de três filhas que, temo bem, terão ainda de travar duros combates nesta frente. Porque esta violência cruel e injusta é um problema de ontem, de hoje e também de amanhã. E é a clara noção disso que nos exige que preparemos os nossos filhos para o enfrentar e, quem sabe, debelar em definitivo. Explicando aos meninos que ser homem não é ser bruto, que as mulheres se conquistam e se mantêm, não se compram, nem subjugam. Ensinando as meninas a prezar e a, em caso algum, abrir mão da sua individualidade, autonomia e dignidade. Com a palavra e com o exemplo. É essa a nossa responsabilidade.

* Texto escrito em resposta ao desafio que me foi lançado pela Luciana, do Borboletas nos Olhos, para me associar, com ela e muitos outros, à iniciativa “ativismo online – FimDaViolenciaContraMulher”, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Violência Contra a Mulher, que hoje se comemora em todo o mundo (e originalmente publicado aqui).

24/11/2010

Fábricas de desemprego

A CGTP e a UGT protegem os "protegidos", e desprotegem os que estão fora do sistema (os mais jovens e os desempregados). Quem está a fazer greve hoje? Os mais "privilegiados", i.e., aqueles que trabalham em redor do Estado.

I. Este greve tem uma ponta de ironia: aqueles que lideram a greve são aqueles que são mais protegidos, isto é, os funcionários públicos. Os funcionários públicos têm uma segurança absurda no emprego. Se uma empresa fecha as portas, os trabalhadores dessa empresa vão para o fundo de desemprego e depois têm de arranjar outro emprego. Se uma repartição pública perde a sua utilidade, os funcionários dessa repartição não são dispensados. Nem pensar, então. Que escandaleira fascista. Não senhor. Esses funcionários-públicos-que-estão-a-mais vão para um quadro de mobilidade, onde ganham, se não me engano, quatro sextos do seu vencimento. Mas, então, eu pergunto: mas há portugueses de primeira e portugueses de segunda? Por que razão os desempregados e trabalhadores das empresas têm de pagar esta segurança extrema do funcionário público? Por que razão o funcionário público têm direito a uma rede de segurança vitalícia? Sim, de facto, devíamos fazer greve, uma greve contra estes privilégios inaceitáveis dos funcionários públicos.

II. O sindicalismo português, representado pela GCTP e pela UGT, está perdido no tempo. A CGTP e a UGT são forças reaccionárias que impedem a adaptação de Portugal ao século XXI. Um exemplo: se os trabalhadores da Auto-Europa tivessem seguido as indicações dos sindicatos, a empresa já não estava cá. Felizmente, a comissão de trabalhadores da Auto-Europa negociou regras de flexibilidade que aumentaram a produtividade da empresa. Resultado: para o ano, os trabalhadores da Auto-Europa vão ter um aumento de 4%. Se os sindicatos tivessem impedido as mudanças "neoliberais" na Auto-Europa, os milhares de trabalhadores da fábrica estariam agora na rua a protestar contra o "neoliberalismo". A UGT e a CGTP são fábrica de desemprego.

III. Mais: são os piores inimigos da minha geração. Ao defenderem leis laborais ultra defensivas (as mais restritivas do espaço da UE, aliás, do espaço da OCDE), a UGT e a CGTP contribuem para a ausência de criação de novos postos de trabalho, de novas empresas. Os mais jovens não conseguem entrar naquilo que já existe (porque é dificílimo fazer um despedimento individual em Portugal; portanto, o jovem só entra a recibos verdes para fazer um trabalho que devia estar a ser feito por uma pessoa do "quadro"; e essa pessoa do quadro continua lá) e, acima de tudo, os jovens não vêem novas empresas a aparecer. Porque a lei laboral está pensada para defender a todo o custo aquilo que já existe. O futuro não interessa à nossa lei laboral. O futuro não interessa à CGTP. A CGTP, tal como o PCP e o BE, representa o passado.

Henrique Raposo
in «Expresso», 24.11.2010

Salazar e o funcionário

- Senhor presidente, hoje não apanhei o eléctrico! Vim a correr atrás dele e poupei oito tostões!" - disse o funcionário público, a querer agradar a Oliveira Salazar.

O ditador respondeu de imediato:
- Fez bem, mas se viesse atrás de um táxi teria feito melhor, porque poupava vinte escudos e chegava mais cedo!".

23/11/2010

O racismo de esquerda

I. A Alemanha, através de Merkel, foi clara: a sociedade multiculturalista falhou. E, aqui, convém fazer uma clarificação dos conceitos. O multiculturalismo não é o mesmo que cosmopolitismo. Uma sociedade cosmopolita é uma sociedade composta por indivíduos de diferentes origens e religiões. Ou seja, uma sociedade cosmopolita é uma sociedade multicultural (no sentido em que não é composta apenas por um grupo étnico e/ou religioso), mas é uma sociedade assente no indivíduo, e não em "culturas" ou "comunidades". Por outras palavras, uma sociedade com muitas culturas lá dentro (um fenómeno orgânico e típico de uma sociedade aberta) não é o mesmo que o Multiculturalismo (uma ideologia que produziu políticas públicas concretas).

II. O multiculturalismo é uma doutrina política (fortíssima na esquerda de países como o Reino Unido ou Holanda) que determina que cada "comunidade" deve ter as suas regras e as suas leis . Isto, na prática, significa o seguinte: os muçulmanos vivem dentro da Alemanha e do Reino Unido, mas não têm de seguir as regras que os alemães e os britânicos seguem. É esta doutrina que está na base do "politicamente correcto", essa espécie de racismo cor-de-rosa que infantiliza e desresponsabiliza todos os não-brancos.

III. A esquerda europeia agarrou esta doutrina multiculturalista a partir dos anos 70. Após o fracasso da grande utopia marxista, esta esquerda pós-marxista tornou-se profundamente reaccionária e começou a pensar nos termos da velha direita: o seu centro passou a ser a "tradição cultural"; passou a defender a "tradição cultural" contra o iluminismo cosmopolita (e imperialista, dizem) do Ocidente. Desta inversão ideológica, surgem casos absurdos como este relatado por Amartya Sen: no Reino Unido, uma miúda muçulmana quer namorar com um rapaz inglês, mas os pais da miúda proíbem essa relação. Perante isto, o que dizem os ideólogos do multiculturalismo? É muito simples: apoiam os pais da miúda. Temos assim a esquerda europeia a apoiar os movimentos mais reaccionários, misóginos e homofóbicos do mundo.

IV. Vai haver muita gente a apelidar Merkel de "racista". Mas o "racista" desta história é o pensamento politicamente correcto, que infantiliza constantemente o "outro", ilibando-o de cumprir as regras de uma sociedade livre. Neste debate, convém sempre relembrar as bases do direito cosmopolita: um estrangeiro tem os mesmos direitos e os mesmos deveres de um nacional. Durante décadas, a atmosfera politicamente correcta deu direitos ao muçulmano e, depois, disse-lhe que ele não tinha de cumprir os deveres e as regras. Essa bolha do racismo cor-de-rosa explodiu. Merkel disse o óbvio: "quem quiser fazer parte da nossa sociedade tem de obedecer às nossas leis e falar a nossa língua". Meus amigos, não é possível ter comunidades inteiras que não falam a língua oficial do país onde vivem. Repare-se nisto: "há muita gente a pôr os filhos na escola privada, o que não fariam há alguns anos, porque nalguns sítios, na escola pública, 80% dos alunos não fala alemão" (relato de um cidadão alemão, Público, 24 de Setembro).

V. Merkel está a seguir um critério kantiano, e não "nacionalista". Merkel não está a dizer que x e y têm de rezar ao deus alemão, não está a dizer que têm de cantar o hino alemão, não está a dizer que não podem ter a sua religião. Está a dizer que existe um chão comum, composto por leis e regras, que tem de ser respeitado, seja qual for a religião de x ou y. O desrespeito por esse chão comum tem um nome: barbárie. E o politicamente correcto alimentou, durante décadas, essa barbárie. Mas, felizmente, esta barbárie cor-de-rosa está a acabar.

Henrique Raposo
in «Expresso», 20.10.2010

22/11/2010

Carta aberta a Mário Soares e seus amigos

Sr. Dr. Mário Soares,

Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.

Há dias, ouvi o Sr., doutamente, nas TVs, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior.

Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:

1. Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);

2. Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua atividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);

3. Reduzir o nº de deputados para 100;

4. Reduzir o número de ministérios e secretarias de estado, institutos e outras entidades criadas artificialmente, algumas desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos boys;

5. Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu uma viatura na ordem dos 140 mil para os VIP que nos visitarão);

6. Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);

7. Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);

8. Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que a do PR;

9. Acabar com o sigilo bancário;

10. Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem centenas de lugares na administração do Estado;

Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas obras sumptuosas.

Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.

Zé do Povo
Portugal

(circula na net)

21/11/2010

Coragem em papel selado

CARTA AO MINISTRO DAS FINANÇAS
«Exmo. Senhor Ministro das Finanças

V. Lopes da Gama Cerqueira, cidadão eleitor e contribuinte deste País, com o número de B.I. xxxxxxx, do Arquivo de identificação de Lisboa, contribuinte n.º xxxxxxxx vem por este meio junto de V. Exa. para lhe fazer uma proposta:

A minha Esposa, M. A. Pereira Gonçalves Sampaio Cerqueira, vítima de CANCRO DE MAMA em 2008, foi operada em 6 Janeiro com a extracção radical da mesma.

Por esta 'coisinha' sem qualquer importância foi-lhe atribuída uma incapacidade de 80%, imagine, que deu origem a que a minha Esposa tenha usufruído de alguns benefícios fiscais.

Assim, e tendo em conta as suas orientações, nomeadamente para a CGA, que confirmam que para si o CANCRO é uma questão de só menos importância.

Considerando ainda, o facto de V. Ex.ª, coerentemente, querer que para o ano seja retirado os benefícios fiscais, a qualquer um que ganhe um pouco mais do que o salário mínimo, venho propor a V. Ex.ª o seguinte:

A devolução do CANCRO de MAMA da minha Mulher a V. Exa. que, com os meus cumprimentos, o dará à sua Esposa ou Filha.

Concomitantemente com esta oferta gostaria que aceitasse para a sua Esposa ou Filha ainda:

a) Os seis (6) tratamentos de quimioterapia.
b) Os vinte e oito (28) tratamentos de radioterapia.
c) A angústia e a ansiedade que nós sofremos antes, durante e depois.
d) Os exames semestrais (que desperdício Senhor Ministro, terá que orientar o seu colega da saúde para acabar com este escândalo).
e) A ansiedade com que são acompanhados estes exames.
f) A angústia em que vivemos permanentemente.

Em troca de V. Ex.ª ficar para si e para os seus com a doença da minha Esposa e os nossos sofrimentos eu DEVOLVEREI todos os benefícios fiscais de que a minha Esposa terá beneficiado, pedindo um empréstimo para o fazer.

Penso sinceramente que é uma proposta justa e com a qual, estou certo, a sua Esposa ou filha também estarão de acordo.

Grato pela atenção que possa dar a esta proposta, informo V. Exa. que darei conhecimento da mesma a Sua Ex.ª o Presidente da República, agradecendo fervorosamente o apoio que tem dispensado ao seu Governo e a medidas como esta e também o aumento de impostos aos reformados e outras...

Reservo-me ainda o direito (será que tenho direitos?) de divulgar esta carta como muito bem entender.

E por isso peço a todos aqueles que receberem e lerem esta mensagem e se assim concordarem que enviem aos vossos amigos.

Obrigado

Como V. Ex.ª não acreditará em Deus (por se considerar como tal...) e por isso dorme em paz, abraçando e beijando os seus, só lhe posso desejar que Deus lhe perdoe, porque eu não posso (jamais) perdoar-lhe.

Com os melhores cumprimentos,

Atentamente,
Victor Lopes da Gama Cerqueira

circula por e-mail

20/11/2010

O May be man

Existe o "Yes man". Todos sabem quem é e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa criatura que todos, no final, reconhecerão como familiar.

O May be man vive do "talvez". Em português, dever-se-ia chamar de "talvezeiro". Devia tomar decisões. Não toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a agir. Um "talvez" não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e o vazio.

A diferença entre o Yes man e o May be man não está apenas no "yes". É que o "may be" é, ao mesmo tempo, um "may be not". Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa bota, o outro engraxa tudo que seja bota superior.

Sem chegar a ser chave para nada, o May be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido. Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exatamente do partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se "comissão". Há quem lhe chame de "luvas". Os mais pequenos chamam-lhe de "gasosa". Vivemos uma na­ção muito gaseificada.

Governar não é, como muitos pensam, tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man, uma oportunidade de negócios. De "business", como convém hoje, dizer. Curiosamente, o "talvezeiro" é um veemente crítico da corrupção. Mas apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima, patriótica e enqua­dra-se no combate contra a pobreza.

Mas a corrupção, em Moçambique, tem uma dificuldade: o corrup­tor não sabe exatamente a quem subornar. Devia haver um manual, com organograma orientador. Ou como se diz em workshopês: os guidelines. Para evitar que o suborno seja improdutivo. Afinal, o May be man é mais cauteloso que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz nem verde para ninguém.

O May be man entendeu mal a máxima cristã de "amar o próximo". Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois, vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês, que ele imagina ser o "próximo". É por isso que, para a lógica do "talvezeiro" é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido personagem.

O May be man descobriu uma área mais rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele complica até deixar de haver. Há projeto no fundo do túnel? Ele escurece o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a papelada. Numa palavra, o May be man atua como polícia de trânsito corrup­to: em nome da lei, assalta o cidadão.

Eis a sua filosofia: a melhor maneira de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele e sai dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do chefe. E, à cau­tela, os do chefe do chefe.

O May be man aprendeu a prudência de não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos. Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo. Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército, saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a ignorância absoluta pode conferir.

Apresentei, sem necessidade o May be man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles, do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas. Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo rico, deitaria assim tanto dinheiro para o vazio.

O May be Man é utilíssimo no país do talvez e na economia do faz-de- conta. Para um país a sério não serve.

Mia Couto (escritor moçambicano)

19/11/2010

Bem-vindos a Lisboa

Tem hoje início a Cimeira da NATO em Lisboa.

Saudemos os países da Liberdade e Democracia que resistiram ao Império Soviético e que hoje defendem a estabilidade e paz internacional em diversos locais do Mundo: do leste Europeu e do Polo Norte ao Oriente Médio.

Contra o terrorismo e as ditaduras e seus representantes.

Marrambenta


18/11/2010

O grau zero do socretinismo

Serviço Nacional de Saúde: A receita

Numa pequena cidade do interior, uma mulher entra em uma farmácia e fala ao farmacêutico:

- Por favor, quero comprar arsénico.
- Mas não posso vender isso assim! Qual seria a finalidade?
- Matar o meu marido!!!
- Para esse fim, então, nem pensar... Não posso vendê-lo!!!

A mulher abre a bolsa e tira uma fotografia do marido, na cama com a mulher do farmacêutico.

- Ah! bom!... COM RECEITA É OUTRA COISA!!!

17/11/2010

Banha da cobra

As pulseiras Power Balance estão em todo o lado. Estavam no pulso de cada um dos 33 mineiros chilenos no dia a seguir à mediática operação de salvamento, a 13 de Outubro, que os retirou do cárcere de mais de dois meses no fundo da mina de San Jose. São conhecidas por promover a força e equilíbrio de quem as usa. Mas a associação espanhola de defesa do consumidor Facua não acredita nada nisso. Decidiu avançar com um processo por publicidade enganosa. E ganhou. Mas não está satisfeita.

Cerca de 15 mil euros é quanto a Power Balance Espanha, com sede em Málaga terá de pagar de multa à Junta da Andaluzia por publicidade enganosa, de acordo com o processo promovido pela Facua.

Segundo a delegada de saúde da Junta da Andaluzia para Málaga María Antigua Escalera. trata-se de “uma falta grave de publicidade enganosa”, adiantou ao diário espanhol «El Mundo». Mas a Facua não está totalmente satisfeita com a decisão. E explica porquê no seu site.

“A Power Balance Espanha anunciava que tinha vendido em Abril cerca de 300 mil pulseiras pseudomilagrosas, o que supõe uma receita de cerca de 10 milhões de euros. O dinheiro que encaixa em algumas horas, com a venda de apenas 500 unidades é o suficiente para pagar a multa”, diz a associação no site onde se considera indignada com o facto das autoridades não terem proibido a venda.

Para a Facua a multa deveria ser no valor das receitas da empresa: “Segundo a lei de consumo em vigor a Junta da Andaluzia podia ter apreendido toda a mercadoria à venda e ter multado a empresa no valor da receita total de vendas. E sendo a situação considerada grave poderia ter multado em mais 400 mil euros”.

Espanha é, segundo a associação, o país líder em vendas da empresa.

Desportistas conhecidos, políticos e artistas aderiram à Power Balance em massa. O «El Mundo» lembra que até a ministra da Saúde , Leire Pajín a tem usado nos últimos meses.

Segundo a marca, o holograma das pulseiras coloridas plásticas tem cargas eléctricas que interagem com o campo de energia natural do corpo, melhorando a força, equilíbrio e flexibilidade.

A Facua avisa que vai recorrer da decisão que não considera satisfatória e exige uma sanção equiparada ao tamanho da fraude.

in «Público», 17.11.2010

NR: decisão corajosa desta associação espanhola de consumidores!

Se puserermos como hipótese que umas quaisquer pulseiras coloridas que se diz que "interagem com o campo de energia natural do corpo" - seja lá o que isso é -, melhorando a força, equilíbrio e flexibilidade, na realidade, não tiverem outro efeito para além de esvaziar os bolsos dos crentes, e tendo por base uma marca registada nos EUA, estaria montado um negócio fabuloso que obrigaria as autoridades alfandegárias de qualquer país a confiscar quaisquer outras pulseiras que comerciantes espertos, por ventura, encomendassem a fabricantes chineses.

Para tornar mais credível, vendia caríssimo e convencia umas quantas Federações desportivas a proibir que os atletas competissem com mariquices no braço.

Ou seja: é possível vender banha da cobra desde que as registe a sua marca nos EUA - para lhe dar âmbito global - a venda a mais de 60 euros e contrate um escritório de advogados para perseguir quem a pirateasse numa qualquer feira portuguesa.

Claro, isto é uma hipótese. Não é assim que na realidade acontece.
E viva a ASAE...

Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.
Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.
O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto público.
Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento", "Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim".

16/11/2010

Acidente nas minas de Aljustrel

Um grupo de mineiros portugueses ficou enterrado, a 700 metros de profundidade, em plena Mina de Aljustrel.

O governo socretino decide e acontece:

1) É criada uma comissão para iniciar as tarefas de resgate, integrada por 20 membros do PS e 19 da oposição. Cada membro contará por sua vez com 5 assessores, dois secretários e um motorista. As tarefas demoram porque não se consegue quórum para reunir e logo não há acordo para designar o Presidente e os vogais da Comissão.

2) A comissão reúne no próprio dia da sua criação e auto-atribui-se:
a - um ordenado mensal de 50 000€ ao presidente e um ordenado mensal de 40 000€ aos restantes membros;
b - benefícios que incluíam reforma garantida (a partir do momento da nomeação e mesmo que se demitissem no dia seguinte) e cartões de crédito sem limite de gastos;

3) O Primeiro-Ministro inteira-se desde logo da situação, e fala ao País, na RTP, afirmando que o acidente foi provocado pela crise internacional e pelo nervosismo dos mercados. Ao mesmo tempo, pergunta se não teriam encontrado no fundo da mina o seu certificado de habilitações como Engº Civil, já que ninguém o conseguiu ver até hoje...

4) Uma informação prestada pelo Ministro Jorge Lacão assegura que a profundidade não é tanta, trata-se da imaginação da oposição para criticar o governo, uma vez que pelos cálculos governamentais são no máximo 200m;

5) Não há fundos para as tarefas de resgate pelo que será criada uma taxa específica para esta operação. Suspeita-se que a taxa seja cobrada nos próximos quinze anos;

6) Para além desta taxa, solicita-se um fundo patriótico para o restante, proveniente do Fundo de Pensões das Companhias de Seguros. Para a boa gestão dos fundos e como o túnel é uma Obra Pública é nomeado Mário Lino;

7) OS EUA emprestam a grua de resgate, que desembarca em Vigo, devido às suas dimensões, mas esta não chega a entrar em Portugal porque, na fronteira, a SCUT está com barreiras de utentes em protesto pelo pagamento de portagens;

8) Uma vez libertada a grua pelo Corpo de Intervenção da PSP, a Alfândega dá logo ao fim de 120 dias a autorização para a importação da grua mediante o pagamento prévio de umas caixas de robalo ao Dr. Armando Vara, nomeado pelo Governo como Presidente da Fundação para o Auxílio aos Mineiros;

9) A grua não pode chegar à mina porque o condutor pertence ao sindicato dos operadores portuários e a grua tendo 4 rodas deve ser conduzida por um motorista de pesados e sob a supervisão dos inspetores do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT). No entanto, como este Instituto está em reestruturação, não pode nomear os inspetores pois ainda não fazem parte do seu quadro;

10) Entretanto, o Prós e Contras da RTP dá instruções para trazerem um mineiro para o programa, mas a TVI oferece mais para o ter na 'Casa dos Segredos'. Em consequência, gera-se um grande problema entre a Prisa, o Governo e a PT;

11) Finalmente consegue-se fazer chegar uma mini-câmara de TV ao fundo da mina mas não se conseguem ver os mineiros. A Câmara só transmite Manuel Luís Goucha e Futebol;

12) A grua consegue chegar ao fim de mais dois meses à mina porque a IMTT teve de solicitar vários pareceres externos para definir o procedimento de atribuição da matrícula para a grua poder circular. A GNR-BT tinha-a apreendido por circular sem a documentação necessária mas, entretanto, o Governo interpôs uma providência cautelar para libertar a grua em tempo útil;

13) Jerónimo de Sousa anuncia que os mineiros pertencem ao PCP e por isso o governo está a protelar o seu salvamento para não participarem nas eleições para a Presidência da República;

14) O Bloco de Esquerda repudia a grua por ser de fabrico americano, não se podendo tolerar a sua utilização enquanto continuar o massacre americano em Bagdad e Kabul;

15) Finalmente chega a Grua e começa a fazer descer a cápsula mas o cabo parte-se. O DIAP investiga irregularidades na compra do material mas não consegue ouvir os responsáveis. O Tribunal de Contas descobre que se comprou o cabo de pior qualidade mas que se pagou o preço dum modelo revestido a ouro. O dossier chega ao PGR que ordena o urgente arquivamento de todo o processo. O Conselho de Magistratura pede a revisão do arquivamento para o Supremo Tribunal solicitando a destituição do Ministro da Justiça;

16) Chega uma ordem para que se detenha o resgate até que cheguem ao local os gorros e casacos que os mineiros terão de vestir antes de chegar à superfície. Tem escrito a legenda: "Viva José Sócrates!";

17) Finalmente ao fim de dois anos e meio resgatam-se os mineiros. Afinal eram só 3 porque os restantes estavam de baixa quando se deu o acidente;

18) O mineiro resgatado lê o jornal com as notícias sobre o OE e no final pede que o devolvam aos 700 metros de profundidade. Afirma que a vida lá em baixo é bastante mais tranquila.

Há mais vida para além do orçamento

Um homem chegou a casa tarde, vindo do trabalho, cansado e irritado, e encontrou o seu filho de 7 anos esperando por ele na porta de casa.

- Pai, posso fazer-lhe uma pergunta?
- O que é? - Respondeu o homem.
- Pai, quanto é que tu ganhas por hora?
- Isso não é da tua conta. Porque é que estás a perguntar uma coisa dessas? - respondeu o pai em tom agressivo.
- Eu só quero saber. Por favor pai, diz-me quanto é que ganhas numa hora?
- Bem, se queres saber, eu ganho 15,00 € por hora.
- Ah..." - respondeu o menino, cabisbaixo.
- Pai, podes emprestar-me 7,50 €?

O pai ficou furioso:
- Essa é a única razão pela qual me perguntaste isso? Pensas que é assim que podes conseguir algum dinheiro para comprar um brinquedo ou alguma outra coisa? Vai para o teu quarto e deita-te. Pensa em como estás a ser egoísta. Eu não trabalho duramente todos os dias para tais infantilidades.

O menino foi calado para o seu quarto e fechou a porta.

O Pai sentou-se e começou a ficar ainda mais nervoso com as perguntas feitas pelo filho. Como ele ousava fazer aquelas perguntas só para conseguir dinheiro?

Mas, uma hora depois, o homem tinha-se acalmado e começou a pensar:
«Talvez haja algo que o meu filho realmente precise de comprar com esses 7,50 € e, realmente, ele não pedia dinheiro com muita frequência.»

O homem foi ao quarto do filho e abriu a porta.
- Estás a dormir, meu filho? - perguntou.
- Não pai, estou acordado - respondeu o filho.
- Ah, olha, eu estive a pensar, e talvez eu tenha sido duro contigo há pouco - afirmou o pai -. Tive um longo dia e acabei a descarregar sobre ti. Aqui estão os 7,50 € que me pediste.

O menino levantou-se sorrindo.
- Oh, pai obrigado - gritou. Então, procurando por baixo do seu travesseiro, rebuscou alguns trocados amassados.

O Pai viu que o menino já tinha algum dinheiro e começou a enfurecer-se novamente.
O menino lentamente contou o seu dinheiro e, em seguida olhou para o pai..
- Por é que queres mais dinheiro se já tinhas algum? - gritou o pai.
- Porque eu ainda não tinha o suficiente mas agora já tenho - respondeu o menino.

- Pai, eu agora já tenho 15,00 €. Posso comprar uma hora do teu tempo? Por favor, amanhã, chega a casa mais cedo. Eu gostava de jantar contigo.

O pai ficou destroçado. Colocou os seus braços em torno do filho e pediu-lhe desculpa.


Comentário: Uma pequena lembrança a todos os que trabalham arduamente. Não se deve deixar escorregar através dos dedos o tempo sem ter passado algum dele com aqueles que realmente são importantes para nós, os que estão perto do nosso coração. Não te esqueças de compartilhar esses 15,00 € do valor do teu tempo, com alguém que gostas ou amas.

Se morrermos amanhã, a empresa para a qual trabalhamos, facilmente nos substitui numa questão de horas. Mas a família e amigos que deixamos para trás sentirão essa perda para o resto das suas vidas...

Se tiveres tempo, envia para alguém que gostes!!!

NR: circula na net.
Aproveitamo-la para a enviar àqueles que hoje mesmo a merecem muito.