17/11/2010

Poema de agradecimento à corja

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.
Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.
O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto público.
Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento", "Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim".

16/11/2010

Acidente nas minas de Aljustrel

Um grupo de mineiros portugueses ficou enterrado, a 700 metros de profundidade, em plena Mina de Aljustrel.

O governo socretino decide e acontece:

1) É criada uma comissão para iniciar as tarefas de resgate, integrada por 20 membros do PS e 19 da oposição. Cada membro contará por sua vez com 5 assessores, dois secretários e um motorista. As tarefas demoram porque não se consegue quórum para reunir e logo não há acordo para designar o Presidente e os vogais da Comissão.

2) A comissão reúne no próprio dia da sua criação e auto-atribui-se:
a - um ordenado mensal de 50 000€ ao presidente e um ordenado mensal de 40 000€ aos restantes membros;
b - benefícios que incluíam reforma garantida (a partir do momento da nomeação e mesmo que se demitissem no dia seguinte) e cartões de crédito sem limite de gastos;

3) O Primeiro-Ministro inteira-se desde logo da situação, e fala ao País, na RTP, afirmando que o acidente foi provocado pela crise internacional e pelo nervosismo dos mercados. Ao mesmo tempo, pergunta se não teriam encontrado no fundo da mina o seu certificado de habilitações como Engº Civil, já que ninguém o conseguiu ver até hoje...

4) Uma informação prestada pelo Ministro Jorge Lacão assegura que a profundidade não é tanta, trata-se da imaginação da oposição para criticar o governo, uma vez que pelos cálculos governamentais são no máximo 200m;

5) Não há fundos para as tarefas de resgate pelo que será criada uma taxa específica para esta operação. Suspeita-se que a taxa seja cobrada nos próximos quinze anos;

6) Para além desta taxa, solicita-se um fundo patriótico para o restante, proveniente do Fundo de Pensões das Companhias de Seguros. Para a boa gestão dos fundos e como o túnel é uma Obra Pública é nomeado Mário Lino;

7) OS EUA emprestam a grua de resgate, que desembarca em Vigo, devido às suas dimensões, mas esta não chega a entrar em Portugal porque, na fronteira, a SCUT está com barreiras de utentes em protesto pelo pagamento de portagens;

8) Uma vez libertada a grua pelo Corpo de Intervenção da PSP, a Alfândega dá logo ao fim de 120 dias a autorização para a importação da grua mediante o pagamento prévio de umas caixas de robalo ao Dr. Armando Vara, nomeado pelo Governo como Presidente da Fundação para o Auxílio aos Mineiros;

9) A grua não pode chegar à mina porque o condutor pertence ao sindicato dos operadores portuários e a grua tendo 4 rodas deve ser conduzida por um motorista de pesados e sob a supervisão dos inspetores do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT). No entanto, como este Instituto está em reestruturação, não pode nomear os inspetores pois ainda não fazem parte do seu quadro;

10) Entretanto, o Prós e Contras da RTP dá instruções para trazerem um mineiro para o programa, mas a TVI oferece mais para o ter na 'Casa dos Segredos'. Em consequência, gera-se um grande problema entre a Prisa, o Governo e a PT;

11) Finalmente consegue-se fazer chegar uma mini-câmara de TV ao fundo da mina mas não se conseguem ver os mineiros. A Câmara só transmite Manuel Luís Goucha e Futebol;

12) A grua consegue chegar ao fim de mais dois meses à mina porque a IMTT teve de solicitar vários pareceres externos para definir o procedimento de atribuição da matrícula para a grua poder circular. A GNR-BT tinha-a apreendido por circular sem a documentação necessária mas, entretanto, o Governo interpôs uma providência cautelar para libertar a grua em tempo útil;

13) Jerónimo de Sousa anuncia que os mineiros pertencem ao PCP e por isso o governo está a protelar o seu salvamento para não participarem nas eleições para a Presidência da República;

14) O Bloco de Esquerda repudia a grua por ser de fabrico americano, não se podendo tolerar a sua utilização enquanto continuar o massacre americano em Bagdad e Kabul;

15) Finalmente chega a Grua e começa a fazer descer a cápsula mas o cabo parte-se. O DIAP investiga irregularidades na compra do material mas não consegue ouvir os responsáveis. O Tribunal de Contas descobre que se comprou o cabo de pior qualidade mas que se pagou o preço dum modelo revestido a ouro. O dossier chega ao PGR que ordena o urgente arquivamento de todo o processo. O Conselho de Magistratura pede a revisão do arquivamento para o Supremo Tribunal solicitando a destituição do Ministro da Justiça;

16) Chega uma ordem para que se detenha o resgate até que cheguem ao local os gorros e casacos que os mineiros terão de vestir antes de chegar à superfície. Tem escrito a legenda: "Viva José Sócrates!";

17) Finalmente ao fim de dois anos e meio resgatam-se os mineiros. Afinal eram só 3 porque os restantes estavam de baixa quando se deu o acidente;

18) O mineiro resgatado lê o jornal com as notícias sobre o OE e no final pede que o devolvam aos 700 metros de profundidade. Afirma que a vida lá em baixo é bastante mais tranquila.

Há mais vida para além do orçamento

Um homem chegou a casa tarde, vindo do trabalho, cansado e irritado, e encontrou o seu filho de 7 anos esperando por ele na porta de casa.

- Pai, posso fazer-lhe uma pergunta?
- O que é? - Respondeu o homem.
- Pai, quanto é que tu ganhas por hora?
- Isso não é da tua conta. Porque é que estás a perguntar uma coisa dessas? - respondeu o pai em tom agressivo.
- Eu só quero saber. Por favor pai, diz-me quanto é que ganhas numa hora?
- Bem, se queres saber, eu ganho 15,00 € por hora.
- Ah..." - respondeu o menino, cabisbaixo.
- Pai, podes emprestar-me 7,50 €?

O pai ficou furioso:
- Essa é a única razão pela qual me perguntaste isso? Pensas que é assim que podes conseguir algum dinheiro para comprar um brinquedo ou alguma outra coisa? Vai para o teu quarto e deita-te. Pensa em como estás a ser egoísta. Eu não trabalho duramente todos os dias para tais infantilidades.

O menino foi calado para o seu quarto e fechou a porta.

O Pai sentou-se e começou a ficar ainda mais nervoso com as perguntas feitas pelo filho. Como ele ousava fazer aquelas perguntas só para conseguir dinheiro?

Mas, uma hora depois, o homem tinha-se acalmado e começou a pensar:
«Talvez haja algo que o meu filho realmente precise de comprar com esses 7,50 € e, realmente, ele não pedia dinheiro com muita frequência.»

O homem foi ao quarto do filho e abriu a porta.
- Estás a dormir, meu filho? - perguntou.
- Não pai, estou acordado - respondeu o filho.
- Ah, olha, eu estive a pensar, e talvez eu tenha sido duro contigo há pouco - afirmou o pai -. Tive um longo dia e acabei a descarregar sobre ti. Aqui estão os 7,50 € que me pediste.

O menino levantou-se sorrindo.
- Oh, pai obrigado - gritou. Então, procurando por baixo do seu travesseiro, rebuscou alguns trocados amassados.

O Pai viu que o menino já tinha algum dinheiro e começou a enfurecer-se novamente.
O menino lentamente contou o seu dinheiro e, em seguida olhou para o pai..
- Por é que queres mais dinheiro se já tinhas algum? - gritou o pai.
- Porque eu ainda não tinha o suficiente mas agora já tenho - respondeu o menino.

- Pai, eu agora já tenho 15,00 €. Posso comprar uma hora do teu tempo? Por favor, amanhã, chega a casa mais cedo. Eu gostava de jantar contigo.

O pai ficou destroçado. Colocou os seus braços em torno do filho e pediu-lhe desculpa.


Comentário: Uma pequena lembrança a todos os que trabalham arduamente. Não se deve deixar escorregar através dos dedos o tempo sem ter passado algum dele com aqueles que realmente são importantes para nós, os que estão perto do nosso coração. Não te esqueças de compartilhar esses 15,00 € do valor do teu tempo, com alguém que gostas ou amas.

Se morrermos amanhã, a empresa para a qual trabalhamos, facilmente nos substitui numa questão de horas. Mas a família e amigos que deixamos para trás sentirão essa perda para o resto das suas vidas...

Se tiveres tempo, envia para alguém que gostes!!!

NR: circula na net.
Aproveitamo-la para a enviar àqueles que hoje mesmo a merecem muito.

15/11/2010

Serviço Nacional de Saúde

O telefone toca e a dona da casa atende:

- Estou ! A senhora Silva, por favor.
- Sou eu própria.

- Olhe, aqui é dr. Arruda do Laboratório do Hospital. Ontem, quando o médico enviou a biópsia do seu marido para o laboratório, uma biópsia de um outro Sr. Silva chegou também e agora não sabemos qual é do seu marido... e infelizmente, os resultados são ambos maus...

- O que é que o senhor doutor quer dizer?

- Um dos exames deu positivo para Alzheimer e o outro deu positivo para HIV. Nós não sabemos qual deles é o do seu marido.

- Que horror! Mas vocês não podem repetir os exames?

- Não, o Serviço Nacional de Saúde só paga esses exames caros uma única vez por paciente.

- Bem, o que é que o senhor doutor me aconselha a fazer?

- O Serviço Nacional de Saúde sugere que a senhora leve o seu marido para algum lugar longe da sua casa e o deixe por lá. Se ele conseguir encontrar o caminho de volta, então não faça mais sexo com ele.

14/11/2010

Aung San Suu Kyi

A ditadura da Birmânia (ou União Myanmar, como inventaram chamar ao país) acaba de libertar a ativista Aung San Suu Kyi, líder da oposição e esperança do povo birmanês, depois de a manter presa e isolada durante longos anos.

Aung San Suu Kyi, Prémio Shakharov de 1990 e Prémio Nobel da Paz de 1991, foi a vencedora das últimas democráticas que ocorreram no país, na longínqua data de 1990 e cuja vitória os militares se apressaram a confiscar.

Depois dessa data, a ditadura do general Than Shwe massacrou milhares de populares e monges budistas que se rebelaram contra tirania. Este mês, a tirania organizou um simulacro de eleições que, sem oposição autorizada, "venceu" por mais de 80%...

 

A tartaruga em cima do poste

Enquanto suturava um ferimento na mão do velho Matsinhe, cortada por um caco de vidro indevidamente jogado ao lixo, o médico e o paciente começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Guebas.

O velhinho disse: "Bom, o senhor sabe... o Guebas é como uma tartaruga em cima do poste...".

Sem saber o que o Matsinhe quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.

E o Matsinhe respondeu: "É quando o senhor vai por uma estrada, vê um poste e lá em cima uma tartaruga tentando se equilibrar. Isso é uma tartaruga num poste."

Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:
"Você não entende como ela chegou lá;
Você não acredita que ela esteja lá;
Você sabe que ela não subiu para lá sozinha;
Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
Você não entende porque a colocaram lá;
Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá, e providenciar para que nunca mais suba, pois lá em cima definitivamente não é o lugar dela".

Mozal

Subóptima foi a classificação publicamente atribuída pela Mozal à engenharia que está na base do anunciado choque de uma intensa poluição alumineira na Matola.

À primeira, a coisa cheirou-me a eufemismo industrial e, à segunda, cheguei até a admitir a hipótese de um involuntário lapso por parte do novel diretor Mozal.

Contudo, ao ponderar tradicionais conceitos da Engenharia de Sistemas – um processo holístico que visa evitar soluções subóptimas de forma a prevenir graves disfunções industriais, tais como poluições -, concluí que, vindo de quem veio, a admissão de tamanha deficiência na construção dos Centros de Tratamento de Fumos na Mozal trazia muita água no bico.

Começou então a esboçar-se-me a ideia de que esta admissão só poderia significar que a alumineira teria era já encontrado uma forma de responsabilizar, e de espremer a seu favor, a alegada incompetência do empreiteiro que conduziu os CTFs Mozal ao atual risco de "falha catastrófica".

Ocorre que o conceito "subóptimo" normalmente conduz a uma via de dois sentidos. Um deles será o que aparentemente foi adoptado pela Mozal e que, naturalmente, pressupõe a aplicação de pesadas penalizações contractuais a sub-empreiteiros implicados em incompetências desta magnitude.

E quando era legítimo esperar-se que o Governo explorasse o segundo sentido das implicações desta "engenharia subóptima", e acionasse todos os mecanismos ao seu alcance de forma a proteger quem, sem culpa e protecção algumas, se vê condenado a levar com 137 dias de mega-doses de tóxicos alumineiros em cima, não foi isso o que se viu.

Inexplicavelmente, o que se viu foi um Governo mimetizando as posições Mozal e freneticamente empenhado em caucionar conclusões cuja ciência não pode ser escrutinada dado o secretismo que a envolve – e aqui convém lembrar que, na alínea c) do seu Artigo 4, a Lei do Ambiente (20/97) estabelece como um dos seus princípios fundamentais o da precaução "com base no qual a gestão do ambiente deve priorizar o estabelecimento de sistemas de prevenção de actos lesivos ao ambiente de modo a evitar a ocorrência de impactes ambientais negativos significativos ou irreversíveis, independentemente da existência de certeza científica sobre a ocorrência de tais impactes."

Igualmente inexplicável é o facto de não se ter descortinado qualquer ação governamental visando a identificação de alternativas e/ou mitigações técnicas para problemas detetados há quase 2 anos, ou mesmo de não se terem precavido os deveres de responsabilidade civil por parte da alumineira, como igualmente estipula a Lei do Ambiente – uma atitude que não seria muito difícil já que, dentre múltiplas hipóteses, ao Governo bastaria por exemplo congelar em trust account os 50 milhões de USD de subsídio moçambicano que, por malabarismo estatístico de um muito discutível selo Made in Mozambique, a Mozal empocha todos os anos como margem de preferência nas suas exportações (mínimo de 3.4% do valor exportado).

Não se infiram aqui sugestões de que qualquer dano eventualmente causado pelas anunciadas descargas Mozal poderá ter um preço de negociação. Não!

E ninguém, em boa saúde mental o poderá sugerir. Mas, numa altura em que a Mozal já tem luz verde por parte do Governo para avançar com as poluentes mega-descargas, parece-me de elementar prudência que, no mínimo, e à semelhança do que tantos outros governos têm vindo a fazer, se acautelem os enormes custos que elas poderão vir a ter sobre pessoas, bens e ambientes.

E por falar em cifrões, importa referir que, numa altura em que até no jargão FMI/Banco Mundial a Mozal começa já a ser desdenhosamente tratada como um caso extremo de "lucros insanos" (mais de 1.5 biliões USD só de lucros exportados nos últimos 5 anos), por aqui, não só cresce a incompreensão quanto ao estado zero de impostos pagos pela Mozal, como também se vai formando consenso quanto ao mínimo que ela deveria pagar: 150 milhões USD por ano. Curiosamente, tudo isto acontece quando também já se sabe que no universo acionista Mozal, pelo menos a BHP Billiton está, não só preparada para começar a pagar impostos, mas sobretudo perplexa pela timidez de o Governo em os sugerir.

Entretanto, e à medida que em Moçambique se vão perfilando algumas hipóteses de grandes projetos mineiro-industriais e agrícolas, é cada vez mais patente a necessidade de, urgentemente, o Governo ir melhor gerindo os riscos que eles podem representar para o Estado dos cidadãos – caso não, continuaremos a ser embrulhados em engenharias propensas a desastres e acidentes estruturais e/ou a pagar várias vezes as mesmas infra-estruturas, como recentemente aconteceu com o colapso da barragem Massingir, com a rotura da lagoa de retenção em Moma/Topuito, ou com as descargas em Cahora Bassa (2006/08), para citar apenas alguns.

En passant, e embora isto não nos sirva de conforto, vale lembrar que as críticas à BHP Billiton (acionista maioritária da Mozal) não se restringem a Moçambique; na verdade, na última Assembleia-geral da BHP Plc em Londres (out 21) várias foram as pressões accionistas para que a sua principescamente paga direcção executiva estivesse mais atenta e solidária para com as disfunções sócio-económicas que vem causando nos seus teatros de operações – a par das descontroladas emissões anunciadas pela Mozal, alguns accionistas daquela que é a mais lucrativa companhia mineira do mundo referiram-se também ao incumprimento de promessas na Colômbia, aos potenciais danos de uma mina de carvão na Indonésia e às aparentes violações aos direitos do povo do Sahara Ocidental à auto-determinação, para não falar da monstruosa gaffe de um chairman quando, a propósito de um takeover hostil sobre a potassa de Saskatchewan se referiu ao Canadá como uma mera delegação BHP Billiton.

E é assim que, aos ziguezagues entre o sub-óptimo e o muito mau, durante 137 dias, dezenas de milhar de pessoas serão vítimas de descargas tão intensamente poluentes que até os mais optimistas as configuram como um anunciado desastre de incalculáveis proporções – tudo isto porque a Mozal não dispõe de capacidade de manutenção proativa, nem sequer de cruciais planos de contingência,

José Lopes
in «xitizap», 10.11.2010

13/11/2010

Selva sem lei ... Isto não fica por aqui!


As autoridades norte-americanas costumavam dar sermões a outros países a respeito dos fracassos econômicos destes e aconselhar que eles imitassem o modelo dos Estados Unidos. A crise financeira asiática do final da década de noventa, em particular, fez com que os norte-americanos dessem muitas lições de moral.

Assim, em 2000, Lawrence Summers, o então secretário do Tesouro dos Estados Unidos, declarou que o segredo para se evitar crises financeiras residia em "bancos bem capitalizados e supervisionados, governança corporativa eficiente e códigos relativos a falências, bem como meios convincentes de fazer com que contratos sejam respeitados". A dedução óbvia é que todas essas eram qualidades das quais os asiáticos careciam - mas que nós tínhamos.

Os escândalos de contabilidade na Enron e na WorldCom acabaram com o mito da governança corporativa eficiente. Atualmente, se alguém falar que os nossos bancos estavam bem capitalizados e supervisionados, todos acharão que trata-se de uma piada de mau gosto. E agora a bagunça das hipotecas está contradizendo as alegações de que nós contamos com um sistema eficaz para garantir o cumprimento de contratos – na verdade, a questão é saber se a nossa economia é governada por algum tipo de regra legal.

A história até o momento é a seguinte: um aquecimento épico do setor imobiliário e um persistentemente elevado índice de desemprego provocaram uma onda de calotes epidêmica, quando milhões de proprietários de residências passaram a atrasar as prestações das suas hipotecas. Assim sendo, as companhias que coletam pagamentos para os donos de hipotecas passaram a cancelar muitos contratos, confiscando diversas propriedades residenciais.

Mas será que elas têm de fato o direito de sequestrar essas casas? Histórias de horror têm se proliferado, como o caso daquele homem da Flórida cuja casa foi confiscada ainda que ele não tivesse nenhuma hipoteca. E o mais significativo é que certas pessoas estão ignorando a lei.

Os tribunais têm aprovado sequestros de imóveis sem exigir que os cobradores apresentem documentação apropriada; em vez disso, eles têm se baseado em declarações que garantem que os papéis estão em ordem. E essas garantias são com frequências prestadas por "assinantes-robôs", ou funcionários de pouca importância hierárquica que não sabem se as declarações apresentadas são de fato verdadeiras.

Agora uma verdade terrível está ficando evidente: em muitos casos, não existe documentação nenhuma. No frenesi da bolha, muitos empréstimos para compra de imóveis foram feitos por companhias inescrupulosas que procuram gerar o maior volume possível de negócios. Essas empresas tinham a obrigação legal de obter e guardar as notas de hipoteca que especificassem as obrigações dos mutuários. Mas agora está claro que tais detalhes foram frequentemente negligenciados. E isso significa que muitos sequestros de residências que estão ocorrendo no momento são, na verdade, ilegais.

Isso é péssimo. Até porque é quase certo que um número significativo de mutuários está sendo fraudado – tendo que pagar taxas que eles na verdade não devem, e sendo declarados insolventes quando, segundo os termos dos seus contratos de empréstimo, não é essa a situação real.

Além disso, se essas empresas são incapazes de apresentar provas de que de fato são donas das hipotecas, os patrocinadores de tais companhias enfrentarão processos judiciais movidos pelos investidores que compraram os títulos de resgate da dívida – títulos que, atualmente, muitas vezes valem apenas uma pequena fração do seu valor real.

E quem são esses patrocinadores? Grandes instituições financeiras – as mesmas instituições que foram supostamente salvas da falência por programas governamentais no ano passado. Assim, a bagunça das hipotecas ameaça provocar uma outra crise financeira.

O que pode ser feito?
A resposta do governo Obama tem sido opor-se a qualquer ação que possa irritar os bancos, como uma moratória temporária dos sequestros de imóveis residenciais enquanto algumas questão são resolvidas. Em vez disso, o governo está pedindo aos bancos, de forma muita educada, que se comportem melhor. Isso funcionou muito bem no passado, não é verdade?

A resposta da direita é, no entanto, ainda pior. Os republicanos no congresso não estão se manifestando muito, mas os comentaristas conservadores como os da página de editorial do "Wall Street Journal" têm afirmado que a falta de documentos é um detalhe sem importância. De fato, eles afirmam que se um banco diz que é dono da casa de um determinado indivíduo, nós devemos acreditar automaticamente na palavra da instituição financeira.

Para mim, isso faz lembrar a época em que os membros da nobreza tinham liberdade para se apossarem do que quisessem, sabendo que os camponeses não tinham voz nos tribunais. Mas é aí que eu suspeito que algumas pessoas veem aquela época como "os bons e velhos dias".

O que deveria estar acontecendo? Os excessos dos anos da bolha criaram um lamaçal moral, no qual os direitos de propriedade são mal definidos porque ninguém possui documentação apropriada. E no qual não existe nenhum direito claro de propriedade; o trabalho de criar tais direitos cabe ao governo.

Isso não será fácil, mas há algumas boas ideias circulando em relação ao problema. Por exemplo, o Centro para o Progresso Americano propôs que seja delegado a conselheiros de hipotecas e outras entidades públicas o poder de modificar diretamente os empréstimos problemáticos, de forma que as suas avaliações sejam o padrão a se seguir a menos que sejam contestadas pelos cobradores de hipotecas. Isso contribuiria bastante para deixar as coisas mais claras e ajudar a nos tirar desse lamaçal.

Uma coisa é certa: o que estamos fazendo agora não está funcionando. E fingir que tudo está bem não convencerá ninguém.
Paul Krugman

Paul Krugman

Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, Krugman venceu o prêmio Nobel de economia em 2008

12/11/2010

Valha-nos deus


Liberdade de expressão é um bem que cada vez mais falta faz.

11/11/2010

Os 4 e o burro

Certa vez, quatro meninos foram ao campo e, por 100 €, compraram o burro de um velho camponês.

O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte.
Mas, quando eles voltaram para levar o burro, o camponês disse-lhes:
- Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.
- Então devolva-nos o dinheiro!
- Não posso, já o gastei todo.
- Então, de qualquer forma, queremos o burro.
- E para que o querem? O que vão fazer com ele?
- Nós vamos rifá-lo.
- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?
- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.
Um mês depois, o camponês encontrou-se novamente com os quatro garotos e perguntou-lhes:
- E então, o que aconteceu com o burro?
- Como lhe dissemos, nós rifámo-lo. Vendemos 500 rifas a 2 € cada uma e arrecadámos 1.000 €.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador, porém devolvemos-lhe os 2 €, e pronto!
MORAL DA HISTÓRIA:Os quatro meninos cresceram.
- Um fundou um banco chamado BPN,
- Outro uma empresa chamada GALP,
- Outro uma igreja chamada Universal,
- E o último dirige um partido político chamado PS.
Estão agora todos a governar Portugal!!!!

10/11/2010

Passas tu ou passas tu?

Idiota de grande dimensão:

Nepotismo socretino

As nomeações de dois antigos sócios do secretário de Estado adjunto das Obras Públicas para cargos de administração nos CTT decorreram com base no "escrupuloso cumprimento da Lei", assegurou a Secretaria de Estado das Obras Públicas e Comunicações ao «Público». Segundo a tutela, os dois responsáveis foram escolhidos "pela sua vasta experiência na área da gestão no setor público e privado bem como em multinacionais".

Numa resposta por escrito ao «Público», o gabinete de assessoria de comunicação da Secretaria de Estado garante que "as nomeações efetuadas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e pelo Ministério das Finanças baseiam-se no escrupuloso cumprimento da Lei e recaem na escolha de pessoas com o perfil adequado para cada cargo".

Marcos Afonso Vaz Batista, nomeado em 2005 para a administração dos CTT e de outras cinco empresas do grupo dos correios, e Luís Manuel Pinheiro Piteira, a exercer um cargo desde 2009 na administração da Empresa de Arquivo de Documentação, foram solicitados pela secretaria de Estado à empresa Águas de Portugal e do Millennium/BCP, respetivamente, e foram escolhidos pela sua "vasta experiência na área da gestão no setor público e privado bem como em multinacionais - ou seja preparados para trabalhar em qualquer setor/área - e/ou pela sua experiência e conhecimento específico".

O ministério afirma que as provas de que as duas nomeações efectuadas "se revelaram adequadas são os excelentes resultados obtidos pelas empresas tuteladas pela Secretaria de Estado das Obras Públicas e Comunicações, que permitiram diminuir significativamente os encargos dos contribuintes e aumentar a sua contribuição para as receitas do Orçamento do Estado".

A Rádio Renascença avançou hoje que o secretário de Estado Paulo Campos, que tem a tutela dos CTT, nomeou, em 2005, ano em que assumiu o cargo no ministério, Marcos Batista, um dos sócios que tinha na empresa Puro Prazer, para assumir funções na administração dos CTT. Em 2009, Paulo Campos traz para o grupo Luís Manuel Pinheiro Piteira, que dentro dos CTT é convidado para a administração da Empresa de Arquivo de Documentação. Este ano, acumulou ainda a estas funções o cargo de administrador de outra empresa dos CTT, a PayShop.

Segundo a Secretaria de Estado, a empresa Puro Prazer foi criada em 1994 por cinco sócios, entre os quais Paulo Campos, Marcos Batista e Luis Piteira, "para organizar a Semana Académica de Lisboa no ano de 1995". Um ano depois, a empresa era extinta, mas a cessação de atividade só iria ser oficialmente declarada pela Conservatória do Registo Comercial de Lisboa em 2002.

Desde então, Paulo Campos não terá tido outra relação profissional com os dois antigos sócios, até às nomeações para os dois cargos na empresa pública.

Licenciado em Economia, antes de entrar para a administração dos CTT e da PayShop, segundo uma curta biografia de Marcos Batista divulgada por esta última empresa, o administrador assumiu o cargo de marketing manager da Avon Cosméticos, bem como o de director Financeiro e de Marketing da Área Dinâmica, o de director-geral da Laveiro, o de director de Marketing e Comunicação do grupo Águas de Portugal e o de administrador da empresa Águas de Moçambique.

Ainda de acordo com o site da PayShop, Luis Piteira, o segundo administrador nomeado pelo gabinete do secretário de Estado, tem frequência do 3.º ano do curso de Contabilidade e Administração. Luis Piteira começou a sua carreira na empresa AF Investimentos, sociedade gestora de Fundos de Investimento do actual grupo Millennium BCP, passando em 1998 a gerir fundos e seguros de capitalização no mesmo grupo. Oito anos depois trabalhava na área de Controlo e Planeamento do Millennium Investmet Banking. No ano passado, foi nomeado vogal do Conselho de Administração da EAD e em Julho deste ano acumulou o cargo também de vogal do Conselho de Administração da PayShop.

in «Público», 09.11.2010
NR: ver o Código de Ética do grupo CTT para pereceber melhor onde cabem nomeações de amigos, ao abrigo do nepotismo socretino

09/11/2010

Cavalo à solta...

Cavalo assaltado por Puro Prazer!

Este homenzinho não se demite? E os amigos ficam?
Onde para a coluna vertebral?

in «Renascença», 09.11.2010

Manada de idiotas

Arrumação à "manada" numa entrada do Metro:

08/11/2010

Os deputados do Povo

Uma sugestão para os representantes do Povo, em São Bento. Quem sabe, talvez ganhem coragem para se diminuirem na presente quantidade (220).

07/11/2010

Momentos

Um filme muito oportuno (de Nuno Rocha e Victor Santos com Life's Good):

06/11/2010

Cronologia da mentira

I. No Expresso de 9 de Outubro, Filipe Santos Costa fez a cronologia do "socratismo". Convém olhar para esta história dos últimos anos, porque ela é reveladora (vou só usar os dados económicos; os "casos" são outra história).

II. Em 2008, no meio do caos e da incerteza da tal crise internacional, José Sócrates criou a mentira número um: Portugal era um oásis, que resistia à crise internacional. Resultado: o governo baixou o IVA para 20% (um partido tem de fazer pela vidinha). Porém, meses depois, o governo nacionalizou o BPN, e começou a dizer que a crise, afinal, tinha chegado a Portugal. Neste cenário, Sócrates inventou a mentira número dois, que, aliás, permanece no menu do PS: Portugal está mal apenas e só por causa da crise internacional. O facto de Portugal não crescer a sério desde 1999 é um pormenor.

III. Em 2009, a negação da realidade atinge níveis patológicos. Com fins meramente eleitoralistas, Sócrates e Teixeira dos Santos "escondem o valor do défice" e Sócrates promete "o que outros dizem (e o tempo prova) que não pode cumprir: grandes investimentos e generosas medidas de apoio". Pior: sabendo que isso seria suicidário para as contas públicas, Sócrates e Teixeira dos Santos aumentaram a função pública em 2.9% (uma medida eleitoralista que dá voltas ao estômago). Neste ambiente populista e eleitoral, nasceu a mentira número três: aqueles que apontavam o dedo para a realidade não eram realistas, mas sim "bota-abaixistas". No mundo de Sócrates e do PS, ser-se patriota é o mesmo que obedecer ao optimismo torpe dos socialistas.

IV. Fevereiro de 2009: a apresentação do OE2010 "obriga Sócrates a assumir o défice de 2009: nem os 2,2% previstos no início, nem os 5,9% indicados em Maio, nem os 8,5% admitidos em Dezembro". O défice era de 9,3%. Mas, com uma cara de pau ímpar na nossa democracia, Sócrates afirmou que "nunca houve tanta transparência nas contas públicas portuguesas". E, depois, o que fez Sócrates? Entrou em campanha, gastando mais dinheiro em eventos (inúteis, e que apenas serviam a sua propaganda) e abrindo mais escolas e hospitais (que não pode pagar). Entretanto, Sócrates inventa a mentira número quatro: aqueles que querem reformar o insustentável estado social são os neoliberais-malvados-que-querem-fazer-mal-aos-portugueses-pobres. O Estado está a cair de podre, mas não se pode tocar no dito estado.

V. Em Maio de 2010, aparece o PEC II. Sócrates dizia que era suficiente (afinal, chegámos ao final de 2010 com um buraco de 1.8 mil milhões no Orçamento). Para terminar a história, aparece o "29 de Setembro", e os episódios dos últimos dois meses. Caro leitor, vamos ser honestos: V. emprestava dinheiro a este indivíduo?
Tendo em conta este historial, V. emprestava dinheiro a este governo?

Henrique Raposo
in «Expresso», 05.11.2010

 

05/11/2010

Há tipos com sorte!

Por vezes, o melhor é não sair de casa! Imagens de Setembro de 2010, um ciclista no meio do caos.
     

Um par de idiotas

Não chega um idiota tapar o passeio todo, é preciso a companhia de outro idiota.

04/11/2010

O banco e a padaria

Carta de um cliente de uma instituição financeira portuguesa que, como é sabido, é atentamente supervisionada pela autoridade monetária que dá pelo nome de Banco de Portugal

Exmos. Senhores Administradores do Banco:

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da vossa rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os clientes pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao cliente. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o cliente pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.

Que tal?

Pois, ontem saí do Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.

Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.

Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.

Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto do vosso negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no vosso Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de conta'.

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.

Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'Papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora', o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.

Pedi um extrato da minha conta - um único extrato no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.

A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.

Mas os senhores são insaciáveis.

A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de vosso Banco.

Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a vossa responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o vosso negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.

Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.

ass) Cliente

03/11/2010

Novo Hino Nacional Português

Heróis do mal
Pobre Povo
Nação doente
Imortal
Expulsai os tubarões
Exploradores de Portugal

Entre as burlas
Sem vergonha
Ó Pátria Cala-lhe a voz
Dessa corja tão atroz
Que há-de levar-te à miséria

P'ra rua, p'ra rua
Quem te está a aniquilar
P'ra rua, p'ra rua
Os que só estão a chular
Contra os burlões  Lutar, lutar!

02/11/2010

Idiota em dia de chuva

Um idiota de carga.

01/11/2010

Portugal, um país à deriva

Na data deste artigo, a dívida pública nacional atinge um valor superior a 130 mil milhões de euros. Em números, é algo como 130.000.000.000 euros. É um valor assustador.

Os mercados internacionais continuam a demarcar-se do Estado português e da sua dívida. Vale a pena analisar alguns dados. Portugal é neste momento o sétimo país do mundo mais arriscado. Pertencemos atualmente a um top 10 de risco que reúne nomes ilustres como Venezuela, Dubai, Grécia e Iraque. Portugal é considerado atualmente como duplamente mais arriscado que Rússia, Israel ou Colômbia.

Face a este panorama, o Governo nacional demorou mais de seis meses a reagir. Alega o nosso primeiro-ministro que não estava claro para ele que fosse necessário tomar qualquer medida, pois eventualmente, a situação internacional melhoraria, e seriam então desnecessárias quaisquer medidas reformadoras do nosso sistema fiscal moribundo. Em finanças, este tipo de atitude tem apenas um nome - especulação. Só que, infelizmente, neste caso, a especulação foi efetuada com o dinheiro dos cidadãos e empresas. As implicações reais culminam na quase impossibilidade de qualquer empresa portuguesa obter financiamento internacional.

Entre 2011 e 2013, Portugal terá de emitir cerca de 60.000 milhões de euros de dívida pública (75% visam substituir dívida que entretanto chegará à sua maturidade, e os restantes 15.000 milhões visam pagar os défices públicos que irão existir entre 2011 e 2013). Só em 2011 Portugal terá de emitir cerca de 40.000 milhões de euros de dívida pública, dado que tem sucessivamente insistido em emissões de curto prazo, que chegarão à sua maturidade em 2011, e terão de ser renovadas. A estes valores somam-se mais de 15.000 milhões de euros de emissões de dívida a ser emitida pelos principais bancos nacionais. Contudo, estes dependem a quase 100% da credibilidade da República. Se a nossa situação se deteriorar, os mercados internacionais podem ficar completamente fechados para alguns destes bancos, o que terá consequências muito nefastas na economia real.

Portugal paga hoje mais 4% de juro anual do que a Alemanha. Em 2007 este spread era de apenas 0,4%. Como qualquer família com crédito bancário compreende, um aumento de mais de 3% no juro a pagar tem um forte impacto no orçamento familiar. No caso de Portugal, relativamente a 2007 e a manterem-se os valores atuais de risco do país, iremos pagar anualmente mais 4000 a 6000 milhões de euros em juros adicionais. Em termos reais, isto significa que o custo do descalabro orçamental em que nos encontramos, é superior ao custo de um novo aeroporto de Lisboa por ano.

Neste contexto, o que foi feito entretanto? Uma redução das despesas onde é mais fácil (salários de funcionários públicos), e um aumento do imposto mais penalizador da classe média - o IVA. Ao mesmo tempo, em 2009 Portugal foi um dos países do mundo que mais contratou parcerias público-privadas (PPP). Como exemplo, em 2009, Portugal registou um volume de PPP três vezes superior ao da França. Infelizmente, o investimento público direto foi praticamente cancelado, e as PPP passaram a ser a regra em vez da excepção. Contudo, estas PPP têm encargos para os contribuintes muito superiores, e fazem também parte da dívida pública indireta. Em finanças, chama-se a isto engenharia financeira. Ao entrarem sucessivamente em PPP do tipo empréstimo subprime, os sucessivos governos massajam as estatísticas, enganam a Comissão Europeia, mas acima de tudo, penhoram o futuro do país, e qualquer réstia de esperança em melhorar a nossa competitividade e nível de vida. Nos mercados internacionais, este comportamento vem agravar ainda mais o problema da dívida pública. A passagem do fundo de pensões da PT para o Estado tem também custos futuros elevadíssimos para o Estado. Quando a gestão da PT aplaude e os seus sindicatos se congratulam, parece claro que todos ficam a ganhar à excepção do contribuinte. Uma vez mais, a busca do lucro especulativo de curto prazo (redução do défice com medidas artificiais), sobrepõe-se como habitual à busca de uma solução criadora de valor de longo prazo.

Estamos num caminho insustentável. Estamos há 10 anos a divergir da UE. Fomos ultrapassados por 9 dos últimos 10 países que aderiram depois de nós. Quanto tempo mais vamos ter de divergir para que os nossos governantes deixem de seguir a solução fácil, engenharia financeira e transferência de riqueza para determinados grupos da nossa sociedade? Estimativas internacionais apontam apenas para 2037 a entrada no grupo dos países com dívida pública inferior a 60%. Efetuando algumas simulações em cenários bem mais optimistas (assumindo que as medidas apresentadas pelo Governo têm sucesso; a partir de 2013-2014 se atinja um balanço equilibrado; crescimento económico volte a atingir os 3% dentro de 4 anos) só em 2021 Portugal entrará novamente na lista de países com menos de 60% de dívida pública. Estes cenários revelam custos elevadíssimos, se o novo regime de procedimentos automáticos contra países incumpridores e reincidentes em matéria de indisciplina orçamental for aprovado pela União Europeia.

Em conclusão, parece evidente que as medidas de curto prazo apresentadas recentemente não são uma solução duradoira para os graves problemas da nação. Portugal tem de agir, e comunicar ao mercado que irá a partir daqui ter uma gestão financeira rigorosa. É tempo de parar com engenharias financeiras destruidoras de valor. Por que não utilizar algumas das boas práticas das nossas melhores empresas para a gestão do património público? Foi desastrosa a gestão da imagem pública da República nos mercados internacionais este ano. No entanto, temos várias das nossas empresas reconhecidas como excelentes em termos internacionais, e a receberem prémios de excelência em investor relations. Também a Espanha teve um comportamento exemplar este ano, com um roadshow muito bem sucedido, e elaborado com um elevado nível de profissionalismo. Em Portugal o que foi feito?

Nuno Fernandes,
Professor de Finanças na IMD, escola de gestão suíça
in «Público», 31.10.2010

O que diz Medina Carreira

"(...) O primeiro-ministro não tem estratégia nenhuma na cabeça senão andar a fazer espectáculo e ir conciliando as circunstâncias para ver se vai durando. Aliás, este primeiro-ministro foi realmente uma desgraça para o País: nem tocou nos aspectos financeiros, nem tocou nos aspectos económicos (...)"

"(...) A chamada consolidação de que o ministro Teixeira dos Santos e o primeiro-ministro falam - "já fizemos uma, podemos fazer duas ou três" - não tem assento nenhum na realidade (...)"

"(...) Havendo menos rendimento, porque os salários baixam e os impostos aumentam, a população vai consumir menos. É a evolução natural (...)"

"(...) Quando chegarmos a 2013, saem as Scut e começam a entrar as parcerias público-privadas no Orçamento. Mil milhões, mil e seiscentos milhões, mil e quinhentos milhões todos os anos! Depois de termos isto arrumado, aparece a desarrumação. Nessa altura, é quase com certeza necessário outras medidas (...)"

"(...) O real problema é a economia. Não temos justiça que funcione, a nossa educação é uma miséria, a burocracia é um inferno, a corrupção (...)"

"(...) O Simplex foi importante, mas o meu amigo faz uma sociedade em 50 minutos e depois espera seis meses para lhe darem uma autorização para pôr um toldo ou para abrir a porta. Não há uma visão global. Este Governo é um Governo de fogachos. O Simplex é muito bom. E o resto?! (...)"

"(...) O mapa autárquico de mil oitocentos e tal não presta. Temos 30% de municípios com menos de dez mil habitantes... O que pagam de impostos não dá para o presidente da câmara, o chauffeur e a secretária! (...)"

"(...) 4500 freguesias é um disparate! E, no mapa autárquico, sabe porque não se mexe? Porque há presidentes de câmara que têm de ir tratar da vida para outro sítio. Não se faz nada que mexa em interesses! Empresas municipais - suprimir aí a eito (...)"

"(...) Não preconizo que se mexa no Estado Social, em pessoas com 300 euros de reforma, que já são uma desgraça. Mas é acabar com as despesas inúteis todas... Há coisas que deve ser o ministro das Finanças a autorizar. Os carros devem ser modelo médio para ministros, e têm de durar cinco ou seis anos. Quando fui ministro, tinha um carro recuperado da sucata da alfândega de Lisboa (...)"

"(...) O Ministério das Finanças não merece crédito! E o Ministério das Finanças era das coisas rigorosas que havia no País. Aquilo já é considerado uma barraca de farturas (...)"

"(...) Tenho muitas dúvidas sobre os governos dos dois partidos que podem governar Portugal... Estes governos foram tomados de assalto por gente sem vida profissional, que vai para ali só para andar atrás nos carros ou para arranjar negócios. Não quer dizer que não haja pessoas capazes, mas três capazes no meio de dez incapazes assusta-me (...)"

"(...) As pessoas dos partidos políticos vão para o topo para tratar da sua vida. Quando fui para o Estado, não fui para tratar da minha vida, porque perdi dinheiro durante vários anos! Ganhava cem contos por mês no meu escritório. E quando fui ministro ganhava trinta, três anos depois (...)"

"(...) Alegre diz que o Presidente não devia ter dito não sei o quê, porque estas campanhas são só de conversa, nunca se trata de nada de essencial! Se perguntar a Alegre como é que ele mantém o Estado social, não faz ideia nenhuma, como é óbvio. São campanhas só para cumprir prazo e formalidade legal; isto não presta para nada (...)"

"(...) Não me calo, fale quem falar! Estou ao serviço do País, e, portanto, não me calo de jeito nenhum, façam o que fizerem! O próprio primeiro-ministro queria também que eu e o Mário Crespo fôssemos "resolvidos" (...)"

"(...) Só vi José Sócrates uma vez na vida. Foi em casa de António Guterres há 20 anos. Não tenho nada contra ele, tenho-o como homem de Estado que é muito mais dado à forma do que à substância, muito mais dado à aparência do que à realidade. Ele julga que os problemas se resolvem por vontade. É um homem que deveria ser um bom treinador de futebol, um homem que diz "é preciso coragem, determinação e tal". O que é preciso é competência, ponderação, ser capaz de ouvir e de assumir - isso é que é um homem de Estado. Ele não é um homem de Estado! Ele está em trânsito numa função para a qual não tem nenhuma virtude desejável no nosso país.

Continua a desligar a televisão sempre que ele fala?
Sim, sim, não quero ouvi-lo! De bola, já eu estou farto".

31/10/2010

Uma empresa de táxis

A desbunda socretina não tem limites!
Em tempos de crise (ou até mesmo que não houvesse crise), as evidências de favorecimento de compadres e afilhados é impressionante.

São 13 motoristas, certamente, para montar uma empresa de táxis!

As publicações oficiais, felizmente, falam por si:

Despacho n.º 8346/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita à empresa Deloitte & Touche, Lda., António José Oliveira Figueira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8347/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita à Associação dos Bombeiros Voluntários de Colares Rui Manuel Alves Pereira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8348/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita ao Sindicato dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Hotelaria e Serviços Vítor Manuel Gomes Martins Marques Ferreira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8349/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Augusto Lopes de Andrade para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8350/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita à empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa, S. A.,Arnaldo de Oliveira Ferreira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8351/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o assistente operacional Jorge Martins Morais da Secretaria-Geral do Ministério da Cultura, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8352/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o assistente operacional Jorge Orlando Duarte Vouga do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, I. P., para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8353/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Jorge Henrique dos Santos Teixeira da Cunha para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8354/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa a agente principal da Polícia de Segurança Pública Liliana de Brito para exercer funções de apoio administrativo no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8355/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública José Duarte Barroca Delgado para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8356/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Manuel Benjamim Pereira Martinho para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8357/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Horácio Paulo Pereira Fernandes para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8358/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Custódio Brissos Pinto para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Eleição brasileira

Os brasileiros escolhem entre a "pau-mandado" e o "eterno-candidato".

É preciso ver quem é nota falsa!

30/10/2010

Deputado

Estava eu a pensar...
O meu cão dorme em média 20 horas por dia.
Ele tem toda a comida preparada para ele.
Ele pode comer qualquer coisa que lhe apeteça.

A comida é-lhe dada sem custo. Vai ao veterinário uma vez ao ano, ou quando necessário, sempre que algum mal lhe aparece.
E não paga nada por isso e nada lhe é pedido.

Mora numa zona central, com boa vizinhança e numa casa que é muito maior do que ele necessita, mas não precisa limpar nada. Se ele fizer porcaria, alguém limpa. Ele escolhe os melhores lugares da casa para fazer a sua soneca, e recebe essas acomodações completamente grátis.

Vive que nem um rei e sem que isso lhe acarrete qualquer despesa extra. Todos os seus custos são pagos por outras pessoas que tem de sair de casa para ganhar a vida todos os dias.

Eu estive a pensar sobre isto, e de repente concluí...pxxx.. que o pariu... ... ...
O meu cão é deputado!

ass: Belarmino Macuácua

29/10/2010

Otango em Sintra

No Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, a 29 de Outubro, como parte de uma temporada pela Europa, apresentou-se o grupo argentino 'Otango' com o espetáculo "The Ultimate Show" absolutamente fabuloso.

Suportado num enredo simples, percorre-se a história, origem e a evolução do tango, a música e dança tradicional da Argentina.

SCUT, scut... CCUT

Antes eram Sem Custos para o UTilizador - invenção Cravinho-Guterres-Sócrates - e, agora, CCUT, quer dizer, Com Custos...

E tinha que acontecer: o famoso terrorista Bin QualquerCoisa, comenta a situação das SCUT portuguesas e o estado das estradas em geral.

28/10/2010

O que diz Castel-Branco

"A Pobreza dos moçambicanos não é mental nem espiritual" – afirma o economista e diretor do IESE, para quem o discurso do chefe do Estado Armando Guebuza visa esconder a real origem da pobreza que afeta mais da metade dos moçambicanos Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas. Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como um recurso de coleta de ajuda externa, "a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos", bem como "na distribuição do dinheiro para projectos individuais dos governantes".

O diretor-geral do Instituto Estudos Sociais e Económicos (IESE), Carlos Nuno Castel-Branco, refutou o discurso propalado pelo chefe do Estado, segundo o qual, a pobreza dos moçambicanos é mental. O economista considera que este tipo de discurso é um desvio propositado de Armando Guebuza que visa desviar as verdadeiras razões da pobreza no país.

Castel-Branco fez estes pronunciamentos à margem da publicação das obras: "Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique"; e Proteção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique", da autoria de pesquisadores da IESE, em Maputo.

Os comentários de Castel-Branco surgiram no decurso da apresentação de obras do IESE.

Para o economista e investigador, é importante que os moçambicanos não se deixem enganar pelo discurso "miserabilista" de "pobreza mental" do chefe do Estado e encarem a pobreza "como um fenómeno social, que pode ser suprido com base em padrões de produção, distribuição e acumulação da riqueza".

Segundo Castel-Branco, dizer que a pobreza é "mental" ou "espiritual", é "culpabilizar as pessoas pobres devido à sua condição social". Com este tipo de discursos, o chefe do Estado "faz com que a pobreza se torne um problema pessoal e não um fenómeno social", considera o economista.

Discurso estratégico para fugir as responsabilidades

Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas.

Castel-Branco mostra outra tendência de discurso do chefe do Estado, de rotular de invejosos os que criticam padrões económicos do Governo.

"Será que acelerar o crescimento económico com base em exportação de recursos naturais e a construção de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento da economia extractiva, associada aos incentivos fiscais não é uma das premissas que gera mais pobreza e mais riqueza ao mesmo tempo? Será que o aumento de preços dos bens básicos de consumo não reduz a oportunidade e opções de desenvolvimento de pessoas singulares no país?", questiona o economista.

Pobreza da população gera riqueza de alguns

Num outro desenvolvimento, o professor universitário diz que a pobreza dos moçambicanos é usada pelo Governo como recurso para conseguir financiamentos externos, que depois são aplicados nos programas de combate à mesma. Segundo a nossa fonte, é evidente que "se a pobreza é um substituto para chancelas fiscais dos recursos naturais por gerar ajuda externa, então o Estado moçambicano pode subsidiar multinacionais", todavia "já não pode subsidiar o pão, o transporte, etc.", disse referindo-se aos mega-projectos que não pagam impostos em Moçambique, sob pretexto de promover o desenvolvimento, quando na leitura do economista, não trazem algum alívio à pobreza.

Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como recuso de coleta de ajuda externa, "a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos", bem como "na distribuição do dinheiro para projetos individuais dos governantes".

E se os mega-projectos pagassem impostos?

Como tem defendido em diferentes ocasiões, Castel-Branco voltou a afirmar que a isenção fiscal aos mega-projectos é prejudicial ao país.

"O subsídio ao pão custa ao Governo protelar a construção de 10 escolas". "Quantas escolas secundárias poderiam ser construídas? E quantos subsídios para o pão e transporte poderiam ser introduzidos se a Mozal, a SASOL, entre outras empresas, pagassem impostos que deveriam pagar?".

Os livros

Os dois livros do IESE são de carácter científico. O livro "Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique", contém um total de sete artigos que se debruçam sobre a pobreza, com enfoque no "discurso político oficial sobre a pobreza" baseado nas intervenções do chefe do Estado, Armando Guebuza.

O outro livro – "Protecção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique" – equaciona diferentes abordagens e debates sobre a protecção social em Moçambique no contexto dos padrões de acumulação de riqueza locais. E é composto por oito artigos que se debruçam sobre o enquadramento institucional e económico da proteção social no país.

in «Canalmoz», 14.09.2010

27/10/2010

Esta foi grassas az novas opertnidades ...

A ministra da educação foi convidada para participar num piquenique em sua honra, oferecido pelos alunos que passaram o 9º ano.

Quando chegou ao local, estranhou ver um monte enorme de sacos cheios de um pó branco. Dirigiu-se ao rapaz que estava a preparar o churrasco e perguntou:

- O que é que está dentro daqueles sacos?

- É cal, senhora ministra.
- Cal ? Mas para quê?
- Eu também não percebi, senhora ministra mas as ordens que recebi foi de comprar 102 sacos de cal!

Intrigada, a Ministra dirigiu-se ao responsável pelo piquenique (um antigo seu aluno que conseguiu evoluir tirando uma especilização no programa das novas oportunidades) e perguntou-lhe o que é que pretendia fazer com tanta cal. Esse seu antigo aluno, espantadíssimo, comentou que não tinha encomendado cal nenhuma. Foram os dois ter com o rapaz que fizera as compras para esclarecerem o assunto.

- Olha lá, quem é que te mandou comprar estes sacos de cal ?
- Foste tu, pá! Agora não te lembras ? Ainda tenho aqui o papel que escreveste.


E exibiu a lista enorme de compras que lhe tinha sido dada.
O antigo aluno mirou, tornou a mirar e disse:

- Eh pá... mas tu és mesmo burro! Não vês que me esqueci de pôr a cedilha? O que eu queria dizer era Çal! E não era 102 sacos mas sim 1 ô 2!