03/09/2010

Socialismo Científico Marrabenta

Com Governo de Guebuza a vida dos moçambicanos tornou-se um mar de espinhos

A vida para a maioria esmagadora dos moçambicanos nunca foi um ‘mar de rosas’, mas agora é, seguramente, um ‘mar de espinhos’. Tudo subiu, menos o poder de compra. E, sem comida, o que se pode esperar de quem não tem nada a perder? O que se pode esperar de quem acreditou que se estava realmente a ‘combater a pobreza absoluta’ e agora viu que afinal ainda havia mais pobreza para além da que já sentia antes?

Evidentemente que só bom senso nos pode salvar. Mas, nesta altura, em que o “vinho já vai para vinagre, não retrocede o caminho; só por obra de milagre pode de novo ser vinho”, disse um dia o poeta português analfabeto, António Aleixo, em dias que em Portugal, o seu País, também governavam semelhantes autoproclamados insubstituíveis.

Do Governo em funções só podemos esperar mais asneiras. Umas atrás das outras que já vimos, foram suficientes para agora o país estar de rastos. Começou pelos combustíveis e vai agora em alta velocidade a caminhar para as obrigações de tesouro com o Estado já de calças rotas. Os próprios bancos não tardarão, a não emprestar dinheiro aos privados porque já emprestaram tudo ao Estado.

O cenário que nos envolve é esclarecedor. Tudo a subir de preço e cada vez menos dinheiro para comprar. Pior: as empresas de tão depauperadas estão sem maneira de pagar melhor. O pão subiu. O gasóleo ainda só está a dois cêntimos de 31 meticais o litro, em Maputo, Beira e Nacala. Em todo o país a promessa do governo aos transportadores, há muito que foi violada. Em Inhambane, por exemplo, um litro de gasóleo já está a 34,30 MT o litro. As moedas em que importamos as mercadorias valem hoje cerca de 40% mais, no caso do dólar americano, e mais de 100% mais, no caso do Rand. Por outras palavras o Metical vale menos 40% em relação ao dólar e vale metade em relação ao Rand comparativamente com o ano passado. Onde vão as promessas de Guebuza durante as eleições de 2009?

O país importa mais do que produz. Cada vez produz menos. As indústrias fecham umas atrás das outras. Os governantes estão mais virados para os seus negócios privados do que para governar. No Estado imputam os custos. Os familiares dão os seus nomes aos negócios encobertos dos ministros e até do presidente. Os lucros metem na algibeira. Sociedades do lado de lá da fronteira é negócio chorudo. Vida mais cara do lado de cá significa mais ‘mola’ do lado de onde se importam os produtos que não produzimos.

Para nos continuarem a enganar querem iludir-nos com ordens a proibirem o uso de moedas externas nos preços de referência das clínicas, mas veja-se como andam os stocks de medicamentos. Arrasados completamente.

Em meticais só se vai sentir os preços a subirem todos os dias. Querem obrigar, entretanto, a que só se mexa nos preços dos serviços uma vez por ano. O resultado vai ser vermos tudo a fechar como no tempo do dito ‘socialismo científico’.

Pode-se faturar em meticais, mas obviamente que se indexarão os preços ao USD ou ao Rand e todos os dias em meticais vamos ser surpreendidos com novos preços de mercadorias e serviços. Se isto for proibido como acaba de anunciar o ministro da Saúde, em mais uma das suas tiradas populistas, vamos voltar aos tempos do ‘não há’. Há gente, de facto que tem a cabeça dura…

O governo continua a gastar à farta. Aí ninguém quer mexer. Cortar na despesa pública, não querem. A senhora presidente da Assembleia da República acaba de receber, à custa do erário público, uma nova frota de viaturas de luxo de alta gama. O senhor primeiro-ministro, também.

Nos que governam já não se pode acreditar.

“Falas bem, mas antes queria que soubesses proceder menos em desarmonia com o que sabes dizer”, voltaria hoje a afirmar o tal poeta. Ser analfabeto não significa ser tapado…

Quando, dos países que ajudaram Moçambique a ressuscitar das cinzas de uma Guerra Civil sangrenta e altamente destruidora, nos chegavam avisos de crise económica e financeira sem precedentes nos últimos oitenta anos, os senhores que por cá, do seu ‘alto império’, sempre prometeram um futuro melhor e o fim da pobreza absoluta, foram espalhando a sua arrogância discursiva garantindo aos cidadãos que mal pior não nos afetaria.

Continuaram vivendo rodeados de luxo, à custa dos contribuintes que afinal somos todos, os que pagam impostos e outras contribuições diretas e todos os outros que pensam que estão livres delas embora paguem também, e bem, muito, impostos indiretos.

Depois de tanta ‘esperança’ anunciarem e de acusarem de serem ‘profetas da desgraça’, quem alertava para o que poderia chegar-nos se não arredassem de nos levar para o abismo, foi para esta situação dramática que o governo nos trouxe.

Os que avisavam que vinham aí dias muito maus se os governantes moçambicanos continuassem a ignorar o momento tremendo por que estava a passar a economia mundial, foram chamados de ‘viperinos’. Era de esperar que esses mesmos senhores no Poder assegurassem aos moçambicanos, o mínimo. Mas o que hoje vemos é que mesmo quem comia já anda a fazer cortes tremendos no seu cabaz para os alimentos chegarem ao fim de cada mês. Os que já eram muito pobres já nem uma refeição por dia comem. Quem se ia safando começa a deitar as mãos à cabeça.

No dia 1 de Setembro de 2010, os “chapas” em Maputo poderiam subir o preço da rota para 10 meticais. Não subiram porque deixaram de circular.

Será um aumento de mais de 30 porcento. Dirão aqueles que pensam que o País termina no quilómetro catorze, junto ao Estádio Nacional do Zimpeto, que o diesel ainda não está a 31 meticais o litro. Mas os pneus também são precisos para as viaturas andarem. As peças sobressalentes, idem. Um pneu que custasse mil meticais quando o dólar se comprava por 25 meticais, como o USD agora custa cerca de 39,00 MT, certamente que tem de custar mais. Mil meticais eram quarenta dólares. Agora custando os mesmos 40 dólares em meticais o pneu terá de custar 1560,00 MT. Tudo isto porque o metical desvalorizou. E desvalorizou porque não produzimos, porque o governo está cheio de corruptos que se metem em trapalhadas como no caso da Semlex, empresa emissora dos Bilhetes de Identidade, Passaportes, DIREs e Vistos de entrada.

Vemos os parentes de quem governa a fazerem as negociatas mais corruptas deste mundo só não vendo quem não quer que aparecem a coberto dos seus progenitores.

Os polícias já se matam uns aos outros. Agora são mandados matar o povo. Até já as forças armadas.

Os funcionários públicos cobram por fora o que o governo não lhes paga. Salva-se assim quem pode.

Os ditos sindicalistas feitos com os governantes corruptos e tão corruptos uns como outros, já nada podem de tão enfraquecida que está a economia.

Os juízes a serem nomeados para altas funções em empresas depois de bons serviços prestados à máfia, ajudam a descredibilizar ainda mais o Estado.

É tudo isto e o que mais não dissemos que destrói o metical.

São os assaltos ao património do Estado como o que se quis levar a cabo na Beira com os edifícios da Administração Município. É o assalto ao Museu da Revolução. Primeiro põe-se o Estado a pagar as reparações e depois passa para cá que isso é meu porque eu lutei para este país ser livre…Que digam os Desmobilizados de Guerra se eles também não lutaram para este País ser livre…Depois querem prendê-los!...

São disparates atrás de disparates. É o senhor presidente da República a andar montado numa frota de helicópteros pagos com dinheiros públicos sem que tenha havido concurso público. É o mau exemplo a vir de cima. São os senhores do país da marrabenta no auge da arrogância. Gastam que se fartam. Pagamos nós.

Um dia o Povo farta-se e depois surpreendemo-nos com as consequências, dizíamos nós desde há muito. A resposta está aí. Maputo e Matola, duas cidades sitiadas. “Os pobres sentem-se bem com mais pão e luxo a menos”, meus senhores.

in «Canal de Moçambique», 03.09.2010

O juiz decide, está decidido

A leitura da sentença sobre o "Escândalo da Casa Pia" é esperada para hoje.

Em entrevista dada (jornal i, 28.08.2010), um dos principais arguidos que sempre se declarou inocente, anunciou que colocará no seu site o nome de outros envolvidos no mesmo processo, não ligados ao PS, mas que não foram investigados.

Ora, a surpresa é só esta: estando totalmente inocente, por que razão precisa de envolver outros? E porque não os do PS? Para dizer o quê, precisamente?

Aguardemos pela leitura do tribunal para entender a ameaça...

02/09/2010

A "Operação Produção"

O Grande Armando é o mesmo que em 1984 conduziu a "Operação Produção" que lançou milhares de moçambicanos - designados de vagabundos e prostitutas - na selva do Niassa.

É o mesmo que, sendo ministro do Interior, tentou afrontar Samora Machel e montar um forte exército paralelo com base nas forças de segurança, a dita polícia popular, equipada com carros de assalto e tanques militares.

Não tardou que o círculo de Samora chutasse o Grande Armando para a Beira, onde o colocou em quarentena.

Em 2010, é o mesmo Grande Armando que coloca carros de assalto e o exército contra o (que chamou) maravilhoso povo. O método é o mesmo.

Ora, quem assistiu em 1984, a imagem do Grande Armando a ser pateada num cinema com o "kuxa kanema", só podia esperar pela vontade popular de o correr em 2010, com uma nova versão do Decreto 20/24.

Imagem de "O País"

A herança guebuzina

Dos nossos correspondentes em Maputo, chegam-nos imagens do inferno, da violência guebuzina, da  revolta popular mas, também, do futuro muito difícil que espera os moçambicanos.

Em todas as frentes de confrontos, jovens com estudos, leitores atentos de jornais e blogs, seguidores de músicos ativistas e moradores na periferia da cidade, são parte da revolta.

Ilusionismo guebuzino

O 5 de Fevereiro e o 1 de Setembro devem obrigar-nos a refletir porque dizemos, todos os dias, que estamos a fragilizar a pobreza absoluta, quando fenómenos como o de ontem nos mostram que, afinal, há um desencanto enorme entre os cidadãos.

A pretexto do alto custo de vida, Maputo voltou, ontem, a ser sacudido por violentas manifestações, que se saldaram em perda de várias vidas humanas, muitos feridos, saques de estabelecimentos e enorme destruição de bens de cidadãos inocentes.

Por mais argumentos que se possam levantar, não há nada que justifique uma reação com a violência que se assistiu, no dia de ontem, para manifestar o que quer que seja, sobretudo porque a manifestação é um direito constitucionalmente reconhecido a todos os cidadãos deste país. Basta requerê-lo para dele usufruir.

Uma manifestação com violência atinge pessoas inocentes, como sucedeu ontem, e essas pessoas são tão assoladas pelo aumento do custo de vida quanto os seus agressores. E isso tudo era perfeitamente evitável. Por esse facto, do ponto de vista da forma, estas manifestações são absolutamente condenáveis e intoleráveis!

Mas por dentro da forma, há sempre o conteúdo. Por isso, neste exercício analítico, é importante que não ignoremos o "porquê" destas manifestações; que nos interroguemos, permanentemente, sobre as reais motivações das mesmas; que nos questionemos porque grupos de pessoas, aparentemente isoladas, por meio de simples SMSs, conseguem organizar levantamentos em vários bairros suburbanos da cidade de Maputo e, com uma eficácia inesperada, sitiar a capital em poucas horas.

Durante muitos anos, não vivemos estes fenómenos, pelo menos nesta dimensão, e apenas a 5 de Fevereiro de 2008 começaram e ontem se consolidaram. Por alguma razão está a ser assim. E essa razão justifica-se na ruptura social entre os dois mundos de que se constitui a cidade capital e que há muito estão num conflito que se tornou indisfarçável, nos últimos tempos, e a 5 de Fevereiro de 2008 começou apenas a lançar as primeiras larvas.

Por detrás dos bandidos e arruaceiros que o ministro do Interior referiu como autores do vandalismo de ontem, há uma classe social que se identifica, perturbadoramente, com a causa em si e quiçá com a forma de manifestação dessa causa. Só isso explica que tenhamos visto jovens e adolescentes a assaltarem estabelecimentos, e senhoras e homens a ajudarem a saquear bens nesses mesmos estabelecimentos.

Estamos, pois, perante uma classe que se sente, manifestamente, excluída dos processos de partilha e redistribuição da renda, que sente que o Estado rompeu o contrato social consigo; que não vê mais no Estado uma fonte de soluções, mas sim de problemas - porque promove a acumulação de uns em detrimento da maioria.

Como sabiamente disse o Prof. Dr. Lourenço do Rosário, e José Pacheco não quis entender, não podemos dizer que todos os que estão na rua, nestas manifestações, são agitadores, arruaceiros. Assumir isso revela uma enorme desatenção sobre os fenómenos sociais em curso neste país. Revela insensibilidade de um governo, que, inexplicavelmente, deixou aumentar preços de água, luz, pão e comida - produtos essenciais na vida dos cidadãos - na mesma altura.

Uma crise nunca é algo agradável, ainda mais quando envolve violência e actos de vandalismo. Mas como referiu o Dr. Brazão Mazula, as crises desta natureza devem fazer-nos refletir sobre os discursos que fazemos.

No caso da governação em Moçambique, o 5 de Fevereiro e o 1 de Setembro devem obrigar-nos a refletir por que dizemos, todos os dias, que estamos a fragilizar a pobreza absoluta, quando fenómenos como o de ontem nos mostram que, afinal, há um desencanto enorme pelo agravar do fosso entre os que têm e os que não têm; por que dizemos que o nosso país é um exemplo de crescimento económico no mundo, quando isso não se reflete na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos; porque dizemos que a agricultura é a base de desenvolvimento do país, temos o maior potencial de terra arável da SADC e a nossa aposta principal é a Revolução Verde, quando não há grandes mudanças (não é esse o conceito de Revolução? Ruptura, mudanças), tudo o que consumimos, importamos da África do Sul e a nossa agricultura nunca deixou de ser o que sempre foi - de subsistência e com pouca produtividade.

No lugar de oferecermos soluções aos cidadãos, fazemos truques de ilusionismo em muitas coisas para distrair os cidadãos. Falta farinha de trigo? Não há problema, temos um grande potencial de produção da mandioca, ela resolve como matéria-prima substituta para produzir o pão. Passada a crise do trigo, ninguém se lembra mais da mandioca. O combustível está caro? Não há problemas, produzimos a jatropha, e através dela, os biocombustíveis. São mais baratos, não poluem o ambiente. Passada a crise, ninguém se lembra mais da jatropha. Nova crise de combustíveis? Não há problemas, temos enormes reservas de gás no país, o seu uso é mais barato que o gasóleo. Passada a crise, o gás está esquecido, mas em outra crise, lembrar-nos-emos de que os custos de conversão não são comportáveis para o cidadão, por isso é preciso fazer estudos. Mas há problemas para resolver hoje? Damos subsídio. Se é sustentável ou não? Não importa, amanhã se vê.

E de truque em truque de ilusionismo, lá se constrói o futuro melhor deste país. É, precisamente, esta lógica de gestão que temos que abandonar.

O que aconteceu, primeiro a 5 de Fevereiro e agora ontem, é um sinal estridente de que temos que gerir o país dentro de uma ordem diferente da que o vimos gerindo; é sinal de que urgem mudanças porque o país idealizado nas mentes dos dirigentes não é o mesmo em que vivem os governados. É um perturbador sinal de que temos que aceitar discutir os nossos próprios preconceitos. Como por exemplo, a inaceitável sobreposição que se continua a fazer do partido Frelimo em relação ao Estado e ao governo.

Ontem, no auge da crise, quando todos ansiavam por uma palavra de conforto do mais alto magistrado da nação, foi o porta-voz do partido Frelimo que veio falar primeiro, em pose de estadista. Seguiu-se o ministro do Interior e, finalmente, numa lógica tão inaceitável quanto intrigante, o Chefe de Estado, bem já ao princípio da noite, quando o caldo há muito estava entornado! É inacreditável!

O Chefe de Estado é o farol orientador de um país, nos bons e nos maus momentos. É ele a voz apaziguadora e tranquilizadora das tensões sociais. Ontem, não o foi. Não soube sê-lo. Porque veio tarde demais a sua mensagem.  Tudo porque, ontem, o nosso Presidente, no auge da crise, reuniu o partido no lugar do seu governo. Ou seja, mostrou que confia mais no partido que no próprio governo que lidera, quando se trata de encontrar soluções para o país.

Dá para acreditar?

Jeremias Langa
in «o País» 02.09.2010

Welcome to 21st century!

Our communication - Wireless
Our phones - Cordless
Our cooking - Fireless
Our food - Fatless
Our Sweets - Sugarless
Our labor - Effortless
Our relations - Fruitless
Our attitude - Careless
Our feelings - Heartless
Our politics - Shameless
Our education - Worthless
Our Mistakes - Countless
Our arguments - Baseless
Our youth - Jobless
Our Ladies - Topless
Our Boss - Brainless
Our Jobs - Thankless
Our Needs - Endless
Our situation - Hopeless
Our Salaries - Less and less

01/09/2010

Solidariedade com o Povo Moçambicano

O incrível tinha que acontecer num dia 1 de Setembro.
O discurso que o Grande Armando proferiu hoje perante os ecrãs de televisão lembra o de um menino que foi apanhado a fazer disparates: perante as repreensões dos papás, o menino traquinas faz um beicinho, verteu um lágrima e pôs carinha de inocente, ao mesmo tempo que esconde os bolsos cheios de rebuçados que acabou se surripiar.

Vejamos o que disse o Grande Armando:

Moçambicanas; Moçambicanos; Compatriotas.

Nas primeiras horas desta manhã e ao longo do dia registou-se uma agitação nalgumas zonas da Cidade de Maputo e Matola. O pretexto desta agitação é a subida do custo de vida, nestes dois municípios e no país. Lamentavelmente, em vez de uma manifestação pacífica e ordeira assistimos a manifestações que já se saldaram em óbitos e em feridos graves e que também resvalaram para cenas de vandalismo, bloqueio de vias de acesso e destruição e saque de bens.

Numa palavra, os nossos compatriotas que são usados nesta agitação estão exatamente a contribuir para trazer luto e dor no seio da família moçambicana e para o agravamento das condições de vida dos nossos concidadãos.

O Governo está consciente da situação em que vive o nosso maravilhoso Povo, uma situação que é agravada por factores externos que incluem a crise financeira e de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis.

Foi neste contexto que foram tomadas diversas medidas para conter o impacto destas crises na vida do cidadão com particular destaque para os subsídios para combustíveis e para a importação do trigo. Ainda neste quadro, o Governo tem estado a implementar o Plano de Ação de Produção de Alimentos e, de uma forma geral, a centrar as suas atenções na luta contra a pobreza nos meios urbanos e no campo.

Temos registado progressos na implementação desse plano de produção de alimentos bem como no abastecimento de água e saneamento do meio, nos transportes e comunicações, na saúde e educação e na melhoria das vias de acesso. Apraz-nos notar que estas conquistas são resultado do trabalho abnegado dos moçambicanos, em particular, que também se empenham na melhoria da sua habitação, no abastecimento em produtos diversos aos seus compatriotas bem como na aquisição de viatura para uso pessoal ou para o transporte coletivo de passageiros.

Sabemos que ainda é pouco para o nível das necessidades do nosso maravilhoso Povo. É por isso que continuamos empenhados na luta contra este flagelo chamado pobreza que aparece com grande destaque no Programa Quinquenal do Governo incluindo a sua componente urbana. É participando na implementação deste programa, e não opondo-se ou destruindo os seus resultados, que continuaremos a registar progressos na melhoria das nossas condições de vida. É por isso que é importante preservar e valorizar as nossas conquistas individuais e coletivas.

Neste contexto:
saquear uma barraca, loja ou armazém;
vandalizar uma viatura ou uma residência;
pode parecer que represente um retrocesso apenas para o seu proprietário.

No meio da emoção, porém, podemo-nos esquecer que também represente um retrocesso para aqueles que dele dependiam para abastecimento, transporte ou emprego, uma lista de beneficiários que pode incluir alguns dos envolvidos nesses atos. Destruir mercados, estradas e outras infra-estruturas sociais e económicas é atentar exatamente contra aquilo que nos tem estado a ajudar a combater a pobreza na nossa Pátria Amada.

A observância da Lei, Ordem e Tranquilidade Públicas é também uma condição fundamental para a atracão de mais investimento nacional e estrangeiro que contribui para a geração de mais postos de trabalho, e para dar a mais compatriotas nossos uma oportunidade para participarem, de forma direta ou indireta, na luta contra a pobreza em Moçambique e para terem melhor qualidade de vida.

Compatriotas,
Queremos exortar-vos para se manterem calmos e serenos e para não aderirem a qualquer tipo de agitação. Exortamos ainda a todos os nossos compatriotas para dissuadirem os ingénuos, a manterem a vigilância e a denunciarem às autoridades os agitadores e a preparação ou organização de atos que atentem contra a Lei, Ordem e Tranquilidade Públicas.

Empenhemo-nos todos no aumento da produtividade nos nossos setores de atividade continuando assim, a fazer da luta contra a pobreza a nossa agenda individual e coletiva.

Lamentamos a perda de preciosas vidas humanas e a destruição de bens públicos e privados. Apresentamos as nossas condolências às famílias enlutadas por esta agitação que retirou do seu convívio os seus entes queridos.

Estendemos a nossa solidariedade a todos os que foram afetados por estes atos. O Governo continuará a trabalhar para assegurar o retorno da normalidade da vida dos nossos concidadãos e das nossas instituições.

Muito obrigado pela vossa atenção!
Maputo, 1 de Setembro de 2010


Para que não passe despercebido, vão assinaladas as expressões e afirmações mais idiotas que se podiam esperar de um Presidente da República que não consegue falar em nome pessoal. Em lugar de uma explicação cabal  da situação criada pelo seu governo com o aumento explosivo e generalizado dos bens de de primeira necessidade, em vez de um anunciar de medidas claras que reponham a paz e a confiância na sociedade, assiste-se a um inenarrável uso de palavras não sentidas, falsas.

O discurso é espelho e consequência do lambebotismo.

Os guebuzinos nada têm a oferecer ao país a não ser, incompetência, saque da riqueza nacional e nepotismo.

E que política tem sido seguida?
Fomento da dependência de ajuda internacional, da destruição da agricultura e produção industrial pela concorrência externa (custos de contexto* insuportáveis).

O que seria desejável era a produção nacional de alimentos, da agricultura eficiente e de exportação, da indústria ligeira de substituição.

Na verdade, o que existe é a "agricultura do carvão" que fomentou o abandono da produção alimentar e transformou camponeses em destruidores da floresta para abastecer de combustível vegetal as cidades em crescimento explosivo e insustentável.

É o caso de Maputo que de 400 mil habitantes em 1975 está transformada numa gigantesca metrópole de mais de 2 milhões de pessoas fortemente dependentes de expedientes e negócios informais. De uma rede de transportes públicos consistente, passou para um enxame de "chapas" desregulados que exploram os que deles precisam. De um expressivo parque industrial de pequenas e médias empresas (Fasol, Saborel, Texlom, Cifel, Mabor, Pintex, Vidreira, Facobol, Riopele, Maragra, Velosa, Zitep, Molaço, Man Kay, fábricas de caju - 216 mil toneladas comercializadas - e outras [ver *]) de que resta pouco em 2010.

Os moçambicanos merecem melhor destino, merecem um governo honesto. Merecem um presidente que não misture o bem comum com os seus negócios de empresário milionário com amigos traficantes.

Moçambicanos: melhor é possível, a paz é melhor.

(*) custos de contexto: corrupção, intermediação, incompetência, desorganização, baixa produtividade, custos de capital


Contra os guebuzinos

A cidade de Maputo, capital de Moçambique, acordou sob um manto de incerteza, revolta, violência, tiros, pedras, fogo, fumo.

Os "chapas", os meios de transporte privados que diariamente transportam os milhares de trabalhadores da periferia para o centro, deixaram de circular. Por receio de violência, não circulam nem pessoas, nem viaturas. Por todo o lado, há pneus a arder.

Durante vários dias, circularam mensagens SMS apelando "à revolta dos moçambicanos contra a subida do custo de vida". À cautela, a polícia PRM está a circular fortemente armada e tem feito disparos. A circulação para o aeroporto e para fora da cidade está interrompida. Há feridos a chegar ao hospital central. As últimas notícias apontam já para mortos.

O que está a acontecer, era amplamente previsível, dado o acumular de sinais de incompetência e corrupção: de forma totalmente arrogantante, os guebuzinos vêm subindo o preço do combustível, da eletricidade, do arroz, da água, do pão, etc.

A isto somam-se as vergonhas do atraso do "novo aeroporto chinês", do arrastar do estádio do Zimpeto (para o Mundial de Junho!), da desorganização dos jogos da Lusofonia, das negociatas sobre a FACIM, o escândalo do "Museu da Revolução", público, mas confiscado pelo partido no poder. E, claro, o inesquecível escândalo Momed Bachir Suleman.

O que é indismentível é que os moçambicanos têm hoje, um nível de vida inferior ao que tinham em 1996.

Todos os moçambicanos? Não!

Os guebuzinos estão mais gordos, com a pele mais brilhante e esticada. E, claro, com o dinheiro fora. Mas riem-se de quê?

Memórias do caos

Um relato dos grupelhos que lançaram o caos em Portugal.

31/08/2010

Paraíso offshore

Um paraíso offshore tem várias explicações técnicas e económicas.

O seu conceito é muito polémico e, frequentemente, motivo de polémica política entre a chamada esquerda e direita.

Mas, afinal, o que é um paraíso offshore?

No momento em que termina um período de férias, tudo muito simples se acompanhado de imagens elucidativas:

30/08/2010

«A Quadratura do Circo» - O Queiroz que eu conheço

CUSTA SEMPRE bater num amigo. Sempre tive com ele o privar cordial e companheiro de alguém com a mesma formação e geracionalmente próximo.

Era eu já razoavelmente conhecido no mundo da canção e o Carlos, um pouco mais novo, debutava nos iniciados do meu Belenenses, o que nos aproximava sobremaneira. Ficou uma amizade tranquila, confirmada por encontros posteriores, onde ele me confidenciava do seu desejo de férias e sossego secreto num Algarve privado que me revelou. Mas onde talvez hoje não possa arriscar muito o passeio público, pois estaria sujeito a ouvir imprecações de menos nobreza a cada esquina, e insultos animosos de um qualquer pescador mais impulsivo.

Mas adiante; isso… foram confidências que não denuncio. E em nome da sua privacidade tem direito mantê-las.

Também eu sei o que custa entrar num sítio e ter de aturar um sujeito que nunca vimos, já bebeu demais, e nos trata por tu, só porque esteve na sétima fila de um qualquer concerto que dei há 20 anos em Santa Comba do Semicúpio. E nos bate nas costas como se fosse nosso amigo de infância ou mesmo irmão de longa data. E nos chateia o resto do jantar, sem ter objectivamente nada para dizer, só porque é insolente e grosseiro na sua etílica condição e calhou estarmos ali.

Mas o que me liga ao Carlos é tão distante já como o seu olhar superior e altaneiro, sempre posto num horizonte longe, indefinido, talvez ausente. Um olhar de iluminado, cientista e conhecedor que tem de contemporizar com a plebe assanhada e pobre, curtas pessoas de ideias pequenas, sem conhecimento nem saber para discutir as decisões doutas e autorizadas do grande Professor.

Passam-lhe por isso ao lado as críticas maldosas, feitas com acinte e aleivosia, por meia dúzia de energúmenos, ciente que está da sua suprema razão e de seu imenso saber. Olha em torno de si - com dificuldade, acrescente-se…- e, quando o faz, é apenas para pensar tão alto que todos nós conseguimos ouvir:
- Que importa o que dizeis? Para mim os cães ladram e a caravana passa.

Já nos idos de oitenta, quando privávamos diariamente com a humildade de um laborar conjunto e a intimidade do desabafo, dia a dia, anos seguidos, no Liceu de S. João do Estoril, o Carlos era assim. Tranquilo, educado, correcto, cordial; mas um tanto inseguro, defensivo, elaborado, meticuloso, gestor de palavras e projectos, investigador, evasivo, contornante.

Vínhamos ambos de um INEF, onde ambos tínhamos sido alunos de topo com três anos de diferença, mas a minha vocação de autor e poeta sobrepôs-se à minha ambição monetária. Aí, assumi causas, escrevi combate, abracei a vida difícil de músico e compositor, arrisquei opinião, defendi a cultura convivida e esqueci-me dessa secreta ambição que me poderia ter dado fortunas impensáveis e colossais. Acresce que fui ainda “colega” - uns mais novos, outros mais velhos…- de Jesualdo, Vingada, Mourinho, Caçador, etc. por aí fora.

Coube-me ainda, por acasos da vida, vir a ser professor dos internacionais irmãos Xavier, precisamente no sítio onde fui professor e colega de Queiroz.

Tudo isto para justificar que ainda tenho os galões e sei dos livros. Bem podia ter sido treinador, tivesse a vida virado por aí… Não fui. Mas sei do que digo, quando ainda hoje falo de Fisiologia do esforço, treino físico, táctica e técnica de jogo, motivação, etc.

Por isso me sinto autorizado a dizer que falhaste.

Depois daquela geração de ouro, com que foi fácil ser campeão do Mundo de juniores, havia que sedimentar outra densidade humana e outra leitura alta para… frutificar.

O tecido humano de uma equipa de futebol a alto nível é ainda vaidoso, inconsequente irreverente, difícil. Os jogadores de topo são normalmente jovens ricos e mimados, com todos os defeitos da imaturidade; mas há outros que entretanto começaram a aparecer com um discurso adulto, assente em muito saber e experiência e já não admitem ensaios nem improvisos. Já foram treinados por pessoas e métodos muito variados e sabem num minuto avaliar a segurança e o valor do seu comandante.

Eu também tremeria se visse o dentista enganar-se, trocar os instrumentos e dar ordens contraditórias. Tudo isto para dizer que um treinador não escapa ao olhar crítico, não só da massa associativa, como dos próprios jogadores. E todos pensam, avaliam, julgam.

Ora uma representação nacional é uma montra do país. E a massa associativa são todos os portugueses. Que, aliás, são eles a pagar - e bem, ao que parece…- o servicinho…

As tuas equipas Carlos, tornam-se um pouco aquilo que tu és.

Se queres transmitir que não sofrer toques no gilet já é triunfo; se achas que defender, para não sofrer humilhação, é uma forma de vitória; se admites que é preferível empatar a zero a arriscar a estocada que nos expõe; se queres ganhar sem risco, através de alguma cartomancia ocasional; se preferes convocar 18 jogadores com características médio/defensivas em cada 23, muito bem.

Isso és tu. Tal qual te conheci.

Continuas temperamentalmente na mesma. Cauteloso, ponderado, estudioso.

Mas no futebol de competição e de selecção nacional - e dispondo, como dispunhas, dos melhores e de todos os meios à disposição para fazer um enorme Mundial – há que arriscar a glória, para não sair por falta de coragem.

Ser agressivo, objetivo, ambicioso. E desportivamente astuto, líder, entusiasta, galvanizante. E, ao nível de grupo, companheiro, amigo e confidente, criando empatias totais, emocionais, sinceras com os jogadores. Coisas que nunca mostraste.

As tuas convocações, as tuas estratégias, as tuas substituições, os teus jogos ocultos - que transparecem, Carlos, desculpa, mas transparecem demais e são evidente falta de alegria no seio da equipa…- foram quase sempre negativos.

Mas há mais.
As lesões convenientes do Ruben, para não levantar mais polémica; do Nani, por mistério interno que ninguém sabe mas, sem nunca haver boletim médico, tudo indica que foi por forte falta disciplinar não assumida; do Deco, nitidamente por espírito de vingança, o que é feiíssimo.

As ordens do banco, as palestras de intervalo, as escolhas tácticas, as trocas de jogadores - que nem eles próprios aceitam, nem compreendem; o rigor oculto por um sorriso farisaico, para que tudo pareça controlado, quando o que está a ver desenvolver-se todos os dias é revolta e discordância…

A obsessiva tendência defensiva, as indecisões infantis em lugar e momentos chave. Precisar de municiar atacantes com passes a rasgar, largos e imaginativos e manter o Deco no banco, por birra, é infantil. Ver os ataques passarem por trás do R. Costa, pois não é bem um defesa direito, e ter dois defesas direitos no banco, é, no mínimo, ou teimosia ou autismo. Insistir no Pepe sempre Pepe para destruir, quando se sabe que ainda não pode estar a 100%...

Mas há ainda mais.
Precisar de atacar e retirar avançados. Deixar as linhas de defesa e médias próximas e desterrar lá para a frente os sacrificados pontas, sem apoio, nem bola, nem municionamento à vista, a vinte metros de distancia, dependendo das explosões de Fábio C. ou de outros eventuais e raros passes a rasgar, sempre fora do desenlace pretendido. Não estruturar ataque. Não se ver uma construção apoiada e consistente de teia de jogo, vivendo do génio e inspiração de cada um. Não incentivar ataque.

Não apresentar um único esquema de livre estudado, em tantas ocasiões que se prestavam para experimentar. Idem também não haver combinações visíveis na marcação de cantos.

Outra coisa.
Ronaldo lá por ter sido o melhor, - se calhar… coisa boa e má, por prematura, que lhe aconteceu… - não deixa de ser um jovem mimado que bate na relva em fúria quando as coisas lhe correm mal. Capitão de equipa? Nunca. Capitão era o Coluna, ou o Germano. Caramba! - Bastava um olhar reprovador e o colega enfiava-se pelo chão!

E já agora… Motivação psicológica de balneário era …aquilo?

“Portugal ganhar - Portugal ganhar??!”

Aquilo é pobre e bimbo, Carlos. Não está ao nível da tua formação académica, rapaz! Um discurso patriótico, iluminado, transbordante de História e força, entusiasta - tipo egrégios avós e às armas, talvez! … Agora “Portugal ganhar - Portugal ganhar??!”

É fraquíssimo, é pimba, motivacionalmente nulo, quase regressivo, infantil, sem criatividade, nem slogan, nem eficácia. O Deco fez muito bem em virar costas.

Eu faria o mesmo. Achava ridículo.

Outra coisa, embora mais subjectiva, mas lá vai. Convocar o Castro e o Costa e não levar o Carlos Martins, nem o Ruben, nem o Moutinho?! Convocar o Daniel não sei que e não convocar o Quim?! Há para aí alguma embirração escondida? Este não é um interesse nacional acima de quaisquer ódios caseiros, como tanto proclamaste?

Portugal não podia ganhar sem atacar. Ficar à espera que Ronaldo “aconteça”, sem apoios, nem ataque estruturado, é mau para ambas as partes e nunca vai acontecer.

Tal como o superlativo bloco defensivo que desenhaste, há que construir um bloco enredante e ofensivo que terás de imaginar. Ou alguém por ti. Com espontaneidade e alegria criativa. Que é uma coisa que não incutes, com esse ambiente, nem com esses escassíssimos e espartilhados atacantes, em lugares e funções de que não gostam, e onde não são rentáveis.

Para dirigir uma selecção de um Pais é preciso o estudo, a calma, a cultura e ponderação que inegavelmente possuis. Mas é preciso a ambição, o golpe de génio, a raiva, o combate, a capacidade motivacional, o cuspo, o grito, o abraço sincero e a agressividade atacante que inegavelmente sofreias.

E a relação humana com os jogadores, não sei, Carlos, porque ninguém sabe.

Mas cheira que não pode ser boa. Eu, se fosse internacional, declarava a minha indisponibilidade já amanhã, pelo menos enquanto andasses por lá.

Uma pequena e persistente fissura na clavícula impede-me de ser mais explícito.

Mas a essa cura-se, mais semana menos semana.

E tu se calhar também continuas - ou não - mais milhão, menos milhão.

Sempre ao dispor,

O meu abraço amigo,

Pedro Chora Barroso
Licenciado em Educação Física
Post grad em Psicoterapia Comportamental

PS – se a FPF me quiser contratar, como Consultor animador, Especialista motivacional e Analista comportamental para dinâmica de grupos… estou ao dispor na volta do correio e muito obrigado. Quaisquer 50000€/mês e fecho contrato
 
in «Sorumbático», 01.07.2010

29/08/2010

Don Corleone ...


... e o problema do momento:

25/08/2010

Adrião Rodrigues

Carlos Adrião Rodrigues
Rua de Infantaria 16, n° 103 2° Dto.
LISBOA


Exmo. Sr.
Presidente da República Popular de Moçambique

Excelência,

Venho apresentar a V.Exa a minha demissão do cargo de Vice-governador do Banco de Moçambique.

Em resumo as razões que me levam a tomar esta decisão, são as seguintes:

1 - A política de afastamento das minorias étnicas residentes em Moçambique. Esta política - cuja determinação voluntária por parte do governo não me oferece dúvidas e é facilmente demonstrável - além de pôr em causa a existência de uma sociedade pluriracial em Moçambique, em que eu pessoalmente apostara, empurrou o país para o caos económico e social.

Por virtude de uma injustiça decorrente da situação colonial, mas que ao governo revolucionário seria fácil corrigir, parte importante dos conhecimentos necessários ao país estavam concentrados nessa gama populacional (brancos, indianos, chineses e mulatos).

Ora, grande parte dessas minorias étnicas ficaria no país, caso lhes fossem dadas determinadas garantias básicas (direito a não ser preso excepto nos casos permitidos por lei, respeito pela sua propriedade pessoal, garantias de julgamento rápido e de defesa em caso de prisão legal, respeito da sua identidade cultural própria.

Em troca destas garantias fundamentais (que não seriam uma excepção porque se deveriam aplicar a toda a população) elas dariam ao país o seu trabalho, que enquadrado numa economia socialista, era essencial para o arranque económico.

Em vez de se aproveitar essa parte da população, preferiu-se acossá-la. Multiplicaram-se as prisões arbitrárias, as violências verbais, o desrespeito pelos bens pessoais. Procurou-se substituir essa população pelos cooperantes e por uma apressada formação de quadros, mais apregoada que executada.

Escorraçou-se do país para fora homens que eram absolutamente insubstituíveis, para já, e que num outro contexto teriam ficado. Lembro só para exemplo os quadros agrícolas e veterinários escassos mas extremamente importantes, apostados em ficar mas que um a um se foram embora, bem contra vontade; os quadros de geologia e minas, falsamente acusados de desvio de ouro, nas primeiras páginas dos jornais locais, e que depois de se ter constatado a sua inocência jamais mereceram uma reparação.

Os Zecas Russos, os Macamos e outros marginais ainda em circulação foram promovidos a autênticos heróis nacionais, só porque espoliavam as pessoas de seus teres e haveres o que, parece, era considerado altamente patriótico e revolucionário. Verdade que eles espoliavam as maiorias e as minorias, o que resulta em fraco consolo para umas e outras.

E, neste caminho, acabou-se na pequena truculência anti-branco ou anti-mulato, como foram os casos da expulsão dos agricultores brancos do Vale do Limpopo - gente pobre que trabalhava a terra - e a expulsão dos chamados “comerciantes de nacionalidade” isto é, de pessoas que ao abrigo de uma lei ridícula e que devia ser revogada, mas que existia e tinha sido publicada pelo governo da República Popular de Moçambique, tinham mudado de nacionalidade, para se garantirem um pouco mais contra as arbitrariedades que apontei. Ora, esta expulsão veio afectar a economia do país, na medida em que afastou os últimos operários com alguma especialização e de capacidade de direcção que não fossem negros. E quanto a estes últimos ainda está por fazer o balanço dos que fugiram. Mas segundo me consta, a zona do Rand, na África do Sul, está cheia de carpinteiros, mecânicos, electricistas, operários da construção civil, fugidos de Moçambique.

Durante muito tempo convenci-me que esta política era, não uma política mas sim erros, próprios do processo. Ou tentei convencer-me. Mas a constância dos erros e sobretudo o reforço da posição das pessoas que eram o esteio desta política, surgido do 3° Congresso, convenceu-me que se tratava de uma política sistematicamente prosseguida. Ora eu tinha apostado noutra: a manutenção das minorias étnicas, o respeito pelos seus direitos, mas contrariando severamente todos os privilégios que, indiscutivelmente os beneficiava.

E Moçambique, porque um país onde tais minorias étnicas eram em número reduzido, podia ser o laboratório experimental de uma política que me parecia poder ser exemplo extremamente importante para a África Austral.

Por outro lado a força e o prestígio da FRELIMO permitiam-lhe fazer a experiência. Não se fez e o resultado está à vista: o fracasso económico, e a redução quase a zero das possibilidades de recuperação; um profundo desengajamento do povo, tanto no trabalho da construção do país como na actividade política; uma cada vez maior dependência da África do Sul que hoje, mais que no tempo colonial é a grande fonte das nossas disponibilidades externas e o grande fornecedor dos bens de consumo essenciais que a nossa produção reduzida torna vitais.

2 - Convencido como fiquei de que a sobrevivência das minorias étnicas e o projeto de uma sociedade pluri-racial estavam condenados em Moçambique em virtude da política prática seguida - que contrariava a linha política anunciada - cheguei à conclusão que eu, como branco e ainda por cima não nascido em Moçambique, não tinha lugar nessa sociedade, pelo menos enquanto não mudar a sua praxis e não se decidir a assumir como sua toda a população (que era escassa) habitante do território. Portanto saio. Creia que não lhe minto se lhe disser que o faço com a morte na alma.

E saio já porque também devo pensar um pouco mais em mim e que os meus anos se vão passando para iniciar vida nova utilmente noutro país.

3 - A pressão sobre as minorias não resultou em qualquer benefício para a maioria. Antes pelo contrário - a quebra na produção e a incapacidade de recuperação que se nota em quase todos os setores da economia, fazem prever um acentuado decréscimo no nível de vida da população.

Postas as razões convém-me ainda esclarecer que considero V.Exa ainda hoje, apesar das reservas expostas à política seguida, como o mais autêntico representante do povo moçambicano, o verdadeiro líder nacionalista de que Moçambique precisa.

Por outro lado, e como vacina contra boatos, quero afirmar que nas minhas atuações sempre procurei defender com toda a honestidade os interesses que me foram confiados por Moçambique. Mas a corrupção a alto nível dentro do aparelho de estado existe, e dela tive confirmação em Lisboa.

Pelas razões que exponho para a minha saída, acho ser meu direito, e também meu dever, pedir a V.Exa que autorize a saída dos meus bens pessoais que me fazem mais falta e que só com dificuldade poderia substituir: mobílias, eletrodomésticos, livros, discos e um carro Simca 08-75, com 5 anos de uso. Caso V.Exa autorize, pessoa amiga, que indico ao Cassimo, tratará das demarches necessárias. Mas se V.Exa achar que não deve autorizar, também passarei sem elas. Aceite V.Exa os cumprimentos meus e de minha mulher e os nossos desejos das maiores prosperidades para o Povo Moçambicano.

Carlos Adrião Rodrigues









21/08/2010

Rei encornado pela (12ª) mulher

Na Suazilândia, um ministro foi flagrado na cama com a 12ª mulher do rei.
Nesta monarquia sobrevivente da África austral, o Serviço Secreto Real flagrou o Ministro da Justiça desfrutando uma das mulheres do monarca, num hotelzinho próximo a Mbabane, a capital do país.

Constitui crime sério por um "chapéu de touro" em sua majestade real. Resultado: o conquistador pode ser executado e a infiel expulsa do país.

No pequeno Reino da Suazilândia, com pouco mais de 1,2 milhão de habitantes, à boca miúda, não se fala de outra coisa: sua majestade o rei Mswati III, foi corneado pelo seu amigo, o ministro da justiça Ndumiso Mamba, que estava recebendo e ganhando agrados da 12ª esposa real.

O casal foi flagrado pelo serviço de segurança real, depois de uma longa investigação, num simpático hotel cinco Estrelas, o Royal Villas, numa cidade próxima de Mbabane, uma das capitais do país.

A infiel 12ª esposa real Nothando Dube, de 22 anos, é mãe de dois filhos.

O rei determinou a prisão dos dois. O ministro sedutor, que é casado, foi acusado de "violar a casa de outro homem", e pode ser condenado à morte, enquanto Nothando Dube, a seduzida, no momento, em prisão domiciliar, enfrenta a possibilidade de ser banida da Suazilândia.

De educação britânica, Mswati III, também chamado de "o leão", (agora poderá passar a ser chamado também de Grande Alce) reina na Suazilândia de forma absoluta desde 1986 e é responsável por escolher o gabinete e o primeiro-ministro. O país, que não tem saída para o mar e faz fronteira com África do Sul e Moçambique, tem mais de 70% de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza.

As esposas de Mswati III não são rainhas já que, pelo direito suazi, a sua mãe Ntombi Tfwala, 60 anos, ocupa esse posto, que tem o título de Indovukazi (A grande Elefanta) e dispõe de poderes destacados no conselho real de ministros. Por exemplo, é ouvida pelo rei quando da escolha do primeiro-ministro.

O absolutismo do Rei tem pequenos limites contidos na constituição, em vigor há apenas quatro anos, que contém maravilhas como a proibição da existência de partidos políticos e impede processos contra a monarquia.

Mas já produziu algum efeito quando liderado por influência da Grande Elefanta, o Parlamento não permitiu que o rei comprasse um jato de 45 milhões de dólares. O valor era mais que o dobro do orçamento nacional de saúde.

A saúde pública suazi enfrenta uma catástrofe: um terço da população adulta é portadora do vírus de HIV, a mais alta taxa de contaminação do mundo.

Tal como noutros países do mesmo calibre, o rei da Suazilandia, sente-se acima da lei e modifica-a constatemente em seu benefício: em Setembro de 2005, escolheu uma moça de 17 anos para ser a sua 13º mulher, o que foi possível porque, poucas semanas antes, anulara a proibição de prática de sexo por mulheres de menos de 18 anos, vigente por quatro anos no país para combater a SIDA.

Não se pode, porém, acusar o monarca de não conseguir melhorar a qualidade de vida dos suazilandeses, uma vez que tem que de administrar primordialmente a família real de 13 esposas, igual número de sogras, 23 filhos e um batalhão de cunhados. Sem contar com a prole herdada de seu pai e antecessor, o rei Sobhuza II, que teve 70 esposas, 210 filhos e 1000 netos. O novo rei tem que cuidar dessa estranha parentela, com dezenas de "mães", sobrinhos e primos. Numa contagem recente concluí-se que o rei tem 97 irmãos e irmãs ainda vivos.

Possivelmente, Mswati III, de 42 anos, deve passar parte do seu expediente real, tentando pôr em dia, a vida sexual, das 13 esposas, algumas delas de tenra idade. Um incidente, da traição da esposa 12ª, acaba por expor parte do seu declínio.

Acontecesse isto numa democracia, o advogado do ministro da Justiça Ndumiso Mamba que se intrometeu na casa real, poderia alegar que o seu cliente, como funcionário público, estava apenas servindo uma das primeiras damas, já que o rei claudicara nas suas obrigações na alcova real.

Na Suazilândia as festas reais são conhecidas pela extravagância. A cada 19 de abril, data do aniversário do rei, ocorre um grande evento num estádio da capital, que pode durar uma semana, e onde são escolhidas as novas esposas, entre as 80 mil virgens do reino, que se exibem exuberantes diante do monarca, transvertido de chefe tribal.

As mulheres vão seminuas ao estádio e são examinadas visualmente pelo monarca, que as observa como quem compra gado no mercado. Elas estão normalmente eufóricas e sonhadoras com a hipótese de sair da miséria, obtendo um casamento real.

Mas não é sempre assim pois, as duas primeiras mulheres do rei da Suazilândia, são-lhe impostas pelos conselheiros do Reino. Elas assumem funções especiais nos rituais mas nunca podem reivindicar realeza. A primeira mulher deve ser um membro do clã Matsebula e a segunda, do clã Motsa.

Segundo a tradição, ele só se pode casar com as esposas, depois delas terem ficado grávidas, provando que podem gerar herdeiros.

Seria apenas exótico, esse festival pagão de ofertas de mulheres, se entre as oferecidas não estivessem meninas recém ingressas na puberdade. A esposa 12ª envolvida nesse episódio, foi escolhida com apenas 16 anos, para integrar o harém real.

in «Daily Mail», 03.08.2010
A bela Mswati Nothando Dube, o rei "coroado" e o ministro...

Virgens suazis a caminho da festa

20/08/2010

Alemanha vive o maior boom económico

Maior boom económico desde a reunificação

A Alemanha acaba de divulgar o seu mais robusto trimestre de crescimento económico desde a reunificação do país em 1990. Durante o segundo trimestre deste ano, um grande aumento das exportações, a elevação do consumo e estímulos governamentais ajudaram o país a apresentar um índice de crescimento de 2,2%.

Beneficiada por um salto das exportações e pelos contínuos programas de estímulo governamentais, a economia da Alemanha está se recuperando em um ritmo mais acelerado do que a maioria dos economistas esperava. Durante o segundo trimestre, o produto interno bruto cresceu 2,2% em relação ao trimestre anterior, segundo anunciou na última sexta-feira o Departamento Federal de Estatística em Wiesbaden, o que representa o maior crescimento
económico trimestral registrado desde a reunificação do país em 1990.


"A economia alemã, que perdeu o ímpeto no final de 2009 e no início de 2010, retornou de fato à rota correta", anunciou o departamento em uma declaração oficial. O crescimento registado no segundo trimestre superou as expectativas dos analistas, que haviam previsto um crescimento de apenas 1,3%. Além disso, o crescimento do primeiro trimestre, de 0,5%, também foi melhor do que a previsão de 0,2%. A produção económica do segundo trimestre
aumentou 4,1% em relação ao mesmo período do ano passado.


Existem vários motivos para este boom econômico. Ele foi alimentado pelas exportações, mas também pelo consumo privado dos alemães, que durante anos vinha sendo anémico. O Departamento de Estatística também observou que os programas de estímulo económico do governo alemão tiveram um efeito positivo. Enquanto isso, as empresas do país também começaram a incrementar os seus investimentos.

Em 2009, a Alemanha caiu em uma recessão profunda durante a crise económica global. A economia sofreu uma contração de 4,7%, segundo anunciou na sexta-feira o Departamento de Estatística. Os novos números trazem uma pequena correção para baixo em relação ao índice anteriormente divulgado, que foi de 4,9%. As revisões desses índices, de uma magnitude sem
precedentes, são atribuídas a recentes e fortes flutuações do desenvolvimento económico de curto prazo, provocadas pela crise, segundo informou o departamento.


"Uma grande retomada do crescimento"

A maioria dos pesquisadores económicos acredita que a Alemanha terá que crescer pelo menos 2% em 2010. O ministro da Economia do país, Rainer Brüderle, que é membro do Partido Democrático Liberal, simpático ao empresariado, também manifestou o seu optimismo: "Atualmente nós estamos experimentando uma grande retomada de crescimento", declarou Brüderle. "Um crescimento de mais de 2% para 2010 está começando a ingressar no reino das possibilidades reais". Até então, o governo vinha prevendo um crescimento económico anual de 1,4%.

Brüderle já está pedindo ao governo que comece a reduzir as medidas de estímulo económico. Segundo ele, os números recentes consistem em um "nítido encorajamento para que continuemos a retirar os programas de estímulo governamentais". Em vez disso, ele afirmou que o governo deveria "continuar resolutamente" com as suas medidas económicas. De acordo com Brüderle, ao fazer isso, o governo contaria com uma maior margem de manobra para aliviar o peso tributário sobre os assalariados médios.

Mesmo assim, a Alemanha foi alvo de estridentes críticas de Washington devido às suas iniciativas de cortar programas de estímulo económico e adotar uma rota de austeridade fiscal. O presidente Barack Obama está preocupado com a possibilidade de que, se os governos europeus abandonarem as medidas de estímulo, o crescimento económico possa cessar, ameaçando empurrar a economia global para uma nova recessão. Mas, após a crise do
euro, os países europeus implementaram ambiciosos programas para economizar recursos, com o objetivo de reduzir as dívidas nacionais e fortalecer a moeda comum.


Entretanto, ainda não se sabe se este boom terá continuidade até 2011.
Especialistas calculam que o crescimento no próximo ano ficará em torno de 1,5%. Essa estimativa é um pouco menor do que as previsões para 2010 porque ela leva em consideração o facto de que muitos programas de estímulo governamentais estão chegando ao fim, o que poderia resultar em uma desaceleração da recuperação económica da Alemanha.


in «Der Spiegel», 14.08.2010

19/08/2010

Política Extra

18/08/2010

Wanjiro Kamami

Translation of the Kiswahili part:
If you see the above gentle man with school girls, other women tell  him to go home or call/sms his wife on 0751993571

Tradução para português:
Informa-se ao público em geral que o cavalheiro da foto é marido da senhora Wanjiro Kamami (Shiro) desde 1982. Se por acaso o encontrr com meninas ou outras senhoras, mande-o para casa ou ligue/envie sms para a esposa pelo número 0751993571


17/08/2010

Very sexy!

Uma artista faulosa!

VerysexygirlfromthemusicalAfrica,Africa
Leader In Da Making | Vídeo do MySpace

16/08/2010

Pontualidade

Um velho padre foi a um jantar de despedida pelos seus 25 anos de trabalho ininterrupto à frente da Paróquia de Gondomar.

Um importante político da região e membro da comunidade, convidado para entregar o presente e proferir um pequeno discurso, atrasou-se.

O sacerdote decidiu-se a dar início à cerimónia com umas palavras e disse:

«A primeira impressão que tive da paróquia decorreu da primeira confissão que ouvi: A primeira pessoa que se confessou disse-me que tinha roubado um aparelho de TV, tinha roubado dinheiro aos seus pais, tinha roubado a firma onde trabalhava e tivera aventuras amorosas com a esposa do patrão.

Dedicara-se ainda ao tráfico de drogas e até tinha transmitido uma doença à própria irmã.

Fiquei assustadíssimo... Pensei que o bispo me tinha enviado para um lugar terrível. Mas fui confessando mais gente, que em nada se parecia com aquele homem...

Constatei a realidade de uma Paróquia cheia de gente responsável,com valores, comprometida com a sua fé. Vivi aqui os 25 anos mais maravilhosos do meu Sacerdócio.»

Neste momento, chegou o político. O padre passou-lhe então a palavra.

O político, depois de pedir desculpas pelo atraso, disse:

«Nunca vou esquecer o dia em que o sr. padre chegou à nossa Paróquia. Como poderia? Tive a honra de ser o primeiro a confessar-me!»

Moral da história: Nunca se deve chegar atrasado.

15/08/2010

Umbigo socialista

Caro dr. Mário Soares, este telegrama ultrameganeoliberal tem um propósito simples: provar que V. Exa. não percebe nada da União Europeia (UE). Nada. Aliás, o meu caro amigo está, desde já, chumbado a Integração Europeia.

V. Exa. estabelece sempre uma ligação direta entre a UE e o Estado social. Na sua cabeça, a UE é sinónimo de Estado social. Pior: é sinónimo do Estado social que existe aqui no sul da Europa. Como é óbvio, o seu raciocínio está errado. A UE, meu caro, não mete aquele burocrático bedelho nos assuntos do Estado social. A construção do Estado social é uma tarefa que cabe, em exclusivo, aos Estados. É por isso que não existe um modelo social europeu, mas sim diversos modelos. O modelo nórdico, por exemplo, tem uma natureza liberal, enquanto o modelo sulista tem um carácter socialista e corporativo. O Estado social é, portanto, uma peça local, e não federal. A verdadeira atividade da UE incide sobre uma coisa que está a milhas ideológicas do Estado social, a saber: o mercado único. O coração da UE é liberal, e não social, meu caro Mário. E sabe porquê? Porque o comércio livre é a primeira linha de defesa contra o fantasma do nacionalismo. Se V. Exa. não entende isto, então V. Exa. não compreende a natureza da UE, e a sua 'Europa' é apenas uma extensão do seu umbigo ideológico.

V. Exa. devia prestar mais atenção aos socialistas franceses, que sempre rotularam a UE de 'inimiga' do Estado social francês. Não por acaso, os socialistas gauleses têm um discurso soberanista e até xenófobo ("canalizador polaco"). Claro que esta xenofobia de esquerda é disfarçada pelos constantes gritos contra o 'neoliberalismo'. Quando xingam o 'neoliberalismo', os esquerdistas franceses (e portugueses) deixam de ser nacionalistas, e passam a ser querubins do santo esquadrão que combate a globalização, ou coisa assim. Maravilhas da semântica. Mas, meu caro Mário, não se iluda: o Estado social é, neste momento, um motor do nacionalismo. Na segunda metade do século XX, a UE foi feita contra o nacionalismo de direita. Agora, a UE será feita contra este nacionalismo de esquerda.

O meu caro amigo criou a III República com base em duas narrativas fundadoras: Portugal devia estar no coração da UE, e devia construir um modelo social francês. Ora, em 2010, podemos dizer que as duas narrativas estão em rota de colisão. Ou saímos da UE para mantermos o Estado social com sotaque francês, ou ficamos na UE e reformamos o estado social (adotando um sotaque nórdico ou polaco). V. Exa. vai ter de escolher: ou está com a Europa, ou está com o nacionalismo dos direitos adquiridos.

Henrique Raposo
in »Expresso», 23.07.2010

14/08/2010

Idiota C2

Eu é que sei, ouviram? Sou uma pessoa importante!
Imagem de Lisboa

13/08/2010

FPF e os fp...

O advogado de Carlos Queiroz

Se fosse eu que mandasse, Carlos Queiroz não seria o nosso selecionador, mas também não posso aceitar a forma pouco séria como o querem despedir.

E tendo em conta o alegado fundamento do processo disciplinar, não posso deixar de trazer à colação a defesa do saudoso Ramada Curto de um seu cliente acusado de ter chamado "filho da p." ao ofendido.

Nas suas alegações, Ramada Curto começou por chamar a atenção do juiz para o facto de, muitas vezes, se utilizar essa expressão em termos elogiosos ("Aquele filho da p. é o melhor de todos") ou carinhosos ("Dá cá um abraço, meu grande filho da p.!"), tendo concluído as suas alegações da seguinte forma: "E até aposto que, neste momento, V.Ex.ª está a pensar o seguinte: 'Olhem lá do que aquele filho da p. não se havia de lembrar só para safar o seu cliente!...'"

Chegada a hora da sentença, o juiz vira-se para o réu e diz: "O senhor vai absolvido mas agradeça ao filho da p. do seu advogado."

Enfim, apesar de já ter falecido há muitos anos, penso, no entanto, que o melhor advogado de Carlos Queiroz ainda continua a ser o saudoso Ramada Curto.

Santana-Maia Leonardo, Abrantes
in «Público», 12.08.2010

© Henrique Monteiro

12/08/2010

Idiota Eburobrittium

Estou a trabalhar, portantos...

Imagem de Évora

11/08/2010

Um país gostoso

O Desenhador do Quotidiano dá-nos uma visão deliciosamente infantil de Portugal: