12/10/2010

Chantagem Socretina

Carta aberta a Pedro Passos Coelho

I. José Sócrates e o PS, caro Pedro Passos Coelho, estão a fazer uma chantagem vergonhosa sobre o PSD. Vergonhosa. Porque José Sócrates, para ameaçar o PSD, tem uma arma apontada a Portugal. No fundo, o primeiro-ministro está a dizer isto: "se não fazes o que eu quero, eu disparo e deixo o país no caos". É isto que José Sócrates está a fazer. Não se esperava outra coisa de José Sócrates. Mas, meu caro Pedro, há que conter a raiva que este comportamento de Sócrates provoca. V. Exa. tem de manter a calma, e fazer o que é melhor para Portugal. E isso, na minha opinião, passa pelo seguinte: o PSD deve abster-se na votação do Orçamento do Estado 2011. A sua abstenção é o melhor para as nossas finanças e para a nossa democracia. E, se me permite, passo a explicar porquê.

II. Se o PSD derrubar o Governo, o pior cenário financeiro e económico vai bater à porta. A ausência de liderança política vai criar uma espiral de desconfiança nos mercados que só poderá ser travada pelo FMI. Este cenário poderá não acontecer, mas a sua probabilidade é elevada. Demasiado elevada, e V. sabe disso, com certeza. Além da subida intolerável dos juros da dúvida pública, este cenário poderá levar ainda a um corte de crédito dos bancos à sociedade (ainda mais). Ou seja, a economia pode parar por completo. Quando comparada com este afundamento total da economia, a mini-recessão provocado pela subida do IVA é brincadeirinha, dr. Passos Coelho.

III. E o pior disto tudo é que V. corre o risco de ficar associado à austeridade do FMI, mesmo quando não tem culpas no cartório. E, assim, aconteceria algo pouco digno para a democracia: com o FMI em Portugal, José Sócrates desviaria para o FMI e para o PSD o ónus de 15 anos de governação socialista. Pior: V. corre o risco de recusar um orçamento que aumenta impostos para depois aprovar como primeiro-ministro um "orçamento FMI" que aumenta impostos. Porque, meu caro, se V. vencer as eleições antecipadas em Maio, V. governará com o FMI, e o seu Governo não passará de um faxineiro da sujeira deixada pelo PS. Ou seja, o PSD fará o trabalho sujo que devia ser feito pelo PS. E, assim, mais uma vez, Portugal perderá a oportunidade de ter um Governo reformista, porque V. teve demasiada pressa para chegar ao poder, e porque não deixou que a democracia punisse convenientemente o adversário.

IV. Em suma, caro Pedro, se derrubar agora o Governo, o PSD estará a fazer o jogo do PS. Por outras palavras, o PSD arrisca-se a ficar com a culpa de 15 anos de governação do PS. O PS arruinou Portugal, mas o PSD arrisca-se a ser o mau da fita aos olhos do eleitorado. "Ah, mas foi o PS que arruinou o país". Pois foi, mas o eleitorado não olha para a razão. Olha para quem lhe bate. Isto não é tática política. É a defesa da democracia, caro Pedro. Em democracia, quem governa 15 anos tem de ser julgado, e não pode ter a possibilidade de desviar as suas responsabilidades para x e y.

V. Continuando, caro Pedro . Teixeira dos Santos só disse uma coisa acertada nos últimos tempos: o Governo "surpreendeu os partidos da oposição, principalmente o PSD, que não contava com um corte na despesa desta dimensão" (Expresso). Isto é verdade. Até 28 de Setembro, o Governo manteve o seu autismo habitual, a despesa continuava candidamente a aumentar (e continua), Sócrates dava sinais constantes de que não iria cortar na despesa, e Teixeira dos Santos dava sinais de que iria apresentar um orçamento "normal", e não de "guerra". Ora, sucede que Sócrates e Teixeira dos Santos cortaram na despesa, mesmo em zonas que eram supostamente intocáveis, como a massa salarial da função pública. Portanto, este não é um orçamento qualquer. Aumenta impostos? Pois, pois aumenta. Mas no estado em que o PS deixou isto, ninguém pode jurar que não aumentaria impostos no sentido de atingir os compromissos que temos com os parceiros da nossa moeda (isto é outra coisa que convinha explicar aos portugueses: o euro é a nossa moeda; não é a moeda "deles" lá da Europa). V. conseguia atingir as metas sem aumentar impostos? Pois muito bem: diga onde é possível cortar (a lista de Marques Mendes?) e responsabilize o PS pelo aumento de impostos. O PS é que é Governo.

VI. Este orçamento ainda não repensa a arquitectura do Estado? Pois não. Mas V. não pode esperar que um orçamento faça o trabalho que devia ter sido feito por dezenas de orçamentos. V. queria que um único OE revolucionasse o nosso Estado com décadas e décadas de vícios? Mas, atenção, como disse Daniel Bessa, o OE2011 destruiu as ilusões do regime . O 29 de Setembro é uma espécie de novo ano zero. Por outras palavras, a requalificação do Estado e do Estado Social é uma tarefa para a próxima década, a década que se segue ao 29 de Setembro.

VII. Aliás, é nisso que V. devia estar a pensar: na próxima década, e não no próximo ano. Ou seja, V. devia pegar nos temas que desenvolveu no verão. As mudanças necessárias na estrutura do estado, na saúde, na educação, etc. são os debates que devem ser desenvolvidos agora. Porque a verdade é esta: todos os jornalistas e analistas que atacaram as suas propostas de mudança têm agora de pensar numa coisa: depois do 29 de Setembro, é possível não mudar? Este statu quo é insustentável, e V. teve o mérito de alertar para isso antes de 29 de Setembro. Ao contrário da maioria, eu acho que esse foi o seu melhor momento. V. foi inexperiente e atabalhoado na forma como mexeu em temas quentes (saúde, lei laboral, etc.), mas teve a coragem de mexer. E agora V. está a ver a realidade a dar-lhe razão. Repare numa coisa: a UE já disse a Teixeira dos Santos que ele tem de mudar a lei laboral portuguesa. Mais uma vez, V. tinha razão.

VIII. Portanto, V. já demonstrou ter coragem. Mas agora pede-se realismo . Não pense no próximo ano, pense na próxima década, e prepare uma narrativa que explique às pessoas a necessidade imperiosa da mudança. Estou certo que V. faz esta pergunta aos seus botões: "mas como é que o PS tem ainda 30% nas sondagens?" Eu explico: em tempos de crise, em tempos em que a mudança começa a ser inevitável e "forçada", as pessoas têm medo e agarram-se ao que têm. O PS é o partido que capitaliza esse medo da mudança. Caro Pedro, mostre às pessoas que a mudança, além de ser inevitável, é justa e algo que melhora a vida das pessoas. Caramba, se isto está tão mal, porque carga de água não podemos mudar?

Henrique Raposo
in «Expresso», 11.10.2010 (e 12.10.2010)

NR: assinemos por baixo!

11/10/2010

O combate

De vez em quando, umas surpresas agradáveis na TVI 24.

Aqui, o "Combate de Blogues":
 

10/10/2010

Santíssima "Kim"drade Coreana

Na auto-designada "República Democrática Popular da Coreia" - na verdade "Monarquia Comunista do Norte da Coreia" -, o neto de "Presidente Eterno" Kim il-Sung, de seu nome Kim Jong-un, acaba de ser nomeado para suceder ao seu pai Kim Jong-il, o presente líder deste miserável país-prisão e que já havia herdado a coroa paterna.

Trata-se do único caso de monarquia comunista e que tem um dedicado admirador em Bernardino Soares, deputado PCPista.

Por ocasião do aniversário do Partido, o príncipe foi apresentado ao mundo.

Nós qué negoce

A candonga e corrupção do sistema guebuzino está muito bem caraterizado num programa humorístico da Rádio Moçambique e que pode ser ouvido aqui.
  

09/10/2010

Socialismo esquemático (*)

Silva Lopes, um senhor muito ouvido e respeitado, defendeu recentemente, com autoridade e bonomia, o congelamento dos salários dos portugueses que, recorda o boletim estatístico de Janeiro passado do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, se cifrava, em termos médios, em 891,40 euros mensais.
Socorro-me de um estudo realizado pelo economista Eugénio Rosa para trazer à colação que aquele senhor: auferia mensalmente 102.562,30 euros quando, em Maio transato, deixou a presidência do Montepio; por 4 anos de atividade naquela instituição, vai receber cerca de 4.000 euros de reforma mensal, que somará a outra da Caixa Geral de Depósitos e, ainda, a uma terceira, do Banco de Portugal; embora invocando a necessidade de descansar para sair do Montepio aos 74 anos de idade, aceitou, de seguida, o cargo de administrador da EDP Renováveis, provavelmente em coerência com a sua visão socialista da economia e do mercado de trabalho.

Obviamente que o pecúlio de Silva Lopes é legalmente imaculado e não me incomoda a sua abundância. Mas, do alto do seu luxo, não lhe sobra moral para vir a público referir-se à miséria dos outros. Isto, que numa sociedade civilmente vigorosa teria merecido vivo questionamento, foi, outrossim, tranquilamente retomado para outros excelsos intérpretes do politicamente correto anunciarem que o garrote continuará a torturar o indígena.

"A putrefação"
Santana Castilho
in «Público», 01.04.2009

(*) esquemático, que se baseia num esquema, isto é, num jeito ou expediente.

O esquematismo é uma forma de representar objetos reais com um estilo caraterizado pelo uso de traços simbólicos e simplificados que não pretendem ser realistas. O desenho resultante, usualmente, omite detalhes irrelevantes para a informação que interessa ressaltar, sendo os elementos reduzidos a diagramas arbitrários ou convencionais que tangenciam a abstração e que, apesar disso, são facilmente acessíveis para a compreensão humana.

Amiúde acrescentam símbolos abstratos, de difícil interpretação se o debuxo está fora de contexto, mas compreensível para o espectador familiarizado com os elementos icónicos e diagramas utilizados.

O esquematismo é um recurso artístico que se dá em numerosas correntes ao longo de toda a História; mas também é utilizado em outros campos da vida humana nos que se precisa um sistema comunicativo universal e acessível, por exemplo, os sinais de tráfego, os planos, os esquemas de reparação ou montagem de objectos compostos, os processos cientistas (Wikipedia)

08/10/2010

Segunda grande notícia

O Prémio Nobel da Paz de 2010 acaba de ser atribuído a Liu Xiaobo (n. 28.12.1955), um prisioneiro político da ditadura chinesa.

Depois da escolha de Mario Vargas Llosa a 7 de Outubro, a nomeação de Liu Xiaobo é a segunda excelente notícia na frente de luta pela Liberdade, Democracia e Paz.

Na verdade, a sua indicação constitui um desafio à tirania chinesa mas, ao mesmo tempo, um convite para que adira ao mundo do séc. XXI, onde não há espaço para regimes despóticos, iluminados e corruptos.

Recorde-se que Liu Xiaobo está preso!

O inferno nacional

Versão portuguesa

José Sócrates finou-se e foi recebido por São Pedro, às portas do Céu.

Tendo em conta uma vida de patifarias e malandragem, São Pedro indicou-lhe prontamente o caminho do Inferno mas dando-lhe a possibilidade de escolha:

- José, tendo em conta os altos cargos que desempenhaste em vida, podes escolher entre o Inferno Russo e o Inferno Português...

- Mas, São Pedro, qual é a diferença entre o Inferno Russo e o Inferno Português?

- É simples: no Inferno Português levas todos os dias com um balde de estrume, em cima; no Inferno Russo, o balde é dia-sim, dia-não...

- Ah, então São Pedro, escolho o Inferno Russo, claro!

E lá foi o camarada Sócrates para o Inferno Russo.
De passagem pela entrada do Inferno Português, avista o camarada Álvaro Cunhal...

- Então dr. Cunhal, afinal está por aqui no Inferno Português? Não foi para o Inferno Russo onde o balde de estrume é só de dois em dois dias?

- Pois é José: no Inferno Russo, o estrume é de dois em dois dias. Mas, aqui, no Inferno Português, ainda que o estrume seja todos os dias, na verdade, nuns dias, falta o estrume, noutros, falta o balde...

Versão moçambicana

Armando Guebuza teve uma babalaza e acabou em audiência com São Pedro, às portas do Céu.
Tendo em conta uma vida de vigarices, cabritismo, canganhiça e corrupção, São Pedro indicou-lhe prontamente o caminho do Inferno mas dando-lhe a possibilidade de escolha:

- Armando, tendo em conta a 'estrutura' que tu foste em vida, podes escolher entre o Inferno Russo e o Inferno Moçambicano...

- Baiete São Pedro, afinal, explica lá a diferença do Inferno Russo e do Inferno Moçambicano?

- Oh meu mamparra, é simples: no Inferno Moçambicano levas todos os dias com um balde de estrume em cima; no Inferno Russo, o balde é dia-sim, dia-não...

- Ok, São Pedro, eu previro bichar para o Inferno Russo, claro!

E lá foi o camarada Armando para o Inferno Russo.
De passagem pela entrada do Inferno Moçambicano, avista o camarada Samora Machel...

- Então camarada presidente, afinal? Estás aqui no Inferno Moçambicano? Não foste para o Inferno Russo onde o balde de estrume é só de dois em dois dias?

- Oh meu bongolo Armando: no Inferno Russo, o estrume é de dois em dois dias. Mas, aqui, no Inferno Moçambicano, o estrume planificado para todos os dias, afinal, nuns dias, falta o estrume, noutros, falta o balde...

Versão brasileira

Lula da Silva teve treco e foi dar com o São Pedro, às portas do Céu.
Tendo em conta uma vida de pelintragem e malandragem, São Pedro indicou-lhe prontamente o caminho do Inferno mas dando-lhe a possibilidade de escolha:

- Lula, tendo em conta os altos cargos que desempenhaste em vida, podes escolher entre o Inferno Russo e o Inferno Brasileiro...

- Oi, São Pedro, mas qual é mesmo a diferença entre esse Inferno Russo e o Português?

Muito simples: no Inferno Português levas todos os dias com um balde de estrume, em cima; no Inferno Russo, o balde é dia-sim, dia-não...

- Vou nessa, São Pedro, em enfio para o Inferno Russo, né!

E lá foi o camarada Lula para o Inferno Russo.
De passagem pela entrada do Inferno Brasileiro, avista o camarada Prestes...

- Então companheiro Prestes, afinal tu está aqui no Inferno Brasileiro, qual é a tua? Tu não foi mesmo para o Inferno Russo, que tem balde de estrume só de dois em dois dias?

- Vê lá Lula: no Inferno Russo, o estrume é de dois em dois dias. Mas, aqui, no Inferno Brasileiro, estrume é para todos os dias, né, mas você sabe como é mesmo, tem dias, falta o estrume, outros, falta é o balde...

07/10/2010

Mario Vargas Llosa

O peruano Mario Vargas Llosa ou Jorge Mario Vargas Llosa,  é o nomeado Prémio Nobel da Literatura de 2010, de acordo com o anúncio da Academia Real Sueca.

Politicamente desalinhado com a maioria dos escritores latino-americanos e sobre o qual se dizia que nunca seria nomeado por não ser comunista, acaba de ser escolhido pela qualidade da sua obra e constitui um incentivo para todos os que lutam pela liberdade e democracia na América Latina.

Parabéns ao Peru, aos amigos peruanos e à literatura em língua espanhola.

Organização socretina de um local de trabalho

Diagrama esclarecedor

Quando os chefes olham para baixo só vêem merda;
Quando os tipos de baixo olham para cima só vêem caras de cu...

06/10/2010

Quanto custa esta República

Diário da República nº 28 - I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 – Resolução da Assembleia da República nº 11/2010 (em http://www.dre.pt/)

Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da República:

01 - Vencimento de Deputados ........................................................12 milhões 349 mil Euros
02 - Ajudas de Custo de Deputados ...................................................2 milhões 724 mil Euros
03 - Transportes de Deputados .........................................................3 milhões 869 mil Euros
04 - Deslocações e Estadas .................................................................2 milhões 363 mil Euros
05 - Assistência Técnica .……..............................................................2 milhões 948 mil Euros
06 - Outros Trabalhos Especializados .…..........................................3 milhões 593 mil Euros
07 - Restaurante, Refeitório, Cafetaria ..............................................................961 mil Euros
08 - Subvenções aos Grupos Parlamentares ....................................................970 mil Euros
09 - Equipamento de Informática .....................................................2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos .................................................................2 milhões 420 mil Euros
11- Edificios ..........................................................................................2 milhões 686 mil Euros
12- Transfers Diversos .....................................................................13 milhões 506 mil Euros
13- Subvenção aos Partidos na AR ..................................................16 milhões 977 mil Euros
14- Subvenções de Campanhas Eleitorais ......................................73 milhões 798 mil Euros

TOTAL A DESPESA ORÇAMENTADA PARA O ANO DE 2010:
191 405 356,61 (191 milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos)

05/10/2010

Fraco Rei faz fraco Povo


Uma opinião desassombrada de Frei Fernando Ventura.

Assinando por baixo! E sem comentários.


A república

04/10/2010

Venda dos aneis

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) acaba de anunciar a venda da sua sede - Av. João XXI em Lisboa - ao seu Fundo de Pensões do pessoal, por um montante de cerca de 250 milhões de euros. Nessa operação estima obter uma mais-valia (lucro) de 103 milhões de euros.

Eis uma operação Robin dos Bosques.

Com esta "contabilidade criativa", a CGD toma uma decisão que, sendo obrigatoriamente do conhecimento do acionista - o Estado - visa obter , ainda em 2010, um lucro extraordinário que remunere esse mesmo acionista.

Essa mais-valia vai diretamente para equilibrar o Orçamento. Assim se percebe como o ministro Teixeira do Santos garantia tua fazer para cumprir o défice orçamental.

O governo socretino dirá que não interferiu na decisão "empresarial", "comercial" da CGD. Como se fosse credível que um qualquer conselho de administração de uma empresa dos Estado pudesse tomar tal decisão sem cobertura do ministro das Finanças e do primeiro-ministro.

Na verdade, esta manobra visa, no curto prazo, enganar Bruxelas com um equilíbrio fictício das contas públicas; a prazo, retira 103 milhões de euros desse fundo de pensões e aos respetivos empregados que terão as suas poupanças confiscadas.

Haverá mais vida para além do orçamento (*) ?

A gravidade da crise orçamental portuguesas está exposta na praça pública.
A bancarrota vai para debaixo do tapete.
A desvergonha está à solta.

(*) famosa frase mortal e inconsciente de Jorge Sampaio (PR) contra Manuela Ferreira Leite (MF), em 2003

Um socialista decente

Austeridade "não toca na gordura do Estado e nos interesses da oligarquia"
Henrque Neto (*), em entrevista ao «Público», voltou a não poupar críticas às políticas económicas deste Governo. Diz que só os estadistas sabem ouvir os "críticos" e acrescenta que o chefe de governo utilizou um otimismo "bacoco e inconsciente" para esconder os problemas.

Desde o Governo de António Guterres, tem participado nos congressos do PS apresentando moções críticas para as políticas na área económica, por as considerar desajustadas das necessidades do país. Como vê a actual situação?

Com grande preocupação. Como português que gosta muito do seu país, não posso deixar de lamentar as oportunidades perdidas e os erros cometidos. Infelizmente, os nossos governantes não sabem da importância de ouvir os críticos, que é uma qualidade que está apenas ao alcance dos estadistas.

Como é que explica que, apesar dos avisos, o Governo tenha ignorado o impacto que a crise financeira iria ter na economia nacional?

Não há uma resposta simples para essa questão. Penso que é um misto de falta de sentido de Estado, de ignorância, de voluntarismo e de teimosia e, porventura mais importante, de falta de convicção sobre o interesse geral a que muitos chamam patriotismo.

Como avalia as linhas gerais propostas pelo Governo para reduzir o défice do Estado em 2011?

Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expetativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expetável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.

Acredita na execução orçamental de 2010?

Tanto quanto se sabe, o Governo não cumpriu as medidas acordadas com o PSD, do lado da despesa, no PEC (Plano de estabilidade e Crescimento) 1 e no PEC 2. Mas, como todos sabemos, a contabilidade governamental é elástica e algumas das medidas agora apresentadas terão efeito ainda este ano, pelo que seria um absurdo indesculpável o Governo não cumprir o objetivo do défice para 2010.

Quais os efeitos das medidas anunciadas na economia real?

Os livros de Economia ensinam que estas medidas matam qualquer economia, e essa é uma razão adicional para as evitar em tempo útil, com bom senso e boa governação. Em qualquer caso, temos a vantagem de ser um pequeno país e acredito que as empresas têm condições para salvar a economia portuguesa. Mas, para isso, precisam de uma estratégia nacional clara e coerente, um Estado sério e competente que defenda o interesse geral e uma profunda reforma ao nível da exigência educativa. O objetivo principal terá de ser subir na cadeia de valor através da inovação e de recursos humanos mais qualificados.

Continua a haver risco de Portugal necessitar da intervenção do FMI?

Um Governo que deixou chegar as finanças à presente situação, dificilmente evitará a vinda do FMI.

Partilha da opinião dos que defendem que o melhor contributo que o Governo pode dar à economia é consolidar as contas públicas?

A consolidação das contas públicas é uma condição necessária mas não suficiente. Apenas o crescimento sustentado da economia abrirá novas perspetivas aos portugueses. Mas, neste domínio, José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um otimismo bacoco e inconsciente.

Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.

Como se resolve o dilema: estimular a economia e equilibrar as contas públicas?

Nas atuais condições de endividamento, dificilmente se conseguirão ambas as coisas. Por isso a dívida pública que os últimos governos deixaram acumular deveria constituir crime público. Porque nos tornou dependentes dos credores internacionais e coloca em causa o bem mais precioso de qualquer país, que é a independência nacional. Que, no caso de Portugal, tem mais de oito séculos e custou muito sofrimento. Aliás, por isso, e talvez não por acaso, infelizmente, são cada vez mais frequentes as tiradas vindas de alguns setores apregoando que o país não é viável e que os portugueses não se sabem governar, ou que a solução dos nossos problemas passaria por uma qualquer união ibérica.

É possível cumprir as metas orçamentais sem aumento de impostos que permitem receitas imediatas?

Teria sido possível se a previsão fizesse parte do léxico do Governo de José Sócrates. Mas como, a três meses do final do ano, o ministro das Finanças ainda precisa de medidas adicionais e pede à oposição que lhe indique onde cortar na despesa, a resposta é não, no curto prazo, os impostos adicionais são inevitáveis.

Das declarações do Governo, ficou com ideia de que ele deixou cair o investimento público associado às grandes obras, TGV e aeroporto?

A ideia com que se fica é que o primeiro-ministro não leva em conta o interesse nacional, mas os interesses dos grupos de pressão dos setores financeiro e das obras públicas, o que é a única explicação para a dimensão dos erros cometidos. Estamos a construir mais auto-estradas que ficam vazias e sem carros e um TGV com um traçado que não favorece a economia, ao mesmo tempo que nada foi feito para termos um porto de transhipment e transporte ferroviário de mercadorias para a Europa, investimentos cruciais em logística, para podermos ambicionar atrair mais investimento estrangeiro e desenvolver uma verdadeira capacidade exportadora. Em qualquer caso, contra toda a sanidade económica e financeira, o Governo não parou a maioria das obras programadas e utilizará o fantasma das indemnizações aos empreiteiros para as não parar.

Durante as últimas eleições, Passos Coelho desalinhou com a liderança do PSD da altura e veio também defender os grandes investimentos públicos como o TGV?

Infelizmente, Portugal está na senda de escolher jovens primeiros-ministros que não sabem do que falam. O que é agravado pela inexistência de uma estratégia nacional integradora das grandes decisões de investimento público. Desta forma, os investimentos são encarados como obra pública avulsa, o que conduz a cada cabeça cada sentença. Pedro Passos Coelho é parte desse problema, que, além disso, permite as constantes mudanças de opinião.

O que diz é que o jogo político entre as altas figuras que lideram o PS e o PSD se tem sobreposto ao desenvolvimento do país?

É inegável que existe um bloco central inorgânico na política portuguesa, que defende interesses privados ilegítimos e permite a acumulação de altos e bem pagos cargos na administração do Estado e nas empresas do regime. O que é facilitado pelo chamado centralismo democrático praticado nos diversos partidos políticos e pela habitual passividade e clubismo do povo português. Nesse capítulo, atingimos o ponto zero da moralidade pública e não vejo como será possível colocar a economia portuguesa no caminho do progresso e do crescimento, com algumas das principais empresas e grupos económicos a poderem ter relações privilegiadas com o poder político e a ser-lhes permitido fugir da concorrência e dos mercados externos, por força do clima de facilidade e de privilégio que detêm no mercado interno.

Nos últimos anos, chamou várias vezes a atenção para a promiscuidade dos grandes interesses privados com altas figuras do Estado. O cidadão tem a ideia de que não paga essa fatura. O facto de o cidadão ser chamado agora a pagar a fatura vai ter consequências?

Não sei quando é que os portugueses dirão "basta!". Mas sei que o maior problema resultante da imoralidade das classes dirigentes é a pedagogia de sinal negativo que isso comporta. Infelizmente, muitos portugueses têm a tentação de pensar que, se alguns enriquecem de forma fácil e rápida por via da sua atividade política, isso também lhes pode acontecer a eles no futuro. Fenómenos como o BPN e o BPP têm muito a ver com esta amoralidade geral reinante. Por outro lado, como pode o cidadão comum combater a corrupção, se o próprio Governo não fizer o que deve e pode para encabeçar esse combate, como ainda aconteceu recentemente?

(*) Henrique Neto tem 74 anos e é militante do PS há cerca de 20. Mas é também um empresário da Marinha Grande, tendo criado a Iberomoldes em 1975, uma exportadora de moldes, de componentes para automóveis e de engenharia de produtos

in «Público», 04.05.2010
  

A tradição vem de longe!

O jornal republicano «A Vanguarda» de 23 de Agosto de 1895 é muito elucidativo:


03/10/2010

Diferença entre um GNR e um Socialista

Um homem, voando de balão, dá conta de que está perdido. Avista um GNR, aproxima-se dele e pergunta-lhe:

- Pode ajudar-me? Fiquei de me encontrar às duas da tarde com um amigo, já estou meia hora atrasado e não sei onde estou.

- Claro que sim! - responde-lhe o guarda - O senhor está num balão, a 20 metros de altura, algures entre as latitudes de 40 e 43 graus norte e as longitudes 7 e 9 graus oeste.

- Você é da GNR, não é?

- Sou sim senhor! Como foi que adivinhou?

- Muito fácil: porque o que me disse está tecnicamente correcto mas é inútil na prática. Continuo perdido e vou chegar tarde ao encontro porque não sei o que fazer com a sua informação...

- Ah! Então você é socialista!

- Sou! Como descobriu?

- Muito fácil: porque você não sabe onde está nem para onde vai, assumiu um compromisso que não vai poder cumprir e está à espera de que alguém lhe resolva o problema. Com efeito, está exatamente na mesma situação em que estava antes de me encontrar só que agora, por uma estranha razão, a culpa é minha!...

02/10/2010

Juros da dívida pública

No gráfico – e nos mercados – Portugal, naturalmente, a preto:
in jornal «Público», 28.09.2010

01/10/2010

Um dia negro para Portugal

O dia 29 de Setembro de 2010 foi um dia negro para os portugueses. Os portugueses acordaram a meio de um pesadelo e caíram da cama.

Às 20 horas, todos os canais televisivos retomaram as «Conversas em Família». O menino Zequinha desfiava, sem corar, um novo pacote de mentiras. Mais uma vez, os seus olhos de patife, saltitavam da esquerda para a direita sem fitar nenhum membro da família. Tentava que não se percebesse que é um mentiroso compulsivo.

Depois disso, o ministro das Finanças suíço analisou a situação portuguesa no parlamento do seu país e, claro, não se conseguiu conter perante uma realidade tão estranha:

30/09/2010

Um ano de circo no manicómio

Após o anúncio de "corajosas" medidas pela camarilha socretina, convém rebobinar o filme «O maluquinho de São Bento» e tentar perceber se Portugal tem gente séria ao volante, antes que chegue a próxima curva:

O regime dos Yá-tolos

Moçambique prepara-se para fazer entrar em vigor uma medida que prevê o bloqueio de telemóveis com cartão pré-pago que não estejam registados junto dos respetivos operadores. Os utilizadores deste tipo de serviço deverão registar obrigatoriamente a titularidade dos números até 15 de Novembro.

A medida terá sido precipitada pelos violentos protestos contra o aumento do custo de vida de 1 e 2 de Setembro, convocados sobretudo através de SMS. As autoridades defendem, entretanto, que se trata apenas de assegurar a correta utilização de um serviço público.

A proposta pretende "garantir proteção dos utilizadores e segurança das pessoas no geral, assim como de instituições que têm estado a ser roubadas e burladas com base no uso de cartões pré-pagos das duas operadoras móveis", segundo o ministro dos Transportes e Comunicações, Américo Muchanga (1), citado pelo jornal mediaFax, refere a Lusa.

O governante apelou a "todos os cidadãos a dirigirem-se às suas operadoras em tempo útil, munidos dos respetivos bilhetes de identidade e certificados de residência ou outros documentos válidos, onde vão responder a um formulário já disponível".

O ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique referiu admitiu ainda que o processo, que decorre há mais de 10 dias, é "irreversível".

Recorde-se que no início do mês, a imprensa local dava conta de um bloqueio aos SMS (2) pelos operadores que justificaram o sucedido com "problemas técnicos".

Dados governamentais indicam que 27 por cento dos 21 milhões de moçambicanos usam serviços de telefonia móvel.

in Sapo.pt

NR:
(1) o camarada Muchanga não é ministro mas sim diretor do Instituto Nacional das Comunicações - uma entidade reguladora e autónoma (sem rir, por favor); o ministro recebeu ordens sobre o que devia mandar o Muchanga fazer.

(2) recordemos que as revoltas populares no Irão e em Moçambique, contra os respetivos regimes corruptos, foram conduzidos por SMS e outras tecnologias móveis.
Chegam atrasados, estes corruptos guebuzinos...