11/09/2010

Dicionário

Michaëlis: Ultra-Moderno Dicionário da Língua Portuguesa

So.cra.te.ar

elem comp (lat solu + gr -kratés + ear) 1. Ocultar ou encobrir com astúcia e má-fé; disfarçar com cinismo. 2. Não dar a perceber, esconder, calar. 3. Fingir, simular inocência. 4. Usar a dissimulação; proceder com fingimento, hipocrisia. 5. Desviar o assunto; fugir das responsabilidades. 6. Fazer recair as culpas nos amigos (mesmo que familiares) mais próximos. 7. Negar despudoradamente as evidências. 8. Defraudar, iludir; praticar técnicas de banha-da-cobra. 9. Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade, fazendo crer que os fins justificam os meios. 10. coloquial : sacanear.

10/09/2010

Frente e verso

Para alívio do governo português, o campeonato de futebol - a liga -  já começou.

O fanatismo está de regresso e os incendiários mudaram de zona de atuação: agora, nos campos (de batalha) de futebol.

09/09/2010

Ainda vi outro caracol mas ele fugiu

Não só a educação é injusta como a justiça tem falta de educação. Esta semana tem sido quente (politicamente) com notícias, que a todos surpreendem, tanto na educação como na justiça.

Não leio folhetins nem vejo telenovelas. Por isso, não sei o que se passa no caso Casa Pia nem na confusão do Freeport. Nunca li nada sobre esses assuntos, para além de cabeçalhos, porque sabia que seria apenas uma parte da verdade, na melhor das hipóteses.

Mas, como estamos no Verão, desta vez li os resumos da imprensa sobre a decisão no caso Freeport. E lembrei-me de uma história de infância que rezava assim: uma mãe manda o seu filho, que era muito preguiçoso, apanhar caracóis. Ao fim da tarde ele aparece com apenas dois caracóis. Só dois!, disse a mãe. Ao que o filho replicou, eu ainda vi outro mas ele fugiu. Esta história lembra a decisão da Procuradoria sobre a falta de tempo para fazer perguntas a políticos. É assim que o povo a vê. Estou certo que as pessoas envolvidas estão acima de qualquer suspeita, mas o prestígio da justiça deu mais um trambolhão aos olhos de todos. E eu a pensar que tal seria impossível.

Há cerca de um ano a SEDES fez uma avaliação da qualidade da democracia e, para minha surpresa e angústia, a imagem da justiça parecia não poder ser pior. Uma justiça desprestigiada é sempre uma má justiça. Porque se não acreditamos na independência política dos seus agentes, se não acreditamos que ela é independente de interesses e se não acreditamos que a justiça é igual para ricos e pobres ou poderosos e fracos, então, está em causa o simples exercício da cidadania, é a vida democrática que é afectada. E os exemplos são sintomáticos.

É desumano deixar uma pessoa durante anos num limbo de culpabilidade sem nada acontecer. Se é um político, ainda tem algum benefício da dúvida perante a opinião dos amigos e conhecidos. Há sempre a ideia de que interesses partidários estão envolvidos. Mas ao simples cidadão tal pode acontecer, sem apoios de um partido político e sem dinheiro para se defender; e é uma verdadeira tortura psicológica durante anos. É infame.

Saberemos que a justiça em Portugal um dia funciona, se ninguém se lembrar do nome do procurador. Enquanto tal não acontecer, significa que a justiça não é justa.

A educação - outro problema calamitoso - também não deu boas notícias com a perspetiva do fim das reprovações. Há uns meses, numa conferência em S. Francisco na Califórnia, um professor americano já reformado, que escreveu muito sobre Espanha e também sobre Portugal, perguntou-me qual a razão dos maus resultados do ensino nacional. Depois de uma longa conversa em que mostrei que os recursos financeiros, humanos e materiais eram dos melhores da Europa, os resultados brilhavam pela ausência. A finalizar disse-lhe que boa parte da culpa também era deles, americanos. Perante a surpresa expliquei-lhe que no final dos anos sessenta (ou princípios de setenta) um ministro da Educação tivera a ingenuidade de mandar umas dezenas de pessoas estudar "ciências da educação" nos Estados Unidos. Ele interrompeu-me perguntando: não me diga que foram para Boston. Exatamente, disse-lhe. O meu amigo respirou fundo e calmamente concluiu: então, o caso é mesmo muito grave.

E é, de facto, muito grave. A filosofia das escolas de educação está patente há muitos anos na abordagem ao ensino em Portugal e os resultados estão à vista. Estou certo que a intenção da ministra é a melhor; li a sua entrevista e ouvi atentamente muitas das explicações que se lhe seguiram e não advogou (explicitamente) o fim administrativo dos chumbos. Desejou apenas pôr à discussão; aqui fica o meu contributo.

As reprovações são necessárias e não se avaliam, principalmente, pelos efeitos que têm nos alunos que chumbam. As reprovações são úteis para os alunos que passam porque estudaram. É o prémio; é para evitar a vergonha da reprovação que os alunos se aplicam mais. Qualquer um de nós (incluindo eu próprio) se lembra que esteve, normalmente pelos 14 anos, à beira de chumbar e só não terá acontecido pelo esforço final para evitar o vexame. É a cultura de responsabilidade que está em causa.

Educar é preparar para a vida. Não conheço melhor definição de educação. Essa preparação é não só técnica e científica, mas também ética e cívica. É ser capaz de lidar com o stress, com a pressão temporal e até com a injustiça. É ser capaz de definir objectivos, trabalhar por eles e alcançá-los. E esperar o reconhecimento por isso. Os exames e os resultados com aprovações, reprovações e com notas de zero a vinte foram necessários e são importantes. Aguentar a pressão de um exame faz também parte da aprendizagem.

Na vida estamos sempre a aprender e estamos sempre a ser avaliados. Tal como devia ser na escola. Há duas grandes diferenças entre a escola e a vida. Na escola, primeiro temos a lição e depois o exame. Na vida primeiro temos o exame e só depois temos a lição se percebermos onde errámos. Em segundo lugar, na escola aprendemos à custa da experiência de outros; na vida aprendemos à nossa custa, à custa dos nossos erros. Por tudo isto é que a escola é o meio mais eficiente para nos preparar para a vida.

Nós, que somos pais, várias vezes ouvimos os nossos filhos queixarem-se da injustiça de uma avaliação. A minha resposta era sempre a mesma: fala com o professor e tenta apresentar as tuas queixas, mas se no fim ficar tudo na mesma, aprendeste que a injustiça existe e vais vê-la todos os dias no resto da tua vida. Aprendeste mais uma coisa.

Sem justiça não há cidadania nem vida democrática. Sem uma boa escola não há justiça social.

Hoje temos um ensino, porque laxista, mais injusto do que há 40 anos: os filhos dos mais pobres ficam condenados a serem pobres. Não sou especialista em educação e sei ainda menos de justiça. Mas sei ver os resultados. Da mesma forma que não sei cozinhar decentemente, mas sei apreciar uma boa refeição.

Luís Campos e Cunha, Professor universitário
in «Público», 06.08.2010


08/09/2010

Só vai à Lambada

Esta música continua a fazer sucesso e a trazer recordações do Verão.

07/09/2010

7 de Setembro

Há 36 anos, em 7 de Setembro de 1974, foi assinado o Acordo de Lusaka com o qual Portugal iniciou oficialmente a descolonização de Moçambique.

O processo não constituiu a "descolonização exemplar" que o MFA propagandeou. Na verdade, as Forças Armadas Portuguesas roçaram uma verdadeira traição que só é entendível à luz da estupidez salazarista-marcelista.

O MFA, Salazar e Caetano, conduziram Portugal ao abismo, à "grande bronca".

À época, o advogado Neves Anacleto, residente em Lourenço Marques, um dos mais ativos oposicionistas da ditadura, tornou-se igualmente um vivo denunciante da ditadura frelimista que se anunciava e que, mais tarde, esteve na origem da destrutiva guerra civil que se abateu sobre Moçambique. A denúncia está disponível aqui.

Na combinação do período 1974-75 e 1975-1992, morreram milhões de inocentes portugueses e moçambicanos.

Depois dos recentes acontecimentos dramáticos de 1 de Setembro, com intervenientes diferentes, há nítidas semelhanças das cenas, do caos, das vítimas. E a Frelimo a provar o mesmo veneno de que então se serviu!

Por mera curiosidade, destaque-se que António Neves Anacleto era o avô materno de Francisco Anacleto Louçã, trotskista, o mais oposto possível ao pensamento do seu avô.

06/09/2010

A prova que faltava

Que material irá neste camião da "Transkona Logistik"? Será isto uma evidência de tráfego de carne?

Seja o que for, uma prova obtida na Áustria.

05/09/2010

O fim do terror?

É preciso desconfiar sempre dos terroristas. E estes, são tenebrosos, fanáticos, terroristas puros.

Em todo o caso, a ETA sofreu um duro golpe com a prisão dos seus principais cabecilhas pelo que, pelo menos, haverá alguma esperança de que seja o fim do martírio dos bascos e dos espanhóis em geral.

Hoje, anunciou que não levará a cabo mais "ações armadas" na sua campanha pela independência para - esta é de rir - "pôr em marcha um processo democrático".

O Algarve sempre em obras

O calor de Verão aperta. A fome aperta. O trabalho aperta. A estupidez fica à sombra.

03/09/2010

O dia em que Portugal foi "notícia"

O juiz decide...

Foram dados como provados os crimes de todos os sete arguidos do processo Casa Pia. O facto destes crimes terem sido dados como provados não quer dizer que haja pena de prisão. Só no final da leitura do acórdão é que serão conhecidas as penas.

O arguido Carlos Silvino tem vários crimes já dados como provados relativos a oito jovens, tal como Carlos Cruz (três jovens), Hugo Marçal, Jorge Ritto (um jovem), Gertrudes Nunes, Ferreira Dinis (quatro jovens) e Manuel Abrantes (dois jovens). Os factos provados ocorreram em várias casas, incluindo a casa de Elvas e das Forças Armadas.

Entretanto, cai a acusação do crime de peculato relacionado com o arguido Manuel Abrantes, na altura dos factos provedor-adjunto da Casa Pia. Em relação a Hugo Marçal, não foram dados como provados crimes de abuso sexual de menores, apenas crimes de lenocínio.

O arguido Carlos Cruz continua sem querer prestar declarações e remete para uma conferência de imprensa num hotel de Lisboa.

in «RR», 03.09.2010

Socialismo Científico Marrabenta

Com Governo de Guebuza a vida dos moçambicanos tornou-se um mar de espinhos

A vida para a maioria esmagadora dos moçambicanos nunca foi um ‘mar de rosas’, mas agora é, seguramente, um ‘mar de espinhos’. Tudo subiu, menos o poder de compra. E, sem comida, o que se pode esperar de quem não tem nada a perder? O que se pode esperar de quem acreditou que se estava realmente a ‘combater a pobreza absoluta’ e agora viu que afinal ainda havia mais pobreza para além da que já sentia antes?

Evidentemente que só bom senso nos pode salvar. Mas, nesta altura, em que o “vinho já vai para vinagre, não retrocede o caminho; só por obra de milagre pode de novo ser vinho”, disse um dia o poeta português analfabeto, António Aleixo, em dias que em Portugal, o seu País, também governavam semelhantes autoproclamados insubstituíveis.

Do Governo em funções só podemos esperar mais asneiras. Umas atrás das outras que já vimos, foram suficientes para agora o país estar de rastos. Começou pelos combustíveis e vai agora em alta velocidade a caminhar para as obrigações de tesouro com o Estado já de calças rotas. Os próprios bancos não tardarão, a não emprestar dinheiro aos privados porque já emprestaram tudo ao Estado.

O cenário que nos envolve é esclarecedor. Tudo a subir de preço e cada vez menos dinheiro para comprar. Pior: as empresas de tão depauperadas estão sem maneira de pagar melhor. O pão subiu. O gasóleo ainda só está a dois cêntimos de 31 meticais o litro, em Maputo, Beira e Nacala. Em todo o país a promessa do governo aos transportadores, há muito que foi violada. Em Inhambane, por exemplo, um litro de gasóleo já está a 34,30 MT o litro. As moedas em que importamos as mercadorias valem hoje cerca de 40% mais, no caso do dólar americano, e mais de 100% mais, no caso do Rand. Por outras palavras o Metical vale menos 40% em relação ao dólar e vale metade em relação ao Rand comparativamente com o ano passado. Onde vão as promessas de Guebuza durante as eleições de 2009?

O país importa mais do que produz. Cada vez produz menos. As indústrias fecham umas atrás das outras. Os governantes estão mais virados para os seus negócios privados do que para governar. No Estado imputam os custos. Os familiares dão os seus nomes aos negócios encobertos dos ministros e até do presidente. Os lucros metem na algibeira. Sociedades do lado de lá da fronteira é negócio chorudo. Vida mais cara do lado de cá significa mais ‘mola’ do lado de onde se importam os produtos que não produzimos.

Para nos continuarem a enganar querem iludir-nos com ordens a proibirem o uso de moedas externas nos preços de referência das clínicas, mas veja-se como andam os stocks de medicamentos. Arrasados completamente.

Em meticais só se vai sentir os preços a subirem todos os dias. Querem obrigar, entretanto, a que só se mexa nos preços dos serviços uma vez por ano. O resultado vai ser vermos tudo a fechar como no tempo do dito ‘socialismo científico’.

Pode-se faturar em meticais, mas obviamente que se indexarão os preços ao USD ou ao Rand e todos os dias em meticais vamos ser surpreendidos com novos preços de mercadorias e serviços. Se isto for proibido como acaba de anunciar o ministro da Saúde, em mais uma das suas tiradas populistas, vamos voltar aos tempos do ‘não há’. Há gente, de facto que tem a cabeça dura…

O governo continua a gastar à farta. Aí ninguém quer mexer. Cortar na despesa pública, não querem. A senhora presidente da Assembleia da República acaba de receber, à custa do erário público, uma nova frota de viaturas de luxo de alta gama. O senhor primeiro-ministro, também.

Nos que governam já não se pode acreditar.

“Falas bem, mas antes queria que soubesses proceder menos em desarmonia com o que sabes dizer”, voltaria hoje a afirmar o tal poeta. Ser analfabeto não significa ser tapado…

Quando, dos países que ajudaram Moçambique a ressuscitar das cinzas de uma Guerra Civil sangrenta e altamente destruidora, nos chegavam avisos de crise económica e financeira sem precedentes nos últimos oitenta anos, os senhores que por cá, do seu ‘alto império’, sempre prometeram um futuro melhor e o fim da pobreza absoluta, foram espalhando a sua arrogância discursiva garantindo aos cidadãos que mal pior não nos afetaria.

Continuaram vivendo rodeados de luxo, à custa dos contribuintes que afinal somos todos, os que pagam impostos e outras contribuições diretas e todos os outros que pensam que estão livres delas embora paguem também, e bem, muito, impostos indiretos.

Depois de tanta ‘esperança’ anunciarem e de acusarem de serem ‘profetas da desgraça’, quem alertava para o que poderia chegar-nos se não arredassem de nos levar para o abismo, foi para esta situação dramática que o governo nos trouxe.

Os que avisavam que vinham aí dias muito maus se os governantes moçambicanos continuassem a ignorar o momento tremendo por que estava a passar a economia mundial, foram chamados de ‘viperinos’. Era de esperar que esses mesmos senhores no Poder assegurassem aos moçambicanos, o mínimo. Mas o que hoje vemos é que mesmo quem comia já anda a fazer cortes tremendos no seu cabaz para os alimentos chegarem ao fim de cada mês. Os que já eram muito pobres já nem uma refeição por dia comem. Quem se ia safando começa a deitar as mãos à cabeça.

No dia 1 de Setembro de 2010, os “chapas” em Maputo poderiam subir o preço da rota para 10 meticais. Não subiram porque deixaram de circular.

Será um aumento de mais de 30 porcento. Dirão aqueles que pensam que o País termina no quilómetro catorze, junto ao Estádio Nacional do Zimpeto, que o diesel ainda não está a 31 meticais o litro. Mas os pneus também são precisos para as viaturas andarem. As peças sobressalentes, idem. Um pneu que custasse mil meticais quando o dólar se comprava por 25 meticais, como o USD agora custa cerca de 39,00 MT, certamente que tem de custar mais. Mil meticais eram quarenta dólares. Agora custando os mesmos 40 dólares em meticais o pneu terá de custar 1560,00 MT. Tudo isto porque o metical desvalorizou. E desvalorizou porque não produzimos, porque o governo está cheio de corruptos que se metem em trapalhadas como no caso da Semlex, empresa emissora dos Bilhetes de Identidade, Passaportes, DIREs e Vistos de entrada.

Vemos os parentes de quem governa a fazerem as negociatas mais corruptas deste mundo só não vendo quem não quer que aparecem a coberto dos seus progenitores.

Os polícias já se matam uns aos outros. Agora são mandados matar o povo. Até já as forças armadas.

Os funcionários públicos cobram por fora o que o governo não lhes paga. Salva-se assim quem pode.

Os ditos sindicalistas feitos com os governantes corruptos e tão corruptos uns como outros, já nada podem de tão enfraquecida que está a economia.

Os juízes a serem nomeados para altas funções em empresas depois de bons serviços prestados à máfia, ajudam a descredibilizar ainda mais o Estado.

É tudo isto e o que mais não dissemos que destrói o metical.

São os assaltos ao património do Estado como o que se quis levar a cabo na Beira com os edifícios da Administração Município. É o assalto ao Museu da Revolução. Primeiro põe-se o Estado a pagar as reparações e depois passa para cá que isso é meu porque eu lutei para este país ser livre…Que digam os Desmobilizados de Guerra se eles também não lutaram para este País ser livre…Depois querem prendê-los!...

São disparates atrás de disparates. É o senhor presidente da República a andar montado numa frota de helicópteros pagos com dinheiros públicos sem que tenha havido concurso público. É o mau exemplo a vir de cima. São os senhores do país da marrabenta no auge da arrogância. Gastam que se fartam. Pagamos nós.

Um dia o Povo farta-se e depois surpreendemo-nos com as consequências, dizíamos nós desde há muito. A resposta está aí. Maputo e Matola, duas cidades sitiadas. “Os pobres sentem-se bem com mais pão e luxo a menos”, meus senhores.

in «Canal de Moçambique», 03.09.2010

O juiz decide, está decidido

A leitura da sentença sobre o "Escândalo da Casa Pia" é esperada para hoje.

Em entrevista dada (jornal i, 28.08.2010), um dos principais arguidos que sempre se declarou inocente, anunciou que colocará no seu site o nome de outros envolvidos no mesmo processo, não ligados ao PS, mas que não foram investigados.

Ora, a surpresa é só esta: estando totalmente inocente, por que razão precisa de envolver outros? E porque não os do PS? Para dizer o quê, precisamente?

Aguardemos pela leitura do tribunal para entender a ameaça...

02/09/2010

A "Operação Produção"

O Grande Armando é o mesmo que em 1984 conduziu a "Operação Produção" que lançou milhares de moçambicanos - designados de vagabundos e prostitutas - na selva do Niassa.

É o mesmo que, sendo ministro do Interior, tentou afrontar Samora Machel e montar um forte exército paralelo com base nas forças de segurança, a dita polícia popular, equipada com carros de assalto e tanques militares.

Não tardou que o círculo de Samora chutasse o Grande Armando para a Beira, onde o colocou em quarentena.

Em 2010, é o mesmo Grande Armando que coloca carros de assalto e o exército contra o (que chamou) maravilhoso povo. O método é o mesmo.

Ora, quem assistiu em 1984, a imagem do Grande Armando a ser pateada num cinema com o "kuxa kanema", só podia esperar pela vontade popular de o correr em 2010, com uma nova versão do Decreto 20/24.

Imagem de "O País"

A herança guebuzina

Dos nossos correspondentes em Maputo, chegam-nos imagens do inferno, da violência guebuzina, da  revolta popular mas, também, do futuro muito difícil que espera os moçambicanos.

Em todas as frentes de confrontos, jovens com estudos, leitores atentos de jornais e blogs, seguidores de músicos ativistas e moradores na periferia da cidade, são parte da revolta.

Ilusionismo guebuzino

O 5 de Fevereiro e o 1 de Setembro devem obrigar-nos a refletir porque dizemos, todos os dias, que estamos a fragilizar a pobreza absoluta, quando fenómenos como o de ontem nos mostram que, afinal, há um desencanto enorme entre os cidadãos.

A pretexto do alto custo de vida, Maputo voltou, ontem, a ser sacudido por violentas manifestações, que se saldaram em perda de várias vidas humanas, muitos feridos, saques de estabelecimentos e enorme destruição de bens de cidadãos inocentes.

Por mais argumentos que se possam levantar, não há nada que justifique uma reação com a violência que se assistiu, no dia de ontem, para manifestar o que quer que seja, sobretudo porque a manifestação é um direito constitucionalmente reconhecido a todos os cidadãos deste país. Basta requerê-lo para dele usufruir.

Uma manifestação com violência atinge pessoas inocentes, como sucedeu ontem, e essas pessoas são tão assoladas pelo aumento do custo de vida quanto os seus agressores. E isso tudo era perfeitamente evitável. Por esse facto, do ponto de vista da forma, estas manifestações são absolutamente condenáveis e intoleráveis!

Mas por dentro da forma, há sempre o conteúdo. Por isso, neste exercício analítico, é importante que não ignoremos o "porquê" destas manifestações; que nos interroguemos, permanentemente, sobre as reais motivações das mesmas; que nos questionemos porque grupos de pessoas, aparentemente isoladas, por meio de simples SMSs, conseguem organizar levantamentos em vários bairros suburbanos da cidade de Maputo e, com uma eficácia inesperada, sitiar a capital em poucas horas.

Durante muitos anos, não vivemos estes fenómenos, pelo menos nesta dimensão, e apenas a 5 de Fevereiro de 2008 começaram e ontem se consolidaram. Por alguma razão está a ser assim. E essa razão justifica-se na ruptura social entre os dois mundos de que se constitui a cidade capital e que há muito estão num conflito que se tornou indisfarçável, nos últimos tempos, e a 5 de Fevereiro de 2008 começou apenas a lançar as primeiras larvas.

Por detrás dos bandidos e arruaceiros que o ministro do Interior referiu como autores do vandalismo de ontem, há uma classe social que se identifica, perturbadoramente, com a causa em si e quiçá com a forma de manifestação dessa causa. Só isso explica que tenhamos visto jovens e adolescentes a assaltarem estabelecimentos, e senhoras e homens a ajudarem a saquear bens nesses mesmos estabelecimentos.

Estamos, pois, perante uma classe que se sente, manifestamente, excluída dos processos de partilha e redistribuição da renda, que sente que o Estado rompeu o contrato social consigo; que não vê mais no Estado uma fonte de soluções, mas sim de problemas - porque promove a acumulação de uns em detrimento da maioria.

Como sabiamente disse o Prof. Dr. Lourenço do Rosário, e José Pacheco não quis entender, não podemos dizer que todos os que estão na rua, nestas manifestações, são agitadores, arruaceiros. Assumir isso revela uma enorme desatenção sobre os fenómenos sociais em curso neste país. Revela insensibilidade de um governo, que, inexplicavelmente, deixou aumentar preços de água, luz, pão e comida - produtos essenciais na vida dos cidadãos - na mesma altura.

Uma crise nunca é algo agradável, ainda mais quando envolve violência e actos de vandalismo. Mas como referiu o Dr. Brazão Mazula, as crises desta natureza devem fazer-nos refletir sobre os discursos que fazemos.

No caso da governação em Moçambique, o 5 de Fevereiro e o 1 de Setembro devem obrigar-nos a refletir por que dizemos, todos os dias, que estamos a fragilizar a pobreza absoluta, quando fenómenos como o de ontem nos mostram que, afinal, há um desencanto enorme pelo agravar do fosso entre os que têm e os que não têm; por que dizemos que o nosso país é um exemplo de crescimento económico no mundo, quando isso não se reflete na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos; porque dizemos que a agricultura é a base de desenvolvimento do país, temos o maior potencial de terra arável da SADC e a nossa aposta principal é a Revolução Verde, quando não há grandes mudanças (não é esse o conceito de Revolução? Ruptura, mudanças), tudo o que consumimos, importamos da África do Sul e a nossa agricultura nunca deixou de ser o que sempre foi - de subsistência e com pouca produtividade.

No lugar de oferecermos soluções aos cidadãos, fazemos truques de ilusionismo em muitas coisas para distrair os cidadãos. Falta farinha de trigo? Não há problema, temos um grande potencial de produção da mandioca, ela resolve como matéria-prima substituta para produzir o pão. Passada a crise do trigo, ninguém se lembra mais da mandioca. O combustível está caro? Não há problemas, produzimos a jatropha, e através dela, os biocombustíveis. São mais baratos, não poluem o ambiente. Passada a crise, ninguém se lembra mais da jatropha. Nova crise de combustíveis? Não há problemas, temos enormes reservas de gás no país, o seu uso é mais barato que o gasóleo. Passada a crise, o gás está esquecido, mas em outra crise, lembrar-nos-emos de que os custos de conversão não são comportáveis para o cidadão, por isso é preciso fazer estudos. Mas há problemas para resolver hoje? Damos subsídio. Se é sustentável ou não? Não importa, amanhã se vê.

E de truque em truque de ilusionismo, lá se constrói o futuro melhor deste país. É, precisamente, esta lógica de gestão que temos que abandonar.

O que aconteceu, primeiro a 5 de Fevereiro e agora ontem, é um sinal estridente de que temos que gerir o país dentro de uma ordem diferente da que o vimos gerindo; é sinal de que urgem mudanças porque o país idealizado nas mentes dos dirigentes não é o mesmo em que vivem os governados. É um perturbador sinal de que temos que aceitar discutir os nossos próprios preconceitos. Como por exemplo, a inaceitável sobreposição que se continua a fazer do partido Frelimo em relação ao Estado e ao governo.

Ontem, no auge da crise, quando todos ansiavam por uma palavra de conforto do mais alto magistrado da nação, foi o porta-voz do partido Frelimo que veio falar primeiro, em pose de estadista. Seguiu-se o ministro do Interior e, finalmente, numa lógica tão inaceitável quanto intrigante, o Chefe de Estado, bem já ao princípio da noite, quando o caldo há muito estava entornado! É inacreditável!

O Chefe de Estado é o farol orientador de um país, nos bons e nos maus momentos. É ele a voz apaziguadora e tranquilizadora das tensões sociais. Ontem, não o foi. Não soube sê-lo. Porque veio tarde demais a sua mensagem.  Tudo porque, ontem, o nosso Presidente, no auge da crise, reuniu o partido no lugar do seu governo. Ou seja, mostrou que confia mais no partido que no próprio governo que lidera, quando se trata de encontrar soluções para o país.

Dá para acreditar?

Jeremias Langa
in «o País» 02.09.2010

Welcome to 21st century!

Our communication - Wireless
Our phones - Cordless
Our cooking - Fireless
Our food - Fatless
Our Sweets - Sugarless
Our labor - Effortless
Our relations - Fruitless
Our attitude - Careless
Our feelings - Heartless
Our politics - Shameless
Our education - Worthless
Our Mistakes - Countless
Our arguments - Baseless
Our youth - Jobless
Our Ladies - Topless
Our Boss - Brainless
Our Jobs - Thankless
Our Needs - Endless
Our situation - Hopeless
Our Salaries - Less and less

01/09/2010

Solidariedade com o Povo Moçambicano

O incrível tinha que acontecer num dia 1 de Setembro.
O discurso que o Grande Armando proferiu hoje perante os ecrãs de televisão lembra o de um menino que foi apanhado a fazer disparates: perante as repreensões dos papás, o menino traquinas faz um beicinho, verteu um lágrima e pôs carinha de inocente, ao mesmo tempo que esconde os bolsos cheios de rebuçados que acabou se surripiar.

Vejamos o que disse o Grande Armando:

Moçambicanas; Moçambicanos; Compatriotas.

Nas primeiras horas desta manhã e ao longo do dia registou-se uma agitação nalgumas zonas da Cidade de Maputo e Matola. O pretexto desta agitação é a subida do custo de vida, nestes dois municípios e no país. Lamentavelmente, em vez de uma manifestação pacífica e ordeira assistimos a manifestações que já se saldaram em óbitos e em feridos graves e que também resvalaram para cenas de vandalismo, bloqueio de vias de acesso e destruição e saque de bens.

Numa palavra, os nossos compatriotas que são usados nesta agitação estão exatamente a contribuir para trazer luto e dor no seio da família moçambicana e para o agravamento das condições de vida dos nossos concidadãos.

O Governo está consciente da situação em que vive o nosso maravilhoso Povo, uma situação que é agravada por factores externos que incluem a crise financeira e de alimentos e a subida dos preços dos combustíveis.

Foi neste contexto que foram tomadas diversas medidas para conter o impacto destas crises na vida do cidadão com particular destaque para os subsídios para combustíveis e para a importação do trigo. Ainda neste quadro, o Governo tem estado a implementar o Plano de Ação de Produção de Alimentos e, de uma forma geral, a centrar as suas atenções na luta contra a pobreza nos meios urbanos e no campo.

Temos registado progressos na implementação desse plano de produção de alimentos bem como no abastecimento de água e saneamento do meio, nos transportes e comunicações, na saúde e educação e na melhoria das vias de acesso. Apraz-nos notar que estas conquistas são resultado do trabalho abnegado dos moçambicanos, em particular, que também se empenham na melhoria da sua habitação, no abastecimento em produtos diversos aos seus compatriotas bem como na aquisição de viatura para uso pessoal ou para o transporte coletivo de passageiros.

Sabemos que ainda é pouco para o nível das necessidades do nosso maravilhoso Povo. É por isso que continuamos empenhados na luta contra este flagelo chamado pobreza que aparece com grande destaque no Programa Quinquenal do Governo incluindo a sua componente urbana. É participando na implementação deste programa, e não opondo-se ou destruindo os seus resultados, que continuaremos a registar progressos na melhoria das nossas condições de vida. É por isso que é importante preservar e valorizar as nossas conquistas individuais e coletivas.

Neste contexto:
saquear uma barraca, loja ou armazém;
vandalizar uma viatura ou uma residência;
pode parecer que represente um retrocesso apenas para o seu proprietário.

No meio da emoção, porém, podemo-nos esquecer que também represente um retrocesso para aqueles que dele dependiam para abastecimento, transporte ou emprego, uma lista de beneficiários que pode incluir alguns dos envolvidos nesses atos. Destruir mercados, estradas e outras infra-estruturas sociais e económicas é atentar exatamente contra aquilo que nos tem estado a ajudar a combater a pobreza na nossa Pátria Amada.

A observância da Lei, Ordem e Tranquilidade Públicas é também uma condição fundamental para a atracão de mais investimento nacional e estrangeiro que contribui para a geração de mais postos de trabalho, e para dar a mais compatriotas nossos uma oportunidade para participarem, de forma direta ou indireta, na luta contra a pobreza em Moçambique e para terem melhor qualidade de vida.

Compatriotas,
Queremos exortar-vos para se manterem calmos e serenos e para não aderirem a qualquer tipo de agitação. Exortamos ainda a todos os nossos compatriotas para dissuadirem os ingénuos, a manterem a vigilância e a denunciarem às autoridades os agitadores e a preparação ou organização de atos que atentem contra a Lei, Ordem e Tranquilidade Públicas.

Empenhemo-nos todos no aumento da produtividade nos nossos setores de atividade continuando assim, a fazer da luta contra a pobreza a nossa agenda individual e coletiva.

Lamentamos a perda de preciosas vidas humanas e a destruição de bens públicos e privados. Apresentamos as nossas condolências às famílias enlutadas por esta agitação que retirou do seu convívio os seus entes queridos.

Estendemos a nossa solidariedade a todos os que foram afetados por estes atos. O Governo continuará a trabalhar para assegurar o retorno da normalidade da vida dos nossos concidadãos e das nossas instituições.

Muito obrigado pela vossa atenção!
Maputo, 1 de Setembro de 2010


Para que não passe despercebido, vão assinaladas as expressões e afirmações mais idiotas que se podiam esperar de um Presidente da República que não consegue falar em nome pessoal. Em lugar de uma explicação cabal  da situação criada pelo seu governo com o aumento explosivo e generalizado dos bens de de primeira necessidade, em vez de um anunciar de medidas claras que reponham a paz e a confiância na sociedade, assiste-se a um inenarrável uso de palavras não sentidas, falsas.

O discurso é espelho e consequência do lambebotismo.

Os guebuzinos nada têm a oferecer ao país a não ser, incompetência, saque da riqueza nacional e nepotismo.

E que política tem sido seguida?
Fomento da dependência de ajuda internacional, da destruição da agricultura e produção industrial pela concorrência externa (custos de contexto* insuportáveis).

O que seria desejável era a produção nacional de alimentos, da agricultura eficiente e de exportação, da indústria ligeira de substituição.

Na verdade, o que existe é a "agricultura do carvão" que fomentou o abandono da produção alimentar e transformou camponeses em destruidores da floresta para abastecer de combustível vegetal as cidades em crescimento explosivo e insustentável.

É o caso de Maputo que de 400 mil habitantes em 1975 está transformada numa gigantesca metrópole de mais de 2 milhões de pessoas fortemente dependentes de expedientes e negócios informais. De uma rede de transportes públicos consistente, passou para um enxame de "chapas" desregulados que exploram os que deles precisam. De um expressivo parque industrial de pequenas e médias empresas (Fasol, Saborel, Texlom, Cifel, Mabor, Pintex, Vidreira, Facobol, Riopele, Maragra, Velosa, Zitep, Molaço, Man Kay, fábricas de caju - 216 mil toneladas comercializadas - e outras [ver *]) de que resta pouco em 2010.

Os moçambicanos merecem melhor destino, merecem um governo honesto. Merecem um presidente que não misture o bem comum com os seus negócios de empresário milionário com amigos traficantes.

Moçambicanos: melhor é possível, a paz é melhor.

(*) custos de contexto: corrupção, intermediação, incompetência, desorganização, baixa produtividade, custos de capital


Contra os guebuzinos

A cidade de Maputo, capital de Moçambique, acordou sob um manto de incerteza, revolta, violência, tiros, pedras, fogo, fumo.

Os "chapas", os meios de transporte privados que diariamente transportam os milhares de trabalhadores da periferia para o centro, deixaram de circular. Por receio de violência, não circulam nem pessoas, nem viaturas. Por todo o lado, há pneus a arder.

Durante vários dias, circularam mensagens SMS apelando "à revolta dos moçambicanos contra a subida do custo de vida". À cautela, a polícia PRM está a circular fortemente armada e tem feito disparos. A circulação para o aeroporto e para fora da cidade está interrompida. Há feridos a chegar ao hospital central. As últimas notícias apontam já para mortos.

O que está a acontecer, era amplamente previsível, dado o acumular de sinais de incompetência e corrupção: de forma totalmente arrogantante, os guebuzinos vêm subindo o preço do combustível, da eletricidade, do arroz, da água, do pão, etc.

A isto somam-se as vergonhas do atraso do "novo aeroporto chinês", do arrastar do estádio do Zimpeto (para o Mundial de Junho!), da desorganização dos jogos da Lusofonia, das negociatas sobre a FACIM, o escândalo do "Museu da Revolução", público, mas confiscado pelo partido no poder. E, claro, o inesquecível escândalo Momed Bachir Suleman.

O que é indismentível é que os moçambicanos têm hoje, um nível de vida inferior ao que tinham em 1996.

Todos os moçambicanos? Não!

Os guebuzinos estão mais gordos, com a pele mais brilhante e esticada. E, claro, com o dinheiro fora. Mas riem-se de quê?

Memórias do caos

Um relato dos grupelhos que lançaram o caos em Portugal.

31/08/2010

Paraíso offshore

Um paraíso offshore tem várias explicações técnicas e económicas.

O seu conceito é muito polémico e, frequentemente, motivo de polémica política entre a chamada esquerda e direita.

Mas, afinal, o que é um paraíso offshore?

No momento em que termina um período de férias, tudo muito simples se acompanhado de imagens elucidativas: