04/05/2010

Mário Eyjafjallajökull Soares

Agora, a nuvem de cinza trouxe-nos um desses profetas de volta.

Mário Soares é o mesmo venerando ancião a pregar a mesma catilinária. Só não é escanzelado. Mas a forma ameaçadora com que nos avisa que a erupção do vulcão se deve à nossa má vida ambiental assusta. Eu, que ontem deitei por engano uma embalagem de plástico no caixote de lixo para cartão, não consegui segurar duas ou três pinguinhas de urina devido ao medo.

Será que Mário Soares acha que a nuvem de pó foi causada por todas as empregadas domésticas do mundo terem resolvido sacudir tapetes na rua ao mesmo tempo? Mais do que ecologista histérico e convicto, é preciso ser-se muito narcisista para achar que se pode ter causado uma erupção vulcânica. É possível que, aquando do furacão Katrina, Mário Soares tenha ficado a pensar que não devia ter aberto a janela e a porta cozinha ao mesmo tempo, que aquela corrente de ar é que lixou tudo em Nova Orleães.

A Mário Soares não basta ser pai da democracia portuguesa, também quer perfilhar um fenómeno geológico. Agora percebo melhor o ateísmo de Mário Soares. É natural que ele não acredite em Deus, uma vez que acha que os verdadeiros deuses omnipotentes são os homens.

José Diogo Quintela
in «Pública», 02.05.2010

Soares para Primeiro-Ministro... já


O homem (Mário Soares) que nunca percebeu de Matemática, de Economia e de outras ciências exatas, vem aqui explicar porque decidiu retirar o décimo terceiro mês quando foi primeiro-ministro (1983).

E esclarece que, foi graças a isso que se deu o posterior boom económico português.

Na vida real, uma praga... nunca vem só.

03/05/2010

Documentário fantástico sobre Portugal

Há um documentário incrível, feito pela televisão espanhola (TVE), sobre Portugal. Tem imagens fantásticas, esplendorosas, magníficas.

Deixam-nos plenos de orgulho por um país tão bonito.

O documentário tem 56 minutos e começa no Algarve. Segue para o Norte, Alentejo, Centro e Lisboa (os minutos por localidades estão mais em baixo).

Nunca se viu um trabalho tão fenomenal na televisão portuguesa.

Ponte Lima 9,00 / Douro 13 / Porto 15 / Alentejo 22 / Évora 22,41 / Marvão 25,57 / Castelo de Vide 26,55 / Costa Alentejana 28 / Alcácer do Sal 29 / Aveiro 30 / Viseu 33 / Museu Grão Vasco 34 / Coimbra 35,50 / Termas de Monfortinho 40,47 / Monsanto 41,57 / Penha Garcia 42,45 / Batalha 44,26 / Sintra 46 / Torre de Belém 48,16 / Pastéis de Belém 53,15 / Bairro Alto 53,58 / Cabo da Roca 56, 07

in «TVE»

As três gerações

O objectivo das três gerações


Está lançado um aceso e fervoroso debate, na imprensa, em torno do slogan “Três Gerações, Um Povo, Uma Só Nação”. Incompreensivelmente, este slogan que vai orientar a celebração dos 35 anos da maior e mais importante conquista do Povo moçambicano, a Independência Nacional, defende que os moçambicanos devem estar segmentados em “gerações”.


Na essência, esta ideia não passa de uma empreitada política, aliás de uma politiquice elaborada – e muito mal elaborada, se diga – por um punhado de gente favorecida e que se acomoda no status quo!


Esta ideia é mais um instrumento forjado para tentar distrair os poucos moçambicanos atentos, que reivindicam igualdade de direitos neste Moçambique que, a passos largos, caminha para um triste cenário de segmentação social, semelhante ao sistema de castas da sociedade Hindu.


Já li e escutei muitos discursos dos defensores desta segmentação do Povo moçambicano em castas, a partir do próprio presidente da República, Armando Guebuza, até ao mais bajulador jovem da OJM, que cegamente apoia as políticas obscenas de exclusão social hoje implantadas no país, em troca de um promessa de emprego num ministério, ou de uma entrada direta para a universidade pública – sem necessitar de passar no exame de admissão.


Nenhum dos discursos dos apologistas das tais “gerações” me consegue convencer da necessidade de os moçambicanos estarem segmentados em “gerações” para se tornarem “num Povo, numa Nação”.


Sobre a geração “25 de Setembro”, diz-se que esta merece ser a “casta” dos governantes e empresários, porque libertou o País. É preciso clarificar este conceito de “libertar o Povo”, e é imperioso que se diga como foi esta libertação.


De facto, eles lutaram pela Independência Nacional. Mas é preciso analisar a própria conjuntura do sistema internacional do momento, que facilitou, senão possibilitou, essa luta.


Será mera coincidência que a maioria das independências em África tenha tido lugar num espaço de duas décadas – entre 1960 e 1980? É bom que se diga também, que todas as ex-colónias portuguesas em África, com excepção da Guiné-Bissau, tenham alcançado as suas independências no mesmo ano: 1975. Linda coincidência!


Não estou a duvidar do papel dos antigos combatentes para o alcance da independência nacional, estou apenas a fazer um exercício de “advogado do diabo” para a autenticidade da canonização dos tais da “geração 25 de Setembro”.


É bom que se saiba que houve factores endógenos que favoreceram, senão determinaram, as independências nacionais, nomeadamente a nossa. Portanto, no momento da canonização é importante que isto se diga, principalmente, quando os libertadores tendem a se transformarem em novos colonizadores.


E sobre a “geração de 8 de Março”, o que de anormal fez? É preciso não conhecer a história do momento para dizer que eles foram excepcionais. Estes são canonizados porque deixaram a escola para serem dirigentes? Quem se recusaria a fazê-lo? E ainda sob ordens de um chefe do Estado, no contexto que se vivia na época?


Imaginemos mesmo no contexto actual do País. Que estudante de Direito não abandonaria a formação ao meio para trabalhar como economista? Que estudante de Ciência Política não desistiria da faculdade para trabalhar como gestor de recursos humanos? Que estudante do curso médio de Contabilidade não deixaria o Instituto Industrial ou Comercial para trabalhar como gestor de companhias agrícolas?


A “geração de 8 de Março” respondeu ao chamamento da nação, sim, mas todos cidadãos o fariam em função das circunstâncias, portanto, quanto a esta geração, é bom que se diga que a resposta ao seu chamamento, não foi algo excepcional, mas antes uma reacção óbvia a uma oportunidade inédita de ganhar emprego, mesmo sem formação específica. Ou existe alguém em Moçambique que estuda pelo mero prazer, sem estar a pensar no emprego?


E a resposta a essa oportunidade trouxe os frutos que hoje são visíveis. Todos os da “geração 8 de Março”, hoje são empresários, ministros, vice-ministros, deputados, diretores de faculdades!


Sobre a dita “geração da viragem” pouco há por se dizer. Pior: é uma utopia. Se as anteriores “gerações” são fruto de alguma ação palpável, independentemente de ter havido mérito ou não, a “geração da viragem” não passa de uma teorização mal formulada para entreter os jovens.


Essa invenção de “geração da viragem” visa abafar as reivindicações dos jovens que continuam a ser marginalizados pelo poder político, principalmente aqueles jovens que, não sendo filhos, cunhados, sobrinhos, enteados, de antigos combatentes ou dos ditos da “geração 8 de Março” combatem dia-a-dia pela vida, enfrentando barreiras políticas nas universidades e nas instituições públicas, quando buscam formação e emprego.


Estes jovens, que o poder político quer acomodar na “geração da viragem”, na sua maioria são vítimas do passado dos seus pais que não transitaram de antigos combatentes para dirigentes do Estado. Estão a pagar pela culpa dos seus pais que não tiveram a oportunidade de integrar “a geração 8 de Março”.


Entre estes jovens, há preguiçosos e empenhados. Os primeiros andam atrás de cartões coloridos e optam por bajular os dirigentes do Estado para ganhar emprego, enquanto os últimos lutam contra todos os obstáculos naturais e artificiais para ganharem a vida com esforço próprio e justiça.


Borges Nhamirre
in «Canalmoz», 29.04.2010

02/05/2010

FCP-SLB campeonato da "porrada"

Na imagem, um selvagem portista cabeça-rapada lança uma bola de golfe à cabeça de Jesus, treinador benfiquista (episódio captado durante o jogo Porto-Benfica de 2 de Maio de 2010).

Para um um jogo anunciado com de "alto risco", pode-se dizer que a PSP andou a dormir e não fez uso adequado de casse-tête.

Aguardam-se os próximos capítulos e insultos.

Certificados de Aforro

Uma demonstração evidente dos erros de política económica da dupla "José Sócrates - Teixeira dos Santos" é a machadada que foi dada nos Certificados de Aforro.

Como é sabido, os Certificados de Aforro são emissões de dívida pública reservada a particulares (vedados a empresas) e, no passado, tiveram sempre interessantes taxas de juro, isto é, mais favoráveis do que os depósitos a prazo dos bancos.

Com a sua emissão, eram assegurados dois objetivos:
1. instrumento de poupança para particulares;
2. financiamento da dívida pública do Estado com recursos nacionais;

Em 2009, a dupla socretina fez cair a taxa de juro dos Certificados de Aforro, destruindo-os como produto de poupança. Os resgates não se fizeram esperar e os fundos foram transferidos, pelos seus donos, para os bancos.

Em 2010, o Estado português financia-se no mercado europeu (em euros) à taxa de juro de 5% ou mais ao mesmo tempo que paga menos de 0,8% pelos Certificados de Aforro.

Alguém anda a fazer o jogo da banca. Ou, é incompetência pura e dura.

(artigo do «Sol», 30.04.2010, faz a mesma acusação)

Crise grega

O primeiro-ministro grego, Giorgios Papandreou, apresentou às confederações sindicais e patronais a "fatura social" negociada com a UE e o FMI. Prevê a supressão dos 13.º e 14.º meses no salário dos funcionários públicos e em todas as pensões de reforma; no setor privado, propõe que os dois meses suplementares sejam pagos a título de prémio, não contando para a reforma; a idade de reforma seria elevada para os 67 anos; seguem-se o aumento do IVA e revisão da lei dos despedimentos.

No dia 4 de Outubro, o PASOK (social-democrata), de Papandreou, venceu as legislativas antecipadas, tomou posse e descobriu que o défice público era de 12,7 por cento do PIB - e não seis, como tinha anunciado o governo conservador da Nova Democracia, de Kostas Karamanlis. A Grécia entrou na espiral da crise.

Entre gregos - e não só - não é com discursos de Cassandra que se ganham eleições. Karamanlis convocara eleições antecipadas para responder à contestação social, avisando que a crise financeira colocava a Grécia em situação difícil. Propunha uma "austeridade temporária", com o congelamento dos salários e das pensões por um ano. Estava sob forte pressão da UE para reduzir o défice e a mais elevada dívida pública da zona euro.

Inversamente, Papandreou fez um discurso otimista, apostando no "crescimento verde" e num ambicioso plano de investimento nas energias renováveis. Prometeu subir salários e pensões. Era a música que os eleitores queriam ouvir.

Hoje, as sondagens indicam que 70 por cento dos gregos se resignam à austeridade, embora opondo-se à "humilhação" do recurso ao FMI. O novo líder conservador, Antonis Samaras, denuncia a intervenção do FMI, que coloca o país "sob dependência", enquanto os comunistas a qualificam como "triunfo da plutocracia". No entanto, Papandreou continua a ter uma boa cota de popularidade, enquanto a Nova Democracia estagna nos 21 por cento.

O jornal «I Kathimerini» (conservador) adverte a oposição: recusar o controlo internacional significaria "a falência total"; um "populismo barato abriria caminho ao desmantelamento do nosso sistema político".

De quem é a culpa? Há uma teoria da conspiração: os especuladores estrangeiros e as agências de notação têm o euro como alvo e atacam a Grécia como elo mais fraco. Nos últimos 30 anos, todos os partidos gregos abusaram da retórica "anti-imperialista" para explicar os desastres da Grécia pelas "maquinações neoliberais" ou dos "americanos", escreve o «Eleftherotypia» (próximo do PASOK).

"Os gregos só se podem queixar de si mesmos", sublinha o diário de referência «To Vima». "E mais precisamente do governo anterior, que está na origem dos problemas financeiros de hoje. Clientelismo, despesa excessiva, débil fiscalidade, contas do Estado falsificadas, subvenções agrícolas europeias distribuídas sem critério."

O número de funcionários cresceu 10 por cento, os salários e reformas 30. Mas, "a um nível mais profundo, as "raízes estruturais" da crise encontram-se na natureza clientelista da política na Grécia", insiste o «Eleftherotypia».

Pior: a Grécia mentiu sobre as contas públicas. "A falsificação das estatísticas é uma longa tradição grega", diz George Bitros, da Universidade de Atenas. "É um fracasso imenso e sistémico e que tem as raízes na falência do sistema político, na estrutura e na falta de transparência do setor público."

A falsificação não é apenas grega. A UE sabia, os "mercados" sabiam, Atenas reconheceu-o em 2004. O resto é hipocrisia. A UE paga a sua parte de irresponsabilidade.

Papandreou reconhece agora que é preciso refazer tudo "de alto a baixo". Após o "milagre económico" que se seguiu à entrada no euro e culminou nos triunfais (e ruinosos) Jogos Olímpicos de 2004, o problema vai muito para lá do défice.

A economia grega deixou de ser competitiva e pouco exporta, o que agrava a pressão sobre a dívida. A questão fiscal é aguda. Por tradição histórica, as receitas do Estado sempre assentaram nos impostos indirectos. A fuga ao fisco é generalizada. A corrupção política, patente nos anteriores governos do PASOK, subiu exponencialmente com Karamanlis. A economia subterrânea vale de 30 a 40 por cento do PIB. Serve de amortecedor social, mas à custa das finanças públicas. Os armadores gregos têm a primeira frota mundial, ganham fortunas com as mercadorias chinesas, mas a sua sede fiscal não é em Atenas.

Após a ocupação alemã (1941-44) e a guerra civil que se lhe seguiu, a Grécia foi dos maiores beneficiários do Plano Marshall, o que lhe permitiu um primeiro surto económico. Com o fim da "ditadura dos coronéis" em 1974, a CEE apostou na sua integração para consolidar a democracia e por interesse estratégico. Começa então a ascensão da dívida. Nos anos 80, Andreas Papandreou (pai do actual primeiro-ministro) optou por redistribuir grande parte dos maciços fundos europeus sob forma de poder de compra.

"A Grécia está à beira da falência, mas os gregos são ricos" e é esta uma das chaves de leitura da crise, escreve o geógrafo francês Guy Bugel, estudioso da Grécia. A rapidez da passagem do subdesenvolvimento à prosperidade favoreceu a manutenção de um Estado "impotente e venal", uma sociedade em que "vale tudo para enriquecer" e há pouco sentido da "coisa pública".

A grande dimensão da crise não é grega, é europeia. A questão é saber até que ponto fraturou a UE e a zona euro, saber se o "vírus" vai continuar em expansão ameaçando outros Estados de falência. A única coisa segura é que deixaram de poder viver - e endividar-se - como antes da crise financeira. As regras mudaram. Os efeitos políticos não se farão esperar.

Neste contexto, o problema de Atenas é o mais simples. Papandreou apela a que os gregos façam em três anos o que não fizeram em 30. A ironia é que outros, "que não são Grécia", vão ter de seguir o conselho.

Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 01.05.2010
 
O vaso grego, no séc. XXI, visto pelo «The Globe and Mail» de Toronto, Canadá

01/05/2010

Primeiro de Maio

Para quem já se esqueceu ou nunca soube o que era a ditadura social-fascista dos camaradas comunistas da Albânia, a cauda da Europa.

Um postal para os camaradas da CGTP de Portugal, da CUT do Brasil e da OTM de Moçambique:

Provinciano socretino

"Sócrates gostava de nos legar um Portugal fantástico, como essa América que ele viu na Beira em séries de televisão para provincianos"

Vasco Pulido Valente
in «Público», 01.05.2010

30/04/2010

Titanic

Titanic era o navio inafundável, segundo as autoridades. Tal como Portugal. Mas, na sua primeira viagem, encontrou uns pequenos problemas e afundou-se, por incúria do comandante. Tal como Portugal. O que vimos esta semana foi uma baixa drástica no rating da República Portuguesa e com a ameaça de continuar (o chamado negative outlook). O que significa que ou nos apressamos ou o rating volta a cair. Tudo, genericamente, previsível e pré-anunciado.

Desde a crise de 2008-2009 que os mercados andam nervosos e com grande aversão ao risco. O que implica que a qualquer má notícia sobre uma empresa, ou um país, os mercados reajam fortemente. Tudo sabido e sem novidade para quem os conhece. No entanto, se os mercados andam nervosos em relação ao risco, o Governo deve mostrar, com acções decididas e palavras fortes, e claras, que Portugal não é um país de risco.

Diz-se que os mercados estão a atacar o euro, a especular contra Portugal e que há efeitos de contágio da Grécia sobre Portugal. Esta visão tem muitos erros técnicos e seria um aborrecimento para todos tentar explicar. Vamos, assim, assumir que é verdade e que a especulação campeia. Isto significa apenas que temos de ser ainda mais cuidadosos. Qual a reação do Governo? Nenhuma.

Se nos mercados há especuladores, então devemos evitar que Portugal seja o foco dessa especulação. Se essa especulação for infundada, os especuladores contra o País perdem dinheiro e saem do mercado. Como se faz isso? O Governo deve antecipar-se aos acontecimentos - e não dar o flanco - com ações decididas e com um discurso forte e claro. Se há contágio nos mercados (e tal existe) devemos estar longe do foco de contágio. Ou seja, mostrar com palavras fortes e ações decididas e claras que Portugal não só não é a Grécia mas, mais importante, que não vai seguir esse mesmo caminho. E, para isso, o Governo deveria ter palavras fortes e ações decididas e claras que mostrassem que Portugal não é, nem será, a Grécia. O problema grego começou em Novembro e desde o início do ano que todos (mas todos) os indicadores mostravam que os mercados estavam crescentemente nervosos em relação a Portugal. O que fazer? O primeiro-ministro deveria ter tido palavras fortes e claras de compromisso político (e acções consistentes com as palavras) com a disciplina orçamental.

Com a apresentação do PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento -, à primeira vista (aliás, antes de terem tido tempo de o ver) já personalidades e instituições internacionais, como o presidente da Comissão, o presidente do Eurogroup e o FMI, davam nota positiva ao nosso Programa. Não queriam outra Grécia, era óbvio. Mas, pelo menos desde meados de Março, voltaram a perceber que tal PEC poderia não chegar e que, afinal, não era assim grande coisa, embora pudesse ser melhor que o espanhol. O rigor orçamental era um objetivo demasiado longínquo e as medidas, como a Comissão veio, mais tarde, a sublinhar em palavras particularmente fortes, poderiam não chegar.

O que deveria o Governo ter feito: ter ações decididas e claras e um discurso forte para mostrar a sua determinação de tomar mais medidas, se necessário fosse, e de fazer de Portugal um país onde se pode investir. E, em particular, que era vantajoso comprar a nossa dívida pública.

Face aos sinais evidentes dos mercados, face às dúvidas que se avolumavam, como reagiu o Governo? Fazendo de conta que não era nada com ele e nunca se ouviu o primeiro-ministro a reafirmar de forma convincente o compromisso político com a estabilidade financeira do Estado.

Quanto aos actos, foi ainda pior, porque prosseguiu com as grandes obras públicas de megalómano, aprovando o contrato para o TGV-Madrid, anunciando mais duas centrais fotovoltaicas. E hoje, quinta-feira, já depois dos problemas agravados, assinando o contrato da terceira auto-estrada Lisboa-Porto. Tanto erro de política orçamental ultrapassa a incompetência óbvia e legitima outras suspeitas.

O discurso não existe e os actos são contrários à disciplina orçamental. Os mercados, depois de avisarem, cumpriram. E voltarão a cumprir, porque já avisaram.

Poderia ser, nunca o saberemos, que essa posição do Governo não acalmasse os mercados. Mas, pelo menos, tentava-se. Em Fevereiro, com a esperança do PEC que aí vinha, resultou, pois os mercados estavam dispostos a esperar. O que não vale a pena, porque ridículo, é culpar os especuladores ou uma conspiração americana contra o euro. Em português chama-se a isto atirar poeira para os olhos; na imprensa anglo-saxónica, se se desse ao trabalho de reproduzir tais afirmações, diriam que era bull-shitting e, na francesa, seria parler pour rien dire. Na verdade, a cama onde nos deitamos foi feita por nós.

E agora? Neste momento, o leite está derramado e é difícil voltar a metê-lo no copo. Esperava-se que retirassem a lição e, no entanto, as notícias de hoje não auguram nada de bom. Portugal ainda tem possibilidade de sair desta crise de endividamento, sem recorrer a auxílios internacionais humilhantes, como tem sido o caso dos gregos. Mas temos de fazer por isso: o controlo das contas públicas não aparece espontaneamente. O estado de negação em que tem vivido o Governo vai sair muito caro a cada um dos portugueses, com juros mais altos, menor crescimento e certamente mais desemprego. Mas mais vale tarde do que nunca: temos de ouvir um compromisso político forte sobre finanças públicas, acompanhado de acções claras e decididas sobre o assunto.

Quando o Titanic se afundou, por incúria e soberba do comandante, a orquestra continuou a tocar. Foi um gesto tão heróico quanto inútil e, por isso, ainda o recordamos. Desta vez, também a banda continua a tocar, enquanto o País se afunda, como se nada se passasse. Desta vez não é heróico, é ridículo e trágico.

Luís Campos e Cunha, Professor universitário
in «Público», 30.04.2010

Remodelação governamental

O Primeiro-Ministro acaba de anunciar a remodelação do seu governo e a imediata designação de um novo Ministro das Finanças.

Num comunicado ao país, foi detalhadamente explicado o sarilho económico e financeiro que resulta da crise internacional e da especulação daí resultante.

"O que é para fazer é para ser feito", disse o Primeiro-Ministro com a sua grande experiência em assuntos económicos, "e não há problema sem solução, pelo que vamos endireitar as contas públicas, como já o fizemos no passado.

Por isso, resolvi convidar o Prof. Fodeba para o cargo de Ministro das Finanças. Ele é um especialista em problemas sem solução e, todos sabemos que, finanças públicas sãs são condição necessária - não suficiente, mas necessária - para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego.

Rigor, transparência e verdade têm de ser as palavras-chave no domínio das contas públicas. Rigor, desde logo, na despesa, porque essa é a forma última de garantir a sustentabilidade de longo prazo das contas públicas, de assegurar uma economia competitiva e de garantir o Estado Social.

Rigor, também, no cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Múltiplos instrumentos poderão ser usados, mas o rigoroso controlo da despesa e o combate à fraude e à evasão fiscal serão, sem dúvida as traves-mestras da nossa ação.

Mas também a transparência. A transparência e a sustentabilidade das contas públicas são essenciais para a credibilidade externa e interna da governação".

O Prof. (Mestre) Fodeba declarou à imprensa que vai transferir o Ministério, do Terreiro do Paço para São João da Talha, "dando início a um novo ciclo de regionalização de que o país carece".

29/04/2010

A primeira invasão muçulmana

Em 29 de Abril de 711, teve início a invasão muçulmana da Península Ibérica que duraria até 1492, quando ocorreu a conquista de Granada pelos Reis Católicos de Espanha.

A presença árabe teve, na época, um efeito modernizador em vários domínios da ciência já que foi portadora de conhecimento das antigas civilizações egípcia e grega, com especial destaque na agricultura, na medicina, na matemática e na astronomia.

Tempos em que fundamentalismo era desconhecido...


Armando Guebuza em Portugal: «estou pidir»

Armando Guebuza traz 70 empresários a Portugal a 29 e 30 de Abril

O Presidente Moçambicano, Armando Guebuza, efectua uma visita oficial Portugal nos dias 29 e 30, anunciou hoje em Lisboa a Presidência da República, em comunicado no seu sítio da Internet.

Armando Guebuza será recebido no Palácio de Belém pelo seu anfitrião e homólogo português Aníbal Cavaco Silva, que oferecerá no Palácio da Ajuda um banquete em honra do chefe de Estado moçambicano.

O programa oficial inclui uma intervenção de Guebuza perante os deputados na Assembleia da República e encontros com o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e com o primeiro-ministro José Sócrates.

Durante a estada oficial em Portugal, Armando Guebuza visitará projectos portugueses na área das energias renováveis, e participará num seminário empresarial, em que serão abordadas as oportunidades de negócios e as estratégias para o reforço da cooperação empresarial bilateral. Este seminário será encerrado pelos presidentes Cavaco Silva e Armando Guebuza.

A comitiva do Presidente moçambicano integra 70 empresários, que querem aproveitar «a excelente relação política» entre os dois países, disse hoje em Maputo, em conferência de imprensa, o responsável máximo da Confederação das Associações Económica de Moçambique (CTA), Salimo Abdula.

Os empresários moçambicanos querem aproveitar a «plataforma excelente das relações políticas» para desenvolver parcerias com empresas portuguesas e «negócios importantes entre os dois países», acrescentou.

«O objectivo principal é estabelecer e consolidar relações de parceria económica entre empresários de Moçambique e de Portugal», disse o responsável, adiantando que seguem na comitiva de Armando Guebuza empresários das áreas das energias (e energias renováveis), construção civil, imobiliário, metalomecânica, banca, indústria, processamento e agricultura, entre outras.

«Também vamos promover o mercado moçambicano», disse Salimo Abdula, para quem «Moçambique tem muito para oferecer a Portugal».

Os empresários, adiantou, viajam com grandes expectativas quanto a acordos na área das tecnologias mas também de «alguma musculação financeira», nomeadamente na área da agricultura, turismo, energia e mineração.

«São recursos que temos e aos quais temos acesso, mas depois falta a componente tecnológica e financeira», disse Salimo Abdula, acrescentando que sendo o ambiente de negócios na Europa muito competitivo, as empresas portuguesas têm também oportunidade de usar Moçambique como uma plataforma para entrar na região da África austral.

Será mais fácil até, através de Moçambique, entrar em mercados da Europa e dos Estados Unidos, pelas facilidades que o país tem de exportar para esses lugares, disse.

Sheial Samuel, coordenadora da CTA, precisou que os empresários deverão chegar a Portugal no dia 27, tendo no dia 28 um encontro com Armando Guebuza.

Para o dia 29, estão marcadas idas à Assembleia da República, Praça do Império e Câmara de Lisboa, e no dia 30 será o momento do encontro entre empresários dos dois países.

Na tarde do dia 30 será realizado um seminário económico com empresários de Portugal e de Moçambique, que terá uma componente forte sobre turismo.

in «Sol», 21.03.2010

28/04/2010

Diretor das Alfândegas morto em Maputo

O diretor de Investigação e Auditoria da Autoridade Tributária de Moçambique (ATM), Orlando José, foi morto na sua residência, no bairro de Zimpeto, cidade de Maputo, baleado por criminosos ainda a monte. O baleamento ocorreu no final da tarde de ontem.

O diretor do serviço de inteligência das Alfândegas anunciara na tarde de ontem a apreensão de três viaturas de luxo, (BMW, Range Rover e Mercedes-Benz) pelas Alfândegas, que entraram no país ilegalmente, suspeitando-se que sejam provenientes da vizinha Swazilândia e da África do Sul. Acredita-se que o assassinato do diretor de Investigação e Auditoria
das Alfândegas esteja relacionado com a apreensão de viaturas.


Mas também se admite que o crime possa estar relacionado com a recente apreensão, ao Km.14 da EN1, em Maputo, de uma viatura e de um cidadão libanês que nela transportava, escondidos nos forros das portas, cerca de quatrocentos mil dólares americanos em notas. O mesmo, cuja identidade não foi revelada, encaminhava-se para a Machipanda, fronteira com o Zimbabwe, no Corredor da Beira, zona onde recentemente começou a prosperar uma significativa comunidade libanesa de outras nacionalidades, que se supõe interessada pelo mercado de ouro do garimpo local e diamantes do país vizinho.

Na semana passada, Orlando Jaime anunciara essa apreensão de 400 mil dólares norte-americanos a um cidadão de origem libanesa, que alegadamente tentava sair do país com o valor.

in «Canalmoz», 28.04.2010

Das três, duas....

Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem, decidiu
dar-lhes apenas duas virtudes.
Assim, mandou ao seu anjo-secretário que anotasse quais seriam os dons:

- Aos suíços, os fez estudiosos e respeitadores da lei;
- Aos ingleses, organizados e pontuais;
- Aos argentinos, chatos e arrogantes;
- Aos japoneses, trabalhadores e disciplinados;
- Aos italianos, alegres e românticos;
- Aos franceses, cultos e finos;
- Aos portugueses, inteligentes, honestos e socialistas;
O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade, indagou:
- Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas virtudes, porém aos portugueses, foram dadas três! Isto não os fará soberbos em relação aos outros povos da terra?
- Muito bem observado, bom anjo! - exclamou o Senhor - isso é verdade!
- Façamos então uma correção ! De agora em diante, os portugueses, povo do meu coração, manterão esses três dons, mas nenhum deles poderá utilizar, simultaneamente, mais de dois, como os outros povos!
- Assim, o que for socialista e honesto, não pode ser inteligente. O que for socialista e inteligente, não pode ser honesto. E o que for inteligente e honesto, não pode ser socialista!
Palavras do Senhor !!!... 

27/04/2010

Basta de truques: este é o culpado!

Portugal, conduzido por taxistas incompetentes, chegou a um beco sem saída.

É insustentável o estafado argumento de que o problema é a crise mundial ou ainda que a culpa é da Alemanha, quando é perfeitamente visível que a bancarrota tem culpados em São Bento.

Ainda não passaram 12 meses deste que, em contra-ciclo, se anunciavam aumentos de 2,9% para a função pública, se baixava o IVA em 1%, se anunciavam TGVs, pontes, autoestradas, SCUTs, milhões para "ajudar" as empresas, em suma, poeira para os olhos.
Mas, em Setembro de 2009, os portugueses decidiram democraticamente, deixar-se enganar e não ouvir a vozes que alertavam. O que está a acontecer foi há muito antecipado. Não foi por falta de aviso que se chegou a este ponto.

Recordemos um pobre de espítito que dizia que "há mais vida para além do défice". Ignorante, irresponsável, louco.

Agora, está tudo muito transparente: o país está altamente individado e quem tem dinheiro para emprestar, não acredita que Portugal consiga pagar, já que vive de contrair dívida para pagar dívida. Numa espiral infernal de crescente dívida do Estado, das empresas e dos cidadãos.
Pesados sacrifícios, desemprego, estagnação, colapso de empresas, esperam os cidadãos portugueses.

No próximo 20 de Maio, o Tesouro português tem de pagar uma forte tranche da dívida pública e, esse dia, vai ser determinante para se saber se é declarada a bancarrota ou se ela fica adiada. No contexto presente, essa tranche vai ser paga com a emissão de nova dívida, maior e assente em taxas de juro três vezes superior às da Alemanha.

Mas, chegados a este ponto, é preciso responder a estas questões:

- É com esta gente que Portugal se vai endireitar?

- É com esta gente vai pôr as contas em ordem?

- É com esta gente que Portugal vai recuperar a credibilidade internacional?

- É com esta gente que se vai pôr cobro à corrupção?

- É com esta gente que se faz o país crescer?

Magalhães a 27 de Abril de 1521

Fernão de Magalhães, grande navegador português nascido em 1480, faleceu tragicamente a 27 de Abril de 1521 nas Filipinas, na sequência de uma desnecessária luta com habitantes de uma ilha de Mactan.

A extraordinária visão, coragem e capacidade de comando de Fernão de Magalhães levaram-no a propor o acesso à Índia pelo Ocidente, rumando em direção à América e Oceano Pacífico.

Obtido o apoio do rei de Espanha, Carlos V, recusado que foi o do rei de Portugal Dom Manuel I, Magalhães saiu de Cadiz a 20 de Setembro de 1519 com cinco embarcações e 234 tripulantes.

Controlados os danos provocados pelos erros geográficos e pelas revoltas dos marinheiros espanhois, atingem a ilha de Ladrões em 1521, no arquipélogo de Guam.

Os relatos completos da fantástica e difícil viagem foram feitos pelo italiano Antonio Pigafetta que pagara o seu próprio lugar na aventura. Ele foi um dos 18 sobreviventes que completaram a viagem.

Entre os tripulantes seguia Henrique de Malaca, um nativo de Sumatra que era aio e escravo de Magalhães - adquirido em 1511 durante a conquista portuguesa de Malaca - e que, por falar a língua malaia e entender a fala dos locais, foi decisivo para reconhecer e comprovar que fora dada a volta ao Mundo.

O escritor austríaco Stefan Zweig escreveu uma excitante biografia (1938) sobre a vida, a viagem e o génio do navegador português.

(imagens da Wikipedia)

26/04/2010

Visita a Alcochete

Alcochete tem uma vista fabulosa sobre o rio Tejo e Lisboa.

Vila muito antiga, onde nasceu o rei Dom Manuel I em 1469, tem essencialmente escapado ao caos moderno. O núcleo antigo tem os traços e as rugas da antiguidade.

Desejemos que os "patos bravos" não acabem com este mundo antigo.

25/04/2010

25 de Abril e Liberdade

A data de 25 de Abril assinala a Liberdade e o renascimento de Portugal.

A Censura foi abolida e passou a ser possível ver filmes como este:


24/04/2010

E depois do adeus

Daqui a dias vai vir novamente a fanfarra, mais os cravos e a liberdade. Sem esquecer a República e o seu farto busto que, por um extraordinário processo de reviravolta histórica, se pretende apresentar como uma antecipação do 25 de Abril. E depois? Depois nada, que a vida está difícil e nós não sabemos como vamos pagar dívidas que não contraímos. Não era de facto isto que estávamos à espera quando nos prometeram a democracia. Na verdade esperava-se muito.
Ao ver as imagens de Portugal em 1974 o mais espantoso é o ar sorridente e esperançado das pessoas. Hoje, rir assim só no futebol, com a desvantagem estética para este último, que a parafernália dos bonés e dos cachecóis, ao contrário do que sucedia com os cravos e as fardas, dá um ar vagamente apalhaçado a quem celebra.
Em Abril de 1974 aos portugueses foi prometido um país mais livre, mais justo, mais rico e mais respeitado. Somos hoje um país certamente mais livre do que éramos até Abril de 1974, mas certamente menos livre do que fomos anos depois.
A desmesura do Estado gerou uma multidão de avençados que se instalou em lugarzinhos de nomeação a partir dos quais se metastizam num universo de jeitos, favores e conhecimentos. Esta gente é hoje o maior obstáculo ao desenvolvimento do país não só porque produz pouco, mas sobretudo porque tem o seu seguro de vida na manutenção desse pântano político-empresarial de dinheiros públicos e interesse privados, tão privados que não são sequer confessáveis.
À parte a liberdade - e essa convém frisar que nos foi garantida pelas Forças Armadas que tão pouco dignificadas têm sido pela democracia - falhou-se em muito daquilo que dependia da competência da classe política. Os pobres são certamente menos pobres hoje do que eram em 1974, mas o sonho de conseguir subir na vida esse perdeu-se no enredo da burocracia, da carga fiscal asfixiante e da loucura dos licenciamentos e dos certificados.
Na justiça, pior seria difícil: seja por causa das leis, seja por causa de quem as aplica, seja pelo que for, Portugal vive uma crise gravíssima, pois gravíssimo é quando um povo descrê da justiça e não se reconhece nas leis que tem.
O legislador sonhou-se e sonha-se nos tempos em que os iluministas esclarecidos impunham mudanças por decreto ao povo ignorante - veja-se o caso do recente Código de Execução de Penas - e os políticos, com especial relevância para o PS, fizeram o resto quando identificaram as responsabilidades éticas e morais do cidadão e político José Sócrates com a possibilidade de o actual primeiro-ministro poder vir ou não a ser constituído arguido. Esta circunstância é um dos momentos mais graves do pós-25 de Abril não só porque se identificou ética com direito penal, como se acabou a instilar a ideia de que a justiça e a investigação são passíveis de serem controladas por quem detém o poder político.
Por fim falemos do respeito. Quando se lêem os jornais pós Abril de 1974, é evidente a tónica então colocada no facto de Portugal ir deixar de ser uma nação isolada. Finalmente íamos deixar de ser criticados internacionalmente. O mesmo discurso exaltante foi depois repetido quando trocámos a incerta via terceiro-mundista do socialismo à portuguesa pela adesão à então CEE.
Os elogios feitos "lá fora" pelos dirigentes europeus à nossa prestação eram repetidos "cá dentro" por homens como Mário Soares e Cavaco Silva. Agora que o estrangeiro deixou de falar bem de nós, vivemos com embaraço as declarações do Presidente checo, tomamo-nos de brios patrióticos perante as agências de rating e descobrem-se pérfidas intenções nos economistas que nos anunciam a falência. Enfim, o habitual em casa onde não há pão.
Em Abril de 1974 os portugueses riam esperançados diante do mundo e das objectivas dos fotógrafos. Agora fazem-lhes manguitos. A culpa não é certamente da democracia e muito menos do povo. A culpa é de quem se esqueceu que "depois do adeus" à ditadura havia que falar verdade ao povo.

Helena Matos, Ensaísta
in «Público», 22.04.2010


Caça às bruxas

Em tempos idos, as Universidades eram (ou lutavam por ser) espaços de liberdade de pensamento, de investigação, de debate, de ciência.

Hoje, parece não ser assim: qualquer matéria que toque o fundamentalismo moral ou político do politicamente correto, passa a ser crime. Em breve, seguem-se os gulags e a queima dos livros "degenerados".

Ou seja, para que fique mais claro: em vez se defender a liberdade de pensamento que está implícita nas perguntas – mesmo que se possam tomar como absurdas – a esquerdalhada e o lóbi gay querem enforcar o professor.

É curioso, já que seria de supor que uma escola de Direito, preparasse um advogado ou um juiz a defender/julgar um criminoso – que sabem que é criminoso – mas que, mesmo assim, tem o seu direito à justiça.

Ao que chega a estupidez e a lama com que nos querem tapar olhos. A ditadura pós-moderna!

Casamento gay: Faculdade de Direito analisa enunciado polémico

O Conselho Pedagógico da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa deverá apreciar na próxima semana o enunciado de um exame relativo ao casamento homossexual, que alguns alunos afirmam ser uma "provocação discriminatória e ridícula".

Na prova de Direito Constitucional II, o regente da cadeira, Paulo Otero, propôs um enunciado segundo o qual a Assembleia da República aprovou um diploma que permite o casamento poligâmico entre seres humanos e entre humanos e animais vertebrados domésticos, como "um complemento à lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo". Depois, foi pedido aos estudantes que apresentassem argumentos para defender tanto a constitucionalidade como a inconstitucionalidade do documento.

"Provocação discriminatória e ridícula"

"O Prof. Doutor Paulo Otero, o regente da cadeira, decidiu que seria este o caso prático que os alunos deveriam resolver e, numa provocação discriminatória e ridícula, fez-se um paralelismo entre a poligamia/bestialidade e a homossexualidade, disfarçando de humor aquilo que é um desrespeito e uma ofensa de proporções maiores do que o Sr. Professor pode imaginar", afirma uma aluna, no blogue Jugular.

A estudante afirma, também, que o docente "até podia ter apresentado o mesmo caso prático sem, no entanto, referir que o diploma era 'em complemento à lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo'". "Mas a comparação foi obviamente propositada e consciente. Ridicularizando um passo marcante na história de Portugal e do Mundo", acrescenta Raquel Rodrigues.

Contactado pela agência Lusa, o diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa afirmou ter tido ontem conhecimento do caso e sublinhou que o Conselho Pedagógico é o órgão que tem a "primeira competência" para analisar o caso.

Polémica sobe ao Conselho Pedagógico

"A indicação que recebi é de que a questão vai ser analisada na reunião do Conselho Pedagógico da próxima semana. A faculdade respeita a crítica à Constituição e à Lei que os professores fazem no exercício da profissão docente. Não subscrevemos nem deixamos de subscrever essas críticas como instituição", afirmou Vera Cruz Pinto.

O responsável acrescentou que aquilo que for exercício daquela liberdade, nos termos da Lei, é "respeitado". "Se houver alguma violação de Lei, com certeza a faculdade, dentro dos seus procedimentos internos, pronunciar-se-á", afirmou, sublinhando que os órgãos internos estão a "atuar".

Paulo Otero não fala

Contactado pela Lusa, o docente Paulo Otero limitou-se a referir que "o silêncio é de ouro se a palavra é de prata", não querendo fazer mais comentários.

O presidente da Associação de Estudantes, Ivan Duarte, disse à Lusa que a associação também tinha recebido a indicação de que o caso seria analisado em Conselho Pedagógico, mas que não podia confirmar, para já, se tinha sido apresentada queixa.

A proposta de lei que legaliza o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo foi aprovada pelo Parlamento em votação final global a 11 de Fevereiro, com votos favoráveis do PS, BE, PCP e Verdes. Seis deputados do PSD abstiveram-se. O CDS-PP e a maioria da bancada social-democrata votaram contra o diploma, bem como as duas deputadas independentes eleitas pelo PS.

in «Expresso», 23.04.2010

23/04/2010

Portugal vai falir

«Antigamente eram as famílias que oscilavam em património e desabavam riquezas em décadas à custa de infortúnio ou incúria repetida. Com o desenvolvimento das empresas passámos a associar a falência à sua morte.

Nos anos 70 e 80, com o desenvolvimento do crédito pessoal começaram a falar em falência pessoal o que para mim era estranho até ter encontrado um sujeito que me confessava alegremente estar falido. Achei estranha a felicidade dele quando falava no facto de não ter, nem poder vir a ter em sua posse, qualquer património, mas depressa percebi que as dívidas tinham sido activadas lentamente enquanto os activos tinham lestamente voado para a posse da filha...

Recentemente todos começaram a falar na falência dos Estados e, infeliz e preocupantemente, na possibilidade de falência de Portugal.

A falência de uma empresa ocorre quando em função de uma situação presente em que o Activo é inferior ao Passivo (falência técnica), se percebe que a situação é irrecuperável em face à actividade, custos e perspectivas de negócio futuro. Ao perceber-se a irrecuperabilidade da empresa, abre-se falência, tentam liquidar-se o maior volume de activos para pagar passivos e assim sair o mais honradamente do processo, normalmente traumático. A expressão de falência de Estados está associada à impossibilidade de fazer face ao serviço da dívida. Mas se aplicarmos a visão acima definida paras as empresas aos Estados e em particular a Portugal é então possível tentar responder à grande questão: Portugal vai falir? É possível, se...

Aplicando a Portugal, a falência sucede se, valorizando actualmente os activos e verificando que são de valor inferior aos passivos, não conseguimos descortinar qualquer viabilidade para este naco de gente aqui plantados nesta eira de terra.

Olhando para o saldo líquido sobre o exterior (diferença entre os activos e os passivos que os portugueses na globalidade detém sobre o exterior) verificamos que o saldo é-nos muito desfavorável. De uma posição activa de aproximadamente 35% do PIB em 1974 passámos a esta situação confrangedora de mais de 110% do PIB de posição passiva em Dezembro de 2009.

Isto é, se apenas isto valesse na contabilidade de falências nacionais, o saldo entre o que temos e o que devemos quando comparado com o exterior era quase meia sentença de morte, quer dizer, falência.

Mas não é. Por enquanto os activos nacionais são bem mais valiosos do que os passivos, embora as expectativas de crescimento e dinâmica futura não seja nada animadora.

Mas o que há realmente, de momento, é uma crise de curto prazo a que se juntam os que querem aproveitar e que se nada fizermos para mudar de vida acabaremos por transformá-la numa desolante morte, que a ser feita pelo mercado nem lenta será.

Sim, Portugal vai falir, se nos deixarmos falir. E comigo não contem para esse número. Nem que para isso o país tenha de virar o rumo a quem nos governa.»

João Duque
in «Diário Económico», 22.04.2010

22/04/2010

Carta aberta a Jacob Zuma

An Open Letter To Jacob Zuma

African Crisis editor Jan Lamprecht has asked to have this open letter to Jacob Zuma be published. The words are his and do not necessarily represent those of The Right Perspective.

I think we should stop pussy-footing around over the issue of ANC race-baiting which has been going on now for months. Julius Malema, as the head of the ANC Youth League has been stirring up race hatred and inciting racial hatred against whites for months now. Now he wants to sing “Kill the Boer” songs despite court orders against this and the ANC Govt is rushing to defend this in court. Julius Malema is constantly slandering and attacking white people and inciting racial hatred towards them, in public. Then he claims that white people want to kill him – a claim which I think is also fraudulent actually.

Let me state a few simple facts:

1.We Whites in South Africa have NOT been plotting any kind of war against the Govt.

2.We Whites have NOT been accumulating arms or ammunition.

3.We Whites have NOT been building bombs, carrying out terror operations nor engaging in assassination.

4.We Whites have NOT been engaging in any race hatred nor race hate speech nor singing songs about killing black people.

5.We Whites have NOT been carrying out any strikes nor burning nor breaking any property.

We Whites HAVE been going about our business quietly. We have been paying our taxes and been law-abiding citizens.

We have noticed that:

Julius Malema

1.Julius Malema, the head of the ANC Youth League has singularly, for months on end, been making the most racist statements imaginable which have been spread in the mass media.

2.Julius Malema has not been taken to task by the ANC.

3.Julius Malema has in fact been defended by the ANC who are willing to go to court so that he can sing in public rallies, the song: “Kill the Boer”.

4.Julius Malema has been defended in person by President Jacob Zuma who has told us that Malema is being groomed to be a future President.

5.Julius Malema at this time is on official business, sent to Zimbabwe to speak to Robert Mugabe and to the ZANU PF Youth League. He has gone there on the instruction of our Govt. He is openly speaking and saying that in South Africa the White Farmland is to be seized using the same methods as were used in Zimbabwe in 2000.

Zuma and Malema

During all this time of Julius Malema’s actions, the ANC has in its official capacity supported him and so has our President Jacob Zuma. Zuma has openly defended his actions in speeches.

So here is my message to President Jacob Zuma:

Sir,
If you desire a racial war against us White people, and against the Afrikaners in particular, then let’s not play games any more – just come out and say you want to go to war against us. If you have been making clandestine preparations for our genocide and for a series of moves that will lead to our genocide, then so be it.

We do not have any arms or armies, except those personal firearms which we have been licensed to use, and if you wish to have a war against us, to exterminate us completely, then we will fight with what little we have right here, right now. Just tell us when you want the war, and we will meet you whereever it is that you wish to fight us.

Julius Malema is your agent. He works for you. If you do not shut him up with IMMEDIATE EFFECT, we will regard this as a CLANDESTINE DECLARATION OF RACIAL WAR AND INTENT TO GENOCIDE AGAINST US BY YOU.

Thank you,

Jan Lamprecht.
South African Citizen
in AfricanCrisis

21/04/2010

Ditadores

Finalmente!

Mais um ditador, no caso, o argentino Reynaldo Bignone, de 82 anos, foi condenado (25 anos de prisão) pelos seus crimes: 30 000 desaparecidos e roubo de mais de 500 bebés, filhos de prisioneiras.

Agora, é caso para esperar que chegue a vez de outros tiranetes: Armando Emílio Guebuza, Sérgio Castelo-Branco Vieira, Robert Mugabe, Fidel Castro, Raúl Castro, Hugo Chávez, Muammar al-Gaddafi, Omar al-Bashir, Ali Khamenei, Mohammed Omar, Kim Jong-il, cujo cadastro inclui milhares de vítimas.

Idiotas

Em todas as partes do Mundo existem idiotas! Mas há 8 que são "Os Idiotas do Ano".

20/04/2010

Estados Unidos e Reino Unido, parelha falida

Regressam os sinais de crise:

El bullicio hecho por los medios de comunicación ingleses y estadounidenses alrededor de Grecia ha intentado esconder, especialmente, a la mayoría de los actores económicos, financieros y políticos la circunstancia que el problema griego no era el signo de una próxima crisis de la Eurozona, sino un primer indicio del próximo gran golpe de la crisis sistémica global; este es la colisión entre la virtualidad de las economías británicas y estadounidense, fundadas sobre una deuda pública y privada insostenible, y el doble muro del vencimiento de los préstamos a partir de 2011 unido a la escasez global de fondos disponibles para refinanciarse barato.

in «Leap2020», 17.04.2010

Plano \nclinado

O programa «Plano \nclinado» da SIC Notícias analisa o problema da Justiça e toca no risco da falência de um Estado que pesa 50% na economia portuguesa.

Plano \nclinado

O programa «Plano \nclinado», na SIC Notícias, continua a fazer debates de enorme frontalidade, com elevada competência e pedagogia. Todas as semanas, o socialismo socretino é desmascarado e os portugueses alertados para a enorma trapaça em que estão metidos.

É o caso da edição que teve como convidado o professor Adalberto Campos Fernandes, presidente do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Este debate em concreto, é uma aula de gestão e a demonstração de que a gestão de bens públicos se tem de fazer com conhecimento, honestidade, racionalidade, motivação e bom senso.

Tudo o que falta à camarilha socialista.


19/04/2010

Portugal ou Espanha vão falir?

O prestigiado economista Joseph Stiglitz não exclui a hipótese de Portugal ou a Espanha acabarem por falir, apesar de agora se estar a organizar o salvamento financeiro da Grécia.

Sitglitz, professor na universidade de Colúmbia, fez esta observação durante uma entrevista ao diário espanhol «El País», quando falava da dificuldade em encontrar uma solução para a atual situação em Espanha, onde o desemprego oficial roça os 20 por cento e que está perante o dilema de aumentar, ou não, impostos.

Esta observação deste economista que foi assessor do Presidente Bill Clinton e que é muito crítico da atual globalização comercial e financeira (e particularmente do sistema financeiro) segue-se a várias referências na imprensa internacional à situação financeira portuguesa.

Também hoje, um artigo de opinião no diário britânico «Telegraph» questiona se a Alemanha também vai ter de financiar Portugal. A comparação do peso das dívidas públicas portuguesa e grega é contrastada com o peso das dívidas dos respetivos sectores privados, e o país não sai muito bem na imagem.

A dívida pública nacional deverá representar este ano 86 por cento do PIB, enquanto a grega representará 124 por cento. Mas a dívida provada nacional era 239 por cento do PIB em 2008, face a 129 da grega, de acordo com um analista do Deutsche bank citado no «Telegraph».

Na sexta-feira, o país era já tinha sido apresentado no diário «The New York Times» como o próximo alvo dos mercados. Num artigo intitulado “Preocupações com a dívida mudam para Portugal, motivadas pela subida das taxas das obrigações”, dizia-se que os especuladores dos mercados estavam agora a avançar em direção “a mais um pequeno membro da perturbada zona monetária europeia”, depois de a Grécia estar aparentemente em vias de ultrapassar a sua crise imediata, através da ajuda dos outros membros da zona euro e do FMI.

No dia anterior, Simon Jonhson, ex-economista chefe do FMI, dizia que “o próximo grande problema global” seria Portugal. Considerava mesmo que até agora o país só tem conseguido estar fora do centro das atenções apenas graças à Grécia, e que estes dois países estão piores do que a Argentina em 2001. Outro economista de nomeada, Nouriel Roubini, dizia também que Portugal e a Grécia poderiam ter de abandonar a zona euro.

Hoje as taxas de juro cobradas nos mercados financeiros pela compra de seguros contra incumprimento da dívida pública portuguesa subiram 19 pontos-base (0,19 por cento), fazendo disparar para 151 pontos base a margem sobre os juros cobrados para os produtos do mesmo tipo sobre a dívida do Estado alemão – que são os mais baixos da Europa.

Euro em causa

Sitglitz recebeu um Nobel da Economia em 2001 e tornou-se uma vedeta por ser muito crítico da actual globalização comercial e financeira, particularmente do papel do sistema financeiro, e ter sido dos poucos que anteciparam a crise internacional que se desencadeou em 2008. Na entrevista que o «El País» publica hoje mantém a linha de pensamento que o tornou muito admirado sobretudo na Europa, mas atualizada à luz das mais recentes consequências da crise internacional.

Agora, diz que o euro “corre o risco de desaparecer se não se gerar uma onda de solidariedade e não se puserem em marcha soluções institucionais”. Chega a esta conclusão a partir do que aconteceu na crise asiática da segunda metade dos anos 1990, em que as economias de vários países foram caindo sucessivamente às mãos dos mercados financeiros internacionais.

“O problema é evidente, mas a lentidão e a debilidade da resposta questionam a sobrevivência do euro. Os mercados não são propriamente uma fonte de sabedoria: são predadores, muitas vezes são estúpidos, são completamente imprevisíveis, e se a Alemanha e a Europa não procurarem soluções podem provocar estragos”, afirma a certa altura.

Assinala também o “paradoxo” de se ter dado aos bancos um “cheque em branco para os salvar”, e de agora se pôr à disposição da Grécia ajuda financeira “a um custo excessivo”. Não se pode “ganhar dinheiro à custa da família, como parece querer fazer a Europa”, rematou.

in «Público», 19.04.2010