07/06/2010

Há mais vida para além deste orçamento

Jacinto Nunes,  economista, governador do Banco de Portugal, em 1983, diz que a actual crise é mais grave do que as anteriores e mostra-se preocupado com as soluções que estão a ser postas em prática pelas autoridades.

Conheceu de perto a crise de 1983. Como é que a compara com a atual?

Esta crise é diferente da de 1983, que não foi tão grave. O que vivemos em 1983 foi uma crise de pagamento. A atual situação é de gravidade quase idêntica à de 1929, mas de natureza diferente. A de 1929 era de insuficiência da procura e por isso surgiu o keynesianismo como doutrina para compensar a insuficiência de procura. Esta é uma crise de crédito.

Não teme que com as medidas de contenção que se estão a tomar não se esteja a caminhar também para uma crise de procura?

Se temos 600 mil desempregados, com certeza que a procura se ressente.

E não seriam adequadas políticas keynesianas de reforço da procura?

Políticas keynesianas de insuficiência da procura, não. Pelo seguinte: o mundo dos anos 30 não é o mundo de hoje, são diferentes. Não digo que mudou em três semanas. O que digo é que o mundo de há 80 anos não é o mundo de hoje. E há duas diferenças fundamentais: uma é que antes não existia a globalização e, portanto, o livro de Keynes foi dirigido sobretudo para economias desenvolvidas, EUA e Grã-Bretanha, onde a aplicação da despesa tinha os seus efeitos multiplicadores dentro dos próprios países. Agora, se em Portugal seguirmos uma politica keynesiana, vai ser um desastre, pois em equipamento importamos tudo. Hoje até importamos alimentos, desde a alface, ao tomate, à cebola.

Portanto, iríamos ajudar outros países?

Sim. Se o Estado fizer uma politica keynesiana pura de aumento maciço de despesa, isso traduz-se num aumento da dívida externa, porque não existe oferta nacional para satisfazer esse aumento da procura.

Então, se fosse primeiro-ministro, que medidas adoptaria? Não apostaria no investimento público?

A propósito de investimento público, está a fazer-se uma confusão. Eu sou um partidário de investimento público, mas sou completamente contra as grandes obras que não são reprodutivas. E até admito que possa existir uma grande obra que tenha retorno. O TGV para passageiros não acredito, mas penso que quando houver condições é fundamental desenvolver o porto a sul de Sines, para acabar com aquele buraco, e outro a norte, em Leixões ou Aveiro, e fazer uma linha de alta velocidade para a Europa, mas só quando a Espanha fizer a ligação a França. O que é que vamos fazer até Madrid? Ou aquela infantilidade de dizer que os espanhóis vêm cá tomar banho... Só por brincadeira se admite uma afirmação destas. Eu não sou contra o investimento público, e penso até que temos de o fazer. Com mais de 600 mil desempregados e com o acesso ao subsídio de desemprego a ser ainda mais limitado, isto vai refletir-se na insuficiência de procura líquida. Depois quem é que dos privados vai investir num clima destes? Temos que ir buscar alguma compensação ao investimento público, mas ao pequeno investimento público. É claro que aquilo que o primeiro-ministro citou na última entrevista à RTP está certo, ele falou de creches, de escolas, da qualificação urbana. Mas lá acrescentou o TGV, o que é uma tolice... já lhe chamam o TGV do Alentejo.

Uma das diferenças em relação a 1983 é que havia a expectativa de que a economia ia recuperar. Mas hoje não temos essa expectativa. Preocupa-o?

Por isso é que digo que, quando Jorge Sampaio disse que havia vida para além do défice, naquela altura a frase não era apropriada, mas hoje, reinterpretada, é apropriada. Porque vamos chegar a 2013, se estas medidas de contenção de facto chegarem, numa situação económica má. E em 2014, começam as PPP e vamos outra vez apertar o cinto e sem recuperação à vista. E o que é que vai melhorar a situação da economia nacional? O TGV? O aeroporto? Não. Temos que ir fazendo alguns investimentos privados e temos que ir tomando medidas estruturais. Não custa dinheiro fazer a reforma da Justiça, do código penal e do código civil. Como é que vamos atrair o investimento estrangeiro se ele sabe que, se tiver um problema da justiça, demora oito anos a resolvê-lo? Porque não fazemos a reforma da educação? Estas reformas não custam nada, mas não se fazem. Agora só se pensa no défice. Por isso digo que agora faz sentido dizer que há vida para além do défice. E qual é essa vida? Um conjunto de medidas de reformas estruturais da administração pública e outras.

Critica este Governo pela situação em que estamos?

As coisas boas deste Governo foram a reforma da Segurança Social e a politica energética. Mas houve erros que levaram a este défice enorme e um deles foi a redução do IVA. Outro foi dar 2,9 por cento aos funcionários públicos num ano em que a inflação é negativa. Para quê 2,9 por cento? Eu até sou tolerante ao ponto de dizer vamos dar qualquer coisa, um por cento, porque a política tem que ser tida em conta. Não sou um técnico surdo, cego e mudo à realidade política. Mas 2,9 por cento? O terceiro erro, dos mais graves, teve a ver com os certificados de aforro (nota). Foram cortar os juros das pessoas que tinham títulos. Foram centenas de milhões de euros de poupanças que saíram para os bancos. Quem é que os vai adquirir agora?

Em 1983, a desvalorização da moeda ajudou muito...

Sim, agora estamos mais limitados, pois não temos nem politica cambial, nem política monetária, só temos a política orçamental, que agora se pode dizer que passou para Bruxelas. Antes fazíamos um abaixamento dos salários, chamado fenómeno da anestesia fiscal, porque as pessoas não davam por isso. Ainda me lembro de propor no orçamento em 1978/79 um aumento dos salários dos funcionários públicos de 20 por cento, quando a inflação estava em 24 por cento. Perdiam poder de compra, mas não ligavam muito. Agora, um processo de ajustamento tem que se fazer mesmo com a quebra dos salários. Não há anestesia fiscal e o ajustamento é direto. E portanto dói e não tenham dúvidas que vai haver contestação social.

Alguns economistas defendem reduções nominais dos salários. Concorda?

O Krugman diz que a área do euro só pode subsistir com uma redução dos salários dos países do Sul, face à Alemanha, de 30 por cento. Talvez seja muito, mas que têm que baixar, têm. E vamos ver como é que os mercados vão reagir aos pacotes anticrise. Uma coisa é o que pensa Bruxelas, mas o problema fundamental é saber como é que os mercados reagem. Se eles considerarem insuficiente, teremos novos pacotes. Já o Maquiavel dizia: quando se começa a fazer mal, então faça-se mesmo muito mal. E depois então abrande-se. Aqui tem-se a mania dos paninhos quentes. Quando se tem que fazer, deve fazer-se.

Portanto, acha que o Governo vai ter de adoptar medidas mais duras do que as que foram anunciadas...

Sim, penso que será inevitável.

Fernando Ulrich, presidente do BPI, disse que "o dia em que batermos na parede pode ser no curto prazo". Como é que viu as declarações ?

Pode ser que tenha razão, mas talvez não tenha sido oportuno. Eu sou insuspeito porque gosto muito dele, mas as declarações podem causar alarme.

Acredita que a vinda do FMI está para breve?

Acho que não. É mais provável que, nós, por nossa iniciativa, adoptemos medidas mais duras. Se o FMI chegar, é porque está tudo muito mal.

Preocupa-o a recente quebra do euro?

Não me assusta muito, se não for um trambolhão, porque alarga a nossa capacidade concorrencial. Quando criámos o euro, o dólar valia mais, algo que agora ainda não acontece.

A resposta dos líderes europeus a esta crise tem sido convincente?

O problema mais difícil está na Alemanha. Lá o euro não é lá muito bem visto. Estive lá na Páscoa e nas sondagens realizadas mais de metade eram favoráveis ao retorno ao marco e à saída do euro. É por isso que Angela Merkel se tentou defender politicamente, sendo dura em relação ao auxilio à Grécia. Agora o BCE fez uma coisa boa que foi começar a comprar títulos de dívida soberana. Mesmo assim, a UE está muito centrada no défice, e por isso é que defendo que há vida para além do défice. A UE devia começar a pensar no que é que os países deverão e poderão fazer para tratar mais do crescimento económico. E não dizer apenas que temos que baixar o défice para baixo de 2,8 por cento. Mas a mim não me faz diferença nenhuma que se em vez de o baixarmos em 2013 o baixarmos em 2014. De resto a França já admitiu essa hipótese. O importante é que a tendência seja descendente. Se em 2013 tivermos um défice de 3,8 por cento, sem grandes estragos na economia, não me preocupa.

Acha que o Banco de Portugal fica bem entregue a Carlos Costa?

Tenho uma boa impressão do novo governador, com quem tenho relações pessoais. É um homem que vem do BEI e que conhece bem este meio e os mercados, com boas relações internacionais.

Como avalia a atual situação do sector financeiro? Teme que haja uma ruptura?

O sector bancário está fragilizado, mas tem-se aguentado. Penso que, em termos de liquidez, não me parece que haja grandes problemas, pois temos colaterais suficientes para ir ao Banco Central Europeu buscar dinheiro.

O vice-governador, Pedro Duarte Neves, já veio dizer que a banca europeia precisava de 700 mil milhões de euros para cumprir Basileia II, que entra em vigor já este ano.

Basileia II tem que ser revista, já está mesmo a ser revista. Numa altura destas de fragilidade, exigir estes níveis de solvabilidade e de liquidez vai arrasar com os bancos. O reforço dos capitais fortalece os bancos, mas retira fundos à economia.

in «Público», 07.06.2010

A sede da BMW

A sede da BMW em Munique, Alemanha, é uma moderna obra de arquitetura.

O complexo das instalações, onde estão expostos diversos modelos de viaturas e motas, é uma lição de marketing, de onde saiem sorridentes e cautelosos, clientes ao volante de veículos fabulosos.

06/06/2010

Munique

A capital da Baviera, Munique, na Alemanha, é uma cidade visionária, moderna, tradicional e palpitando riqueza, com mais de 1 milhão de habitantes.

Além de ser a sede de importantes empresas (BMW, Siemens, Allianz, MAN, etc.), do clube de futebol FC Bayern München e do prestigiado Instituto Max Planck, é mundialmente conhecida pela famosa Oktoberfest, a festa da cerveja.

No centro da cidade, a Marienplatz é sede da câmara municipal. Muito perto, a feira de produtos tradicionais Viktualienmarkt.

(fotografias: «Tempos Modernos»)

05/06/2010

O iPad em Paris

Na FNAC dos Champs-Elysées, em Paris, está disponível o revolucionário iPad.
É possível tocar-lhe, experimentá-lo e, por fim, comprá-lo.

Uma obra de arte absolutamente indispensável para tudo o que se possa imaginar: desde ler o «Público» e o «Tempos Modernos», consultar mapas de viagem com todos os detalhes, rever fotografias de monumentos e paisagens, ver filmes, ler livros...

Salzburg

04/06/2010

FRELIMO: A queda da máscara

MBS: a queda da máscara

A menção pela Casa Branca de que o proprietário do Maputo Shopping Center, Momed Bachir Suleman (MBS), está envolvido no narcotráfico, simboliza a queda de uma máscara que o Estado moçambicano andou a suportar há mais de duas décadas. MBS é um comerciante do norte de Moçambique que, em meados dos anos 90, no auge da liberalização da economia, começou a prosperar vendendo electrodomésticos de ponta num mercado sempre sedento de artefactos eletrónicos a preços de pechincha. Bachir tinha um passado modesto, diz-se, de vendedores de capulanas em pequenas cantinas.

Em meados de 90, Moçambique era um país completamente mergulhado nas malhas do crime organizado. Abertas as fronteiras e reduzido o poder repressivo e vigilante do Estado, irrompeu uma tentação por dinheiro fácil e o país passou a ser usado como rota de tráfico de droga. Em 1995, quarenta toneladas de haxixe foram encontradas em plena cidade de Maputo mas nunca houve condenados. De lá para cá, foram vários os casos de drogas denunciados, ligações expostas, comerciantes que prosperaram nessa maré, mas nunca foram responsabilizados.

Numa democracia emergente e um Estado paupérrimo, altos oficiais públicos optaram por viver das luvas da impunidade que ofereciam à grande corrupção e ao crime organizado. Em 2001, num artigo em conjunto com Peter Gastrow, descrevemos as principais formas de lavagem de dinheiro, corrupção e crime organizado em Moçambique, identificando a excessiva penetração que as redes criminosas tinham no Estado, nomeadamente na Polícia, nas Alfândegas e na Justiça. Na altura, até dissemos que Moçambique era um Estado criminalizado, devido a essa penetração criminosa nas suas estruturas dirigentes. E acrescentamos que estava a beira do chamado state capture. A mim, chamaram-me de anti-patriota e ao serviço de mão externa. Mas o assassinato de Siba Siba Macuácua pôs freio ao rol de acusações, pois, estava ali, trágica, revoltante, uma evidência sem disfarce de uma realidade que apenas ficou menos pungente porque o assassinato do editor Carlos Cardoso teve julgamento e condenações. Por pressão da comunidade internacional.

Os barões moçambicanos sempre cultivaram uma forte consciência de que, para triunfarem, tinham que aliar-se ao Partido no poder, que controla todo o aparato estatal. Desde os tempos de Joaquim Chissano que era normal ver comerciantes ligados a actividades sujas oferecerem enormes quantias de dinheiro ao Partido Frelimo em tempo de eleições, numa prática de financiamento político desarmado de regras, que era o mesmo que comprarem a sua impunidade ou a vista grossa do Estado em matéria fiscal e aduaneira. Lembram-se das jantaradas em que o antigo presidente recebia directamente dinheiros da chamada comunidade empresarial de Maputo? Existem fotos documentando Nini Satar em ofertórios generosos à nata do partidão.

MBS cultivou ferozmente esse desiderato. De pequeno cantineiro de venda de capulanas em Nampula, tornou-se em pouco tempo um importante agente económico em Moçambique, um grande contribuinte, como sói dizer-se. A sua Kayum Center, na Karl Marx, era, antes do Maputo Shopping Center, o principal mercado de electrodomésticos de Moçambique, ao mesmo tempo que mantinha algumas lojinhas de capulanas nos subúrbios para cumprir a tradição.

Nos corredores de Maputo, o crescimento pujante do seu negócio era algo que assustava e deixava incrédula toda a gente. Amigos na Polícia e nas Alfândegas sussurravam explicações óbvias, mas nunca ninguém ousou levá-las às últimas consequências: MBS triunfava não com negócios limpos, mas porque estava ligado à droga. Por isso, todo o moçambicano que ouviu hoje a bombástica notícia, respira um alívio cúmplice: já sabíamos!!! Todos sabíamos, mas quem ousaria meter a mão num homem que alimentava o partidão?

Aliás, esta relação de MBS com o Partido é reveladora da promiscuidade entre política e negócios em Moçambique. E MBS soube usar desse trunfo, da noção de que o Partido era o centro do poder e que para manter esse poder precisaria de dinheiro para aguentar campanhas eleitorais desgastantes e tão caras dada a dimensão do país. Por isso, quando Armando Guebuza emergiu como sucessor de Chissano, quase a contragosto deste, MBS alimentou o novo candidato, comprando os seus cachimbos a preços astronómicos, oferecendo canetas de luxo mas comprando-as logo a seguir, voltando a oferecer os mesmos cachimbos (que Guebuza aparentemente já não usa), financiando o Congresso do Partido em Quelimane, tornando esta força política numa das suas lavandarias instrumentais para o funcionamento das redes agora desmascaradas.

Em 2004, na primeira corrida de Guebuza foi assim. Em 2009, também. Embora as chamadas alas honestas do partido soubessem das cavalgadas sujas de Bachir, nunca ninguém teve a coragem de sugerir que isso era perigoso para o país, para a economia, para a sociedade, para o nosso futuro colectivo. Houve sempre um silêncio cúmplice de todos, porque chefe é chefe.

MBS continuou a “progredir” por essa via. Com o partidão na mão, podia fazer sem que ninguém ousasse enfrentá-lo. Nos corredores das Alfândegas, ainda nos tempos em que a corporação aduaneira passava por uma reforma operacional e remoralizadora, os camiões de Bachir, cheios de importações, tinham luz verde para não serem revistados. Mais tarde, quando as Alfândegas regressaram para mãos moçambicanas, e, numa operação obscura em a introdução de scanners de inspeção não intrusiva foi confiada à Kudumba, uma firma de que a SPI (a holding do Partido) é sócia, MBS conseguiu que a sua mercadoria não passasse nesses instrumentos desenhados para impor maior controlo e ordem no comércio internacional, mas que no caso de Bachir nunca foram usados.

A impunidade e a evasão aduaneira já haviam sido compradas há tempo mas, ao longo dos anos, uma série de moçambicanos, figuras com cargos de chefia em departamentos do Estado (Alfândegas, Polícia, Finanças) aproveitaram-se da generosidade narcótica de MBS para construírem impérios de dinheiro, evidenciando enriquecimento ilícito e corrupção desenfreada, à qual o Estado não consegue controlar, mesmo depois de uma Lei (6/2004) e uma Estratégia Anti-Corrupção (2006) terem sido aprovadas sob o slogan da tolerância zero.

A menção pela Casa Branca do nome de MBS como sendo um dos mais influentes barões de tráfico de droga na África Austral é um golpe tremendo que Moçambique recebe por causa da sua relutância em lutar contra a corrupção e o crime organizado de cabeça erguida. Essa relutância não é inocente. Ela resulta da venda de impunidade que alimentou campanhas eleitorais e outras bizarrias de personalidade e imitações de grandeza. O mesmo lugar onde Barak Obama proíbe agora os cidadãos americanos de consumirem, é onde o Partido Frelimo abriu uma loja a custo zero – contra as centenas de USD/mês que custa o aluguer de um m2 para a prática comercial comum – para fazer merchandising dos seus símbolos e camisolas. E é onde, num acesso de provincianismo desmedido, foi instituída uma Guebuza Square, numa imitação insípida à famosa praça de Sandton City.

Esse lugar é o famoso Maputo Shoping Center, que abriu em 2007, depois de um investimento de 32 milhões de USD (segundo tem dito MBS a amigos), alegadamente financiados pela banca. E foi o Presidente Guebuza quem inaugurou o centro. Um dos incentivos dado a esse “grande investimento” foi MBS abastecer a mercearia do centro com produtos importados sem pagarem impostos, numa tremenda concorrência desleal.

Vivendo com salários de miséria, os moçambicanos adoram o Maputo Shopping, pelos baixos preços de mercearia, tal como adoravam o Kayum Center antes deste sofrer um incêndio no ano passado. Do incêndio, a polícia nunca revelou as causas, mas os bombeiros tiveram tremenda dificuldade em debelar o fogo e houve quem dissesse que isso tinha a ver com as “substâncias” que lá estavam. Quando o fogo deflagrou, um das caras públicas que acorreu ao local foi o ministro Manuel Chang, das Finanças, pois era preciso consolar um “grande contribuinte”.

Há meses, antes desta grande relevação da Casa Branca, foi anunciado que MBS conseguiu que o Estado lhe trespassasse o recinto da Marinha de Guerra, que fica mesmo defronte ao Shopping na baixa de Maputo. Não houve hasta nem concurso público, e MBS conseguiu mexendo uns pequenos pauzinhos controlar uma valiosa porção de terra na baixa de Maputo. Tem sido assim em Moçambique. A Lei de Procurement (54/2005) ainda não serviu para impor decência nos negócios do Estado e a gestão do solo urbano é feita sem critérios, servindo apenas para enriquecer figuras bem colocadas num país onde a Constituição estabelece que a terra é do povo.

Agora, o Estado moçambicano deve agir para fazer justiça usando as leis nacionais. As autoridades judiciais moçambicanas devem urgentemente solicitar à Justiça americana as evidências que ela diz ter contra MBS e, a partir daí, tomar todas as medidas devidamente enquadradas no direito nacional e no direito internacional aplicável a Moçambique. É uma questão de honra para todos os cidadãos moçambicanos. E é o mínimo que o Presidente Guebuza pode fazer para proteger a nossa dignidade.

Marcelo Mosse
in «Savana», 02.06.2010

Moçambique: 35 Anos de Independência

35 Anos de Independência

Celebra-se a 25 de Junho o 35º aniversário da independência de Moçambique. Uma data que será sempre recordada. Alguns nomes ficarão merecidamente na história como heróis da luta de libertação nacional. Não existem dúvidas e sem qualquer margem para questionamentos que foi a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) que catalizou o sentimento, o desejo e a revolta dos moçambicanos a partir de 1962. Ela foi a força principal da luta que conduziu Moçambique à independência.

Mas já é discutível quando se pretende monopolizar os dividendos políticos (e não só) dessa conquista. Secundariza-se grande parte dos contributos de fora da FRELIMO. De pessoas e organizações que na clandestinidade ou que dentro do próprio regime colonial prestaram importantes contributos. Quase que se ignora o papel das forças progressistas em Portugal no derrube do regime que a todos oprimia (não é consistente separar os dois processos). O papel de pessoas, organizações e países que contribuíram para o isolamento político de Portugal.

Este texto refere-se aos 35 anos depois da independência. Apresenta-se factos e alguns indicadores (a sequência não obedece a qualquer critério):

* Em 35 anos, saiu-se do colonialismo pouco desenvolvido e iniciou-se um projecto socialista inspirado em realidades diversas, aplicado de forma radical e com graves erros. A partir de meados dos anos oitenta, iniciou-se a transição para uma economia capitalista ineficiente, selvagem e politizada. São as chamadas mudanças pendulares de grande amplitude nas políticas e nos modelos económicos, que se traduzem necessariamente por rupturas, ineficiências e mudanças de alianças sociais e de grupo de interesse. Ou talvez, a demonstração da incapacidade de definir e fazer politica económica interna (nacional).

* Em meados dos anos 80 do século passado, o rendimento per capita era de 80 dólares, o mais baixo do mundo. Hoje é de cerca de 350 US$, menos de um dólar por dia e habitante, o que representa um avanço significativo. Numa outra perspectiva, o mesmo indicador em 1973, segundo Magid Osman e Saúte (2009) no livro Desafios para Moçambique 2010 (página 326), era de "USD 418, o que em termos de dólares de 2009, equivale a USD 2000", seis vezes mais o actual. No Índice de Desenvolvimento Humano (Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009, PNUD), Moçambique ocupava em 2006 o lugar 172 numa lista de 182 países.

* A dependência económica medida pelos principais indicadores macroeconómicos aprofundou-se. Os gastos públicos são financiados em mais de 50% com recursos externos. Nos últimos anos, entre 75 e 80% do total do investimento é externo. Em 2006 cerca de 83% das exportações realizaram-se em seis produtos - alumínio, energia, gás, tabaco, camarão e açúcar -, e 56% do total destinava-se a dois países - África do Sul e Holanda (Standard Bank). Seria complicar a análise debater se, com a independência, os centros de decisão económica passaram a localizar-se em Maputo.

* Moçambique tem crescido na última década a uma média de 7 a 8%, o que é positivo. Mas seria muito melhor que esse crescimento não aumentasse as desigualdades sociais nem aprofundasse as assimetrias regionais. Segundo o Relatório Nacional (de Moçambique) de Desenvolvimento Humano de 2005, a média real do PIB per capita entre 2002 e 2004 era na cidade e província de Maputo entre 4 e 5 vezes superior ao de todas as restantes províncias, excepto Sofala.

* Tornar o país auto-suficiente em alimentos em três anos era um dos grandes objectivos imediatamente após a independência. Hoje o discurso é de acabar com a fome em três anos. Segundo o documento Estratégia de Desenvolvimento Rural do MPD (2007: 11), "a produção agrícola per capita do País encontra-se presentemente nos níveis de há 50 anos atrás". Trinta e cinco anos depois, estima-se que pelo menos 50% dos moçambicanos vivam por debaixo da linha de pobreza (menos de 1 USD/por dia/habitante). Há textos que fundamentadamente revelam que nos últimos 4 a 5 anos a pobreza não reduziu, pelo contrário. Apesar destes factos e números, hoje a maioria dos moçambicanos têm as suas vidas globalmente alteradas para melhor (liberdade política como Nação, liberdades individuais, oportunidades de vida, afirmação cultural e das identidades), comparativamente com o período antes da independência. Em termos económicos, para alguns, persistem dúvidas sobre essas melhorias. Para outros não há dúvidas: piorou.

* A saúde foi sem dúvida uma prioridade refletida nas primeiras grandes decisões políticas. A nacionalização dos serviços de saúde foi uma das primeiras grandes medidas após a independência no contexto da política desse período e que ainda hoje é dos sectores com maior orçamento público. Sem dúvida que os centros de saúde se multiplicaram, assim como o acesso dos cidadãos e a quantidade de técnicos. Mas Moçambique é hoje um dos dez países do mundo com maior prevalência de HIV-SIDA. O relatório de Desenvolvimento Humano de 2008 do PNUD, indica que a população 20% mais pobre estava na penúltima posição na taxa de mortalidade infantil dos 177 países analisados - considerando também os 20% dos mais pobres desses países (ocupava o lugar 176 em 177 países, apenas superado pela Serra Leoa). O atendimento nos serviços de saúde está repleto de queixas. Recentemente os doentes internados num hospital de Nampula tiveram que dele sair por falta de alimentação.

* Havia muito poucos técnicos moçambicanos. As escolas multiplicaram-se. Formaram-se milhares de licenciados e bastantes com formação pós graduada. Mas não há dúvida sobre a deterioração do ensino que termina por colocar em dúvida a política da massificação do ensino sem qualidade.

* Milhares de moçambicanos morreram, ficaram mutilados, órfãos e com capacidades diminuídas numa guerra que apesar de possuir uma origem e incentivos externos teve causas internas. E destas, alguns evitam referir. Assim como não se fala da pena de morte e da chicotada, dos campos de reeducação e da operação produção, dos massacres, dos desaparecidos e assassinatos. Em algum momento o pacto de silêncio não será mais efectivo. Ter medo da história real ou pelo menos de parte dela, é mau sinal!

* Após quase duas décadas de democracia, verificaram-se avanços nas liberdades, nos direitos individuais dos cidadãos, na concepção e alguma prática de um sistema político mais aberto. Mas permanece um regime quase monopartidário, a sociedade civil não se afirma com poder reivindicativo, mantêm-se zonas de pouca delimitação entre o que é o partido no poder, o Estado e as empresas públicas, entre política e negócios, é duvidosa a independência dos poderes democráticos (político, executivo e judicial) e há demasiadas agressões aos direitos humanos. O jornal Savana de 2 de Outubro de 2009, reportando-se a um relatório do MISA (Media Inatitute of Southern Africa), afirma que as instituições públicas de Moçambique são as mais secretas da África Austral.

* Ao fim de 35 anos construiu-se o aparelho de Estado moçambicano maioritariamente constituído por técnicos moçambicanos, ao contrário do período imediatamente após a independência. Mas é débil (ou foi propositadamente debilitado), os documentos de estratégias sectoriais são pobres e não são claros os caminhos futuros. O discurso da não partidarização do aparelho de Estado é simplesmente ridículo.

* Algumas grandes e importantes obras de infra-estruturas foram construídas. Mas o património imobiliário nacionalizado e posteriormente privatizado beneficiando principalmente os "nacionalizadores" deteriora-se, a rede secundária e terciária de estradas não é mantida. Finalmente, ao fim de 35 anos, começa-se a falar de um programa para a habitação.

* A cultura moçambicana emergiu com força, vitalidade, criatividade e como afirmação de identidades nacionais que compõem um rico mosaico social, mesmo que sejam limitados os recursos e apoios para estes sectores.

* Sobretudo nos últimos 25 anos, Moçambique tornou-se dos países onde a percepção de corrupção é das maiores do mundo e os órgãos de informação referem frequentemente casos a todos os níveis. Moçambique, segundo o Informe Global de 2009 da Transparency Internacional, ocupava o lugar 141 em 181 países nesse indicador.

* Há escritos que referem ser Moçambique um importante país no tráfego de droga. Também de crianças, mulheres e órgãos humanos. O crime violento faz duvidar sobre o grau de infiltração na polícia ou sobre o nível de gangsterização do próprio Estado.

* O colonialismo e depois o projecto socialista, não permitiram a emergência de capitalistas moçambicanos. Depois da liberalização económica, há mais de 20 anos, poucos são os empresários que acumularam capital em sectores produtivos, que são hoje eficientes e competitivos. Uma grande parte dos empresários emergiu com apoios de transparência duvidosa, em promiscuidades entre a política e os negócios, fortemente protegidos pela FRELIMO, pelo Estado e por "figuras" da sociedade e quase sempre atrelados a investidores externos. Também por isso Moçambique é hoje dos países menos competitivos do mundo: em 2008-2009, ocupava o lugar 130 num ranking de 34 países (The Global Competitiveness Report 2008-2009, World Economic Fórum). No mesmo ano, ocupava o lugar 135 num ranking de 183 países no indicador ambiente de negócios (Doing Business 2009, The World Bank).

* Moçambique sempre praticou uma diplomacia hábil de não conflitualidade, onde o objectivo principal é a maximização da captação de recursos externos. Moçambique goza hoje de uma apreciação positiva. Seria interessante saber quem e porquê assim nos classifica, comparando com quem e em que contextos. Neste caso, talvez fosse preferível sermos menos "bons alunos".

* Moçambique contribui de forma importante na libertação da África Austral dos regimes minoritários e do apartheid. Foram decisões políticas históricas com elevados custos económicos e sociais.

* Apesar da guerra e das tentativas de balcanização do país, Moçambique manteve-se como Estado e não pertence aos estados falhados deste mundo. Mas existe a tese fundamentada que Moçambique é um Estado falido.

* Ao fim de 35 anos pode-se questionar sobre o modelo de sociedade em construção onde os valores da ética, do mérito e da solidariedade escasseiam, abundando o cabritismo, o xico-espertismo, a corrupção, a riqueza fácil e o escovismo.

As justificações do colonialismo, da guerra, dos factores externos e das calamidades, embora importantes, não são suficientes e são geralmente manipulados na propaganda política.

Pensar nos 35 anos da independência é muito mais que politizar a realidade, ideologizar os discursos, reivindicar paternalidades de feitos. Os debates à la banja em ciclos fechados e desvirtuosos estão desgastados e desacreditados. É intelectualmente mais sério, é um exercício de cidadania e é mais útil analisar os 35 anos com abertura intelectual, sentido crítico e plural e pensar no futuro do país e dos cidadãos com liberdade e, sobretudo, pensar em políticas que permitam um desenvolvimento endógeno, o projecto matriz da independência. Pensar no país é mais importante que a agenda de cada um em ambiente de selvajaria económica e ética. Seria interessante ouvir qual o ideal de pais que a elite do poder possui. Dizê-lo, seria uma boa forma de comemorar os 35 anos. Duvido que isso aconteça porque existe um vazio de ideais e de sonhos para Moçambique.

João Mosca
in «Savana», 04.06.2010

Neuschwanstein

O Castelo de Neuschwanstein, Alemanha, foi mandado construir por Luís II da Baviera no séc. XIX.

Por essa razão e por muitas outras, o monarca acabou por ser considerado louco.

A despeito dessa "classificação" atribuída ao seu autor, nos dias de hoje, o castelo é uma atração turística para multidões e que deu vida à localidade de Füssen, a cinco quilómetros desta obra genial.

Visita obrigatória (Coordenadas: 47º 33' 34″ N, 10º 44' 58″ E)
(fotos: Tempos Modernos e Wikipedia)

03/06/2010

Mário Soares comenta a situação económica


Fala quem sabe, por isso é bom ouvir quem percebe do assunto.

02/06/2010

A mais antiga profissão

Com todo o respeito ...

Dizem que a profissão mais antiga do mundo foi a prostituição. Não posso concordar. Até porque não havia dinheiro quando o mundo começou, e se para o homem bastava dar com uma moca na cabeça da mulher e arrastá-la para a sua caverna, porque carga de água haveria de pagar?

Dizem então que a primeira profissão deve ter sido um dos trabalhos mais básicos, como agricultura ou caça. Embora concorde que tenham sido das primeiras profissões, a primeira não foram, até porque no início não havia ferramentas para agricultura nem armas para caçar.

Sugerem então que tenha sido o ensino. Mas para ensinar é preciso aprender. É a história de quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Neste caso, o estudante ou o professor. Ninguém nasce ensinado, logo teria de estudar primeiro. Mas no início não acredito que o homem tenha partido para esta atividade assim de arranque.

Temos de nos colocar na pele desse primeiro homem para perceber.

Então, o homem aparece. Um homem, Adão, sozinho, sem saber o que fazer. Qual a sua primeira iniciativa? Obviamente, coça os tomates. Assim sendo, a primeira profissão do mundo foi claramente... funcionário público!

Entrevista recolhida a partir das opiniões expressas por Sócrates

01/06/2010

As regras para a "Copa" do Mundo

     REGRAS DOMICILIARES PARA A COPA DO MUNDO

     Queridas esposas, noivas, namoradas. E também parceiras, amantes,
     comcubinas, filhas, sobrinhas, primas, tias, madrinhas, amigas,
     colegas ou qualquer criatura do sexo feminino:

     Divulgamos aqui com 3 meses de antecedência as 13 regras para a Copa
     de 2010 para que vocês leiam com calma, entendam e não encham nossos
     sacos.


     1. Durante a Copa, a televisão é minha. 100% minha, o tempo todo. Sem
     exceção nem discussão. Estarei cagando e andando se for o último
     capítulo da novela das 8, onde Helena, a mocinha, comete suicídio
     introduzindo um ferro em brasa na boca. Se você dirigir o olhar ao
     controle remoto, uma vez sequer, você perderá... Perderá os olhos!


     2. De 11 de junho a 11 de julho de 2010, você deverá ler a seção de
     esportes do jornal de modo a se manter a par do que se passa com
     respeito à Copa do Mundo, o que lhe permitirá participar das
     conversas. Caso não proceda desta maneira, você será olhada com maus
     olhos, ou mesmo ignorada por completo. Neste caso, não reclame por
     não receber nenhuma atenção.


     3. Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me
     importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair. Se você
     decidir se exibir nua diante de mim à frente da TV, esteja certa de
     vestir-se imediatamente em seguida pois, se pegar um resfriado, não
     terei tempo de levá-la ao médico nem de lhe dar assistência durante o
     mês da Copa.


     4. Durante os jogos eu estarei cego, surdo e mudo, exceto nos casos
     em que eu solicite que me encha o copo de cerveja, ou peça a você a
     gentileza de me trazer algo para comer. Você estará fora de si se
     achar que irei ouví-la, abrir a porta, atender o telefone ou pegar
     nosso bebê que possa ter caído no chão... não vai acontecer.


     5. É uma boa idéia manter pelo menos 2 caixas de cerveja na geladeira
     o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e
     belisquetes. E por favor não faça cara feia para meus amigos quando
     eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você
     estará autorizada a transar comigo e assistir TV entre meia-noite e
     seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de
     algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.


     6. Por favor, por favor, por favor! Se me vir contrariado por algum
     time de meu interesse estar perdendo, NÃO DIGA coisas como "Ah, deixa
     isso pra lá, é só um jogo..." ou "Não se preocupe, eles vão ganhar da
     próxima vez..." Se disser coisas desse tipo, só me deixará com mais
     raiva e vou amá-la menos. Lembre-se, você jamais saberá mais sobre
     futebol do que eu e suas supostas "palavras de encorajamento" apenas
     nos levarão à separação ou ao divórcio.


     7. Você será bem-vinda a sentar-se comigo para assistir um jogo e
     poderá me dirigir a palavra no intervalo entre o primeiro e o segundo
     tempos, mas apenas durante os comerciais e (importante) APENAS se o
     placar do primeiro tempo tiver sido do meu agrado. Favor notar também
     que especifiquei UM jogo, ou seja, não use a Copa do Mundo como
     pretexto mimoso para aquela coisa de "passarmos tempo juntos".


     8. Os repetecos dos gols são muito importantes. Não importa se já vi
     o gol ou não, eu quero ver novamente. Muitas vezes.


     9. Não incomode a mim ou meus amigos perguntando sobre as regras do
     futebol. Olhe o jogo e finja que está entendendo. Pule e grite quando
     eu pular e gritar. Nunca, jamais pergunte como funciona a regra do
     IMPEDIMENTO.


     10. Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum
     neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de
     qualquer natureza que exijam minha presença, porque:
     a) Eu não vou;
     b) Eu não vou, e
     c) Eu não vou.


     11. No entanto, se um amigo meu nos convidar para ir à casa dele num
     domingo para assistir um jogo, iremos de imediato.


     12. As resenhas e debates esportivos da Copa toda noite na TV são tão
     importantes quanto os jogos propriamente ditos. Que nem lhe passe
     pela cabeça dizer coisas como "Mas você já viu isso tudo... porque
     não muda para um canal que todos possamos assistir?" Se disser algo
     assim, saiba desde já que a resposta será: "Veja a regra nº 1 dessa
     lista".


     13. E, finalizando, por favor poupe-me de expressões como "Graças a
     Deus que só tem Copa do Mundo de quatro em quatro anos". Estou imune
     a manifestações ridículas dessa natureza, pois após a Copa vêm a Liga
     dos Campeões, a Sub20, o campeonato italiano, o espanhol, o alemão, o
     brasileirão, o cariocão, o paulistão, o mineirão, mocambola etc.

     Grato por sua cooperação,

     Assinado:
     MARIDÃO                 




 

1 de Junho

- Dia Mundial da Criança;

- Dia Nacional de Mais Confiscação dos Contribuintes (IRS ²):

31/05/2010

Mundial de Futebol: os símbolos das selecções

Já está tudo preparado para o Campeonato Mundial de Futebol na África do Sul.

30/05/2010

Sistema Nacional de Saúde

Um casal de jovens chega ao consultório de um médico terapeuta sexual.

O médico pergunta-lhes:
- O que posso fazer por vocês?

O rapaz responde:
- Poderia ver-nos a fazer sexo?

O médico olha espantado, mas concorda. Quando terminam, o médico diz:
- Não há nada de mal na maneira como vocês fazem sexo. E cobra-lhes 70,00 euros pela consulta.

A cena repete-se por várias semanas. O casal marca um horário, faz sexo sem nenhum problema, paga ao médico e deixa o consultório. Ao cabo de algum tempo, o médico resolve perguntar-lhes:
- Afinal, o que estão a tentar descobrir?

E o rapaz responde:
- Nada. O problema é que ela é casada e não posso ir a casa dela. Eu também sou casado e ela não pode ir a minha casa. No Hotel Tivoli, um quarto custa 120,00 euros, no Holliday Inn custa 100,00 euros e aqui fazemos sexo por 70,00 euros, temos acompanhamento médico, é-nos passado um recibo, sou reembolsado em 42,00 euros pela Médis e ainda consigo uma restituição do IRS de 19,25 euros.

29/05/2010

Regabofe

Mau grado o voto de pobreza a que a Ordem Franciscana obriga, Frei Vítor Melícias, recebe uma modesta reforma de € 7450 que, certamente, vai direitinha para a Ordem Franciscana que, por sua vez, a distribui pelos mais necessitados.
...eheheheheh

O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de 104 301 euros. Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, disse Vítor Melícias, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos.


Vítor Melícias entregou a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional em 2 de Fevereiro de 2009, mais de um ano após a instituição presidida por Rui Moura Ramos ter clarificado a interpretação da lei que controla a riqueza dos titulares de cargos políticos. A 15 de Janeiro de 2008, o Tribunal Constitucional deixou claro que, ao abrigo da lei 25/95, 'de entre os membros que compõem o CES, se encontram vinculados ao referido dever [de entrega da declaração de rendimentos] aqueles que integrem o Conselho Coordenador e a Comissão Permanente de Concertação Social, bem como o secretário-geral'.

Com 74 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. 'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.

Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.

Mais um amigo do tipo que deixou o pântano.
Bem prega frei Me………!  

Monopólios tropicais

Considera-se que uma estrutura de mercado monopolista quando existe um único agente económico do lado da oferta e muitos do lado da procura. Considera-se um monopólio estatal quando o Estado é o proprietário da empresa. De uma forma não precisa, pode-se considerar um monopólio estatal quando o Estado possui uma participação na estrutura acionista que lhe permite influenciar as decisões da empresa. Quando a empresa monopolista é protegida por leis e mecanismos de direção económica está-se perante o que se designa por um monopólio legal.

Aprende-se nas escolas de economia que uma estrutura de mercado monopolista é imperfeita, o que significa que é contrária à concorrência, entrava a utilização eficiente dos recursos, não incentiva a inovação tecnológica e portanto não contribui para a competitividade empresarial e das economias. Geralmente os preços de monopólio são superiores aos que poderiam existir num mercado de concorrência prejudicando os consumidores e regra geral prestam um serviço de deficiente qualidade. Em monopólio, os lucros, além de serem geralmente superiores aos de uma situação de concorrência, ficam socialmente concentrados evitando-se o benefício de um maior número de cidadãos, o que cria obstáculos à inclusão social.

Após esta breve e simples apresentação livresca do que é e significa um mercado monopolista, passa-se à realidade moçambicana. Há vários monopólios estatais, a maioria já existente na economia colonial, reforçados na época “socialista” com objetivos diferentes e continuam após as reformas também com mudanças de papéis não apenas na política económica, na economia política e na reprodução do poder. Este texto apenas se refere ao período recente.

Não se pretende demonstrar que as empresas monopolistas em Moçambique, como em qualquer outra situação semelhante (e isto não é dogma do liberalismo económico), praticam preços altos e um deficiente serviço aos cidadãos. Isso é conhecido e existem dados concretos que o comprovam. Este artigo debruça-se sobre a indefinição (ou a definição confusa consciente) entre setor público da economia (neste caso as empresas monopolistas), governo e Estado e como estes aspectos se reflectem nos desempenhos empresariais e nas relações com os clientes. Não se refere aos monopólios estatais como instrumentos do poder, aos mecanismos ilícitos de transferência de recursos entre empresas e governo, entre outros aspectos.

Parte-se de três exemplos com naturezas diferentes.

Um, a empresa Caminhos-de-Ferro de Moçambique pratica tarifas subsidiadas no transporte de passageiros cujos custos são suportados pela própria empresa. Admite-se que os transportes públicos urbanos sejam subsidiados. Assim acontece em muitas economias e existe algum consenso nas sociedades. Os custos de transportes representam percentagens elevadas nos orçamentos das famílias principalmente das que possuem menores rendimentos e é um bem público essencial. Consequentemente, o subsídio facilita o acesso ao transporte e representa uma forma de redistribuição da riqueza nacional.

Para isso acontecer (subsídio suportado pela empresa), ou se agravam os prejuízos ou se reduzem os lucros. Em qualquer circunstância, diminui a capacidade empresarial para realizar investimentos, isto supondo que não existem investimentos públicos diretos. Se a empresa pratica preços abaixo dos custos médios, então este prejuízo terá de ser coberto com os lucros obtidos em outras actividades da empresa ou aumentando os preços de outros bens e serviços oferecidos pelos CFM, o que pode reduzir a capacidade competitiva da empresa e da economia. E a questão a este respeito é: Compete à empresa subsidiar os preços dos transportes públicos? Ou a empresa deve definir o preço que cubra os gastos (supondo níveis de eficiência aceitáveis), praticar o preço subsidiado ao utente e receber o subsídio do Estado? A questão dos impostos de todos os cidadãos subsidiarem (beneficiarem) uma parte da população não é aqui debatida.

Dois, na Beira, um cidadão que vá deixar uma pessoa ao aeroporto, sem estacionar, à saída para a cidade, passa por uma cancela onde é obrigado a parar e a pagar uma “portagem”. A via que passa pelo aeroporto é pública, é mais uma das ruas da cidade e nenhuma razão parece existir para qualquer pagamento. É o único local em Moçambique e do pouco que conheço deste mundo, que tal acontece. Qual a justificação desta medida? O que fazem as autoridades? E os cidadãos porque não se rebelam, com excepção de alguns que simplesmente não param e também nada lhes acontece? Neste caso não estamos perante um abuso de autoridade e de poder em relação ao qual ninguém se manifesta? É compadrio, aceitação tácita (para quê?) ou simplesmente incúria? Ou de tudo á mistura e de mais algo?

Três, um voo Maputo-Beira da LAM (escuso-me de referir a data e hora) foi adiado cerca de 12 horas. Os passageiros conheceram do adiamento no aeroporto, no check in, por volta das sete da manhã. Nenhuma justificação foi dada. Voltou-se ao aeroporto para o embarque na nova hora informada e o voo atrasou mais cerca de uma hora. De novo sem qualquer informação aos clientes. Um passageiro pediu o livro de reclamações nos balcões da empresa. Não havia. Em pleno voo, o comandante, muito gentilmente, pediu desculpas aos passageiros e agradeceu a preferência dada à LAM. Mas qual preferência? Como preferência se não há alternativa?

O que podem demonstrar estes três exemplos?

O caso dos CFM não revela uma mescla entre funções do Estado e das empresas públicas? O Estado não está instrumentalizando uma empresa desresponsabilizando-se das suas funções sociais, retirando competitividade à empresa e distorcendo o mercado?

Retirando a hipótese do caso do aeroporto da Beira refletir incompetência ou incúria, não será um caso de abuso do poder, autoritarismo e negligência? Ou é mesmo confusão?

O caso do voo da LAM, revela um nítido desrespeito pelos clientes e não cumprimento de boas práticas.

É legitimo admitir que grande parte dos trabalhadores das empresas procurem fazer o melhor. Deve-se acreditar que os dirigentes dão o melhor para elevar o desempenho das organizações. O que está em causa é como as empresas são politizadas, como os tiques do autoritarismo se reflectem na relação com os clientes, como o governo intervém (ou não), como se perde competitividade.

Em muitos países existem políticas anti-monopolistas e órgãos reguladores dos monopólios. E em Moçambique? Ou será que não há, porque as indefinições facilitam promiscuidades? Ou é a chamada política de navegação em águas turvas e, por vezes, em turvas e em águas profundas.

João Mosca
in «Savana», 24.05.2010

28/05/2010

Os Socrasíadas

Os votos e os ladrões assinalados
Que do nordeste agreste transmontano
Por artifícios nunca d'antes perpetrados
Passaram inda além das trafulhices,
Sem perigos e guerras esforçados
De quem vive a política na gandaia
E da gente humilde fanaram
A massa com que tanto enriqueceram;
E também as memórias ingloriosas
Daqueles sem vergonha que se foram apossando
Com engodo e fraude do poder alternativo
Que do norte ao sul andaram mentindo,
E aqueles que por obras viciosas
Se vão da lei sempre se cagando,
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cassem do vernáculo e da gramática
Os erros nos discursos que fizeram;
Cale-se de Machado e de Queirós
Os textos sublimes que escreveram;
Que eu canto o peito ilustre Socritano,
A quem ministros e secretários obedeceram.
Cesse tudo o que o PS antigo canta,
Que outro PS apequenado se alevanta.

Deste ócio parlamentar sem mais temores,
Alcança os que são de fama amigos
Milhares de "boys" e graus maiores;
Encostando-se sempre nos amigos
Companheiros de rambóia e assessores;
Foram anos dourados, entre os finos
Lençóis de fio egípcio, puros linhos;

Se esta gente que busca Ministério.
Cuja valia e obras tanto acusaste,
Não queres que padeçam vitupério,
Como há já tanto tempo que ordenaste,
E ouças mais, pois não és juiz de direito,
Dar razões a quem sucede que é suspeito.

Passando ao largo o vento acalma
Mas não duraria muito a calmaria
Eis que um falso amigo denuncia
Que um certo Freeport e seus adelos
Trazem malas cheias de al$gria
Mês a mês, com acertada pontaria,
Pontualidade de antemão agradecida
Pelos súbditos que dançavam a quadrilha.

Entre gentes tão fiéis e tão medrosas,
Mostra quanto pode; e com razão,
É tão fácil entre ovelhas ser leão.
Sabe bem o que o um certo Vara arquictetou,
E de tudo o que viu com olho atento,
Negou e negando assim ficou,
Até mesmo quando outro companheiro
Numa REN foi apanhado com dinheiro.
São uns malandros, explicou.
Mas, com risonho e ledo fingimento,
Tratá-los duramente determina,
Pois assim engana o povo, imagina.

Mas não lhe sucedeu como cuidava.
Eis que aparecem logo em companhia
Uns comparsas que frequentavam aquela
assembleia, que de bordel em nada parecia.

Corrupto já lhe chamam os inimigos,
Danoso e mau ao fraco corpo humano
E, além disso, nenhum contentamento,
Que sequer da esperança fosse engano.

Mas vê-se bem, num e noutro bando,
Partido desigual e dissonante
São muitos contra muitos; quando a gente
Começa a alvoroçar-se totalmente
«Viram todos o rosto aonde havia
a causa principal do reboliço:
entra em cena um caseiro, que trazia
o testemunho sincero do serviço
que as damas ali prestavam
para tão selecta companhia,
e onde fortunas repartiam..
Não perguntava, mas sabia
As alegres badaladas que ali via.

É um suceder de ventos malcheirosos.
Denuncia a imprensa dos maldosos
que o divino comandava um corpore activo
não explicando à roda solta a gastança
com uns cartões em prol da segurança
da coroa e do cetro SO-lalante..
São rubis, esmeraldas, diamantes,
em luzentes assentos bem cuidados,
estofados à conta do erário.
Outros serviçais todos assentados
na Nação e no Simplex concertavam
desculpas para os fulanos que acusavam
fazendo coro com os sociais democratas que gritavam.
(Precedem os antigos, mais honrados,
Mais abaixo os menores se assentavam);
Quando o divino alto, assim dizendo,
com tom de voz começa grave e horrendo:
- «Eternos moradores do luzente,
Estelífero Pólo e claro Assento:
sou o grande valor pros crédulos e inocentes,
de mim não perdeis o pensamento,
deveis de ter sabido claramente
como é dos fatos grandes certo intento
que por ela se esqueçam os humanos
Varas, Felgueiras, Gregos e Romanos"

Mas em particular o esperto mui sabia,
que mentir o faz mais elegante,
Vereis como sorria e escarnecia,
Quando das artes bélicas, diante
Dele, com larga voz tratava e mentia.
Para a disciplina militar ali prestante:
"-não se aprende, senhores, na fantasia,
sonhando, imaginando ou estudando,
senão vendo, cochichando e armando"..
Mas eis que fala falso, mas alto e rude,
da boca dos pequenos sabia, contudo,
que o louvor sai às vezes acabado.
"Tem-me falta na vida honesto estudo,
com longa malandragem misturado,
E engenho, que aqui vereis presente,
cousas que juntas se acham raramente".

"Para servir-vos, braço às armas feito,
Para cantar-vos, minto às Musas dada;
Só me falece ser a vós aceito,
De quem virtude deve ser prezada".

"Se isto o Céu concede, e o vosso peito
Oh dígna empresa, dígno empreiteiro,
com a ladroagem mente e vaticina
olhando a sua substituta assaz divina,
as más, as ladras, as serpentuosas Medusas,
agora a seu lado, na falsidade inclusa":
"faça vista grossa para temas nauseantes".
"Falaram-lhe até que uma tal de Hipotenuza
e sua amiga uma tal de Geometria
acusam-no de comportamento ultrajante"!

"Não as conheço, nunca ouvi falar,
como saber e conhecer não é meu forte,
dos amigos acuados não me afasto, me aproximo,
somos vinhos da mesma pipa, e subestimo,
aqueles que intentam me acusar.
O tempo passa, tudo há de se abafar!"

"Com a minha estimada e leda Musa
que me inspira o engodo e a farra plena,
apanágio do malandro e do farsante,
passeio pelo país com o Magalhães,
dando "rebuçados", passando adiante,
da fome e da miséria com a minha errante
metamorfose ambulante

27/05/2010

Crido Deário

CRIDO DEÁRIO!

29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pa baixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd  gente se balda...

29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disseme q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprender-mos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceramme de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaramsse. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.

Doutor Joca

26/05/2010

Torre Bela

O "paraíso socialista" abateu-se sobre a "Herdade da Torre Bela", em Manique do Intendente - arredores de Lisboa, a 23 de Abril de 1975.

É este confuso modelo de sociedade que é proposto pelo Partido Comunista Português e pelo Bloco de Esquerda.

O realizador e militante alemão Thomas Harlan que, em 1975, resolveu filmar a "revolução portuguesa" e registou momentos irreais.

Em síntese (Wikipedia), Torre Bela, velha propriedade do duque de Lafões, uma herdade do Ribatejo com dois mil hectares, a maior herdade murada de Portugal, é ocupada por trabalhadores agrícolas sem trabalho nem terra, que, num dos momentos quentes do PREC, decidem organizar-se em cooperativa.

Com o apoio de revolucionários idealistas, de um líder carismático de perfil duvidoso e de «soldados do povo», querem fazer ouvir a sua voz e as suas razões. Todos vêm nessa ilegítima apropriação um legítimo modo de reabilitação social, que inclui a recuperação de trabalhadores alcoolizados. Agem de boa-fé e sentem estar a contribuir com a sua experiência para o processo revolucionário em curso.

Em causa estão terras incultas desde 1961, que os ocupantes, residentes das povoações de Manique do Intendente, de Maçussa (Azambuja) e da Lapa (Cartaxo), pretendem explorar para produzir géneros de primeira necessidade. O processo é seguido passo a passo num filme que passo a passo se inventa, procurando decifrar o significado profundo de um gesto que excede o social, as questões de classe, e que outros personagens descobre, além daqueles que à partida tem em foco : «a base». os generosos soldados da «Polícia Militar, no âmbito das conquistas salvaguardadas pelo Movimento das Forças Armadas (MFA)» (Cit.: José de Matos-Cruz em O Cais do Olhar, ed. da Cinemateca Portuguesa, 1999).

 

25/05/2010

Dia da Unidade Africana

Comemoremos o 25 de Maio, dia da Unidade Africana.