Com a ajuda divina (Jesus como treinador), o Sport Lisboa e Benfica ganhou o campeonato de futebol de Portugal, na época 2009-2010.
Um estremecimento de entusiasmo cobre as cidades e aldeias lusitanas, os núcleos de emigrantes na Europa, na América e os milhões de simpatizantes em África.
08/05/2010
Aprender grego
Ponto de Vista
A Grécia está aturdida.
A Europa agita-se: "Uma crise num pequeno país pode provocar uma tempestade global." Enervam-se a Ásia e Wall Street.
Uma semana depois da "salvação da Grécia", os países do euro enfrentam as suas "crises gregas", encavalitadas no endividamento resultante da crise financeira. Disparam os alarmes.
As "crises gregas" vão alterar as agendas políticas e as regras da zona euro. Estão em jogo não apenas a economia mas a arquitectura política do continente.
Na linha de fogo não estão apenas Portugal e Espanha.
A Itália teme vivamente o contágio. A agência Reuters Breakingviews lança um "alerta vermelho" sobre as finanças públicas britânicas. A França congela as despesas do Estado: "Estamos encostados à parede." Merkel fala num "combate entre políticos e mercados".
A mudança de clima nos mercados dos "títulos soberanos" gera perdas no sistema bancário de toda a UE, o que se traduz em dinheiro mais caro, anula a melhoria das contas públicas e torna mais difícil o relançamento económico. A Comissão Europeia prevê um crescimento mínimo em 2010-11, frisando que o relançamento é ameaçado pelos défices públicos.
O Parlamento grego aprovou o plano de austeridade do primeiro-ministro Giorgios Papandreou, ditado pela UE e pelo FMI. O clima é de depressão moral. Estas conjunturas não são "revolucionárias". Se podem levar a motins, produzem sobretudo fatalismo. "Os gregos já não sabem em quem acreditar", diz um analista. "Suspeitam de que não há alternativa ao plano governamental."
A violência na manifestação de quarta-feira em Atenas revelou impotência. O protesto mobilizou entre 20 mil e 50 mil pessoas, numa cidade de mais de quatro milhões.
O presidente da confederação sindical do sector privado (CSEE), Yiannis Panagopoulos, fez uma confissão de desespero e derrota. "Estamos a tentar recuperar do choque. (...) Os trabalhadores estão gelados, não confiam em ninguém, seguem as suas opções pessoais; a ruptura entre os do sector público e os do privado é completa e a violência cega atrai algumas pessoas."
Os funcionários servem de bode expiatório e os trabalhadores do privado não se condoem com a sua "punição". Os comerciantes juntaram-se à greve, sabendo que muitos vão fechar a porta.
O tipo de sindicalismo grego, puramente reivindicativo, obtém resultados nas fases de expansão, mas torna-se impotente quando a crise estala. Mais grave é que funcionou como dissuasor de quaisquer reformas estruturais, contribuindo para a explosão, que no fim recai sobre o mundo do trabalho. Na generalidade, o sindicalismo português não é muito diferente.
Papandreou pouco tem a temer da oposição, já que o anterior Governo da Nova Democracia é visto como o "culpado" da crise. A ameaça é outra. "Em Atenas, sopra um vento de antipolítica", escreve, da capital grega, o jornalista italiano Vittorio da Rold.
A antipolítica tem um intérprete, Andreas Vganopoulos, grande empresário e presidente do Panathinaikos, o clube de futebol de Atenas. Não é um Berlusconi grego. É um "justiceiro". Pede contas aos políticos, exige-lhes as declarações de rendimentos, à entrada e à saída dos cargos. "Para onde foram os dinheiros da UE?" É um ataque às dinastias políticas: os Caramanlis, os Papandreou, os Mitsotakis e as suas clientelas.
Numa entrevista à televisão, Vganopoulos explicou em linguagem comum como se podia ter evitado a crise financeira. Disse que "as pessoas querem caras novas na política" e que o sistema está a chegar ao fim. A sua popularidade é alta.
A maior inquietação é a ressaca económica. A Grécia não tinha escolha perante o draconiano plano da UE e do FMI porque, em caso de cessação de pagamentos, o sistema bancário desmoronar-se-ia, explicou Martin Wolf no Financial Times. "Mas entrará provavelmente em prolongada recessão."
A prazo, corre o risco de não gerar fundos para pagar o serviço da dívida, apesar das novas linhas de crédito. O plano de austeridade parece eficaz para reduzir o défice, mas o controlo da dívida é uma imensa incógnita. As altas taxas de juro são um peso insuportável para um país com a perspectiva de crescimento negativo, augurando uma contracção e não a expansão da economia.
Muitos consideram inevitável a reestruturação da dívida. Mas isto afetaria os bancos europeus, designadamente franceses e alemães, titulares de 70 por cento da dívida grega. O plano evitou a ruptura. Mas a "missão" do FMI é salvar o euro, não a Grécia.
A crise grega, dizem analistas da Reuters Breakingviews, revelou as debilidades da zona euro e será a oportunidade de a salvar, começando por obrigar os países da Europa do Sul a enfrentar as suas fraquezas estruturais, condição para a disciplina financeira.
Merkel atrasou a ajuda à Grécia, agravando a factura e abrindo uma crise no euro. Foi um cálculo frio, dizem os mesmos analistas. "Para que uma crise tenha efeito salutar, é preciso submeter o doente ao máximo de dor que possa suportar. Merkel aplicou a receita à letra. (...) Portugal e Espanha apanharam um susto." É bom saber com o que se conta.
A crise portuguesa é distinta da espanhola, mas com um ponto de partida mais grave. Se um país não faz a sua própria terapia, condena-se à "intervenção cirúrgica". As regras do jogo estão a mudar desde 2008. Os "mercados" não têm sentimentos mas só ferem quem se coloca nas suas mãos. No fim, serão os nossos parceiros "centrais" da eurozona a impor o diktat.
É interessante observar que, em Portugal, a questão das grandes obras públicas - nuns casos manifestos "elefantes brancos", noutros corretas apostas estratégicas - foi transformada num simulacro de debate ideológico sobre o investimento público e a intervenção do Estado, o que é uma denegação da realidade: esconder o horror do desastre e liquidar o que resta de soberania nacional. Irresponsabilidade política: Après moi, le déluge.
Ao contrário dos "ricos", o problema de Portugal não deriva da crise financeira mas de continuar a "divergir" da média da União, o que frustra os cidadãos e cria um círculo vicioso. A fuga para o endividamento exponencial, em lugar de promover expansão, estrangula a procura e a capacidade de investimento, público e privado.
Que aconselharia um marciano acabado de aterrar em Lisboa? Convidaria os portugueses a aprender grego - se não querem "ser Grécia".
Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 08.05.2010
NR: a cambada socretina assinou mais um cheque careca para endividamento de Portugal com a estúpida e inoportuna adjudicação do TGV). Portugal vai pagar cara esta bebedeira.
(imagem de «The Miami Herald»)
A Grécia está aturdida.
A Europa agita-se: "Uma crise num pequeno país pode provocar uma tempestade global." Enervam-se a Ásia e Wall Street.
Uma semana depois da "salvação da Grécia", os países do euro enfrentam as suas "crises gregas", encavalitadas no endividamento resultante da crise financeira. Disparam os alarmes.
As "crises gregas" vão alterar as agendas políticas e as regras da zona euro. Estão em jogo não apenas a economia mas a arquitectura política do continente.
Na linha de fogo não estão apenas Portugal e Espanha.
A Itália teme vivamente o contágio. A agência Reuters Breakingviews lança um "alerta vermelho" sobre as finanças públicas britânicas. A França congela as despesas do Estado: "Estamos encostados à parede." Merkel fala num "combate entre políticos e mercados".
A mudança de clima nos mercados dos "títulos soberanos" gera perdas no sistema bancário de toda a UE, o que se traduz em dinheiro mais caro, anula a melhoria das contas públicas e torna mais difícil o relançamento económico. A Comissão Europeia prevê um crescimento mínimo em 2010-11, frisando que o relançamento é ameaçado pelos défices públicos.
O Parlamento grego aprovou o plano de austeridade do primeiro-ministro Giorgios Papandreou, ditado pela UE e pelo FMI. O clima é de depressão moral. Estas conjunturas não são "revolucionárias". Se podem levar a motins, produzem sobretudo fatalismo. "Os gregos já não sabem em quem acreditar", diz um analista. "Suspeitam de que não há alternativa ao plano governamental."
A violência na manifestação de quarta-feira em Atenas revelou impotência. O protesto mobilizou entre 20 mil e 50 mil pessoas, numa cidade de mais de quatro milhões.
O presidente da confederação sindical do sector privado (CSEE), Yiannis Panagopoulos, fez uma confissão de desespero e derrota. "Estamos a tentar recuperar do choque. (...) Os trabalhadores estão gelados, não confiam em ninguém, seguem as suas opções pessoais; a ruptura entre os do sector público e os do privado é completa e a violência cega atrai algumas pessoas."
Os funcionários servem de bode expiatório e os trabalhadores do privado não se condoem com a sua "punição". Os comerciantes juntaram-se à greve, sabendo que muitos vão fechar a porta.
O tipo de sindicalismo grego, puramente reivindicativo, obtém resultados nas fases de expansão, mas torna-se impotente quando a crise estala. Mais grave é que funcionou como dissuasor de quaisquer reformas estruturais, contribuindo para a explosão, que no fim recai sobre o mundo do trabalho. Na generalidade, o sindicalismo português não é muito diferente.
Papandreou pouco tem a temer da oposição, já que o anterior Governo da Nova Democracia é visto como o "culpado" da crise. A ameaça é outra. "Em Atenas, sopra um vento de antipolítica", escreve, da capital grega, o jornalista italiano Vittorio da Rold.
A antipolítica tem um intérprete, Andreas Vganopoulos, grande empresário e presidente do Panathinaikos, o clube de futebol de Atenas. Não é um Berlusconi grego. É um "justiceiro". Pede contas aos políticos, exige-lhes as declarações de rendimentos, à entrada e à saída dos cargos. "Para onde foram os dinheiros da UE?" É um ataque às dinastias políticas: os Caramanlis, os Papandreou, os Mitsotakis e as suas clientelas.
Numa entrevista à televisão, Vganopoulos explicou em linguagem comum como se podia ter evitado a crise financeira. Disse que "as pessoas querem caras novas na política" e que o sistema está a chegar ao fim. A sua popularidade é alta.
A maior inquietação é a ressaca económica. A Grécia não tinha escolha perante o draconiano plano da UE e do FMI porque, em caso de cessação de pagamentos, o sistema bancário desmoronar-se-ia, explicou Martin Wolf no Financial Times. "Mas entrará provavelmente em prolongada recessão."
A prazo, corre o risco de não gerar fundos para pagar o serviço da dívida, apesar das novas linhas de crédito. O plano de austeridade parece eficaz para reduzir o défice, mas o controlo da dívida é uma imensa incógnita. As altas taxas de juro são um peso insuportável para um país com a perspectiva de crescimento negativo, augurando uma contracção e não a expansão da economia.
Muitos consideram inevitável a reestruturação da dívida. Mas isto afetaria os bancos europeus, designadamente franceses e alemães, titulares de 70 por cento da dívida grega. O plano evitou a ruptura. Mas a "missão" do FMI é salvar o euro, não a Grécia.
A crise grega, dizem analistas da Reuters Breakingviews, revelou as debilidades da zona euro e será a oportunidade de a salvar, começando por obrigar os países da Europa do Sul a enfrentar as suas fraquezas estruturais, condição para a disciplina financeira.
Merkel atrasou a ajuda à Grécia, agravando a factura e abrindo uma crise no euro. Foi um cálculo frio, dizem os mesmos analistas. "Para que uma crise tenha efeito salutar, é preciso submeter o doente ao máximo de dor que possa suportar. Merkel aplicou a receita à letra. (...) Portugal e Espanha apanharam um susto." É bom saber com o que se conta.
A crise portuguesa é distinta da espanhola, mas com um ponto de partida mais grave. Se um país não faz a sua própria terapia, condena-se à "intervenção cirúrgica". As regras do jogo estão a mudar desde 2008. Os "mercados" não têm sentimentos mas só ferem quem se coloca nas suas mãos. No fim, serão os nossos parceiros "centrais" da eurozona a impor o diktat.
É interessante observar que, em Portugal, a questão das grandes obras públicas - nuns casos manifestos "elefantes brancos", noutros corretas apostas estratégicas - foi transformada num simulacro de debate ideológico sobre o investimento público e a intervenção do Estado, o que é uma denegação da realidade: esconder o horror do desastre e liquidar o que resta de soberania nacional. Irresponsabilidade política: Après moi, le déluge.
Ao contrário dos "ricos", o problema de Portugal não deriva da crise financeira mas de continuar a "divergir" da média da União, o que frustra os cidadãos e cria um círculo vicioso. A fuga para o endividamento exponencial, em lugar de promover expansão, estrangula a procura e a capacidade de investimento, público e privado.
Que aconselharia um marciano acabado de aterrar em Lisboa? Convidaria os portugueses a aprender grego - se não querem "ser Grécia".
Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 08.05.2010
NR: a cambada socretina assinou mais um cheque careca para endividamento de Portugal com a estúpida e inoportuna adjudicação do TGV). Portugal vai pagar cara esta bebedeira.
(imagem de «The Miami Herald»)
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Economia,
Negociatas,
Opinião
Cliente seguinte, por favor...
A Grécia vive tempos de grande sofrimento.
Poucos meses atrás, confrontados com qualquer sacrifício, por menor que fosse, os gregos teriam recusado: teriam invocado direitos adquiridos, promessas eleitorais e coisas do género.
Hoje, preparam-se para perder dois dos catorze meses de salário anual; congelaram os salários da função pública e as pensões de toda a gente até 2012; aumentaram a idade de reforma de 53 para 65 anos; vão subir o IVA para 23%; vão extinguir 800 entidades públicas e privatizar várias empresas públicas.
De forma menos planeada, o caos em que caiu a situação financeira do país, com as taxas de juro a subirem e com o crédito cortado, farão fechar muitas empresas, destruirão muitos postos de trabalho, obrigarão à falência de bancos e reduzirão a pó muitos depósitos bancários, porão muita gente na miséria. A Bolsa de Valores de Atenas não pára de descer. Podem protestar o que quiserem na certeza de que, quanto mais protestarem, pior.
O inacreditável é que tudo isto poderia ter sido evitado, com um pouco de responsabilidade e de bom senso. Tem responsáveis, sim, aos olhos de toda a gente, por mais que a auto-estima os reconforte.
E não venham dizer que a culpa é dos credores, das agências de rating ou da senhora Merkel. Para males destes, não pode haver perdão.
Daniel Bessa
in «Expresso», 08.05.2010
(imagem «The Economist»)
Poucos meses atrás, confrontados com qualquer sacrifício, por menor que fosse, os gregos teriam recusado: teriam invocado direitos adquiridos, promessas eleitorais e coisas do género.
Hoje, preparam-se para perder dois dos catorze meses de salário anual; congelaram os salários da função pública e as pensões de toda a gente até 2012; aumentaram a idade de reforma de 53 para 65 anos; vão subir o IVA para 23%; vão extinguir 800 entidades públicas e privatizar várias empresas públicas.
De forma menos planeada, o caos em que caiu a situação financeira do país, com as taxas de juro a subirem e com o crédito cortado, farão fechar muitas empresas, destruirão muitos postos de trabalho, obrigarão à falência de bancos e reduzirão a pó muitos depósitos bancários, porão muita gente na miséria. A Bolsa de Valores de Atenas não pára de descer. Podem protestar o que quiserem na certeza de que, quanto mais protestarem, pior.
O inacreditável é que tudo isto poderia ter sido evitado, com um pouco de responsabilidade e de bom senso. Tem responsáveis, sim, aos olhos de toda a gente, por mais que a auto-estima os reconforte.
E não venham dizer que a culpa é dos credores, das agências de rating ou da senhora Merkel. Para males destes, não pode haver perdão.
Daniel Bessa
in «Expresso», 08.05.2010
(imagem «The Economist»)
Opinião ocidental
A escritora Isabel Allende faz aqui, uma destemida intervenção política:
(selecionar "subtitles" para a língua para legendas)
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Opinião
07/05/2010
06/05/2010
Fascistas vermelhos
I. É sempre assim: quando grupos de fascistas vermelhos provocaram violência urbana, os media portugueses usam eufemismos para mascarar a realidade. Agora, na Grécia, os grupos de anarquistas e comunistas que andam a destruir Atenas são descritos como "manifestantes anti-crise". Mas o que é isso? O que é um "manifestante anti-crise"?
II. Ontem, grupos de anarquistas incendiaram um banco, e acabaram por assassinar três pessoas. Aquelas pessoas não morreram num acidente qualquer. Aquelas três pessoas morreram porque grupos radicais incendiaram o seu local de trabalho. É bom que se perceba isto: a extrema-esquerda é tão perigosa como a extrema-direita. O fascismo também se veste de vermelho. Anarquistas e comunistas também usam a violência como ferramenta política. Esta gente não pode ser desculpabilizada, esta gente não pode ser suavizada com eufemismos.
Henrique Raposo
in «Expresso», 06.05.2010
II. Ontem, grupos de anarquistas incendiaram um banco, e acabaram por assassinar três pessoas. Aquelas pessoas não morreram num acidente qualquer. Aquelas três pessoas morreram porque grupos radicais incendiaram o seu local de trabalho. É bom que se perceba isto: a extrema-esquerda é tão perigosa como a extrema-direita. O fascismo também se veste de vermelho. Anarquistas e comunistas também usam a violência como ferramenta política. Esta gente não pode ser desculpabilizada, esta gente não pode ser suavizada com eufemismos.
Henrique Raposo
in «Expresso», 06.05.2010
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Comunismo,
Fundamentalismo
Disse "deputado" ou de-puta-do?
Por quanto mais tempo o Parlamento português aloja exemplares com tão vasto curriculum?
O mínimo que se poderia esperar era a demissão depois de mais uma história:
O deputado do PS estava a dar uma entrevista à revista «Sábado» e o jornalista questionou-o acerca da sua ligação, como advogado, a um caso de burla e falsificação de documentos, nos Açores, bem como a questões relacionadas com a sua demissão, em 2003, do Governo Regional dos Açores.
À data, Rodrigues era secretário regional. Devido a rumores que vieram a público que o ligavam a um escândalo de pedofilia, o atual deputado demitiu-se.
Na sequência das perguntas «incómodas», o deputado levantou-se e retirou, discretamente o gravador dos jornalistas e saiu da sala.
A revista Sábado apresentou queixa no DIAP de Lisboa, por furto e atentado contra a liberdade de imprensa e de informação.
Era esperar muito...
O mínimo que se poderia esperar era a demissão depois de mais uma história:
O deputado do PS estava a dar uma entrevista à revista «Sábado» e o jornalista questionou-o acerca da sua ligação, como advogado, a um caso de burla e falsificação de documentos, nos Açores, bem como a questões relacionadas com a sua demissão, em 2003, do Governo Regional dos Açores.
À data, Rodrigues era secretário regional. Devido a rumores que vieram a público que o ligavam a um escândalo de pedofilia, o atual deputado demitiu-se.
Na sequência das perguntas «incómodas», o deputado levantou-se e retirou, discretamente o gravador dos jornalistas e saiu da sala.
A revista Sábado apresentou queixa no DIAP de Lisboa, por furto e atentado contra a liberdade de imprensa e de informação.
Era esperar muito...
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Opinião
Pontes e companhia
O projeto socratina para a terceira Ponte sobre o Tejo, em Lisboa, e a que conta dar o nome de "Mário Soares":
(projeto da Simons & Piña)
(projeto da Simons & Piña)
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Negociatas
05/05/2010
04/05/2010
Luta greco-lusitana
A crise grega é explicada, na edição de 29 de Abril, pelo «Economist» e em "quadradinhos".
E, Portugal, a despeito do estado de negação socretina, continua a afundar-se a ser encarado como a próxima bancarrota.
E, Portugal, a despeito do estado de negação socretina, continua a afundar-se a ser encarado como a próxima bancarrota.
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Economia
Plano \nclinado
Contra o "eduquês", a praga que contaminou a Educação e que afunda Portugal no pântano de ignorância e da incompetência.
Uma desmontagem indispensável.
Mário Eyjafjallajökull Soares
Agora, a nuvem de cinza trouxe-nos um desses profetas de volta.
Mário Soares é o mesmo venerando ancião a pregar a mesma catilinária. Só não é escanzelado. Mas a forma ameaçadora com que nos avisa que a erupção do vulcão se deve à nossa má vida ambiental assusta. Eu, que ontem deitei por engano uma embalagem de plástico no caixote de lixo para cartão, não consegui segurar duas ou três pinguinhas de urina devido ao medo.
Será que Mário Soares acha que a nuvem de pó foi causada por todas as empregadas domésticas do mundo terem resolvido sacudir tapetes na rua ao mesmo tempo? Mais do que ecologista histérico e convicto, é preciso ser-se muito narcisista para achar que se pode ter causado uma erupção vulcânica. É possível que, aquando do furacão Katrina, Mário Soares tenha ficado a pensar que não devia ter aberto a janela e a porta cozinha ao mesmo tempo, que aquela corrente de ar é que lixou tudo em Nova Orleães.
A Mário Soares não basta ser pai da democracia portuguesa, também quer perfilhar um fenómeno geológico. Agora percebo melhor o ateísmo de Mário Soares. É natural que ele não acredite em Deus, uma vez que acha que os verdadeiros deuses omnipotentes são os homens.
José Diogo Quintela
in «Pública», 02.05.2010
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Opinião
Soares para Primeiro-Ministro... já
O homem (Mário Soares) que nunca percebeu de Matemática, de Economia e de outras ciências exatas, vem aqui explicar porque decidiu retirar o décimo terceiro mês quando foi primeiro-ministro (1983).
E esclarece que, foi graças a isso que se deu o posterior boom económico português.
Na vida real, uma praga... nunca vem só.
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Economia,
Socialismo
03/05/2010
Documentário fantástico sobre Portugal
Há um documentário incrível, feito pela televisão espanhola (TVE), sobre Portugal. Tem imagens fantásticas, esplendorosas, magníficas.
Deixam-nos plenos de orgulho por um país tão bonito.
O documentário tem 56 minutos e começa no Algarve. Segue para o Norte, Alentejo, Centro e Lisboa (os minutos por localidades estão mais em baixo).
Nunca se viu um trabalho tão fenomenal na televisão portuguesa.
Ponte Lima 9,00 / Douro 13 / Porto 15 / Alentejo 22 / Évora 22,41 / Marvão 25,57 / Castelo de Vide 26,55 / Costa Alentejana 28 / Alcácer do Sal 29 / Aveiro 30 / Viseu 33 / Museu Grão Vasco 34 / Coimbra 35,50 / Termas de Monfortinho 40,47 / Monsanto 41,57 / Penha Garcia 42,45 / Batalha 44,26 / Sintra 46 / Torre de Belém 48,16 / Pastéis de Belém 53,15 / Bairro Alto 53,58 / Cabo da Roca 56, 07
in «TVE»
Deixam-nos plenos de orgulho por um país tão bonito.
O documentário tem 56 minutos e começa no Algarve. Segue para o Norte, Alentejo, Centro e Lisboa (os minutos por localidades estão mais em baixo).
Nunca se viu um trabalho tão fenomenal na televisão portuguesa.
Ponte Lima 9,00 / Douro 13 / Porto 15 / Alentejo 22 / Évora 22,41 / Marvão 25,57 / Castelo de Vide 26,55 / Costa Alentejana 28 / Alcácer do Sal 29 / Aveiro 30 / Viseu 33 / Museu Grão Vasco 34 / Coimbra 35,50 / Termas de Monfortinho 40,47 / Monsanto 41,57 / Penha Garcia 42,45 / Batalha 44,26 / Sintra 46 / Torre de Belém 48,16 / Pastéis de Belém 53,15 / Bairro Alto 53,58 / Cabo da Roca 56, 07
in «TVE»
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Turismo
As três gerações
O objectivo das três gerações
Está lançado um aceso e fervoroso debate, na imprensa, em torno do slogan “Três Gerações, Um Povo, Uma Só Nação”. Incompreensivelmente, este slogan que vai orientar a celebração dos 35 anos da maior e mais importante conquista do Povo moçambicano, a Independência Nacional, defende que os moçambicanos devem estar segmentados em “gerações”.
Na essência, esta ideia não passa de uma empreitada política, aliás de uma politiquice elaborada – e muito mal elaborada, se diga – por um punhado de gente favorecida e que se acomoda no status quo!
Esta ideia é mais um instrumento forjado para tentar distrair os poucos moçambicanos atentos, que reivindicam igualdade de direitos neste Moçambique que, a passos largos, caminha para um triste cenário de segmentação social, semelhante ao sistema de castas da sociedade Hindu.
Já li e escutei muitos discursos dos defensores desta segmentação do Povo moçambicano em castas, a partir do próprio presidente da República, Armando Guebuza, até ao mais bajulador jovem da OJM, que cegamente apoia as políticas obscenas de exclusão social hoje implantadas no país, em troca de um promessa de emprego num ministério, ou de uma entrada direta para a universidade pública – sem necessitar de passar no exame de admissão.
Nenhum dos discursos dos apologistas das tais “gerações” me consegue convencer da necessidade de os moçambicanos estarem segmentados em “gerações” para se tornarem “num Povo, numa Nação”.
Sobre a geração “25 de Setembro”, diz-se que esta merece ser a “casta” dos governantes e empresários, porque libertou o País. É preciso clarificar este conceito de “libertar o Povo”, e é imperioso que se diga como foi esta libertação.
De facto, eles lutaram pela Independência Nacional. Mas é preciso analisar a própria conjuntura do sistema internacional do momento, que facilitou, senão possibilitou, essa luta.
Será mera coincidência que a maioria das independências em África tenha tido lugar num espaço de duas décadas – entre 1960 e 1980? É bom que se diga também, que todas as ex-colónias portuguesas em África, com excepção da Guiné-Bissau, tenham alcançado as suas independências no mesmo ano: 1975. Linda coincidência!
Não estou a duvidar do papel dos antigos combatentes para o alcance da independência nacional, estou apenas a fazer um exercício de “advogado do diabo” para a autenticidade da canonização dos tais da “geração 25 de Setembro”.
É bom que se saiba que houve factores endógenos que favoreceram, senão determinaram, as independências nacionais, nomeadamente a nossa. Portanto, no momento da canonização é importante que isto se diga, principalmente, quando os libertadores tendem a se transformarem em novos colonizadores.
E sobre a “geração de 8 de Março”, o que de anormal fez? É preciso não conhecer a história do momento para dizer que eles foram excepcionais. Estes são canonizados porque deixaram a escola para serem dirigentes? Quem se recusaria a fazê-lo? E ainda sob ordens de um chefe do Estado, no contexto que se vivia na época?
Imaginemos mesmo no contexto actual do País. Que estudante de Direito não abandonaria a formação ao meio para trabalhar como economista? Que estudante de Ciência Política não desistiria da faculdade para trabalhar como gestor de recursos humanos? Que estudante do curso médio de Contabilidade não deixaria o Instituto Industrial ou Comercial para trabalhar como gestor de companhias agrícolas?
A “geração de 8 de Março” respondeu ao chamamento da nação, sim, mas todos cidadãos o fariam em função das circunstâncias, portanto, quanto a esta geração, é bom que se diga que a resposta ao seu chamamento, não foi algo excepcional, mas antes uma reacção óbvia a uma oportunidade inédita de ganhar emprego, mesmo sem formação específica. Ou existe alguém em Moçambique que estuda pelo mero prazer, sem estar a pensar no emprego?
E a resposta a essa oportunidade trouxe os frutos que hoje são visíveis. Todos os da “geração 8 de Março”, hoje são empresários, ministros, vice-ministros, deputados, diretores de faculdades!
Sobre a dita “geração da viragem” pouco há por se dizer. Pior: é uma utopia. Se as anteriores “gerações” são fruto de alguma ação palpável, independentemente de ter havido mérito ou não, a “geração da viragem” não passa de uma teorização mal formulada para entreter os jovens.
Essa invenção de “geração da viragem” visa abafar as reivindicações dos jovens que continuam a ser marginalizados pelo poder político, principalmente aqueles jovens que, não sendo filhos, cunhados, sobrinhos, enteados, de antigos combatentes ou dos ditos da “geração 8 de Março” combatem dia-a-dia pela vida, enfrentando barreiras políticas nas universidades e nas instituições públicas, quando buscam formação e emprego.
Estes jovens, que o poder político quer acomodar na “geração da viragem”, na sua maioria são vítimas do passado dos seus pais que não transitaram de antigos combatentes para dirigentes do Estado. Estão a pagar pela culpa dos seus pais que não tiveram a oportunidade de integrar “a geração 8 de Março”.
Entre estes jovens, há preguiçosos e empenhados. Os primeiros andam atrás de cartões coloridos e optam por bajular os dirigentes do Estado para ganhar emprego, enquanto os últimos lutam contra todos os obstáculos naturais e artificiais para ganharem a vida com esforço próprio e justiça.
Borges Nhamirre
in «Canalmoz», 29.04.2010
Está lançado um aceso e fervoroso debate, na imprensa, em torno do slogan “Três Gerações, Um Povo, Uma Só Nação”. Incompreensivelmente, este slogan que vai orientar a celebração dos 35 anos da maior e mais importante conquista do Povo moçambicano, a Independência Nacional, defende que os moçambicanos devem estar segmentados em “gerações”.
Na essência, esta ideia não passa de uma empreitada política, aliás de uma politiquice elaborada – e muito mal elaborada, se diga – por um punhado de gente favorecida e que se acomoda no status quo!
Esta ideia é mais um instrumento forjado para tentar distrair os poucos moçambicanos atentos, que reivindicam igualdade de direitos neste Moçambique que, a passos largos, caminha para um triste cenário de segmentação social, semelhante ao sistema de castas da sociedade Hindu.
Já li e escutei muitos discursos dos defensores desta segmentação do Povo moçambicano em castas, a partir do próprio presidente da República, Armando Guebuza, até ao mais bajulador jovem da OJM, que cegamente apoia as políticas obscenas de exclusão social hoje implantadas no país, em troca de um promessa de emprego num ministério, ou de uma entrada direta para a universidade pública – sem necessitar de passar no exame de admissão.
Nenhum dos discursos dos apologistas das tais “gerações” me consegue convencer da necessidade de os moçambicanos estarem segmentados em “gerações” para se tornarem “num Povo, numa Nação”.
Sobre a geração “25 de Setembro”, diz-se que esta merece ser a “casta” dos governantes e empresários, porque libertou o País. É preciso clarificar este conceito de “libertar o Povo”, e é imperioso que se diga como foi esta libertação.
De facto, eles lutaram pela Independência Nacional. Mas é preciso analisar a própria conjuntura do sistema internacional do momento, que facilitou, senão possibilitou, essa luta.
Será mera coincidência que a maioria das independências em África tenha tido lugar num espaço de duas décadas – entre 1960 e 1980? É bom que se diga também, que todas as ex-colónias portuguesas em África, com excepção da Guiné-Bissau, tenham alcançado as suas independências no mesmo ano: 1975. Linda coincidência!
Não estou a duvidar do papel dos antigos combatentes para o alcance da independência nacional, estou apenas a fazer um exercício de “advogado do diabo” para a autenticidade da canonização dos tais da “geração 25 de Setembro”.
É bom que se saiba que houve factores endógenos que favoreceram, senão determinaram, as independências nacionais, nomeadamente a nossa. Portanto, no momento da canonização é importante que isto se diga, principalmente, quando os libertadores tendem a se transformarem em novos colonizadores.
E sobre a “geração de 8 de Março”, o que de anormal fez? É preciso não conhecer a história do momento para dizer que eles foram excepcionais. Estes são canonizados porque deixaram a escola para serem dirigentes? Quem se recusaria a fazê-lo? E ainda sob ordens de um chefe do Estado, no contexto que se vivia na época?
Imaginemos mesmo no contexto actual do País. Que estudante de Direito não abandonaria a formação ao meio para trabalhar como economista? Que estudante de Ciência Política não desistiria da faculdade para trabalhar como gestor de recursos humanos? Que estudante do curso médio de Contabilidade não deixaria o Instituto Industrial ou Comercial para trabalhar como gestor de companhias agrícolas?
A “geração de 8 de Março” respondeu ao chamamento da nação, sim, mas todos cidadãos o fariam em função das circunstâncias, portanto, quanto a esta geração, é bom que se diga que a resposta ao seu chamamento, não foi algo excepcional, mas antes uma reacção óbvia a uma oportunidade inédita de ganhar emprego, mesmo sem formação específica. Ou existe alguém em Moçambique que estuda pelo mero prazer, sem estar a pensar no emprego?
E a resposta a essa oportunidade trouxe os frutos que hoje são visíveis. Todos os da “geração 8 de Março”, hoje são empresários, ministros, vice-ministros, deputados, diretores de faculdades!
Sobre a dita “geração da viragem” pouco há por se dizer. Pior: é uma utopia. Se as anteriores “gerações” são fruto de alguma ação palpável, independentemente de ter havido mérito ou não, a “geração da viragem” não passa de uma teorização mal formulada para entreter os jovens.
Essa invenção de “geração da viragem” visa abafar as reivindicações dos jovens que continuam a ser marginalizados pelo poder político, principalmente aqueles jovens que, não sendo filhos, cunhados, sobrinhos, enteados, de antigos combatentes ou dos ditos da “geração 8 de Março” combatem dia-a-dia pela vida, enfrentando barreiras políticas nas universidades e nas instituições públicas, quando buscam formação e emprego.
Estes jovens, que o poder político quer acomodar na “geração da viragem”, na sua maioria são vítimas do passado dos seus pais que não transitaram de antigos combatentes para dirigentes do Estado. Estão a pagar pela culpa dos seus pais que não tiveram a oportunidade de integrar “a geração 8 de Março”.
Entre estes jovens, há preguiçosos e empenhados. Os primeiros andam atrás de cartões coloridos e optam por bajular os dirigentes do Estado para ganhar emprego, enquanto os últimos lutam contra todos os obstáculos naturais e artificiais para ganharem a vida com esforço próprio e justiça.
Borges Nhamirre
in «Canalmoz», 29.04.2010
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Opinião
02/05/2010
FCP-SLB campeonato da "porrada"
Na imagem, um selvagem portista cabeça-rapada lança uma bola de golfe à cabeça de Jesus, treinador benfiquista (episódio captado durante o jogo Porto-Benfica de 2 de Maio de 2010).
Para um um jogo anunciado com de "alto risco", pode-se dizer que a PSP andou a dormir e não fez uso adequado de casse-tête.
Aguardam-se os próximos capítulos e insultos.
Para um um jogo anunciado com de "alto risco", pode-se dizer que a PSP andou a dormir e não fez uso adequado de casse-tête.
Aguardam-se os próximos capítulos e insultos.
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Fundamentalismo,
Futebolês
Certificados de Aforro
Uma demonstração evidente dos erros de política económica da dupla "José Sócrates - Teixeira dos Santos" é a machadada que foi dada nos Certificados de Aforro.
Como é sabido, os Certificados de Aforro são emissões de dívida pública reservada a particulares (vedados a empresas) e, no passado, tiveram sempre interessantes taxas de juro, isto é, mais favoráveis do que os depósitos a prazo dos bancos.
Com a sua emissão, eram assegurados dois objetivos:
1. instrumento de poupança para particulares;
2. financiamento da dívida pública do Estado com recursos nacionais;
Em 2009, a dupla socretina fez cair a taxa de juro dos Certificados de Aforro, destruindo-os como produto de poupança. Os resgates não se fizeram esperar e os fundos foram transferidos, pelos seus donos, para os bancos.
Em 2010, o Estado português financia-se no mercado europeu (em euros) à taxa de juro de 5% ou mais ao mesmo tempo que paga menos de 0,8% pelos Certificados de Aforro.
Alguém anda a fazer o jogo da banca. Ou, é incompetência pura e dura.
(artigo do «Sol», 30.04.2010, faz a mesma acusação)
Como é sabido, os Certificados de Aforro são emissões de dívida pública reservada a particulares (vedados a empresas) e, no passado, tiveram sempre interessantes taxas de juro, isto é, mais favoráveis do que os depósitos a prazo dos bancos.
Com a sua emissão, eram assegurados dois objetivos:
1. instrumento de poupança para particulares;
2. financiamento da dívida pública do Estado com recursos nacionais;
Em 2009, a dupla socretina fez cair a taxa de juro dos Certificados de Aforro, destruindo-os como produto de poupança. Os resgates não se fizeram esperar e os fundos foram transferidos, pelos seus donos, para os bancos.
Em 2010, o Estado português financia-se no mercado europeu (em euros) à taxa de juro de 5% ou mais ao mesmo tempo que paga menos de 0,8% pelos Certificados de Aforro.
Alguém anda a fazer o jogo da banca. Ou, é incompetência pura e dura.
(artigo do «Sol», 30.04.2010, faz a mesma acusação)
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Economia
Crise grega
O primeiro-ministro grego, Giorgios Papandreou, apresentou às confederações sindicais e patronais a "fatura social" negociada com a UE e o FMI. Prevê a supressão dos 13.º e 14.º meses no salário dos funcionários públicos e em todas as pensões de reforma; no setor privado, propõe que os dois meses suplementares sejam pagos a título de prémio, não contando para a reforma; a idade de reforma seria elevada para os 67 anos; seguem-se o aumento do IVA e revisão da lei dos despedimentos.
No dia 4 de Outubro, o PASOK (social-democrata), de Papandreou, venceu as legislativas antecipadas, tomou posse e descobriu que o défice público era de 12,7 por cento do PIB - e não seis, como tinha anunciado o governo conservador da Nova Democracia, de Kostas Karamanlis. A Grécia entrou na espiral da crise.
Entre gregos - e não só - não é com discursos de Cassandra que se ganham eleições. Karamanlis convocara eleições antecipadas para responder à contestação social, avisando que a crise financeira colocava a Grécia em situação difícil. Propunha uma "austeridade temporária", com o congelamento dos salários e das pensões por um ano. Estava sob forte pressão da UE para reduzir o défice e a mais elevada dívida pública da zona euro.
Inversamente, Papandreou fez um discurso otimista, apostando no "crescimento verde" e num ambicioso plano de investimento nas energias renováveis. Prometeu subir salários e pensões. Era a música que os eleitores queriam ouvir.
Hoje, as sondagens indicam que 70 por cento dos gregos se resignam à austeridade, embora opondo-se à "humilhação" do recurso ao FMI. O novo líder conservador, Antonis Samaras, denuncia a intervenção do FMI, que coloca o país "sob dependência", enquanto os comunistas a qualificam como "triunfo da plutocracia". No entanto, Papandreou continua a ter uma boa cota de popularidade, enquanto a Nova Democracia estagna nos 21 por cento.
O jornal «I Kathimerini» (conservador) adverte a oposição: recusar o controlo internacional significaria "a falência total"; um "populismo barato abriria caminho ao desmantelamento do nosso sistema político".
De quem é a culpa? Há uma teoria da conspiração: os especuladores estrangeiros e as agências de notação têm o euro como alvo e atacam a Grécia como elo mais fraco. Nos últimos 30 anos, todos os partidos gregos abusaram da retórica "anti-imperialista" para explicar os desastres da Grécia pelas "maquinações neoliberais" ou dos "americanos", escreve o «Eleftherotypia» (próximo do PASOK).
"Os gregos só se podem queixar de si mesmos", sublinha o diário de referência «To Vima». "E mais precisamente do governo anterior, que está na origem dos problemas financeiros de hoje. Clientelismo, despesa excessiva, débil fiscalidade, contas do Estado falsificadas, subvenções agrícolas europeias distribuídas sem critério."
O número de funcionários cresceu 10 por cento, os salários e reformas 30. Mas, "a um nível mais profundo, as "raízes estruturais" da crise encontram-se na natureza clientelista da política na Grécia", insiste o «Eleftherotypia».
Pior: a Grécia mentiu sobre as contas públicas. "A falsificação das estatísticas é uma longa tradição grega", diz George Bitros, da Universidade de Atenas. "É um fracasso imenso e sistémico e que tem as raízes na falência do sistema político, na estrutura e na falta de transparência do setor público."
A falsificação não é apenas grega. A UE sabia, os "mercados" sabiam, Atenas reconheceu-o em 2004. O resto é hipocrisia. A UE paga a sua parte de irresponsabilidade.
Papandreou reconhece agora que é preciso refazer tudo "de alto a baixo". Após o "milagre económico" que se seguiu à entrada no euro e culminou nos triunfais (e ruinosos) Jogos Olímpicos de 2004, o problema vai muito para lá do défice.
A economia grega deixou de ser competitiva e pouco exporta, o que agrava a pressão sobre a dívida. A questão fiscal é aguda. Por tradição histórica, as receitas do Estado sempre assentaram nos impostos indirectos. A fuga ao fisco é generalizada. A corrupção política, patente nos anteriores governos do PASOK, subiu exponencialmente com Karamanlis. A economia subterrânea vale de 30 a 40 por cento do PIB. Serve de amortecedor social, mas à custa das finanças públicas. Os armadores gregos têm a primeira frota mundial, ganham fortunas com as mercadorias chinesas, mas a sua sede fiscal não é em Atenas.
Após a ocupação alemã (1941-44) e a guerra civil que se lhe seguiu, a Grécia foi dos maiores beneficiários do Plano Marshall, o que lhe permitiu um primeiro surto económico. Com o fim da "ditadura dos coronéis" em 1974, a CEE apostou na sua integração para consolidar a democracia e por interesse estratégico. Começa então a ascensão da dívida. Nos anos 80, Andreas Papandreou (pai do actual primeiro-ministro) optou por redistribuir grande parte dos maciços fundos europeus sob forma de poder de compra.
"A Grécia está à beira da falência, mas os gregos são ricos" e é esta uma das chaves de leitura da crise, escreve o geógrafo francês Guy Bugel, estudioso da Grécia. A rapidez da passagem do subdesenvolvimento à prosperidade favoreceu a manutenção de um Estado "impotente e venal", uma sociedade em que "vale tudo para enriquecer" e há pouco sentido da "coisa pública".
A grande dimensão da crise não é grega, é europeia. A questão é saber até que ponto fraturou a UE e a zona euro, saber se o "vírus" vai continuar em expansão ameaçando outros Estados de falência. A única coisa segura é que deixaram de poder viver - e endividar-se - como antes da crise financeira. As regras mudaram. Os efeitos políticos não se farão esperar.
Neste contexto, o problema de Atenas é o mais simples. Papandreou apela a que os gregos façam em três anos o que não fizeram em 30. A ironia é que outros, "que não são Grécia", vão ter de seguir o conselho.
Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 01.05.2010
O vaso grego, no séc. XXI, visto pelo «The Globe and Mail» de Toronto, Canadá
No dia 4 de Outubro, o PASOK (social-democrata), de Papandreou, venceu as legislativas antecipadas, tomou posse e descobriu que o défice público era de 12,7 por cento do PIB - e não seis, como tinha anunciado o governo conservador da Nova Democracia, de Kostas Karamanlis. A Grécia entrou na espiral da crise.
Entre gregos - e não só - não é com discursos de Cassandra que se ganham eleições. Karamanlis convocara eleições antecipadas para responder à contestação social, avisando que a crise financeira colocava a Grécia em situação difícil. Propunha uma "austeridade temporária", com o congelamento dos salários e das pensões por um ano. Estava sob forte pressão da UE para reduzir o défice e a mais elevada dívida pública da zona euro.
Inversamente, Papandreou fez um discurso otimista, apostando no "crescimento verde" e num ambicioso plano de investimento nas energias renováveis. Prometeu subir salários e pensões. Era a música que os eleitores queriam ouvir.
Hoje, as sondagens indicam que 70 por cento dos gregos se resignam à austeridade, embora opondo-se à "humilhação" do recurso ao FMI. O novo líder conservador, Antonis Samaras, denuncia a intervenção do FMI, que coloca o país "sob dependência", enquanto os comunistas a qualificam como "triunfo da plutocracia". No entanto, Papandreou continua a ter uma boa cota de popularidade, enquanto a Nova Democracia estagna nos 21 por cento.
O jornal «I Kathimerini» (conservador) adverte a oposição: recusar o controlo internacional significaria "a falência total"; um "populismo barato abriria caminho ao desmantelamento do nosso sistema político".
De quem é a culpa? Há uma teoria da conspiração: os especuladores estrangeiros e as agências de notação têm o euro como alvo e atacam a Grécia como elo mais fraco. Nos últimos 30 anos, todos os partidos gregos abusaram da retórica "anti-imperialista" para explicar os desastres da Grécia pelas "maquinações neoliberais" ou dos "americanos", escreve o «Eleftherotypia» (próximo do PASOK).
"Os gregos só se podem queixar de si mesmos", sublinha o diário de referência «To Vima». "E mais precisamente do governo anterior, que está na origem dos problemas financeiros de hoje. Clientelismo, despesa excessiva, débil fiscalidade, contas do Estado falsificadas, subvenções agrícolas europeias distribuídas sem critério."
O número de funcionários cresceu 10 por cento, os salários e reformas 30. Mas, "a um nível mais profundo, as "raízes estruturais" da crise encontram-se na natureza clientelista da política na Grécia", insiste o «Eleftherotypia».
Pior: a Grécia mentiu sobre as contas públicas. "A falsificação das estatísticas é uma longa tradição grega", diz George Bitros, da Universidade de Atenas. "É um fracasso imenso e sistémico e que tem as raízes na falência do sistema político, na estrutura e na falta de transparência do setor público."
A falsificação não é apenas grega. A UE sabia, os "mercados" sabiam, Atenas reconheceu-o em 2004. O resto é hipocrisia. A UE paga a sua parte de irresponsabilidade.
Papandreou reconhece agora que é preciso refazer tudo "de alto a baixo". Após o "milagre económico" que se seguiu à entrada no euro e culminou nos triunfais (e ruinosos) Jogos Olímpicos de 2004, o problema vai muito para lá do défice.
A economia grega deixou de ser competitiva e pouco exporta, o que agrava a pressão sobre a dívida. A questão fiscal é aguda. Por tradição histórica, as receitas do Estado sempre assentaram nos impostos indirectos. A fuga ao fisco é generalizada. A corrupção política, patente nos anteriores governos do PASOK, subiu exponencialmente com Karamanlis. A economia subterrânea vale de 30 a 40 por cento do PIB. Serve de amortecedor social, mas à custa das finanças públicas. Os armadores gregos têm a primeira frota mundial, ganham fortunas com as mercadorias chinesas, mas a sua sede fiscal não é em Atenas.
Após a ocupação alemã (1941-44) e a guerra civil que se lhe seguiu, a Grécia foi dos maiores beneficiários do Plano Marshall, o que lhe permitiu um primeiro surto económico. Com o fim da "ditadura dos coronéis" em 1974, a CEE apostou na sua integração para consolidar a democracia e por interesse estratégico. Começa então a ascensão da dívida. Nos anos 80, Andreas Papandreou (pai do actual primeiro-ministro) optou por redistribuir grande parte dos maciços fundos europeus sob forma de poder de compra.
"A Grécia está à beira da falência, mas os gregos são ricos" e é esta uma das chaves de leitura da crise, escreve o geógrafo francês Guy Bugel, estudioso da Grécia. A rapidez da passagem do subdesenvolvimento à prosperidade favoreceu a manutenção de um Estado "impotente e venal", uma sociedade em que "vale tudo para enriquecer" e há pouco sentido da "coisa pública".
A grande dimensão da crise não é grega, é europeia. A questão é saber até que ponto fraturou a UE e a zona euro, saber se o "vírus" vai continuar em expansão ameaçando outros Estados de falência. A única coisa segura é que deixaram de poder viver - e endividar-se - como antes da crise financeira. As regras mudaram. Os efeitos políticos não se farão esperar.
Neste contexto, o problema de Atenas é o mais simples. Papandreou apela a que os gregos façam em três anos o que não fizeram em 30. A ironia é que outros, "que não são Grécia", vão ter de seguir o conselho.
Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 01.05.2010
O vaso grego, no séc. XXI, visto pelo «The Globe and Mail» de Toronto, Canadá
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Economia
01/05/2010
Primeiro de Maio
Para quem já se esqueceu ou nunca soube o que era a ditadura social-fascista dos camaradas comunistas da Albânia, a cauda da Europa.
Um postal para os camaradas da CGTP de Portugal, da CUT do Brasil e da OTM de Moçambique:
Um postal para os camaradas da CGTP de Portugal, da CUT do Brasil e da OTM de Moçambique:
Provinciano socretino
"Sócrates gostava de nos legar um Portugal fantástico, como essa América que ele viu na Beira em séries de televisão para provincianos"
Vasco Pulido Valente
in «Público», 01.05.2010
Vasco Pulido Valente
in «Público», 01.05.2010
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