04/05/2010

Plano \nclinado

Contra o "eduquês", a praga que contaminou a Educação e que afunda Portugal no pântano de ignorância e da incompetência.

Uma desmontagem indispensável.

Mário Eyjafjallajökull Soares

Agora, a nuvem de cinza trouxe-nos um desses profetas de volta.

Mário Soares é o mesmo venerando ancião a pregar a mesma catilinária. Só não é escanzelado. Mas a forma ameaçadora com que nos avisa que a erupção do vulcão se deve à nossa má vida ambiental assusta. Eu, que ontem deitei por engano uma embalagem de plástico no caixote de lixo para cartão, não consegui segurar duas ou três pinguinhas de urina devido ao medo.

Será que Mário Soares acha que a nuvem de pó foi causada por todas as empregadas domésticas do mundo terem resolvido sacudir tapetes na rua ao mesmo tempo? Mais do que ecologista histérico e convicto, é preciso ser-se muito narcisista para achar que se pode ter causado uma erupção vulcânica. É possível que, aquando do furacão Katrina, Mário Soares tenha ficado a pensar que não devia ter aberto a janela e a porta cozinha ao mesmo tempo, que aquela corrente de ar é que lixou tudo em Nova Orleães.

A Mário Soares não basta ser pai da democracia portuguesa, também quer perfilhar um fenómeno geológico. Agora percebo melhor o ateísmo de Mário Soares. É natural que ele não acredite em Deus, uma vez que acha que os verdadeiros deuses omnipotentes são os homens.

José Diogo Quintela
in «Pública», 02.05.2010

Soares para Primeiro-Ministro... já


O homem (Mário Soares) que nunca percebeu de Matemática, de Economia e de outras ciências exatas, vem aqui explicar porque decidiu retirar o décimo terceiro mês quando foi primeiro-ministro (1983).

E esclarece que, foi graças a isso que se deu o posterior boom económico português.

Na vida real, uma praga... nunca vem só.

03/05/2010

Documentário fantástico sobre Portugal

Há um documentário incrível, feito pela televisão espanhola (TVE), sobre Portugal. Tem imagens fantásticas, esplendorosas, magníficas.

Deixam-nos plenos de orgulho por um país tão bonito.

O documentário tem 56 minutos e começa no Algarve. Segue para o Norte, Alentejo, Centro e Lisboa (os minutos por localidades estão mais em baixo).

Nunca se viu um trabalho tão fenomenal na televisão portuguesa.

Ponte Lima 9,00 / Douro 13 / Porto 15 / Alentejo 22 / Évora 22,41 / Marvão 25,57 / Castelo de Vide 26,55 / Costa Alentejana 28 / Alcácer do Sal 29 / Aveiro 30 / Viseu 33 / Museu Grão Vasco 34 / Coimbra 35,50 / Termas de Monfortinho 40,47 / Monsanto 41,57 / Penha Garcia 42,45 / Batalha 44,26 / Sintra 46 / Torre de Belém 48,16 / Pastéis de Belém 53,15 / Bairro Alto 53,58 / Cabo da Roca 56, 07

in «TVE»

As três gerações

O objectivo das três gerações


Está lançado um aceso e fervoroso debate, na imprensa, em torno do slogan “Três Gerações, Um Povo, Uma Só Nação”. Incompreensivelmente, este slogan que vai orientar a celebração dos 35 anos da maior e mais importante conquista do Povo moçambicano, a Independência Nacional, defende que os moçambicanos devem estar segmentados em “gerações”.


Na essência, esta ideia não passa de uma empreitada política, aliás de uma politiquice elaborada – e muito mal elaborada, se diga – por um punhado de gente favorecida e que se acomoda no status quo!


Esta ideia é mais um instrumento forjado para tentar distrair os poucos moçambicanos atentos, que reivindicam igualdade de direitos neste Moçambique que, a passos largos, caminha para um triste cenário de segmentação social, semelhante ao sistema de castas da sociedade Hindu.


Já li e escutei muitos discursos dos defensores desta segmentação do Povo moçambicano em castas, a partir do próprio presidente da República, Armando Guebuza, até ao mais bajulador jovem da OJM, que cegamente apoia as políticas obscenas de exclusão social hoje implantadas no país, em troca de um promessa de emprego num ministério, ou de uma entrada direta para a universidade pública – sem necessitar de passar no exame de admissão.


Nenhum dos discursos dos apologistas das tais “gerações” me consegue convencer da necessidade de os moçambicanos estarem segmentados em “gerações” para se tornarem “num Povo, numa Nação”.


Sobre a geração “25 de Setembro”, diz-se que esta merece ser a “casta” dos governantes e empresários, porque libertou o País. É preciso clarificar este conceito de “libertar o Povo”, e é imperioso que se diga como foi esta libertação.


De facto, eles lutaram pela Independência Nacional. Mas é preciso analisar a própria conjuntura do sistema internacional do momento, que facilitou, senão possibilitou, essa luta.


Será mera coincidência que a maioria das independências em África tenha tido lugar num espaço de duas décadas – entre 1960 e 1980? É bom que se diga também, que todas as ex-colónias portuguesas em África, com excepção da Guiné-Bissau, tenham alcançado as suas independências no mesmo ano: 1975. Linda coincidência!


Não estou a duvidar do papel dos antigos combatentes para o alcance da independência nacional, estou apenas a fazer um exercício de “advogado do diabo” para a autenticidade da canonização dos tais da “geração 25 de Setembro”.


É bom que se saiba que houve factores endógenos que favoreceram, senão determinaram, as independências nacionais, nomeadamente a nossa. Portanto, no momento da canonização é importante que isto se diga, principalmente, quando os libertadores tendem a se transformarem em novos colonizadores.


E sobre a “geração de 8 de Março”, o que de anormal fez? É preciso não conhecer a história do momento para dizer que eles foram excepcionais. Estes são canonizados porque deixaram a escola para serem dirigentes? Quem se recusaria a fazê-lo? E ainda sob ordens de um chefe do Estado, no contexto que se vivia na época?


Imaginemos mesmo no contexto actual do País. Que estudante de Direito não abandonaria a formação ao meio para trabalhar como economista? Que estudante de Ciência Política não desistiria da faculdade para trabalhar como gestor de recursos humanos? Que estudante do curso médio de Contabilidade não deixaria o Instituto Industrial ou Comercial para trabalhar como gestor de companhias agrícolas?


A “geração de 8 de Março” respondeu ao chamamento da nação, sim, mas todos cidadãos o fariam em função das circunstâncias, portanto, quanto a esta geração, é bom que se diga que a resposta ao seu chamamento, não foi algo excepcional, mas antes uma reacção óbvia a uma oportunidade inédita de ganhar emprego, mesmo sem formação específica. Ou existe alguém em Moçambique que estuda pelo mero prazer, sem estar a pensar no emprego?


E a resposta a essa oportunidade trouxe os frutos que hoje são visíveis. Todos os da “geração 8 de Março”, hoje são empresários, ministros, vice-ministros, deputados, diretores de faculdades!


Sobre a dita “geração da viragem” pouco há por se dizer. Pior: é uma utopia. Se as anteriores “gerações” são fruto de alguma ação palpável, independentemente de ter havido mérito ou não, a “geração da viragem” não passa de uma teorização mal formulada para entreter os jovens.


Essa invenção de “geração da viragem” visa abafar as reivindicações dos jovens que continuam a ser marginalizados pelo poder político, principalmente aqueles jovens que, não sendo filhos, cunhados, sobrinhos, enteados, de antigos combatentes ou dos ditos da “geração 8 de Março” combatem dia-a-dia pela vida, enfrentando barreiras políticas nas universidades e nas instituições públicas, quando buscam formação e emprego.


Estes jovens, que o poder político quer acomodar na “geração da viragem”, na sua maioria são vítimas do passado dos seus pais que não transitaram de antigos combatentes para dirigentes do Estado. Estão a pagar pela culpa dos seus pais que não tiveram a oportunidade de integrar “a geração 8 de Março”.


Entre estes jovens, há preguiçosos e empenhados. Os primeiros andam atrás de cartões coloridos e optam por bajular os dirigentes do Estado para ganhar emprego, enquanto os últimos lutam contra todos os obstáculos naturais e artificiais para ganharem a vida com esforço próprio e justiça.


Borges Nhamirre
in «Canalmoz», 29.04.2010

02/05/2010

FCP-SLB campeonato da "porrada"

Na imagem, um selvagem portista cabeça-rapada lança uma bola de golfe à cabeça de Jesus, treinador benfiquista (episódio captado durante o jogo Porto-Benfica de 2 de Maio de 2010).

Para um um jogo anunciado com de "alto risco", pode-se dizer que a PSP andou a dormir e não fez uso adequado de casse-tête.

Aguardam-se os próximos capítulos e insultos.

Certificados de Aforro

Uma demonstração evidente dos erros de política económica da dupla "José Sócrates - Teixeira dos Santos" é a machadada que foi dada nos Certificados de Aforro.

Como é sabido, os Certificados de Aforro são emissões de dívida pública reservada a particulares (vedados a empresas) e, no passado, tiveram sempre interessantes taxas de juro, isto é, mais favoráveis do que os depósitos a prazo dos bancos.

Com a sua emissão, eram assegurados dois objetivos:
1. instrumento de poupança para particulares;
2. financiamento da dívida pública do Estado com recursos nacionais;

Em 2009, a dupla socretina fez cair a taxa de juro dos Certificados de Aforro, destruindo-os como produto de poupança. Os resgates não se fizeram esperar e os fundos foram transferidos, pelos seus donos, para os bancos.

Em 2010, o Estado português financia-se no mercado europeu (em euros) à taxa de juro de 5% ou mais ao mesmo tempo que paga menos de 0,8% pelos Certificados de Aforro.

Alguém anda a fazer o jogo da banca. Ou, é incompetência pura e dura.

(artigo do «Sol», 30.04.2010, faz a mesma acusação)

Crise grega

O primeiro-ministro grego, Giorgios Papandreou, apresentou às confederações sindicais e patronais a "fatura social" negociada com a UE e o FMI. Prevê a supressão dos 13.º e 14.º meses no salário dos funcionários públicos e em todas as pensões de reforma; no setor privado, propõe que os dois meses suplementares sejam pagos a título de prémio, não contando para a reforma; a idade de reforma seria elevada para os 67 anos; seguem-se o aumento do IVA e revisão da lei dos despedimentos.

No dia 4 de Outubro, o PASOK (social-democrata), de Papandreou, venceu as legislativas antecipadas, tomou posse e descobriu que o défice público era de 12,7 por cento do PIB - e não seis, como tinha anunciado o governo conservador da Nova Democracia, de Kostas Karamanlis. A Grécia entrou na espiral da crise.

Entre gregos - e não só - não é com discursos de Cassandra que se ganham eleições. Karamanlis convocara eleições antecipadas para responder à contestação social, avisando que a crise financeira colocava a Grécia em situação difícil. Propunha uma "austeridade temporária", com o congelamento dos salários e das pensões por um ano. Estava sob forte pressão da UE para reduzir o défice e a mais elevada dívida pública da zona euro.

Inversamente, Papandreou fez um discurso otimista, apostando no "crescimento verde" e num ambicioso plano de investimento nas energias renováveis. Prometeu subir salários e pensões. Era a música que os eleitores queriam ouvir.

Hoje, as sondagens indicam que 70 por cento dos gregos se resignam à austeridade, embora opondo-se à "humilhação" do recurso ao FMI. O novo líder conservador, Antonis Samaras, denuncia a intervenção do FMI, que coloca o país "sob dependência", enquanto os comunistas a qualificam como "triunfo da plutocracia". No entanto, Papandreou continua a ter uma boa cota de popularidade, enquanto a Nova Democracia estagna nos 21 por cento.

O jornal «I Kathimerini» (conservador) adverte a oposição: recusar o controlo internacional significaria "a falência total"; um "populismo barato abriria caminho ao desmantelamento do nosso sistema político".

De quem é a culpa? Há uma teoria da conspiração: os especuladores estrangeiros e as agências de notação têm o euro como alvo e atacam a Grécia como elo mais fraco. Nos últimos 30 anos, todos os partidos gregos abusaram da retórica "anti-imperialista" para explicar os desastres da Grécia pelas "maquinações neoliberais" ou dos "americanos", escreve o «Eleftherotypia» (próximo do PASOK).

"Os gregos só se podem queixar de si mesmos", sublinha o diário de referência «To Vima». "E mais precisamente do governo anterior, que está na origem dos problemas financeiros de hoje. Clientelismo, despesa excessiva, débil fiscalidade, contas do Estado falsificadas, subvenções agrícolas europeias distribuídas sem critério."

O número de funcionários cresceu 10 por cento, os salários e reformas 30. Mas, "a um nível mais profundo, as "raízes estruturais" da crise encontram-se na natureza clientelista da política na Grécia", insiste o «Eleftherotypia».

Pior: a Grécia mentiu sobre as contas públicas. "A falsificação das estatísticas é uma longa tradição grega", diz George Bitros, da Universidade de Atenas. "É um fracasso imenso e sistémico e que tem as raízes na falência do sistema político, na estrutura e na falta de transparência do setor público."

A falsificação não é apenas grega. A UE sabia, os "mercados" sabiam, Atenas reconheceu-o em 2004. O resto é hipocrisia. A UE paga a sua parte de irresponsabilidade.

Papandreou reconhece agora que é preciso refazer tudo "de alto a baixo". Após o "milagre económico" que se seguiu à entrada no euro e culminou nos triunfais (e ruinosos) Jogos Olímpicos de 2004, o problema vai muito para lá do défice.

A economia grega deixou de ser competitiva e pouco exporta, o que agrava a pressão sobre a dívida. A questão fiscal é aguda. Por tradição histórica, as receitas do Estado sempre assentaram nos impostos indirectos. A fuga ao fisco é generalizada. A corrupção política, patente nos anteriores governos do PASOK, subiu exponencialmente com Karamanlis. A economia subterrânea vale de 30 a 40 por cento do PIB. Serve de amortecedor social, mas à custa das finanças públicas. Os armadores gregos têm a primeira frota mundial, ganham fortunas com as mercadorias chinesas, mas a sua sede fiscal não é em Atenas.

Após a ocupação alemã (1941-44) e a guerra civil que se lhe seguiu, a Grécia foi dos maiores beneficiários do Plano Marshall, o que lhe permitiu um primeiro surto económico. Com o fim da "ditadura dos coronéis" em 1974, a CEE apostou na sua integração para consolidar a democracia e por interesse estratégico. Começa então a ascensão da dívida. Nos anos 80, Andreas Papandreou (pai do actual primeiro-ministro) optou por redistribuir grande parte dos maciços fundos europeus sob forma de poder de compra.

"A Grécia está à beira da falência, mas os gregos são ricos" e é esta uma das chaves de leitura da crise, escreve o geógrafo francês Guy Bugel, estudioso da Grécia. A rapidez da passagem do subdesenvolvimento à prosperidade favoreceu a manutenção de um Estado "impotente e venal", uma sociedade em que "vale tudo para enriquecer" e há pouco sentido da "coisa pública".

A grande dimensão da crise não é grega, é europeia. A questão é saber até que ponto fraturou a UE e a zona euro, saber se o "vírus" vai continuar em expansão ameaçando outros Estados de falência. A única coisa segura é que deixaram de poder viver - e endividar-se - como antes da crise financeira. As regras mudaram. Os efeitos políticos não se farão esperar.

Neste contexto, o problema de Atenas é o mais simples. Papandreou apela a que os gregos façam em três anos o que não fizeram em 30. A ironia é que outros, "que não são Grécia", vão ter de seguir o conselho.

Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 01.05.2010
 
O vaso grego, no séc. XXI, visto pelo «The Globe and Mail» de Toronto, Canadá

01/05/2010

Primeiro de Maio

Para quem já se esqueceu ou nunca soube o que era a ditadura social-fascista dos camaradas comunistas da Albânia, a cauda da Europa.

Um postal para os camaradas da CGTP de Portugal, da CUT do Brasil e da OTM de Moçambique:

Provinciano socretino

"Sócrates gostava de nos legar um Portugal fantástico, como essa América que ele viu na Beira em séries de televisão para provincianos"

Vasco Pulido Valente
in «Público», 01.05.2010

30/04/2010

Titanic

Titanic era o navio inafundável, segundo as autoridades. Tal como Portugal. Mas, na sua primeira viagem, encontrou uns pequenos problemas e afundou-se, por incúria do comandante. Tal como Portugal. O que vimos esta semana foi uma baixa drástica no rating da República Portuguesa e com a ameaça de continuar (o chamado negative outlook). O que significa que ou nos apressamos ou o rating volta a cair. Tudo, genericamente, previsível e pré-anunciado.

Desde a crise de 2008-2009 que os mercados andam nervosos e com grande aversão ao risco. O que implica que a qualquer má notícia sobre uma empresa, ou um país, os mercados reajam fortemente. Tudo sabido e sem novidade para quem os conhece. No entanto, se os mercados andam nervosos em relação ao risco, o Governo deve mostrar, com acções decididas e palavras fortes, e claras, que Portugal não é um país de risco.

Diz-se que os mercados estão a atacar o euro, a especular contra Portugal e que há efeitos de contágio da Grécia sobre Portugal. Esta visão tem muitos erros técnicos e seria um aborrecimento para todos tentar explicar. Vamos, assim, assumir que é verdade e que a especulação campeia. Isto significa apenas que temos de ser ainda mais cuidadosos. Qual a reação do Governo? Nenhuma.

Se nos mercados há especuladores, então devemos evitar que Portugal seja o foco dessa especulação. Se essa especulação for infundada, os especuladores contra o País perdem dinheiro e saem do mercado. Como se faz isso? O Governo deve antecipar-se aos acontecimentos - e não dar o flanco - com ações decididas e com um discurso forte e claro. Se há contágio nos mercados (e tal existe) devemos estar longe do foco de contágio. Ou seja, mostrar com palavras fortes e ações decididas e claras que Portugal não só não é a Grécia mas, mais importante, que não vai seguir esse mesmo caminho. E, para isso, o Governo deveria ter palavras fortes e ações decididas e claras que mostrassem que Portugal não é, nem será, a Grécia. O problema grego começou em Novembro e desde o início do ano que todos (mas todos) os indicadores mostravam que os mercados estavam crescentemente nervosos em relação a Portugal. O que fazer? O primeiro-ministro deveria ter tido palavras fortes e claras de compromisso político (e acções consistentes com as palavras) com a disciplina orçamental.

Com a apresentação do PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento -, à primeira vista (aliás, antes de terem tido tempo de o ver) já personalidades e instituições internacionais, como o presidente da Comissão, o presidente do Eurogroup e o FMI, davam nota positiva ao nosso Programa. Não queriam outra Grécia, era óbvio. Mas, pelo menos desde meados de Março, voltaram a perceber que tal PEC poderia não chegar e que, afinal, não era assim grande coisa, embora pudesse ser melhor que o espanhol. O rigor orçamental era um objetivo demasiado longínquo e as medidas, como a Comissão veio, mais tarde, a sublinhar em palavras particularmente fortes, poderiam não chegar.

O que deveria o Governo ter feito: ter ações decididas e claras e um discurso forte para mostrar a sua determinação de tomar mais medidas, se necessário fosse, e de fazer de Portugal um país onde se pode investir. E, em particular, que era vantajoso comprar a nossa dívida pública.

Face aos sinais evidentes dos mercados, face às dúvidas que se avolumavam, como reagiu o Governo? Fazendo de conta que não era nada com ele e nunca se ouviu o primeiro-ministro a reafirmar de forma convincente o compromisso político com a estabilidade financeira do Estado.

Quanto aos actos, foi ainda pior, porque prosseguiu com as grandes obras públicas de megalómano, aprovando o contrato para o TGV-Madrid, anunciando mais duas centrais fotovoltaicas. E hoje, quinta-feira, já depois dos problemas agravados, assinando o contrato da terceira auto-estrada Lisboa-Porto. Tanto erro de política orçamental ultrapassa a incompetência óbvia e legitima outras suspeitas.

O discurso não existe e os actos são contrários à disciplina orçamental. Os mercados, depois de avisarem, cumpriram. E voltarão a cumprir, porque já avisaram.

Poderia ser, nunca o saberemos, que essa posição do Governo não acalmasse os mercados. Mas, pelo menos, tentava-se. Em Fevereiro, com a esperança do PEC que aí vinha, resultou, pois os mercados estavam dispostos a esperar. O que não vale a pena, porque ridículo, é culpar os especuladores ou uma conspiração americana contra o euro. Em português chama-se a isto atirar poeira para os olhos; na imprensa anglo-saxónica, se se desse ao trabalho de reproduzir tais afirmações, diriam que era bull-shitting e, na francesa, seria parler pour rien dire. Na verdade, a cama onde nos deitamos foi feita por nós.

E agora? Neste momento, o leite está derramado e é difícil voltar a metê-lo no copo. Esperava-se que retirassem a lição e, no entanto, as notícias de hoje não auguram nada de bom. Portugal ainda tem possibilidade de sair desta crise de endividamento, sem recorrer a auxílios internacionais humilhantes, como tem sido o caso dos gregos. Mas temos de fazer por isso: o controlo das contas públicas não aparece espontaneamente. O estado de negação em que tem vivido o Governo vai sair muito caro a cada um dos portugueses, com juros mais altos, menor crescimento e certamente mais desemprego. Mas mais vale tarde do que nunca: temos de ouvir um compromisso político forte sobre finanças públicas, acompanhado de acções claras e decididas sobre o assunto.

Quando o Titanic se afundou, por incúria e soberba do comandante, a orquestra continuou a tocar. Foi um gesto tão heróico quanto inútil e, por isso, ainda o recordamos. Desta vez, também a banda continua a tocar, enquanto o País se afunda, como se nada se passasse. Desta vez não é heróico, é ridículo e trágico.

Luís Campos e Cunha, Professor universitário
in «Público», 30.04.2010

Remodelação governamental

O Primeiro-Ministro acaba de anunciar a remodelação do seu governo e a imediata designação de um novo Ministro das Finanças.

Num comunicado ao país, foi detalhadamente explicado o sarilho económico e financeiro que resulta da crise internacional e da especulação daí resultante.

"O que é para fazer é para ser feito", disse o Primeiro-Ministro com a sua grande experiência em assuntos económicos, "e não há problema sem solução, pelo que vamos endireitar as contas públicas, como já o fizemos no passado.

Por isso, resolvi convidar o Prof. Fodeba para o cargo de Ministro das Finanças. Ele é um especialista em problemas sem solução e, todos sabemos que, finanças públicas sãs são condição necessária - não suficiente, mas necessária - para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego.

Rigor, transparência e verdade têm de ser as palavras-chave no domínio das contas públicas. Rigor, desde logo, na despesa, porque essa é a forma última de garantir a sustentabilidade de longo prazo das contas públicas, de assegurar uma economia competitiva e de garantir o Estado Social.

Rigor, também, no cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Múltiplos instrumentos poderão ser usados, mas o rigoroso controlo da despesa e o combate à fraude e à evasão fiscal serão, sem dúvida as traves-mestras da nossa ação.

Mas também a transparência. A transparência e a sustentabilidade das contas públicas são essenciais para a credibilidade externa e interna da governação".

O Prof. (Mestre) Fodeba declarou à imprensa que vai transferir o Ministério, do Terreiro do Paço para São João da Talha, "dando início a um novo ciclo de regionalização de que o país carece".

29/04/2010

A primeira invasão muçulmana

Em 29 de Abril de 711, teve início a invasão muçulmana da Península Ibérica que duraria até 1492, quando ocorreu a conquista de Granada pelos Reis Católicos de Espanha.

A presença árabe teve, na época, um efeito modernizador em vários domínios da ciência já que foi portadora de conhecimento das antigas civilizações egípcia e grega, com especial destaque na agricultura, na medicina, na matemática e na astronomia.

Tempos em que fundamentalismo era desconhecido...


Armando Guebuza em Portugal: «estou pidir»

Armando Guebuza traz 70 empresários a Portugal a 29 e 30 de Abril

O Presidente Moçambicano, Armando Guebuza, efectua uma visita oficial Portugal nos dias 29 e 30, anunciou hoje em Lisboa a Presidência da República, em comunicado no seu sítio da Internet.

Armando Guebuza será recebido no Palácio de Belém pelo seu anfitrião e homólogo português Aníbal Cavaco Silva, que oferecerá no Palácio da Ajuda um banquete em honra do chefe de Estado moçambicano.

O programa oficial inclui uma intervenção de Guebuza perante os deputados na Assembleia da República e encontros com o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, e com o primeiro-ministro José Sócrates.

Durante a estada oficial em Portugal, Armando Guebuza visitará projectos portugueses na área das energias renováveis, e participará num seminário empresarial, em que serão abordadas as oportunidades de negócios e as estratégias para o reforço da cooperação empresarial bilateral. Este seminário será encerrado pelos presidentes Cavaco Silva e Armando Guebuza.

A comitiva do Presidente moçambicano integra 70 empresários, que querem aproveitar «a excelente relação política» entre os dois países, disse hoje em Maputo, em conferência de imprensa, o responsável máximo da Confederação das Associações Económica de Moçambique (CTA), Salimo Abdula.

Os empresários moçambicanos querem aproveitar a «plataforma excelente das relações políticas» para desenvolver parcerias com empresas portuguesas e «negócios importantes entre os dois países», acrescentou.

«O objectivo principal é estabelecer e consolidar relações de parceria económica entre empresários de Moçambique e de Portugal», disse o responsável, adiantando que seguem na comitiva de Armando Guebuza empresários das áreas das energias (e energias renováveis), construção civil, imobiliário, metalomecânica, banca, indústria, processamento e agricultura, entre outras.

«Também vamos promover o mercado moçambicano», disse Salimo Abdula, para quem «Moçambique tem muito para oferecer a Portugal».

Os empresários, adiantou, viajam com grandes expectativas quanto a acordos na área das tecnologias mas também de «alguma musculação financeira», nomeadamente na área da agricultura, turismo, energia e mineração.

«São recursos que temos e aos quais temos acesso, mas depois falta a componente tecnológica e financeira», disse Salimo Abdula, acrescentando que sendo o ambiente de negócios na Europa muito competitivo, as empresas portuguesas têm também oportunidade de usar Moçambique como uma plataforma para entrar na região da África austral.

Será mais fácil até, através de Moçambique, entrar em mercados da Europa e dos Estados Unidos, pelas facilidades que o país tem de exportar para esses lugares, disse.

Sheial Samuel, coordenadora da CTA, precisou que os empresários deverão chegar a Portugal no dia 27, tendo no dia 28 um encontro com Armando Guebuza.

Para o dia 29, estão marcadas idas à Assembleia da República, Praça do Império e Câmara de Lisboa, e no dia 30 será o momento do encontro entre empresários dos dois países.

Na tarde do dia 30 será realizado um seminário económico com empresários de Portugal e de Moçambique, que terá uma componente forte sobre turismo.

in «Sol», 21.03.2010

28/04/2010

Diretor das Alfândegas morto em Maputo

O diretor de Investigação e Auditoria da Autoridade Tributária de Moçambique (ATM), Orlando José, foi morto na sua residência, no bairro de Zimpeto, cidade de Maputo, baleado por criminosos ainda a monte. O baleamento ocorreu no final da tarde de ontem.

O diretor do serviço de inteligência das Alfândegas anunciara na tarde de ontem a apreensão de três viaturas de luxo, (BMW, Range Rover e Mercedes-Benz) pelas Alfândegas, que entraram no país ilegalmente, suspeitando-se que sejam provenientes da vizinha Swazilândia e da África do Sul. Acredita-se que o assassinato do diretor de Investigação e Auditoria
das Alfândegas esteja relacionado com a apreensão de viaturas.


Mas também se admite que o crime possa estar relacionado com a recente apreensão, ao Km.14 da EN1, em Maputo, de uma viatura e de um cidadão libanês que nela transportava, escondidos nos forros das portas, cerca de quatrocentos mil dólares americanos em notas. O mesmo, cuja identidade não foi revelada, encaminhava-se para a Machipanda, fronteira com o Zimbabwe, no Corredor da Beira, zona onde recentemente começou a prosperar uma significativa comunidade libanesa de outras nacionalidades, que se supõe interessada pelo mercado de ouro do garimpo local e diamantes do país vizinho.

Na semana passada, Orlando Jaime anunciara essa apreensão de 400 mil dólares norte-americanos a um cidadão de origem libanesa, que alegadamente tentava sair do país com o valor.

in «Canalmoz», 28.04.2010

Das três, duas....

Quando Deus fez o mundo, para que os homens prosperassem, decidiu
dar-lhes apenas duas virtudes.
Assim, mandou ao seu anjo-secretário que anotasse quais seriam os dons:

- Aos suíços, os fez estudiosos e respeitadores da lei;
- Aos ingleses, organizados e pontuais;
- Aos argentinos, chatos e arrogantes;
- Aos japoneses, trabalhadores e disciplinados;
- Aos italianos, alegres e românticos;
- Aos franceses, cultos e finos;
- Aos portugueses, inteligentes, honestos e socialistas;
O anjo anotou, mas logo em seguida, cheio de humildade, indagou:
- Senhor, a todos os povos do mundo foram dadas duas virtudes, porém aos portugueses, foram dadas três! Isto não os fará soberbos em relação aos outros povos da terra?
- Muito bem observado, bom anjo! - exclamou o Senhor - isso é verdade!
- Façamos então uma correção ! De agora em diante, os portugueses, povo do meu coração, manterão esses três dons, mas nenhum deles poderá utilizar, simultaneamente, mais de dois, como os outros povos!
- Assim, o que for socialista e honesto, não pode ser inteligente. O que for socialista e inteligente, não pode ser honesto. E o que for inteligente e honesto, não pode ser socialista!
Palavras do Senhor !!!... 

27/04/2010

Basta de truques: este é o culpado!

Portugal, conduzido por taxistas incompetentes, chegou a um beco sem saída.

É insustentável o estafado argumento de que o problema é a crise mundial ou ainda que a culpa é da Alemanha, quando é perfeitamente visível que a bancarrota tem culpados em São Bento.

Ainda não passaram 12 meses deste que, em contra-ciclo, se anunciavam aumentos de 2,9% para a função pública, se baixava o IVA em 1%, se anunciavam TGVs, pontes, autoestradas, SCUTs, milhões para "ajudar" as empresas, em suma, poeira para os olhos.
Mas, em Setembro de 2009, os portugueses decidiram democraticamente, deixar-se enganar e não ouvir a vozes que alertavam. O que está a acontecer foi há muito antecipado. Não foi por falta de aviso que se chegou a este ponto.

Recordemos um pobre de espítito que dizia que "há mais vida para além do défice". Ignorante, irresponsável, louco.

Agora, está tudo muito transparente: o país está altamente individado e quem tem dinheiro para emprestar, não acredita que Portugal consiga pagar, já que vive de contrair dívida para pagar dívida. Numa espiral infernal de crescente dívida do Estado, das empresas e dos cidadãos.
Pesados sacrifícios, desemprego, estagnação, colapso de empresas, esperam os cidadãos portugueses.

No próximo 20 de Maio, o Tesouro português tem de pagar uma forte tranche da dívida pública e, esse dia, vai ser determinante para se saber se é declarada a bancarrota ou se ela fica adiada. No contexto presente, essa tranche vai ser paga com a emissão de nova dívida, maior e assente em taxas de juro três vezes superior às da Alemanha.

Mas, chegados a este ponto, é preciso responder a estas questões:

- É com esta gente que Portugal se vai endireitar?

- É com esta gente vai pôr as contas em ordem?

- É com esta gente que Portugal vai recuperar a credibilidade internacional?

- É com esta gente que se vai pôr cobro à corrupção?

- É com esta gente que se faz o país crescer?

Magalhães a 27 de Abril de 1521

Fernão de Magalhães, grande navegador português nascido em 1480, faleceu tragicamente a 27 de Abril de 1521 nas Filipinas, na sequência de uma desnecessária luta com habitantes de uma ilha de Mactan.

A extraordinária visão, coragem e capacidade de comando de Fernão de Magalhães levaram-no a propor o acesso à Índia pelo Ocidente, rumando em direção à América e Oceano Pacífico.

Obtido o apoio do rei de Espanha, Carlos V, recusado que foi o do rei de Portugal Dom Manuel I, Magalhães saiu de Cadiz a 20 de Setembro de 1519 com cinco embarcações e 234 tripulantes.

Controlados os danos provocados pelos erros geográficos e pelas revoltas dos marinheiros espanhois, atingem a ilha de Ladrões em 1521, no arquipélogo de Guam.

Os relatos completos da fantástica e difícil viagem foram feitos pelo italiano Antonio Pigafetta que pagara o seu próprio lugar na aventura. Ele foi um dos 18 sobreviventes que completaram a viagem.

Entre os tripulantes seguia Henrique de Malaca, um nativo de Sumatra que era aio e escravo de Magalhães - adquirido em 1511 durante a conquista portuguesa de Malaca - e que, por falar a língua malaia e entender a fala dos locais, foi decisivo para reconhecer e comprovar que fora dada a volta ao Mundo.

O escritor austríaco Stefan Zweig escreveu uma excitante biografia (1938) sobre a vida, a viagem e o génio do navegador português.

(imagens da Wikipedia)

26/04/2010

Visita a Alcochete

Alcochete tem uma vista fabulosa sobre o rio Tejo e Lisboa.

Vila muito antiga, onde nasceu o rei Dom Manuel I em 1469, tem essencialmente escapado ao caos moderno. O núcleo antigo tem os traços e as rugas da antiguidade.

Desejemos que os "patos bravos" não acabem com este mundo antigo.

25/04/2010

25 de Abril e Liberdade

A data de 25 de Abril assinala a Liberdade e o renascimento de Portugal.

A Censura foi abolida e passou a ser possível ver filmes como este: