O prestigiado economista Joseph Stiglitz não exclui a hipótese de Portugal ou a Espanha acabarem por falir, apesar de agora se estar a organizar o salvamento financeiro da Grécia.
Sitglitz, professor na universidade de Colúmbia, fez esta observação durante uma entrevista ao diário espanhol «El País», quando falava da dificuldade em encontrar uma solução para a atual situação em Espanha, onde o desemprego oficial roça os 20 por cento e que está perante o dilema de aumentar, ou não, impostos.
Esta observação deste economista que foi assessor do Presidente Bill Clinton e que é muito crítico da atual globalização comercial e financeira (e particularmente do sistema financeiro) segue-se a várias referências na imprensa internacional à situação financeira portuguesa.
Também hoje, um artigo de opinião no diário britânico «Telegraph» questiona se a Alemanha também vai ter de financiar Portugal. A comparação do peso das dívidas públicas portuguesa e grega é contrastada com o peso das dívidas dos respetivos sectores privados, e o país não sai muito bem na imagem.
A dívida pública nacional deverá representar este ano 86 por cento do PIB, enquanto a grega representará 124 por cento. Mas a dívida provada nacional era 239 por cento do PIB em 2008, face a 129 da grega, de acordo com um analista do Deutsche bank citado no «Telegraph».
Na sexta-feira, o país era já tinha sido apresentado no diário «The New York Times» como o próximo alvo dos mercados. Num artigo intitulado “Preocupações com a dívida mudam para Portugal, motivadas pela subida das taxas das obrigações”, dizia-se que os especuladores dos mercados estavam agora a avançar em direção “a mais um pequeno membro da perturbada zona monetária europeia”, depois de a Grécia estar aparentemente em vias de ultrapassar a sua crise imediata, através da ajuda dos outros membros da zona euro e do FMI.
No dia anterior, Simon Jonhson, ex-economista chefe do FMI, dizia que “o próximo grande problema global” seria Portugal. Considerava mesmo que até agora o país só tem conseguido estar fora do centro das atenções apenas graças à Grécia, e que estes dois países estão piores do que a Argentina em 2001. Outro economista de nomeada, Nouriel Roubini, dizia também que Portugal e a Grécia poderiam ter de abandonar a zona euro.
Hoje as taxas de juro cobradas nos mercados financeiros pela compra de seguros contra incumprimento da dívida pública portuguesa subiram 19 pontos-base (0,19 por cento), fazendo disparar para 151 pontos base a margem sobre os juros cobrados para os produtos do mesmo tipo sobre a dívida do Estado alemão – que são os mais baixos da Europa.
Euro em causa
Sitglitz recebeu um Nobel da Economia em 2001 e tornou-se uma vedeta por ser muito crítico da actual globalização comercial e financeira, particularmente do papel do sistema financeiro, e ter sido dos poucos que anteciparam a crise internacional que se desencadeou em 2008. Na entrevista que o «El País» publica hoje mantém a linha de pensamento que o tornou muito admirado sobretudo na Europa, mas atualizada à luz das mais recentes consequências da crise internacional.
Agora, diz que o euro “corre o risco de desaparecer se não se gerar uma onda de solidariedade e não se puserem em marcha soluções institucionais”. Chega a esta conclusão a partir do que aconteceu na crise asiática da segunda metade dos anos 1990, em que as economias de vários países foram caindo sucessivamente às mãos dos mercados financeiros internacionais.
“O problema é evidente, mas a lentidão e a debilidade da resposta questionam a sobrevivência do euro. Os mercados não são propriamente uma fonte de sabedoria: são predadores, muitas vezes são estúpidos, são completamente imprevisíveis, e se a Alemanha e a Europa não procurarem soluções podem provocar estragos”, afirma a certa altura.
Assinala também o “paradoxo” de se ter dado aos bancos um “cheque em branco para os salvar”, e de agora se pôr à disposição da Grécia ajuda financeira “a um custo excessivo”. Não se pode “ganhar dinheiro à custa da família, como parece querer fazer a Europa”, rematou.
in «Público», 19.04.2010
19/04/2010
Darwin
Charles Darwin faleceu a 19 de Abril de 1882.
A sua publicação «A origem das espécies» ou «On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life», em 1859, foi decisiva para se perceber que o ser humano não é uma criação divina.
A viagem do navio "Beagle", durante mais de quatro anos, permitiu relacionar animais modernos com fósseis encontrados, abrindo caminho para uma explicação baseada na evolução.
Um grande salto na ciência.
A sua publicação «A origem das espécies» ou «On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life», em 1859, foi decisiva para se perceber que o ser humano não é uma criação divina.
A viagem do navio "Beagle", durante mais de quatro anos, permitiu relacionar animais modernos com fósseis encontrados, abrindo caminho para uma explicação baseada na evolução.
Um grande salto na ciência.
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História
Massacre de Lisboa
Foi em 19 de Abril de 1506 que se deu o Massacre de Lisboa, ocasião em que uma multidão fanática de cristãos e a partir do mosteiro de São Domingos, perseguiu, torturou e assassinou milhares de judeus.
Era rei de Portugal, Dom Manuel I que, alguns anos antes, em 1497, havia decretado a conversão forçada dos judeus. Em 1492, os reis católicos da Espanha unificada, tinham imposto a sua expulsão do seu território, o que conduziu à entrada de mais de 90 mil judeus, em Portugal.
Na época, vivia-se um crise agrícola acentuada como resultado de secas prolongadas que hoje se supõe terem tido origem na Pequena Glaciação que atravessou o planeta nos séculos XVI e seguintes.
Um crime cometido em nome de Deus.
A perseguição aos judeus seria intensificada com a criação da "Santa Inquisição" em 1536 e marcou, definitivamente, a decadência de Portugal
imagens da Wikipédia, incluindo o monumento ao massacre aos judeus (Lisboa, junto à praça do Rossio)
Era rei de Portugal, Dom Manuel I que, alguns anos antes, em 1497, havia decretado a conversão forçada dos judeus. Em 1492, os reis católicos da Espanha unificada, tinham imposto a sua expulsão do seu território, o que conduziu à entrada de mais de 90 mil judeus, em Portugal.
Na época, vivia-se um crise agrícola acentuada como resultado de secas prolongadas que hoje se supõe terem tido origem na Pequena Glaciação que atravessou o planeta nos séculos XVI e seguintes.
Um crime cometido em nome de Deus.
A perseguição aos judeus seria intensificada com a criação da "Santa Inquisição" em 1536 e marcou, definitivamente, a decadência de Portugal
imagens da Wikipédia, incluindo o monumento ao massacre aos judeus (Lisboa, junto à praça do Rossio)
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Fundamentalismo,
História
Venezuela: 200 anos
A Venuzuela comemora hoje, 19 de Abril, 200 anos da revolução da independência.
Em 1810 teve início o movimento pela independência em 1810 sob a inspiração de Simón Bolívar e que viria a ser proclamada no ano seguinte como parte da Grande Colômbia.
Sucessivamente governada por caudilhos, ditadores e esbanjadores, vive hoje sob a ditadura de fachada democrática de Hugo Chávez e a braços com uma grave crise institucional e económica após desbaratar a riqueza proporcionada pelo petróleo e desinvestir na rede elétrica que está sujeita a apagões sucessivos.
É caso para dizer: acendam as velas...
Em 1810 teve início o movimento pela independência em 1810 sob a inspiração de Simón Bolívar e que viria a ser proclamada no ano seguinte como parte da Grande Colômbia.
Sucessivamente governada por caudilhos, ditadores e esbanjadores, vive hoje sob a ditadura de fachada democrática de Hugo Chávez e a braços com uma grave crise institucional e económica após desbaratar a riqueza proporcionada pelo petróleo e desinvestir na rede elétrica que está sujeita a apagões sucessivos.
É caso para dizer: acendam as velas...
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Comunismo
18/04/2010
Em Caxias...
No pátio da Prisão de Caxias ouve-se uma comunicação da diretora aos presos:
- Atenção! Atenção!
- Quero toda a gente a varrer e a limpar toda esta bagunça! Amanhã chega aqui o senhor primeiro-ministro.
Um dos presos comenta para outro:
- Caramba..! Custou, mas prenderam-no...
- Atenção! Atenção!
- Quero toda a gente a varrer e a limpar toda esta bagunça! Amanhã chega aqui o senhor primeiro-ministro.
Um dos presos comenta para outro:
- Caramba..! Custou, mas prenderam-no...
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Negociatas
17/04/2010
Berloque de Esquerda
O Bloco de Esquerda é a «Mercearia Louçã»:
e) - Francisco Anacleto Louçã, de 49 anos de idade, portador do Bilhete de Identidade nº xxxxxx, emitido pelo Arquivo de Identificação de Lisboa em 6 de Abril de 1998, filho de António Seixas Louçã e de Noémia da Rocha Neves Anacleto Louçã, solteiro, professor universitário, natural de São Sebastião da Pedreira, Lisboa e residente na Av. Duque de Loulé xxx, xº, Lisboa;
Despacho nº 5296/2010
Assembleia da República - Secretário-Geral
Nomeação da licenciada Noémia da Rocha Neves Anacleto Louçã para a categoria de assessora do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda
Assembleia da República - Secretário-Geral
Nomeação da licenciada Noémia da Rocha Neves Anacleto Louçã para a categoria de assessora do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda
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Negociatas
Lei de Jante
– O que você acha da princesa Martha-Louise?
O jornalista norueguês me entrevistava à beira do lago de Genebra. Geralmente me recuso responder perguntas que fogem ao contexto do meu trabalho, mas neste caso sua curiosidade tinha um motivo: a princesa, no vestido que usara ao fazer 30 anos, mandara bordar o nome de varias pessoas que tinham sido importantes em sua vida – e entre estes nomes estava o meu (minha mulher achou a idéia tão boa que resolveu fazer a mesma coisa em seu aniversário de 50 anos, colocando o crédito “inspirado pela princesa da Noruega” em um dos cantos da sua roupa).
– Acho uma pessoa sensível, delicada, inteligente – respondi. – Tive oportunidade de conhece-la em Oslo, quando me apresentou a seu marido, escritor como eu.
Parei um pouco, mas precisava ir adiante:
– E existe uma coisa que eu realmente não entendo: por que a imprensa norueguesa passou a atacar o trabalho literário do seu marido depois que ele se casou com a princesa? Antes as críticas eram positivas.
Não era propriamente uma pergunta, mas uma provocação, pois eu já imaginava a resposta: a crítica mudou porque as pessoas sentem inveja, o mais amargo dos sentimentos humanos.
O jornalista, entretanto, foi mais sofisticado do que isso:
– Porque ele transgrediu a Lei de Jante.
Evidente que eu jamais ouvira falar disso, e ele me explicou o que era. Continuando a viagem, percebi que em todos os países da Escandinávia é difícil encontrar alguém que não conheça esta lei. Embora ela já exista desde o inicio da civilização, foi enunciada oficialmente apenas em 1933 pelo escritor Aksel Sandemose na novela “Um refugiado ultrapassa seus limites”.
A triste constatação é que a Lei de Jante é uma regra aplicada em todos os países do mundo, embora os brasileiros digam “isso só acontece aqui”, ou os franceses afirmem “em nosso país, infelizmente é assim.” Como o leitor já deve estar irritado porque leu mais da metade da coluna sem saber exatamente do que se trata a Lei de Jante, vou tentar resumi-la aqui, com minhas próprias palavras:
“Você não vale nada, ninguém está interessado no que você pensa, a mediocridade e o anonimato são a melhor escolha. Se agir assim, você jamais terá grandes problemas em sua vida.”
A Lei de Jante enfoca, em seu contexto, o sentimento de ciúme e inveja que às vezes dá muita dor de cabeça a pessoas como Ari Behn, o marido da princesa Martha-Louise. Este é um dos seus aspectos negativos, mas existe algo muito mais perigoso.
É graças a ela que o mundo tem sido manipulado de todas as maneiras, por gente que não teme o comentário dos outros, e termina fazendo o mal que deseja. Acabamos de assistir uma guerra inútil no Iraque, que continua custando muitas vidas; vemos um grande abismo entre os países ricos e os países pobres, injustiça social por todos os lados, violência descontrolada, pessoas que são obrigadas a renunciar aos seus sonhos por causa de ataques injustos e covardes. Antes de iniciar a segunda guerra mundial, Hitler deu vários sinais de suas intenções, e o que o fez ir adiante foi saber que ninguém ousaria desafia-lo por causa da Lei de Jante.
A mediocridade pode ser confortável, até que um dia a tragédia bate à porta, e então as pessoas se perguntam: “mas porque ninguém disse nada, quando todo mundo estava vendo que isso ia acontecer? ”
Simples: ninguém disse nada porque elas também não disseram nada.
Portanto, para evitar que as coisas fiquem cada vez piores, talvez fosse o momento de escrever a anti-lei de Jante:
“Você vale muito mais do que pensa. Seu trabalho e sua presença nesta Terra são importantes, mesmo que você não acredite. Claro que, pensando assim, você poderá ter muitos problemas por estar transgredindo a Lei de Jante – mas não se deixe intimidar por eles, continue vivendo sem medo, e irá vencer no final.”
Paulo Coelho
in www.paulocoelhoblog.com, 22.01.2010
O jornalista norueguês me entrevistava à beira do lago de Genebra. Geralmente me recuso responder perguntas que fogem ao contexto do meu trabalho, mas neste caso sua curiosidade tinha um motivo: a princesa, no vestido que usara ao fazer 30 anos, mandara bordar o nome de varias pessoas que tinham sido importantes em sua vida – e entre estes nomes estava o meu (minha mulher achou a idéia tão boa que resolveu fazer a mesma coisa em seu aniversário de 50 anos, colocando o crédito “inspirado pela princesa da Noruega” em um dos cantos da sua roupa).
– Acho uma pessoa sensível, delicada, inteligente – respondi. – Tive oportunidade de conhece-la em Oslo, quando me apresentou a seu marido, escritor como eu.
Parei um pouco, mas precisava ir adiante:
– E existe uma coisa que eu realmente não entendo: por que a imprensa norueguesa passou a atacar o trabalho literário do seu marido depois que ele se casou com a princesa? Antes as críticas eram positivas.
Não era propriamente uma pergunta, mas uma provocação, pois eu já imaginava a resposta: a crítica mudou porque as pessoas sentem inveja, o mais amargo dos sentimentos humanos.
O jornalista, entretanto, foi mais sofisticado do que isso:
– Porque ele transgrediu a Lei de Jante.
Evidente que eu jamais ouvira falar disso, e ele me explicou o que era. Continuando a viagem, percebi que em todos os países da Escandinávia é difícil encontrar alguém que não conheça esta lei. Embora ela já exista desde o inicio da civilização, foi enunciada oficialmente apenas em 1933 pelo escritor Aksel Sandemose na novela “Um refugiado ultrapassa seus limites”.
A triste constatação é que a Lei de Jante é uma regra aplicada em todos os países do mundo, embora os brasileiros digam “isso só acontece aqui”, ou os franceses afirmem “em nosso país, infelizmente é assim.” Como o leitor já deve estar irritado porque leu mais da metade da coluna sem saber exatamente do que se trata a Lei de Jante, vou tentar resumi-la aqui, com minhas próprias palavras:
“Você não vale nada, ninguém está interessado no que você pensa, a mediocridade e o anonimato são a melhor escolha. Se agir assim, você jamais terá grandes problemas em sua vida.”
A Lei de Jante enfoca, em seu contexto, o sentimento de ciúme e inveja que às vezes dá muita dor de cabeça a pessoas como Ari Behn, o marido da princesa Martha-Louise. Este é um dos seus aspectos negativos, mas existe algo muito mais perigoso.
É graças a ela que o mundo tem sido manipulado de todas as maneiras, por gente que não teme o comentário dos outros, e termina fazendo o mal que deseja. Acabamos de assistir uma guerra inútil no Iraque, que continua custando muitas vidas; vemos um grande abismo entre os países ricos e os países pobres, injustiça social por todos os lados, violência descontrolada, pessoas que são obrigadas a renunciar aos seus sonhos por causa de ataques injustos e covardes. Antes de iniciar a segunda guerra mundial, Hitler deu vários sinais de suas intenções, e o que o fez ir adiante foi saber que ninguém ousaria desafia-lo por causa da Lei de Jante.
A mediocridade pode ser confortável, até que um dia a tragédia bate à porta, e então as pessoas se perguntam: “mas porque ninguém disse nada, quando todo mundo estava vendo que isso ia acontecer? ”
Simples: ninguém disse nada porque elas também não disseram nada.
Portanto, para evitar que as coisas fiquem cada vez piores, talvez fosse o momento de escrever a anti-lei de Jante:
“Você vale muito mais do que pensa. Seu trabalho e sua presença nesta Terra são importantes, mesmo que você não acredite. Claro que, pensando assim, você poderá ter muitos problemas por estar transgredindo a Lei de Jante – mas não se deixe intimidar por eles, continue vivendo sem medo, e irá vencer no final.”
Paulo Coelho
in www.paulocoelhoblog.com, 22.01.2010
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Opinião
16/04/2010
O Polvo
Taguspark é a evidência da traficância, do assalto aos centros do poder, o desvio da riqueza de Portugal por partidos sem escrúpulos. Pornografia, para usar a expressão de um dos intervenientes.
É um país governado por uma vara cujas afirmações e promessas são desmentidas todos os dias.
É um país a saque.
É um país governado por uma vara cujas afirmações e promessas são desmentidas todos os dias.
É um país a saque.
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Negociatas
15/04/2010
Tromba de água em Lisboa
Uma calamidade nunca vem só. Lisboa, 14.04.2010, sob influência de uma tromba de água, socialista, concerteza.
Fotos recebidas da Internet

Fotos recebidas da Internet

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Clima
Portugal: o próximo problema global
O governo Sócrates brinca com fogo e prepara-se para queimar Portugal. Numa altura em que é preciso refrear fortemente o endividamento externo do país, compromete-o com um projeto economicamente desastroso - o TGV Caia-Poceirão -
Aí está uma análise do «New York Times» como alerta muito sério: é preciso esperar o pior!
The Next Global Problem: Portugal
Prime Minister José Sócrates is trying to reassure world markets that he can bring down Portugal’s deficit.
Peter Boone is chairman of the charity Effective Intervention and a research associate at the Center for Economic Performance at the London School of Economics. He is also a principal in Salute Capital Management Ltd. Simon Johnson, the former chief economist at the International Monetary Fund, is the co-author of 13 Bankers.
The bailout of Greece, while still not fully consummated, has brought an eerie calm in European financial markets.
It is, for sure, a huge bailout by historical standards. With the planned addition of International Monetary Fund money, the Greeks will receive 18 percent of their gross domestic product in one year at preferential interest rates. This equals 4,000 euros per person, and will be spent in roughly 11 months.
Despite this eye-popping sum, the bailout does nothing to resolve the many problems that persist. Indeed, it probably makes the euro zone a much more dangerous place for the next few years.
Next on the radar will be Portugal. This nation has largely missed the spotlight, if only because Greece spiraled downward. But both are economically on the verge of bankruptcy, and they each look far riskier than Argentina did back in 2001 when it succumbed to default.
Portugal spent too much over the last several years, building its debt up to 78 percent of G.D.P. at the end of 2009 (compared with Greece’s 114 percent of G.D.P. and Argentina’s 62 percent of G.D.P. at default). The debt has been largely financed by foreigners, and as with Greece, the country has not paid interest outright, but instead refinances its interest payments each year by issuing new debt. By 2012 Portugal’s debt-to-G.D.P. ratio should reach 108 percent of G.D.P. if the country meets its planned budget deficit targets. At some point financial markets will simply refuse to finance this Ponzi game.
The main problem that Portugal faces, like Greece, Ireland and Spain, is that it is stuck with a highly overvalued exchange rate when it is in need of far-reaching fiscal adjustment.
For example, just to keep its debt stock constant and pay annual interest on debt at an optimistic 5 percent interest rate, the country would need to run a primary surplus of 5.4 percent of G.D.P. by 2012. With a planned primary deficit of 5.2 percent of G.D.P. this year (i.e., a budget surplus, excluding interest payments), it needs roughly 10 percent of G.D.P. in fiscal tightening.
It is nearly impossible to do this in a fixed exchange-rate regime — i.e., the euro zone — without vast unemployment. The government can expect several years of high unemployment and tough politics, even if it is to extract itself from this mess.
Neither Greek nor Portuguese political leaders are prepared to make the needed cuts. The Greeks have announced minor budget changes, and are now holding out for their 45 billion euro package while implicitly threatening a messy default on the rest of Europe if they do not get what they want — and when they want it.
The Portuguese are not even discussing serious cuts. In their 2010 budget, they plan a budget deficit of 8.3 percent of G.D.P., roughly equal to the 2009 budget deficit (9.4 percent). They are waiting and hoping that they may grow out of this mess — but such growth could come only from an amazing global economic boom.
While these nations delay, the European Union with its bailout programs — assisted by Jean-Claude Trichet’s European Central Bank — provides financing. The governments issue bonds; European commercial banks buy them and then deposit these at the European Central Bank as collateral for freshly printed money. The bank has become the silent facilitator of profligate spending in the euro zone.
Last week the European Central Bank had a chance to dismantle this doom machine when the board of governors announced new rules for determining what debts could be used as collateral at the central bank.
Some anticipated the central bank might plan to tighten the rules gradually, thereby preventing the Greek government from issuing too many new bonds that could be financed at the bank. But the bank did not do that. In fact, the bank’s governors did the opposite: they made it even easier for Greece, Portugal and any other nation to borrow in 2011 and beyond. Indeed, under the new lax rules you need only to convince one rating agency (and we all know how easy that is) that your debt is not junk in order to get financing from the European Central Bank.
Today, despite the clear dangers and huge debts, all three rating agencies are surely scared to take the politically charged step of declaring that Greek debt is junk. They are similarly afraid to touch Portugal.
So what next for Portugal?
Pity the serious Portuguese politician who argues that fiscal probity calls for early belt-tightening. The European Union, the European Central Bank and the Greeks have all proven that the euro zone nations have no threshold for pain, and European Union money will be there for anyone who wants it. The Portuguese politicians can do nothing but wait for the situation to get worse, and then demand their bailout package, too. No doubt Greece will be back next year for more. And the nations that “foolishly” already started their austerity, such as Ireland and Italy, must surely be wondering whether they too should take the less austere path.
There seems to be no logic in the system, but perhaps there is a logical outcome.
Europe will eventually grow tired of bailing out its weaker countries. The Germans will probably pull that plug first. The longer we wait to see fiscal probity established, at the European Central Bank and the European Union, and within each nation, the more debt will be built up, and the more dangerous the situation will get.
When the plug is finally pulled, at least one nation will end up in a painful default; unfortunately, the way we are heading, the problems could be even more widespread.
Peter Boone e Simon Johnson
in «New York Times», 15.04.2010
Aí está uma análise do «New York Times» como alerta muito sério: é preciso esperar o pior!
The Next Global Problem: Portugal
Prime Minister José Sócrates is trying to reassure world markets that he can bring down Portugal’s deficit.
Peter Boone is chairman of the charity Effective Intervention and a research associate at the Center for Economic Performance at the London School of Economics. He is also a principal in Salute Capital Management Ltd. Simon Johnson, the former chief economist at the International Monetary Fund, is the co-author of 13 Bankers.
The bailout of Greece, while still not fully consummated, has brought an eerie calm in European financial markets.
It is, for sure, a huge bailout by historical standards. With the planned addition of International Monetary Fund money, the Greeks will receive 18 percent of their gross domestic product in one year at preferential interest rates. This equals 4,000 euros per person, and will be spent in roughly 11 months.
Despite this eye-popping sum, the bailout does nothing to resolve the many problems that persist. Indeed, it probably makes the euro zone a much more dangerous place for the next few years.
Next on the radar will be Portugal. This nation has largely missed the spotlight, if only because Greece spiraled downward. But both are economically on the verge of bankruptcy, and they each look far riskier than Argentina did back in 2001 when it succumbed to default.
Portugal spent too much over the last several years, building its debt up to 78 percent of G.D.P. at the end of 2009 (compared with Greece’s 114 percent of G.D.P. and Argentina’s 62 percent of G.D.P. at default). The debt has been largely financed by foreigners, and as with Greece, the country has not paid interest outright, but instead refinances its interest payments each year by issuing new debt. By 2012 Portugal’s debt-to-G.D.P. ratio should reach 108 percent of G.D.P. if the country meets its planned budget deficit targets. At some point financial markets will simply refuse to finance this Ponzi game.
The main problem that Portugal faces, like Greece, Ireland and Spain, is that it is stuck with a highly overvalued exchange rate when it is in need of far-reaching fiscal adjustment.
For example, just to keep its debt stock constant and pay annual interest on debt at an optimistic 5 percent interest rate, the country would need to run a primary surplus of 5.4 percent of G.D.P. by 2012. With a planned primary deficit of 5.2 percent of G.D.P. this year (i.e., a budget surplus, excluding interest payments), it needs roughly 10 percent of G.D.P. in fiscal tightening.
It is nearly impossible to do this in a fixed exchange-rate regime — i.e., the euro zone — without vast unemployment. The government can expect several years of high unemployment and tough politics, even if it is to extract itself from this mess.
Neither Greek nor Portuguese political leaders are prepared to make the needed cuts. The Greeks have announced minor budget changes, and are now holding out for their 45 billion euro package while implicitly threatening a messy default on the rest of Europe if they do not get what they want — and when they want it.
The Portuguese are not even discussing serious cuts. In their 2010 budget, they plan a budget deficit of 8.3 percent of G.D.P., roughly equal to the 2009 budget deficit (9.4 percent). They are waiting and hoping that they may grow out of this mess — but such growth could come only from an amazing global economic boom.
While these nations delay, the European Union with its bailout programs — assisted by Jean-Claude Trichet’s European Central Bank — provides financing. The governments issue bonds; European commercial banks buy them and then deposit these at the European Central Bank as collateral for freshly printed money. The bank has become the silent facilitator of profligate spending in the euro zone.
Last week the European Central Bank had a chance to dismantle this doom machine when the board of governors announced new rules for determining what debts could be used as collateral at the central bank.
Some anticipated the central bank might plan to tighten the rules gradually, thereby preventing the Greek government from issuing too many new bonds that could be financed at the bank. But the bank did not do that. In fact, the bank’s governors did the opposite: they made it even easier for Greece, Portugal and any other nation to borrow in 2011 and beyond. Indeed, under the new lax rules you need only to convince one rating agency (and we all know how easy that is) that your debt is not junk in order to get financing from the European Central Bank.
Today, despite the clear dangers and huge debts, all three rating agencies are surely scared to take the politically charged step of declaring that Greek debt is junk. They are similarly afraid to touch Portugal.
So what next for Portugal?
Pity the serious Portuguese politician who argues that fiscal probity calls for early belt-tightening. The European Union, the European Central Bank and the Greeks have all proven that the euro zone nations have no threshold for pain, and European Union money will be there for anyone who wants it. The Portuguese politicians can do nothing but wait for the situation to get worse, and then demand their bailout package, too. No doubt Greece will be back next year for more. And the nations that “foolishly” already started their austerity, such as Ireland and Italy, must surely be wondering whether they too should take the less austere path.
There seems to be no logic in the system, but perhaps there is a logical outcome.
Europe will eventually grow tired of bailing out its weaker countries. The Germans will probably pull that plug first. The longer we wait to see fiscal probity established, at the European Central Bank and the European Union, and within each nation, the more debt will be built up, and the more dangerous the situation will get.
When the plug is finally pulled, at least one nation will end up in a painful default; unfortunately, the way we are heading, the problems could be even more widespread.
Peter Boone e Simon Johnson
in «New York Times», 15.04.2010
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Prender o Papa
Richard Dawkins, o militante ateu, está a planear uma emboscada legal para que o Papa Bento XVI seja detido por “crimes contra a Humanidade” durante a sua visita ao Reino Unido.
Para o efeito, o autor já consultou uma série de advogados de direitos humanos para que seja aberto um processo contra Ratzinger sobre o alegado encobrimento de centenas de crimes sexuais dentro da Igreja Católica.
O escritor acredita que o Papa não poderá invocar imunidade diplomática contra um eventual mandado de detenção, na medida em que ele não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas.
Dawkins, autor de “A Desilusão de Deus”, acusa o Santo Padre de encobrir de forma descarada o abuso sexual de menores dentro da comunidade católica: “Quando os seus sacerdotes são apanhados de calças na mão, o instinto deste homem é encobri-los e evitar escândalos. E depois que se lixem as vítimas”.
in «i-online», 11.04.2010
NR: O "rottweiler de Darwin" é a prova de que todo o fundamentalismo é uma religião
Para o efeito, o autor já consultou uma série de advogados de direitos humanos para que seja aberto um processo contra Ratzinger sobre o alegado encobrimento de centenas de crimes sexuais dentro da Igreja Católica.
O escritor acredita que o Papa não poderá invocar imunidade diplomática contra um eventual mandado de detenção, na medida em que ele não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas.
Dawkins, autor de “A Desilusão de Deus”, acusa o Santo Padre de encobrir de forma descarada o abuso sexual de menores dentro da comunidade católica: “Quando os seus sacerdotes são apanhados de calças na mão, o instinto deste homem é encobri-los e evitar escândalos. E depois que se lixem as vítimas”.
in «i-online», 11.04.2010
NR: O "rottweiler de Darwin" é a prova de que todo o fundamentalismo é uma religião
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Fundamentalismo
14/04/2010
A caça às bruxas
A Santa Inquisição está de volta!
Para entreter o pagode, uma série de sereias socialistas vêm com a sua voz delicodoce desancar sobre o pobre do António Mexia. E, neste caso, pobre apenas por ser escolhido como a vítima da inveja socialista.
Na verdade, o motivo da persiguição estão as notícias de que Mexia teria recebido mais de 1,3 milhões de euros em remunerações fixas e variáveis, em 2009.
E quem são as sereias? António José Seguro, João Soares, Carlos Zorrinho, Paulo Querido e outros, em blogues e comentaristas vários. E a que propósito, António Mexia?
O Estado é acionista da EDP com menos de 10% do respetivo capital. Todavia, comporta-se perante a empresa, como se detivesse a totalidade.
Quando precisa de "fazer flores", recorre a "empresas-amigas" para intervir no mercado ou, mais, simplesmente, financiar-se. É assim que, apressadamente, vendeu futuras barragens recebendo já os valores à cabeça, para pintar o Orçamento.
Mas, voltemos ao que interessa.
As sereias, que estiveram caladinhas enquanto Portugal tomava conhecimento das mordomias, promoções e reformas de que beneficiam Rui Pedro Soares, Fernando Gomes, Armando Vara, José Penedos, e vários outros cuja competência é do tamanho do cartão do partido em que militam e quem dão o dízimo.
Não é o caso de António Mexia (EDP), Fernando Pinto (TAP) ou outros profissionais de gabarito internacional mas que as sereias tentam, ciclicamente, associar aos seus camaradas.
Tome-se o exemplo recente da Seleção Nacional de Futebol de Portugal e comparem-se os desempenhos de António Oliveira e Luiz Felipe Scolari.
Apliquem-se as mesmas escolhas na EDP, na GALP, na PT, na TAP, na CGD e contratem-se gestores do tipo "Face Oculta" e, depois, paguem-se os prejuízos da dimensão da CP, Carris...
Quer isto dizer que as remunerações têm que ser assim?
Os modernos acionistas das empresas cotadas e bolsa, estão sobretudos interessados na valorização do capital. A "criação de valor", para usar o calão bolsista, é o interesse fundamental dos acionistas.
A consequência desta visão de curto prazo é, naturalmente, uma estratégia de curto prazo. São contratados gestores profissionais, altamente qualificados, para alcançarem objetivos ambiciosos: criar valor, valorizar ações em bolsa, distribuir dividendos.
Acontece que esta visão tende a alienar objetivos estratégicos que requerem investimentos pluri-anuais.
A contrapartida é que muitas elites dirigentes são tentadas ou mesmo deixadas a definir a sua perpetuação e, com muita frequência, a esconder problemas, ameaças ou prejuízos que se apresentem para lá dos seus mandatos. Os casos Enron e a "auditoria" da Arthur Andersen são exemplos sobejos.
É, portanto, indispensável que os objetivos são tão ambiciosos como rigorosos. Sejam a estáveis a prazo e auditáveis por entidades honestas e independentes. É isso que se chama supervisão. Lamentavelmente, existe muita promiscuidade entre auditores e auditados...
Mas não pode haver dúvidas que os gestores, especialistas, cientistas competentes têm de ser bem pagos. Frequentemente, a sua bitola é o mercado internacional onde são disputados a "peso de ouro". Só por anedota, quem sugere que tenham remunerações indexadas (20X) ao salário-mínimo, pode tentar contratar Cristiano Ronaldo por esse valor.
Se abdicar de uma carreira internacional ou se aceitar remunerações "razoáveis", um gestor que é disputado por concorrentes ferozes, fa-lo-á por razões patrióticas. E isso, terá de ser reconhecido.
Persegui-los com base no populismo fácil, afasta os competentes e promove os artolas.
Quem quiser, pode substituir Mexia e colocar um Vara.
Depois não se queixem de disputar a II divisão.
Para entreter o pagode, uma série de sereias socialistas vêm com a sua voz delicodoce desancar sobre o pobre do António Mexia. E, neste caso, pobre apenas por ser escolhido como a vítima da inveja socialista.
Na verdade, o motivo da persiguição estão as notícias de que Mexia teria recebido mais de 1,3 milhões de euros em remunerações fixas e variáveis, em 2009.
E quem são as sereias? António José Seguro, João Soares, Carlos Zorrinho, Paulo Querido e outros, em blogues e comentaristas vários. E a que propósito, António Mexia?
O Estado é acionista da EDP com menos de 10% do respetivo capital. Todavia, comporta-se perante a empresa, como se detivesse a totalidade.
Quando precisa de "fazer flores", recorre a "empresas-amigas" para intervir no mercado ou, mais, simplesmente, financiar-se. É assim que, apressadamente, vendeu futuras barragens recebendo já os valores à cabeça, para pintar o Orçamento.
Mas, voltemos ao que interessa.
As sereias, que estiveram caladinhas enquanto Portugal tomava conhecimento das mordomias, promoções e reformas de que beneficiam Rui Pedro Soares, Fernando Gomes, Armando Vara, José Penedos, e vários outros cuja competência é do tamanho do cartão do partido em que militam e quem dão o dízimo.
Não é o caso de António Mexia (EDP), Fernando Pinto (TAP) ou outros profissionais de gabarito internacional mas que as sereias tentam, ciclicamente, associar aos seus camaradas.
Tome-se o exemplo recente da Seleção Nacional de Futebol de Portugal e comparem-se os desempenhos de António Oliveira e Luiz Felipe Scolari.
Apliquem-se as mesmas escolhas na EDP, na GALP, na PT, na TAP, na CGD e contratem-se gestores do tipo "Face Oculta" e, depois, paguem-se os prejuízos da dimensão da CP, Carris...
Quer isto dizer que as remunerações têm que ser assim?
Os modernos acionistas das empresas cotadas e bolsa, estão sobretudos interessados na valorização do capital. A "criação de valor", para usar o calão bolsista, é o interesse fundamental dos acionistas.
A consequência desta visão de curto prazo é, naturalmente, uma estratégia de curto prazo. São contratados gestores profissionais, altamente qualificados, para alcançarem objetivos ambiciosos: criar valor, valorizar ações em bolsa, distribuir dividendos.
Acontece que esta visão tende a alienar objetivos estratégicos que requerem investimentos pluri-anuais.
A contrapartida é que muitas elites dirigentes são tentadas ou mesmo deixadas a definir a sua perpetuação e, com muita frequência, a esconder problemas, ameaças ou prejuízos que se apresentem para lá dos seus mandatos. Os casos Enron e a "auditoria" da Arthur Andersen são exemplos sobejos.
É, portanto, indispensável que os objetivos são tão ambiciosos como rigorosos. Sejam a estáveis a prazo e auditáveis por entidades honestas e independentes. É isso que se chama supervisão. Lamentavelmente, existe muita promiscuidade entre auditores e auditados...
Mas não pode haver dúvidas que os gestores, especialistas, cientistas competentes têm de ser bem pagos. Frequentemente, a sua bitola é o mercado internacional onde são disputados a "peso de ouro". Só por anedota, quem sugere que tenham remunerações indexadas (20X) ao salário-mínimo, pode tentar contratar Cristiano Ronaldo por esse valor.
Se abdicar de uma carreira internacional ou se aceitar remunerações "razoáveis", um gestor que é disputado por concorrentes ferozes, fa-lo-á por razões patrióticas. E isso, terá de ser reconhecido.
Persegui-los com base no populismo fácil, afasta os competentes e promove os artolas.
Quem quiser, pode substituir Mexia e colocar um Vara.
Depois não se queixem de disputar a II divisão.
Armando Emílio Staline
Terceiro mandato de Guebuza abordado no Comité Central - Balão de ensaio à porta fechada
A possibilidade de uma mexida constitucional para acomodar um terceiro mandato do atual presidente da República, Armando Guebuza, está a agitar alguns círculos restritos do poder, com uns a lançarem balões de ensaios para medirem o pulsar da opinião dos militantes sobre esta intricada matéria.
Ao que apurámos, na IV sessão extraordinária do Comité Central (CC) do partido Frelimo, no último fim-de-semana na cidade da Matola, esta questão foi levantada por um militante de base, durante os debates sobre o desempenho do partido nas eleições gerais e provinciais de Outubro passado.
O porta-voz da Frelimo, Edson Macuácua, confirmou que um militante do partido é que propôs que Armando Guebuza se recandidatasse a um terceiro mandato por ter conseguido levar o partido a uma vitória esmagadora nas eleições gerais do ano passado.
Mas Macuácua garantiu que Armando Guebuza, "nunca iria propor a revisão da Constituição para se candidatar a um terceiro mandato. Porém, a intenção já anunciada da Frelimo de alterar a lei mãe tem suscitado receios de que possa ser alargado para três o número de mandatos presidenciais: "Não há menor dúvida que a revisão da constituição é um imperativo nacional no sentido de que há vários aspectos de ordem legal, social, económica e política que precisam e carecem de ser reajustadas e adequá-las à ordem social actual", precisou Macuácua.
O próprio chefe do Estado moçambicano, já afastou a possibilidade de se recandidatar a um terceiro mandato, evocando o respeito pela Constituição e pelas leis.
Foi então que Jorge Rebelo fez uma intervenção para clarificar as águas. Defendeu a atual Constituição "que foi feita por nós" e estabelece as regras de jogo para todos os candidatos, defendendo que, se havia dúvidas era bom que elas ficassem ali mesmo esclarecidas.
Francisco Carmonain «Savana», 02.04.2010
A possibilidade de uma mexida constitucional para acomodar um terceiro mandato do atual presidente da República, Armando Guebuza, está a agitar alguns círculos restritos do poder, com uns a lançarem balões de ensaios para medirem o pulsar da opinião dos militantes sobre esta intricada matéria.
O porta-voz da Frelimo, Edson Macuácua, confirmou que um militante do partido é que propôs que Armando Guebuza se recandidatasse a um terceiro mandato por ter conseguido levar o partido a uma vitória esmagadora nas eleições gerais do ano passado.
Mas Macuácua garantiu que Armando Guebuza, "nunca iria propor a revisão da Constituição para se candidatar a um terceiro mandato. Porém, a intenção já anunciada da Frelimo de alterar a lei mãe tem suscitado receios de que possa ser alargado para três o número de mandatos presidenciais: "Não há menor dúvida que a revisão da constituição é um imperativo nacional no sentido de que há vários aspectos de ordem legal, social, económica e política que precisam e carecem de ser reajustadas e adequá-las à ordem social actual", precisou Macuácua.
O próprio chefe do Estado moçambicano, já afastou a possibilidade de se recandidatar a um terceiro mandato, evocando o respeito pela Constituição e pelas leis.
"O camarada presidente Armando Guebuza foi claro e inequívoco reiterando a sua posição de sempre de que havia de respeitar a Constituição e as leis", sublinhou Macuácua.
A manchete do jornal «O País» sobre o assunto na edição de segunda-feira, no atual contexto, é vista não como uma "gaffe jornalística", mas como um balão de ensaio para testar a força de uma tal proposta ou, como alternativa, avançar-se com a candidatura da esposa, numa solução "à Argentina".
Chissano e Rebelo
Chissano e Rebelo
Ao que o «Savana» apurou, o debate sobre o terceiro mandato foi lançado por Joaquim Chissano. No seu estilo de exímio diplomata, o antigo presidente fez referência às suas viagens ao exterior, aos contatos com diferentes interlocutores, nomeadamente internacionais, que o interrogavam sobre as vantagens da maioria qualificada, da possibilidade de se alterar a Constituição e abrir caminho a mais um mandato para o atual presidente. As nossas fontes fizeram questão em referir que Chissano, como também é seu estilo, evitou tomar posição na melindrosa questão.
Foi nesse contexto que o "militante de base" referido por Macuácua pediu a palavra para defender a alteração da Constituição para permitir um terceiro mandato a Guebuza. Segundo as nossas fontes, Teodoro Waty tentou intervir, mas foi bloqueado pelo presidium da reunião.
Foi nesse contexto que o "militante de base" referido por Macuácua pediu a palavra para defender a alteração da Constituição para permitir um terceiro mandato a Guebuza. Segundo as nossas fontes, Teodoro Waty tentou intervir, mas foi bloqueado pelo presidium da reunião.
As nossas fontes dizem que a intervenção de Rebelo obrigou o presidente Guebuza a intervir referindo que a reunião do Comité Central não tinha sido convocada para se discutir a alteração da Constituição e a possibilidade de um terceiro mandato, deixando também claro, e frisando que já o tinha dito anteriormente, que a Constituição deveria ser respeitada e que não concorreria a um terceiro mandato.
Jorge Rebelo torna-se assim, mais uma vez, determinante em momentos cruciais nas reuniões do CC. Foi ele que fez a intervenção chave que obrigou ao afastamento de Chissano como candidato a mais um mandato em 2004 e a definição no Comité Central que o escolhido como secretário-geral seria o candidato presidencial, abrindo as portas à ascensão de Guebuza como presidente.
Jorge Rebelo torna-se assim, mais uma vez, determinante em momentos cruciais nas reuniões do CC. Foi ele que fez a intervenção chave que obrigou ao afastamento de Chissano como candidato a mais um mandato em 2004 e a definição no Comité Central que o escolhido como secretário-geral seria o candidato presidencial, abrindo as portas à ascensão de Guebuza como presidente.
Francisco Carmona
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Opinião
13/04/2010
Almada sem frente ribeirinha
Almada cresceu explosivamente desde que, em 1966, foi construída a ponte 25 de Abril.
Paulatinamente, tirando partido de terrenos mais baratos e da "desregulação" que resultou de Abril de 74, a cidade expandiu-se para todos os lados e, tem hoje, para cima de 165 mil habitantes. Atraiu sobretudo migrantes de Lisboa e do Alentejo e de África e, mais recentemente, do Brasil e do Leste europeu.
Para além da cidade propriamente dita, a mancha urbana espalha-se por vastas áreas do norte do distrito de Setúbal, em geral, de forma caótica e sob a batuta de "patos-bravos". Sob este ponto de vista, a área em redor de Almada, é um desastre urbanístico e ecológico.
Sendo verdade que os últimos 30 anos foram de grande renovação da malha económica do distrito de Setúbal - desindustrialização -, também é certo que a área é politicamente "vermelha" e, até por isso, reproduz um modelo perpétuo que assegura um capital político de descontamento - transportes, acessos e desemprego - e um urbanismo pobre, retrógado e caótico. Para mostrar oposição, a autarquia planta obras "soviéticas" para fazer juz à máxima que com a CDU é "Trabalho - Honestidade - Competência", a falácia mais repetida em Portugal.
Mas voltemos ao que interessa!
Almada fica na margem esquerda do rio Tejo e tem uma vista fabulosa sobre Lisboa. Com alguma felicidade, os terrenos ao longo do rio ainda não foram engolidos pelo betão. Todavia, estão ocupados por relíquias industriais, ruínas, sucata e lixo.
A ausência de uma estratégia inteligente que tire partido do Tejo e da sua frente ribeirinha é proporcional às vistas que se podem ter sobre a ponte, a capital e o rio, a partir da (1) Pousada da Juventude, (2) do Cristo-Rei, ele próprio (3) vigiando a capital.
Paulatinamente, tirando partido de terrenos mais baratos e da "desregulação" que resultou de Abril de 74, a cidade expandiu-se para todos os lados e, tem hoje, para cima de 165 mil habitantes. Atraiu sobretudo migrantes de Lisboa e do Alentejo e de África e, mais recentemente, do Brasil e do Leste europeu.
Para além da cidade propriamente dita, a mancha urbana espalha-se por vastas áreas do norte do distrito de Setúbal, em geral, de forma caótica e sob a batuta de "patos-bravos". Sob este ponto de vista, a área em redor de Almada, é um desastre urbanístico e ecológico.
Sendo verdade que os últimos 30 anos foram de grande renovação da malha económica do distrito de Setúbal - desindustrialização -, também é certo que a área é politicamente "vermelha" e, até por isso, reproduz um modelo perpétuo que assegura um capital político de descontamento - transportes, acessos e desemprego - e um urbanismo pobre, retrógado e caótico. Para mostrar oposição, a autarquia planta obras "soviéticas" para fazer juz à máxima que com a CDU é "Trabalho - Honestidade - Competência", a falácia mais repetida em Portugal.
Mas voltemos ao que interessa!
Almada fica na margem esquerda do rio Tejo e tem uma vista fabulosa sobre Lisboa. Com alguma felicidade, os terrenos ao longo do rio ainda não foram engolidos pelo betão. Todavia, estão ocupados por relíquias industriais, ruínas, sucata e lixo.
A ausência de uma estratégia inteligente que tire partido do Tejo e da sua frente ribeirinha é proporcional às vistas que se podem ter sobre a ponte, a capital e o rio, a partir da (1) Pousada da Juventude, (2) do Cristo-Rei, ele próprio (3) vigiando a capital.
10/04/2010
Massacre de Katyn
A Polónia acordou em estado de choque com a notícia da queda do avião Tupolev TU-154 (de fabrico russo) onde viajava o presidente polaco Lech Kaczynski e altos dignatários do país e que se dirigiam para uma cerimónia de homenagem aos milhares de vítimas do massacre de Katyn de 1941, quando a polícia secreta soviética NKVD executou mais de vinte mil oficiais polacos que tinham sido capturados pelo Exército Vermelho durante a invasão soviética da Polónia.
As autoridades polacas investigam as circunstâncias da queda do avião que, de acordo com o governo russo se deveu a erro do comandante em condições de mau tempo na região de Smolensk, onde se despenhou o avião.
Há informações contraditórias.
Note-se que a cidade está ligada aos arquivos de Smolensk, do Partido Comunista Soviético, que cairam nas mãos do exército alemão durante a invasão nazi na II Guerra Mundial.
Russische Raketen hits Flugzeug polnischen Präsidenten
Руската ракета удари равнина Полският президент
Ruska raketa Hitova avionom poljski predsjednik
Ruská raketa udeří rovině polský prezident
Venäjän ohjusten osumia kone Puolan presidentti
Ρωσική πύραυλος πλήττει αεροπλάνο Πρόεδρος της Πολωνίας
Russische raketten hits vliegtuig Poolse president
Orosz rakéta találat sík lengyel elnök
Carta de 5 de Março de 1940, escrita por Lavrentiy Beria a Stalin, em que propõe a execução dos oficiais polacos
As autoridades polacas investigam as circunstâncias da queda do avião que, de acordo com o governo russo se deveu a erro do comandante em condições de mau tempo na região de Smolensk, onde se despenhou o avião.
Há informações contraditórias.
Note-se que a cidade está ligada aos arquivos de Smolensk, do Partido Comunista Soviético, que cairam nas mãos do exército alemão durante a invasão nazi na II Guerra Mundial.
Russische Raketen hits Flugzeug polnischen Präsidenten
Руската ракета удари равнина Полският президент
Ruska raketa Hitova avionom poljski predsjednik
Ruská raketa udeří rovině polský prezident
Venäjän ohjusten osumia kone Puolan presidentti
Ρωσική πύραυλος πλήττει αεροπλάνο Πρόεδρος της Πολωνίας
Russische raketten hits vliegtuig Poolse president
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Carta de 5 de Março de 1940, escrita por Lavrentiy Beria a Stalin, em que propõe a execução dos oficiais polacos
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08/04/2010
Uma nova Assembleia da República
Está na altura da Assembleia da República portuguesa, depois de ter uma deputada eleita por Lisboa e residente em Paris, ter também uma eleita por Lisboa e residente no Rio de Janeiro:
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Negociatas,
Opinião
07/04/2010
Kruger Park: batalha épica
No National Kruger Park, África do Sul, dá-se uma batalha impensável entre búfalos, leões e crocodilos que começa com uma infeliz vítima - um jovem búfalo - mas, finalmente, acaba bem...
Tudo observado por turistas.
O vídeo é campeão de visualizações no Youtube:
Tudo observado por turistas.
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Turismo
06/04/2010
Gigante de Manjacaze
A vida do Gigante de Manjacaze em livro
O poeta e ficcionista português, Manuel da Silva Ramos, lançou em Maputo o livro "Viagem com um Branco no Bolso", um romance sobre a vida do "Gigante de Manjacaze", Grabiel Estevão Mondlane.
A obra apresenta um outro personagem, o anão português, Toninho de Arcozelo, que contracenava com o gigante nos círculos, feiras e praças públicas. No romance, com 574 páginas, o autor faz uma análise crítica à grande exploração a que o "Gigante de Manjacaze", com cerca de 2,5 metros, foi submetido no período colonial por empresários e promotores de espetáculo da época.
O nome do anão Toninho de Arcozelo, o então homem mais curto do mundo, com 75 cm de altura, associa-se a Gabriel Mondlane pelo facto de ambos aparecerem juntos muitas vezes, no mesmo palco, como forma de evidenciar a diferença entre ambos. O autor do livro nasceu a 13 de Setembro de 1947 na Covilhã, esteve exilado durante 17 anos na França, regressou a Portugal em 1997 e é tido como um escritor polémico e pessimista.
O Gigante de Manjacaze foi notícia em Banguecoque em Agosto de 1989
Os jornais e a televisão falaram dele. A sua imagem junto da esposa Maria saiu nas páginas de todos os jornais, editados, na capital tailandesa.
Motivo da visita: A inauguração da abertura primeiro supermercado "Makro".
Gabriel estava designado como o homem mais alto no mundo no "Livro de Recordes Guinness".
Conhecíamos a história do Gabriel de quando começou a crescer, desmesuradamente, depois de ter dado uma queda, na sua aldeia, em Manjacaze, no sul de Moçambique.
Perante tal fenómeno de crescimento o Gabriel, embora o não apoquentem dores, foi internado num hospital de Lourenço Marques (Maputo) para ser observado pelos médicos.
De um jovem com altura normal, cresceu, cresceu e foi até à craveira de 2,42.
Os médicos (segundo os jornais de Moçambique) nunca explicaram o motivo da razão do Gabriel crescer descomunalmente e o rapaz foi enviado de volta às orígens.
O Gabriel, passava os dias sentado à sombra de um cajueiro, ao redor de sua casa, a sua altura desmedida não lhe dá a oportunidade para se juntar à sua família e trabalhar na "machamba".
Passa a ser um Gabriel amargurado, a maldizer o crescimento e um pesadelo para a família alimentá-lo, que comia por quatro pessoas de média estatura.
Devido à publicidade dada ao caso de sua altura houve alguém se interessou em fazer dinheiro com o tamanho do Gabriel.
Começa, então o drama de um homem alto pelos anos de 1965!
Eu vivia na cidade da Beira na altura e conhecia, pelos jornais, a história do crescimento do Gabriel.
Dois homens, expeditos, residentes na capital de Manica e Sofala andavam por alí a ganhar a vida ao sabor das marés.
Todo os peixes que as ondas traziam à costa lhes servia
Um de nome pomposo o Dr. Razak, homem para todas ocasiões. Pintor à espátula, advinho com consultório montado e viria a dar aso a confusões e divórcios, entre maridos e mulheres na Beira.
Entretanto foi-lhe apontado o "dedo" pelos jornalistas de tentar o aliciamento sexual, durante as consultas, às senhoras que o visitavam para que advinhasse qual era a "dama" que lhes estava a roubar o marido.
Outro de nome Prof. Belito, artista circense, ilusionista que andava por ali a montar a barraca nos arredores da Beira a mostrar, um truque, a cabeça de um preto em cima de uma mesa, que falava e comia bananas.
Lá ía governando a vida, muito mal e com os dez tostões do custo dos bilhetes de entrada.
Os dois deslocaram-se a Manjacaze e trazem o Gabriel para a Beira, encomendaram uma "fatiota" por encomenda; uns sapatos para uns pés de 50 centimetros. Adquirem uma aparelhagem sonora de 100 watts cujo som, berrado, chegava a 10 quilómeteros de distância.
O Gabriel é enfiado numa barraca feita de pano de toldo, em locais da Beira e arredores, há bichas de pessoas para verem de perto o Gabriel.
O negócio foi correndo para o Razak e o Belito.
Percorreu numa caixa de camião, aspirando o pó da picada, para outras terras de Moçambique.
Os moçambicanos e os "muzungos" (nome que os nativos davam aos portugueses de pele branca), depois de conhecer o Gabriel ao vivo não o pretendem ver mais.
O negócio começou a não ser rentável para os empresários Razak e o Belito.
Eles eram homens de imaginação e não se deram por vencidos. Mandar o Gabriel de volta a Manjacaze, com a "fatiota", os sapatos e cotão no bolso em vez de umas notas em dinheiro, não era nada relevante para os seus protectores.
Se o Razak o Belito o pensaram melhor o fizeram!
Porque não ir mostrar o Gabriel de Manjacaze aos angolanos?
Claro que sim e a ideia era genial!
Fazer ver aos angolanos: Embora vocês tenham "pacaças" no mato, que Moçambique não tem, nós temos o homem mais alto do mundo e a dança do rabo de cadeira a "Marrabenta" !
Ajustam com a TAP, na Beira, o preço e o espaço da cadeira para transportar o Gabriel no "Super Constelation" para Luanda. O Gigante de Manjacaze, aterra na capital angolana, metido num espaço apropriedade para a sua medida.
Os jornais dão o "lamiré" e começa, como em Moçambique a ser exibido numa barraca.
O negócio foi correndo ao Razak, ao Belito e aos seus agentes.Bem depois de ser visto e revisto e a figura do gigante deixar de ter interesse foi abandonada em Angola.
Passou por lá misérias, os jornais de Moçambique deram conta do estado de vida degradado do Gabriel em Angola e regressa a Moçambique à estaca zero.
Porém, o Gabriel, aquele rapaz humilde já habituado aos ambientes do público, de ser admirado pelas crianças dentro de uma "barraca", começou a sentir-se (apesar de grande) "pequeno" em Manjacaze.
Nova fase de vida principia para o Gabriel, mas agora, com alguma dignidade
Um empresário, circense, contrata-o e leva-o para Portugal.
Corre Portugal de lés-a-lés, acomodado numa caravana (o próprio Gabriel me informou), onde dentro havia qualidade de vida e na hora que lhe estava destinada a exibir-se perante o público.
O "Gigante de Manjacaze" não foi explorado e amealhava uns "dinheiros"
Entre os caminhos "circenses" do Gabriel, uma mulher de 1,54 (cuja altura dava-lhe pela cintura) de nome Maria, apaixonou-se por um homem de tamanha altura e 150 quilos de peso.
Maria começou acompanhar o marido, gigante, por todo Portugal e teve um filho.
Um rapaz "mulato" que teria uns 10 ou 11 anos de quando estiveram em Banguecoque e me mostraram a foto do rapaz.
Maria está ao lado de Gabriel, adquiriram uma cave nos arredores de Lisboa e fazem uma vida de um casal normal.
A altura do Gabriel Monjane chegou ao livro "dos recordes Guiness" e está lançado no mundo como o homem mais alto do globo.
Das picadas de Moçambiques e de Angola, da tenda de lona o "Gigante de Manjacaze", começa a ser solicitado para publicidade e ser apresentado ao mundo.
Foi por este motivo que a empresa multinacional "Makro" convidou o Gabriel, o inglês Cris Greener, de 2,28 e outros homens, tailandeses (como anões junto do Gabriel e o Cris Green), para estarem, presentes, na abertura da primeira grande superfície na "Cidade dos Anjos".
Milhares de pessoas correram ao parque "Happy Land" para admirarem o "Gigante de Manjacaze", que embora nascido em Moçambique, dizia que era português!
Serviu de interprete entre o Gabriel e os jornalistas, a Esperança Rodrigues (ela e eu somos os portugueses mais antigos residentes na Tailândia), que traduzia as palavras do Gabriel em português para a língua tailandesa.
O Gabriel, meu amigo, partiu de Banguecoque, como um herói.
Passado uns poucos anos, uma delegação, moçambicana, que acompanhou o Primeiro-Ministro Mário da Graça Machungo, em visita oficial à Tailândia, depois de lhes falar na história do Gabriel em Banguecoque, de volta recebi a triste notícia: "O Gabriel ao entrar na cave onde residia, escorregou, caiu e morreu".
Fiquei triste por eu tinha lidado de perto com o Gabriel em Banguecoque e tinhamos ficado amigos.
O Gabriel em Bangcoque
No dia 1 de Agosto de 1989 era um dia igual a muitos outros anteriores.
Saí de casa para a Embaixada de Portugal, às seis da manhã, comprei o jornal e fui lê-lo para uma esplanada, junto ao rio Chao Praiá, onde todas as manhãs se sentavam à minha mesa uns "amigos e amigas", cáusticos: o Zebreu, judeu com uma lapidaria de pedras preciosa; o Miko, canadiano e fotógrafo para uma agência de publicidade, a Porno estudante universitária de economia e a Plá, secretária do gerente da Sony (Thailand).
Não se discutia futebol, nem política mas "coisas" alegres e antes de começarmos um novo dia de trabalho.
Na primeira página do «Bangkok Post» estava inserida a foto do Gabriel Monjane e hospedado no "Montien Hotel", a uns dois quilómetros onde me quedava.
Não fazia a mínima ideia aonde o Gabriel parava se em Moçambique ou noutro país.
Ora eu conhecia a história, infeliz, do começo da sua carreira e da tragédia que tinha sido envolvido.
Tinham passado (mais ou menos) 11 anos que lhe tinha perdido o rasto de sua vida.
Às dez da manhã dei uma "saltada" ao "Hotel Montien" e oferecer-lhe os meus préstimos em Banguecoque.
Da recepção do hotel telefonei para o quarto (cinco estrelas) e fui atendido pela D. Maria, sua esposa. Fomos breves na apresentação e subi no elevador.
Naquela manhã eu era para o Gabriel o seu anjo da guarda e comer um pequeno-almoço decente e não as torradas, com manteiga, marmelada e o sumo de laranja.
O Gabriel desejava um bom prato de sopa de arroz com uns pedaços de carne e nunca as comidas "hoteleiras" que lhe tinham levado ao quarto.
A D. Maria e o Gabriel não falavam, palavra que fosse, da língua inglesa e quando pediam, aos criados, sopa de arroz em português, sorriam-se e voltavam-lhe as costas.
Os pequenos-almoços do Gabriel desde logo ficaram resolvidos e não tardou um criado entrar no quarto puxando um "carrinho" com uma terrina de sopa, bem cheirosa, para um pequeno almoço decente e digno para um homem de 2,42 (dois metros e 42 centímetros).
Todos os dias, ao fim da tarde, durante a permanência do "Gigante de Manjacaze" em Banguecoque estava junto a ele. Sentava-se num banco especial, no "lobby" do hotel, junto ao cartaz que anunciava os eventos de sábado e domingo.
O "lobby" do hotel passou a ser um centro de romaria.
Os jornais, em língua inglesa e tailandesa, tinham dado cariz à presença do Gabriel em Banguecoque e todos querem apreciar a sua altura e tirar foto com ele.
No princípio de uma noite teve duas visitas, especiais, de duas princesas reais: Soamsawali e filha Bajrakitiyabha que lhe foram fazer uma visita, particular, ao "Montien Hotel" cumprimentaram-no e tiraram fotos juntos.
Ofereci uma "boleia", no meu Volvo 244, já um carro bem "coçado", ao Gabriel para lhe mostrar Banguecoque à noite, as luzes de neon e todo aquele movimento nocturno.
O carro era espaçoso e estudei a melhor forma de o transportar.
Retirei-lhe o assento da frente, o Gabriel sentou-se no banco de trás, dobrou os joelhos e apreciou Banguecoque e não só atravessei a grande ponte, Rei Rama IX, e olhou a cidade lá do alto.
Ao Gabriel, meu amigo, desejamos que esteja no céu, porque um homem simples e bom, igual a ele não tem lugar no purgatório, nem no inferno.
O Inferno já o tinha experimentado na vida terrena.
"Kanimambo" Gabriel Monjane
José Martins, 17.05.2007
in «Aqui Tailândia»
O poeta e ficcionista português, Manuel da Silva Ramos, lançou em Maputo o livro "Viagem com um Branco no Bolso", um romance sobre a vida do "Gigante de Manjacaze", Grabiel Estevão Mondlane.
A obra apresenta um outro personagem, o anão português, Toninho de Arcozelo, que contracenava com o gigante nos círculos, feiras e praças públicas. No romance, com 574 páginas, o autor faz uma análise crítica à grande exploração a que o "Gigante de Manjacaze", com cerca de 2,5 metros, foi submetido no período colonial por empresários e promotores de espetáculo da época.
O nome do anão Toninho de Arcozelo, o então homem mais curto do mundo, com 75 cm de altura, associa-se a Gabriel Mondlane pelo facto de ambos aparecerem juntos muitas vezes, no mesmo palco, como forma de evidenciar a diferença entre ambos. O autor do livro nasceu a 13 de Setembro de 1947 na Covilhã, esteve exilado durante 17 anos na França, regressou a Portugal em 1997 e é tido como um escritor polémico e pessimista.
O Gigante de Manjacaze foi notícia em Banguecoque em Agosto de 1989
Os jornais e a televisão falaram dele. A sua imagem junto da esposa Maria saiu nas páginas de todos os jornais, editados, na capital tailandesa.
Motivo da visita: A inauguração da abertura primeiro supermercado "Makro".
Gabriel estava designado como o homem mais alto no mundo no "Livro de Recordes Guinness".
Conhecíamos a história do Gabriel de quando começou a crescer, desmesuradamente, depois de ter dado uma queda, na sua aldeia, em Manjacaze, no sul de Moçambique.
Perante tal fenómeno de crescimento o Gabriel, embora o não apoquentem dores, foi internado num hospital de Lourenço Marques (Maputo) para ser observado pelos médicos.
De um jovem com altura normal, cresceu, cresceu e foi até à craveira de 2,42.
Os médicos (segundo os jornais de Moçambique) nunca explicaram o motivo da razão do Gabriel crescer descomunalmente e o rapaz foi enviado de volta às orígens.
O Gabriel, passava os dias sentado à sombra de um cajueiro, ao redor de sua casa, a sua altura desmedida não lhe dá a oportunidade para se juntar à sua família e trabalhar na "machamba".
Passa a ser um Gabriel amargurado, a maldizer o crescimento e um pesadelo para a família alimentá-lo, que comia por quatro pessoas de média estatura.
Devido à publicidade dada ao caso de sua altura houve alguém se interessou em fazer dinheiro com o tamanho do Gabriel.
Começa, então o drama de um homem alto pelos anos de 1965!
Eu vivia na cidade da Beira na altura e conhecia, pelos jornais, a história do crescimento do Gabriel.
Dois homens, expeditos, residentes na capital de Manica e Sofala andavam por alí a ganhar a vida ao sabor das marés.
Todo os peixes que as ondas traziam à costa lhes servia
Um de nome pomposo o Dr. Razak, homem para todas ocasiões. Pintor à espátula, advinho com consultório montado e viria a dar aso a confusões e divórcios, entre maridos e mulheres na Beira.
Entretanto foi-lhe apontado o "dedo" pelos jornalistas de tentar o aliciamento sexual, durante as consultas, às senhoras que o visitavam para que advinhasse qual era a "dama" que lhes estava a roubar o marido.
Outro de nome Prof. Belito, artista circense, ilusionista que andava por ali a montar a barraca nos arredores da Beira a mostrar, um truque, a cabeça de um preto em cima de uma mesa, que falava e comia bananas.
Lá ía governando a vida, muito mal e com os dez tostões do custo dos bilhetes de entrada.
Os dois deslocaram-se a Manjacaze e trazem o Gabriel para a Beira, encomendaram uma "fatiota" por encomenda; uns sapatos para uns pés de 50 centimetros. Adquirem uma aparelhagem sonora de 100 watts cujo som, berrado, chegava a 10 quilómeteros de distância.
O Gabriel é enfiado numa barraca feita de pano de toldo, em locais da Beira e arredores, há bichas de pessoas para verem de perto o Gabriel.
O negócio foi correndo para o Razak e o Belito.
Percorreu numa caixa de camião, aspirando o pó da picada, para outras terras de Moçambique.
Os moçambicanos e os "muzungos" (nome que os nativos davam aos portugueses de pele branca), depois de conhecer o Gabriel ao vivo não o pretendem ver mais.
O negócio começou a não ser rentável para os empresários Razak e o Belito.
Eles eram homens de imaginação e não se deram por vencidos. Mandar o Gabriel de volta a Manjacaze, com a "fatiota", os sapatos e cotão no bolso em vez de umas notas em dinheiro, não era nada relevante para os seus protectores.
Se o Razak o Belito o pensaram melhor o fizeram!
Porque não ir mostrar o Gabriel de Manjacaze aos angolanos?
Claro que sim e a ideia era genial!
Fazer ver aos angolanos: Embora vocês tenham "pacaças" no mato, que Moçambique não tem, nós temos o homem mais alto do mundo e a dança do rabo de cadeira a "Marrabenta" !
Ajustam com a TAP, na Beira, o preço e o espaço da cadeira para transportar o Gabriel no "Super Constelation" para Luanda. O Gigante de Manjacaze, aterra na capital angolana, metido num espaço apropriedade para a sua medida.
Os jornais dão o "lamiré" e começa, como em Moçambique a ser exibido numa barraca.
O negócio foi correndo ao Razak, ao Belito e aos seus agentes.Bem depois de ser visto e revisto e a figura do gigante deixar de ter interesse foi abandonada em Angola.
Passou por lá misérias, os jornais de Moçambique deram conta do estado de vida degradado do Gabriel em Angola e regressa a Moçambique à estaca zero.
Porém, o Gabriel, aquele rapaz humilde já habituado aos ambientes do público, de ser admirado pelas crianças dentro de uma "barraca", começou a sentir-se (apesar de grande) "pequeno" em Manjacaze.
Nova fase de vida principia para o Gabriel, mas agora, com alguma dignidade
Um empresário, circense, contrata-o e leva-o para Portugal.
Corre Portugal de lés-a-lés, acomodado numa caravana (o próprio Gabriel me informou), onde dentro havia qualidade de vida e na hora que lhe estava destinada a exibir-se perante o público.
O "Gigante de Manjacaze" não foi explorado e amealhava uns "dinheiros"
Entre os caminhos "circenses" do Gabriel, uma mulher de 1,54 (cuja altura dava-lhe pela cintura) de nome Maria, apaixonou-se por um homem de tamanha altura e 150 quilos de peso.
Maria começou acompanhar o marido, gigante, por todo Portugal e teve um filho.
Um rapaz "mulato" que teria uns 10 ou 11 anos de quando estiveram em Banguecoque e me mostraram a foto do rapaz.
Maria está ao lado de Gabriel, adquiriram uma cave nos arredores de Lisboa e fazem uma vida de um casal normal.
A altura do Gabriel Monjane chegou ao livro "dos recordes Guiness" e está lançado no mundo como o homem mais alto do globo.
Das picadas de Moçambiques e de Angola, da tenda de lona o "Gigante de Manjacaze", começa a ser solicitado para publicidade e ser apresentado ao mundo.
Foi por este motivo que a empresa multinacional "Makro" convidou o Gabriel, o inglês Cris Greener, de 2,28 e outros homens, tailandeses (como anões junto do Gabriel e o Cris Green), para estarem, presentes, na abertura da primeira grande superfície na "Cidade dos Anjos".
Milhares de pessoas correram ao parque "Happy Land" para admirarem o "Gigante de Manjacaze", que embora nascido em Moçambique, dizia que era português!
Serviu de interprete entre o Gabriel e os jornalistas, a Esperança Rodrigues (ela e eu somos os portugueses mais antigos residentes na Tailândia), que traduzia as palavras do Gabriel em português para a língua tailandesa.
O Gabriel, meu amigo, partiu de Banguecoque, como um herói.
Passado uns poucos anos, uma delegação, moçambicana, que acompanhou o Primeiro-Ministro Mário da Graça Machungo, em visita oficial à Tailândia, depois de lhes falar na história do Gabriel em Banguecoque, de volta recebi a triste notícia: "O Gabriel ao entrar na cave onde residia, escorregou, caiu e morreu".
Fiquei triste por eu tinha lidado de perto com o Gabriel em Banguecoque e tinhamos ficado amigos.
O Gabriel em Bangcoque
No dia 1 de Agosto de 1989 era um dia igual a muitos outros anteriores.
Saí de casa para a Embaixada de Portugal, às seis da manhã, comprei o jornal e fui lê-lo para uma esplanada, junto ao rio Chao Praiá, onde todas as manhãs se sentavam à minha mesa uns "amigos e amigas", cáusticos: o Zebreu, judeu com uma lapidaria de pedras preciosa; o Miko, canadiano e fotógrafo para uma agência de publicidade, a Porno estudante universitária de economia e a Plá, secretária do gerente da Sony (Thailand).
Não se discutia futebol, nem política mas "coisas" alegres e antes de começarmos um novo dia de trabalho.
Na primeira página do «Bangkok Post» estava inserida a foto do Gabriel Monjane e hospedado no "Montien Hotel", a uns dois quilómetros onde me quedava.
Não fazia a mínima ideia aonde o Gabriel parava se em Moçambique ou noutro país.
Ora eu conhecia a história, infeliz, do começo da sua carreira e da tragédia que tinha sido envolvido.
Tinham passado (mais ou menos) 11 anos que lhe tinha perdido o rasto de sua vida.
Às dez da manhã dei uma "saltada" ao "Hotel Montien" e oferecer-lhe os meus préstimos em Banguecoque.
Da recepção do hotel telefonei para o quarto (cinco estrelas) e fui atendido pela D. Maria, sua esposa. Fomos breves na apresentação e subi no elevador.
Naquela manhã eu era para o Gabriel o seu anjo da guarda e comer um pequeno-almoço decente e não as torradas, com manteiga, marmelada e o sumo de laranja.
O Gabriel desejava um bom prato de sopa de arroz com uns pedaços de carne e nunca as comidas "hoteleiras" que lhe tinham levado ao quarto.
A D. Maria e o Gabriel não falavam, palavra que fosse, da língua inglesa e quando pediam, aos criados, sopa de arroz em português, sorriam-se e voltavam-lhe as costas.
Os pequenos-almoços do Gabriel desde logo ficaram resolvidos e não tardou um criado entrar no quarto puxando um "carrinho" com uma terrina de sopa, bem cheirosa, para um pequeno almoço decente e digno para um homem de 2,42 (dois metros e 42 centímetros).
Todos os dias, ao fim da tarde, durante a permanência do "Gigante de Manjacaze" em Banguecoque estava junto a ele. Sentava-se num banco especial, no "lobby" do hotel, junto ao cartaz que anunciava os eventos de sábado e domingo.
O "lobby" do hotel passou a ser um centro de romaria.
Os jornais, em língua inglesa e tailandesa, tinham dado cariz à presença do Gabriel em Banguecoque e todos querem apreciar a sua altura e tirar foto com ele.
No princípio de uma noite teve duas visitas, especiais, de duas princesas reais: Soamsawali e filha Bajrakitiyabha que lhe foram fazer uma visita, particular, ao "Montien Hotel" cumprimentaram-no e tiraram fotos juntos.
Ofereci uma "boleia", no meu Volvo 244, já um carro bem "coçado", ao Gabriel para lhe mostrar Banguecoque à noite, as luzes de neon e todo aquele movimento nocturno.
O carro era espaçoso e estudei a melhor forma de o transportar.
Retirei-lhe o assento da frente, o Gabriel sentou-se no banco de trás, dobrou os joelhos e apreciou Banguecoque e não só atravessei a grande ponte, Rei Rama IX, e olhou a cidade lá do alto.
Ao Gabriel, meu amigo, desejamos que esteja no céu, porque um homem simples e bom, igual a ele não tem lugar no purgatório, nem no inferno.
O Inferno já o tinha experimentado na vida terrena.
"Kanimambo" Gabriel Monjane
José Martins, 17.05.2007
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História
05/04/2010
Equívocos sobre o PEC
O programa de redução do défice das contas do Estado, o PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento), foi elogiado por várias organizações internacionais. E os mercados não o receberam mal. Mas, por cá, o PEC tem sido alvo de um coro de críticas, vindas até do interior do PS. Críticas onde não faltam equívocos.
De facto, aquele programa nada tem a ver com o optimismo irrealista que o Governo apregoava até há pouco e com as promessas eleitorais. As pessoas ficaram baralhadas, mas o mal não está no PEC - está nas ilusões anteriores.
Se as previsões de crescimento económico do PEC fossem mais altas, permitindo estimar maior receita fiscal e menores gastos com subsídios de desemprego, os mercados não acreditariam. A prudência do PEC é, assim, um factor de credibilidade. Aliás, o Banco de Portugal apresentou previsões ainda mais pessimistas.
A realidade que muitos tentam ignorar é que a economia portuguesa terá um crescimento débil nos próximos anos. Primeiro, porque leva tempo a desejável reconversão da estrutura produtiva e exportadora nacional, de atividades cuja competitividade era baseada nos baixos salários para bens e serviços de maior valor acrescentado.
Outro travão ao crescimento económico do país é o nosso principal mercado, Espanha, ainda estar em recessão. E o próprio PEC terá efeitos recessivos. Descendo o défice público e diminuindo o consumo das famílias com a baixa do rendimento disponível, só haveria expansão económica se o investimento empresarial espevitasse (altamente improvável para já) e as exportações disparassem (idem).
Decerto que a austeridade pode revelar-se expansionista, a prazo, se o PEC, sendo cumprido, suscitar confiança nos agentes económicos. Mas, para isso, há primeiro que apertar o cinto. E se o ataque ao défice orçamental não for credível, o resultado será uma nova recessão, alerta o Banco de Portugal. Ou seja, não há saída airosa - mas vivemos assim há quase uma década. E só quebraremos o ciclo vicioso quando tivermos posto em ordem as contas públicas.
As críticas à falta de "crescimento" no PEC são, pois, desfocadas. Assim como mal se entende a crítica à redução do consumo, quando gastamos mais de 10% acima daquilo que produzimos, cobrindo a diferença com empréstimos externos, o que agora nos coloca dependentes dos mercados.
Curioso, ainda, é o lamento pelo "ataque à classe média". Onde é que pensam ser possível ir buscar dinheiro? Aos ricos, que têm meios para se porem fora do alcance do fisco? Aos pobres? Foi na classe média, e sobretudo na classe média baixa, que o consumo mais cresceu. Por isso esta larga faixa da população vai ser a que mais sentirá a austeridade.
Não há injustiças na distribuição dos sacrifícios impostos pelo PEC? Há, mas não tantas como se diz. As prestações sociais, que subiram muito nos anos recentes, apenas baixam de 21,9% do PIB em 2009 para 21,3% em 2013. E justifica-se um maior rigor no subsídio de desemprego, para que este não se torne, para alguns, numa forma de vida.
Claro que o PEC sofre de um vício de fundo: não corta a sério e de forma estrutural na despesa, assim tendo de agravar impostos. São congelamentos, tectos, etc., tudo remendos temporários. Mas como poderiam surgir esses cortes estruturais sem, antes, ter havido uma redefinição das funções prioritárias do Estado - uma reforma do Estado, afinal? Nunca o Governo se interessou por este assunto. Pouco, de resto, contribuíram as oposições para tal reforma com propostas.
Outro alvo legítimo de crítica está em manter alguns grandes projetos (a linha do TGV para Vigo havia sido adiada... pelo governo de Madrid). Também criticáveis são as privatizações previstas, fora de qualquer estratégia económica e a realizar, em desespero, numa péssima fase do mercado.
Por outro lado, o Governo "vendeu" mal o PEC, na linha habitual de esconder a verdade aos portugueses. Começou por dizer que não haveria aumento de impostos, tentando enganar as pessoas com uma habilidade semântica. E foram mal e tardiamente explicadas várias medidas do PEC.
Poderá o PEC ser melhorado? Não parece que o Governo o tenha querido negociar. A demora na escolha do novo líder do PSD deu-lhe um álibi. Mas não discutiu as propostas do CDS e do BE.
Tudo visto e ponderado, o PEC é um mal necessário e um mal menor, considerando as alternativas.
Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista
in «Público», 05.04.2010
De facto, aquele programa nada tem a ver com o optimismo irrealista que o Governo apregoava até há pouco e com as promessas eleitorais. As pessoas ficaram baralhadas, mas o mal não está no PEC - está nas ilusões anteriores.
Se as previsões de crescimento económico do PEC fossem mais altas, permitindo estimar maior receita fiscal e menores gastos com subsídios de desemprego, os mercados não acreditariam. A prudência do PEC é, assim, um factor de credibilidade. Aliás, o Banco de Portugal apresentou previsões ainda mais pessimistas.
A realidade que muitos tentam ignorar é que a economia portuguesa terá um crescimento débil nos próximos anos. Primeiro, porque leva tempo a desejável reconversão da estrutura produtiva e exportadora nacional, de atividades cuja competitividade era baseada nos baixos salários para bens e serviços de maior valor acrescentado.
Outro travão ao crescimento económico do país é o nosso principal mercado, Espanha, ainda estar em recessão. E o próprio PEC terá efeitos recessivos. Descendo o défice público e diminuindo o consumo das famílias com a baixa do rendimento disponível, só haveria expansão económica se o investimento empresarial espevitasse (altamente improvável para já) e as exportações disparassem (idem).
Decerto que a austeridade pode revelar-se expansionista, a prazo, se o PEC, sendo cumprido, suscitar confiança nos agentes económicos. Mas, para isso, há primeiro que apertar o cinto. E se o ataque ao défice orçamental não for credível, o resultado será uma nova recessão, alerta o Banco de Portugal. Ou seja, não há saída airosa - mas vivemos assim há quase uma década. E só quebraremos o ciclo vicioso quando tivermos posto em ordem as contas públicas.
As críticas à falta de "crescimento" no PEC são, pois, desfocadas. Assim como mal se entende a crítica à redução do consumo, quando gastamos mais de 10% acima daquilo que produzimos, cobrindo a diferença com empréstimos externos, o que agora nos coloca dependentes dos mercados.
Curioso, ainda, é o lamento pelo "ataque à classe média". Onde é que pensam ser possível ir buscar dinheiro? Aos ricos, que têm meios para se porem fora do alcance do fisco? Aos pobres? Foi na classe média, e sobretudo na classe média baixa, que o consumo mais cresceu. Por isso esta larga faixa da população vai ser a que mais sentirá a austeridade.
Não há injustiças na distribuição dos sacrifícios impostos pelo PEC? Há, mas não tantas como se diz. As prestações sociais, que subiram muito nos anos recentes, apenas baixam de 21,9% do PIB em 2009 para 21,3% em 2013. E justifica-se um maior rigor no subsídio de desemprego, para que este não se torne, para alguns, numa forma de vida.
Claro que o PEC sofre de um vício de fundo: não corta a sério e de forma estrutural na despesa, assim tendo de agravar impostos. São congelamentos, tectos, etc., tudo remendos temporários. Mas como poderiam surgir esses cortes estruturais sem, antes, ter havido uma redefinição das funções prioritárias do Estado - uma reforma do Estado, afinal? Nunca o Governo se interessou por este assunto. Pouco, de resto, contribuíram as oposições para tal reforma com propostas.
Outro alvo legítimo de crítica está em manter alguns grandes projetos (a linha do TGV para Vigo havia sido adiada... pelo governo de Madrid). Também criticáveis são as privatizações previstas, fora de qualquer estratégia económica e a realizar, em desespero, numa péssima fase do mercado.
Por outro lado, o Governo "vendeu" mal o PEC, na linha habitual de esconder a verdade aos portugueses. Começou por dizer que não haveria aumento de impostos, tentando enganar as pessoas com uma habilidade semântica. E foram mal e tardiamente explicadas várias medidas do PEC.
Poderá o PEC ser melhorado? Não parece que o Governo o tenha querido negociar. A demora na escolha do novo líder do PSD deu-lhe um álibi. Mas não discutiu as propostas do CDS e do BE.
Tudo visto e ponderado, o PEC é um mal necessário e um mal menor, considerando as alternativas.
Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista
in «Público», 05.04.2010
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Economia
Socretinices
A cada cavadela corresponde uma minhoca (no «Público»):
José Sócrates foi afastado pela Câmara da Guarda, em 1990 e 1991, da direção técnica de obras particulares de cujos projectos era autor, depois de ter sido várias vezes advertido por causa da falta de qualidade dos seus projectos e da falta de acompanhamento das obras - chegando a ser ameaçado com sanções disciplinares. Num dos casos, a saída de cena do então engenheiro técnico, que era deputado em regime de dedicação exclusiva há mais de dois anos, foi imposta pela autarquia socialista como condição para o desembargo da obra que projectara e dirigia.
No conjunto de 26 processos de licenciamento encontrados pelo PÚBLICO, no Arquivo Municipal da Guarda, em que Sócrates esteve envolvido como projetista e responsável de obra entre 1987 e o final de 1990, em acumulação com a atividade de deputado num período em que era presidente da Federação do PS de Castelo Branco, avultam três em que o seu nome foi substituído na direção dos trabalhos sem que ele ou o dono da obra o tenham requerido.
Em dois destes casos o actual primeiro-ministro foi substituído por outros técnicos depois de ter sido repreendido por escrito pelo então presidente da câmara, Abílio Curto - que mais tarde veio a cumprir uma pena de prisão pelo crime de corrupção. As repreensões em causa foram enviadas pelo correio a José Sócrates, na sequência das deliberações camarárias, aprovadas por unanimidade, que o admoestaram pelo "pouco cuidado posto na elaboração do projecto" (1987) e pela "falta de fiscalização das obras de que é autor dos projetos devendo fiscalizá-las rigorosamente" (1990).
No primeiro deixou a obra no final de 1988 sem que se perceba porquê, não havendo no processo nenhum elemento que permita esclarecê-lo nem saber de quem partiu a iniciativa. Já no segundo, o seu afastamento resultou de uma imposição camarária cujo fundamento e objetivo também não consta do processo.
Anteriormente às advertências aprovadas pelo executivo já alguns técnicos camarários tinham subscrito diversas críticas à falta de cumprimento dos regulamentos em vigor por parte daquele projetista, nestes e noutros processos, redigidas em termos mais severos do que as deliberações do executivo.
Na terceira obra de cuja direcção Sócrates foi excluído, já em 1991, ano em que se tornou porta-voz do PS para a área do Ambiente e membro do secretariado nacional do partido, o seu afastamento foi também determinado por despacho camarário, mais uma vez sem que se perceba a razão e sem que no processo da obra existam quaisquer reparos ao seu trabalho.
Quanto à informação que deu origem à primeira das repreensões aprovadas pela câmara, o então chefe da repartição técnica da autarquia, já falecido, escreveu textualmente: "O senhor eng. técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi já advertido pelo pouco cuidado que manifesta na apresentação dos trabalhos apresentados nesta câmara municipal e continua a proceder de igual forma, sem o mínimo respeito por ela e pelos seus técnicos (...) Deverão solicitar-se mais uma vez os elementos nas devidas condições e adverti-lo que não se aceitarão mais casos idênticos, sob pena de procedimento legal." A informação conclui, observando que se Sócrates "não pode ou não tem tempo de se deslocar à Guarda para fazer os trabalhos como deve ser só tem um caminho que é não os apresentar."
Em causa estava um projecto de 1987 em que nalgumas peças se falava na construção de uma moradia a construir na Quinta dos Bentos, na Guarda, e noutras se falava em duas moradias geminadas (ver outro texto nestas páginas). Por outro lado, as plantas apresentadas e assinadas pelo projetista não indicavam sequer o local da obra a construir.
No segundo processo em que foi advertido pela vereação tratava-se de uma moradia a erguer em Sequeira, junto à Guarda, em que a repartição técnica da câmara emitiu informações desfavoráveis ao projeto e às suas posteriores alterações, qualificando algumas delas como "um absurdo". Face à insistência do proprietário e do projetista, a mesma repartição propôs, em Março de 1990, e Abílio Curto concordou, que "deve alertar-se o requerente de que se porventura estiver em obra a executar estas alterações se sujeita a um processo de coimas e o técnico a ser chamado à responsabilidade".
Apesar desta ameaça, as alterações indeferidas foram construídas sem que o responsável pela obra se opusesse, o que levou uma das arquitetas da repartição, também já falecida, a propor a demolição da ampliação ilegal da moradia e a escrever que "o técnico deve ser chamado à responsabilidade (o que não será a primeira vez, aliás) e deve ser seriamente alertado, pois, como deputado na Assembleia da República e residente na Covilhã, não vejo como poderá visitar as obras que dirige - o que, à luz do novo decreto 19/90, lhe poderá vir a acarretar uma pena de suspensão por falta de assistência às obras e de assinatura da folha de obra".
Paralelamente a construção foi embargada, a parte ilegal foi demolida pelo proprietário, e a câmara, em ofício assinado por Abílio Curto em Dezembro de 1990, notificou o proprietário, sem qualquer justificação, "para apresentar novo termo de responsabilidade [leia-se: de outro técnico] após o que se procederá ao desembargo da obra" - tal como aconteceu de imediato.
Num terceiro processo, relativo à construção de uma moradia na aldeia de Cavadoude, cujo projecto e direção de obra têm o nome José Sócrates, não se encontra qualquer crítica ao seu trabalho, mas um despacho de um responsável camarário datado de Janeiro de 1991 determina, também sem qualquer fundamentação, que "é necessário notificar o requerente de que é preciso a declaração de responsabilidade de outro técnico".
Afastamento sem razões conhecidas
O «Público» questionou António Patrício, colega de curso e amigo de José Sócrates, enquanto autor da informação que determinou a exclusão do actual primeiro-ministro da direção de uma obra particular em 1991, mas o atual director regional adjunto de Agricultura do Centro não encontrou uma explicação concreta. "Havia situações em que o técnico desaparecia, ou em que alguma coisa não estava a correr bem e nós próprios tomávamos a iniciativa de mandar substituí-lo, mas nesses casos não faço ideia do que aconteceu", afirmou António Patrício.
Já o atual presidente da autarquia, Joaquim Valente, também colega de curso e amigo de Sócrates, informou que a documentação existente na câmara não permite explicar o que se passou, nomeadamente se a exclusão se deveu ou não ao facto de aquele técnico ser responsável por demasiadas obras em simultâneo.
De acordo com um regulamento aprovado pela câmara em 1987, tinha de haver na sua secretaria uma "relação das obras executadas ou em execução" sob a responsabilidade de cada técnico ali inscrito para apresentar projetos e dirigir obras, sendo que nenhum deles poderia "assumir a responsabilidade simultânea de mais de 24 obras" no concelho. Todavia, segundo Joaquim Valente, "não havia processos individuais constituídos, pelo que, por recurso a esta via, não é possível determinar o número de projectos subscritos pelos técnicos".
Embora afirme que tais processos individuais não existiam, o autarca garante, sem fundamentar essa afirmação, que "não foi proposta qualquer sanção" contra Sócrates na câmara, situação que, a ter-se verificado, poderia também explicar o seu afastamento da direcção das obras. Abílio Curto, presidente da câmara à data dos factos, nunca esteve disponível para falar ao «Público».
José António Cerejo
in «Público», 05.04.2010
José Sócrates foi afastado pela Câmara da Guarda, em 1990 e 1991, da direção técnica de obras particulares de cujos projectos era autor, depois de ter sido várias vezes advertido por causa da falta de qualidade dos seus projectos e da falta de acompanhamento das obras - chegando a ser ameaçado com sanções disciplinares. Num dos casos, a saída de cena do então engenheiro técnico, que era deputado em regime de dedicação exclusiva há mais de dois anos, foi imposta pela autarquia socialista como condição para o desembargo da obra que projectara e dirigia.
No conjunto de 26 processos de licenciamento encontrados pelo PÚBLICO, no Arquivo Municipal da Guarda, em que Sócrates esteve envolvido como projetista e responsável de obra entre 1987 e o final de 1990, em acumulação com a atividade de deputado num período em que era presidente da Federação do PS de Castelo Branco, avultam três em que o seu nome foi substituído na direção dos trabalhos sem que ele ou o dono da obra o tenham requerido.
Em dois destes casos o actual primeiro-ministro foi substituído por outros técnicos depois de ter sido repreendido por escrito pelo então presidente da câmara, Abílio Curto - que mais tarde veio a cumprir uma pena de prisão pelo crime de corrupção. As repreensões em causa foram enviadas pelo correio a José Sócrates, na sequência das deliberações camarárias, aprovadas por unanimidade, que o admoestaram pelo "pouco cuidado posto na elaboração do projecto" (1987) e pela "falta de fiscalização das obras de que é autor dos projetos devendo fiscalizá-las rigorosamente" (1990).
No primeiro deixou a obra no final de 1988 sem que se perceba porquê, não havendo no processo nenhum elemento que permita esclarecê-lo nem saber de quem partiu a iniciativa. Já no segundo, o seu afastamento resultou de uma imposição camarária cujo fundamento e objetivo também não consta do processo.
Anteriormente às advertências aprovadas pelo executivo já alguns técnicos camarários tinham subscrito diversas críticas à falta de cumprimento dos regulamentos em vigor por parte daquele projetista, nestes e noutros processos, redigidas em termos mais severos do que as deliberações do executivo.
Na terceira obra de cuja direcção Sócrates foi excluído, já em 1991, ano em que se tornou porta-voz do PS para a área do Ambiente e membro do secretariado nacional do partido, o seu afastamento foi também determinado por despacho camarário, mais uma vez sem que se perceba a razão e sem que no processo da obra existam quaisquer reparos ao seu trabalho.
Quanto à informação que deu origem à primeira das repreensões aprovadas pela câmara, o então chefe da repartição técnica da autarquia, já falecido, escreveu textualmente: "O senhor eng. técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi já advertido pelo pouco cuidado que manifesta na apresentação dos trabalhos apresentados nesta câmara municipal e continua a proceder de igual forma, sem o mínimo respeito por ela e pelos seus técnicos (...) Deverão solicitar-se mais uma vez os elementos nas devidas condições e adverti-lo que não se aceitarão mais casos idênticos, sob pena de procedimento legal." A informação conclui, observando que se Sócrates "não pode ou não tem tempo de se deslocar à Guarda para fazer os trabalhos como deve ser só tem um caminho que é não os apresentar."
Em causa estava um projecto de 1987 em que nalgumas peças se falava na construção de uma moradia a construir na Quinta dos Bentos, na Guarda, e noutras se falava em duas moradias geminadas (ver outro texto nestas páginas). Por outro lado, as plantas apresentadas e assinadas pelo projetista não indicavam sequer o local da obra a construir.
No segundo processo em que foi advertido pela vereação tratava-se de uma moradia a erguer em Sequeira, junto à Guarda, em que a repartição técnica da câmara emitiu informações desfavoráveis ao projeto e às suas posteriores alterações, qualificando algumas delas como "um absurdo". Face à insistência do proprietário e do projetista, a mesma repartição propôs, em Março de 1990, e Abílio Curto concordou, que "deve alertar-se o requerente de que se porventura estiver em obra a executar estas alterações se sujeita a um processo de coimas e o técnico a ser chamado à responsabilidade".
Apesar desta ameaça, as alterações indeferidas foram construídas sem que o responsável pela obra se opusesse, o que levou uma das arquitetas da repartição, também já falecida, a propor a demolição da ampliação ilegal da moradia e a escrever que "o técnico deve ser chamado à responsabilidade (o que não será a primeira vez, aliás) e deve ser seriamente alertado, pois, como deputado na Assembleia da República e residente na Covilhã, não vejo como poderá visitar as obras que dirige - o que, à luz do novo decreto 19/90, lhe poderá vir a acarretar uma pena de suspensão por falta de assistência às obras e de assinatura da folha de obra".
Paralelamente a construção foi embargada, a parte ilegal foi demolida pelo proprietário, e a câmara, em ofício assinado por Abílio Curto em Dezembro de 1990, notificou o proprietário, sem qualquer justificação, "para apresentar novo termo de responsabilidade [leia-se: de outro técnico] após o que se procederá ao desembargo da obra" - tal como aconteceu de imediato.
Num terceiro processo, relativo à construção de uma moradia na aldeia de Cavadoude, cujo projecto e direção de obra têm o nome José Sócrates, não se encontra qualquer crítica ao seu trabalho, mas um despacho de um responsável camarário datado de Janeiro de 1991 determina, também sem qualquer fundamentação, que "é necessário notificar o requerente de que é preciso a declaração de responsabilidade de outro técnico".
Afastamento sem razões conhecidas
O «Público» questionou António Patrício, colega de curso e amigo de José Sócrates, enquanto autor da informação que determinou a exclusão do actual primeiro-ministro da direção de uma obra particular em 1991, mas o atual director regional adjunto de Agricultura do Centro não encontrou uma explicação concreta. "Havia situações em que o técnico desaparecia, ou em que alguma coisa não estava a correr bem e nós próprios tomávamos a iniciativa de mandar substituí-lo, mas nesses casos não faço ideia do que aconteceu", afirmou António Patrício.
Já o atual presidente da autarquia, Joaquim Valente, também colega de curso e amigo de Sócrates, informou que a documentação existente na câmara não permite explicar o que se passou, nomeadamente se a exclusão se deveu ou não ao facto de aquele técnico ser responsável por demasiadas obras em simultâneo.
De acordo com um regulamento aprovado pela câmara em 1987, tinha de haver na sua secretaria uma "relação das obras executadas ou em execução" sob a responsabilidade de cada técnico ali inscrito para apresentar projetos e dirigir obras, sendo que nenhum deles poderia "assumir a responsabilidade simultânea de mais de 24 obras" no concelho. Todavia, segundo Joaquim Valente, "não havia processos individuais constituídos, pelo que, por recurso a esta via, não é possível determinar o número de projectos subscritos pelos técnicos".
Embora afirme que tais processos individuais não existiam, o autarca garante, sem fundamentar essa afirmação, que "não foi proposta qualquer sanção" contra Sócrates na câmara, situação que, a ter-se verificado, poderia também explicar o seu afastamento da direcção das obras. Abílio Curto, presidente da câmara à data dos factos, nunca esteve disponível para falar ao «Público».
José António Cerejo
in «Público», 05.04.2010
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