05/03/2010

Inspeções sob sol africano

Em Moçambique, o ambiente aquece pelas razões menos esperadas.
Neste caso, a inspeção de automóveis.

Como diz a imprensa, numa análise superficial, tudo parece uma ser decisão sensata, normal para um país normal. Porém, uma análise mais profunda revela uma decisão cínica, uma fraude de gigantescas proporções.

É isso que agora se entende da decisão governamental de introduzir a inspeção obrigatória de veículos. Trata-se de uma decisão que seria normal em condições normais. Mas as condições são anormais em Moçambique.

A inspeção obrigatória de veículos é um procedimento normal em países normais, tendo como objetivo proteger os cidadãos contra a circulação de veículos que, pelas suas deficientes condições mecânicas, constituam um perigo para outros utentes da via pública.

Todavia, nesses países o Estado assume como responsabilidade sua, garantir que não sejam as vias de circulação a principal causa para a existência de viaturas em más condições mecânicas.

No caso do Estado moçambicano falta-lhe moral para exigir viaturas em boas condições mecânicas, ao ponto de impor uma inspeção que condicionante da circulação.

E não tem moral porque, tanto ele como os seus municípios, não cumprem o seu papel de oferecer estradas em condições ótimas de transitabilidade.

É por isso que se pergunta como é que se exige que uma viatura que circula em ruas e estradas em más condições de conservação, poeirentas e repletas de buracos esteja sujeita a uma inspeção obrigatória como condição para a sua circulação.

Ao que tudo indica, a introdução das inspeções é uma decisão tomada com o intuito de satisfazer os interesses de um grupo de pessoas influentes que viram num procedimento legítimo e normal em sociedades normais como oportunidade para fazer um negócio chorudo, mas sem quaisquer benefícios práticos para o país.

É o “cabritismo” na sua mais alta expressão.

Trata-se, por isso, de uma decisão totalmente desajustada da realidade do país, sendo essa a razão porque se quer rejeitada, porque é uma carroça à frente dos bois, com o único objectivo de enriquecer meia dúzia de gananciosos que se valem de posições e ligações oficiais para chupar o sangue do povo.

Argumenta-se que a introdução do sistema de inspeção irá contribuir para a redução de acidentes de viação, que têm estado a causar luto no seio de muitas famílias moçambicanas.
Uma falácia!


Embora seja verdade que viaturas em más condições mecânicas possam ser uma das principais causas dos acidentes de viação, a outra verdade é que a maior parte dos acidentes de viação se verifica nas estradas e são causados pela deficiente formação de uma grande parte dos automobilistas que diariamente se põem atrás do volante. E as péssimas condições das estradas e má sinalização, estão no topo das causas de acidentes de viação.

Haveria, certamente que, em primeiro lugar, reparar e sinalizar as estradas!

E se a proliferação de acidentes é a principal preocupação do governo, então o primeiro ponto de intervenção teria de ser nas escolas de condução e no serviço nacional de viação que têm dado cobertura à corrupção que habilitam incompetentes. É, portanto, ali que a inspeção deve começar.

POR ISSO, É CURIOSA ESTE RIGOR NA INSPEÇÃO DE VIATURAS, NUM PAÍS ONDE SE COMPRAM CARTAS SEM VER UM VOLANTE.

Com tanta falta de bom senso, porque não aplicar medidas elementares de inspeção (travões, luzes, piso de pneus), em lugar de rigor fundamentalista e idiota?

Por cabritismo, certamente!

«Público» faz 20 anos

É por estas e por outras que o jornal «Público» de Portugal é o melhor jornal em língua portuguesa.

Faz hoje 20 anos que saiu para as bancas, passou para a Internet e chegou ao Kindle.

Em boa hora surgiu como iniciativa de Belmiro de Azevedo, Vicente Jorge Silva, José Manuel Fernandes, Henrique Cayatte, Jorge Wemans, Nuno Pacheco, José Vítor Malheiros, Augusto M. Seabra, José Queirós e Joaquim Fidalgo.

Está, estão todos, de parabéns!

Público "socretino"

Como seria o «Público» se fosse dirigido por um socretino:

O Polvo

As "surpresas" continuam a surgir do baú:

04/03/2010

Vender banha-da-cobra


Feito caixeiro-viajante, mais promessas, mais pontes, mais locuras:

A escola pública

A escola pública tem vindo a perder alunos para a privada. Isto acontece apesar de frequentar uma escola privada ser, regra geral, muito mais caro do que andar numa escola pública (há excepções: bolsas, por exemplo). Parece que, apesar de todas as dificuldades económicas das famílias, estas inscrevem os fi lhos numa escola privada sempre que podem.

Os professores do ensino público não são piores do que os do privado, pelo contrário. O que afasta os alunos da escola pública é o sistema – um conjunto enorme de escolas e professores dirigidos centralizadamente pelo Ministério da Educação, em Lisboa. É um monstro ingerível, que tira autonomia às escolas – logo, tira-lhes também responsabilidade – e provoca instabilidade nos horários, na continuidade dos professores, na própria ligação dos estudantes ao seu estabelecimento de ensino.

É preciso reabilitar a escola pública, dando mais liberdade de escolha aos pais e mais autonomia a cada escola. O problema é que liberdade e autonomia não agradam aos sindicatos nem aos ideólogos da formatação geral e jacobina dos alunos.

Francisco Sarsfield Cabral
in «Página 1», 04.03.2010

Retornados: a palavra possível nasceu há 35 anos

"Estivadores africanos do porto de Lourenço Marques recusaram-se ontem a carregar barcos de carga destinados a Lisboa com bens pertencentes a colonos brancos que regressam a Portugal. Segundo anunciaram, respondem assim a um apelo lançado pela Frelimo no sentido dos residentes brancos permanecerem no território, ajudando ao seu desenvolvimento. Todavia, na capital moçambicana a tensão aumentou nos últimos dias, devido a uma série de deflagrações (...) que devem ser obra de extremistas das direitas."
Direitas. Extremistas. Colonos. Brancos - esta notícia do Telejornal da RTP do dia 21 de Junho de 1974 contém os tópicos básicos das notícias sobre aqueles que, um ano depois, passarão a ser designados como retornados. Mas em Junho de 1974 os retornados não só não existiam como eram precisamente aquilo que antecipada e firmemente se garantia aos portugueses que jamais sucederia. É certo que, em 1974, existiam em Portugal os refugiados de Goa e os refugiados do Zaire. Mas os primeiros surgiam como o resultado dos erros de Salazar e dos segundos não só mal se ouvira falar como também eram apresentados como a natural consequência do colonialismo.

Os portugueses de África confrontaram-se desde os primeiros momentos com um estereótipo que os reduzia à caricatura dos colonos brancos, extremistas de direita. Que para maior agravo fugiam por receios infundados e por não quererem dar o seu contributo aos novos países africanos: "filhos pródigos" de Moçambique - chama por este mesmo mês de Junho de 1974 o correspondente do Expresso naquele território àqueles que já então esgotavam os bilhetes da TAP para a viagem Lourenço Marques-Lisboa.

Mas este enquadramento ideológico, quer das vidas dos portugueses em África, quer de tudo o que lhes possa vir a suceder, leva a um fenómeno muito mais profundo que a caricatura: a indiferença pela omissão. Assim, esperar-se-ia que a situação vivida por estas pessoas em Lourenço Marques merecesse maior atenção por parte da comunicação social daquilo a que se chamava metrópole.

Afinal, não era de modo algum habitual que cidadãos portugueses fossem impedidos de viajar sequer pelos seus governos, quanto mais por um movimento político armado, no caso a Frelimo, do qual o Alto Comando Militar de Moçambique (ACMM) continuava a dar conta de ataques - na terceira semana de Junho são imputados pelo ACMM à Frelimo ataques a três aldeias no distrito de Cabo Delgado que causaram uma morte e seis desaparecidos, para lá do assassínio de três chefes tribais no distrito de Vila Pery. Mas não foi isso que aconteceu.

Mesmo a referência à carga que a Frelimo não quer deixar embarcar não gera qualquer curiosidade. O que pretendem embarcar estas pessoas: bens que querem colocar em segurança para o que der e vier ou a panóplia habitual de objectos nestas viagens sazonais de reencontro com os familiares e de apresentação dos filhos aos parentes que tinham nesse território a que chamavam Portugal europeu? Em Lisboa ninguém se interessou por esse assunto. Vão ser necessários muitos meses e muitos milhares de retornados para que a imprensa portuguesa lhes dedique espaço e para que o discurso do poder político-militar conceda que eles existem.

Seja na versão oficial ou no imaginário de cada um de nós, os retornados são um fenómeno de 1975. De facto, são de meados de 1975 as imagens dos caixotes junto ao Padrão dos Descobrimentos e das crianças sentadas no chão do aeroporto de Lisboa. É também em 1975 que começa oficialmente a ponte aérea que traria centenas de milhares de portugueses de África. E finalmente é em 1975 que, perante a evidência da catástrofe, se arranjou um termo politicamente inócuo, susceptível de nomear essa massa de gente que só sabia que não podia voltar para trás. Arranjar um nome para esse extraordinário movimento transcontinental de milhares e milhares de portugueses foi difícil, não porque as palavras faltassem, mas sim porque os factos sobravam.

Contudo, não só muitos deles não eram retornados, pela prosaica razão de que tinham nascido e vivido sempre em África, como surgem muitos meses antes de a palavra "retornado" ter conseguido chegar às primeiras páginas dos jornais portugueses. Desde Junho de 1974 que encontramos notícias sobre a fuga dos colonos, dos brancos, dos africanistas, dos europeus, dos ultramarinos, dos residentes e dos metropolitanos. Enfim, de pessoas brancas, pretas, mestiças, indianas... que residiam em Angola, Moçambique, Guiné e Cabo Verde. Nenhum destes termos é verdadeiramente apropriado para descrever o que eles de facto eram, mas a desadequação dos sinónimos foi breve, pois dentro de poucos meses eles deixaram de ser definidos em função dessa África onde foram colonos, brancos, africanistas, europeus, ultramarinos, residentes ou metropolitanos para passarem a ser definidos em função da própria fuga. Então passarão a ser desalojados, regressados, repatriados, fugitivos, deslocados ou refugiados. Finalmente, em meados de 1975, tornar-se-ão retornados.

Oficialmente, os retornados nasceram há 35 anos, em Março de 1975, através do Decreto n.º 169/75 que criou o IARN. Ao contrário do que ficou para o futuro, as siglas não queriam dizer Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais, mas sim Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais, pois quanto mais os factos davam conta da catástrofe, mais cuidado punha Lisboa na gestão das palavras. O texto introdutório do decreto explica a criação do IARN como uma medida de "prudente realismo" perante a possibilidade de advir do "processo de descolonização em curso (....) o eventual afluxo a Portugal de indivíduos ou famílias que hoje residem ou trabalham em alguns territórios ultramarinos". Mas não só a estes portugueses se refere este decreto. Aliás, os seus considerandos mais sérios e assertivos (nada que se assemelhe a um "eventual afluxo", mas sim a um retorno em "grande massa") são reservados não aos retornados de África, mas sim aos portugueses emigrados na Europa: "Considerando que, no caso de se verificar uma grave crise de emprego nos países principais destinatários da emigração portuguesa, é de admitir a hipótese do retorno de uma grande massa de emigrantes ao país". Ou seja, escassas semanas antes de começar uma das maiores pontes aéreas mundiais para evacuação de refugiados, numa fase em que por barco e carreiras aéreas regulares já tinham afluído a Portugal milhares de residentes nos territórios africanos e quando os próprios funcionários públicos portugueses e membros das forças segurança abandonavam em massa os seus lugares em África, o poder político-militar de Lisboa finalmente reconhecia não ainda a sua existência mas a possibilidade de virem a existir.

Aquilo que o Decreto n.º 169/75 refere como "eventual afluxo" foi o maior êxodo de portugueses registado num tão curto período. Não se sabe ao certo quantos foram os retornados, pois muitos "retornaram" directamente de África para Brasil, Canadá, Venezuela ou deixaram-se ficar pela África do Sul. E não fosse o povo ter chamado bairro dos retornados a alguns conjuntos de habitação social, geralmente prefabricada, para onde alguns deles foram residir, não se encontraria outra referência no espaço público à sua existência. Até hoje ninguém os homenageou. Deles o poder político e militar falou sempre o menos possível. A comunicação social, tão ávida de histórias, demorou anos a interessar-se por aquilo que eles tinham para contar. E os poucos que entre eles passaram a papel as memórias desse tempo só em casos excepcionais conseguiram romper o universo restrito das edições de autor.

Há 35 anos inventámos a palavra retornado. Mas eles não retornavam. Eles fugiam. Retornados foi a palavra possível para que outros - os militares, os políticos e Portugal - pudessem salvaguardar a sua face perante a História. Contudo, a eles o nome colou-se-lhes. Ficaram retornados para sempre. Como se estivessem sempre a voltar.

Helena Matos, Ensaísta
in «Público», 04.03.2010 - (1ª parte)

Imagem não associada ao artigo e recolhida de http://jasg08.bloguepessoal.com e que traduz a polémica da época:

E explicar a fortuna pessoal?

E se o homenzinho explicasse a riqueza, governasse e se deixasse de blogar para o ar?

A crise... dentro de momentos

Enquanto os socialistas portugueses assobiam para o lado e negam as evidências, os sinais de crise continuam no horizonte.

Solução socialista: TGV, novo Aeroporto de Lisboa, terceira Ponte sobre o Tejo e outras "cavalgaduras".

Eis um diagnóstico arrepiante:
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LEAP/E2020 is of the view that the effect of States’ spending trillions to «counteract the crisis» will have fizzled out. These vast sums had the effect of slowing down the development of the systemic global crisis for several months but, as anticipated in previous GEAB reports, this strategy will only have ultimately served to clearly drag States into the crisis caused by the financial institutions.

Therefore our team anticipates, in this 42nd issue of the GEAB, a sudden intensification of the crisis in the second half of 2010, caused by a double effect of a catching up of events which were temporarily «frozen» in the second half of 2009 and the impossibility of maintaining the palliative remedies of past years.

As a matter of fact, in February 2010, a year after us stating that the end of 2009 would mark the beginning of the phase of global geopolitical dislocation, anyone can see that this process is well established: states on the edge of bankruptcy, remorseless rise in unemployment, millions of people coming to the end of their social security benefits, falling wages and salaries, limiting of public services and disintegration of the global governance system (failure of the Copenhagen summit, growing Chinese/US confrontation, return of the risk of an Iran/Israel/USA conflict, wars worldwide… (1)). However, we are only at the start of this phase for which LEAP/E2020 will supply a likely timeframe in the next GEAB issue.

The sudden intensification of the global systemic crisis will be characterised by the acceleration and/or strengthening of five fundamental negative trends:

. the explosion of the bubble in public deficits and a corresponding increase in state defaults

. the fatal impact of the Western banking system with mounting debt defaults and the wall of debt coming to maturity

. the inescapable rise in interest rates

. the increase in issues causing international tension

. a growing social insecurity.

In this GEAB issue our team expands on the first three trends of these developments including an anticipation on Russia’s position in the face of the crisis, as well as, of course, our monthly suggestions.

In this public announcement, we have chosen to analyse the «Greek case», on the one hand because it seems indicative of what 2010 has in store for us, and on the other because it is a perfect illustration of the way in which news and information on the world crisis is moving towards « make-believe news » between blocs and interests which are increasingly in conflict. Clearly it is a « must » to learn how to decipher worldwide news and information in the months and years to come which will be a growing means of manipulatory activity.

The five characteristics which make up the « Greek case » into the tree with which one tries to hide the forest

Let’s take a look at the «Greek case» which has concerned the media and experts for several weeks now. Before entering into the detail of what is happening, there are five key points to our anticipation on the subject:

1. As we stated in our anticipations for 2010, which appeared in the last GEAB issue (GEAB N°41, the Greek problem will have disappeared from the international media’s radar several weeks from now. It is the tree used to hide both a forest of much more dangerous sovereign debt (to be precise that of Washington and London) and the beginning of a further fall in the world economy, led by the United States (2).

2. The Greek problem is an internal issue for the Eurozone and the EU, and the current situation provides, at last, a unique occasion for the Eurozone leaders to require Greece (a case of « failed enlargement » since 1982) to leave its feudal political and economic system behind. The other Eurozone countries, led by Germany, will do the necessary to make Greek leaders bring their country into the XXIst century in exchange for their help, at the same time making use of the fact that Greece only represents 2.5% of Eurozone GDP (3) to test the stabilisation mechanisms that the Eurozone needs in times of crisis (4).

3. Ango-Saxon leaders and media are using the current situation (just like last year with the so-called banking tsunami coming from Eastern Europe which was going to carry the Eurozone away with it (5)) to hide the catastrophic progression of their economies and public debt and attempt to weaken the attractiveness of the Eurozone at a time when the USA and the United Kingdom have increasing difficulty in attracting the capital which they so desperately need. At the same time Washington and London (which, since the coming into effect of the Lisbon Treaty is completely excluded from any management of the Euro) would be overjoyed to see the IMF, which they control completely (6), brought into Eurozone management.

4. Eurozone leaders are very happy to see the Euro fall to 1.35 against the Dollar. They well know that it won’t last because the current problem is the fall in the value of the Dollar (and the Pound Sterling), but they appreciate this «whiff of oxygen» for their exporters.

5. The speculators (hedge funds and others) and banks heavily involved with Greece (7), have a common interest in trying to bring about rapid Eurozone financial support for Greece, since otherwise the rating agencies will, unintentionally, pull a fast one on them if the Europeans refuse to dig into their pockets (like the scandalous actions of Paulson and Geithner over AIG and Wall Street in 2008/2009): indeed a lowering of Greece’s rating will plunge this small world into the throes of serious financial losses if, for the banks, their Greek loans are similarly devalued, or if their bets against the Euro don’t work out in due course (8).

Goldman Sachs’ role in this Greek tragedy… and the next sovereign defaults

In the «Greek case», just like in every suspense story, a « bad guy » is needed (or, following the logic of an old-style tragedy, a « deus ex machina »). In this phase of the global systemic crisis, the role of the « bad guy » is usually played by one of Wall Street’s big investment banks, in particular by the leader of the gang, Goldman Sachs. The «Greek case» is no different as indeed this New York investment bank is directly implicated in the budgetary conjuring tricks which allowed Greece to qualify for Euro entry, whilst its actual budget deficits would have disqualified it. In reality it was Goldman Sachs who, in 2002, created one of its cunning financial models of which it holds the secret (9) and which, almost systematically resurfaces several years later, to blow up the client. But what does it matter, since GS (Goldman Sachs) profits were the beneficiary!

In the Greek case what the investment bank proposed was very simple: raise a loan which didn’t appear in the budget (a swap agreement which enabled a ficticious reduction in the size of the Greek public deficit (10). The Greek leaders at the time were, of course, 100% liable and should, in LEAP/E2020’s opinion, be subjected to Greek and European political and legal process for having cheated the EU and their own citizens within the framework of a major historic event, the creation of the single European currency.

But, let’s be clear, the liability of the New York investment bank (as an accomplice) is just as great, especially when one is aware of the fact that Goldman Sachs’ vice-president for Europe was, at the time, a certain Mario Draghi (11), currently President of the Italian Central Bank and a candidate (12) to succeed Jean-Claude Trichet at the head of the European Central Bank (13).

Without wishing to pre-judge Mr. Draghi’s role in the affair of the loan manipulating Greece’s statistics (14), one should ask oneself if it wouldn’t be worthwhile to question his involvement in the affair (15). In a democracy, the press (16), like parliaments (in this case Greek and European), are expected to take on this task themselves. Considering the importance of GS in world financial affairs these last few years, nothing that this bank does should leave governments and legislators indifferent. It is Paul Volcker, current head of Barack Obama’s financial advisors, who has become one of the strongest critics of Goldman Sachs’ activities (17). We already had the occasion to write, at the time of the election of the current US President, that he is the only person in his entourage having the experience and skills to push through tough measures (18) and who, at this moment, knows what, or rather whom, he is talking about.

With this same logic, on the issue of transparency in financial activities and state budgets and using the ill-fated role of Goldman Sachs and of the large investment banks in general as an illustration, LEAP/E2020 takes the view that it would be beneficial for the European Union and its five hundred million citizens, to exclude former managers of these investment banks (19) from any post of financial, budgetary and economic control (ECB, European Commission, National Central Banks). The mixing of these relationships can only lead to even greater confusion between public and private interests, which can only be to the detriment of European public interests. To begin with, the Eurozone should immediately require the Greek government to stop calling on the services of Goldman Sachs which, according to the Financial Times of 01/28/2010, it still uses.

If the head of Goldman Sachs believes he is «God» as he described himself in a recent interview (20), it would be prudent to consider that his bank, and its lookalikes, can seriously behave like devils, and it is therefore wise to draw all the consequences. This piece of advice, according to our team, is valid for the whole of Europe, as well as every other continent. There are « private services » which clash with «public interests»: just ask Greek citizens and American real estate owners whose houses have been repossessed by the banks!

To conclude, our team suggests a game to convince those who seek where the next sovereign debt crisis will surface: simply look for those states which have called upon Goldman Sachs’ services in the last few years and you will have a serious lead (21)!

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Notes:
(1) The recent statements of G. W. Bush’s Secretary to the Treasury, Hank Paulson, about the fact that Russia and China plotted to bring down Wall Street in the autumn of 2008 show the extent of the big global players’ paranoia. Source: Daily Mail, 01/29/2010
(2) During the last four years our team has regularly exposed the anomalies in calculating US GDP. We will make no further comment here on this very « Greek » aspect of American statistics. As to the development of the American economy over the next few months, it is sufficient to note that the Truck Tonnage Index went into freefall in January 2010, just as it did at the end of the first half of 2008. Source: USAToday, 02/11/2010
(3) See the chart below which puts the « Greek problem » into proportion against Eurozone GNP.
(4) For which GEAB has emphasized the necessity for four years, as well as the wide public support (an average of more than 90% according to GlobalEurometre monthly polls) a Eurozone economic governance could count on.
(5) As a reminder here, GEAB N°33 was one of the rare media sources which, in Spring 2008, revealed the dishonest and manipulative aspects of the big fear of a «banking tsunami» coming from Eastern Europe which was supposed to carry away the Eurozone banking system. At the time, the Euro had fallen to much lower levels than those seen today…only to rise again several weeks later. For those who wish to understand the current media position, we suggest a re-read of the GEAB N°33 public communiqué.
(6) The fact that a Frenchman is its head changes nothing.
(7) Source: Le Figaro, 02/12/2010
(8) That said, media manipulation in this area is remarkable. These last few days one has seen/read/heard almost everywhere that huge sums have been bet on a fall in the Euro, some eight billion US Dollars. In fact this « huge sum » is only a drop in the ocean of the world currency markets which turn over several hundred billion USD a day. Source: Financial Times, 02/08/2010
(9) With the same highly constructive regard for the countries where it operates as that which led it, in the United States in 2006/2007, to provoke a fall, for its own benefit, in the value real estate based financial products which it had sold to its own clients.
(10) Sources: Spiegel, 08/02/2010; Le Temps, 13/02/2010; Reuters, 09/02/2010
(11) During Italy’s preparation for Euro entry, he was Director General of the Italian Treasury. Sources: Bank of Italy; Wikipedia; Goldman Sachs.
(12) Very strongly supported by the London and American financial milieux, to which we have already alluded several months ago in one of our reports… and, of course, by Silvio Berlusconi. Source: Sharenet/Reuters, 02/10/2010
(13) His strongest adversary is Axel Weber, current head of the Bundesbank.
(14) What would be surprising is that the European head of the bank making a loan intended to hide a portion of a country’s public deficit, and himself the former Treasury head of a neighbouring country, should not be aware of such an undertaking.
(15) And, considering his past positions, one can only appreciate his sense of humour when he calls for a reinforcement of Eurozone economic management. Source: Les Echos, 02/13/2010.
(16) Which, for the present, satisfies itself by copying articles from the Anglo-Saxon press casting the Greek case in the role of « wrecker of world markets » repeating at length that the Euro will fall… whilst it trades at a level which the same media thought it impossible to achieve only four years ago.
(17) Source: Reuters, 02/12/2010
(18) He belongs to that generation of Americans who built the « post-war US empire », who know its weak points and exactly how it works, contrary to Summers, Geithner and others like Rubin. Our team rarely compliments Barack Obama, but if he continues to listen to the likes of Paul Volcker, he is definitely moving in the right direction.
(19) Our team knows, from first-hand knowledge, that there once was a time, thirty years or so ago, when investment bankers would take action having the long term interests of their clients at heart. This period is long gone and now they only act in their own short-term interests. From this, we should draw the inevitable conclusions and exclude them access to key posts in the public service, rather than try and reform their behavior. If there were child investment bankers (as there are child soldiers) one could, perhaps, hope to save a number of them from their addiction to short-term profits, but for adult investment bankers, it’s far too late.
(20) Source: Times, 11/08/2009
(21) For the private sector, ask Lehman Brothers, AIG…they will confirm its accuracy.

03/03/2010

Somos todos madeirenses

Sobre a tragédia na Madeira:

Novas oportunidades

Uma provocação socialista (in «Público, 03.03.2010):

Tradições

Uma curiosa tradição na Nigéria (fotografia de Afolabi Sotunde):

O "jotinha" grisalho

Caro dr. Mário Soares:

Os seus artigos têm provocado desilusões faraónicas. Roma está a arder, e V. Exa. anda a dizer que Nero é fixe. Os mais velhos dizem-me que V. Exa. é o progenitor dourado da nossa democracia. Eu não gosto de desautorizar a brigada do reumático, mas tenho de dizer uma coisa: V. Exa. não tem agido como o pai da democracia.

Do alto do rochedo que é o seu prestígio, o dr. Soares tinha o dever de ser um senador a pairar acima da politiquice partidária. O dr. Soares devia estar preocupado com as regras institucionais, que estão acima de qualquer partido. Porém, V. Exa. tem atuado como se fosse um mero apparatchik do PS.

Caro dr. Soares: o seu último artigo do "Diário de Notícias" parece que foi escrito por um 'jotinha'. É isso mesmo: V. Exa. tem sido o 'jotinha' grisalho do PS. Esperava-se mais, dr. Soares, muito mais. Esperava-se que V. Exa. colocasse o espaço público acima da sua tribo. Esperava-se que V. Exa. colocasse as regras institucionais que garantem a transparência pública acima do 'seu' PS. José Sócrates rasgou todas essas regras, mas V. Exa. assobia para o lado. Roma arde, e V. Exa. abraça Nero.

No seu artigo, V. Exa. afirma que Sócrates não pode ser derrubado, porque "foi relegitimado há pouco tempo pelo eleitorado". Pior: V. Exa. afirma que as últimas sondagens (favoráveis a Sócrates) comprovam a falsidade das acusações que resultam das escutas. Ora, os seus argumentos não fazem qualquer sentido, dr. Soares. A ideia de que uma sondagem positiva 'absolve' um plano para controlar a TVI é um absurdo. Se aplicasse este argumento à Itália, o dr. Soares teria de elogiar Berlusconi. Depois de todas as suas trapaças, Berlusconi ainda tem uma aprovação de 50%. Como é óbvio, essa aprovação popular não legitima as acções ilegítimas de Berlusconi. Antes das sondagens, antes das eleições, a democracia assenta em regras institucionais. Berlusconi rasgou essas regras em Itália. Sócrates está a rasgar essas regras em Portugal.

V. Exa. afirma que Sócrates foi relegitimado nas urnas, e que, por isso, não pode ser demitido.

Meu caro dr. Soares, este argumento revela uma cultura política primária e deficitária. Há um défice institucional na forma como V. Exa. pensa a democracia. Uma democracia constitucional não começa nem acaba nas eleições. Uma vitória eleitoral não coloca um político acima do bem e do mal. A vitória eleitoral de Sócrates não pode branquear actos ilegítimos, como as tentativas de controlo de grupos de media. Antes de rimar com eleições, a democracia rima com transparência institucional. E, meu caro dr. Soares, José Sócrates é uma criatura política opaca, que recusa submeter-se ao rigor da transparência. Sócrates mentiu ao Parlamento, e agora recusa explicar essa mentira ao mesmo Parlamento.

No fundo, o dr. Soares vê a democracia como um mero combate entre partidos. Vendo o 'seu' PS em dificuldades, V. Exa. colocou as penas da tribo na cabeça, e partiu logo à caça de escalpes. Com a sua idade, V. Exa. já tinha obrigação de perceber que isso é irrelevante, sobretudo nesta altura difícil. Nas épocas de tormenta, as democracias necessitam de senadores institucionais. Medeiros Ferreira tem sido esse senador. Ao invés, o dr. Soares tem sido o porta-voz de um primeiro-ministro ilegítimo.

V. Exa. não é o pai da democracia. V. Exa. é só o pai do PS.

Henrique Raposo
in «Expresso», 20.02.2010

02/03/2010

Cahora Bassa

No exato momento em que o primeiro-ministro português José Sócrates efetua uma visita de Estado a Moçambique, é importante que tenha presente o que representa a hidroelétrica de Cahora Bassa, que vai visitar, uma obra lançada pelo regime colonial português mas, ainda assim, um monumento à inteligência, à coragem e ao sacrifício de portugueses e moçambicanos.

Ironia da História, a Frelimo era contra e tentou impedir a construção da barragem, depois da independência boicotou a sua viabilidade económica e, por fim, com a sua transferência para propriedade moçambicana, facilitou a sua apropriação privada por figuras do regime guebusista.





01/03/2010

O (des)aquecimento global

O fim da teoria do aquecimento global

Perante o frio de rachar que desde há muito se faz sentir no hemisfério Norte, os adeptos da teoria do aquecimento global – na designação internacional AGW, de Anthropogenic Global Warming – têm andado prudentemente calados.

Não é caso para menos, tendo em conta também a avalanche de revelações que têm vindo a público, denunciando as manipulações de dados e mesmo as fraudes praticadas pelos (pseudo) cientistas do IPCC e de outras organizações congéneres, a ponto de já circular na net uma petição a exigir a retirado do prémio Nobel a Al Gore e ao IPCC.

Em todo o caso, alguns dos adeptos do AGW ainda guardam alguma esperança de que, com o passar do tempo, se vá atenuando o furor despertado na comunidade internacional pelas revelações do Climategate. E, quem sabe, num puro exercício de whishful thinking, talvez ainda acreditem que tudo venha a ser esquecido e se torne possível regressar aos “bons” velhos tempos em que se deliciavam a aterrorizar toda a gente com as emissões de dióxido de carbono.

Felizmente estão enganados. No entanto, tenhamos isso presente, a teoria do AGW ainda permite aos alarmistas condicionar a política energética dos governos. Particularmente em Portugal, em que os fanáticos do AGW ou estão no governo ou dispõem de forte influência junto do mesmo, há muito que se fazem sentir os efeitos nefastos de uma política de energias renováveis que contempla os produtores com subsídios escandalosos, agravando de forma insuportável os preços da energia eléctrica paga pelos consumidores, sobretudo os consumidores domésticos, aos quais, para que conste, o ardiloso Decreto Lei 90/2006, do anterior governo Sócrates, veio imputar praticamente a totalidade dos sobrecustos das renováveis.

É por isso que todas as oportunidades são poucas para recordar aos decisores políticos que a teoria do AGW está morta e enterrada e que só os ingénuos, os distraídos, ou os que têm algo a ganhar com o assunto, é que ainda vêm a público defendê-la.

As conclusões de tudo quanto tem vindo a ser conhecido, mesmo depois do Climategate, não deixa dúvidas: se a teoria do AGW ainda não está morta e enterrada, como seria desejável, está em franco declínio.

Aos decisores políticos só falta terem a coragem de reconhecer que andaram a ser deliberadamente enganados pelos cientistas do IPCC e organizações congéneres, declarando, em conformidade, que a teoria do AGW deixará de constituir qualquer limitação para a definição das suas políticas energéticas.

Jorge Pacheco de Oliveira
in «Mitos Climáticos», 16.02.2010

O papel da escola modernaça e socialista

Havendo dificuldade na interpretação da resposta do aluno do 9ºano de uma escola de Espinho, aqui vai a transcrição possível sobre a opinião que tem quanto ao papel da escola na formação dos cidadãos:

O papel da escola eu axo que é igual a um papel qualquer de imprensa A4. E de certeza que é. tem a mesma grossura e tudo. Agora se estão a falar, por exemplo, das folhas de Teste que é uma folha A3 duberada ao meio fazendo duas folhas A4, axo melhor que as folhas de teste sejam assim do que só uma folha A4, essas fichas que os professores dão são sempre folhas de formato A4 ou de formato A5 . Os testes As professoras metem sempre folhas de formato A4 mas quando são mais as professoras agrafam sempre as folhas e nunca fazem teste com folhas formato A5. Por isso eu axo que as folhas desta escola são iguais às das outras escolas ou de outras empresas.

28/02/2010

As escolhas de Marcelo

Concretizada a manobra de censura, terminou hoje o programa «As escolhas de Marcelo» na RTP.

(fotografia de «Público»)

Capulanas

Capulanas na dança:

Diga Youtube

Magalhães para todos - Introdução à Informática.

Revisão da matéria dada:

Eduardo Mondlane - Um Homem a Abater

José Manuel Duarte de Jesus, diplomata reformado e doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, lançou um interessante livro sobre Eduardo Mondlane (editora Almedina).

O livro é apresentado da seguinte forma: «Moçambicano, académico americano, funcionário da ONU, primeiro presidente da FRELIMO, amigo de Adriano Moreira, casado com uma americana branca, procurou com insistência a independência pela negociação. Portugal recusou. Recorreu à guerra. Ouvido na Administração Kennedy, influenciou a estratégia americana em África. Foi líder considerado na Europa, em Moscovo e em Pequim. Procurou que Moçambique não caísse na dependência das potências da guerra-fria. Veio a pagar com a vida a sua independência. Encontra-se nesta obra, entre outros inéditos, o strategy paper entregue por Mondlane aos americanos em 1961, e outro do mesmo ano que um grupo de portugueses da área do regime fez chegar a Salazar pela mão de Franco Nogueira, sugerindo uma nova política externa e ultramarina».

Ditador, terrorista e palhaço

Muammar Khadafi, o ditador terrorista que há 41 anos dirige a Líbia e que, na cena internacional é useiro na figura de palhaço, lançou uma jihad sobre a Suiça, na sequência dos problemas abertos pelo filho Hannibal, em 2008, com as autoridades helvéticas.

«Qualquer muçulmano em todo o mundo que esteja trabalhando com a Suíça é um apóstata, é contra Maomé, contra Deus e contra o Alcorão", disse Kadafi durante um evento de comemoração do nascimento do profeta, realizado na cidade líbia de Benghazi. Ele afirmou que a Suíça é um "Estado infiel e obsceno, que está destruindo mesquitas", referindo-se à proibição de construir minaretes, determinada por um referendo suíço», diz o ditador.

A União Europeia e as Nações Unidas já consideraram as declarações como inaceitáveis.

Enfim, o homem voltou a ter uma recaída.

26/02/2010

Socretinices: virtude ou a falta dela

António Costa entende que discutir o caráter dos políticos é "baixa política". Até o repetiu na Quadratura do Círculo. Também não se calam os que fazem coro com José Sócrates e se queixam daquilo que designam como um "assassinato de caráter" - algo que, subentende-se, seria interdito em política.

Não têm razão: os políticos são figuras públicas que, numa democracia, não podem liderar apenas pela imposição da sua vontade, mas pela inspiração do seu exemplo. Sendo que numa democracia os fins, justos ou injustos, não justificam os meios. Por isso, quando falamos de ética republicana, não falamos apenas do estrito cumprimento da lei (ou da aparência do cumprimento da lei), mas de um nível mais elevado de exigência. E de exigência moral.

Os que se sentam na cadeira do poder não são apenas julgados pelos eleitores ou, em casos limite, pelos tribunais: também respondem perante a opinião pública. Por outro lado, se nalgumas democracias o escrutínio das figuras públicas vai até à sua vida íntima, o que não recomendo, é consensual que ao exercício do poder corresponde uma compressão da área de reserva da vida privada, pois os cidadãos querem conhecer as virtudes e os defeitos dos que elegem.

Sócrates não pode pois escapar a um julgamento de caráter - não por alguém sentir que tem especial autoridade moral para o fazer, mas porque os seus defeitos de caráter se tornaram tão evidentes que se transformaram num problema político central.

O primeiro-ministro começa por ter um problema na relação com a verdade e a mentira, parecendo incapaz de as distinguir. As suas declarações sobre o que sabia ou não sabia do negócio PT/TVI há muito que perderam toda a credibilidade e se transformaram num jogo de palavras destinado apenas a criar uma ilusão nos que estão menos informados. Contudo este episódio é apenas o mais recente de uma longa série de meias verdades ou de mentiras que pontuam "um percurso de opacidades", para utilizar uma expressão de Maria Filomena Mónica.

E que opacidades. Nenhum político português deixou atrás de si um rasto tão longo e tão desagradável de casos "mal explicados". Como a memória é curta, recordemos os mais relevantes:

- A forma como assinou dezenas de projetos de arquitectura e engenharia no concelho da Guarda no tempo em que era técnico da Câmara da Covilhã;

- A sua associação, por um ano, à Sovenco, uma empresa de importação de pneus em que um dos sócios era Armando Vara;

- As nunca investigadas conversas intercetadas durante a investigação a Luís Monterroso em que intercede por empresas amigas junto de autarcas;

- As condições de relativa facilidade de que beneficiou para concluir a licenciatura na Independente;

- A controvérsia da atribuição de um generoso subsídio à Deco, acima do previsto legalmente;

- O envolvimento de figuras que lhe são muito próximas no chamado "processo da Cova da Beira", que levou anos a ser investigado;

- A diferença entre o preço que pagou pelo seu apartamento na Rua Castilho, em Lisboa, e o preço pago por alguns moradores;

- O papel que desempenhou como pivot da negociação com Daniel Campelo e que permitiu a aprovação do "orçamento do queijo limiano";

- As dúvidas sobre a forma e a celeridade do licenciamento final do Freeport, a maior parte delas levantada na imprensa ainda antes da denúncia anónima e, sobretudo, da carta vinda do Reino Unido;

- O aparecimento, no Parlamento, por alturas do "caso da Independente", de duas fichas diferentes de deputado, uma delas rasurada, indiciando uma possível falsificação que nunca ninguém investigou;

Não é pois preciso lembrar a sua relação doentia com os jornalistas ou a sua obsessão com a imagem, e ainda menos de apurar o que se passou no processo de compra da TVI, para perceber que um tal "rasto" de dúvidas e casos seria notícia em qualquer parte do mundo. Ao contrário do que José Sócrates tem repetido, não houve tentativas de "assassinato de caráter": houve e haverá dezenas de notícias que existem porque alguma coisa no caráter do político não permite que olhemos para elas como casos isolados, antes formando um padrão coerente. Para mal de todos nós.

Nenhuma das situações citadas, mesmo as que foram investigadas pelas autoridades judiciais, fizeram sentar Sócrates no banco dos réus. Só que o padrão evidenciado não é um problema judicial, é um problema político. E o que está em causa é a confiança dos cidadãos e dos outros agentes políticos num primeiro-ministro de que não se sabe quando está a ser sincero e cujo comportamento, por demasiadas vezes, suscitou dúvidas.

Mais: nasce-se na família em que se nasce, mas os amigos escolhem-se. E se José Sócrates pode facilmente demarcar-se do primo e do tio que invocaram o seu nome no "caso Freeport", é mais difícil manter-se fiel a Armando Vara (para não falar dos administradores nomeados pelo Governo para a PT, nomeadamente do extraordinário Rui Pedro Soares); ou não se ter distanciado de um dos réus do "caso da Cova da Beira", António José Morais, que lhe ministrou três das cinco cadeiras que frequentou na Universidade Independente; ou não se ter pronunciado pelo afastamento imediato de Lopes da Mota do Eurojust quando se levantaram as suspeitas, confirmadas, de que este pressionara os colegas encarregues da investigação do "caso Freeport"; e...

Cícero, o grande tribuno romano, costumava dizer que a virtude dos Estados dependia da virtude nos homens. Para todos os que pensam que o Estado, em Portugal, ainda não é unipessoal, antes serve todos os portugueses, a virtude e o caráter dos políticos não é um assunto para deixar fora do debate público. Sobretudo quando se adensa um sentimento coletivo de impotência e vergonha.

José Manuel Fernandes, Jornalista
in «Público», 26.02.2010

O Polvo

 O «Sol» com mais novidades nas bancas e uma dúvida muito legítima: quem avisou o Polvo?

25/02/2010

O eloquente advogado de Sócrates

António de Almeida Santos, advogado eloquente de Lourenço Marques, Moçambique, e actual presidente do PS português, é o estratega jurídico da defesa de José Sócrates.

Na verdade, à medida que se vão cavando novas minhocas (Casas da Covilhã, Universidade Independente, Cova da Beira, PT-TVI, etc.) e se aperta o cerco ao chefe do governo de Portugal, a linha de defesa tem sido a sistemática negação dos indícios, a total ausência de esclarecimentos sobre as matérias, as respostas vagas, a reafirmação de desconhecimento de acontecimentos envolvendo gente próxima (familiares, amigos, jovens JS, etc.) - não esclarecer, negar, confundiar, distrair, ignorar.

E, todavia, a chave para explicar a defesa orientada pelo seu camarada é muito simples, um autêntico ovo-de-colombo: em Direito, é à acusação que cabe provar a culpa.

E, a despeito das escutas, sem cadáver não se prova o crime.

O naufrágio

Na semana passada li na imprensa uma frase terrível. A frase era de um pescador sobrevivente do naufrágio da traineira Delfim, ao largo da Costa da Caparica, num destes dias de mau tempo que têm marcado um Inverno especialmente rigoroso. Uma onda gigantesca foi ao encontro da embarcação, esta virou-se, os pescadores ficaram debaixo, um desapareceu logo, outros dois deram as mãos.

Um destes, de nome Pedro, tinha 25 anos; o outro, 62.

Ao fim de uma hora e tal, o mais velho morreu. E sobre o que depois se passou, Pedro disse a seguinte frase:

– Senti que ele estava morto mas não lhe larguei a mão, para não ficar sozinho.

Esta frase ficou a matraquear-me o espírito. «Não lhe larguei a mão para não ficar sozinho». Para aquele homem perdido no mar, a companhia de um morto era preferível à solidão.

Lembrei-me então de uma história igualmente terrível contada há anos por Clara Pinto Correia. Escrevia ela que, quando trabalhava numa instituição científica nos Estados Unidos, uma colega que ia fazer uma experiência qualquer com um cadáver lhe disse:

– Ao menos vou tocar em pessoas.

A ideia arrepia. Em certas profissões, as pessoas atingem um tal ponto de solidão que a dissecação de um morto se pode transformar num momento agradável porque permite o contacto com a natureza humana.

Em certo sentido, esta história é uma metáfora. Nas sociedades contemporâneas, o problema da solidão tornou-se uma questão central. A solidão das pessoas sozinhas – e a solidão, mais profunda, das pessoas acompanhadas.

A civilização tem evoluído no sentido da desumanização da sociedade, do individualismo, da diminuição das relações entre os humanos em benefício das relações com as máquinas – e isso está a provocar distúrbios sociais de dimensão incalculável.

O meu pai nunca teve televisão. Ou melhor, só admitiu uma televisão em casa mesmo no fim da vida, porque dizia que o televisor era um aparelho diabólico que impedia as conversas em família ou sabotava as reuniões de amigos. E dava exemplos: recebera o convite para ir jantar a casa de alguém, tinham-se posto todos a olhar para a televisão, a páginas tantas começaram a levantar-se, despediram-se – e o ‘encontro’ acabou assim.

Na primeira vez que veio a Portugal depois de um longo exílio na Europa passámos férias juntos numa casa na serra da Gardunha – uma casa alugada a um guarda-florestal – onde no centro da sala havia uma lareira. Como estava frio, acendíamo-la todas as noites. E ficávamos a conversar, olhando para as chamas, que faziam desenhos sempre diferentes.

Um dia ele disse:

– A lareira é a nossa televisão.

E era. O fogo proporcionava imagens fascinantes, de uma grande variedade. Mas entre a lareira e a televisão existia um abismo: a lareira favorecia a conversa, a presença da lareira estimulava o espírito, enquanto a televisão monopoliza a atenção, mata as conversas, quebra a afectividade, gera a solidão. A televisão estabelece uma relação unívoca entre o espectador e o aparelho. Que seca tudo à sua volta.

O meu pai viveu a era da televisão – à qual resistiu sempre, como disse – mas já não viveu a era dos computadores. Ora, esta potenciou brutalmente a solidão introduzida nas sociedades modernas pela TV.

É que, enquanto a televisão ainda pode ser vista em família, em ambiente familiar, o computador é um objecto eminentemente pessoal. Na televisão as pessoas podem ver juntas um filme, um telejornal, uma reportagem – e podem ir comentando o que vão vendo. Embora a regra geral seja o silêncio, de vez em quando aquilo que passa no ecrã provoca uma observação, um comentário.

Mas com a entrada dos computadores na vida das pessoas, nem isso sobreviveu. O computador é de utilização individual, não se usa em grupo. Nos serões familiares, é hoje vulgar ver-se cada um dos membros da família agarrado ao seu computador, mergulhado na sua particular solidão, relacionando-se com um aparelho, mexendo em teclas de plástico.

O computador afastou ainda mais as pessoas umas das outras – criando o homem-objecto ligado à máquina, que serve para tudo: para trabalhar, para conversar com outras pessoas, para jogar, para encomendar compras no supermercado, para movimentar a conta bancária, para fazer sexo (virtual, claro).

No limite, o ser humano tornar-_-se-á um robô que não anda, não fala com ninguém, não vai à rua – e passa 24 horas agarrado ao computador, com os dedos martelando no teclado e os olhos pregados no ecrã.

A mim, isto assusta-me. Mas é certamente um problema meu. Porque as novas gerações nem sequer percebem o problema. Acham normal passar o dia presos ao computador. E, quando não estão no computador, estão a ver televisão, a jogar playstation ou então ao telemóvel, enviando e recebendo mensagens.

E muitos adultos também já estão infantilizados. Há uns meses fui com uns colegas ao estrangeiro. Quando chegámos ao hotel, já noite alta, convidei-os para uma bebida no bar. Tinha sido uma viagem longa de avião e apetecia-me descontrair com uma boa conversa à frente de um copo de whisky – bebida que aliás só me sabe bem em condições especiais.

Sentámo-nos. Encomendámos três whiskies com água e gelo, o empregado pousou os copos na mesa e eu preparei-me para começar a conversa. Disse duas palavras para o ar mas não obtive resposta. Olhei então melhor para os meus companheiros de viagem. Um estava completamente absorto a fazer um jogo no telemóvel, com os olhos vidrados no pequeno ecrã, o outro, também de telemóvel em punho, carregava febrilmente nas pequenas teclas, possivelmente respondendo a mensagens que tinham chegado durante a viagem.

Desisti da conversa. Sozinho, lembrei-me do meu pai e dos serões à lareira, que era «a nossa televisão». Como estamos já tão longe deste tempo! Como nos tornámos tão tristemente solitários, cada um no seu cantinho com o seu telemóvel ou o seu computador – ‘computador pessoal’, como ele próprio se intitula.

Estamos a construir uma sociedade monstruosa, desumanizada, destituída de alma, onde as relações humanas são cada vez mais ténues e utilitárias.

Adquirimos a última maravilha tecnológica convencidos de que, com isso, vamos tornar-nos mais felizes. Mas vamo-nos tornando apenas mais sós. Deixámos de ter vida colectiva. A sociedade é um somatório de milhões de existências individualizadas. Não percebemos a importância da presença humana.

Ou melhor, só a entendemos nos momentos de desespero – em que a companhia de um cadáver pode ser bastante para não nos sentirmos sozinhos.

José António Saraiva
in «Sol», 19.02.2010

A ETA e o Último Tango em Paris

Há 37 anos, os franceses viam O Último Tango em Paris.

Os portugueses tiveram de esperar por Agosto de 1974. Já os espanhóis, pelo menos os que residiam no Norte, tiravam proveito da sua localização geográfica e aos fins-de-semana metiam-se no carro, passavam os Pirenéus, faziam compras nos supermercados franceses (nesses tempos pretéritos o comércio regia-se pelos princípios daquele cartaz d’Os Verdes que nos manda comer produtos nacionais: um supermercado francês tinha as prateleiras cheias de coisas francesas difíceis de encontrar em Espanha) e davam animação às salas de cinema gaulesas onde podiam ver aquilo que literalmente a censura espanhola lhes tirava da frente dos olhos. O Último Tango em Paris terá mesmo gerado uma espécie de excursionismo cinéfilo.

Foi precisamente o desejo de ver o que em Espanha não se podia ver que nesse ano de 1973 levou José Humberto Fouz Escobero, de 29 anos, Jorge Juan García Carneiro, de 23, e Fernando Quiroga Veiga, de 25, a vestir fato e gravata e atravessar a fronteira de Irún. Uma ida a uma discoteca em França também fazia parte dos seus planos. Foi na discoteca que um comando da ETA os viu.

Fosse por estarem de fato ou por serem novos e bem constituídos, a verdade é que os homens da ETA se convenceram que estavam perante polícias espanhóis à paisana. Do que sucedeu daí em diante só se sabe seguramente que os três jovens galegos nunca mais foram vistos. O restante, que é tenebroso, tem sido reconstituído a partir das declarações soltas de etarras e fala de torturas inimagináveis até que aos algozes se tornou evidente que estavam apenas perante três rapazes que tinham ido ver O Último Tango em Paris. A ETA, que então passava por antifascista e gozava de largas simpatias nos sectores democráticos, ocultou estes cadáveres que testemunhavam a sua barbárie.

Há algum tempo que tinha pensado escrever sobre José Humberto Fouz Escobero, Jorge Juan García Carneiro e Fernando Quiroga Veiga. Talvez a data mais apropriada fosse na semana de 23 de Março, dia em que desapareceram. Mas antecipei essa decisão ao ouvir na rádio as declarações de Teletxea Maia sobre a tortura que a polícia espanhola exerce sobre os acusados de pertencerem à ETA. Não é segredo para ninguém que foi usada tortura no interrogatório a etarras na ditadura e também na democracia, e é esta última que para o caso interessa. Mas não só esse procedimento foi e é condenado com veemência pelos responsáveis espanhóis como foram feitos inquéritos e houve condenações, nomeadamente a do ex-general Galindo.

O que até agora nunca se ouviu foi um pedido de desculpa por parte da ETA. Nem sequer, ao fim destes 37 anos, os seus membros entenderam ser já tempo de deixar as armas ou, pelo menos, de dizer onde está o que resta dos corpos desses três rapazes que puseram fato domingueiro para irem ver O Último Tango em Paris.

Helena Matos
in «Público», 25.02.2010

24/02/2010

Cuba: Assassinato! Orlando Zapata Tamayo

Após uma greve de fome de 85 dias, o preso político cubano Orlando Zapata Tamayo, de 42 anos, faleceu no hospital de Havana. Trinta outros opositores foram detidos para impedir que participem no funeral.

É o socialismo castrista na sua verdadeira face: assassínio puro por delito de ideias.

Esperam-se declarações da Embaixada da Ditadura à Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa, Portugal.


23/02/2010

Coisas positivas

Não é surpresa! Já se sabia que a família Soares dos Santos tinha constituído a Fundação Francisco Manuel dos Santos como forma de promover o conhecimento da realidade portuguesa, o reforço dos direitos dos cidadãos e a melhoria das instituições públicas.

O seu fundador convidou António Barreto, sociólogo, para presidir à administração da instituição e levar a cabo os objetivos traçados.

Hoje, a Fundação deu a conhecer a PORDATA, a base de dados de Portugal Contemporâneo.

É um excelente trabalho de uma excelente iniciativa:

22/02/2010

Somos todos madeirenses

A catástrofe que se abateu sobre a Ilha da Madeira tornou evidente como tantas vezes se perde tempo com mesquinhices e insignificâncias. Ainda há dias, parecia importante discutir o "orçamento das regiões" e, finalmente, somos levados a perceber como era uma poeira para os olhos e as mentes.

Alberto João Jardim, que tem obra feita na Região, perante o drama, mostra mais uma vez que não baixa os braços, que tem capacidade de mobilizar meios e vontades para salvar os vivos e homenagear os mortos. Sem dúvida, é o herói do momento!

Importa, por uma vez, reconhecer que o governo de Portugal reagiu com prontidão e responsabilidade.

Bem ficaria que fizesse aprovar um imposto especial de apoio ao povo madeirense - qualquer coisa como +1% de IRS em Março (em 1990, na Alemanha, foi aprovado um imposto de apoio ao Leste). Ainda que a solidariedade não seja obrigatória, era um enorme e merecido sinal de que todos os portugueses estão com os seus compatriotas da Madeira.

Canal Memória

21/02/2010

Bertina Lopes

Sobre a grande artista luso-moçambicana Bertina Lopes, uma exposição em 2008:



Grande Hotel da Incompetência

Símbolo da megalomania de um empresário colonial, 35 anos de independência não foram suficientes para um governo da Frelimo - um qualquer deles - encontrar uma solução para o escandaloso "zoo" em que está transformado o mais famoso edifício da cidade da Beira (Moçambique) e que é um verdadeiro monumento à sua incompetência.

(fotos: Revista Pública, 27.12.2009)

Lapsos de memória

A história tem destas coisas: a arqueologia encontra documentos notáveis sobre importantes acontecimentos do passado - neste caso, o novo militante inscreve-se no Partido Social Democrata que ainda não tinha esse nome!

20/02/2010

Drama na Madeira

Uma calamidade nunca vem só:







Apoio ao José

Manifestação de apoio a José Sócrates, realizada na tarde do dia 20 de Fevereiro.
Imagens directas do local - Alameda Dom Afonso Henriques, Lisboa - com os apoiantes ao fundo, do lado esquerdo:

Burrada

A burrada continua! Depois de uma "imprevidência cautelar", depois de reais buscas policiais, o garoto socialista abre a boca e inventa a curiosa e oportuna eliminação do «Jornal de Sexta» da TVI.

19/02/2010

737 mil desempregados

Segundo o INE (*), no último trimestre de 2009, o desemprego em Portugal atingiu 563,3 mil indivíduos a que corresponderia uma taxa de desemprego de 10,1 por cento.

Mas, se a esse número adicionarmos o subemprego visível (67,2 mil), mais os inativos disponíveis (73,5 mil) e os inativos desencorajados (33 mil), estaremos a falar de 737 mil indivíduos realmente desempregados e de uma taxa de desemprego de 12,9 por cento no último trimestre de 2009.

É a realidade nua e crua. Uma realidade que, segundo o INE e quando comparamos os valores médios de 2009 e 2010, viu desaparecer num ano 143,7 mil empregos. Quase todos eles empregos a tempo inteiro, já que a população a tempo parcial se manteve praticamente inalterável.

Hoje, 11,6 por cento da população empregada trabalha a tempo parcial. 848,9 mil indivíduos têm contrato a termo ou outro e representam já 22 por cento dos trabalhadores por conta de outrem.

A tudo isto some-se os baixos salários praticados em Portugal e tente imaginar-se o resultado de uma política económica que escolheu, como via para ultrapassar a crise, a redução dos salários, a precariedade e o aumento do desemprego

in «http://abrasivo.blogs.sapo.pt», 17.02.2010
 
(*) sabe-se lá se os números não são a la grega

O Polvo

O polvo desmascarado:



O Polvo

Uma interessante entrevista de Mário Crespo ao «Correio da Manhã»: o PS devia afastar o José!