14/04/2010

A caça às bruxas

A Santa Inquisição está de volta!
Para entreter o pagode, uma série de sereias socialistas vêm com a sua voz delicodoce desancar sobre o pobre do António Mexia. E, neste caso, pobre apenas por ser escolhido como a vítima da inveja socialista.

Na verdade, o motivo da persiguição estão as notícias de que Mexia teria recebido mais de 1,3 milhões de euros em remunerações fixas e variáveis, em 2009.

E quem são as sereias? António José Seguro, João Soares, Carlos Zorrinho, Paulo Querido e outros, em blogues e comentaristas vários. E a que propósito, António Mexia?

O Estado é acionista da EDP com menos de 10% do respetivo capital. Todavia, comporta-se perante a empresa, como se detivesse a totalidade.

Quando precisa de "fazer flores", recorre a "empresas-amigas" para intervir no mercado ou, mais, simplesmente, financiar-se. É assim que, apressadamente, vendeu futuras barragens recebendo já os valores à cabeça, para pintar o Orçamento.

Mas, voltemos ao que interessa.
As sereias, que estiveram caladinhas enquanto Portugal tomava conhecimento das mordomias, promoções e reformas de que beneficiam Rui Pedro SoaresFernando Gomes, Armando Vara, José Penedos, e vários outros cuja competência é do tamanho do cartão do partido em que militam e quem dão o dízimo.

Não é o caso de António Mexia (EDP), Fernando Pinto (TAP) ou outros profissionais de gabarito internacional mas que as sereias tentam, ciclicamente, associar aos seus camaradas.

Tome-se o exemplo recente da Seleção Nacional de Futebol de Portugal e comparem-se os desempenhos de António Oliveira e Luiz Felipe Scolari.

Apliquem-se as mesmas escolhas na EDP, na GALP, na PT, na TAP, na CGD e contratem-se gestores do tipo "Face Oculta" e, depois, paguem-se os prejuízos da dimensão da CP, Carris...

Quer isto dizer que as remunerações têm que ser assim?
Os modernos acionistas das empresas cotadas e bolsa, estão sobretudos interessados na valorização do capital. A "criação de valor", para usar o calão bolsista, é o interesse fundamental dos acionistas.

A consequência desta visão de curto prazo é, naturalmente, uma estratégia de curto prazo. São contratados gestores profissionais, altamente qualificados, para alcançarem objetivos ambiciosos: criar valor, valorizar ações em bolsa, distribuir dividendos.

Acontece que esta visão tende a alienar objetivos estratégicos que requerem investimentos pluri-anuais.

A contrapartida é que muitas elites dirigentes são tentadas ou mesmo deixadas a definir a sua perpetuação e, com muita frequência, a esconder problemas, ameaças ou prejuízos que se apresentem para lá dos seus mandatos. Os casos Enron e a "auditoria" da Arthur Andersen são exemplos sobejos.

É, portanto, indispensável que os objetivos são tão ambiciosos como rigorosos. Sejam a estáveis a prazo e auditáveis por entidades honestas e independentes. É isso que se chama supervisão. Lamentavelmente, existe muita promiscuidade entre auditores e auditados...

Mas não pode haver dúvidas que os gestores, especialistas, cientistas competentes têm de ser bem pagos. Frequentemente, a sua bitola é o mercado internacional onde são disputados a "peso de ouro". Só por anedota, quem sugere que tenham remunerações indexadas (20X) ao salário-mínimo, pode tentar contratar Cristiano Ronaldo por esse valor.

Se abdicar de uma carreira internacional ou se aceitar remunerações "razoáveis", um gestor que é disputado por concorrentes ferozes, fa-lo-á por razões patrióticas. E isso, terá de ser reconhecido.

Persegui-los com base no populismo fácil, afasta os competentes e promove os artolas.

Quem quiser, pode substituir Mexia e colocar um Vara.
Depois não se queixem de disputar a II divisão.

Armando Emílio Staline

Terceiro mandato de Guebuza abordado no Comité Central - Balão de ensaio à porta fechada

A possibilidade de uma mexida constitucional para acomodar um terceiro mandato do atual presidente da República, Armando Guebuza, está a agitar alguns círculos restritos do poder, com uns a lançarem balões de ensaios para medirem o pulsar da opinião dos militantes sobre esta intricada matéria.

Ao que apurámos, na IV sessão extraordinária do Comité Central (CC) do partido Frelimo, no último fim-de-semana na cidade da Matola, esta questão foi levantada por um militante de base, durante os debates sobre o desempenho do partido nas eleições gerais e provinciais de Outubro passado.

O porta-voz da Frelimo, Edson Macuácua, confirmou que um militante do partido é que propôs que Armando Guebuza se recandidatasse a um terceiro mandato por ter conseguido levar o partido a uma vitória esmagadora nas eleições gerais do ano passado.

Mas Macuácua garantiu que Armando Guebuza, "nunca iria propor a revisão da Constituição para se candidatar a um terceiro mandato. Porém, a intenção já anunciada da Frelimo de alterar a lei mãe tem suscitado receios de que possa ser alargado para três o número de mandatos presidenciais: "Não há menor dúvida que a revisão da constituição é um imperativo nacional no sentido de que há vários aspectos de ordem legal, social, económica e política que precisam e carecem de ser reajustadas e adequá-las à ordem social actual", precisou Macuácua.

O próprio chefe do Estado moçambicano, já afastou a possibilidade de se recandidatar a um terceiro mandato, evocando o respeito pela Constituição e pelas leis.
"O camarada presidente Armando Guebuza foi claro e inequívoco reiterando a sua posição de sempre de que havia de respeitar a Constituição e as leis", sublinhou Macuácua.

A manchete do jornal «O País» sobre o assunto na edição de segunda-feira, no atual contexto, é vista não como uma "gaffe jornalística", mas como um balão de ensaio para testar a força de uma tal proposta ou, como alternativa, avançar-se com a candidatura da esposa, numa solução "à Argentina".

Chissano e Rebelo
Ao que o «Savana» apurou, o debate sobre o terceiro mandato foi lançado por Joaquim Chissano. No seu estilo de exímio diplomata, o antigo presidente fez referência às suas viagens ao exterior, aos contatos com diferentes interlocutores, nomeadamente internacionais, que o interrogavam sobre as vantagens da maioria qualificada, da possibilidade de se alterar a Constituição e abrir caminho a mais um mandato para o atual presidente. As nossas fontes fizeram questão em referir que Chissano, como também é seu estilo, evitou tomar posição na melindrosa questão.

Foi nesse contexto que o "militante de base" referido por Macuácua pediu a palavra para defender a alteração da Constituição para permitir um terceiro mandato a Guebuza. Segundo as nossas fontes, Teodoro Waty tentou intervir, mas foi bloqueado pelo presidium da reunião.

Foi então que Jorge Rebelo fez uma intervenção para clarificar as águas. Defendeu a atual Constituição "que foi feita por nós" e estabelece as regras de jogo para todos os candidatos, defendendo que, se havia dúvidas era bom que elas ficassem ali mesmo esclarecidas.
As nossas fontes dizem que a intervenção de Rebelo obrigou o presidente Guebuza a intervir referindo que a reunião do Comité Central não tinha sido convocada para se discutir a alteração da Constituição e a possibilidade de um terceiro mandato, deixando também claro, e frisando que já o tinha dito anteriormente, que a Constituição deveria ser respeitada e que não concorreria a um terceiro mandato.

Jorge Rebelo torna-se assim, mais uma vez, determinante em momentos cruciais nas reuniões do CC. Foi ele que fez a intervenção chave que obrigou ao afastamento de Chissano como candidato a mais um mandato em 2004 e a definição no Comité Central que o escolhido como secretário-geral seria o candidato presidencial, abrindo as portas à ascensão de Guebuza como presidente.

Francisco Carmona
in «Savana», 02.04.2010

13/04/2010

Almada sem frente ribeirinha

Almada cresceu explosivamente desde que, em 1966, foi construída a ponte 25 de Abril.

Paulatinamente, tirando partido de terrenos mais baratos e da "desregulação" que resultou de Abril de 74, a cidade expandiu-se para todos os lados e, tem hoje, para cima de 165 mil habitantes. Atraiu sobretudo migrantes de Lisboa e do Alentejo e de África e, mais recentemente, do Brasil e do Leste europeu.

Para além da cidade propriamente dita, a mancha urbana espalha-se por vastas áreas do norte do distrito de Setúbal, em geral, de forma caótica e sob a batuta de "patos-bravos". Sob este ponto de vista, a área em redor de Almada, é um desastre urbanístico e ecológico.

Sendo verdade que os últimos 30 anos foram de grande renovação da malha económica do distrito de Setúbal - desindustrialização -, também é certo que a área é politicamente "vermelha" e, até por isso, reproduz um modelo perpétuo que assegura um capital político de descontamento - transportes, acessos e desemprego - e um urbanismo pobre, retrógado e caótico. Para mostrar oposição, a autarquia planta obras "soviéticas" para fazer juz à máxima que com a CDU é "Trabalho - Honestidade - Competência", a falácia mais repetida em Portugal.

Mas voltemos ao que interessa!
Almada fica na margem esquerda do rio Tejo e tem uma vista fabulosa sobre Lisboa. Com alguma felicidade, os terrenos ao longo do rio ainda não foram engolidos pelo betão. Todavia, estão ocupados por relíquias industriais, ruínas, sucata e lixo.

A ausência de uma estratégia inteligente que tire partido do Tejo e da sua frente ribeirinha é proporcional às vistas que se podem ter sobre a ponte, a capital e o rio, a partir da (1) Pousada da Juventude, (2) do Cristo-Rei, ele próprio (3) vigiando a capital.

10/04/2010

Massacre de Katyn

A Polónia acordou em estado de choque com a notícia da queda do avião Tupolev TU-154 (de fabrico russo) onde viajava o presidente polaco Lech Kaczynski e altos dignatários do país e que se dirigiam para uma cerimónia de homenagem aos milhares de vítimas do massacre de Katyn de 1941, quando a polícia secreta soviética NKVD executou mais de vinte mil oficiais polacos que tinham sido capturados pelo Exército Vermelho durante a invasão soviética da Polónia.

As autoridades polacas investigam as circunstâncias da queda do avião que, de acordo com o governo russo se deveu a erro do comandante em condições de mau tempo na região de Smolensk, onde se despenhou o avião.

Há informações contraditórias.
Note-se que a cidade está ligada aos arquivos de Smolensk, do Partido Comunista Soviético, que cairam nas mãos do exército alemão durante a invasão nazi na II Guerra Mundial.

Russische Raketen hits Flugzeug polnischen Präsidenten
Руската ракета удари равнина Полският президент
Ruska raketa Hitova avionom poljski predsjednik
Ruská raketa udeří rovině polský prezident
Venäjän ohjusten osumia kone Puolan presidentti
Ρωσική πύραυλος πλήττει αεροπλάνο Πρόεδρος της Πολωνίας
Russische raketten hits vliegtuig Poolse president
Orosz rakéta találat sík lengyel elnök

Carta de 5 de Março de 1940, escrita por Lavrentiy Beria a Stalin, em que propõe a execução dos oficiais polacos

08/04/2010

Uma nova Assembleia da República

Está na altura da Assembleia da República portuguesa, depois de ter uma deputada eleita por Lisboa e residente em Paris, ter também uma eleita por Lisboa e residente no Rio de Janeiro:

07/04/2010

Kruger Park: batalha épica

No National Kruger Park, África do Sul, dá-se uma batalha impensável entre búfalos, leões e crocodilos que começa com uma infeliz vítima - um jovem búfalo - mas, finalmente, acaba bem...

Tudo observado por turistas.

O vídeo é campeão de visualizações no Youtube:

06/04/2010

Gigante de Manjacaze

A vida do Gigante de Manjacaze em livro

O poeta e ficcionista português, Manuel da Silva Ramos, lançou em Maputo o livro "Viagem com um Branco no Bolso", um romance sobre a vida do "Gigante de Manjacaze", Grabiel Estevão Mondlane.

A obra apresenta um outro personagem, o anão português, Toninho de Arcozelo, que contracenava com o gigante nos círculos, feiras e praças públicas. No romance, com 574 páginas, o autor faz uma análise crítica à grande exploração a que o "Gigante de Manjacaze", com cerca de 2,5 metros, foi submetido no período colonial por empresários e promotores de espetáculo da época.

O nome do anão Toninho de Arcozelo, o então homem mais curto do mundo, com 75 cm de altura, associa-se a Gabriel Mondlane pelo facto de ambos aparecerem juntos muitas vezes, no mesmo palco, como forma de evidenciar a diferença entre ambos. O autor do livro nasceu a 13 de Setembro de 1947 na Covilhã, esteve exilado durante 17 anos na França, regressou a Portugal em 1997 e é tido como um escritor polémico e pessimista.

O Gigante de Manjacaze foi notícia em Banguecoque em Agosto de 1989

Os jornais e a televisão falaram dele. A sua imagem junto da esposa Maria saiu nas páginas de todos os jornais, editados, na capital tailandesa.

Motivo da visita: A inauguração da abertura primeiro supermercado "Makro".

Gabriel estava designado como o homem mais alto no mundo no "Livro de Recordes Guinness".

Conhecíamos a história do Gabriel de quando começou a crescer, desmesuradamente, depois de ter dado uma queda, na sua aldeia, em Manjacaze, no sul de Moçambique.

Perante tal fenómeno de crescimento o Gabriel, embora o não apoquentem dores, foi internado num hospital de Lourenço Marques (Maputo) para ser observado pelos médicos.

De um jovem com altura normal, cresceu, cresceu e foi até à craveira de 2,42.

Os médicos (segundo os jornais de Moçambique) nunca explicaram o motivo da razão do Gabriel crescer descomunalmente e o rapaz foi enviado de volta às orígens.

O Gabriel, passava os dias sentado à sombra de um cajueiro, ao redor de sua casa, a sua altura desmedida não lhe dá a oportunidade para se juntar à sua família e trabalhar na "machamba".

Passa a ser um Gabriel amargurado, a maldizer o crescimento e um pesadelo para a família alimentá-lo, que comia por quatro pessoas de média estatura.

Devido à publicidade dada ao caso de sua altura houve alguém se interessou em fazer dinheiro com o tamanho do Gabriel.

Começa, então o drama de um homem alto pelos anos de 1965!

Eu vivia na cidade da Beira na altura e conhecia, pelos jornais, a história do crescimento do Gabriel.

Dois homens, expeditos, residentes na capital de Manica e Sofala andavam por alí a ganhar a vida ao sabor das marés.

Todo os peixes que as ondas traziam à costa lhes servia
Um de nome pomposo o Dr. Razak, homem para todas ocasiões. Pintor à espátula, advinho com consultório montado e viria a dar aso a confusões e divórcios, entre maridos e mulheres na Beira.

Entretanto foi-lhe apontado o "dedo" pelos jornalistas de tentar o aliciamento sexual, durante as consultas, às senhoras que o visitavam para que advinhasse qual era a "dama" que lhes estava a roubar o marido.

Outro de nome Prof. Belito, artista circense, ilusionista que andava por ali a montar a barraca nos arredores da Beira a mostrar, um truque, a cabeça de um preto em cima de uma mesa, que falava e comia bananas.

Lá ía governando a vida, muito mal e com os dez tostões do custo dos bilhetes de entrada.

Os dois deslocaram-se a Manjacaze e trazem o Gabriel para a Beira, encomendaram uma "fatiota" por encomenda; uns sapatos para uns pés de 50 centimetros. Adquirem uma aparelhagem sonora de 100 watts cujo som, berrado, chegava a 10 quilómeteros de distância.

O Gabriel é enfiado numa barraca feita de pano de toldo, em locais da Beira e arredores, há bichas de pessoas para verem de perto o Gabriel.

O negócio foi correndo para o Razak e o Belito.

Percorreu numa caixa de camião, aspirando o pó da picada, para outras terras de Moçambique.

Os moçambicanos e os "muzungos" (nome que os nativos davam aos portugueses de pele branca), depois de conhecer o Gabriel ao vivo não o pretendem ver mais.

O negócio começou a não ser rentável para os empresários Razak e o Belito.

Eles eram homens de imaginação e não se deram por vencidos. Mandar o Gabriel de volta a Manjacaze, com a "fatiota", os sapatos e cotão no bolso em vez de umas notas em dinheiro, não era nada relevante para os seus protectores.

Se o Razak o Belito o pensaram melhor o fizeram!

Porque não ir mostrar o Gabriel de Manjacaze aos angolanos?
Claro que sim e a ideia era genial!

Fazer ver aos angolanos: Embora vocês tenham "pacaças" no mato, que Moçambique não tem, nós temos o homem mais alto do mundo e a dança do rabo de cadeira a "Marrabenta" !

Ajustam com a TAP, na Beira, o preço e o espaço da cadeira para transportar o Gabriel no "Super Constelation" para Luanda. O Gigante de Manjacaze, aterra na capital angolana, metido num espaço apropriedade para a sua medida.

Os jornais dão o "lamiré" e começa, como em Moçambique a ser exibido numa barraca.

O negócio foi correndo ao Razak, ao Belito e aos seus agentes.Bem depois de ser visto e revisto e a figura do gigante deixar de ter interesse foi abandonada em Angola.

Passou por lá misérias, os jornais de Moçambique deram conta do estado de vida degradado do Gabriel em Angola e regressa a Moçambique à estaca zero.

Porém, o Gabriel, aquele rapaz humilde já habituado aos ambientes do público, de ser admirado pelas crianças dentro de uma "barraca", começou a sentir-se (apesar de grande) "pequeno" em Manjacaze.

Nova fase de vida principia para o Gabriel, mas agora, com alguma dignidade
Um empresário, circense, contrata-o e leva-o para Portugal.

Corre Portugal de lés-a-lés, acomodado numa caravana (o próprio Gabriel me informou), onde dentro havia qualidade de vida e na hora que lhe estava destinada a exibir-se perante o público.

O "Gigante de Manjacaze" não foi explorado e amealhava uns "dinheiros"
Entre os caminhos "circenses" do Gabriel, uma mulher de 1,54 (cuja altura dava-lhe pela cintura) de nome Maria, apaixonou-se por um homem de tamanha altura e 150 quilos de peso.

Maria começou acompanhar o marido, gigante, por todo Portugal e teve um filho.

Um rapaz "mulato" que teria uns 10 ou 11 anos de quando estiveram em Banguecoque e me mostraram a foto do rapaz.

Maria está ao lado de Gabriel, adquiriram uma cave nos arredores de Lisboa e fazem uma vida de um casal normal.

A altura do Gabriel Monjane chegou ao livro "dos recordes Guiness" e está lançado no mundo como o homem mais alto do globo.

Das picadas de Moçambiques e de Angola, da tenda de lona o "Gigante de Manjacaze", começa a ser solicitado para publicidade e ser apresentado ao mundo.

Foi por este motivo que a empresa multinacional "Makro" convidou o Gabriel, o inglês Cris Greener, de 2,28 e outros homens, tailandeses (como anões junto do Gabriel e o Cris Green), para estarem, presentes, na abertura da primeira grande superfície na "Cidade dos Anjos".

Milhares de pessoas correram ao parque "Happy Land" para admirarem o "Gigante de Manjacaze", que embora nascido em Moçambique, dizia que era português!

Serviu de interprete entre o Gabriel e os jornalistas, a Esperança Rodrigues (ela e eu somos os portugueses mais antigos residentes na Tailândia), que traduzia as palavras do Gabriel em português para a língua tailandesa.

O Gabriel, meu amigo, partiu de Banguecoque, como um herói.

Passado uns poucos anos, uma delegação, moçambicana, que acompanhou o Primeiro-Ministro Mário da Graça Machungo, em visita oficial à Tailândia, depois de lhes falar na história do Gabriel em Banguecoque, de volta recebi a triste notícia: "O Gabriel ao entrar na cave onde residia, escorregou, caiu e morreu".

Fiquei triste por eu tinha lidado de perto com o Gabriel em Banguecoque e tinhamos ficado amigos.

O Gabriel em Bangcoque
No dia 1 de Agosto de 1989 era um dia igual a muitos outros anteriores.

Saí de casa para a Embaixada de Portugal, às seis da manhã, comprei o jornal e fui lê-lo para uma esplanada, junto ao rio Chao Praiá, onde todas as manhãs se sentavam à minha mesa uns "amigos e amigas", cáusticos: o Zebreu, judeu com uma lapidaria de pedras preciosa; o Miko, canadiano e fotógrafo para uma agência de publicidade, a Porno estudante universitária de economia e a Plá, secretária do gerente da Sony (Thailand).

Não se discutia futebol, nem política mas "coisas" alegres e antes de começarmos um novo dia de trabalho.

Na primeira página do «Bangkok Post» estava inserida a foto do Gabriel Monjane e hospedado no "Montien Hotel", a uns dois quilómetros onde me quedava.

Não fazia a mínima ideia aonde o Gabriel parava se em Moçambique ou noutro país.

Ora eu conhecia a história, infeliz, do começo da sua carreira e da tragédia que tinha sido envolvido.

Tinham passado (mais ou menos) 11 anos que lhe tinha perdido o rasto de sua vida.

Às dez da manhã dei uma "saltada" ao "Hotel Montien" e oferecer-lhe os meus préstimos em Banguecoque.

Da recepção do hotel telefonei para o quarto (cinco estrelas) e fui atendido pela D. Maria, sua esposa. Fomos breves na apresentação e subi no elevador.

Naquela manhã eu era para o Gabriel o seu anjo da guarda e comer um pequeno-almoço decente e não as torradas, com manteiga, marmelada e o sumo de laranja.

O Gabriel desejava um bom prato de sopa de arroz com uns pedaços de carne e nunca as comidas "hoteleiras" que lhe tinham levado ao quarto.

A D. Maria e o Gabriel não falavam, palavra que fosse, da língua inglesa e quando pediam, aos criados, sopa de arroz em português, sorriam-se e voltavam-lhe as costas.

Os pequenos-almoços do Gabriel desde logo ficaram resolvidos e não tardou um criado entrar no quarto puxando um "carrinho" com uma terrina de sopa, bem cheirosa, para um pequeno almoço decente e digno para um homem de 2,42 (dois metros e 42 centímetros).

Todos os dias, ao fim da tarde, durante a permanência do "Gigante de Manjacaze" em Banguecoque estava junto a ele. Sentava-se num banco especial, no "lobby" do hotel, junto ao cartaz que anunciava os eventos de sábado e domingo.

O "lobby" do hotel passou a ser um centro de romaria.

Os jornais, em língua inglesa e tailandesa, tinham dado cariz à presença do Gabriel em Banguecoque e todos querem apreciar a sua altura e tirar foto com ele.

No princípio de uma noite teve duas visitas, especiais, de duas princesas reais: Soamsawali e filha Bajrakitiyabha que lhe foram fazer uma visita, particular, ao "Montien Hotel" cumprimentaram-no e tiraram fotos juntos.

Ofereci uma "boleia", no meu Volvo 244, já um carro bem "coçado", ao Gabriel para lhe mostrar Banguecoque à noite, as luzes de neon e todo aquele movimento nocturno.

O carro era espaçoso e estudei a melhor forma de o transportar.
Retirei-lhe o assento da frente, o Gabriel sentou-se no banco de trás, dobrou os joelhos e apreciou Banguecoque e não só atravessei a grande ponte, Rei Rama IX, e olhou a cidade lá do alto.

Ao Gabriel, meu amigo, desejamos que esteja no céu, porque um homem simples e bom, igual a ele não tem lugar no purgatório, nem no inferno.

O Inferno já o tinha experimentado na vida terrena.
"Kanimambo" Gabriel Monjane

José Martins, 17.05.2007
in «Aqui Tailândia»

05/04/2010

Equívocos sobre o PEC

O programa de redução do défice das contas do Estado, o PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento), foi elogiado por várias organizações internacionais. E os mercados não o receberam mal. Mas, por cá, o PEC tem sido alvo de um coro de críticas, vindas até do interior do PS. Críticas onde não faltam equívocos.

De facto, aquele programa nada tem a ver com o optimismo irrealista que o Governo apregoava até há pouco e com as promessas eleitorais. As pessoas ficaram baralhadas, mas o mal não está no PEC - está nas ilusões anteriores.

Se as previsões de crescimento económico do PEC fossem mais altas, permitindo estimar maior receita fiscal e menores gastos com subsídios de desemprego, os mercados não acreditariam. A prudência do PEC é, assim, um factor de credibilidade. Aliás, o Banco de Portugal apresentou previsões ainda mais pessimistas.

A realidade que muitos tentam ignorar é que a economia portuguesa terá um crescimento débil nos próximos anos. Primeiro, porque leva tempo a desejável reconversão da estrutura produtiva e exportadora nacional, de atividades cuja competitividade era baseada nos baixos salários para bens e serviços de maior valor acrescentado.

Outro travão ao crescimento económico do país é o nosso principal mercado, Espanha, ainda estar em recessão. E o próprio PEC terá efeitos recessivos. Descendo o défice público e diminuindo o consumo das famílias com a baixa do rendimento disponível, só haveria expansão económica se o investimento empresarial espevitasse (altamente improvável para já) e as exportações disparassem (idem).

Decerto que a austeridade pode revelar-se expansionista, a prazo, se o PEC, sendo cumprido, suscitar confiança nos agentes económicos. Mas, para isso, há primeiro que apertar o cinto. E se o ataque ao défice orçamental não for credível, o resultado será uma nova recessão, alerta o Banco de Portugal. Ou seja, não há saída airosa - mas vivemos assim há quase uma década. E só quebraremos o ciclo vicioso quando tivermos posto em ordem as contas públicas.

As críticas à falta de "crescimento" no PEC são, pois, desfocadas. Assim como mal se entende a crítica à redução do consumo, quando gastamos mais de 10% acima daquilo que produzimos, cobrindo a diferença com empréstimos externos, o que agora nos coloca dependentes dos mercados.

Curioso, ainda, é o lamento pelo "ataque à classe média". Onde é que pensam ser possível ir buscar dinheiro? Aos ricos, que têm meios para se porem fora do alcance do fisco? Aos pobres? Foi na classe média, e sobretudo na classe média baixa, que o consumo mais cresceu. Por isso esta larga faixa da população vai ser a que mais sentirá a austeridade.

Não há injustiças na distribuição dos sacrifícios impostos pelo PEC? Há, mas não tantas como se diz. As prestações sociais, que subiram muito nos anos recentes, apenas baixam de 21,9% do PIB em 2009 para 21,3% em 2013. E justifica-se um maior rigor no subsídio de desemprego, para que este não se torne, para alguns, numa forma de vida.

Claro que o PEC sofre de um vício de fundo: não corta a sério e de forma estrutural na despesa, assim tendo de agravar impostos. São congelamentos, tectos, etc., tudo remendos temporários. Mas como poderiam surgir esses cortes estruturais sem, antes, ter havido uma redefinição das funções prioritárias do Estado - uma reforma do Estado, afinal? Nunca o Governo se interessou por este assunto. Pouco, de resto, contribuíram as oposições para tal reforma com propostas.

Outro alvo legítimo de crítica está em manter alguns grandes projetos (a linha do TGV para Vigo havia sido adiada... pelo governo de Madrid). Também criticáveis são as privatizações previstas, fora de qualquer estratégia económica e a realizar, em desespero, numa péssima fase do mercado.

Por outro lado, o Governo "vendeu" mal o PEC, na linha habitual de esconder a verdade aos portugueses. Começou por dizer que não haveria aumento de impostos, tentando enganar as pessoas com uma habilidade semântica. E foram mal e tardiamente explicadas várias medidas do PEC.

Poderá o PEC ser melhorado? Não parece que o Governo o tenha querido negociar. A demora na escolha do novo líder do PSD deu-lhe um álibi. Mas não discutiu as propostas do CDS e do BE.

Tudo visto e ponderado, o PEC é um mal necessário e um mal menor, considerando as alternativas.

Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista
in «Público», 05.04.2010

Socretinices

A cada cavadela corresponde uma minhoca (no «Público»):

José Sócrates foi afastado pela Câmara da Guarda, em 1990 e 1991, da direção técnica de obras particulares de cujos projectos era autor, depois de ter sido várias vezes advertido por causa da falta de qualidade dos seus projectos e da falta de acompanhamento das obras - chegando a ser ameaçado com sanções disciplinares. Num dos casos, a saída de cena do então engenheiro técnico, que era deputado em regime de dedicação exclusiva há mais de dois anos, foi imposta pela autarquia socialista como condição para o desembargo da obra que projectara e dirigia.

No conjunto de 26 processos de licenciamento encontrados pelo PÚBLICO, no Arquivo Municipal da Guarda, em que Sócrates esteve envolvido como projetista e responsável de obra entre 1987 e o final de 1990, em acumulação com a atividade de deputado num período em que era presidente da Federação do PS de Castelo Branco, avultam três em que o seu nome foi substituído na direção dos trabalhos sem que ele ou o dono da obra o tenham requerido.

Em dois destes casos o actual primeiro-ministro foi substituído por outros técnicos depois de ter sido repreendido por escrito pelo então presidente da câmara, Abílio Curto - que mais tarde veio a cumprir uma pena de prisão pelo crime de corrupção. As repreensões em causa foram enviadas pelo correio a José Sócrates, na sequência das deliberações camarárias, aprovadas por unanimidade, que o admoestaram pelo "pouco cuidado posto na elaboração do projecto" (1987) e pela "falta de fiscalização das obras de que é autor dos projetos devendo fiscalizá-las rigorosamente" (1990).

No primeiro deixou a obra no final de 1988 sem que se perceba porquê, não havendo no processo nenhum elemento que permita esclarecê-lo nem saber de quem partiu a iniciativa. Já no segundo, o seu afastamento resultou de uma imposição camarária cujo fundamento e objetivo também não consta do processo.

Anteriormente às advertências aprovadas pelo executivo já alguns técnicos camarários tinham subscrito diversas críticas à falta de cumprimento dos regulamentos em vigor por parte daquele projetista, nestes e noutros processos, redigidas em termos mais severos do que as deliberações do executivo.

Na terceira obra de cuja direcção Sócrates foi excluído, já em 1991, ano em que se tornou porta-voz do PS para a área do Ambiente e membro do secretariado nacional do partido, o seu afastamento foi também determinado por despacho camarário, mais uma vez sem que se perceba a razão e sem que no processo da obra existam quaisquer reparos ao seu trabalho.

Quanto à informação que deu origem à primeira das repreensões aprovadas pela câmara, o então chefe da repartição técnica da autarquia, já falecido, escreveu textualmente: "O senhor eng. técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa foi já advertido pelo pouco cuidado que manifesta na apresentação dos trabalhos apresentados nesta câmara municipal e continua a proceder de igual forma, sem o mínimo respeito por ela e pelos seus técnicos (...) Deverão solicitar-se mais uma vez os elementos nas devidas condições e adverti-lo que não se aceitarão mais casos idênticos, sob pena de procedimento legal." A informação conclui, observando que se Sócrates "não pode ou não tem tempo de se deslocar à Guarda para fazer os trabalhos como deve ser só tem um caminho que é não os apresentar."

Em causa estava um projecto de 1987 em que nalgumas peças se falava na construção de uma moradia a construir na Quinta dos Bentos, na Guarda, e noutras se falava em duas moradias geminadas (ver outro texto nestas páginas). Por outro lado, as plantas apresentadas e assinadas pelo projetista não indicavam sequer o local da obra a construir.

No segundo processo em que foi advertido pela vereação tratava-se de uma moradia a erguer em Sequeira, junto à Guarda, em que a repartição técnica da câmara emitiu informações desfavoráveis ao projeto e às suas posteriores alterações, qualificando algumas delas como "um absurdo". Face à insistência do proprietário e do projetista, a mesma repartição propôs, em Março de 1990, e Abílio Curto concordou, que "deve alertar-se o requerente de que se porventura estiver em obra a executar estas alterações se sujeita a um processo de coimas e o técnico a ser chamado à responsabilidade".

Apesar desta ameaça, as alterações indeferidas foram construídas sem que o responsável pela obra se opusesse, o que levou uma das arquitetas da repartição, também já falecida, a propor a demolição da ampliação ilegal da moradia e a escrever que "o técnico deve ser chamado à responsabilidade (o que não será a primeira vez, aliás) e deve ser seriamente alertado, pois, como deputado na Assembleia da República e residente na Covilhã, não vejo como poderá visitar as obras que dirige - o que, à luz do novo decreto 19/90, lhe poderá vir a acarretar uma pena de suspensão por falta de assistência às obras e de assinatura da folha de obra".

Paralelamente a construção foi embargada, a parte ilegal foi demolida pelo proprietário, e a câmara, em ofício assinado por Abílio Curto em Dezembro de 1990, notificou o proprietário, sem qualquer justificação, "para apresentar novo termo de responsabilidade [leia-se: de outro técnico] após o que se procederá ao desembargo da obra" - tal como aconteceu de imediato.

Num terceiro processo, relativo à construção de uma moradia na aldeia de Cavadoude, cujo projecto e direção de obra têm o nome José Sócrates, não se encontra qualquer crítica ao seu trabalho, mas um despacho de um responsável camarário datado de Janeiro de 1991 determina, também sem qualquer fundamentação, que "é necessário notificar o requerente de que é preciso a declaração de responsabilidade de outro técnico".

Afastamento sem razões conhecidas

O «Público» questionou António Patrício, colega de curso e amigo de José Sócrates, enquanto autor da informação que determinou a exclusão do actual primeiro-ministro da direção de uma obra particular em 1991, mas o atual director regional adjunto de Agricultura do Centro não encontrou uma explicação concreta. "Havia situações em que o técnico desaparecia, ou em que alguma coisa não estava a correr bem e nós próprios tomávamos a iniciativa de mandar substituí-lo, mas nesses casos não faço ideia do que aconteceu", afirmou António Patrício.

Já o atual presidente da autarquia, Joaquim Valente, também colega de curso e amigo de Sócrates, informou que a documentação existente na câmara não permite explicar o que se passou, nomeadamente se a exclusão se deveu ou não ao facto de aquele técnico ser responsável por demasiadas obras em simultâneo.

De acordo com um regulamento aprovado pela câmara em 1987, tinha de haver na sua secretaria uma "relação das obras executadas ou em execução" sob a responsabilidade de cada técnico ali inscrito para apresentar projetos e dirigir obras, sendo que nenhum deles poderia "assumir a responsabilidade simultânea de mais de 24 obras" no concelho. Todavia, segundo Joaquim Valente, "não havia processos individuais constituídos, pelo que, por recurso a esta via, não é possível determinar o número de projectos subscritos pelos técnicos".

Embora afirme que tais processos individuais não existiam, o autarca garante, sem fundamentar essa afirmação, que "não foi proposta qualquer sanção" contra Sócrates na câmara, situação que, a ter-se verificado, poderia também explicar o seu afastamento da direcção das obras. Abílio Curto, presidente da câmara à data dos factos, nunca esteve disponível para falar ao «Público».

José António Cerejo
in «Público», 05.04.2010


A não-sociedade

Os tempos atuais e o futuro: redes "sociais" são forma de alienação, des-socialização, embrutecimento:



04/04/2010

Situação explosiva na África do Sul

O líder direitista sul-africano, Eugene Terreblanche, militante separatista que pregava uma "pátria de brancos", foi assassinado neste sábado (03.03.2010) na sua fazenda, informou a agência de notícias SAPA.

O líder de 69 anos do Movimento de Resistência Afrikaner foi atacado e morto na sua fazenda no nordeste do país depois de uma briga com dois empregados, sendo um deles menor de idade, por causa de salários não pagos. Os dois foram presos e acusados de assassinato.

"O corpo de Terreblanche foi encontrado na cama com ferimentos na face e na cabeça", informou a porta-voz da polícia, Adele Myburgh.

Sozinho na sua propriedade em Ventersdorp, no noroeste do país, o líder do AWB estava a dormir na altura do ataque e foi encontrado pela polícia, ainda com vida, mas acabou por morrer.

"Um jovem de 21 anos e outro de 15 anos foram presos e acusados de assassinato. Os dois disseram à polícia que a briga começou porque eles não foram pagos pelo trabalho que fizeram na fazenda", disse a porta-voz.

Os simpatizantes do extremista, caracterizados por usar uniformes cáqui com símbolos semelhantes à suástica, opuseram-se violentamente às negociações que levaram à democracia sul-africana.

A campanha deles incluiu ataques à bomba durante as eleições de 1994.

Eugène Ney Terre'Blanche fundou o AWB (Afrikaner Resistance Movement) em 1970, com seis amigos, e o partido político cresceu de sete para 70.000 membros, de entre uma população branca de 3,5 milhões.

Terreblanche saiu da prisão em 2004 depois de ter sido preso em 2001 por agredir um guarda negro.

in «Sapo MZ», 04.04.2010 (vídeo «RTP»)

Guiné-Bissau, droga-se?

O PAIGC, as Forças Armadas e os dirigentes da Guiné-Bissau há muito que deixaram de honrar a melhor memória de Amílcar Cabral. Pelo contrário, desonram.


Por motivos fúteis, por corrupção, por tribalismo, por vinganças olho-por-olho, por disputas de rotas de droga, homens fardados e armados, desencadeiam desordens, fazem golpes de Estado - se se pode chamar Estado a tal coisa. O país é considerado um Estado falhado e não parece poder sair do buraco em que está metido.


São antigos combatentes, ditos generais, e jovens seguidores alinhados por tribo e por caminhos da cocaína sul-americana que, há muito domina a Guiné-Bissau. Os dirigentes são genericamente corruptos. Os que resistem, para lá caminham ou vão para o cemitério...


Enquanto Malam Bacai Sanhá, que pensa que é o presidente, e Carlos Gomes Júnior, que pensa é o primeiro-ministro, procuram minimizar a importância das recentes movimentações militares, a CPLP considera os aconetecimentos muito graves e que muito está ainda por explicar.

É legítimo perguntar, até quando pensam andar de mão estendida a pedir?
E se foi para isto que substituiram o regime colonial?

As amantes do papá

A poligamia é culturalmente intrínseca às sociedades africanas. Pode discutir-se e considerar-se que é ou não um sinal de atraso social mas, é um dado adquirido, existe.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, é um destacado praticante desta forma de casamento. Em todo o caso, tem a seu favor o facto de assumir publicamente as suas escolhas. A seu desfavor, fazer filhos fora dessa sua família alargada e, além disso, pôr os contribuintes a pagar as mordomias.
Mas, reconheçamos, à luz de padrões "mais modernos", tem amantes reconhecidas como parte da família e, à conta disso, desincentivadas as "facadas". Em teoria, pelo menos!

Já em Moçambique, onde a poligamia foi recuperada em nome do anticolonialismo e depois da feroz perseguição frelimista (até ao IV congresso, o da recuperação dos regulados), não seria de esperar que dirigentes da geração do 25 de Setembro - impolutos e moralmente superiores - tivessem amantes não assumidas.

Não seria de esperar que à luz da apregoada igualdade da mulher, enganassem a legítima. É certo que dá status ter várias mulheres. E não há ministro, governador, empresário que ao sinal de gordo e anafado deixe de juntar umas tantas amantes.

Afinal, ser gordo e ter várias mulheres é sinal de riqueza. Afinal, era o colono que tinha uma legítima e fazia mulatos com outras.

E, tendo como alternativa a miséria, para muita mulher, arranjar marido ou amante serve para ter emprego, subir na vida, ser secretária, diretora ou ministra.

E a legítima aceita que o marido tenha amantes, se conhecidas, em lugar de andar com vintinhas. E sempre pode dizer para o arredondado esposo: a nossa amante é melhor do que a de fulano.

Ora, o que não seria de esperar é que papá que apregoa "decisão tomada decisão cumprida" e se apresente como marido exemplar e pai babado, faça escolhas políticas com base em paixões abaixo da cintura. Seja ela uma Helena, uma Rita, uma Maria..., ministras ou ajudantes.

É que, assim, em nome da tradição, melhor faria se seguisse o famigerado Zuma e assumisse a poligamia.

03/04/2010

Parabéns Helmut Kohl

Helmut Kohl, o antigo Chanceler da República Federal da Alemanha, entre 1 de Outubro de 1982 e 27 de Outubro de 1998, faz 80 anos, hoje 3 de Abril de 2010.

Trata-se do mais importante político europeu da última metade do séc. XX, foi o obreiro da reunificação alemã em 1990 que conduziu com pleno sucesso à integração da antiga República Democrática Alemã na República Federal da Alemanha.

Kohl, visionário, aproveitou uma oportunidade única e soube dobrar e conjugar vontades de Mikhail Gorbachev, Ronald Regan, George Bush, Margaret Thatcher e François Mitterand como parte do processo que resultou da queda do vergonhoso Muro de Berlim (9 de Outubro de 1989) e que acelerou o fim da União Soviética.

A Alemanha, a Europa e a União Europeia devem-lhe muito e sobretudo a Liberdade.

Parabéns. Obrigado, Dank Helmut!


02/04/2010

Bento XVI pode ser parte da solução

Não sou crente. Educado na fé católica, passei pelo ateísmo militante e hoje defino-me como agnóstico. Talvez não devesse, por isso, pôr-me a discutir os chamados "escândalos de pedofilia" na Igreja Católica. Até porque não sei se, como escreveu António Marujo neste jornal - no texto mais informado publicado sobre o tema em jornais portugueses -, estamos ou não perante "A maior crise da Igreja Católica dos últimos 100 anos".

Tendo porém a concordar com um outro agnóstico, Marcello Pera, filósofo e membro do Senado italiano, que escreveu no «Corriere della Sera» que se, sob o comunismo e o nazismo, "a destruição da religião comportou a destruição da razão", a guerra hoje aberta visa de novo a destruição da religião e isso "não significará o triunfo da razão laica, mas uma nova barbárie". Por isso acho importante contrariar muitas das ideias feitas que têm marcado um debate inquinado por muita informação errada ou manipulada.

Vale por isso a pena começar por tentar saber se o problema da pedofilia e dos abusos sexuais - um problema cuja gravidade ninguém contesta, ocorram num colégio católico, na Casa Pia ou na residência de um embaixador - tem uma incidência especial em instituições da Igreja Católica. Os dados disponíveis não indicam que tenha: de acordo com os dados recolhidos por Thomas Plante, professor nas universidades de Stanford e Santa Clara, a ocorrência de relações sexuais com menores de 18 anos entre o clero do sexo masculino é, em proporção, metade da registada entre os homens adultos. É mesmo assim um crime imenso, pois não deveria existir um só caso, mas permite perceber que o problema não só não é mais frequente nas instituições católicas, como até é menos comum. Tem é muito mais visibilidade ao atingir instituições católicas.

Uma segunda questão muito discutida é a de saber se existe uma relação entre o celibato e a ocorrência de abusos sexuais. Também aqui não só a evidência é a contrária - a esmagadora maioria dos abusos é praticada por familiares próximos das vítimas - como o tema do celibato é, antes do mais, um tema da Igreja e de quem o escolhe. Não existiu sempre como norma na Igreja de Roma e hoje esta aceita exceções (no clero do Oriente e entre os anglicanos convertidos). Pode ser que a norma mude um dia, mas provavelmente ninguém melhor do que o actual Papa para avaliar se esse momento é chegado - até porque talvez ninguém, no seio da Igreja Católica, tenha dedicado tanta atenção ao tema dos abusos sexuais e feito mudar tanta coisa como Bento XVI.

Se algo choca na forma como têm vindo a ser noticiados estes "escândalos" é o modo como, incluindo no «New York Times», se tem procurado atingir o Papa. Não tenho espaço, nem é relevante para esta discussão, para explicar as múltiplas deturpações e/ou omissões que têm permitido dirigir as setas das críticas contra Bento XVI, mas não posso deixar de recordar o que ele, primeiro como cardeal Ratzinger e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, depois como sucessor de João Paulo II, já fez neste domínio.

Até ao final do século XX o Vaticano não tinha qualquer responsabilidade no julgamento e punição dos padres acusados de abusos sexuais (e não apenas de pedofilia). A partir de 2001, por influência de Ratzinger, o Papa João Paulo II assinou um decreto - Motu proprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela - de acordo com o qual todos os casos detetados passaram a ter de ser comunicados à Congregação para a Doutrina da Fé. Ratzinger enfrentou então muitas oposições, pois passou a tratar de forma muito mais expedita casos que, de acordo com instruções datadas de 1962, exigiam processos muito morosos. A nova política da Congregação para a Doutrina da Fé passou a ser a de considerar que era mais importante agir rapidamente do que preservar os formalismos legais da Igreja, o que lhe permitiu encerrar administrativamente 60 por cento dos casos e adoptar uma linha de "tolerância zero".

Depois, mal foi eleito Papa, Bento XVI continuou a agir com rapidez e, entre as suas primeiras decisões, há que assinalar a tomada de medidas disciplinares contra dois altos responsáveis que, há décadas, as conseguiam iludir por terem "protetores" nas altas esferas do Vaticano. A seguir escolheu os Estados Unidos - um dos países onde os casos de abusos cometidos por padres haviam atingido maiores proporções - para uma das suas primeiras deslocações ao estrangeiro e, aí (tal como, depois, na Austrália), tornou-se no primeiro chefe da Igreja de Roma a receber pessoalmente vítimas de abusos sexuais. Nessa visita não evitou o tema e referiu-se-lhe cinco vezes nas suas diferentes orações e discursos.

Agora, na carta que escreveu aos cristãos irlandeses, não só não se limitou a pedir perdão, como definiu claramente o comportamento dos abusadores como "um crime" e não apenas como "um pecado", ao contrário do que alguns têm escrito por Portugal. Ao aceitar a resignação do máximo responsável pela Igreja da Irlanda também deu outro importante sinal: a dureza com que o antigo responsável pela Congregação para a Doutrina da Fé passou a tratar os abusadores tem agora correspondência na dureza com que o Papa trata a hierarquia que não soube tratar do problema e pôr cobro aos crimes.

De facto - e este aspecto é muito importante - a ocorrência destes casos de abusos sexuais obriga à tomada de medidas pelos diferentes episcopados. Quando isso acontece, a situação muda radicalmente. Nos Estados Unidos, país onde primeiro se conheceu a dimensão do problema, a Conferência de Dallas de 2002 adoptou uma "Carta para a Protcção de Menores de Abuso Sexual" que levaria à expulsão de 700 padres. No Reino Unido, na sequência do Relatório Nolan (2001), acabou-se de vez com a prática de tratar estes assuntos apenas no interior da Igreja, passando a ser obrigatório dar deles conta às autoridades judiciais. A partir de então, como notava esta semana, no «The Times», William Rees-Mogg, a Igreja de Inglaterra e de Gales "optou pela reforma, pela abertura e pela perseguição dos abusadores em vez de persistir no segredo, na ocultação e na transferência de paróquia dos incriminados".

Bento XVI, que não despertou para este problema nas últimas semanas, não deverá precipitar decisões por causa desta polémica. No passado domingo, durante as cerimónias do Domingo de Ramos, pediu aos crentes para não se deixarem intimidar pelos "murmúrios da opinião dominante", e é natural que o tenha feito: se a Igreja tivesse deixado que a sua vida bimilenar fosse guiada pelo sentido volátil dos ventos há muito que teria desaparecido.

Ao mesmo tempo, como assinalava John L. Allen, jornalista do «National Catholic Reporter», em coluna de opinião no «New York Times», "para todos os que conhecem a experiência recente do Vaticano nesta matéria, Bento XVI não é parte do problema, antes poderá ser boa parte da solução".

Uma demonstração disso mesmo pode ser encontrada na sua primeira encíclica, Deus Caritas Est, de 25 de Dezembro de 2005, ano em que foi eleito. Boa parte dela ocupa-se da reconciliação, digamos assim, entre as conceções de "eros", o termo grego para êxtase sexual, e de "ágape", a palavra que o cristianismo adotou para designar o amor entre homem e mulher. Se, como referia António Marujo na sua análise, o teólogo Hans Küng considera que existe uma "relação crispada" entre catolicismo e sexualidade, essa encíclica, ao recuperar o valor do "eros", mostra que Bento XVI conhece o mundo que pisa.

Por isso eu, que nem sou crente, fui informar-me sobre os casos e sobre a doutrina e escrevi este texto que, nos dias inflamados que correm, se arrisca a atrair muita pedrada. Ela que venha.

José Manuel Fernandes, Jornalista
in «Público», 02.04.2010

Sobre este excelente texto, ter em conta a opinião já emitida neste jornal eletrónico a 30.03.2010.

Ora, se alguém é assaltado por um polícia, deixa de confiar na Polícia!
É por isso que, quem foi abusado por um padre, tem vontade de pedir contas ao Papa.
Com isso não está a acusar Roma e o Papa de nada.

Os erros da Igreja Católica, ao longo dos seus dois mil anos, são a posteriori motivo de pedidos de desculpa mas, as vítimas, lá estão.

Némesis

Némesis era deusa da Grécia antiga da vingança e do castigo dos comportamentos anti-sociais. No mundo moderno a Némesis são os mercados e a Grécia moderna está a saborear a sua vingança. E Portugal anda a pôr-se a jeito.

Numa Tomada de Posição, injustamente negligenciada, em meados de Janeiro deste ano, a SEDES chamou a atenção para o perigo e para as consequências do excessivo endividamento do Estado. E que esse problema era, antes de mais, responsabilidade deste Governo; mas também de cada cidadão. A responsabilidade do Governo é óbvia; no entanto, a responsabilidade de cada cidadão tem uma dupla aceção. Por um lado, se não fizermos sentir aos políticos, a todos eles, que estamos fartos da sua má gestão da coisa pública, então merecemos tudo o que se passa; por outro lado, é nossa responsabilidade porque somos nós que pagamos os desvarios do Estado. E vamos pagar caro e com juros altos.

Esta debilidade financeira do Estado conduz, desde logo, a um Estado Fraco. Quem negoceia com este Estado sabe que está a negociar com um Estado em estado de necessidade. Os negócios que se revelam serem simples negociatas aparecem todos os dias nos jornais. Nas palavras da comunicação social atribuídas a João Cravinho, temos um Estado onde campeia a corrupção política.

Além disso, em segundo lugar, um Estado excessivamente endividado é um Estado Incapaz, porque não tem recursos para satisfazer o mínimo de Estado que todos exigem. A administração da justiça é o exemplo mais grave, e sem ela não há verdadeira cidadania. É a democracia que está em causa, lenta e inexoravelmente.

Em terceiro lugar, este estado de coisas implica um Estado Injusto. A proteção social, os subsídios de desemprego, a ajuda aos mais vulneráveis não se pode realizar por completa falta de recursos. E a educação e a saúde públicas não deixarão de ser fortemente afetadas. Estamos a começar a viver esse estado de coisas.

Em quarto lugar, um Estado excessivamente endividado é um Estado-Problema. Ou seja, não é um Estado que ajuda a resolver problemas mas, pelo contrário, é um Estado que é causa de mais problemas para o resto da sociedade. As empresas e as famílias vão pagar juros excessivos, o sistema financeiro debilita-se, o crescimento tarda, o desemprego só pode aumentar e os salários (para aqueles que o têm) só podem baixar. Tudo isto porque o Estado está demasiadamente endividado e sua reputação nos mercados é má.

Temos hoje, aparentemente, um Estado mais pequeno que há três décadas atrás: menos empresas na sua mão, regras de intervenção aparentemente mais claras, supervisão e regulação mais independente. Mas essa aparente pequenez do Estado não nos trouxe um Estado mais eficaz, mais justo e mais amigo do cidadão. Bem pelo contrário.

Como dizia a SEDES, "é sintomático que o futuro próximo do país esteja hoje mais dependente do que nunca da notação de empresas de rating, do desenlace da crise grega, ou da eventual falência de um banco estrangeiro, e, aparentemente, menos dependente de nós próprios". É sintomático e é triste.

O estado do Estado é muito grave e este terá capacidade limitada para cumprir as suas funções essenciais, por muitos anos. As suas funções sociais e de apoio aos mais vulneráveis estão já em crise. E a culpa é dos Governos da última década e, em particular, do actual. Mas também é culpa de todos aqueles que pensavam, escreviam e lutavam por um Estado gastador e se opuseram a medidas de consolidação orçamental em devido tempo. Por isso, os portugueses vão ter mais injustiça social, mais desemprego e pagar juros mais altos. Há alternativa? Claro que há. Se nada for feito os portugueses vão ter ainda mais injustiça social, ainda mais desemprego e pagar juros ainda mais altos. É escolher, Némesis vingou-se e o PEC é o seu instrumento.

Luís Campos e Cunha, Professor universitário
in «Público», 02.04.2010

Mealhada com olhos levemente orientais

A Mealhada é conhecida, sobretudo, pelo leitão assado à Bairrada, uma especialidade culinária que atrai milhares de visitantes durante o ano inteiro. Para completar o ambiente, o vinho da Bairrada acompanha muito bem os pratos da região.

Como se os tesouros não fossem suficientes, é possível deparar com "pérolas" de beleza exótica e que se destacam de entre as mulheres e as flores.

É o caso de uma Svetelana que consegue retratar fielmente as maravilhas da região.
Ou da outra, nos seus belos olhos azuis amendoados, levemente orientais, tímida, percorre as mesas, cativa atenções e distribui sonhos!
Merece um poema.

Bussaco, tesouro português

O Palácio Hotel do Bussaco é uma obra do final do século XIX, projetada pelo arquitecto italiano Luigi Manini.

Situado na Mata Nacional do Bussaco (Serra do Bussaco, Mealhada) é uma jóia de arquitetura encastrada num tesouro da Natureza.

Um valor a preservar. Um local a visitar. Com respeito pela beleza.

Coimbra tem muito encanto

Dom Afonso Henriques, aqui no seu túmulo na igreja de Santa Cruz, em Coimbra, é o verdadeiro culpado da atual situação de Portugal.

Não fora o seu ato de rebeldia contra o reino de Leão, em 1143, e os portugueses não teriam que aturar a atual praga de ratos.

Fundada em 1131 por Dom Telo e onze outros religiosos, a igreja-mosteiro foi construída com elementos de arquitetura românica e posteriormente modificada, no reinado de Dom Manuel I, com elementos de góticos e renascentistas.

O estado de conservação apresenta alguma degradação.
Seguramente, um monumento a visitar.

01/04/2010

Mário Jardel, treinador do Sporting Clube de Portugal

É oficial, Mário Jardel, antigo jogador do Sporting Clube de Portugal e do Futebol Clube do Porto, será o novo treinador do SCP, substituindo Carlos Carvalhal cujo contrato - até fim da presente época - não foi renovado.

Jardel tem contrato com o Flamengo, do Brasil, até final da presente época.