Invadidos! Lixados!
15/03/2010
14/03/2010
Pouca massa para o pouca-terra
Depois de ter sido eleito a prometer o TGV, José Sócrates descobriu que não pode cumprir a sua promessa. Parece que o José Sócrates que lá esteve antes do José Sócrates atual não deixou as contas em termos para o José Sócrates poder agora construir o seu pouca-terra.
Porque é que ninguém o avisou? Bastava o primeiro-ministro José Sócrates ter dito ao candidato José Sócrates que não estavam reunidas as condições para avançar com o TGV e José Sócrates não tinha feito a figura de fanfarrão arrogante que fez, ao zombar da candidata da oposição, que dizia ser aconselhável parar com o investimento das grandes obras públicas.
Malandro do José Sócrates que não foi amigo de José Sócrates. Se ao menos José Sócrates tivesse conversado com José Sócrates...
Um telefonema de José Sócrates para José Sócrates. Ou através de Armando Vara.
Claro que o mais provável era José Sócrates não acreditar em José Sócrates. Afinal, conhece bem a peça. Por exemplo, uma das primeiras pessoas a saberem que José Sócrates tinha mentido sobre a TVI foi José Sócrates.
Outra hipótese para evitar dar o dito por não dito era, em alternativa, Sócrates estar realmente atento à crise económica que se vive em Portugal e no mundo. Mas para isso era preciso que ele fizesse mais com os jornais do que vasculhá-los para saber apenas o que dizem sobre si. Era preciso que ele lesse mesmo as notícias.
Para Sócrates (aliás, para ambos), um dia feliz é um dia em que os jornais não falem dele. Mesmo que falem da taxa de desemprego altíssima e da crise social que atravessamos, não chateiam o primeiro-ministro se ele não vier lá referido. José Sócrates acha que o Sol, quando nasce, é só para ele.
Aliás, é possível que o cancelamento do TGV não seja por causa do défice. O primeiro-ministro apercebeu-se de que muitas pessoas aproveitam as viagens de comboio para ler os jornais e quer evitar ao máximo que os portugueses fiquem a conhecer os relatos de mais algumas das aventuras de José Sócrates. O atual primeiro-ministro ou o anterior.
José Diogo Quintela, humorista
in «Pública», 14.03.2010
Porque é que ninguém o avisou? Bastava o primeiro-ministro José Sócrates ter dito ao candidato José Sócrates que não estavam reunidas as condições para avançar com o TGV e José Sócrates não tinha feito a figura de fanfarrão arrogante que fez, ao zombar da candidata da oposição, que dizia ser aconselhável parar com o investimento das grandes obras públicas.
Malandro do José Sócrates que não foi amigo de José Sócrates. Se ao menos José Sócrates tivesse conversado com José Sócrates...
Um telefonema de José Sócrates para José Sócrates. Ou através de Armando Vara.
Claro que o mais provável era José Sócrates não acreditar em José Sócrates. Afinal, conhece bem a peça. Por exemplo, uma das primeiras pessoas a saberem que José Sócrates tinha mentido sobre a TVI foi José Sócrates.
Outra hipótese para evitar dar o dito por não dito era, em alternativa, Sócrates estar realmente atento à crise económica que se vive em Portugal e no mundo. Mas para isso era preciso que ele fizesse mais com os jornais do que vasculhá-los para saber apenas o que dizem sobre si. Era preciso que ele lesse mesmo as notícias.
Para Sócrates (aliás, para ambos), um dia feliz é um dia em que os jornais não falem dele. Mesmo que falem da taxa de desemprego altíssima e da crise social que atravessamos, não chateiam o primeiro-ministro se ele não vier lá referido. José Sócrates acha que o Sol, quando nasce, é só para ele.
Aliás, é possível que o cancelamento do TGV não seja por causa do défice. O primeiro-ministro apercebeu-se de que muitas pessoas aproveitam as viagens de comboio para ler os jornais e quer evitar ao máximo que os portugueses fiquem a conhecer os relatos de mais algumas das aventuras de José Sócrates. O atual primeiro-ministro ou o anterior.
José Diogo Quintela, humorista
in «Pública», 14.03.2010
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Opinião
O que faz correr este Vitorino?
António Vitorino não tem tempo para "palestras" na RTP. Anda demasiado ocupado.
São os compromissos em Madrid com o PSOE.
São os compromissos em Maputo com o Armando Emílio Guebuza.
Vitorino é visita regular do Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo.
O BCI é um excelente motivo para justificar viagens.
Um novo banco luso-moçambicano dá um bom pé-de-meia.
O empreendimento imobiliário "Water Front" (apartamentos de 1 milhão de dólares), na FACIM, limpa muitos incómodos.
Na verdade, os negócios que envolvem o PS e Guebuza são demasiado importantes para serem tratados por telefones (sujeitos a escutas).
Sócrates e Guebuza têm amigos comuns. Há muito dinheiro a correr e muitas notas a trocar.

São os compromissos em Madrid com o PSOE.
São os compromissos em Maputo com o Armando Emílio Guebuza.
Vitorino é visita regular do Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo.
O BCI é um excelente motivo para justificar viagens.
Um novo banco luso-moçambicano dá um bom pé-de-meia.
O empreendimento imobiliário "Water Front" (apartamentos de 1 milhão de dólares), na FACIM, limpa muitos incómodos.
Na verdade, os negócios que envolvem o PS e Guebuza são demasiado importantes para serem tratados por telefones (sujeitos a escutas).
Sócrates e Guebuza têm amigos comuns. Há muito dinheiro a correr e muitas notas a trocar.

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Comunismo,
Negociatas,
Socialismo
13/03/2010
Marcelo Rebelo de Sousa em Mafra
Intervenção de grande valor: "gente séria apoiada por gente séria"!
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Opinião
Cavaco Silva em Cuba
O presidente da República, Cavaco Silva, defendeu esta sexta-feira que Portugal precisa de uma participação "mais ativa" dos jovens na vida cívica e política e "só tem a ganhar" com o "talento" daqueles que serão "os governantes do futuro". Durante dois dias, o Baixo Alentejo é palco de quatro Roteiros da Juventude.
"É minha convicção profunda que o país precisa de uma participação mais ativa dos jovens na vida cívica e na vida política, com o seu modo particular de pensar, a sua energia, o seu dinamismo, a sua coragem e a sua irreverência", disse Cavaco Silva.
O Chefe de Estado falava na sessão de encerramento de um encontro de jovens autarcas que decorreu esta sexta-feira na vila alentejana de Cuba, integrado na quarta jornada do Roteiro para a Juventude, a decorrer até sábado.
"É um contribuo para a melhoria da qualidade da nossa democracia, para a vitalidade do nosso sistema político", disse, referindo que os autarcas, pela sua "proximidade", têm a "responsabilidade de trazer os jovens a uma participação mais ativa na vida política".
O presidente da República lembrou que tem "vindo a insistir na necessidade" de uma "maior participação" dos jovens na política nacional, regional e local e tem "tentado combater algum afastamento que se nota nos jovens em relação à vida política".
Neste sentido, Cavaco Silva lembrou o encontro de jovens que promoveu em 2008, para "refletir sobre porque é que os jovens se afastam da participação ativa na vida política", no qual lhe foi lançado "o repto" de promover um roteiro para a juventude, ideia que aceitou e já vai na quarta jornada.
Cavaco Silva salientou que "há jovens que estão a regressar" ao Baixo Alentejo para darem "o seu contributo para o desenvolvimento da terra de onde partiram" e "é nestes jovens que está a esperança de futuro" da região.
"São eles que irão inverter a tendência de despovoamento e envelhecimento" do Baixo Alentejo e "irão reivindicar" para que na região também "se possa falar em igualdade de oportunidades", disse.
"Confio nesta geração", afirmou, salientando que há "potencialidades" na região, como Alqueva, aeroporto de Beja, Porto de Sines e Itinerário Principal 8 (futura Autoestarda-26 entre Sines e Beja), que "estão já a ser e poderão ser aproveitadas em maior número" pelos jovens.
Antes de participar na sessão de encerramento do encontro, Cavaco Silva foi recebido por populares num largo da vila de Cuba, onde ouviu o Hino Nacional, cantado por crianças, modas alentejanas, pelo Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba", e recebeu de oferta um capote alentejano.
"Vou retê-lo e talvez utilizá-lo. É quentinho. Espero que em dias de frio me faça mais jeito do que hoje", disse Cavaco Silva aos jornalistas.
in «i-online», 13.03.2010
"É minha convicção profunda que o país precisa de uma participação mais ativa dos jovens na vida cívica e na vida política, com o seu modo particular de pensar, a sua energia, o seu dinamismo, a sua coragem e a sua irreverência", disse Cavaco Silva.
O Chefe de Estado falava na sessão de encerramento de um encontro de jovens autarcas que decorreu esta sexta-feira na vila alentejana de Cuba, integrado na quarta jornada do Roteiro para a Juventude, a decorrer até sábado.
"É um contribuo para a melhoria da qualidade da nossa democracia, para a vitalidade do nosso sistema político", disse, referindo que os autarcas, pela sua "proximidade", têm a "responsabilidade de trazer os jovens a uma participação mais ativa na vida política".
O presidente da República lembrou que tem "vindo a insistir na necessidade" de uma "maior participação" dos jovens na política nacional, regional e local e tem "tentado combater algum afastamento que se nota nos jovens em relação à vida política".
Neste sentido, Cavaco Silva lembrou o encontro de jovens que promoveu em 2008, para "refletir sobre porque é que os jovens se afastam da participação ativa na vida política", no qual lhe foi lançado "o repto" de promover um roteiro para a juventude, ideia que aceitou e já vai na quarta jornada.
Cavaco Silva salientou que "há jovens que estão a regressar" ao Baixo Alentejo para darem "o seu contributo para o desenvolvimento da terra de onde partiram" e "é nestes jovens que está a esperança de futuro" da região.
"São eles que irão inverter a tendência de despovoamento e envelhecimento" do Baixo Alentejo e "irão reivindicar" para que na região também "se possa falar em igualdade de oportunidades", disse.
"Confio nesta geração", afirmou, salientando que há "potencialidades" na região, como Alqueva, aeroporto de Beja, Porto de Sines e Itinerário Principal 8 (futura Autoestarda-26 entre Sines e Beja), que "estão já a ser e poderão ser aproveitadas em maior número" pelos jovens.
Antes de participar na sessão de encerramento do encontro, Cavaco Silva foi recebido por populares num largo da vila de Cuba, onde ouviu o Hino Nacional, cantado por crianças, modas alentejanas, pelo Grupo Coral "Os Ceifeiros de Cuba", e recebeu de oferta um capote alentejano.
"Vou retê-lo e talvez utilizá-lo. É quentinho. Espero que em dias de frio me faça mais jeito do que hoje", disse Cavaco Silva aos jornalistas.
in «i-online», 13.03.2010
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Opinião
Libertar Portugal
O PSD tem obrigações para com Portugal.
Os militantes do PSD têm de ser capazes de apresentar soluções credíveis para Portugal e livrar o país da sarna socialista.
O PSD não se pode enganar nas escolhas, como já fez no passado.
Não pode adiar Portugal.
Portugal não aguenta mais!
Os militantes do PSD têm de ser capazes de apresentar soluções credíveis para Portugal e livrar o país da sarna socialista.
O PSD não se pode enganar nas escolhas, como já fez no passado.
Não pode adiar Portugal.
Portugal não aguenta mais!
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Socialismo
As mentiras de Vieira
Sérgio Vieira (Tete, Moçambique, 1941), secretário pessoal de Samora Machel para quem escrevia os livros de teoria marxista, criminoso da ditadura com vários cadáveres no seu currículo, autor de violência doméstica sobre as várias mulheres que teve, poeta medíocre e irmão de um conhecido enterteiner português, lança-se agora nas suas "memórias".
Mentiroso compulsivo, provocador racista recalcado, acaba por se desmacarar nos seus próprios relatos (in «Diário Independente»):
A história "aristocrática" da família está bem contada no «Tal & Qual»:
José Castelo Branco, o mais popular concorrente da "Quinta das Celebridades", gaba-se de descender de uma linhagem de famílias reais europeias, mas a "nobreza" de sangue do "marchand" encontra-se em África, precisamente em Moçambique. Sérgio Vieira, o seu irmão mais velho, é uma figura de vulto naquele território africano: foi braço-direito de Samora Machel, co-fundador da Frelimo, ex-ministro da Segurança e é agora diretor do maior programa de desenvolvimento de Moçambique, o Projecto do Vale do Zambeze, entre muitos outros cargos de relevo exercidos desde há anos.
Ao contrário do polémico "conde de White Castle", o seu irmão é uma celebridade que prima pela discrição. E que não se importa de arregaçar as mangas quando se trata de trabalhar. Enquanto José Castelo Branco saltita, de Chanel, entre as couves da Quinta da Baracha, Sérgio Vieira passou a última semana, incontatável, em peregrinação pelas localidades pobres onde começam a florescer infra-estruturas hidráulicas e complexos agro-industriais, aproveitando os recursos do maior rio de Moçambique.
Apesar da polémica à volta do concurso da TVI e da participação de Castelo Branco, Sérgio Vieira alega não saber nada sobre o assunto. "Por onde tenho andado, não vejo televisão, nem tenho tido contatos telefónicos. Nada mesmo! Além disso, é um tipo de programas que eu não vejo", sublinha o ex-deputado em conversa com o "T&Q". Nem sequer a mãe, Nini, tem relatado ao filho mais velho as aventuras agrárias do negociante de arte.
Sérgio Vieira assume ao "T&Q" que nunca foi um irmão presente durante a infância e adolescência de Castelo Branco. "Quando ele nasceu, eu estava na guerra, depois entrei na Frelimo, por isso praticamente não o conheci nessa altura". Nem nas décadas de 60 e 70, nem nas seguintes. "Quando ele partiu para Portugal, foi com os nossos pais, estudar não me lembro o quê para a Escola António Arroio, se não estou em erro".
Sérgio Vieira parece desconhecer grande parte da vida de Castelo Branco. Garante que há "contatos regulares", mas a última vez que se encontraram aconteceu no ano passado, numa visita-relâmpago ao nosso País, a convite do presidente da Assembleia da República. "Não estive em casa dele, ele vive afastado de Lisboa e não deu para ir até lá", conta.
Apesar de afiançar que as relações entre ambos são "perfeitamente normais", o "T&Q" soube que o político nunca aceitou a exuberância de Castelo Branco. "O irmão quase o escorraçou de Tete, não convivia muito bem com os gestos amaneirados do Zé. Já na altura era gozado, e tinha uma alcunha depreciativa de que agora não me recordo", revela ao "T&Q" um familiar de Castelo Branco, que preferiu manter o anonimato. Sérgio Vieira desmente, garantindo que nunca chegou a aperceber-se que o irmão era o homem excêntrico que agora preenche as conversas de muitos portugueses. "Nunca estive com ele durante a infância, estive mais perto da minha irmã", volta a salientar.
Sérgio Vieira reside no bairro de Sommerschield, em Maputo, com a mulher e os quatro filhos - os sobrinhos de Castelo Branco. "É um sítio onde vivem pessoas de elite", conta ao "T&Q" um jornalista do "Diário de Moçambique". Nesse bairro estão igualmente instaladas embaixadas como a dos Estados Unidos, uma clínica e a sede da Frelimo, o partido no poder que ajudou a fundar. Basta-lhe sair de casa e atravessar algumas ruas para lá chegar, embora a maior parte da sua atividade se desenrole hoje na região do Tete, onde nasceu - ele e Castelo Branco.
Acusado de matar Samora Machel
Ao contrário do irmão, Sérgio Vieira prefere não ostentar sinais exteriores de riqueza. "Nunca deixa entender que tem dinheiro. Ë claro que tem um bom carro, como todos os outros políticos e empresários, mas nunca se vê, por exemplo, em estâncias de férias, como outros", continua o jornalista moçambicano.
No entanto, Sérgio Vieira que, soube-se esta semana, vai deixar de ser deputado pela Frelimo, cargo que ocupava na Assembleia da República, foi recentemente criticado por se dedicar mais aos insultos políticos do que ao Gabinete do Vale do Zambeze. "Continuou no Maputo a curtir as noites de luzes, a refrescar-se da brisa marítima das barreiras da Costa do Sol, onde se alojam, preguiçosamente, os novos ricos", desabafa-se num texto publicado na Internet.
Porém, o jornalista garante que Sérgio Vieira é um homem estimado. "Ele não é polémico. As pessoas gostam dele como um político da velha guarda e apreciam o que está a fazer pelo Zambeze", garante.
Mesmo assim, a Renamo, partido da oposição, não perde uma oportunidade para o envolver em diversos escândalos. "Sempre que os ânimos se exaltam, acusam-no de ter sido responsável pela morte de Samora Machel", conta o jornalista. Recorde-se que Sérgio Vieira, além de amigo pessoal do antigo presidente moçambicano, que morreu em 1986, na sequência da queda do avião onde viajava era, na altura, ministro da Segurança.
Esta não foi a única polémica onde se viu envolvido: "Foi acusado publicamente de ter morto algumas pessoas, isto na altura de Samora Machel. Ele próprio chegou a meter o caso em tribunal e nunca se reuniram provas suficientes", recorda o jornalista. As acusações não o fazem calar. "É um dos intelectuais da sua bancada, dos pensadores mais ativos, dos que mais falam na Assembleia. E também o mais atacado", acrescenta.
"Orgulho-me dele"
Castelo Branco já recordou Sérgio Vieira por diversas vezes, em entrevistas e agora na "Quinta das Celebridades". "Tenho um irmão que está em Moçambique, Sérgio Vieira, que é político. Estudou cá, nas Caldinhas, em Santo Tirso, e formou-se em Direito. Aliás, é amigo pessoal do presidente Jorge Sampaio e de uma série de dirigentes da época", disse em entrevista à revista "Caras", em Abril do ano passado. A serem verdade os rumores que dão conta da relação conflituosa com o irmão mais velho, Castelo Branco aparenta não guardar rancor: "O meu irmão sempre foi coerente e abraçou a causa que ainda hoje defende. Orgulho-me muito dele", acrescentou.
O inteletual da família
E tem motivos para isso. O "cérebro" da família não só frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, entre 1959 e 61, curso que viria a prosseguir na Universidade de Paris até 63, como tirou uma licenciatura de Ciências Políticas na Universidade de Argel, na Argélia, e ainda fez estudos políticos no Colege d'Europe, na Bélgica. Regressado a Moçambique, foi combatente da Luta de Libertação Nacional até 1974, seguindo depois para a direção do Gabinete de Samora Machel, até 77. Foi ainda, antes de se tornar Ministro da Segurança, em 1984, Governador do Banco de Moçambique e Ministro da Agricultura - função que acumulou com os cargos de vice-ministro da Defesa e de Governador do Niassa.
No auge da carreira de Sérgio Vieira, já José Castelo Branco tinha rumado a Portugal. Dois ou três anos depois de vir para o nosso País, com o irmão a milhares de quilómetros, o marchand sentiu-se com liberdade suficiente para criar a sua Tatiana Valeska Romanov, uma figura que muitos conhecem da noite lisboeta, apesar de a celebridade garantir que aquela mulher exuberante apenas desfilava. "Isso é mentira! Passava a vida no Finalmente, uma discoteca 'gay', e fazia shows de travesti noutras casas", garante o mesmo familiar que vive em Portugal. Já na década de 80, casa com Maria Arlene, assistente de Fialho Gouveia no programa "Arca de Noé" (RTP1). Mas as saias e a maquilhagem continuam a transformá-lo em Tatiana.
Sérgio Vieira, reputado político, professor universitário, escritor e investigador científico, entre muitas outras atividades, nem desconfiava que, em Portugal, o irmão Castelo Branco inundava a noite com purpurinas.
O homem dos sete instrumentos
Nome: Sérgio Vieira
Local de nascimento: Tete (centro de Moçambique)
Estado civil: casado Filhos - quatro
Formação académica - licenciado em Ciências Políticas na Universidade de Argel (Argélia), em 1967; estudou Direito na Faculdade de Direito de Lisboa entre 1959 e 61; estudou Direito na Universidade de Paris entre 1961 e 63; fez estudos políticos no Colege d'Europe (Bélgica) em 1962.
Atividades políticas e profissionais: antigo combatente na luta de libertação de Moçambique; diretor do gabinete do Presidente Samora Machel (1975/77); governador do Banco de Moçambique (1978/81); ministro da Agricultura (1982/83); governador do Niassa (1983/84); vice-ministro da Defesa (1983/84); ministro da Segurança (1984/87); professor na Universidade Eduardo Mondlane (desde 1987); diretor do Gabinete de Estudos Africanos (1987/92); escritor; consultor em Ciências Sociais; investigador científico do Centro de Estudos Africanos da UEM; membro da Organização Nacional de Professores; Organização da Juventude Moçambicana; Associação de Escritores Moçambicanos; diretor do Projecto do Vale de Zambeze (desde 2001); membro do Comité Central da Frelimo; deputado nas legislaturas 94/99 pelo círculo eleitoral do Tete pela bancada da Frelimo; deputado; membro da comissão permanente da Assembleia da República; coronel na reserva.
O grande projeto do irmão
A zona do vale do Rio Zambeze é considerada pelos especialistas uma das regiões hidrográficas de maior potencial energético da África Austral. Além da criação de uma central hidroelétrica, o projeto dirigido por Sérgio Vieira prevê a ligação de populações pobres à Internet, a arborização da albufeira de Cahora Bassa, incentivos à pecuária e reflorestamento de grandes áreas.
Mas não é só: "No dia 5 de Outubro começou a nascer ali a maior linha ferroviária do Mundo!", congratula-se o político ao "T&Q", "Está tudo a correr perfeitamente e temos tido muitos incentivos do estrangeiro", diz-nos.
Vieira, eu?!
José Castelo Branco - ou José da Silva Vieira -, escolheu usar o apelido da família materna. O seu avô chamava-se Pedro Castelo Branco, um homem que o "marchand" alega ter começado como escrivão e que rapidamente chegou a solicitador. De acordo com um familiar do negociante de arte contatado pelo "T&Q", o apelido teria sido "oferecido" pelo patrão ao bisavô da celebridade, que nasceu na Guarda e foi trabalhar para a Índia. "O homem não tinha apelido e quando nasceram os primeiros filhos, o patrão ficou com pena e deu-lhes o próprio nome", conta.
A mãe, Inês Castelo Branco, mais conhecida por Nini, que vive com o filho e Betty Grafstein na vivenda de Sintra, casou-se com o indiano Francisco da Silva Vieira. O casal teve três filhos: Sérgio, Gabriela - que é veterinária em Portugal - e o "caçula" José.
André Barbosa
in «Tal&Qual», 15.10.2004
Mentiroso compulsivo, provocador racista recalcado, acaba por se desmacarar nos seus próprios relatos (in «Diário Independente»):
A história "aristocrática" da família está bem contada no «Tal & Qual»:
José Castelo Branco, o mais popular concorrente da "Quinta das Celebridades", gaba-se de descender de uma linhagem de famílias reais europeias, mas a "nobreza" de sangue do "marchand" encontra-se em África, precisamente em Moçambique. Sérgio Vieira, o seu irmão mais velho, é uma figura de vulto naquele território africano: foi braço-direito de Samora Machel, co-fundador da Frelimo, ex-ministro da Segurança e é agora diretor do maior programa de desenvolvimento de Moçambique, o Projecto do Vale do Zambeze, entre muitos outros cargos de relevo exercidos desde há anos.
Ao contrário do polémico "conde de White Castle", o seu irmão é uma celebridade que prima pela discrição. E que não se importa de arregaçar as mangas quando se trata de trabalhar. Enquanto José Castelo Branco saltita, de Chanel, entre as couves da Quinta da Baracha, Sérgio Vieira passou a última semana, incontatável, em peregrinação pelas localidades pobres onde começam a florescer infra-estruturas hidráulicas e complexos agro-industriais, aproveitando os recursos do maior rio de Moçambique.
Apesar da polémica à volta do concurso da TVI e da participação de Castelo Branco, Sérgio Vieira alega não saber nada sobre o assunto. "Por onde tenho andado, não vejo televisão, nem tenho tido contatos telefónicos. Nada mesmo! Além disso, é um tipo de programas que eu não vejo", sublinha o ex-deputado em conversa com o "T&Q". Nem sequer a mãe, Nini, tem relatado ao filho mais velho as aventuras agrárias do negociante de arte.
Sérgio Vieira assume ao "T&Q" que nunca foi um irmão presente durante a infância e adolescência de Castelo Branco. "Quando ele nasceu, eu estava na guerra, depois entrei na Frelimo, por isso praticamente não o conheci nessa altura". Nem nas décadas de 60 e 70, nem nas seguintes. "Quando ele partiu para Portugal, foi com os nossos pais, estudar não me lembro o quê para a Escola António Arroio, se não estou em erro".
Sérgio Vieira parece desconhecer grande parte da vida de Castelo Branco. Garante que há "contatos regulares", mas a última vez que se encontraram aconteceu no ano passado, numa visita-relâmpago ao nosso País, a convite do presidente da Assembleia da República. "Não estive em casa dele, ele vive afastado de Lisboa e não deu para ir até lá", conta.
Apesar de afiançar que as relações entre ambos são "perfeitamente normais", o "T&Q" soube que o político nunca aceitou a exuberância de Castelo Branco. "O irmão quase o escorraçou de Tete, não convivia muito bem com os gestos amaneirados do Zé. Já na altura era gozado, e tinha uma alcunha depreciativa de que agora não me recordo", revela ao "T&Q" um familiar de Castelo Branco, que preferiu manter o anonimato. Sérgio Vieira desmente, garantindo que nunca chegou a aperceber-se que o irmão era o homem excêntrico que agora preenche as conversas de muitos portugueses. "Nunca estive com ele durante a infância, estive mais perto da minha irmã", volta a salientar.
Sérgio Vieira reside no bairro de Sommerschield, em Maputo, com a mulher e os quatro filhos - os sobrinhos de Castelo Branco. "É um sítio onde vivem pessoas de elite", conta ao "T&Q" um jornalista do "Diário de Moçambique". Nesse bairro estão igualmente instaladas embaixadas como a dos Estados Unidos, uma clínica e a sede da Frelimo, o partido no poder que ajudou a fundar. Basta-lhe sair de casa e atravessar algumas ruas para lá chegar, embora a maior parte da sua atividade se desenrole hoje na região do Tete, onde nasceu - ele e Castelo Branco.
Acusado de matar Samora Machel
Ao contrário do irmão, Sérgio Vieira prefere não ostentar sinais exteriores de riqueza. "Nunca deixa entender que tem dinheiro. Ë claro que tem um bom carro, como todos os outros políticos e empresários, mas nunca se vê, por exemplo, em estâncias de férias, como outros", continua o jornalista moçambicano.
No entanto, Sérgio Vieira que, soube-se esta semana, vai deixar de ser deputado pela Frelimo, cargo que ocupava na Assembleia da República, foi recentemente criticado por se dedicar mais aos insultos políticos do que ao Gabinete do Vale do Zambeze. "Continuou no Maputo a curtir as noites de luzes, a refrescar-se da brisa marítima das barreiras da Costa do Sol, onde se alojam, preguiçosamente, os novos ricos", desabafa-se num texto publicado na Internet.
Porém, o jornalista garante que Sérgio Vieira é um homem estimado. "Ele não é polémico. As pessoas gostam dele como um político da velha guarda e apreciam o que está a fazer pelo Zambeze", garante.
Mesmo assim, a Renamo, partido da oposição, não perde uma oportunidade para o envolver em diversos escândalos. "Sempre que os ânimos se exaltam, acusam-no de ter sido responsável pela morte de Samora Machel", conta o jornalista. Recorde-se que Sérgio Vieira, além de amigo pessoal do antigo presidente moçambicano, que morreu em 1986, na sequência da queda do avião onde viajava era, na altura, ministro da Segurança.
Esta não foi a única polémica onde se viu envolvido: "Foi acusado publicamente de ter morto algumas pessoas, isto na altura de Samora Machel. Ele próprio chegou a meter o caso em tribunal e nunca se reuniram provas suficientes", recorda o jornalista. As acusações não o fazem calar. "É um dos intelectuais da sua bancada, dos pensadores mais ativos, dos que mais falam na Assembleia. E também o mais atacado", acrescenta.
"Orgulho-me dele"
Castelo Branco já recordou Sérgio Vieira por diversas vezes, em entrevistas e agora na "Quinta das Celebridades". "Tenho um irmão que está em Moçambique, Sérgio Vieira, que é político. Estudou cá, nas Caldinhas, em Santo Tirso, e formou-se em Direito. Aliás, é amigo pessoal do presidente Jorge Sampaio e de uma série de dirigentes da época", disse em entrevista à revista "Caras", em Abril do ano passado. A serem verdade os rumores que dão conta da relação conflituosa com o irmão mais velho, Castelo Branco aparenta não guardar rancor: "O meu irmão sempre foi coerente e abraçou a causa que ainda hoje defende. Orgulho-me muito dele", acrescentou.
O inteletual da família
E tem motivos para isso. O "cérebro" da família não só frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, entre 1959 e 61, curso que viria a prosseguir na Universidade de Paris até 63, como tirou uma licenciatura de Ciências Políticas na Universidade de Argel, na Argélia, e ainda fez estudos políticos no Colege d'Europe, na Bélgica. Regressado a Moçambique, foi combatente da Luta de Libertação Nacional até 1974, seguindo depois para a direção do Gabinete de Samora Machel, até 77. Foi ainda, antes de se tornar Ministro da Segurança, em 1984, Governador do Banco de Moçambique e Ministro da Agricultura - função que acumulou com os cargos de vice-ministro da Defesa e de Governador do Niassa.
No auge da carreira de Sérgio Vieira, já José Castelo Branco tinha rumado a Portugal. Dois ou três anos depois de vir para o nosso País, com o irmão a milhares de quilómetros, o marchand sentiu-se com liberdade suficiente para criar a sua Tatiana Valeska Romanov, uma figura que muitos conhecem da noite lisboeta, apesar de a celebridade garantir que aquela mulher exuberante apenas desfilava. "Isso é mentira! Passava a vida no Finalmente, uma discoteca 'gay', e fazia shows de travesti noutras casas", garante o mesmo familiar que vive em Portugal. Já na década de 80, casa com Maria Arlene, assistente de Fialho Gouveia no programa "Arca de Noé" (RTP1). Mas as saias e a maquilhagem continuam a transformá-lo em Tatiana.
Sérgio Vieira, reputado político, professor universitário, escritor e investigador científico, entre muitas outras atividades, nem desconfiava que, em Portugal, o irmão Castelo Branco inundava a noite com purpurinas.
O homem dos sete instrumentos
Nome: Sérgio Vieira
Local de nascimento: Tete (centro de Moçambique)
Estado civil: casado Filhos - quatro
Formação académica - licenciado em Ciências Políticas na Universidade de Argel (Argélia), em 1967; estudou Direito na Faculdade de Direito de Lisboa entre 1959 e 61; estudou Direito na Universidade de Paris entre 1961 e 63; fez estudos políticos no Colege d'Europe (Bélgica) em 1962.
Atividades políticas e profissionais: antigo combatente na luta de libertação de Moçambique; diretor do gabinete do Presidente Samora Machel (1975/77); governador do Banco de Moçambique (1978/81); ministro da Agricultura (1982/83); governador do Niassa (1983/84); vice-ministro da Defesa (1983/84); ministro da Segurança (1984/87); professor na Universidade Eduardo Mondlane (desde 1987); diretor do Gabinete de Estudos Africanos (1987/92); escritor; consultor em Ciências Sociais; investigador científico do Centro de Estudos Africanos da UEM; membro da Organização Nacional de Professores; Organização da Juventude Moçambicana; Associação de Escritores Moçambicanos; diretor do Projecto do Vale de Zambeze (desde 2001); membro do Comité Central da Frelimo; deputado nas legislaturas 94/99 pelo círculo eleitoral do Tete pela bancada da Frelimo; deputado; membro da comissão permanente da Assembleia da República; coronel na reserva.
O grande projeto do irmão
A zona do vale do Rio Zambeze é considerada pelos especialistas uma das regiões hidrográficas de maior potencial energético da África Austral. Além da criação de uma central hidroelétrica, o projeto dirigido por Sérgio Vieira prevê a ligação de populações pobres à Internet, a arborização da albufeira de Cahora Bassa, incentivos à pecuária e reflorestamento de grandes áreas.
Mas não é só: "No dia 5 de Outubro começou a nascer ali a maior linha ferroviária do Mundo!", congratula-se o político ao "T&Q", "Está tudo a correr perfeitamente e temos tido muitos incentivos do estrangeiro", diz-nos.
Vieira, eu?!
José Castelo Branco - ou José da Silva Vieira -, escolheu usar o apelido da família materna. O seu avô chamava-se Pedro Castelo Branco, um homem que o "marchand" alega ter começado como escrivão e que rapidamente chegou a solicitador. De acordo com um familiar do negociante de arte contatado pelo "T&Q", o apelido teria sido "oferecido" pelo patrão ao bisavô da celebridade, que nasceu na Guarda e foi trabalhar para a Índia. "O homem não tinha apelido e quando nasceram os primeiros filhos, o patrão ficou com pena e deu-lhes o próprio nome", conta.
A mãe, Inês Castelo Branco, mais conhecida por Nini, que vive com o filho e Betty Grafstein na vivenda de Sintra, casou-se com o indiano Francisco da Silva Vieira. O casal teve três filhos: Sérgio, Gabriela - que é veterinária em Portugal - e o "caçula" José.
André Barbosa
in «Tal&Qual», 15.10.2004
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Comunismo
Geração da Independência
Nos últimos tempos fala-se da geração de 8 de Março. Também da de 25 de Setembro. Este texto defende que existe um esquecimento consciente da geração da independência, numa clara lavagem e/ou arranque de páginas da história. Porque será?
Os porta-vozes da geração de 8 de Março são geralmente algumas pessoas que compõem a atual numenklatura. E quando se fala dessa geração, refere-se aos jovens abrangidos pelas medidas de 8 de Março de 1977 que os afetou a várias tarefas então consideradas prioritárias. Possuíam em redor de 20 anos. A geração do 25 de Setembro é representada pelos dirigentes e antigos combatentes. Sem retirar importância às elites, não há dúvidas que os processos históricos são resultantes de movimentos sociais de que a luta de libertação nacional é uma evidência. Mas as abordagens que se fazem são classistas, neste caso da numenklatura no poder. Esquece-se o povo.
Considera-se por geração da independência a juventude que imediatamente antes e depois da independência, aderiu e se envolveu no projecto nacional de construção de uma nova nação. Hoje, na maioria, são cidadãos cinquentões. Muitos tornaram-se ou já eram membros da FRELIMO. Alguns deixaram de o ser, pelo menos desta FRELIMO.
É justo não esquecer os milhares de jovens soldados, camponeses, operários das fábricas, funcionários, inteletuais, técnicos, cooperantes (porque não?), etc., que construíram os alicerces do Estado moçambicano e que contribuíram para a libertação da África Austral. Foi um movimento social, onde existia um projecto para a nação com grande legitimidade e apoio popular, mesmo que sem o consenso de todos os moçambicanos.
Para não haver desvio ao objetivo, o texto refere-se a partir de agora às elites dessa geração. Jovens de origens sociais e raças diferentes, entregaram-se generosamente e mesmo ingenuamente a causas nobres, mesmo que idealistas (a última geração utópica, para referir o título de um livro de Pepetela, escritor angolano). Uma sociedade justa, de igualdade de oportunidades, desenvolvida, moderna, apenas constituída pela raça humana, sem exploração. Um ideário de sonhos, mobilizador da generosidade de jovens, de ideólogos, de pessoas de boa vontade que acreditaram no discurso e sobretudo num homem, Samora Machel, que, por mais críticas que se lhes possam tecer, tornou-se o ícone de um país e de uma geração.
Jovens que por causas, aceitaram sacrifícios e muitos a morte. Eram técnicos e dirigentes de empresas que produziam alimentos mas que comiam carapau e repolho em casa. Que aceitavam tarefas e nunca perguntaram pelo salário nem por benesses. Que trabalharam em contexto de guerra. Que asseguraram o funcionamento do Estado e das empresas sem horário de trabalho. E desse trabalho, ainda em princípios dos anos oitenta, em plena guerra, produzia-se mais que hoje em quase todos os produtos. Muitos, no exército e nas forças de segurança, lutaram e deram a vida pela libertação da Africa Austral E por aqui me limito.
Cometeram, juntamente com a geração de 25 de Setembro que detinha (e detém) o poder, muitos erros. Foi-se autoritário. Esqueceu-se que a economia possuía regras que não podiam ser esquecidas nem alteradas administrativamente. Houve guerra que não foi apenas produto externo. Os ideais e o projeto nacional, esqueceram as realidades sociais e antropológicas do povo. Porque se assumiam funções exigentes, também existiram incompetências.
Hoje, muitas interpretações existem sobre esses jovens. Esquerdolas pequeno-burgueses. Porque muitos eram não negros, alguns chamam-lhes de branquelas colhidos de surpresa pela independência que não souberam para onde ir. Que passaram de portugueses de segunda classe para moçambicanos por favor legal. Outros, em positivo, reconhecem os valores, a coragem e os ideais que perseguiam. Dos jovens que não pertencem à elite, pouco se fala. Quando muito a heroicidade, em abstrato, na guerra (civil, dos 16 anos, da democracia, etc., como cada um defenda).
O poder de então, sempre teve uma relação difusa em relação à geração da independência. Aproveitaram-se as habilitações técnicas que possuíam para substituição dos portugueses, em muitos casos através de descendentes de portugueses. Por isso e pela origem de classe burguesa e pequeno burguesa, a fobia do inimigo infiltrado no aparelho de Estado de "operários e camponeses". Para alguns, era uma situação de compromisso tolerável e de pouco risco, porque não possuíam base social que pudesse incomodar os setembristas. Para poucos, a convicção de uma sociedade não racial onde se privilegia o mérito e a dedicação a causas e também, porque não, a lealdade (diferente de fidelidade). Para uns quantos dos de 25 de Setembro, a simpatia, amizade e o reconhecimento patriótico ou mesmo de camaradagem.
Da elite desta geração, existem hoje nomes reconhecidos por mérito e honradez em quase todas as áreas da sociedade e internacionalmente. Nas letras e artes, dirigentes e funcionários de alto nível em organizações internacionais, académicos, empresários e técnicos, etc. Alguns também enveredaram por caminhos questionáveis. A grande maioria, porque não negros e que lutou pelo people empowerment, foi objecto do black empowerment silencioso mas eficaz. A maioria adaptou-se e hoje, possivelmente, agradecem esse black empowerment.
Esquece-se esta geração pelas mesmas razões porque dela sempre houve receios. Mas ao esquecê-la, pretendem-se esquecer os ideais, o projecto de nação. Pretende-se ignorar a numenklatura da FRELIMO que não está no poder. E porque não sugerir que se pretende esquecer Samora.
A elite da geração da independência era progressista, possuía ideais, era modernista e, se não se importam, patriótica a nacionalista. E já ficou na história. Construiu os alicerces do Estado e contribui para a libertação da África Austral. Veremos como as outras duas gerações ficarão na história. Sim as duas, porque muitos da geração de 25 de Setembro estão hoje identificados com elementos do pós-libertação nacional. E não sei se estão a trocar o direito a páginas douradas da história moçambicana (mesmo que com zonas de penumbra), por páginas cinzentas ou negras. Em relação aos de Março, para além da propaganda e manipulação política do poder e de alguns parceiros externos, as estatísticas internacionais indicam que a pobreza não recuou significativamente, o país é dos últimos no Índice de Desenvolvimento Humano, está classificado como dos mais corruptos e menos competitivos do mundo e com as maiores taxas de prevalência de doenças endémicas. Muito que fazer para deixar uma marca histórica.
João Mosca
in «Savana», 12.03.2010
Fotografia 1: Carlos Cardoso, Mia Couto, João Mosca, anti-colonialistas, da "Geração da Independência"
Fotografia 2: original de João Costa Funcho sobre Assembleia Magna da Universidade de Lourenço Marques
Os porta-vozes da geração de 8 de Março são geralmente algumas pessoas que compõem a atual numenklatura. E quando se fala dessa geração, refere-se aos jovens abrangidos pelas medidas de 8 de Março de 1977 que os afetou a várias tarefas então consideradas prioritárias. Possuíam em redor de 20 anos. A geração do 25 de Setembro é representada pelos dirigentes e antigos combatentes. Sem retirar importância às elites, não há dúvidas que os processos históricos são resultantes de movimentos sociais de que a luta de libertação nacional é uma evidência. Mas as abordagens que se fazem são classistas, neste caso da numenklatura no poder. Esquece-se o povo.
Considera-se por geração da independência a juventude que imediatamente antes e depois da independência, aderiu e se envolveu no projecto nacional de construção de uma nova nação. Hoje, na maioria, são cidadãos cinquentões. Muitos tornaram-se ou já eram membros da FRELIMO. Alguns deixaram de o ser, pelo menos desta FRELIMO.
É justo não esquecer os milhares de jovens soldados, camponeses, operários das fábricas, funcionários, inteletuais, técnicos, cooperantes (porque não?), etc., que construíram os alicerces do Estado moçambicano e que contribuíram para a libertação da África Austral. Foi um movimento social, onde existia um projecto para a nação com grande legitimidade e apoio popular, mesmo que sem o consenso de todos os moçambicanos.
Para não haver desvio ao objetivo, o texto refere-se a partir de agora às elites dessa geração. Jovens de origens sociais e raças diferentes, entregaram-se generosamente e mesmo ingenuamente a causas nobres, mesmo que idealistas (a última geração utópica, para referir o título de um livro de Pepetela, escritor angolano). Uma sociedade justa, de igualdade de oportunidades, desenvolvida, moderna, apenas constituída pela raça humana, sem exploração. Um ideário de sonhos, mobilizador da generosidade de jovens, de ideólogos, de pessoas de boa vontade que acreditaram no discurso e sobretudo num homem, Samora Machel, que, por mais críticas que se lhes possam tecer, tornou-se o ícone de um país e de uma geração.
Jovens que por causas, aceitaram sacrifícios e muitos a morte. Eram técnicos e dirigentes de empresas que produziam alimentos mas que comiam carapau e repolho em casa. Que aceitavam tarefas e nunca perguntaram pelo salário nem por benesses. Que trabalharam em contexto de guerra. Que asseguraram o funcionamento do Estado e das empresas sem horário de trabalho. E desse trabalho, ainda em princípios dos anos oitenta, em plena guerra, produzia-se mais que hoje em quase todos os produtos. Muitos, no exército e nas forças de segurança, lutaram e deram a vida pela libertação da Africa Austral E por aqui me limito.
Cometeram, juntamente com a geração de 25 de Setembro que detinha (e detém) o poder, muitos erros. Foi-se autoritário. Esqueceu-se que a economia possuía regras que não podiam ser esquecidas nem alteradas administrativamente. Houve guerra que não foi apenas produto externo. Os ideais e o projeto nacional, esqueceram as realidades sociais e antropológicas do povo. Porque se assumiam funções exigentes, também existiram incompetências.
Hoje, muitas interpretações existem sobre esses jovens. Esquerdolas pequeno-burgueses. Porque muitos eram não negros, alguns chamam-lhes de branquelas colhidos de surpresa pela independência que não souberam para onde ir. Que passaram de portugueses de segunda classe para moçambicanos por favor legal. Outros, em positivo, reconhecem os valores, a coragem e os ideais que perseguiam. Dos jovens que não pertencem à elite, pouco se fala. Quando muito a heroicidade, em abstrato, na guerra (civil, dos 16 anos, da democracia, etc., como cada um defenda).
O poder de então, sempre teve uma relação difusa em relação à geração da independência. Aproveitaram-se as habilitações técnicas que possuíam para substituição dos portugueses, em muitos casos através de descendentes de portugueses. Por isso e pela origem de classe burguesa e pequeno burguesa, a fobia do inimigo infiltrado no aparelho de Estado de "operários e camponeses". Para alguns, era uma situação de compromisso tolerável e de pouco risco, porque não possuíam base social que pudesse incomodar os setembristas. Para poucos, a convicção de uma sociedade não racial onde se privilegia o mérito e a dedicação a causas e também, porque não, a lealdade (diferente de fidelidade). Para uns quantos dos de 25 de Setembro, a simpatia, amizade e o reconhecimento patriótico ou mesmo de camaradagem.
Da elite desta geração, existem hoje nomes reconhecidos por mérito e honradez em quase todas as áreas da sociedade e internacionalmente. Nas letras e artes, dirigentes e funcionários de alto nível em organizações internacionais, académicos, empresários e técnicos, etc. Alguns também enveredaram por caminhos questionáveis. A grande maioria, porque não negros e que lutou pelo people empowerment, foi objecto do black empowerment silencioso mas eficaz. A maioria adaptou-se e hoje, possivelmente, agradecem esse black empowerment.
Esquece-se esta geração pelas mesmas razões porque dela sempre houve receios. Mas ao esquecê-la, pretendem-se esquecer os ideais, o projecto de nação. Pretende-se ignorar a numenklatura da FRELIMO que não está no poder. E porque não sugerir que se pretende esquecer Samora.
A elite da geração da independência era progressista, possuía ideais, era modernista e, se não se importam, patriótica a nacionalista. E já ficou na história. Construiu os alicerces do Estado e contribui para a libertação da África Austral. Veremos como as outras duas gerações ficarão na história. Sim as duas, porque muitos da geração de 25 de Setembro estão hoje identificados com elementos do pós-libertação nacional. E não sei se estão a trocar o direito a páginas douradas da história moçambicana (mesmo que com zonas de penumbra), por páginas cinzentas ou negras. Em relação aos de Março, para além da propaganda e manipulação política do poder e de alguns parceiros externos, as estatísticas internacionais indicam que a pobreza não recuou significativamente, o país é dos últimos no Índice de Desenvolvimento Humano, está classificado como dos mais corruptos e menos competitivos do mundo e com as maiores taxas de prevalência de doenças endémicas. Muito que fazer para deixar uma marca histórica.
João Mosca
in «Savana», 12.03.2010
Fotografia 1: Carlos Cardoso, Mia Couto, João Mosca, anti-colonialistas, da "Geração da Independência"
Fotografia 2: original de João Costa Funcho sobre Assembleia Magna da Universidade de Lourenço Marques
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11/03/2010
Este homem é um orgulho para Portugal
Há empresários que dão orgulho a Portugal e que desmentem a teoria comunista da exploração do homem pelo homem.
É o caso de Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins que, nesta entrevista ao «Contas em Dia» da SIC Notícias no dia 10 de Março de 2010, dá uma autêntica aula de gestão empresarial.
A entrevista é desassombrada e corajosa, constituindo uma denúncia da fraude que governa o país.
É o caso de Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins que, nesta entrevista ao «Contas em Dia» da SIC Notícias no dia 10 de Março de 2010, dá uma autêntica aula de gestão empresarial.
A entrevista é desassombrada e corajosa, constituindo uma denúncia da fraude que governa o país.
Retornados: a palavra possível nasceu há 35 anos (parte II)
"Os recentes acontecimentos de Moçambique e outros que se lhe possam seguir, devemo-los considerar como esporádicos, meramente emocionais, ação duma minoria que aproveita a falta de informação ou a informação desvirtuada em que o anterior regime deixava as populações das colónias." - Datada de 15 de Outubro de 1974, esta Informação de Serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros/Comissão Nacional da Descolonização contém as linhas mestras da atitude do Estado português sobre o que nesse mesmo período acontecia nos territórios sob sua administração em África e na Ásia. Ou seja, oficialmente não acontece nada que não esteja previsto e controlado. Tudo o que não coubesse nesta moldura era apresentado como o resultado duma minoria emocionalmente descontrolada e de forma consciente ou involuntária afeta ao regime anterior.
É também este paradigma que vamos encontrar nas pequenas notícias que até ao início de 1975 vão dando conta do "êxodo dos brancos"; da "fuga injustificada" e do "alarmismo temporário" dos colonos. Não interessa que os primeiros retornados não tenham sido maioritariamente brancos, pois se por retornado se entender aquele que abrutamente muda o seu local de residência para o sítio onde nasceu constataremos que os primeiros retornados não são brancos mas sim os negros dos musseques de Luanda que em Julho e Agosto de 1974 deixam a capital angolana rumando a Malanje e demais terras de origem; os mais de mil cabo-verdianos que nesse mesmo período são levados numa ponte aérea de Angola para o seu arquipélago; os nunca quantificados trabalhadores cabo-verdianos que no Verão de 1974 são embarcados em Lisboa com direcção a Cabo Verde, e ainda os comerciantes de origem libanesa que nesse mesmo Verão deixam a Guiné-Bissau. É certo que pelo mesmo tempo milhares de brancos começavam então a enviar os seus bens por via marítima e a tratar dos papéis para que os seus automóveis pudessem circular nas pequenas estradas daquilo a que chamavam metrópole, mas até Setembro de 1974 esse "retorno" em direcção a Lisboa ainda não é por eles encarado como definitivo.
Do ponto de vista informativo os retornados são vítimas de vários preconceitos, mas aqueles que não "retornaram" para Portugal mas sim dentro de África e que para cúmulo não eram brancos nem sequer são mencionáveis. No desacerto que os retornados eram, os negros e mestiços eram um desacerto ainda maior.
Retratados pelos governantes e jornalistas de então como "homens desejosos de viver num mundo que acabou", grupo "que quer manter privilégios", pessoas que entraram em pânico sem qualquer razão e "gente que não porfia", aos portugueses de África não só não foi permitida a expressão da sua vontade como, muito mais grave, foi-lhes proibida, sobretudo em Moçambique, a simples manifestação de opiniões contrárias ao que Lisboa decidia ou dizia que decidia.
A legislação aprovada pelo Alto-Comissário português em Moçambique, Vítor Crespo, só é equiparável à dos países totalitários: a 28 de Outubro de 1974, Vítor Crespo assinava o Decreto-Lei n.º 8/74 que estabelecia que "Todo aquele que dolosamente propalar notícias falsas ou tendenciosas que possam alterar a ordem ou a tranquilidade pública, paralisar as atividades económicas e profissionais, causar a intervenção desnecessária das autoridades públicas, ou por qualquer modo causar injustificado alarme público será punido com pena de dois a oito anos de prisão maior."
Dias depois, a 2 de Novembro, novo Decreto-Lei, o n.º 11/74, endurece ainda mais a repressão: não só os chamados crimes contra a descolonização têm as penas de prisão aumentadas como "os indivíduos suspeitos da prática de crime contra a descolonização ficarão sob a custódia das autoridades militares até à decisão com trânsito em julgado dos respetivos processos". No mesmo dia, 2 de Novembro, outro decreto, o n.º 12/74, depois de considerar que certas garantias individuais "só podem realizar-se inteiramente num clima de completa estabilidade social" determina que os detidos suspeitos da prática de crime contra a descolonização não beneficiarão de habeas corpus. Na prática podia prender-se quem se quisesse, porque na definição de crime contra a descolonização cabia tudo, desde a expressão de ideias numa esplanada até produzir menos vegetais numa fazenda. Podiam também colocar-se os detidos em parte incerta pelo tempo que se quisesse e entregá-los a quem se considerasse que exercia a autoridade militar, estatuto que em 1974/1975, em Moçambique, era perigosamente difuso. Aliás os portugueses de Moçambique, pelo menos aqueles que desempenhavam cargos na administração pública, correram ainda o sério risco de terem um estatuto próximo do de trabalhador forçado em país estrangeiro pois o Alto-Comissário português naquele território tentou impedir a transposição do decreto que previa o Quadro de Adidos, figura legal que permitia aos funcionários públicos nas ainda colónias pedirem a transferência para Portugal. Como explica num telegrama que envia para Lisboa, Vítor Crespo teme que a promulgação do decreto dos Adidos "implique saída mais ou menos imediata todos os funcionários", o que segundo ele violaria os acordos de Lusaka.
Impedir os funcionários públicos de deixar Moçambique torna-se a alternativa que chega a estar em cima da mesa: 4 de Novembro de 1974, a Comissão Nacional da Descolonização discute, em Lisboa, a proposta de se "estabelecer a obrigatoriedade de serviço pelo espaço de tempo de dois anos" aos funcionários públicos de Moçambique. Valeu a estes últimos uma intervenção de Almeida Santos explicando aos presentes que era impossível obrigá-los a ficar.
Assim, quando a sua fuga se torna um facto incontornável e apesar de tudo se passa a admitir que alguns têm razões para fugir, os retornados passam a ser vistos como um problema político, como se percebe por este texto incluído no Boletim Informativo das Forças Armadas quando em Maio de 1975 aborda finalmente esta questão: "Não menos graves serão para Portugal as consequências dum afluxo significativo a partir de Angola: aumento da taxa de desemprego para um valor crítico, com o consequente aumento da instabilidade social; enfraquecimento dos laços culturais, políticos e económicos a estabelecer com Angola, de imediato e primordial interesse para a revolução portuguesa; redução das possibilidades de ligação ao terceiro mundo; inserção na sociedade portuguesa de população traumatizada e talvez couraçada contra a revolução, que identifica como causa dos seus males; e, finalmente, o aproveitamento que a reacção interna e internacional não deixará de fazer, na tentativa de desacreditar a descolonização e, por ela, todo o processo revolucionário português e o MFA."
Na mesma linha de precaução contra esta gente "couraçada contra a revolução" que se recusa a ficar em África para fortalecer os laços culturais com o terceiro mundo temos tomadas de posição contra a sua integração por parte das estruturas sindicais: o Sindicato dos Delegados do Procurador da República manifesta-se contra o decreto que permitia "o ingresso indiscriminado dos magistrados judiciais e do Ministério Público das colónias na magistratura portuguesa". O caso dos professores é ainda mais grave: chega a ser convocada uma greve para protestar contra a decisão do Ministério da Educação de integrar os professores provenientes das colónias. Como o politicamente correcto não existia na época, ficaram também registadas as decisões de comissões de moradores e juntas de freguesia contra a inclusão dos "regressados de Angola" nos bairros sociais.
Mas mais uma vez as palavras pouco podiam contra os factos: os retornados existiam. E tal como apareceram muito antes de se admitir que existiam também vão terminar muito depois: até 1977 eles vão continuar a chegar. A todos os concelhos de Portugal chegaram retornados. Muitos transportaram para Portugal o espírito de auto-emprego que praticavam em África e abriram negócios nos mais adormecidos locais deste país. À falta de reconhecimento oficial, os cafés Nova Lisboa, as oficinas Cabinda, as mercearias Bilene, as pensões Mussulo... são o testemunho das suas histórias e que por causa da História não nos deu jeito ouvir.
Helena Matos, Ensaísta
in «Público», 11.03.2010 - (2ª parte)
Fotografia do «Público»
É também este paradigma que vamos encontrar nas pequenas notícias que até ao início de 1975 vão dando conta do "êxodo dos brancos"; da "fuga injustificada" e do "alarmismo temporário" dos colonos. Não interessa que os primeiros retornados não tenham sido maioritariamente brancos, pois se por retornado se entender aquele que abrutamente muda o seu local de residência para o sítio onde nasceu constataremos que os primeiros retornados não são brancos mas sim os negros dos musseques de Luanda que em Julho e Agosto de 1974 deixam a capital angolana rumando a Malanje e demais terras de origem; os mais de mil cabo-verdianos que nesse mesmo período são levados numa ponte aérea de Angola para o seu arquipélago; os nunca quantificados trabalhadores cabo-verdianos que no Verão de 1974 são embarcados em Lisboa com direcção a Cabo Verde, e ainda os comerciantes de origem libanesa que nesse mesmo Verão deixam a Guiné-Bissau. É certo que pelo mesmo tempo milhares de brancos começavam então a enviar os seus bens por via marítima e a tratar dos papéis para que os seus automóveis pudessem circular nas pequenas estradas daquilo a que chamavam metrópole, mas até Setembro de 1974 esse "retorno" em direcção a Lisboa ainda não é por eles encarado como definitivo.
Do ponto de vista informativo os retornados são vítimas de vários preconceitos, mas aqueles que não "retornaram" para Portugal mas sim dentro de África e que para cúmulo não eram brancos nem sequer são mencionáveis. No desacerto que os retornados eram, os negros e mestiços eram um desacerto ainda maior.
Retratados pelos governantes e jornalistas de então como "homens desejosos de viver num mundo que acabou", grupo "que quer manter privilégios", pessoas que entraram em pânico sem qualquer razão e "gente que não porfia", aos portugueses de África não só não foi permitida a expressão da sua vontade como, muito mais grave, foi-lhes proibida, sobretudo em Moçambique, a simples manifestação de opiniões contrárias ao que Lisboa decidia ou dizia que decidia.
A legislação aprovada pelo Alto-Comissário português em Moçambique, Vítor Crespo, só é equiparável à dos países totalitários: a 28 de Outubro de 1974, Vítor Crespo assinava o Decreto-Lei n.º 8/74 que estabelecia que "Todo aquele que dolosamente propalar notícias falsas ou tendenciosas que possam alterar a ordem ou a tranquilidade pública, paralisar as atividades económicas e profissionais, causar a intervenção desnecessária das autoridades públicas, ou por qualquer modo causar injustificado alarme público será punido com pena de dois a oito anos de prisão maior."
Dias depois, a 2 de Novembro, novo Decreto-Lei, o n.º 11/74, endurece ainda mais a repressão: não só os chamados crimes contra a descolonização têm as penas de prisão aumentadas como "os indivíduos suspeitos da prática de crime contra a descolonização ficarão sob a custódia das autoridades militares até à decisão com trânsito em julgado dos respetivos processos". No mesmo dia, 2 de Novembro, outro decreto, o n.º 12/74, depois de considerar que certas garantias individuais "só podem realizar-se inteiramente num clima de completa estabilidade social" determina que os detidos suspeitos da prática de crime contra a descolonização não beneficiarão de habeas corpus. Na prática podia prender-se quem se quisesse, porque na definição de crime contra a descolonização cabia tudo, desde a expressão de ideias numa esplanada até produzir menos vegetais numa fazenda. Podiam também colocar-se os detidos em parte incerta pelo tempo que se quisesse e entregá-los a quem se considerasse que exercia a autoridade militar, estatuto que em 1974/1975, em Moçambique, era perigosamente difuso. Aliás os portugueses de Moçambique, pelo menos aqueles que desempenhavam cargos na administração pública, correram ainda o sério risco de terem um estatuto próximo do de trabalhador forçado em país estrangeiro pois o Alto-Comissário português naquele território tentou impedir a transposição do decreto que previa o Quadro de Adidos, figura legal que permitia aos funcionários públicos nas ainda colónias pedirem a transferência para Portugal. Como explica num telegrama que envia para Lisboa, Vítor Crespo teme que a promulgação do decreto dos Adidos "implique saída mais ou menos imediata todos os funcionários", o que segundo ele violaria os acordos de Lusaka.
Impedir os funcionários públicos de deixar Moçambique torna-se a alternativa que chega a estar em cima da mesa: 4 de Novembro de 1974, a Comissão Nacional da Descolonização discute, em Lisboa, a proposta de se "estabelecer a obrigatoriedade de serviço pelo espaço de tempo de dois anos" aos funcionários públicos de Moçambique. Valeu a estes últimos uma intervenção de Almeida Santos explicando aos presentes que era impossível obrigá-los a ficar.
Assim, quando a sua fuga se torna um facto incontornável e apesar de tudo se passa a admitir que alguns têm razões para fugir, os retornados passam a ser vistos como um problema político, como se percebe por este texto incluído no Boletim Informativo das Forças Armadas quando em Maio de 1975 aborda finalmente esta questão: "Não menos graves serão para Portugal as consequências dum afluxo significativo a partir de Angola: aumento da taxa de desemprego para um valor crítico, com o consequente aumento da instabilidade social; enfraquecimento dos laços culturais, políticos e económicos a estabelecer com Angola, de imediato e primordial interesse para a revolução portuguesa; redução das possibilidades de ligação ao terceiro mundo; inserção na sociedade portuguesa de população traumatizada e talvez couraçada contra a revolução, que identifica como causa dos seus males; e, finalmente, o aproveitamento que a reacção interna e internacional não deixará de fazer, na tentativa de desacreditar a descolonização e, por ela, todo o processo revolucionário português e o MFA."
Na mesma linha de precaução contra esta gente "couraçada contra a revolução" que se recusa a ficar em África para fortalecer os laços culturais com o terceiro mundo temos tomadas de posição contra a sua integração por parte das estruturas sindicais: o Sindicato dos Delegados do Procurador da República manifesta-se contra o decreto que permitia "o ingresso indiscriminado dos magistrados judiciais e do Ministério Público das colónias na magistratura portuguesa". O caso dos professores é ainda mais grave: chega a ser convocada uma greve para protestar contra a decisão do Ministério da Educação de integrar os professores provenientes das colónias. Como o politicamente correcto não existia na época, ficaram também registadas as decisões de comissões de moradores e juntas de freguesia contra a inclusão dos "regressados de Angola" nos bairros sociais.
Mas mais uma vez as palavras pouco podiam contra os factos: os retornados existiam. E tal como apareceram muito antes de se admitir que existiam também vão terminar muito depois: até 1977 eles vão continuar a chegar. A todos os concelhos de Portugal chegaram retornados. Muitos transportaram para Portugal o espírito de auto-emprego que praticavam em África e abriram negócios nos mais adormecidos locais deste país. À falta de reconhecimento oficial, os cafés Nova Lisboa, as oficinas Cabinda, as mercearias Bilene, as pensões Mussulo... são o testemunho das suas histórias e que por causa da História não nos deu jeito ouvir.
Helena Matos, Ensaísta
in «Público», 11.03.2010 - (2ª parte)
Fotografia do «Público»
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Colonialismo
PEC: A realidade falsificada
O “PEC” - Programa de Estabilidade e Crescimento, agora apresentado, é uma repleta vergonha. É um pseudo-programa, sem alma, sem ambição, sem inovação e sem coragem.
É mais do mesmo!
Qualquer pessoa de bem e informada não pode aceitar este PEC! É preciso pôr Portugal a crescer, produzir e competir.
Sócrates é o rosto da incompetência e da trafulhice, cada vez mais patético ou pateta! Persiste nos mesmos erros e ilusões e outra coisa não seria de esperar de quem levou Portugal para o pântano.
AUMENTA OS IMPOSTOS, embora diga que o contrário. Para disfarçar, diz que tira aos ricos. É impossível aguentar tanta mentira e aldrabice!
Agora o lixo é tanto, que já não cabe todo debaixo do tapete.
Já é RABO COM O GATO DE FORA!
É preciso reagir, divulgar, mobilizar, CORRER COM ESTA GENTE que não presta.
Já é RABO COM O GATO DE FORA!
É preciso reagir, divulgar, mobilizar, CORRER COM ESTA GENTE que não presta.
PORTUGAL TEM GENTE BOA que aparecerá quando o ambiente mudar.
PORTUGAL MERECE MUITO MELHOR!
PORTUGAL MERECE MUITO MELHOR!
in «e-mail» que circula na Internet
08/03/2010
Dia Internacional da Mulher
Aquecimento global
Depois de todas as fraudes associadas ao chamado climategate, a recente onde de frio que há meses atinge o hemisfério norte (congelamento do mar Báltico, recorde de neve na América, etc.) desmente o "profeta" Al Gore.
Como se diz agora, onde é o Aquecimento Global que eu quero ir para lá...
Para completar os azares, a revista «The Weekly Standard», datada de 15 de Março, põe o profeta em xeque, na sua capa...
Como se diz agora, onde é o Aquecimento Global que eu quero ir para lá...
Para completar os azares, a revista «The Weekly Standard», datada de 15 de Março, põe o profeta em xeque, na sua capa...
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Clima
@ Verdade - um jornal com qualidade
Em Maputo, Moçambique, está nas bancas um jornal semanário (sai às sextas) excelente e gratuito que, além disso, está na Internet em http://www.verdade.co.mz/.
Para além da qualidade e variedade das suas notícias e fotografias, tem bons contributos de personalidades variadas e, sobretudo, um design gráfico que se destaca do fraco padrão da imprensa moçambicana.
Para além da qualidade e variedade das suas notícias e fotografias, tem bons contributos de personalidades variadas e, sobretudo, um design gráfico que se destaca do fraco padrão da imprensa moçambicana.
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Opinião
07/03/2010
PT sob o signo das escutas
A PT lançou uma campanha publicitária muito oportuna.
Sob o mote "Aqui só a conversa é que conta" a PT relembra e combina muito bem com "escutas":
Sob o mote "Aqui só a conversa é que conta" a PT relembra e combina muito bem com "escutas":
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Opinião
Tão amigos que eles são...
Documento indicia que ambos se conheciam.
Mas primeiro-ministro reafirma que não conhece sócio da Smith&Pedro.
A investigação do processo Freeport tem na sua posse uma carta que terá sido enviada, a 4 de Abril de 1996, por um dos sócios da empresa Smith&Pedro, Manuel Pedro, a José Sócrates. O documento indicia que, ao contrário do que o primeiro-ministro tem dito, ambos se conheciam. Mas, em declarações ao DN, Sócrates foi peremptório: "Reafirmo tudo o que disse em Janeiro de 2009. Não conheço esse senhor" José Sócrates declarou ainda não se recordar de ter recebido a carta em causa.
"Caro amigo, desculpe fazer-lhe chegar esta missiva à sua residência, mas considerei ser esta a via mais adequada, atendendo ao interesse de manter este contacto sob reserva." É assim que a carta começa e que, segundo a Polícia Judiciária, poderia indiciar um conhecimento mútuo.
Só que, além de José Sócrates, também Manuel Pedro (arguido no processo e ex-sócio de Charles Smith) negou no processo conhecer José Sócrates que, em 2002, como ministro do Ambiente aprovou o projeto do Freeport. Segundo aquele arguido, em 1996 estava em causa o projeto das Salinas do Samouco, no qual participava uma empresa sua, a Sociedade Europeia de Aquacultura.
De acordo com o que Manuel Pedro relatou aos investigadores, o próprio decidiu escrever aquela carta, ficando com uma cópia da mesma para a exibir nos seus contactos, afirmando-se como amigo de José Sócrates.
É por estas e por outras (como as referências a José Sócrates, a primos deste e a pagamentos) que fontes judiciais contatadas pelo DN durante o dia de ontem questionam: "Porque é que o primeiro-ministro nem sequer é ouvido como testemunha? Para dar a sua versão dos factos: se conhece este ou aquele, o que aconteceu nas reuniões, etc."
Entretanto, o semanário «Expresso» noticiou, ontem, que os investigadores do processo vão, brevemente, partir para Londres na perseguição de novas pistas contra o primeiro-ministro. Segundo o semanário, os novos elementos terão sido recolhidos nos últimos meses. O que levou os procuradores do caso, Vítor Magalhães e Paes de Faria, a encetar novas diligências. Porém, ao início da tarde de ontem, a agência Lusa, citando fonte judicial, garantia que não há no processo novos elementos e que não está prevista nenhuma deslocação a Londres.
Há poucas semanas, a diretora do DCIAP, Cândida Almeida, anunciou que a investigação estava praticamente concluída e que não havia indícios contra José Sócrates.
in «Diário de Notícias», 07.03.2010
Mas primeiro-ministro reafirma que não conhece sócio da Smith&Pedro.
A investigação do processo Freeport tem na sua posse uma carta que terá sido enviada, a 4 de Abril de 1996, por um dos sócios da empresa Smith&Pedro, Manuel Pedro, a José Sócrates. O documento indicia que, ao contrário do que o primeiro-ministro tem dito, ambos se conheciam. Mas, em declarações ao DN, Sócrates foi peremptório: "Reafirmo tudo o que disse em Janeiro de 2009. Não conheço esse senhor" José Sócrates declarou ainda não se recordar de ter recebido a carta em causa.
"Caro amigo, desculpe fazer-lhe chegar esta missiva à sua residência, mas considerei ser esta a via mais adequada, atendendo ao interesse de manter este contacto sob reserva." É assim que a carta começa e que, segundo a Polícia Judiciária, poderia indiciar um conhecimento mútuo.
Só que, além de José Sócrates, também Manuel Pedro (arguido no processo e ex-sócio de Charles Smith) negou no processo conhecer José Sócrates que, em 2002, como ministro do Ambiente aprovou o projeto do Freeport. Segundo aquele arguido, em 1996 estava em causa o projeto das Salinas do Samouco, no qual participava uma empresa sua, a Sociedade Europeia de Aquacultura.
De acordo com o que Manuel Pedro relatou aos investigadores, o próprio decidiu escrever aquela carta, ficando com uma cópia da mesma para a exibir nos seus contactos, afirmando-se como amigo de José Sócrates.
É por estas e por outras (como as referências a José Sócrates, a primos deste e a pagamentos) que fontes judiciais contatadas pelo DN durante o dia de ontem questionam: "Porque é que o primeiro-ministro nem sequer é ouvido como testemunha? Para dar a sua versão dos factos: se conhece este ou aquele, o que aconteceu nas reuniões, etc."
Entretanto, o semanário «Expresso» noticiou, ontem, que os investigadores do processo vão, brevemente, partir para Londres na perseguição de novas pistas contra o primeiro-ministro. Segundo o semanário, os novos elementos terão sido recolhidos nos últimos meses. O que levou os procuradores do caso, Vítor Magalhães e Paes de Faria, a encetar novas diligências. Porém, ao início da tarde de ontem, a agência Lusa, citando fonte judicial, garantia que não há no processo novos elementos e que não está prevista nenhuma deslocação a Londres.
Há poucas semanas, a diretora do DCIAP, Cândida Almeida, anunciou que a investigação estava praticamente concluída e que não havia indícios contra José Sócrates.
in «Diário de Notícias», 07.03.2010
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Negociatas,
Socialismo
Reflexão da SEDES: Não se pode pecar no PEC
Não se pode pecar no PEC
O OE-2010 foi percebido e recebido por todos como uma primeira oportunidade perdida. O PEC é decisivo para o futuro dos portugueses, para as oportunidades de emprego e para o seu nível de vida, bem como na forma como a comunidade dos negócios e os mercados nos vão olhar, com consequências imediatas e nas taxas de juro que cada um vai pagar. Não basta dizer que estamos longe da Grécia, o que é verdade, mas é preciso, acima de tudo, demonstrar que não vamos cair nos mesmos erros da Grécia, do ponto de vista das finanças públicas.
A Grécia acaba de reafirmar o seu objectivo de baixar o défice, este ano, em 4% do PIB, pelo que seria boa política Portugal mostrar, desde já, uma maior ambição para 2010. A má reputação combate-se com medidas claras, calendarizadas e credíveis. Nesta, porventura última, oportunidade não teremos a complacência das análises de Bruxelas, uma vez que nenhum país estará disposto a aceitar mais descontrolos orçamentais.
A oportunidade
Há um conjunto de características que o PEC deve seguir para, acima de tudo, resolver os problemas nacionais e garantir o apoio dos mercados às nossas finanças públicas.
Primeiro, o aumento da competitividade da nossa economia deveria ser uma preocupação no Programa. Um maior crescimento facilitará a introdução de medidas difíceis e aumentará a probabilidade de sucesso do PEC. Além disso, temos de vislumbrar o fim da estagnação em que Portugal tem vivido nos últimos 8 anos.
Segundo, tem de haver um conjunto de medidas claras e fortes para garantir uma situação financeira sustentável para Portugal.
Terceiro, para garantir a credibilidade, a consolidação tem de ser determinante no período inicial. Ninguém acredita em programas de estabilização das finanças públicas com medidas fortes apenas para daqui a três ou quatro anos.
Quarto, quanto mais rápido for o ajustamento mais credível e menos custos terá. Adiar as medidas implica que a dívida aumente ainda mais e será necessariamente mais cara. Ou seja, adiar é ter de fazer ajustamentos mais brutais e, portanto, com mais encargos para os portugueses.
Quinto, não se devem mascarar os défices com receitas extraordinárias. Em geral, adiam os problemas e este surgem, no ano seguinte, muito mais agravados. Além disso, podem dar uma imagem de falsa facilidade de sustentabilidade financeira para a população em geral, mas não para os mercados financeiros e para os investidores.
Sexto, é indispensável que se aproveite o Programa a 4 anos para assumir medidas que tornem o país mais atractivo para o investimento, seja ele nacional ou estrangeiro, condição necessária para a criação de mais empregos.
Sétimo, a queda da poupança - privada e pública - que se verificou nos últimos 15 anos não pode continuar. Sem o aumento da poupança não estabilizará o endividamento público nem o endividamento privado e, em consequência, o endividamento externo.
Oitavo, um endividamento externo crescente, implica maior valor de juros pagos ao exterior e, com um fraco crescimento do PIB, uma perda de bem-estar, na medida em que cairá o Rendimento Nacional.
Nono, é indispensável um reforço da capacidade técnica e de análise independente para apoio à Assembleia da República no acompanhamento da política e da execução orçamentais.
Finalmente, é útil e credibilizador reconfigurar os procedimentos de elaboração dos Orçamentos do Estado, bem como assegurar que a elaboração dos cenários macroeconómicos subjacentes ao OE estejam fora do controlo do Governo e sejam elaborados por uma unidade técnica independente.
Concluindo
Para termos uma ideia da gravidade e dificuldade da situação financeira do País, basta lembrar alguma aritmética. Por exemplo, sem recurso a privatizações, caso se pretendesse estabilizar a dívida pública em 2010, o défice público deveria rondar 1,2%.[1] E, neste caso, ainda não estaríamos a pagar o que devemos, apenas a estancar a bolha do endividamento. Por isso, devemos ser rigorosos com as contas públicas não só por imposição do Pacto de Estabilidade e Crescimento mas fundamentalmente porque é necessário garantir a nossa estabilidade financeira, condição para o crescimento.
Este PEC será um documento difícil, mas todos os portugueses esperam e as circunstâncias exigem que seja um virar de página nas políticas orçamentais passadas, para uma trajectória mais credível e sustentável das finanças públicas, do crescimento e do emprego. Mas para que a dureza das medidas possa ser entendida pelos portugueses é essencial a moralização das instituições e da actividade política.
Henrique Medina Carreira
Henrique Neto
João Salgueiro
Luís Campos e Cunha
[1] As contas são relativamente simples. Com um crescimento do PIB nominal de 1,5% (cenário do Governo), a dívida pública apenas poderia crescer 1,5%, para se manter o nível de endividamento público em percentagem do PIB. Como o nível da dívida pública ronda os 80% do PIB, o défice orçamental não poderia exceder 1,2%=1,5%x80%.
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Economia
Cuba: 200 presos por motivos políticos
O dissidente cubano Guillermo Fariñas disse na sexta-feira que sua saúde está se debilitando, mas manterá a greve de fome iniciada há dez dias para pedir a libertação dos presos políticos da ilha, num protesto iniciado após a morte de um detento que passou 85 dias em jejum voluntário.
Fariñas, um psicólogo de 48 anos, parou de se alimentar em 24 de fevereiro, um dia depois da morte do dissidente Orlando Zapata, um encanador de 42 anos, o que causou muitas críticas internacionais sobre a situação dos direitos humanos em Cuba.
"Tenho muita debilidade em todos os membros (...), a gente já tem vontade de acabar", disse Fariñas à Reuters, levantando a blusa do pijama para mostrar sua magreza. "Estou disposto a ir nesta greve de fome até as últimas consequências, inclusive minha morte", acrescentou o dissidente em sua casa, no centro da cidade de Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana.
Com cabeça raspada e olhos fundos, usando um bastão para se apoiar ao andar pela casa, ele afirmou que o governo faria um "gesto de boa vontade" se liberasse 26 presos políticos doentes. "Se soltarem esses presos políticos, abandono a greve".
"Esses presos em nenhum momento vão desestabilizar o governo, nem Raúl (Castro, presidente do país) vai ter que entregar o poder, nem o Partido Comunista vai ter que deixar de ser a entidade hegemônica."
Sem entrar em detalhes, Fariñas contou que já esteve preso três vezes por diversos motivos, e que esta é sua 23ª greve de fome. Em 2006, após meses de protesto por livre acesso à Internet, ele foi internado e alimentado por via intravenosa.
Desta vez, ele recebeu na terça-feira oito litros de glicose, lactose, água e minerais num hospital de Santa Clara, para onde foi levado por familiares e amigos após uma crise de hipoglicemia que o deixou inconsciente.
Ele disse que os médicos lhe recomendaram repetir a dose dentro de seis a oito dias, caso continue sem ingerir água ou alimentos.
O governo cubano qualifica oposicionistas como Fariñas como traidores ao serviço do seu inimigo Estados Unidos. Grupos de direitos humanos, por outro lado, afirmam que há na ilha cerca de 200 presos por motivos políticos.
Fariñas, um psicólogo de 48 anos, parou de se alimentar em 24 de fevereiro, um dia depois da morte do dissidente Orlando Zapata, um encanador de 42 anos, o que causou muitas críticas internacionais sobre a situação dos direitos humanos em Cuba.
"Tenho muita debilidade em todos os membros (...), a gente já tem vontade de acabar", disse Fariñas à Reuters, levantando a blusa do pijama para mostrar sua magreza. "Estou disposto a ir nesta greve de fome até as últimas consequências, inclusive minha morte", acrescentou o dissidente em sua casa, no centro da cidade de Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana.
Com cabeça raspada e olhos fundos, usando um bastão para se apoiar ao andar pela casa, ele afirmou que o governo faria um "gesto de boa vontade" se liberasse 26 presos políticos doentes. "Se soltarem esses presos políticos, abandono a greve".
"Esses presos em nenhum momento vão desestabilizar o governo, nem Raúl (Castro, presidente do país) vai ter que entregar o poder, nem o Partido Comunista vai ter que deixar de ser a entidade hegemônica."
Sem entrar em detalhes, Fariñas contou que já esteve preso três vezes por diversos motivos, e que esta é sua 23ª greve de fome. Em 2006, após meses de protesto por livre acesso à Internet, ele foi internado e alimentado por via intravenosa.
Desta vez, ele recebeu na terça-feira oito litros de glicose, lactose, água e minerais num hospital de Santa Clara, para onde foi levado por familiares e amigos após uma crise de hipoglicemia que o deixou inconsciente.
Ele disse que os médicos lhe recomendaram repetir a dose dentro de seis a oito dias, caso continue sem ingerir água ou alimentos.
O governo cubano qualifica oposicionistas como Fariñas como traidores ao serviço do seu inimigo Estados Unidos. Grupos de direitos humanos, por outro lado, afirmam que há na ilha cerca de 200 presos por motivos políticos.
in «Globo», 07.03.2010
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Comunismo
06/03/2010
Recordando Miriam Makeba
Recordando o espetáculo inesquecível no «Gil Vicente» de Maputo, a 25 de Junho de 1975:
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Música
A luta continua!
Regressado de Moçambique, novas preocupações, novas distrações que se resumem numa frase bem tropical: A luta continua!
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Negociatas
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