23/02/2010

Coisas positivas

Não é surpresa! Já se sabia que a família Soares dos Santos tinha constituído a Fundação Francisco Manuel dos Santos como forma de promover o conhecimento da realidade portuguesa, o reforço dos direitos dos cidadãos e a melhoria das instituições públicas.

O seu fundador convidou António Barreto, sociólogo, para presidir à administração da instituição e levar a cabo os objetivos traçados.

Hoje, a Fundação deu a conhecer a PORDATA, a base de dados de Portugal Contemporâneo.

É um excelente trabalho de uma excelente iniciativa:

22/02/2010

Somos todos madeirenses

A catástrofe que se abateu sobre a Ilha da Madeira tornou evidente como tantas vezes se perde tempo com mesquinhices e insignificâncias. Ainda há dias, parecia importante discutir o "orçamento das regiões" e, finalmente, somos levados a perceber como era uma poeira para os olhos e as mentes.

Alberto João Jardim, que tem obra feita na Região, perante o drama, mostra mais uma vez que não baixa os braços, que tem capacidade de mobilizar meios e vontades para salvar os vivos e homenagear os mortos. Sem dúvida, é o herói do momento!

Importa, por uma vez, reconhecer que o governo de Portugal reagiu com prontidão e responsabilidade.

Bem ficaria que fizesse aprovar um imposto especial de apoio ao povo madeirense - qualquer coisa como +1% de IRS em Março (em 1990, na Alemanha, foi aprovado um imposto de apoio ao Leste). Ainda que a solidariedade não seja obrigatória, era um enorme e merecido sinal de que todos os portugueses estão com os seus compatriotas da Madeira.

Canal Memória

21/02/2010

Bertina Lopes

Sobre a grande artista luso-moçambicana Bertina Lopes, uma exposição em 2008:



Grande Hotel da Incompetência

Símbolo da megalomania de um empresário colonial, 35 anos de independência não foram suficientes para um governo da Frelimo - um qualquer deles - encontrar uma solução para o escandaloso "zoo" em que está transformado o mais famoso edifício da cidade da Beira (Moçambique) e que é um verdadeiro monumento à sua incompetência.

(fotos: Revista Pública, 27.12.2009)

Lapsos de memória

A história tem destas coisas: a arqueologia encontra documentos notáveis sobre importantes acontecimentos do passado - neste caso, o novo militante inscreve-se no Partido Social Democrata que ainda não tinha esse nome!

20/02/2010

Drama na Madeira

Uma calamidade nunca vem só:







Apoio ao José

Manifestação de apoio a José Sócrates, realizada na tarde do dia 20 de Fevereiro.
Imagens directas do local - Alameda Dom Afonso Henriques, Lisboa - com os apoiantes ao fundo, do lado esquerdo:

Burrada

A burrada continua! Depois de uma "imprevidência cautelar", depois de reais buscas policiais, o garoto socialista abre a boca e inventa a curiosa e oportuna eliminação do «Jornal de Sexta» da TVI.

19/02/2010

737 mil desempregados

Segundo o INE (*), no último trimestre de 2009, o desemprego em Portugal atingiu 563,3 mil indivíduos a que corresponderia uma taxa de desemprego de 10,1 por cento.

Mas, se a esse número adicionarmos o subemprego visível (67,2 mil), mais os inativos disponíveis (73,5 mil) e os inativos desencorajados (33 mil), estaremos a falar de 737 mil indivíduos realmente desempregados e de uma taxa de desemprego de 12,9 por cento no último trimestre de 2009.

É a realidade nua e crua. Uma realidade que, segundo o INE e quando comparamos os valores médios de 2009 e 2010, viu desaparecer num ano 143,7 mil empregos. Quase todos eles empregos a tempo inteiro, já que a população a tempo parcial se manteve praticamente inalterável.

Hoje, 11,6 por cento da população empregada trabalha a tempo parcial. 848,9 mil indivíduos têm contrato a termo ou outro e representam já 22 por cento dos trabalhadores por conta de outrem.

A tudo isto some-se os baixos salários praticados em Portugal e tente imaginar-se o resultado de uma política económica que escolheu, como via para ultrapassar a crise, a redução dos salários, a precariedade e o aumento do desemprego

in «http://abrasivo.blogs.sapo.pt», 17.02.2010
 
(*) sabe-se lá se os números não são a la grega

O Polvo

O polvo desmascarado:



O Polvo

Uma interessante entrevista de Mário Crespo ao «Correio da Manhã»: o PS devia afastar o José!

17/02/2010

Interessante entrevista de Manuel Araújo (presidente do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais) ao «Ordem Livre»:

Previsões em 2008

Sócrates e a liberdade

EM CONSEQUÊNCIA DA REVOLUÇÃO DE 1974, criou raízes entre nós a ideia de que qualquer forma de autoridade era fascista. Nem mais, nem menos. Um professor na escola exigia silêncio e cumprimento dos deveres? Fascista! Um engenheiro dava instruções precisas aos trabalhadores no estaleiro? Fascista! Um médico determinava procedimentos específicos no bloco operatório? Fascista! Até os pais que exerciam as suas funções educativas em casa eram tratados de fascistas.

Pode parecer caricatura, mas essas tontices tiveram uma vida longa e inspiraram decisões, legislação e comportamentos públicos. Durante anos, sob a designação de diálogo democrático, a hesitação e o adiamento foram sendo cultivados, enquanto a autoridade ia sendo posta em causa. Na escola, muito especialmente, a autoridade do professor foi quase totalmente destruída.

EM TRAÇO GROSSO, esta moda tinha como princípio a liberdade. Os denunciadores dos “fascistas” faziam-no por causa da liberdade. Os demolidores da autoridade agiam em nome da liberdade. Sabemos que isso era aparência: muitos condenavam a autoridade dos outros, nunca a sua própria; ou defendiam a sua liberdade, jamais a dos outros. Mas enfim, a liberdade foi o santo e a senha da nova sociedade e das novas culturas. Como é costume com os excessos, toda a gente deixou de prestar atenção aos que, uma vez por outra, apareciam a defender a liberdade ou a denunciar formas abusivas de autoridade. A tal ponto que os candidatos a déspota começaram a sentir que era fácil atentar, aqui e ali, contra a liberdade: a capacidade de reacção da população estava no mais baixo.

POR ISSO SINTO INCÓMODO em vir discutir, em 2008, a questão da liberdade. Mas a verdade é que os últimos tempos têm revelado factos e tendências já mais do que simplesmente preocupantes. As causas desta evolução estão, umas, na vida internacional, outras na Europa, mas a maior parte residem no nosso país. Foram tomadas medidas e decisões que limitam injustificadamente a liberdade dos indivíduos. A expressão de opiniões e de crenças está hoje mais limitada do que há dez anos. A vigilância do Estado sobre os cidadãos é colossal e reforça-se. A acumulação, nas mãos do Estado, de informações sobre as pessoas e a vida privada cresce e organiza-se. O registo e o exame dos telefonemas, da correspondência e da navegação na Internet são legais e ilimitados. Por causa do fisco, do controlo pessoal e das despesas com a saúde, condiciona-se a vida de toda a população e tornam-se obrigatórios padrões de comportamento individual.

O CATÁLOGO É ENORME. De fora, chegam ameaças sem conta e que reduzem efectivamente as liberdades e os direitos dos indivíduos. A Al Qaeda, por exemplo, acaba de condicionar a vida de parte do continente africano, de uma organização europeia, de milhares de desportistas e de centenas de milhares de adeptos. Por causa das regulações do tráfego aéreo, as viagens de avião transformaram-se em rituais de humilhação e desconforto atentatórios da dignidade humana. Da União Europeia chegam, todos os dias, centenas de páginas de novas regulações e directivas que, sob a capa das melhores intenções do mundo, interferem com a vida privada e limitam as liberdades. Também da Europa nos veio esta extraordinária conspiração dos governos com o fim de evitar os referendos nacionais ao novo tratado da União.

MAS NEM É PRECISO IR LÁ FORA. A vida portuguesa oferece exemplos todos os dias. A nova lei de controlo do tráfego telefónico permite escutar e guardar os dados técnicos (origem e destino) de todos os telefonemas durante pelo menos um ano. Os novos modelos de bilhete de identidade e de carta de condução, com acumulação de dados pessoais e registos históricos, são meios intrusivos. A videovigilância, sem limites de situações, de espaços e de tempo, é um claro abuso. A repressão e as represálias exercidas sobre funcionários são já publicamente conhecidas e geralmente temidas. A politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros revela as intenções e os apetites do Primeiro-ministro. A interdição de partidos com menos de 5.000 militantes inscritos e a necessidade de os partidos enviarem ao Estado a lista nominal dos seus membros é um acto de prepotência. A pesada mão do governo agiu na Caixa Geral de Depósitos e no Banco Comercial Português com intuitos evidentes de submeter essas empresas e de, através delas, condicionar os capitalistas, obrigando-os a gestos amistosos. A retirada dos nomes dos santos de centenas de escolas (e quem sabe se também, depois, de instituições, cidades e localidades) é um acto ridículo de fundamentalismo intolerante. As interferências do governo nos serviços de rádio e televisão, públicos ou privados, assim como na “comunicação social” em geral, sucedem-se. A legislação sobre a segurança alimentar e a actuação da ASAE ultrapassaram todos os limites imagináveis da decência e do respeito pelas pessoas. A lei contra o tabaco está destituída de qualquer equilíbrio e reduz a liberdade.

NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.

TEMOS DE RECONHECER: tão inquietante quanto esta tendência insaciável para o despotismo e a concentração de poder é a falta de reacção dos cidadãos. A passividade de tanta gente. Será anestesia? Resignação? Acordo? Só se for medo...

António Barreto
in «Público», "Retrato da Semana", 06.01.2008

Maputo a ferro e fogo

Os negócios da droga continuam a fazer vítimas em Maputo: dois agentes da Polícia de Investigação Criminal foram atraídos para emboscadas montadas por quadrilhas ligadas ao tráfico de droga e roubo de viaturas. Terminaram assassinados a rajadas de Kalashnikov.Há suspeitas de informação passada de dentro da PIC para elementos a soldo dos meliantes.

Segundo o «Notícias» de Maputo, dois agentes da Polícia de Investigação Criminal (PIC), na cidade de Maputo, foram, em menos de 48 horas, baleados brutalmente por indivíduos ainda desconhecidos e a monte.

O primeiro caso registou-se na noite do sábado 13, junto ao Jardim 28 de Maio ou Jardim dos "Madjermane", no Alto Maé, e o segundo aconteceu pouco depois das 15 horas de da segunda 15, em plena Avenida Marginal, na zona do Clube Naval.

No segundo assassinato, ao que o «Notícias» apurou de fontes policiais, encontrou a morte o agente Ricardo Mondlane, que se fazia transportar numa viatura Toyota Hilux, que momentos antes da sua morte teria sido contatado, via telefone, por um conhecido seu, para resolver um assunto. O local combinado foi a zona do Clube Naval, próximo das bombas da BP, uma área concorrida por muita gente em busca de momentos de lazer, em dias de altas temperaturas.

Mondlane terá sido o primeiro a chegar, tendo se mantido no interior da sua viatura à espera dos indivíduos que o teriam contactado. Momentos depois terá chegado ao ponto combinado um mini-bus Toyota Coaster, de matrícula não apurada, de onde desceram três indivíduos fortemente armados. Usando três armas do tipo AKM, os atiradores dispararam contra o agente da PIC que perdeu a vida de imediato após ser atingido por vários tiros em diversas regiões da sua cabeça.

Dias Balate, director da PIC na cidade de Maputo, que esteve no local momentos depois do crime, disse ser prematuro avançar com qualquer pormenor sobre o que teria acontecido, reservando para um outro momento esclarecimentos sobre o assunto. Contudo, indicou que a corporação estava chocada com o que aconteceu e que tudo será feito para que os autores do crime sejam encontrados e que possam responder em juízo.

O corpo da vítima permaneceu dentro da viatura por mais de 45 minutos, isto após a realização de exames periciais por parte dos colegas. Por causa disso, o trânsito na zona da Marginal ficou condicionado.

Entretanto, o assassinato de sábado, no qual foi morto um outro agente da PIC, identificado pelo nome de Mahoze, as autoridades policiais confirmaram, também, tratar-se de uma emboscada movida por meliantes ainda a monte. A vítima aparentava 25 anos e foi surpreendida por criminosos que dispararam, primeiro, vários tiros sobre os pneus da sua viatura e, uma vez imobilizada, trataram de atirar contra ele, sucumbindo a caminho do hospital.

Tal como no outro caso, a Polícia diz estar a trabalhar com todas as informações disponíveis para se chegar aos autores do crime, não descartando a possibilidade de os dois homicídios estarem interligados, sobretudo quando se olha para o intervalo de tempo em que ocorreram e as caraterísticas brutais que  os rodearam.

in «Jornal Notícias», Maputo, 16.02.2010

16/02/2010

O que acontece quando o que tinha um custo fica gratuito?

Plano \nclinado

Esta edição do «Plano Inclinado» é uma viva denúncia do engano a que os portugueses estão sujeitos: a manipulação da opinião pública, a falsificacação de estatísticas, a inversão da realidade, a anestesia da democracia pela ação das 'agências de comunicação', a camuflagem da lenta agonia do país, dirigido por políticos maioritariamente incompetentes (urgente ver):

15/02/2010

Novo governador do Banco de Portugal

O novo governador do Banco de Portugal, que vem substituir Vítor Constâncio - eleito vice-governador do Banco Central Europeu, é uma figura independente e bem conhecida dos portugueses:
(créditos fotográficos de http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

Sōkrátēs e Sócrates

Há comparações que vale a pena fazer:

Sōkrátēs buscava o Conhecimento. O seu método para o alcançar era o diálogo e a humildade em formular todas as perguntas.
Sócrates prefere o Desconhecimento. O seu método para o alcançar é o monólogo e a arrogância de calar todas as perguntas.

Um pensamento de Sōkrátēs - Quatro caraterísticas deve ter um juiz: ouvir cortesmente, responder sabiamente, ponderar prudentemente e decidir imparcialmente.
Um pensamento de Sócrates - Quatro caraterísticas deve ter um juiz: não ouvir escutas, responder obedientemente, ponderar nos riscos que corre e decidir se quer continuar a ter emprego.

Sōkrátēs provocou uma ruptura sem precendentes na Filosofia grega.
Sócrates provocou uma ruptura sem precendentes na auto-estima dos portugueses.

Sōkrátēs tinha um lema: Só sei que nada sei.
Sócrates tem um lema: Eu é que sei.

Sōkrátēs auto- intitulava-se "um homem pacífico"
Sócrates auto-intitula-se "um animal feroz".

Sōkrátēs foi condenado à morte por cicuta.
Sócrates foi condenado pelas escutas.

Sōkrátēs deixou incontáveis dádivas.
Sócrates deixa incontáveis dívidas.

A crise na Educação

Hannah Arendt (*) (1906—1975) escreveu «A crise na Educação», em 1957, antecipando as razões da crise que adivinhava para o sistema educacional norte-americano e que, receava, se estenderia ao resto do mundo:

- a separação do mundo adulto e mundo infantil;
- a pedagogia "progressista" que mistura coisas com sentido com idiotices;
- a infatilização dos alunos, o substituir, tanto quanto possível, o aprender pelo fazer.

A função da escola é ensinar às crianças como o Mundo é e não instruí-las na arte de viver.

(*) Em 1941, Hannah Arendt passou por Lisboa, como refugiada, a caminho dos Estados Unidos.