Mostrar mensagens com a etiqueta Socialismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Socialismo. Mostrar todas as mensagens

01/10/2010

Um dia negro para Portugal

O dia 29 de Setembro de 2010 foi um dia negro para os portugueses. Os portugueses acordaram a meio de um pesadelo e caíram da cama.

Às 20 horas, todos os canais televisivos retomaram as «Conversas em Família». O menino Zequinha desfiava, sem corar, um novo pacote de mentiras. Mais uma vez, os seus olhos de patife, saltitavam da esquerda para a direita sem fitar nenhum membro da família. Tentava que não se percebesse que é um mentiroso compulsivo.

Depois disso, o ministro das Finanças suíço analisou a situação portuguesa no parlamento do seu país e, claro, não se conseguiu conter perante uma realidade tão estranha:

30/09/2010

Um ano de circo no manicómio

Após o anúncio de "corajosas" medidas pela camarilha socretina, convém rebobinar o filme «O maluquinho de São Bento» e tentar perceber se Portugal tem gente séria ao volante, antes que chegue a próxima curva:

26/09/2010

A minha carteira

Sr. Ministro, quer a minha carteira?

Teixeira dos Santos pensa e atua como se fosse dono das nossas carteiras. Há 14 mil (14 000) entidades dependentes do Orçamento, mas o governo não quer tocar neste enxame. Só quer tocar na nossa carteira.


I. Em Maio, o PS pediu mais impostos, porque o "mundo mudou numa semana". Lembram-se dessa? Em Maio, o mundo mudou numa semana, segundo o nosso primeiro-ministro. Bom, o PSD lá fez o acordo: sim, senhora, há mais impostos, mas, em troca, a despesa tem de cair. Estamos em Setembro, a receita está em alta (graças aos impostos), mas a despesa não pára de aumentar. Por incompetência e por cobardia política, o governo não está a cortar na despesa, ou seja, não está a cumprir o acordo que fez com o país (não foi só com o PSD). Pior: o PS não cumpriu o que prometeu e, agora, ainda por cima, aponta o dedo ao PSD, tentando culpabilizar os laranjinhas. Como salientou Martim Silva, a actuação do governo está a ser lamentável.

II. Por amor de deus, nós temos 14 mil organismos (14 000) atrelados ao orçamento de estado. Isto, meus amigos, é um escândalo. Há por aí 14 mil coisas e coisinhas a sugar os nossos impostos , e o PS não é capaz de cortar umas centenas destes organismos? Alguém pode dizer com cara séria que todas estas 14 mil instituições são necessárias? Não é evidente que centenas e centenas destes organismos (sobretudo institutos e fundações) deviam ser extintos? Dr. Teixeira dos Santos, V. Exa. está a gozar com quem? Há por aí 14 mil entidades públicas, e V. Exa. só pensa em aumentar impostos? De onde vem essa sua obsessão carnal pela minha carteira?

III. Meus amigos, em 2000, a dívida pública era de 50,4% do PIB. Em 2010, essa dívida vai cair nos 85% do PIB. Um aumento de 35 pontos em 10 anos . E este abismo torna-se verdadeiramente assustador quando juntamos a estas contas as dívidas dos privados: 159% do PIB. Ou seja, Portugal deve ao exterior 245% do seu PIB. Eis um retrato de um país que se infantilizou numa década. Tal como as crianças, o país perdeu a noção do abismo que separa o querer e o poder. Pior: ao mesmo tempo que ocorreu este aumento pornográfico da nossa dívida, a nossa economia foi perdendo força. Entre 1985 e 1991, Portugal cresceu 5,5% ao ano. Entre 1991 e 2001, esse valor caiu para os 2,7%. Entre 2001 e 2010, o crescimento tem sido inferior a 1%. Meus amigos, perante todos estes factos, uma coisa é certa: o que vem aí não é bonito, mas é necessário. Cortes brutais na despesa, medidas draconianas para forçar a poupança, etc. Agarrem-se.

Henrique Raposo
in «Expresso», 24.09.2010

24/09/2010

Mensalão - edição 1

Hoje é dia de mensalão.
Faz hoje anos que rebentou o "Escandâlo do Mensalão", em 2004.

Temos de dar os parabéns ao presidente Lula da Silva por ter conseguido escapar por entre os pingos da chuva.

Na sequência das investigações feitas pelas autoridades, Lula da Silva não sabia de nada e tua foi preparado nas suas costas pelos seus mais próximos colaboradores.

Mas é isso mesmo, Lula não sabia de nadica de nada.

Tá aí meu povo: vocês querem mesmo um Mensalão nº 2?

Os bons e os maus

A escola inclusiva socretina... O colapso económico de Portugal... e tudo bem para a cambada que vive a mamar da teta do Estado.

O homem do circo bem apontado.

23/09/2010

A Chuva de Estrelas Socretina

Manuela Ferreira Leite tinha razão: o endividamento era o nosso maior problema. A ex-presidente do PSD apontou para a realidade. E, na resposta, o que fez o país? Disse, com desprezo, "por amor de deus!", como José Sócrates.

I. É bom ter memória. Há um ano, Ferreira Leite e José Sócrates enfrentaram-se num debate televisivo, o mais importante das eleições legislativas. Na altura, eu disse que Ferreira Leite saiu vencedora desse embate. "Ah, estás louco?", foi a reacção de boa parte das pessoas. "Então não vês que ele é melhor na TV?!". Pois, de facto, Sócrates é mais fotogénico do que Ferreira Leite. Mas há um problema grandote nessa abordagem: a Política não é a Chuva de Estrelas. Para mal dos pecados de propagandistas como Sócrates, a política tem de lidar com a realidade a não com a realidade virtual do power point. Enquanto Ferreira Leite falou da realidade, José Sócrates criou a sua realidade paralela, onde o TGV era imprescindível e onde o endividamento não era um problema. Lembram-se do que dizia José Sócrates quando Ferreira Leite levantava o problema do endividamento? Eu ajudo: o primeiro-ministro punha um ar de desprezo e dizia "por amor de deus", ou "basta de bota-abaixismo".

Na altura, escrevi isto:
Vasco Pulido Valente afirmou que este foi um embate "entre um propagandista (aliás, bom) e uma pessoa séria". Eu diria que foi um embate entre um político que nunca sai do power point virtual (Sócrates) e um político que nunca sai da realidade (Ferreira Leite). Sócrates desprezou, por completo, o problema do endividamento. Como é que o PM pode desprezar o facto mais marcante da economia portuguesa?

Um ano depois, não mudo uma linha. Mais: desde Novembro (dois meses depois das eleições), o país vive ensombrado pela dívida e pela incapacidade do PS em lidar com esse problema.

II. Ferreira Leite tinha razão, mas o país não quis saber. Preferiu ir na cantiga do propagandista. Sim, Ferreira Leite nunca percebeu que, em democracia, não basta ter razão. É preciso criar um discurso que entre no ouvido das pessoas. Sem dúvida: Ferreira Leite falhou neste ponto. Mas também não se pode esquecer a forma como a elite (jornalistas e comentadores) trataram Ferreira Leite. A "velhota" era sempre gozada. Eu até percebo que o "povo" vá na cantiga irrealista de José Sócrates. Mas já não percebo a forma como a elite se comportou. Não percebo. Este elite (jornalistas e comentadores) deve vigiar o poder, deve comparar o discurso com a realidade. Ora, Ferreira Leite tinha razão, os factos deram-lhe razão, e, mesmo assim, a ex-Presidente do PSD continua a ser "gozada" pela elite. O que isto nos diz sobre a nossa cultura política?

III. Setembro de 2010 está a meter todo o peso da realidade nos argumentos de Ferreira Leite. Aqueles que, em Setembro de 2009, apenas gozavam com Ferreira Leite deviam pensar naquilo que andam a fazer.

Política não é a Chuva de Estrelas.

Henrique Raposo
in «Expresso», 21.09.2010

29/08/2010

Don Corleone ...


... e o problema do momento:

15/08/2010

Umbigo socialista

Caro dr. Mário Soares, este telegrama ultrameganeoliberal tem um propósito simples: provar que V. Exa. não percebe nada da União Europeia (UE). Nada. Aliás, o meu caro amigo está, desde já, chumbado a Integração Europeia.

V. Exa. estabelece sempre uma ligação direta entre a UE e o Estado social. Na sua cabeça, a UE é sinónimo de Estado social. Pior: é sinónimo do Estado social que existe aqui no sul da Europa. Como é óbvio, o seu raciocínio está errado. A UE, meu caro, não mete aquele burocrático bedelho nos assuntos do Estado social. A construção do Estado social é uma tarefa que cabe, em exclusivo, aos Estados. É por isso que não existe um modelo social europeu, mas sim diversos modelos. O modelo nórdico, por exemplo, tem uma natureza liberal, enquanto o modelo sulista tem um carácter socialista e corporativo. O Estado social é, portanto, uma peça local, e não federal. A verdadeira atividade da UE incide sobre uma coisa que está a milhas ideológicas do Estado social, a saber: o mercado único. O coração da UE é liberal, e não social, meu caro Mário. E sabe porquê? Porque o comércio livre é a primeira linha de defesa contra o fantasma do nacionalismo. Se V. Exa. não entende isto, então V. Exa. não compreende a natureza da UE, e a sua 'Europa' é apenas uma extensão do seu umbigo ideológico.

V. Exa. devia prestar mais atenção aos socialistas franceses, que sempre rotularam a UE de 'inimiga' do Estado social francês. Não por acaso, os socialistas gauleses têm um discurso soberanista e até xenófobo ("canalizador polaco"). Claro que esta xenofobia de esquerda é disfarçada pelos constantes gritos contra o 'neoliberalismo'. Quando xingam o 'neoliberalismo', os esquerdistas franceses (e portugueses) deixam de ser nacionalistas, e passam a ser querubins do santo esquadrão que combate a globalização, ou coisa assim. Maravilhas da semântica. Mas, meu caro Mário, não se iluda: o Estado social é, neste momento, um motor do nacionalismo. Na segunda metade do século XX, a UE foi feita contra o nacionalismo de direita. Agora, a UE será feita contra este nacionalismo de esquerda.

O meu caro amigo criou a III República com base em duas narrativas fundadoras: Portugal devia estar no coração da UE, e devia construir um modelo social francês. Ora, em 2010, podemos dizer que as duas narrativas estão em rota de colisão. Ou saímos da UE para mantermos o Estado social com sotaque francês, ou ficamos na UE e reformamos o estado social (adotando um sotaque nórdico ou polaco). V. Exa. vai ter de escolher: ou está com a Europa, ou está com o nacionalismo dos direitos adquiridos.

Henrique Raposo
in »Expresso», 23.07.2010

11/08/2010

Lula vai ser xingado

O socialismo-trabalhista-petista no seu melhor:

- Vai trabalhar malandro, deixa de ser otário;

- Você não vai ser eleito, malandro...

03/08/2010

Aniversário do diabo

É difícil dizer isto mas, para casos de incorrigíveis criminosos, só fazem falta as balas que se perdem.

Foi o caso de Jonas Malheiro Savimbi, nascido a 3 de Agosto de 1934, que na sua terrível ambição de alcançar o poder - uma tradição bem africana - não hesitou em lançar Angola numa desumana guerra cívil, em 1992.

Capaz de fazer pactos com o próprio diabo, Savimbi já anteriormnete se tinha aliado com o colonialismo português para combater o MPLA, com a China para combater os soviéticos e com o apartheid para combater os cubanos.

Na data do aniversário do nascimento deste diabo, vale a pena mostrar com que companhia andava em 1991, numa curiosa aliança entre o socialismo português e o tribalismo africano:

Socialismo: "Me liga Oi"

Parece ter finalmente chegado ao fim o episódio do controlo da Vivo pela Telefónica.

De acordo com a maior parte dos analistas, a história terá tido um final feliz: a interferência do Governo traduziu-se num encaixe adicional de 315 milhões de euros por parte dos accionistas, e a PT mantém-se no Brasil, tal como o Governo pretendia. No campo político, a interferência terá certamente gerado dividendos: afinal, o Governo atuou como catalisador do orgulho nacional, numa contenda que evoca temas tão profundos como Aljubarrota, o futebol, Pedro Álvares Cabral e a Lusofonia. Além disso, a manutenção da PT em rédea curta é consistente com uma forte influência do Estado na esfera dos negócios, o que pode revelar-se útil em circunstâncias várias.

Depois de tudo o que li, no entanto, confesso que não me sinto minimamente esclarecido numa questão essencial: afinal, onde estava o interesse nacional que motivou a intervenção do Governo em primeiro instância?

É um facto que na altura em que a PT foi privatizada, os estatutos da empresa eram conhecidos. Em particular, sabia-se que existiam ações especiais, que apenas poderiam ser detidas pelo setor público e que conferiam aos seus detentores poder de veto em matérias diversas, designadamente no que respeita à nomeação de dirigentes e à política de participações da empresa. Por conseguinte, os eventuais prejuízos decorrentes de interferências administrativas nas decisões da empresa deveriam estar já devidamente descontados nos preços das ações, sob a forma de um prémio de risco acrescido.

Mas a materialização da prerrogativa num caso como este não era à partida evidente: é que, ao forçar a presença da PT no Brasil e, mais do que isso, ao inviabilizar uma transacção entre duas empresas pertencentes a dois Estados-membros da União Europeia, o Governo não só negou aos acionistas a possibilidade de influenciar as decisões da sociedade na proporção das suas ações, como além disso atropelou o princípio fundamental da livre circulação de capitais, pondo em causa o compromisso do País com o funcionamento do Mercado Único. Não sendo tal matéria de somenos, impunha-se que a este processo estivesse associada uma razão imperiosa de interesse nacional. Ora, não é nada óbvio que a presença da PT no Brasil preencha o requisito.

Diz o Governo que a presença da PT no Brasil é essencial, pois só assim a empresa terá escala suficiente para inovar e, por essa via, contribuir para o desenvolvimento do País. Mas a justificação é frágil. Por essa ordem de ideias, concluiríamos que o País estaria melhor servido se o Estado possuísse também acções de oiro no BPI, na Sonae ou na Jerónimo Martins, e se as usasse para impedir a venda dos respectivos ativos no estrangeiro, por muito atrativas que os acionistas considerassem as ofertas. Como é evidente, forçar uma empresa a investir num país estrangeiro contra a vontade dos seus acionistas não tem nada a ver com o interesse nacional. Ao País, o que interessa é que os investidores façam escolhas acertadas e obtenham boas rendibilidades nos seus negócios e nessa matéria cada investidor será o melhor juiz dos seus próprios interesses.

Como é evidente, nem sempre os interesses privados alinham com o interesse coletivo. E nomeadamente no caso da PT, há áreas onde se justifica a intervenção do Estado. Mas será a detenção de acções de oiro a modalidade mais eficaz para lidar com o problema? Claramente não.

Uma matéria onde os interesses do País podem colidir com os interesses dos acionistas da PT é a necessidade de garantir a universalidade do serviço de telecomunicações. Na medida em que a prossecução de tal objectivo implique a presença da empresa em segmentos de rentabilidade negativa, o mesmo não seria assegurado numa lógica meramente privada. No entanto, essa situação está já devidamente acautelada no contrato de concessão entre o Estado e a PT. De facto, ao abrigo desse contrato, a PT obriga-se a prestar alguns serviços considerados de utilidade pública, mesmo que não sejam rentáveis. E precisamente, para que os accionistas não sejam prejudicados, estabelece-se o direito da empresa a indemnizações compensatórias, que o Estado português é chamado a pagar todos os anos. Isto é: a PT presta um serviço público e o contribuinte paga. Este mecanismo é eficaz e suficiente para garantir a prestação do serviço público, não resultando em excesso de intervenção (*). Já a detenção de acções de oiro, além de redundante, viola o princípio da proporcionalidade: nomear gestores e restringir a política de participações da empresa para garantir a universalidade do serviço de telecomunicações é utilizar um canhão para matar uma mosca.

Uma segunda matéria onde, no caso da PT, se justifica a intervenção é a necessidade de assegurar a disponibilidade da rede de telecomunicações numa situação de guerra, catástrofe natural ou terrorismo. No entanto, também neste caso o recurso às ações de oiro é redundante. De facto, o contrato de concessão entre o Estado e a PT já prevê a possibilidade de o Estado assumir o comando da empresa, em caso de guerra ou crise grave. Essa cláusula chega e sobra para acautelar o interesse geral em tempo de guerra. A extensão desses poderes aos tempos de paz é claramente excessiva e viola mais uma vez o princípio da proporcionalidade.

(*) É importante notar que o direito comunitário não vê as indemnizações compensatórias como impedimentos à concorrência, precisamente por se tratarem de compensações por serviços de interesse geral que o livre funcionamento do mercado não permitiria assegurar. Mas ninguém duvida que a Comissão não aceitaria como indemnização compensatória qualquer contrapartida que o Estado Português entendesse atribuir à PT pelo facto de esta ter feito um investimento desastroso na Oi. O mais natural seria considerar tal apoio como um Auxilio de Estado incompatível com as regras da concorrência. Esta alusão mostra por absurdo quão questionável é a tese de que a presença da PT no Brasil constitua matéria de interesse geral.

Miguel Lebre de Freitas, docente Universitário
in «Jornal de Negócios», 03.08.2010
 

02/08/2010

Socretinice "Me liga Oi"

I. Tal como salientou João Vieira Pereira (Expresso de Sábado), alguma coisa não está bem na venda da Vivo. Eu acrescento: o que não está mesmo nada bem é a actuação do nosso distinto primeiro-ministro, Sua Alteza José Sócrates, o génio da economia. Ora, vamos lá recorrer a esse instrumento fora de moda chamado "cronologia".

II. Sócrates começou por dizer que a PT não devia vender a Vivo, porque a Vivo era do "interesse nacional". Pois, pois. Passadas três semanas, este raciocínio desapareceu. A Vivo foi vendida, e o mesmo Sócrates veio dizer que "sim, senhora". O que mudou nestas três semanas? Bom, mudou a proposta da Telefónica. Se não estou em erro, a empresa espanhola, depois do bloqueio provocado pela golden share, meteu mais 350 milhões de euros em cima da mesa. Perante isto, pergunta-se: o "interesse nacional" é vendável apenas por 350 milhões? Pior: como é óbvio, esta venda não beneficia o país no seu todo; beneficia apenas os acionistas privados. Ou seja, objetivamente (repito: objetivamente), o "interesse nacional" de Sócrates beneficiou apenas os acionistas privados da PT. Meus amigos, as empresas devem fazer pela vidinha. Não há cá anjinhos no mundo dos negócios. Mas é irritante perceber que o sagrado e imaculado "interesse nacional" defende apenas os interesses privados dos acionistas das empresas com golden share.

III. Mas vamos lá pensar noutro - hipotético - cenário, um cenário onde os acionistas privados também são prejudicados. Se era do "interesse nacional" manter a Vivo, Sócrates devia ter mantido a sua posição inicial. Se era para vender a Vivo, então arrecadava-se o dinheiro e, depois, com tempo, investir-se-ia o dinheiro noutro sítio. Mas não foi isso que aconteceu. Como salienta João Vieira Pereira, "a PT foi obrigada por Sócrates a ir, a correr, às compras no Brasil". Assim, devido a esta pressa socrática, a golden share acabou por custar dinheiro à PT. A posição na Oi valia - no mercado - 2,8 milhões de euros, mas a PT comprou-a por 3,7 milhões. Esta diferença (900 milhões) é superior aos dividendos gerados pelo primeiro "não" de Sócrates (350 milhões).

IV. Portanto, alguém é capaz de me explicar esta espessa irracionalidade económica? José Sócrates deu aquele primeiro "não" apenas para subir uns pontinhos nas sondagens, enquanto cavaleiro anti-Castela? É só isso? Ou há aqui mais qualquer coisa? Quem ganhou o quê com este negócio? É que o país não ganhou nada, e a PT - enquanto multinacional - também não.

Henrique Raposo
in «Expresso», 02.08.2010

28/07/2010

Adeus Vivo, me liga Oi

Ao contrário do patrioteirismo socretino que abusou de uma golden share ilegal sobre o negócio PT-Telefónica envolvendo a brasileira Vivo, o mercado internacional acha que a operadora espanhola ganhou a batalha e obteve os seus objetivos.

Tanto espetáculo para chegar ao mesmo resultado.

27/07/2010

Sistema bancário europeu em grande perturbação

A dívida total bruta portuguesa ao exterior atinge 233% (a dívida líquida será sensivelmente de metade do valor indicado) sendo o Estado responsável por 60%, o Banco de Portugal por 14%, a banca comercial por 114% e as empresas privadas não bancárias por 34%.

Algumas das maiores empresas portuguesas, como a PT e a EDP, têm enormes dívidas ao estrangeiro e distribuem dividendos pelos seus acionistas (estrangeiros na maior parte) embora  solicitem empréstimos para financiamento.

Eis o desenvolvimento guterro-socretino. E os burros, são os alemães?
___________________________________________
Sistema bancário europeu em grande perturbação

O sistema bancário da UE está em grande perturbação. Muitos dos maiores bancos da UE estão assentados sobre centenas de milhares de milhões de euros de títulos soberanos duvidosos e sobre empréstimos imobiliários incumpridos. Mas registarem as suas perdas esgotaria o seu capital e forçá-los-ia a reestruturar a sua dívida. De modo que os bancos estão a esconder as suas perdas através de prestidigitações contabilísticas e pela tomada de dinheiro emprestado do Banco Central Europeu. Isto tem ajudado a esconder o apodrecimento no coração do sistema.

Atualmente 170 bancos estão a ter dificuldade de acesso aos mercados grossistas onde obtêm o seu financiamento. Instituições financeiras escusam-se a emprestar umas às outras porque não estão seguras de quem está solvente ou não. É uma questão de confiança.

O governador do BCE, Jean-Claude Trichet, tenta manter os problemas debaixo do pano, mas os mercados não são facilmente enganados. Indicadores de stress, como o euribor, elevaram-se durante os últimos dois meses. Os investidores sentem que algo cheira mal. Eles sabem que os bancos estão a brincar o jogo das escondidas com ativos degradados e sabem que Trichet está a ajudá-los.

Na semana passada as acções animaram-se com a notícia de que bancos da UE reembolsariam a maior parte do empréstimo de emergência de €442 mil milhões do BCE. A notícia foi sobretudo um truque publicitário concebido para esconder o que realmente acontecia. Sim, os bancos os bancos tomaram emprestado significativamente menos do que analistas haviam previsto (outros €132 mil milhões), mas apenas dois dias depois 78 bancos tomaram emprestado outros €111 mil milhões. Os empréstimos adicionais sugerem que Trichet inventou tudo para induzir investidores.

Os bancos da UE estavam empenhados nas mesmas actividades de alto riscos dos seus homólogos dos EUA. Comportavam-se imprudentemente em mercados especulativos que foram impulsionados com a máxima alavancagem. Banqueiros arrecadaram centenas de milhares de milhões em salários e bónus antes de a bolha estourar. Agora o valor dos títulos que compraram afundou, de modo que se voltam para o BCE à procura de salvamento. Soa familiar?

Trichet é um representante da indústria bancária, tal como Geithner e Bernanke. A sua tarefa é manter o poder político e económico dos bancos e transferir as perdas para o público. Actualmente, o BCE proporciona empréstimos "ilimitados" a bancos submersos de modo a que possam manter a aparência de solvência. Trichet reduziu taxas a 1 por cento, proporcionou um abrigo seguro para depósitos overnight e iniciou um programa agressivo de compra de títulos (Facilidade Quantitativa, Quantitative Easing, QE), o qual mantém artificialmente altos preços de títulos soberanos. As avaliações de activos de bancos são apoiadas por uma autoridade central e não reflectem o verdadeiro preço de mercado.

O mercado do financiamento por grosso (repo) não encerrou. Os bancos ainda podem permutar os seus títulos soberanos e títulos imobiliários por empréstimos a curto prazo. Ele exige meramente que façam um pequeno corte (haircut) no valor do seu colateral, o qual seria então registado como uma perda deixando-lhe capital enfraquecido (impaired). É assim que os mercados funcionam, mas aos bancos não é exigido que joguem de acordo com as regras.


Da Bloomberg News: "Prestamistas europeus têm US$2,29 milhões de milhões (trillions) na Grécia, Itália, Portugal e Espanha no fim de 2009, incluindo empréstimos a governos, segundo o Bank for International Settlements... Reduções do valor contabilístico de bancos alemães sobre empréstimos e títulos provavelmente alcançarão US4314 mil milhões no fim de 2010, com bancos prestamistas estatais e bancos de poupança a enfrentarem o grosso das perdas, disse o Fundo Monetário Internacional num relatório de Abril".

Vêem? O BCE não está a comprar títulos gregos por causa de uma "crise da dívidas soberana". Está a comprá-los a fim de que os bancos não percam dinheiro. A própria "crise de dívida soberana" é exagero de relações públicas. Se se tornar demasiado dispendioso financiar operações do governo, a Grécia pode deixar a UE e retornar à dracma a qual dar-lhe-ia maior flexibilidade para regularizar as suas dívidas. Isso aumentaria a procura por exportações gregas e melhoraria o turismo. Esta é a melhor solução para a Grécia. Então, onde está a crise?

ABANDONO DA UE = PREJUÍZO PARA BANCOS ALEMÃES E FRANCESES

Se a Grécia, Portugal e Espanha deixarem a UE e reestruturarem a sua dívida, bancos na Alemanha e França ficarão e incumprimento e possuidores de títulos perderão as suas camisas. Por outras palavras, os investidores, que assumiram um risco, perderão dinheiro – o que é o modo como o sistema supostamente funciona.

Bloomberg outra vez: "Os bancos da região reduziram o valor de uma percentagem proporcionalmente mais baixa dos seus activos do que os seus homólogos dos EUA. Os bancos dos EUA terão reduzido 7 por cento dos seus activos no fim de 2010 e bancos da euro-área 3 por cento segundo o FMI. Bancos europeus ainda não mostraram aos analistas terem completado as suas reduções". (Bloomberg)

Assim, os bancos estão submersos, mas nada tem sido feito para consertar o problema. Onde estão os reguladores?

Na quinta-feira, o euribor atingiu uma altura de 10 meses. A pressão está a aumentar apesar dos programas de emergência de Trichet. Os empréstimos bancários do BCE são de aproximadamente €800 mil milhões ao passo que os depósitos overnight são grosso modo de €240 mil milhões. Trichet está desejoso de arrastar a UE para 10 ou 15 anos de crescimento medíocre e alto desemprego (como o Japão) a fim de impedir que um punhado de banqueiros e portadores de títulos aceitem as suas perdas. Se as coisas ficarem bastante más, Trichet pode recorrer à "opção nuclear", isto é, permitir que um grande banco impluda "estilo Lehman" de modo a que ele possa extorquir centenas de milhares de milhões de euros dos estados membros da UE. Isto já foi feito antes; basta perguntar a Bernanke ou Paulson.

A FRAUDE DO "TESTE DE STRESS"

Os testes de stress dos bancos nos EUA foram organizados pelo Tesouro como medida de "construção de confiança". Eles permitiram que os bancos utilizassem os seus próprios modelos internos para determinar o valor de títulos complexos. A mesma regra será aplicada aos bancos da UE. O Daily Telegraph informa que alguns dos bancos realmente testar-se-ão a si próprios. Pelos menos isso afasta qualquer dúvida acerca dos resultados.

Da Bloomberg News – "Testes europeus de stress a 91 dos maiores bancos da região provocam a crítica de analistas que dizem estarem os reguladores a subestimar prováveis perdas em títulos governamentais gregos e espanhóis. Os testes são concebidos para avaliar como bancos serão capazes de absorver perdas em empréstimos e títulos do governo, disse ontem o Comité de Supervisores da Banca Europeia. Reguladores disseram aos prestamistas que os testes podem assumir uma perda em torno de 17 por cento da dívida do governo grego, 3 por cento em títulos espanhóis e nenhum na dívida alemã, disseram duas pessoas que resumiram as conversações, as quais não quiseram identificar-se porque os pormenores são de ordem privada.

Os mercados de crédito estão a considerar perdas da ordem dos 60 por cento nos títulos gregos se o governo entrar em incumprimento, mais de três vezes o nível que se diz ter sido assumido pelo CEBS. Derivativos conhecidos como recovery swaps são comerciados a taxas que implicam que os investidores obteriam cerca de 40 por cento num incumprimento ou reestruturação da Grécia". (Bloomberg)

Os testes são uma piada. Os bancos continuarão a utilizar mudanças de regras contabilísticas e outros truques para que as suas perdas não se vejam. Trichet utilizará os testes para intensificar o seu programa de compra de títulos (QE) o qual transferirá as perdas dos bancos para dentro dos estados membros. Muitos dos bancos estão insolventes e precisam reestruturação. Mas eles não estão em perigo real, porque ainda têm domínio sobre o processo.

Mike Whitney
in «http://www.informationclearinghouse.info/article25910.htm», 09.07.2010

[o único banco português, de confiança, Largo Fialho de Almeida, Cuba, Portugal]

12/07/2010

Colonial golden share

Tudo isto faz lembrar a colonial folly de outro governo que, há cerca de meio século, decidiu que era do "interesse estratégico" do país manter, não companhias de telemóveis no Brasil, mas a administração portuguesa nas terras de África.

Porque é que o Governo quer a PT no Brasil? Ou bem que a PT está lá porque tem meios para isso e é do interesse dos seus acionistas, ou então não deve nem pode estar. Contra a evidência, o Governo chamou a depor o fantasma dos "interesses estratégicos de Portugal e da PT". Que "interesses" são esses, que não se identificam nem com os dos acionistas da PT nem com os dos consumidores portugueses, a quem a expansão ultramarina da PT nunca poupou a preços dos mais caros da Europa? O Governo zela por um Portugal que não tem a ver com os portugueses, e por uma PT que não tem a ver com os seus acionistas.

O «Financial Times» decifrou o episódio como um caso de colonial folly: com a golden share, o Governo perverteu um investimento empresarial, transformando-o numa deslocada e insustentável projeção de soberania. O objetivo é defender a qualquer custo a sombra da bandeira numa antiga colónia? Se não é, parece. E, ao parecer, faz-nos lembrar a colonial folly de outro governo que, há cerca de meio século, decidiu que era do "interesse estratégico" do país manter, não companhias de telemóveis no Brasil, mas a administração portuguesa nas terras de África. Não se tratava então de enfrentar apenas Bruxelas, mas o mundo quase todo. Para quem duvidava, havia sabatinas de "geoestratégia", em que militares modernaços ensinavam que isso da "descolonização" era uma treta, que o que estava em causa era a disputa dos mercados emergentes, e que Portugal, se não queria ficar de fora, tinha de recorrer ao poder político (a golden share era então uma G3).

A opção colonial do Estado Novo levou ao 25 de Abril. Mas, antes disso, autorizou os salazaristas a justificar a persistência da ditadura num país que se estava a integrar na Europa ocidental através do comércio, do turismo e da emigração. A adesão de Alegre e de Louçã à aventura neocolonial do socialismo português sugere que algo de semelhante se passa hoje: os telemóveis brasileiros estão a ser usados para validar um estatismo em colapso.

Trata-se de uma questão ideológica: perante a bancarrota do Estado social, é preciso ressalvar o princípio de que só o Estado vê em grande, que só o Estado vive no longo prazo, que só o Estado sabe o que nos convém, que só o Estado pode defender um "interesse estratégico" cuja sublime conceção nos há-de escapar sempre a nós, simples mortais, acionistas e consumidores que apenas queremos ganhar ou poupar dinheiro, inconscientes dos grandes jogos de poder mundial em que os nossos estadistas estão envolvidos. O Estado cobra-nos cada vez mais para nos dar cada vez menos, mas é lá que brilha sempre a chama que alumia o universo. "Se alguém não sabia disso, agora ficou a saber", proclamou o nosso líder supremo, com as botas de D. João II.

Na década de 1960, o colonialismo deu uma dúzia de anos de oxigénio a uma ditadura que perdia a razão de ser. É duvidoso que este precário devaneio neocolonial segure o poder vigente. Seja como for, os socialistas deviam lembrar-se de que o salazarismo durou, mas apenas para cair de mais alto - e de vez.

Rui Ramos
in «Expresso», 03.07.2010

07/07/2010

O neo-salazarismo

I. O PS comporta-se como o senhor do "europeísmo" português. Foi o PS que colocou Portugal na CEE, e blá, blá. Foi o PS que "fez" o Tratado de Lisboa, e blá, blá. Durante mais de um ano, o PS não se calou com o Tratado de Lisboa. Mas, agora, no meio da crise, o PS está a comportar-se de forma pouco europeísta, recorrendo ao velho "soberanismo" salazarista. O europeísmo do PS é só de boca. Quando as regras europeias põem em causa o "amiguismo" do regime (i.e., o capitalismo chico esperto) , o PS passa a ser anti-europeu.

II. Mário Soares está sempre a criticar o BCE. O "soarismo" quer continuar a gastar sem disciplina, e, por isso, o BCE e a Alemanha são os inimigos. Agora é José Sócrates que ataca a Comissão Europeia. É óbvio que a golden share é ilegal, segundo os padrões e regras da UE.

III. Há dias, escrevi sobre um certo "neo-salazarismo" que está a afectar a nossa esquerda , e José Sócrates fez o favor de confirmar a minha tese através da sua atitude populista perante a Comissão Europeia. As instituições internacionais (sobretudo as instituições da UE) estão a colocar Portugal perante a realidade: o país está a gastar mais do que pode; o nosso Estado Social está acima das suas possibilidades. Como sempre, a nossa esquerda recusa enfrentar o mal, e virou os seus canhões para os mensageiros do mal (a Comissão Europeia, o BCE, a Alemanha, etc.). Uma miséria intelectual. Uma vergonha política.

Henrique Raposo
in «Expresso», 06.07.2010

30/06/2010

Burrada na Vivo

O governo socretino acaba de impedir a venda da parte (50%) que a PT tem na operadora brasileira Vivo. A proposta apresentada pela operadora espanhola Telefónica - 7.150 milhões de euros - representou 90% do valor bolsista da operadora portuguesa e foi aprovada por uma elevada maioria de 74% dos acionistas.

A esquerda cretácica aplaudiu mais uma escandalosa intromissão socretina na propriedade privada, em nome de um nebuloso interesse estratégico do país. Para quem tem passado o tempo a interferir e a colocar boys na gestão da PT, convenhamos que é uma argumento estafado.

Mas o pior está para vir: o Tribunal de Justiça da União Europeia, a 8 de Julho, vai-se pronunciar sobre a legalidade dos direitos especiais do Estado na PT, sendo muito forte a possibilidade de obrigar à sua eliminação ou provocar uma OPA sobre a própria PT (quem dá 90% dá 100%).

Na verdade, o governo socretino fez um piscar de olhos aos cretácicos para mais tarde se defender com a culpa da UE.

O certo é que a oferta da Telefónica permitiria uma reformulação estratégica da Portugal Telecom, livrando-se definitivamente destes espanhóis que há anos andam a dar facadas no matrimónio e, em alternativa, relançar-se numa aliança com operadoras brasileiras para, desse ponto de apoio, entrar na América Hispânica. Mantendo um casamento à força, a PT passa estar sujeitas aos caprichos da Telefónica na gestão da Vivo e de que já há ameaças conhecidas (congelamento de dividendos, bloqueio de decisões, etc.).

Se a Telefónica desistir da oferta - entretanto prolongada até 16 de Julho - o governo socretino terá deitado para o lixo um valor correspondente a 4% do PIB português, o que para burrada, só lhe faltam as orelhas...

24/06/2010

As SCUT de António Guterres

O problema das SCUT, que rebentou agora, foi criado por António Guterres. É bom ter memória: Guterres é o grande responsável pelo estado do país.

I. A ideia de que podia haver auto-estradas gratuitas é uma ideia típica do guterrismo. Nesse período, o PS elevou ao máximo o dogma de que o Estado pode dar tudo às pessoas. Desde o rendimento mínimo (a SCUT de Ferro Rodrigues) até às SCUT (de João Cravinho), António Guterres fez do Estado o pai natal dos portugueses. Criou-se a ideia de que tudo era de borla. Foi esta sorridente maneira de governar que criou o tal "pântano". E, quando viu a sua obra pantanosa, Guterres abandonou o país de forma inacreditável. Guterres abandonou o país.

II. O actual problema das portagens nas SCUTs representa, de forma quase perfeita, a relação entre o "guterrismo" e o "socratismo": a governação de José Sócrates tem consistido na retirada das benesses dadas por António Guterres; Sócrates está a tirar ao país aquilo que Guterres deu de maneira totalmente irresponsável. Verdade seja dita, quando penso em Guterres, a minha aversão a Sócrates até diminui um pouco. Antes de José Sócrates, o grande culpado pelo estado do pais chama-se António Guterres.

III. Portugal devia fazer um acordo como a ONU: devíamos pagar uma taxa para manter Guterres como alto-comissário vitalício para os refugiados. Guterres será um bom diplomata lá fora, mas foi um péssimo político cá dentro.

Henrique Raposo
in www.expresso.pt), 24.06.2010

16/06/2010

Uma experiência socialista

Um professor de economia na Universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo. '

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós.

Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."
Adrian Pierce Rogers, 1931

15/06/2010

Palhaçadas

Acho que os portugueses andam a ser enganados desde que fugiram os palhaços do circo.

Chico