| Sócrates, o filósofo parisiense |
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04/11/2012
Descoberta
Sócrates, é um exemplo a seguir: se todos os políticos o seguissem e fossem viver para o estrangeiro...
vivia-se muito melhor em Portugal.
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28/10/2012
A propósito de respeitar a vontade popular...
Como é possível um vigarista dar uma entrevista para não dizer nada sobre a atualidade e continuar a roubar o seu país?
Guebuzices em direto:
Guebuzices em direto:
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24/10/2012
20/10/2012
Ali Babá e o Inatel
Há muito que o Inatel se transformou num instrumento rosa para arregimentação de simpatias, compra de consciências e propaganda dos soaristas de Setúbal.
Gasto sumptuosos, remunerações escandalosas, empregos para os camaradas, multiplicação de administradores e chefias, ajudas aos amigalhaços, luxos permanentes e muitas outras tropelias, que mais faltou a afundar o Inatel?
Abre-te Sésamo... é o verdadeiro socialismo das quotas dos trabalhadores!
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13/10/2012
O prédio dos Angolanos
Nos últimos anos, o novo-riquismo angolano tornou-se lendário em Portugal. Dirigentes angolanos, suas famílias e associados de negócios têm estado a adquirir, nesta parte da península ibérica, alguns dos principais símbolos da opulência local.
Caso paradigmático é o do complexo residencial de luxo Estoril Sol Residence, que comporta três edifícios de uma arquitetura singular e controversa, no Estoril, na orla marítima de Lisboa.
Caso paradigmático é o do complexo residencial de luxo Estoril Sol Residence, que comporta três edifícios de uma arquitetura singular e controversa, no Estoril, na orla marítima de Lisboa.
O complexo tem dos apartamentos mais caros de Portugal, que variam do milhão a cerca de cinco milhões de euros por unidade. O complexo é bem conhecido como o "prédio dos angolanos", por serem estes os principais clientes do referido projecto imobiliário, inaugurado há dois anos, com a titularidade de perto de 30 apartamentos.
Numa breve investigação, Maka Angola apurou quem são os ricos angolanos com propriedades no Estoril Sol Residence.
O atual ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, António Domingos Pitra Costa Neto, é dono de cinco apartamentos na Torre Baía, no 3º, 5º, 7º, 9º e 14º andares, estando os primeiros quatro em nome da sua filha Katila Pitra da Costa, estudante.
Pitra Neto deverá ser o próximo presidente da Assembleia Nacional, depois das eleições de 31 de Agosto próximo, conforme cogitações emanadas da presidência de José Eduardo dos Santos.
Tanto no 9º como no 14º andar, o ministro Pitra Neto tem como vizinhos o casal Kopelipa. Fátima Geovetty, a esposa do ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Manuel Hélder Vieira Dias "Kopelipa", adquiriu dois apartamentos. O fiel escudeiro do general Kopelipa nos seus negócios privados, Domingos Manuel Inglês, fica a meio, no 12º andar.
Na torre ao lado, Cascais, o principal gestor de negócios um tanto obscuros do general, o português Ismênio Coelho Macedo, desfruta da grande vista para o mar, com um apartamento no 4º andar.
Outro comprador extraordinário é o ex-ministro das Finanças, José Pedro de Morais, com quatro apartamentos, também na Torre Baía, no 1º, 2º, 4º e 5º pisos.
Por sua vez, o brasileiro Valdomiro Minoro Dondo, também portador de nacionalidade angolana, tem um apartamento no 11º andar da Torre Estoril. Valdomiro Minoro Dondo tem cruzado negócios com o general Kopelipa, José Pedro de Morais, Pitra Neto, a família presidencial e outros influentes membros do regime. A sua formidável capacidade para o tráfico de influências conferiu-lhe o interessante título de "estrangeiro mais rico de Angola".
Por sua vez, outro brasileiro, associado a Minoro Dondo e a dirigentes angolanos, Gerson António de Sousa Nascimento é dono de um duplex, na Torre Estoril, no 6º e 7º andares.
O sócio e representante legal de alguns negócios de Welwitchia "Tchizé" dos Santos, Walter Virgínio Rodrigues, demonstrou que os negócios lhe têm corrido de feição e comprou um apartamento no 8º andar da Torre Estoril. Como celebração do contrato multimilionário realizado entre o Ministério da Comunicação Social e a empresa Westside Investments para a gestão privada do Canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA), a sócia maioritária, "Tchizé" dos Santos, agraciou-o com um bónus de US $500 mil, enquanto a filha do presidente atribuiu-se, a si própria, com fundos do erário público, um prémio de um milhão e meio de dólares.
Outro angolano que faz parte do selecto grupo de proprietários do Estoril Sol Residence é o antigo director da Endiama, Noé Baltazar.
Apesar dos preços, os angolanos, regra geral, compram vários apartamentos, de forma ostensiva. Algumas das aquisições levantaram suspeitas junto das autoridades judiciais portuguesas que, para o efeito, abriram inquéritos.
Um dos inquiridos, por suspeita de branqueamento de capitais, foi o presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Álvaro Sobrinho. A 2 de Setembro de 2010, Álvaro Sobrinho adquiriu seis apartamentos no referido complexo tendo inicialmente pago o valor de 9.5 milhões de euros, segundo investigações do Diário de Notícias. Os seus irmãos Sílvio e Emanuel Madaleno também são detentores de mais três apartamentos no Estoril Sol.
Há ainda os angolanos que optaram por usar testas de ferro mais discretos na aquisição de propriedades.
Entre o investimento legítimo e o branqueamento de capitais, Portugal continua a ser o destino preferido dos ricos angolanos e a sua melhor lavandaria financeira.
O atual ministro da Administração Pública, Emprego e Segurança Social, António Domingos Pitra Costa Neto, é dono de cinco apartamentos na Torre Baía, no 3º, 5º, 7º, 9º e 14º andares, estando os primeiros quatro em nome da sua filha Katila Pitra da Costa, estudante.
Pitra Neto deverá ser o próximo presidente da Assembleia Nacional, depois das eleições de 31 de Agosto próximo, conforme cogitações emanadas da presidência de José Eduardo dos Santos.
Tanto no 9º como no 14º andar, o ministro Pitra Neto tem como vizinhos o casal Kopelipa. Fátima Geovetty, a esposa do ministro de Estado e chefe da Casa Militar, general Manuel Hélder Vieira Dias "Kopelipa", adquiriu dois apartamentos. O fiel escudeiro do general Kopelipa nos seus negócios privados, Domingos Manuel Inglês, fica a meio, no 12º andar.
Na torre ao lado, Cascais, o principal gestor de negócios um tanto obscuros do general, o português Ismênio Coelho Macedo, desfruta da grande vista para o mar, com um apartamento no 4º andar.
Outro comprador extraordinário é o ex-ministro das Finanças, José Pedro de Morais, com quatro apartamentos, também na Torre Baía, no 1º, 2º, 4º e 5º pisos.
Por sua vez, o brasileiro Valdomiro Minoro Dondo, também portador de nacionalidade angolana, tem um apartamento no 11º andar da Torre Estoril. Valdomiro Minoro Dondo tem cruzado negócios com o general Kopelipa, José Pedro de Morais, Pitra Neto, a família presidencial e outros influentes membros do regime. A sua formidável capacidade para o tráfico de influências conferiu-lhe o interessante título de "estrangeiro mais rico de Angola".
Por sua vez, outro brasileiro, associado a Minoro Dondo e a dirigentes angolanos, Gerson António de Sousa Nascimento é dono de um duplex, na Torre Estoril, no 6º e 7º andares.
O sócio e representante legal de alguns negócios de Welwitchia "Tchizé" dos Santos, Walter Virgínio Rodrigues, demonstrou que os negócios lhe têm corrido de feição e comprou um apartamento no 8º andar da Torre Estoril. Como celebração do contrato multimilionário realizado entre o Ministério da Comunicação Social e a empresa Westside Investments para a gestão privada do Canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA), a sócia maioritária, "Tchizé" dos Santos, agraciou-o com um bónus de US $500 mil, enquanto a filha do presidente atribuiu-se, a si própria, com fundos do erário público, um prémio de um milhão e meio de dólares.
Outro angolano que faz parte do selecto grupo de proprietários do Estoril Sol Residence é o antigo director da Endiama, Noé Baltazar.
Apesar dos preços, os angolanos, regra geral, compram vários apartamentos, de forma ostensiva. Algumas das aquisições levantaram suspeitas junto das autoridades judiciais portuguesas que, para o efeito, abriram inquéritos.
Um dos inquiridos, por suspeita de branqueamento de capitais, foi o presidente do Banco Espírito Santo Angola (BESA), Álvaro Sobrinho. A 2 de Setembro de 2010, Álvaro Sobrinho adquiriu seis apartamentos no referido complexo tendo inicialmente pago o valor de 9.5 milhões de euros, segundo investigações do Diário de Notícias. Os seus irmãos Sílvio e Emanuel Madaleno também são detentores de mais três apartamentos no Estoril Sol.
Há ainda os angolanos que optaram por usar testas de ferro mais discretos na aquisição de propriedades.
Entre o investimento legítimo e o branqueamento de capitais, Portugal continua a ser o destino preferido dos ricos angolanos e a sua melhor lavandaria financeira.
Rafael Marques de Morais, 26.06.2012
in http://makaangola.org/2012/07/26/o-predio-dos-angolanos-no-estoril-sol/
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07/10/2012
Capitalismo lavado
Nos últimas semanas entraram malas de dinheiro em Portugal.
Dinheiro que havia saído ilegalmente, passou por cá, foi amnistiado, pagou imposto e voltou, quase todo, a sair. Sem cheiro nem mácula, uma limpeza. Limpando consciências. Limpando até culpas de casos como o Monte Branco, de Michel Canals. O cofre do Fisco é um lavatório.
É conhecido por uma sigla-palavrão, RERT III, e é basicamente uma amnistia fiscal.
Terminou ontem, não foi a primeira, foi a mais rentável de todas.
Estamos a falar de dinheiro, muito dinheiro, que ao longo de anos saiu ilegalmente de Portugal. Desde património que saiu depois do 25 de Abril até rendimentos escondidos incluindo, suspeita-se, rendimentos ilícitos. Estamos a falar de dinheiro não declarado ao Fisco, de capitais que saíram pelas enormes nesgas dos sistemas financeiros e dos seus intermediários.
Com esta amnistia fiscal, mais de 2,7 mil milhões de capitais que tinham fugido ilegalmente de Portugal vieram, nas últimas semanas, absolver-se de culpa. 2,7 mil milhões. É mais do que o Estado corta este ano em pensões e salários dos funcionários públicos.
Os Estados fazem estes programas por pragmatismo. O dinheiro não voltará doutro modo, mais vale abrir as carteiras e fechar os olhos.
Assim é em Portugal, como em Espanha. Quase sempre com grande incidência na Suíça, o país da lucrativa neutralidade. E fazem-no para ter receita fiscal na legalização e para ver capital entrar no país, melhorando a balança de pagamentos e injetando liquidez nos bancos.
Desta vez não foi assim. O Estado abdicou da entrada dos capitais, bastou-lhe cobrar um imposto, 7,5% sobre o capital legalizado. A receita ultrapassou os 200 milhões. O Governo fará disto um sucesso. É o imposto do branqueamento legal.
É pragmatismo limpo.
É capitalismo sujo.
A Europa está tão ocupada com o risco sistémico que não lhe interessa o risco moral. Está tão sequiosa de capital que não lhe olha à proveniência. Os evasores, se pagarem, são capitalistas bem-vindos.
Não somos mais um Estado de bem, tornámo-nos um Estado de bens. Quem os tem, vem.
Há a moral, há a lei e depois há a justiça. E aqui há uma suspeita que se torna legítima, e que é grave.
Uma das razões para esta amnistia ter sido tão lucrativa foi o facto de o dinheiro não ter de ficar em Portugal, viajou num vaivém, aninhando-se de novo nas almofadas de uma conta estrangeira onde não se fazem perguntas. Mas há outra razão. A operação Monte Branco. Ou um enorme calafrio.
Como o Negócios hoje revela, nas últimas semanas houve uma corrida à amnistia. Na base dessa corrida terá estado a mediatização do caso Monte Branco, de Michel Canals, e o profuso noticiário sobre gente suspeita, buscada e escutada, que encheu a quota nacional de escândalos de colarinho branco. O próprio secretário de Estado Paulo Núncio admitiu já a correlação.
A pergunta é: é para isso que a Justiça se faz notícia, para causar medo e levar os endinheirados a pagar impostos?
Quando alguém adere ao RERT, assina um papel em que assume ter tirado ilegalmente dinheiro de Portugal. É uma confissão de culpa, arquivada no esquecimento do sistema. Em troca, paga 7,5% para ser amnistiado. É uma fatura comprada de inocência.
Isto não é justiça, é cobrança de impostos. Já vimos disto na Operação Furacão e está criada a expetativa de arquivamento de casos de evasão fiscal da Operação Monte Branco se os suspeitos pagarem as dívidas que lhes puserem à frente. É difícil ser mais eficaz e, ao mesmo tempo, assustador.
Será por isso que os "famosos" que são arguidos, escutados, denunciados nunca são sequer julgados? Porque pagam para não o serem? E, pior, será para levá-los a isso que o circo é montado, manipulando a Justiça? Não, não pode ser verdade. Deve ser o ar de agosto, sol a mais, as férias, o sal do mar pelas narinas. Ou então…
Não, não pode ser.
Pedro Santos Guerreiro
in «Jornal de Negócios», 06.08.2012
Dinheiro que havia saído ilegalmente, passou por cá, foi amnistiado, pagou imposto e voltou, quase todo, a sair. Sem cheiro nem mácula, uma limpeza. Limpando consciências. Limpando até culpas de casos como o Monte Branco, de Michel Canals. O cofre do Fisco é um lavatório.
É conhecido por uma sigla-palavrão, RERT III, e é basicamente uma amnistia fiscal.
Terminou ontem, não foi a primeira, foi a mais rentável de todas.
Estamos a falar de dinheiro, muito dinheiro, que ao longo de anos saiu ilegalmente de Portugal. Desde património que saiu depois do 25 de Abril até rendimentos escondidos incluindo, suspeita-se, rendimentos ilícitos. Estamos a falar de dinheiro não declarado ao Fisco, de capitais que saíram pelas enormes nesgas dos sistemas financeiros e dos seus intermediários.
Com esta amnistia fiscal, mais de 2,7 mil milhões de capitais que tinham fugido ilegalmente de Portugal vieram, nas últimas semanas, absolver-se de culpa. 2,7 mil milhões. É mais do que o Estado corta este ano em pensões e salários dos funcionários públicos.
Os Estados fazem estes programas por pragmatismo. O dinheiro não voltará doutro modo, mais vale abrir as carteiras e fechar os olhos.
Assim é em Portugal, como em Espanha. Quase sempre com grande incidência na Suíça, o país da lucrativa neutralidade. E fazem-no para ter receita fiscal na legalização e para ver capital entrar no país, melhorando a balança de pagamentos e injetando liquidez nos bancos.
Desta vez não foi assim. O Estado abdicou da entrada dos capitais, bastou-lhe cobrar um imposto, 7,5% sobre o capital legalizado. A receita ultrapassou os 200 milhões. O Governo fará disto um sucesso. É o imposto do branqueamento legal.
É pragmatismo limpo.
É capitalismo sujo.
A Europa está tão ocupada com o risco sistémico que não lhe interessa o risco moral. Está tão sequiosa de capital que não lhe olha à proveniência. Os evasores, se pagarem, são capitalistas bem-vindos.
Não somos mais um Estado de bem, tornámo-nos um Estado de bens. Quem os tem, vem.
Há a moral, há a lei e depois há a justiça. E aqui há uma suspeita que se torna legítima, e que é grave.
Uma das razões para esta amnistia ter sido tão lucrativa foi o facto de o dinheiro não ter de ficar em Portugal, viajou num vaivém, aninhando-se de novo nas almofadas de uma conta estrangeira onde não se fazem perguntas. Mas há outra razão. A operação Monte Branco. Ou um enorme calafrio.
Como o Negócios hoje revela, nas últimas semanas houve uma corrida à amnistia. Na base dessa corrida terá estado a mediatização do caso Monte Branco, de Michel Canals, e o profuso noticiário sobre gente suspeita, buscada e escutada, que encheu a quota nacional de escândalos de colarinho branco. O próprio secretário de Estado Paulo Núncio admitiu já a correlação.
A pergunta é: é para isso que a Justiça se faz notícia, para causar medo e levar os endinheirados a pagar impostos?
Quando alguém adere ao RERT, assina um papel em que assume ter tirado ilegalmente dinheiro de Portugal. É uma confissão de culpa, arquivada no esquecimento do sistema. Em troca, paga 7,5% para ser amnistiado. É uma fatura comprada de inocência.
Isto não é justiça, é cobrança de impostos. Já vimos disto na Operação Furacão e está criada a expetativa de arquivamento de casos de evasão fiscal da Operação Monte Branco se os suspeitos pagarem as dívidas que lhes puserem à frente. É difícil ser mais eficaz e, ao mesmo tempo, assustador.
Será por isso que os "famosos" que são arguidos, escutados, denunciados nunca são sequer julgados? Porque pagam para não o serem? E, pior, será para levá-los a isso que o circo é montado, manipulando a Justiça? Não, não pode ser verdade. Deve ser o ar de agosto, sol a mais, as férias, o sal do mar pelas narinas. Ou então…
Não, não pode ser.
Pedro Santos Guerreiro
in «Jornal de Negócios», 06.08.2012
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25/09/2012
Guebuzistão, o reino do ladrão
Era uma vez, nas longínquas terras africanas, existia um reino para lá do comum. Algumas pessoas chamavam-no "Pérola do Índico" e outras simplesmente "Pátria de Heróis". Mas havia uns que preferiam designá-lo "Guebuzistão".
Pouco importa o nome, bem poderia ser "Pátria Amada" ou "Pátria Qualquer Coisa", mas tinha de ter um Rei.
O Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e ampliar o seu património (financeiro) pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i) merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como :
"Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade".
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de "Revolução Verde" que morreu antes de nascer, inventou a história de "Jatropha" que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de "Cesta Básica" que ninguém chegou a ver.
Aliás, para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada "Auto-estima" e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou ainda uma guerra que denominou "Combate à Pobreza Absoluta" e, até então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não têm motivos para lutar, uma vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem escudo, apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os meios de repressão modernos ao seu dispor.
Chamaram o rapaz à razão, mas ele fez orelhas moucas. Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime.
Num certo dia, quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos carrascos. Foi encarcerado. Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida. Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
*PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.*
Mia Couto
Pouco importa o nome, bem poderia ser "Pátria Amada" ou "Pátria Qualquer Coisa", mas tinha de ter um Rei.
O Soberano, de nome desconhecido, tinha quatro paixões (só não se sabe se é nesta ordem), designadamente helicóptero, piripiri, cachimbo e ampliar o seu património (financeiro) pessoal para lá de insuportável, adquirindo participações nas poucas empresas que movimentavam a economia daquele reino. Mas há quem fala de uma quinta paixão: adorava ser bajulado.
Como todo o Rei, ele tinha os seus funcionários – verdadeiros mestres em reproduzir o discurso da sua majestade – que fingiam estar preocupados com o bem-estar do povo, quando, na verdade, acomodavam a corrupção e o nepotismo.
Diga-se, o reino parecia um covil de abutres com as unhas cravadas na garganta dos súbditos que eram forçados a viver à intempérie, sem transporte, um sistema de saúde condigno e uma educação decente.
Apesar de as estatísticas mostrarem, vezes sem conta, o crescimento da economia local, os súbditos continuavam a morrer de fome, miséria (i) merecida e doenças curáveis. Mas o Rei cinicamente continuava a repetir até à náusea – qual um robô programado – qualquer coisa como :
"Estamos no bom caminho, rumo à prosperidade".
Quando o povo pedia pão e água, o Rei e os seus sequazes serviam excessivamente NADA, quando não eram overdoses de promessas e discursos cheios de nada e de nenhuma coisa.
Nas suas habituais brincadeiras e com o apoio dos seus títeres, começou por falar de "Revolução Verde" que morreu antes de nascer, inventou a história de "Jatropha" que continua sem pernas para andar e, mais tarde, forjou uma tal de "Cesta Básica" que ninguém chegou a ver.
Aliás, para entreter e domesticar o povo, compôs uma canção intitulada "Auto-estima" e decidiu dividir o reino em três gerações. Engendrou ainda uma guerra que denominou "Combate à Pobreza Absoluta" e, até então, ninguém sabe em que estágio se encontra a luta. Mas uma coisa é certa: ninguém deu o primeiro tiro, até porque os soldados de ontem não têm motivos para lutar, uma vez que levam uma vida abastada.
Cansado de receber o atestado de estupidez que era passado a todos os súbditos daquele reino, um jovem desconhecido decidiu rebelar-se. Sem escudo, apenas com uma azagaia, dispôs-se a fazer frente à monarquia e todos os meios de repressão modernos ao seu dispor.
Chamaram o rapaz à razão, mas ele fez orelhas moucas. Inebriado pelo apoio que recebia do povo, o jovem seguia, sem escudo (apenas com azagaia), desferindo violentos golpes ao regime.
Num certo dia, quando se preparava para arremessar mais uma lança, caiu nas mãos dos carrascos. Foi encarcerado. Motivo: levava consigo uma erva que naquele reino era proibida. Paradoxalmente, prenderam-no por transportar apenas quatro gramas de uma planta proibida, mas ninguém prende os guardiões do Rei que exportam impune e sistematicamente FLORESTAS DE MADEIRA PROIBIDA para o reino de Bruce Lee.
Contudo, há quem acredite que foi mesmo por causa do instrumento de combate. Dois dias depois, o rapaz foi liberto, mas não se sabe se ele viverá feliz para sempre.
*PS: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.*
Mia Couto
NR: texto dedicado por "Tempos Modernos" para assinalar o dia 25 de setembro e o congresso do Partido de Ali Babá e os demais ladrões. O escritor é alheio à escolha deste jornal.
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Negociatas
24/09/2012
O buraco
Há gente que ainda não percebeu a dimensão do buraco financeiro em que Portugal foi metido pelos socretinos.
E há gente que, por mais que se explique, nunca vai perceber o que está calculado, demonstrado e escrito aqui no Blasfémias mesmo que se destaque que a Dívida Pública por português aumentou 93% durante a gestão socretina:
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22/09/2012
Culpado, procura-se!
Este homem é responsável pelo estado de miséria a que Portugal chegou.
Em seis anos que esteve à frente do país, duplicou a sua dívida soberana, endividou-o junto de credores internacionais, patrocionou as grandes ruinosas negociatas conhecidas por "parcerias público-privadas" e promoveu duvidosos negócios com amigos.
Em maio de 2011, Portugal entrou em bancarrota ao deixar de ter dinheiro para pagar salários de funcionários públicos e pensionistas.
Enquanto milhares de portugueses estão no desemprego, passam fome ou são forçado a emigrar, o principal culpado frequenta os cafés de Paris a 15 mil euros por mês...
Falta chamá-lo a tribunal!
Em seis anos que esteve à frente do país, duplicou a sua dívida soberana, endividou-o junto de credores internacionais, patrocionou as grandes ruinosas negociatas conhecidas por "parcerias público-privadas" e promoveu duvidosos negócios com amigos.
Em maio de 2011, Portugal entrou em bancarrota ao deixar de ter dinheiro para pagar salários de funcionários públicos e pensionistas.
Enquanto milhares de portugueses estão no desemprego, passam fome ou são forçado a emigrar, o principal culpado frequenta os cafés de Paris a 15 mil euros por mês...
Falta chamá-lo a tribunal!
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10/09/2012
Manifestação contra o racismo em Angola
A antiga e repetida expressão do "perigo amarelo" ganha uma nova vida em Angola.
É o novo colonialismo. E a nova escravatura.
É sabido que a antiga escravatura levada a cabo pelos negreiros europeus, era feita com profunda conivência comercial dos reis, régulos e tiranetes africanos que, para o efeito, faziam guerras de razia pelo interior do continente para capturar as suas vítimas, depois enviadas para as plantações nas Américas.
Hoje, a China investe em massa no continente em busca desenfreada de recursos minerais e agrícolas. Para isso, despeja dólares sobre os novos tiranetes africanos e explora selvaticamente as florestas, as minas e a mão de obra local.
É o novo colonialismo. E a nova escravatura.
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01/09/2012
Isabel, a dona de Angola
O descaramento destes novos exploradores é impressionante. A inginheira Isabel dos Santos, cuja fortuna lhe caiu nos bolsos das negociatas do papá Zédu, consegue, sem se envergonhar um pouquinho, dar conselhos, aos seus concidadãos, sobre como trabalhar.
Não fora a "carinha loroca" que a garota tem, seria caso para dizer que, na TV, em programa de garota é garota de programa ou então, tem muita grana.
TVA, 28.08.2012
Não fora a "carinha loroca" que a garota tem, seria caso para dizer que, na TV, em programa de garota é garota de programa ou então, tem muita grana.
TVA, 28.08.2012
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13/07/2012
09/07/2012
Sócrates "à Paris"
Sócrates vive em Paris há uma ano com as despesas pagas pela mãe, uma pobre reformada como doméstica.
Enquando completa estudos de Ciência Política na Universidade "Sciences-Po", vai botando discurso em várias instituições.
Enquando completa estudos de Ciência Política na Universidade "Sciences-Po", vai botando discurso em várias instituições.
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Opinião
07/07/2012
25/06/2012
Ali Babá
Quando o Papa João Paulo II veio a Moçambique, perguntou a Joaquim Chissano:
- Porque precisas de teres tantos minístros (12) neste país tão pobre?
Chissano respondeu:
- Sua Santidade, Jesus também tinha 12 apóstolos e também era pobre.
Se o Papa Bento XVI viesse hoje a Moçambique e perguntasse ao Guebas a razão de existirem 40 (ministros e vices-ministros) de certeza que Guebas responderia:
- Sua Santidade, Ali Baba também tinha 40 ladrões!
- Porque precisas de teres tantos minístros (12) neste país tão pobre?
Chissano respondeu:
- Sua Santidade, Jesus também tinha 12 apóstolos e também era pobre.
Se o Papa Bento XVI viesse hoje a Moçambique e perguntasse ao Guebas a razão de existirem 40 (ministros e vices-ministros) de certeza que Guebas responderia:
- Sua Santidade, Ali Baba também tinha 40 ladrões!
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| Emílio, régulo da Polana e Kampfumo |
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14/06/2012
Do latim
O vocábulo "maestro" vem do latim magister e este, por sua vez, do adjectivo magis que significa "mais" ou "mais que".
Na antiga Roma o magister era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!
Por exemplo um Magister equitum era um Chefe de cavalaria, e um Magister Militum era um Chefe Militar.
Já o vocábulo "ministro" vem do latim minister e este, por sua vez, do adjetivo minus que significa "menos" ou "menos que".
Na antiga Roma o magister era o que estava acima dos restantes, pelos seus conhecimentos e habilitações!
Por exemplo um Magister equitum era um Chefe de cavalaria, e um Magister Militum era um Chefe Militar.
Já o vocábulo "ministro" vem do latim minister e este, por sua vez, do adjetivo minus que significa "menos" ou "menos que".
Na antiga Roma o minister era o servente ou o subordinado que apenas tinha habilidades ou era jeitoso.
Como se vê, o latim explica a razão por que qualquer imbecil pode ser ministro... Mas não maestro ou presidente!
Como se vê, o latim explica a razão por que qualquer imbecil pode ser ministro... Mas não maestro ou presidente!
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05/06/2012
02/06/2012
A morte vive no hospital
A vergonha está instalada no Hospital Central de Maputo.
Os doentes são acelerados para morrerem para que as funerárias avisadas de dentro, disputem pelos seus corpos.
Os medicamentos desaparecem da farmácia do hospital para serem revendidos a familiares aflitos.
De forma generalizada, tudo funciona por candonga - estamos facilitar.
O lixo e porcaria acumulam-se. Entra-se doente, sai-se para a cova.
A morte vive no Hospital Central de Maputo.
Chega de guebuzismo.
Os doentes são acelerados para morrerem para que as funerárias avisadas de dentro, disputem pelos seus corpos.
Os medicamentos desaparecem da farmácia do hospital para serem revendidos a familiares aflitos.
De forma generalizada, tudo funciona por candonga - estamos facilitar.
O lixo e porcaria acumulam-se. Entra-se doente, sai-se para a cova.
A morte vive no Hospital Central de Maputo.
Chega de guebuzismo.
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Negociatas
23/04/2012
Guebuza tem comissão
O Presidente da República de Moçambique terá recebido uma comissão entre 35 e 50 milhões de dólares no negócio da compra da Hidroeléctrica Cahora Bassa a Portugal, revelou o portal WikiLeaks, citando telegramas da embaixada dos EUA em Maputo.
Nos documentos, Armando Guebuza é referido como estando envolvido em "todos os acordos de mega projectos de milhões de dólares, com estipulações nos contratos que determinam que se trabalhe com o sector privado moçambicano".
Um exemplo dado é "o envolvimento de Guebuza na compra da barragem de Cahora Bassa ao Governo Português por 950 milhões de dólares". O documento diz que, destes, 700 milhões de dólares foram pagos por um consórcio privado de bancos, organizado por um procurador de Guebuza, tendo o Presidente da República recebido "uma comissão estimada entre 35 milhões de dólares e 50 milhões de dólares" (entre 26,48 milhões de euros e 37,84 milhões de euros ao cambio actual).
"O Banco Português que organizou o financiamento entregou as suas acções no BCI Fomento a uma empresa controlada por Guebuza", refere o documento. A reversão definitiva para Moçambique de Cahora Bassa envolveu o pagamento a Portugal de 950 milhões de dólares ( 650 milhões de euros ao câmbio da altura), 250 milhões pagos após a assinatura do acordo, em Outubro de 2006 em Maputo, pelo presidente moçambicano, Guebuza, e pelo primeiro-ministro português, José Sócrates.
A segunda "tranche" de 700 milhões de dólares foi financiada por um consórcio bancário composto pelo banco português BPI, parceiro da CGD no Banco Fomento, e pelo francês Calyon. A Lusa já tentou, em Maputo, uma reação da Presidência da República às implicações divulgadas pelo portal WikiLeaks, citando telegramas da embaixada norte-americana em Maputo, mas não obteve resposta.
Nos documentos, Armando Guebuza é referido como estando envolvido em "todos os acordos de mega projectos de milhões de dólares, com estipulações nos contratos que determinam que se trabalhe com o sector privado moçambicano".
Um exemplo dado é "o envolvimento de Guebuza na compra da barragem de Cahora Bassa ao Governo Português por 950 milhões de dólares". O documento diz que, destes, 700 milhões de dólares foram pagos por um consórcio privado de bancos, organizado por um procurador de Guebuza, tendo o Presidente da República recebido "uma comissão estimada entre 35 milhões de dólares e 50 milhões de dólares" (entre 26,48 milhões de euros e 37,84 milhões de euros ao cambio actual).
"O Banco Português que organizou o financiamento entregou as suas acções no BCI Fomento a uma empresa controlada por Guebuza", refere o documento. A reversão definitiva para Moçambique de Cahora Bassa envolveu o pagamento a Portugal de 950 milhões de dólares ( 650 milhões de euros ao câmbio da altura), 250 milhões pagos após a assinatura do acordo, em Outubro de 2006 em Maputo, pelo presidente moçambicano, Guebuza, e pelo primeiro-ministro português, José Sócrates.
A segunda "tranche" de 700 milhões de dólares foi financiada por um consórcio bancário composto pelo banco português BPI, parceiro da CGD no Banco Fomento, e pelo francês Calyon. A Lusa já tentou, em Maputo, uma reação da Presidência da República às implicações divulgadas pelo portal WikiLeaks, citando telegramas da embaixada norte-americana em Maputo, mas não obteve resposta.
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11/02/2012
Grécia
Entre o póquer e a tragédia
A crise grega aproxima-se de um desenlace. Cresce o número dos que, na Europa, passaram a apostar numa falência da Grécia, porque não faz as reformas exigidas, e daqueles que, na Grécia, estão persuadidos de que os europeus serão obrigados a pagar, façam eles o que fizerem. Este resumo, feito por um diplomata, indica que estamos num momento de fronteira. Para Bruxelas, a falência da Grécia é um pesadelo, pelo risco de efeito em cadeia sobre os países do euro, a começar por Portugal e Espanha. Para os gregos, que repudiam a austeridade mas querem permanecer no euro, a rutura significaria uma catástrofe. Joga-se póquer.
Para lá dos muitos erros e hesitações, a UE queima as derradeiras ilusões de controlar a situação grega. É simples: os governos gregos não querem, e talvez não possam, fazer a maioria das reformas exigidas. A questão excede os interesses eleitorais dos partidos - eleições em Abril - ou a exasperação social: após drásticos sacrifícios, os gregos não vêem perspetiva de saída da crise. O problema excede também o debate sobre a bondade ou a perversão das receitas de austeridade impostas a Atenas. O centro do problema é outro: diz respeito ao Estado, é eminentemente político.
Para que a Grécia se salve, será necessário reformar de alto a baixo o Estado e os "pactos" em que economia e sociedade assentam. O ultimato europeu sobre as reformas, que será debatido amanhã no Parlamento grego, significa fazer explodir o sistema político grego. Nada mais, nada menos.
É inevitável uma passagem pela História. O Estado grego não funciona como os outros. Estigmatizar os gregos é um exercício mistificador. O problema está nas instituições. O Estado, que por vezes foi autoritário, é ao mesmo tempo tentacular e débil.
Após a emancipação do Império Otomano, em 1829, o Estado foi formalmente construído por funcionários alemães que acompanharam o príncipe bávaro Otão. A Grécia era um mosaico populacional e territorial, unido pela religião e pela língua. "A centralização foi imposta por um exército de mercenários europeus contra a resistência de uma sociedade que vivia num quadro político, institucional e cultural otomano, ou seja, fragmentado e reticular", lembra Georges Prevelakis, especialista em geopolítica balcânica.
Ao longo dos séculos XIX e XX, esse Estado foi sendo construído, com avanços e regressões, na base de um compromisso. Prossegue Prevelakis: "O poder serviu-se do aparelho de Estado não apenas como instrumento de repressão mas também como um sistema de distribuição de uma espécie de renda ou tributo. A principal moeda de troca foi o emprego pelo Estado. Um lugar na administração traduzia-se num primeiro tempo em submissão e, depois, em votos".
"O princípio central da sociedade grega foi sempre o clientelismo político, um sistema em que o apoio político é concedido em troca de vantagens materiais", escreve o jornalista Takis Michas. "Neste contexto, é primordial o papel do Estado enquanto principal fornecedor de prestações a grupos e indivíduos." Corrobora o economista Kostas Vergopoulos: "Desde meados do século XIX que nada se pode fazer na Grécia sem passar obrigatoriamente pela máquina do Estado."
Para distribuir uma renda às clientelas, o Estado foi forçado a elevar a carga fiscal sobre a economia, suscitando uma cultura de fraude fiscal; e a recorrer ao empréstimo estrangeiro, o que gerou colapsos das finanças públicas. Atenas esteve sob tutela de uma comissão financeira internacional entre 1897 e 1936, para garantir o pagamento do serviço da dívida aos credores.
Após a queda da "Ditadura dos Coronéis", em 1974, o sistema não mudou, foi modernizado e alargado. Os dois partidos dominantes, o Pasok (social-democrata) e a Nova Democracia (conservador), reorganizaram as redes de patrocínio, graças à adesão à Comunidade Económica Europeia, em 1981. Sobretudo o Pasok, liderado por Andreas Papandreou (pai do ex-primeiro-ministro), promoveu um generoso welfare state assente numa lógica eleitoralista e não numa racionalidade económica, sublinha o politólogo Christos Lyrintsis.
As empresas públicas são a extensão do tentacular Estado clientelar. Os sindicatos, designadamente os do funcionalismo e do sector público, são parte activa deste sistema.
A adesão ao euro resolveu o impasse em que o sistema se encontrava em meados dos anos 1990. Abriu a torneira dos mercados financeiros. Atenas não reunia condições para entrar na moeda única. Deve-o - ironicamente - a Paris e Berlim, guiados por interesses geoestratégicos - estabilizar os Balcãs e o Mediterrâneo Oriental. A Grécia era um pequeno país cuja eventual bancarrota não assustava a próspera UE.
Havia outro factor: "A Grécia ocupa um lugar central no imaginário europeu." A própria criação do Estado grego moderno foi "um grande empreendimento identitário europeu". A Grécia Antiga era a raiz da sua cultura.
Como reformar o Estado clientelar? "A classe política recusa o questionamento da sua política estatista, pois ela permite-lhe constituir clientelas políticas. Na Grécia não se vota por ideologias, vota-se por quem nos ajuda materialmente", diz ao Libération o historiador Nicolas Bloudanis. A tragédia grega é que o seu sistema político impede os seus governos de enfrentar a crise da dívida. Resta a experiência da arriscada explosão do sistema.
Ontem, Atenas parecia estar "a ferro e fogo" e o Governo ameaçava desfazer-se. Sob impulso da Alemanha, e empurrada por opiniões públicas crescentemente hostis à ajuda a Atenas, a UE lançou um ultimato, visando desta vez promover uma espécie de "state building" dentro da própria União. É um jogo de alto risco, que poderá despertar o latente anti-ocidentalismo grego.
A Grécia tem pela frente a escolha entre "ser Europa" ou "regressar aos Balcãs". Mas também é complicada a escolha da UE. Pensando em geopolítica, avisa Prevelakis: "Uma eventual saída da UE, ou mesmo da zona euro, transformaria de novo a Grécia num campo de batalha entre interesses ingleses, alemães, franceses, americanos, russos e chineses." Humilharia e enfraqueceria a Europa, que se quer modelar e "seria obrigada a confessar o fracasso em "europeizar" um Estado, membro há 30 anos e que considera o berço da democracia"
Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 11.02.2012
A crise grega aproxima-se de um desenlace. Cresce o número dos que, na Europa, passaram a apostar numa falência da Grécia, porque não faz as reformas exigidas, e daqueles que, na Grécia, estão persuadidos de que os europeus serão obrigados a pagar, façam eles o que fizerem. Este resumo, feito por um diplomata, indica que estamos num momento de fronteira. Para Bruxelas, a falência da Grécia é um pesadelo, pelo risco de efeito em cadeia sobre os países do euro, a começar por Portugal e Espanha. Para os gregos, que repudiam a austeridade mas querem permanecer no euro, a rutura significaria uma catástrofe. Joga-se póquer.
Para lá dos muitos erros e hesitações, a UE queima as derradeiras ilusões de controlar a situação grega. É simples: os governos gregos não querem, e talvez não possam, fazer a maioria das reformas exigidas. A questão excede os interesses eleitorais dos partidos - eleições em Abril - ou a exasperação social: após drásticos sacrifícios, os gregos não vêem perspetiva de saída da crise. O problema excede também o debate sobre a bondade ou a perversão das receitas de austeridade impostas a Atenas. O centro do problema é outro: diz respeito ao Estado, é eminentemente político.
Para que a Grécia se salve, será necessário reformar de alto a baixo o Estado e os "pactos" em que economia e sociedade assentam. O ultimato europeu sobre as reformas, que será debatido amanhã no Parlamento grego, significa fazer explodir o sistema político grego. Nada mais, nada menos.
É inevitável uma passagem pela História. O Estado grego não funciona como os outros. Estigmatizar os gregos é um exercício mistificador. O problema está nas instituições. O Estado, que por vezes foi autoritário, é ao mesmo tempo tentacular e débil.
Após a emancipação do Império Otomano, em 1829, o Estado foi formalmente construído por funcionários alemães que acompanharam o príncipe bávaro Otão. A Grécia era um mosaico populacional e territorial, unido pela religião e pela língua. "A centralização foi imposta por um exército de mercenários europeus contra a resistência de uma sociedade que vivia num quadro político, institucional e cultural otomano, ou seja, fragmentado e reticular", lembra Georges Prevelakis, especialista em geopolítica balcânica.
Ao longo dos séculos XIX e XX, esse Estado foi sendo construído, com avanços e regressões, na base de um compromisso. Prossegue Prevelakis: "O poder serviu-se do aparelho de Estado não apenas como instrumento de repressão mas também como um sistema de distribuição de uma espécie de renda ou tributo. A principal moeda de troca foi o emprego pelo Estado. Um lugar na administração traduzia-se num primeiro tempo em submissão e, depois, em votos".
"O princípio central da sociedade grega foi sempre o clientelismo político, um sistema em que o apoio político é concedido em troca de vantagens materiais", escreve o jornalista Takis Michas. "Neste contexto, é primordial o papel do Estado enquanto principal fornecedor de prestações a grupos e indivíduos." Corrobora o economista Kostas Vergopoulos: "Desde meados do século XIX que nada se pode fazer na Grécia sem passar obrigatoriamente pela máquina do Estado."
Para distribuir uma renda às clientelas, o Estado foi forçado a elevar a carga fiscal sobre a economia, suscitando uma cultura de fraude fiscal; e a recorrer ao empréstimo estrangeiro, o que gerou colapsos das finanças públicas. Atenas esteve sob tutela de uma comissão financeira internacional entre 1897 e 1936, para garantir o pagamento do serviço da dívida aos credores.
Após a queda da "Ditadura dos Coronéis", em 1974, o sistema não mudou, foi modernizado e alargado. Os dois partidos dominantes, o Pasok (social-democrata) e a Nova Democracia (conservador), reorganizaram as redes de patrocínio, graças à adesão à Comunidade Económica Europeia, em 1981. Sobretudo o Pasok, liderado por Andreas Papandreou (pai do ex-primeiro-ministro), promoveu um generoso welfare state assente numa lógica eleitoralista e não numa racionalidade económica, sublinha o politólogo Christos Lyrintsis.
As empresas públicas são a extensão do tentacular Estado clientelar. Os sindicatos, designadamente os do funcionalismo e do sector público, são parte activa deste sistema.
A adesão ao euro resolveu o impasse em que o sistema se encontrava em meados dos anos 1990. Abriu a torneira dos mercados financeiros. Atenas não reunia condições para entrar na moeda única. Deve-o - ironicamente - a Paris e Berlim, guiados por interesses geoestratégicos - estabilizar os Balcãs e o Mediterrâneo Oriental. A Grécia era um pequeno país cuja eventual bancarrota não assustava a próspera UE.
Havia outro factor: "A Grécia ocupa um lugar central no imaginário europeu." A própria criação do Estado grego moderno foi "um grande empreendimento identitário europeu". A Grécia Antiga era a raiz da sua cultura.
Como reformar o Estado clientelar? "A classe política recusa o questionamento da sua política estatista, pois ela permite-lhe constituir clientelas políticas. Na Grécia não se vota por ideologias, vota-se por quem nos ajuda materialmente", diz ao Libération o historiador Nicolas Bloudanis. A tragédia grega é que o seu sistema político impede os seus governos de enfrentar a crise da dívida. Resta a experiência da arriscada explosão do sistema.
Ontem, Atenas parecia estar "a ferro e fogo" e o Governo ameaçava desfazer-se. Sob impulso da Alemanha, e empurrada por opiniões públicas crescentemente hostis à ajuda a Atenas, a UE lançou um ultimato, visando desta vez promover uma espécie de "state building" dentro da própria União. É um jogo de alto risco, que poderá despertar o latente anti-ocidentalismo grego.
A Grécia tem pela frente a escolha entre "ser Europa" ou "regressar aos Balcãs". Mas também é complicada a escolha da UE. Pensando em geopolítica, avisa Prevelakis: "Uma eventual saída da UE, ou mesmo da zona euro, transformaria de novo a Grécia num campo de batalha entre interesses ingleses, alemães, franceses, americanos, russos e chineses." Humilharia e enfraqueceria a Europa, que se quer modelar e "seria obrigada a confessar o fracasso em "europeizar" um Estado, membro há 30 anos e que considera o berço da democracia"
Jorge Almeida Fernandes
in «Público», 11.02.2012
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