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11/11/2010

Os 4 e o burro

Certa vez, quatro meninos foram ao campo e, por 100 €, compraram o burro de um velho camponês.

O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte.
Mas, quando eles voltaram para levar o burro, o camponês disse-lhes:
- Sinto muito, amigos, mas tenho uma má notícia. O burro morreu.
- Então devolva-nos o dinheiro!
- Não posso, já o gastei todo.
- Então, de qualquer forma, queremos o burro.
- E para que o querem? O que vão fazer com ele?
- Nós vamos rifá-lo.
- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?
- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.
Um mês depois, o camponês encontrou-se novamente com os quatro garotos e perguntou-lhes:
- E então, o que aconteceu com o burro?
- Como lhe dissemos, nós rifámo-lo. Vendemos 500 rifas a 2 € cada uma e arrecadámos 1.000 €.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador, porém devolvemos-lhe os 2 €, e pronto!
MORAL DA HISTÓRIA:Os quatro meninos cresceram.
- Um fundou um banco chamado BPN,
- Outro uma empresa chamada GALP,
- Outro uma igreja chamada Universal,
- E o último dirige um partido político chamado PS.
Estão agora todos a governar Portugal!!!!

10/11/2010

Nepotismo socretino

As nomeações de dois antigos sócios do secretário de Estado adjunto das Obras Públicas para cargos de administração nos CTT decorreram com base no "escrupuloso cumprimento da Lei", assegurou a Secretaria de Estado das Obras Públicas e Comunicações ao «Público». Segundo a tutela, os dois responsáveis foram escolhidos "pela sua vasta experiência na área da gestão no setor público e privado bem como em multinacionais".

Numa resposta por escrito ao «Público», o gabinete de assessoria de comunicação da Secretaria de Estado garante que "as nomeações efetuadas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e pelo Ministério das Finanças baseiam-se no escrupuloso cumprimento da Lei e recaem na escolha de pessoas com o perfil adequado para cada cargo".

Marcos Afonso Vaz Batista, nomeado em 2005 para a administração dos CTT e de outras cinco empresas do grupo dos correios, e Luís Manuel Pinheiro Piteira, a exercer um cargo desde 2009 na administração da Empresa de Arquivo de Documentação, foram solicitados pela secretaria de Estado à empresa Águas de Portugal e do Millennium/BCP, respetivamente, e foram escolhidos pela sua "vasta experiência na área da gestão no setor público e privado bem como em multinacionais - ou seja preparados para trabalhar em qualquer setor/área - e/ou pela sua experiência e conhecimento específico".

O ministério afirma que as provas de que as duas nomeações efectuadas "se revelaram adequadas são os excelentes resultados obtidos pelas empresas tuteladas pela Secretaria de Estado das Obras Públicas e Comunicações, que permitiram diminuir significativamente os encargos dos contribuintes e aumentar a sua contribuição para as receitas do Orçamento do Estado".

A Rádio Renascença avançou hoje que o secretário de Estado Paulo Campos, que tem a tutela dos CTT, nomeou, em 2005, ano em que assumiu o cargo no ministério, Marcos Batista, um dos sócios que tinha na empresa Puro Prazer, para assumir funções na administração dos CTT. Em 2009, Paulo Campos traz para o grupo Luís Manuel Pinheiro Piteira, que dentro dos CTT é convidado para a administração da Empresa de Arquivo de Documentação. Este ano, acumulou ainda a estas funções o cargo de administrador de outra empresa dos CTT, a PayShop.

Segundo a Secretaria de Estado, a empresa Puro Prazer foi criada em 1994 por cinco sócios, entre os quais Paulo Campos, Marcos Batista e Luis Piteira, "para organizar a Semana Académica de Lisboa no ano de 1995". Um ano depois, a empresa era extinta, mas a cessação de atividade só iria ser oficialmente declarada pela Conservatória do Registo Comercial de Lisboa em 2002.

Desde então, Paulo Campos não terá tido outra relação profissional com os dois antigos sócios, até às nomeações para os dois cargos na empresa pública.

Licenciado em Economia, antes de entrar para a administração dos CTT e da PayShop, segundo uma curta biografia de Marcos Batista divulgada por esta última empresa, o administrador assumiu o cargo de marketing manager da Avon Cosméticos, bem como o de director Financeiro e de Marketing da Área Dinâmica, o de director-geral da Laveiro, o de director de Marketing e Comunicação do grupo Águas de Portugal e o de administrador da empresa Águas de Moçambique.

Ainda de acordo com o site da PayShop, Luis Piteira, o segundo administrador nomeado pelo gabinete do secretário de Estado, tem frequência do 3.º ano do curso de Contabilidade e Administração. Luis Piteira começou a sua carreira na empresa AF Investimentos, sociedade gestora de Fundos de Investimento do actual grupo Millennium BCP, passando em 1998 a gerir fundos e seguros de capitalização no mesmo grupo. Oito anos depois trabalhava na área de Controlo e Planeamento do Millennium Investmet Banking. No ano passado, foi nomeado vogal do Conselho de Administração da EAD e em Julho deste ano acumulou o cargo também de vogal do Conselho de Administração da PayShop.

in «Público», 09.11.2010
NR: ver o Código de Ética do grupo CTT para pereceber melhor onde cabem nomeações de amigos, ao abrigo do nepotismo socretino

09/11/2010

Cavalo à solta...

Cavalo assaltado por Puro Prazer!

Este homenzinho não se demite? E os amigos ficam?
Onde para a coluna vertebral?

in «Renascença», 09.11.2010

04/11/2010

O banco e a padaria

Carta de um cliente de uma instituição financeira portuguesa que, como é sabido, é atentamente supervisionada pela autoridade monetária que dá pelo nome de Banco de Portugal

Exmos. Senhores Administradores do Banco:

Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da vossa rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria desta forma: todos os senhores e todos os clientes pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao cliente. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer outro produto adquirido (um pão, um remédio, uns litro de combustível, etc.) o cliente pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado.

Que tal?

Pois, ontem saí do Banco com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.

Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como todo e qualquer outro serviço. Além disso impõe-se taxas de. Uma 'taxa de acesso ao pão', outra 'taxa por guardar pão quente' e ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.

Financiei um carro, ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobram-me preços de mercado, assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão.

Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.

Para ter acesso ao produto do vosso negócio, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de crédito' - equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao pão', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no vosso Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobram-me uma 'taxa de abertura de conta'.

Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura de padaria', pois só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.

Antigamente os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como 'Papagaios'. Para gerir o 'papagaio', alguns gerentes sem escrúpulos cobravam 'por fora', o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos. Agora, ao contrário de 'por fora' temos muitos 'por dentro'.

Pedi um extrato da minha conta - um único extrato no mês - os senhores cobram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de 5 EUR 'para manutenção da conta' - semelhante àquela 'taxa de existência da padaria na esquina da rua'.

A surpresa não acabou. Descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela 'taxa por guardar o pão quente'.

Mas os senhores são insaciáveis.

A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações de vosso Banco.

Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois de eu pagar as taxas correspondentes talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a vossa responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e de nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto pela lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal. Sei disso, como sei também que existem seguros e garantias legais que protegem o vosso negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.

Sei que são legais, mas também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.

ass) Cliente

31/10/2010

Uma empresa de táxis

A desbunda socretina não tem limites!
Em tempos de crise (ou até mesmo que não houvesse crise), as evidências de favorecimento de compadres e afilhados é impressionante.

São 13 motoristas, certamente, para montar uma empresa de táxis!

As publicações oficiais, felizmente, falam por si:

Despacho n.º 8346/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita à empresa Deloitte & Touche, Lda., António José Oliveira Figueira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8347/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita à Associação dos Bombeiros Voluntários de Colares Rui Manuel Alves Pereira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8348/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita ao Sindicato dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Hotelaria e Serviços Vítor Manuel Gomes Martins Marques Ferreira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8349/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Augusto Lopes de Andrade para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8350/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Requisita à empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa, S. A.,Arnaldo de Oliveira Ferreira, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8351/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o assistente operacional Jorge Martins Morais da Secretaria-Geral do Ministério da Cultura, para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8352/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o assistente operacional Jorge Orlando Duarte Vouga do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, I. P., para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8353/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Jorge Henrique dos Santos Teixeira da Cunha para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8354/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa a agente principal da Polícia de Segurança Pública Liliana de Brito para exercer funções de apoio administrativo no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8355/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública José Duarte Barroca Delgado para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8356/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Manuel Benjamim Pereira Martinho para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8357/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Horácio Paulo Pereira Fernandes para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

Despacho n.º 8358/2010. D.R. n.º 96, Série II de 2010-05-18
Presidência do Conselho de Ministros - Secretaria-Geral
Designa o agente principal da Polícia de Segurança Pública Custódio Brissos Pinto para exercer funções de motorista no Gabinete do Primeiro-Ministro

28/10/2010

O que diz Castel-Branco

"A Pobreza dos moçambicanos não é mental nem espiritual" – afirma o economista e diretor do IESE, para quem o discurso do chefe do Estado Armando Guebuza visa esconder a real origem da pobreza que afeta mais da metade dos moçambicanos Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas. Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como um recurso de coleta de ajuda externa, "a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos", bem como "na distribuição do dinheiro para projectos individuais dos governantes".

O diretor-geral do Instituto Estudos Sociais e Económicos (IESE), Carlos Nuno Castel-Branco, refutou o discurso propalado pelo chefe do Estado, segundo o qual, a pobreza dos moçambicanos é mental. O economista considera que este tipo de discurso é um desvio propositado de Armando Guebuza que visa desviar as verdadeiras razões da pobreza no país.

Castel-Branco fez estes pronunciamentos à margem da publicação das obras: "Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique"; e Proteção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique", da autoria de pesquisadores da IESE, em Maputo.

Os comentários de Castel-Branco surgiram no decurso da apresentação de obras do IESE.

Para o economista e investigador, é importante que os moçambicanos não se deixem enganar pelo discurso "miserabilista" de "pobreza mental" do chefe do Estado e encarem a pobreza "como um fenómeno social, que pode ser suprido com base em padrões de produção, distribuição e acumulação da riqueza".

Segundo Castel-Branco, dizer que a pobreza é "mental" ou "espiritual", é "culpabilizar as pessoas pobres devido à sua condição social". Com este tipo de discursos, o chefe do Estado "faz com que a pobreza se torne um problema pessoal e não um fenómeno social", considera o economista.

Discurso estratégico para fugir as responsabilidades

Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas.

Castel-Branco mostra outra tendência de discurso do chefe do Estado, de rotular de invejosos os que criticam padrões económicos do Governo.

"Será que acelerar o crescimento económico com base em exportação de recursos naturais e a construção de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento da economia extractiva, associada aos incentivos fiscais não é uma das premissas que gera mais pobreza e mais riqueza ao mesmo tempo? Será que o aumento de preços dos bens básicos de consumo não reduz a oportunidade e opções de desenvolvimento de pessoas singulares no país?", questiona o economista.

Pobreza da população gera riqueza de alguns

Num outro desenvolvimento, o professor universitário diz que a pobreza dos moçambicanos é usada pelo Governo como recurso para conseguir financiamentos externos, que depois são aplicados nos programas de combate à mesma. Segundo a nossa fonte, é evidente que "se a pobreza é um substituto para chancelas fiscais dos recursos naturais por gerar ajuda externa, então o Estado moçambicano pode subsidiar multinacionais", todavia "já não pode subsidiar o pão, o transporte, etc.", disse referindo-se aos mega-projectos que não pagam impostos em Moçambique, sob pretexto de promover o desenvolvimento, quando na leitura do economista, não trazem algum alívio à pobreza.

Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como recuso de coleta de ajuda externa, "a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos", bem como "na distribuição do dinheiro para projetos individuais dos governantes".

E se os mega-projectos pagassem impostos?

Como tem defendido em diferentes ocasiões, Castel-Branco voltou a afirmar que a isenção fiscal aos mega-projectos é prejudicial ao país.

"O subsídio ao pão custa ao Governo protelar a construção de 10 escolas". "Quantas escolas secundárias poderiam ser construídas? E quantos subsídios para o pão e transporte poderiam ser introduzidos se a Mozal, a SASOL, entre outras empresas, pagassem impostos que deveriam pagar?".

Os livros

Os dois livros do IESE são de carácter científico. O livro "Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique", contém um total de sete artigos que se debruçam sobre a pobreza, com enfoque no "discurso político oficial sobre a pobreza" baseado nas intervenções do chefe do Estado, Armando Guebuza.

O outro livro – "Protecção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique" – equaciona diferentes abordagens e debates sobre a protecção social em Moçambique no contexto dos padrões de acumulação de riqueza locais. E é composto por oito artigos que se debruçam sobre o enquadramento institucional e económico da proteção social no país.

in «Canalmoz», 14.09.2010

17/10/2010

Um tipo com azar mas bons amigos

Cidadãs brasileiras identificaram magistrado do Funchal como um dos clientes regulares. Um dos juízes votou contra.

A vida corria tranquilamente a A., procurador adjunto do Ministério Público do Funchal. Tribunal durante o dia, casa de alterne à noite. Só que uma operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) junto do bar levou a que algumas das cidadãs brasileiras que ali trabalhavam identificassem A. como um dos clientes habituais. Conclusão: um processo disciplinar que terminou com uma pena de suspensão por 210 dias, que, em Julho deste ano, o Supremo Tribunal Administrativo revogou.

De acordo com os depoimentos recolhidos junto das trabalhadoras de tal estabelecimento, o dr. A foi identificado por quatro delas como frequentador regular, "sendo aí conhecida a sua qualidade de magistrado e beneficiando, por isso, de bebida e sexo gratuitos". Uma das cidadãs brasileiras ouvidas, segundo o processo, "fez uma exacta e inequívoca descrição física" do procurador. A auto-intitulada "madame das meninas", por sua vez, confirmou também conhecer o "dr. A. do tribunal".

A situação complicou-se ainda mais para o procurador quando, no dia em que as cidadãs brasileiras testemunharam em tribunal em "declarações para memória futura", uma das suas colegas garantiu tê-lo visto em amena cavaqueira "com uma ou duas das pessoas ligadas àquele bar".

E mais complicada ficou quando uma das alternadeiras disse no processo que chegou a ter relações sexuais com o magistrado "a fim de obter informações sobre um processo que corria contra um dos responsáveis do bar". Mas, apesar de o instrutor do processo disciplinar ter dado crédito ao relato, os juízes-conselheiros do STA consideraram aquela versão como "inverosímil" ou "nitidamente fantasiosa". Primeiro, explicaram, porque o procurador "não era titular de um qualquer processo do género". Depois, "por não se acreditar que a rapariga estivesse à altura de, com êxito, extrair de um magistrado informações secretas", lê-se no acórdão do Supremo Tribunal Administrativo, assinado pelos juízes Jorge Madeira dos Santos (relator), Luís Pais Borges e Rui Manuel Botelho (que votou vencido com a decisão).

O processo disciplinar acabou com uma condenação no Conselho Superior do Ministério Público. 210 dias de suspensão e posterior transferência para uma comarca do distrito judicial de Lisboa. Já aqui, a decisão não foi pacífica. Na reunião de Maio de 2009, votaram contra a pena aplicada Pinto Nogueira, procurador distrital do Porto, Paulo Gonçalves, procurador da República, Edite Pinho, procuradora adjunta, e Barradas Leitão, advogado, membro do CSMP eleito pela Assembleia da República.

O procurador apresentou, pelo menos, dois recursos junto do Supremo Tribunal de Justiça.

No último acórdão, os juízes-conselheiros acabaram por anular a pena, devolvendo o processo disciplinar ao Conselho Superior do Ministério Público. Para esta decisão concorreram dois argumentos: em primeiro lugar, alguns dos factos imputados ao procurador adjunto estavam já prescritos. Seguidamente, o facto de o magistrado frequentar um bar de alterne não faz com que, automaticamente, esteja a violar os seus deveres profissionais. Isto é, sobre o seu comportamento há apenas uma "suspeição" de que possa violar e não a comprovação deste facto.

Quem não partilhou deste entendimento foi o juiz-conselheiro Rui Botelho, que votou contra a decisão, apresentando uma declaração de voto arrasadora para com o procurador do Ministério Público. Começando por dizer que o processo disciplinar deu "como assente" que o magistrado do MP frequentava o bar de alterne e, devido à sua profissão, tinha bebidas e sexo gratuitamente, o juiz-conselheiro considerou que se estava perante uma falha disciplinar.

"Quem suportava os custos pretendia obter compensações e quem deles beneficiava, sabendo que os serviços tinham custos e que aquelas casas existem para dar lucro, não ignorava que só não pagava por ser quem era e que justamente por isso alguma vez poderia ter de retribuir o serviço, porquanto, como também se não ignora, em linguagem corrente, "não há almoços grátis", escreveu o juiz-conselheiro.

Por isto, o juiz-conselheiro Rui Botelho considerou que a ação interposta pelo procurador adjunto do Funchal para anular o acto de condenação do Conselho Superior do Ministério Público deveria, ao contrário do que foi decidido, ser declarada como improcedente.
O processo vai baixar novamente ao Conselho Superior do Ministério Público para que a pena e as conclusões sejam refeitas. Caso o entendimento do Supremo quanto à prescrição dos actos e à ausência de factos que incriminem o procurador se mantenha, o caso pode ser pura e simplesmente arquivado.

in DN, 04.10.2010

10/10/2010

Nós qué negoce

A candonga e corrupção do sistema guebuzino está muito bem caraterizado num programa humorístico da Rádio Moçambique e que pode ser ouvido aqui.
  

07/10/2010

Organização socretina de um local de trabalho

Diagrama esclarecedor

Quando os chefes olham para baixo só vêem merda;
Quando os tipos de baixo olham para cima só vêem caras de cu...

06/10/2010

Quanto custa esta República

Diário da República nº 28 - I série- datado de 10 de Fevereiro de 2010 – Resolução da Assembleia da República nº 11/2010 (em http://www.dre.pt/)

Algumas rubricas do orçamento da Assembleia da República:

01 - Vencimento de Deputados ........................................................12 milhões 349 mil Euros
02 - Ajudas de Custo de Deputados ...................................................2 milhões 724 mil Euros
03 - Transportes de Deputados .........................................................3 milhões 869 mil Euros
04 - Deslocações e Estadas .................................................................2 milhões 363 mil Euros
05 - Assistência Técnica .……..............................................................2 milhões 948 mil Euros
06 - Outros Trabalhos Especializados .…..........................................3 milhões 593 mil Euros
07 - Restaurante, Refeitório, Cafetaria ..............................................................961 mil Euros
08 - Subvenções aos Grupos Parlamentares ....................................................970 mil Euros
09 - Equipamento de Informática .....................................................2 milhões 110 mil Euros
10- Outros Investimentos .................................................................2 milhões 420 mil Euros
11- Edificios ..........................................................................................2 milhões 686 mil Euros
12- Transfers Diversos .....................................................................13 milhões 506 mil Euros
13- Subvenção aos Partidos na AR ..................................................16 milhões 977 mil Euros
14- Subvenções de Campanhas Eleitorais ......................................73 milhões 798 mil Euros

TOTAL A DESPESA ORÇAMENTADA PARA O ANO DE 2010:
191 405 356,61 (191 milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos)

04/10/2010

Venda dos aneis

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) acaba de anunciar a venda da sua sede - Av. João XXI em Lisboa - ao seu Fundo de Pensões do pessoal, por um montante de cerca de 250 milhões de euros. Nessa operação estima obter uma mais-valia (lucro) de 103 milhões de euros.

Eis uma operação Robin dos Bosques.

Com esta "contabilidade criativa", a CGD toma uma decisão que, sendo obrigatoriamente do conhecimento do acionista - o Estado - visa obter , ainda em 2010, um lucro extraordinário que remunere esse mesmo acionista.

Essa mais-valia vai diretamente para equilibrar o Orçamento. Assim se percebe como o ministro Teixeira do Santos garantia tua fazer para cumprir o défice orçamental.

O governo socretino dirá que não interferiu na decisão "empresarial", "comercial" da CGD. Como se fosse credível que um qualquer conselho de administração de uma empresa dos Estado pudesse tomar tal decisão sem cobertura do ministro das Finanças e do primeiro-ministro.

Na verdade, esta manobra visa, no curto prazo, enganar Bruxelas com um equilíbrio fictício das contas públicas; a prazo, retira 103 milhões de euros desse fundo de pensões e aos respetivos empregados que terão as suas poupanças confiscadas.

Haverá mais vida para além do orçamento (*) ?

A gravidade da crise orçamental portuguesas está exposta na praça pública.
A bancarrota vai para debaixo do tapete.
A desvergonha está à solta.

(*) famosa frase mortal e inconsciente de Jorge Sampaio (PR) contra Manuela Ferreira Leite (MF), em 2003

01/10/2010

Um dia negro para Portugal

O dia 29 de Setembro de 2010 foi um dia negro para os portugueses. Os portugueses acordaram a meio de um pesadelo e caíram da cama.

Às 20 horas, todos os canais televisivos retomaram as «Conversas em Família». O menino Zequinha desfiava, sem corar, um novo pacote de mentiras. Mais uma vez, os seus olhos de patife, saltitavam da esquerda para a direita sem fitar nenhum membro da família. Tentava que não se percebesse que é um mentiroso compulsivo.

Depois disso, o ministro das Finanças suíço analisou a situação portuguesa no parlamento do seu país e, claro, não se conseguiu conter perante uma realidade tão estranha:

30/09/2010

Um ano de circo no manicómio

Após o anúncio de "corajosas" medidas pela camarilha socretina, convém rebobinar o filme «O maluquinho de São Bento» e tentar perceber se Portugal tem gente séria ao volante, antes que chegue a próxima curva:

O regime dos Yá-tolos

Moçambique prepara-se para fazer entrar em vigor uma medida que prevê o bloqueio de telemóveis com cartão pré-pago que não estejam registados junto dos respetivos operadores. Os utilizadores deste tipo de serviço deverão registar obrigatoriamente a titularidade dos números até 15 de Novembro.

A medida terá sido precipitada pelos violentos protestos contra o aumento do custo de vida de 1 e 2 de Setembro, convocados sobretudo através de SMS. As autoridades defendem, entretanto, que se trata apenas de assegurar a correta utilização de um serviço público.

A proposta pretende "garantir proteção dos utilizadores e segurança das pessoas no geral, assim como de instituições que têm estado a ser roubadas e burladas com base no uso de cartões pré-pagos das duas operadoras móveis", segundo o ministro dos Transportes e Comunicações, Américo Muchanga (1), citado pelo jornal mediaFax, refere a Lusa.

O governante apelou a "todos os cidadãos a dirigirem-se às suas operadoras em tempo útil, munidos dos respetivos bilhetes de identidade e certificados de residência ou outros documentos válidos, onde vão responder a um formulário já disponível".

O ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique referiu admitiu ainda que o processo, que decorre há mais de 10 dias, é "irreversível".

Recorde-se que no início do mês, a imprensa local dava conta de um bloqueio aos SMS (2) pelos operadores que justificaram o sucedido com "problemas técnicos".

Dados governamentais indicam que 27 por cento dos 21 milhões de moçambicanos usam serviços de telefonia móvel.

in Sapo.pt

NR:
(1) o camarada Muchanga não é ministro mas sim diretor do Instituto Nacional das Comunicações - uma entidade reguladora e autónoma (sem rir, por favor); o ministro recebeu ordens sobre o que devia mandar o Muchanga fazer.

(2) recordemos que as revoltas populares no Irão e em Moçambique, contra os respetivos regimes corruptos, foram conduzidos por SMS e outras tecnologias móveis.
Chegam atrasados, estes corruptos guebuzinos...

25/09/2010

Há cada estória por destapar...

Personagens da FRELIMO: Alguns nomes de vivos e de mortos...

A Morte de Filipe Samuel Magaia

Guebuza encontrava-se naquele Centro de Bagamoyo havia uma semana. Tinha vindo de Moçambique com os seus conterrâneos José Mazuze, Pascoal Nhapule, Francisco Langa, Josina Mutemba (namorada de Filipe Samuel Magaia). Também era frequente a presença de Filipe Samuel Magaia naquele Centro, onde vinha para politizar.

Quanto a Filipe Samuel Magaia (1º Comandante de todas as forças da DSD da FRELIMO), foi vítima de uma emboscada por parte das próprias forças, para deixar Josina viúva, para mais tarde desposar Samora Machel e para o mesmo tomar o lugar do mesmo Filipe Magaia. O comandante de todas as forças da FRELIMO, estava por conseguinte em Kongwa e Filipe Samuel Magaia por ocupar uma posição hierarquicamente superior encontrava-se em Dar-es-Saalam, onde se encontrava sediada a FRELIMO. Apesar deste distanciamento e tempo como militar da FRELIMO nunca vi estes dois elementos juntos, o que antevia uma certa animosidade entre eles, talvez sublimado pelo facto de um ser da Zambézia (Magaia) e outro de Gaza (Samora).

Samora saía poucas vezes de Kongwa e talvez por esse motivo teve facilidade em manipular os quadros militares até à morte de Magaia, altura em que lhe ficou com a namorada assim como com o Departamento de Defesa, entregando o da Segurança ao amigo Joaquim Chissano, tudo com o consentimento do Dr. Mondlane.

De referir também que quase todos os quadros da FRELIMO sabiam que tinha sido Samora Machel, Alberto Chipande, Joaquim Chissano e Sebastião Marcos Mabote que planearam a morte de Filipe Magaia com o consentimento do próprio Eduardo Mondlane.

Alguns quadros da FRELIMO que testemunharam a morte de Filipe Magaia foram fuzilados em Cabo Delgado. Um deles chamava-se Lino Ibraimo e o seu executor foi João Fascitela Pelembe. Por sua vez Luís Arrancatudo, que tinha sido instrutor em Bagamoyo, foi fuzilado na Base de Catur, no Niassa, por ordens de Sebastião Mabote e de José Moiane.

Os chamados Destacamentos Femininos eram vítimas de abusos sexuais, feitos na sua maioria pelos chefes. As raparigas grávidas eram obrigadas a ter depois relações sexuais com simples soldados, para posteriormente estes serem acusados de mau comportamento e serem severamente punidos com castigos exemplares. As mulheres grávidas eram enviadas para o Campo de Tunduro, onde Francisco Manhanga era Comandante, coadjuvado por Bonifácio Gruveta. De referir ainda que em muitos casos as mulheres que engravidavam eram obrigadas também a abortar por métodos criminosos e os seus fetos deitados no caixote de lixo, com o conhecimento das autoridades tanzanianas que nunca tomaram medidas para impedir tais actos, pois diziam que esse era um assunto moçambicano.

O Campo de Tunduro, servia também como local de descanso para os chefes da FRELIMO. Ali levavam uma vida de burguesia, tinham tudo à disposição, incluindo as raparigas e as mulheres mais bonitas da Organização. Muito dinheiro que a Organização possuía era gasto nestas libertinagens.

NOTA:

Excerto de livro a publicar ainda no corrente ano, por testemunha insuspeita.

Fernando Gil

MACUA DE MOÇAMBIQUE

24/09/2010

Mensalão - edição 1

Hoje é dia de mensalão.
Faz hoje anos que rebentou o "Escandâlo do Mensalão", em 2004.

Temos de dar os parabéns ao presidente Lula da Silva por ter conseguido escapar por entre os pingos da chuva.

Na sequência das investigações feitas pelas autoridades, Lula da Silva não sabia de nada e tua foi preparado nas suas costas pelos seus mais próximos colaboradores.

Mas é isso mesmo, Lula não sabia de nadica de nada.

Tá aí meu povo: vocês querem mesmo um Mensalão nº 2?

15/09/2010

AEG na Suíça

Apertado pelos acontecimento de Setembro, em Maputo, o Grande Armando parte para uma visita "istoupidir" à Suíça.

Numa reunião com o Presidente da Suíça, o presidente moçambicano Armando Emílio Guebuza “AEG” apresentou-lhe os seus ministros:

- Este é o ministro da Saúde, este é o ministro dos Negócios Estrangeiros, esta é a ministra da Educação, este é o ministro da Justiça, este é o ministro das Finanças... etc...etc...etc...

Chegou a vez do Presidente da Suíça:

- Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro dos Desportos, este é o da Educação, este o da Marinha ...

Nessa altura, com ar emproado, Armando Guebuza, começou a rir:

- Ha! Ha! Ha!.... Para que é que vocês têm um Ministro da Marinha se o vosso País não tem mar?

O Presidente da Suíça, com o ser ar digno, respondeu:

- Não seja inconveniente. Quando você apresentou os seus ministros da Educação, da Justiça, da Saúde e das Finanças, eu também não me ri.

11/09/2010

Dicionário

Michaëlis: Ultra-Moderno Dicionário da Língua Portuguesa

So.cra.te.ar

elem comp (lat solu + gr -kratés + ear) 1. Ocultar ou encobrir com astúcia e má-fé; disfarçar com cinismo. 2. Não dar a perceber, esconder, calar. 3. Fingir, simular inocência. 4. Usar a dissimulação; proceder com fingimento, hipocrisia. 5. Desviar o assunto; fugir das responsabilidades. 6. Fazer recair as culpas nos amigos (mesmo que familiares) mais próximos. 7. Negar despudoradamente as evidências. 8. Defraudar, iludir; praticar técnicas de banha-da-cobra. 9. Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade, fazendo crer que os fins justificam os meios. 10. coloquial : sacanear.

03/09/2010

Socialismo Científico Marrabenta

Com Governo de Guebuza a vida dos moçambicanos tornou-se um mar de espinhos

A vida para a maioria esmagadora dos moçambicanos nunca foi um ‘mar de rosas’, mas agora é, seguramente, um ‘mar de espinhos’. Tudo subiu, menos o poder de compra. E, sem comida, o que se pode esperar de quem não tem nada a perder? O que se pode esperar de quem acreditou que se estava realmente a ‘combater a pobreza absoluta’ e agora viu que afinal ainda havia mais pobreza para além da que já sentia antes?

Evidentemente que só bom senso nos pode salvar. Mas, nesta altura, em que o “vinho já vai para vinagre, não retrocede o caminho; só por obra de milagre pode de novo ser vinho”, disse um dia o poeta português analfabeto, António Aleixo, em dias que em Portugal, o seu País, também governavam semelhantes autoproclamados insubstituíveis.

Do Governo em funções só podemos esperar mais asneiras. Umas atrás das outras que já vimos, foram suficientes para agora o país estar de rastos. Começou pelos combustíveis e vai agora em alta velocidade a caminhar para as obrigações de tesouro com o Estado já de calças rotas. Os próprios bancos não tardarão, a não emprestar dinheiro aos privados porque já emprestaram tudo ao Estado.

O cenário que nos envolve é esclarecedor. Tudo a subir de preço e cada vez menos dinheiro para comprar. Pior: as empresas de tão depauperadas estão sem maneira de pagar melhor. O pão subiu. O gasóleo ainda só está a dois cêntimos de 31 meticais o litro, em Maputo, Beira e Nacala. Em todo o país a promessa do governo aos transportadores, há muito que foi violada. Em Inhambane, por exemplo, um litro de gasóleo já está a 34,30 MT o litro. As moedas em que importamos as mercadorias valem hoje cerca de 40% mais, no caso do dólar americano, e mais de 100% mais, no caso do Rand. Por outras palavras o Metical vale menos 40% em relação ao dólar e vale metade em relação ao Rand comparativamente com o ano passado. Onde vão as promessas de Guebuza durante as eleições de 2009?

O país importa mais do que produz. Cada vez produz menos. As indústrias fecham umas atrás das outras. Os governantes estão mais virados para os seus negócios privados do que para governar. No Estado imputam os custos. Os familiares dão os seus nomes aos negócios encobertos dos ministros e até do presidente. Os lucros metem na algibeira. Sociedades do lado de lá da fronteira é negócio chorudo. Vida mais cara do lado de cá significa mais ‘mola’ do lado de onde se importam os produtos que não produzimos.

Para nos continuarem a enganar querem iludir-nos com ordens a proibirem o uso de moedas externas nos preços de referência das clínicas, mas veja-se como andam os stocks de medicamentos. Arrasados completamente.

Em meticais só se vai sentir os preços a subirem todos os dias. Querem obrigar, entretanto, a que só se mexa nos preços dos serviços uma vez por ano. O resultado vai ser vermos tudo a fechar como no tempo do dito ‘socialismo científico’.

Pode-se faturar em meticais, mas obviamente que se indexarão os preços ao USD ou ao Rand e todos os dias em meticais vamos ser surpreendidos com novos preços de mercadorias e serviços. Se isto for proibido como acaba de anunciar o ministro da Saúde, em mais uma das suas tiradas populistas, vamos voltar aos tempos do ‘não há’. Há gente, de facto que tem a cabeça dura…

O governo continua a gastar à farta. Aí ninguém quer mexer. Cortar na despesa pública, não querem. A senhora presidente da Assembleia da República acaba de receber, à custa do erário público, uma nova frota de viaturas de luxo de alta gama. O senhor primeiro-ministro, também.

Nos que governam já não se pode acreditar.

“Falas bem, mas antes queria que soubesses proceder menos em desarmonia com o que sabes dizer”, voltaria hoje a afirmar o tal poeta. Ser analfabeto não significa ser tapado…

Quando, dos países que ajudaram Moçambique a ressuscitar das cinzas de uma Guerra Civil sangrenta e altamente destruidora, nos chegavam avisos de crise económica e financeira sem precedentes nos últimos oitenta anos, os senhores que por cá, do seu ‘alto império’, sempre prometeram um futuro melhor e o fim da pobreza absoluta, foram espalhando a sua arrogância discursiva garantindo aos cidadãos que mal pior não nos afetaria.

Continuaram vivendo rodeados de luxo, à custa dos contribuintes que afinal somos todos, os que pagam impostos e outras contribuições diretas e todos os outros que pensam que estão livres delas embora paguem também, e bem, muito, impostos indiretos.

Depois de tanta ‘esperança’ anunciarem e de acusarem de serem ‘profetas da desgraça’, quem alertava para o que poderia chegar-nos se não arredassem de nos levar para o abismo, foi para esta situação dramática que o governo nos trouxe.

Os que avisavam que vinham aí dias muito maus se os governantes moçambicanos continuassem a ignorar o momento tremendo por que estava a passar a economia mundial, foram chamados de ‘viperinos’. Era de esperar que esses mesmos senhores no Poder assegurassem aos moçambicanos, o mínimo. Mas o que hoje vemos é que mesmo quem comia já anda a fazer cortes tremendos no seu cabaz para os alimentos chegarem ao fim de cada mês. Os que já eram muito pobres já nem uma refeição por dia comem. Quem se ia safando começa a deitar as mãos à cabeça.

No dia 1 de Setembro de 2010, os “chapas” em Maputo poderiam subir o preço da rota para 10 meticais. Não subiram porque deixaram de circular.

Será um aumento de mais de 30 porcento. Dirão aqueles que pensam que o País termina no quilómetro catorze, junto ao Estádio Nacional do Zimpeto, que o diesel ainda não está a 31 meticais o litro. Mas os pneus também são precisos para as viaturas andarem. As peças sobressalentes, idem. Um pneu que custasse mil meticais quando o dólar se comprava por 25 meticais, como o USD agora custa cerca de 39,00 MT, certamente que tem de custar mais. Mil meticais eram quarenta dólares. Agora custando os mesmos 40 dólares em meticais o pneu terá de custar 1560,00 MT. Tudo isto porque o metical desvalorizou. E desvalorizou porque não produzimos, porque o governo está cheio de corruptos que se metem em trapalhadas como no caso da Semlex, empresa emissora dos Bilhetes de Identidade, Passaportes, DIREs e Vistos de entrada.

Vemos os parentes de quem governa a fazerem as negociatas mais corruptas deste mundo só não vendo quem não quer que aparecem a coberto dos seus progenitores.

Os polícias já se matam uns aos outros. Agora são mandados matar o povo. Até já as forças armadas.

Os funcionários públicos cobram por fora o que o governo não lhes paga. Salva-se assim quem pode.

Os ditos sindicalistas feitos com os governantes corruptos e tão corruptos uns como outros, já nada podem de tão enfraquecida que está a economia.

Os juízes a serem nomeados para altas funções em empresas depois de bons serviços prestados à máfia, ajudam a descredibilizar ainda mais o Estado.

É tudo isto e o que mais não dissemos que destrói o metical.

São os assaltos ao património do Estado como o que se quis levar a cabo na Beira com os edifícios da Administração Município. É o assalto ao Museu da Revolução. Primeiro põe-se o Estado a pagar as reparações e depois passa para cá que isso é meu porque eu lutei para este país ser livre…Que digam os Desmobilizados de Guerra se eles também não lutaram para este País ser livre…Depois querem prendê-los!...

São disparates atrás de disparates. É o senhor presidente da República a andar montado numa frota de helicópteros pagos com dinheiros públicos sem que tenha havido concurso público. É o mau exemplo a vir de cima. São os senhores do país da marrabenta no auge da arrogância. Gastam que se fartam. Pagamos nós.

Um dia o Povo farta-se e depois surpreendemo-nos com as consequências, dizíamos nós desde há muito. A resposta está aí. Maputo e Matola, duas cidades sitiadas. “Os pobres sentem-se bem com mais pão e luxo a menos”, meus senhores.

in «Canal de Moçambique», 03.09.2010

02/09/2010

A herança guebuzina

Dos nossos correspondentes em Maputo, chegam-nos imagens do inferno, da violência guebuzina, da  revolta popular mas, também, do futuro muito difícil que espera os moçambicanos.

Em todas as frentes de confrontos, jovens com estudos, leitores atentos de jornais e blogs, seguidores de músicos ativistas e moradores na periferia da cidade, são parte da revolta.