Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

26/10/2012

Laurentina faz 80 anos

Ora aí vai, a história da magnífica cerveja que tantas vezes nos matou a sede e animou convívios.

No início do século xx, um imigrante grego chamado Cretikos, que percorria os bairros ricos de Lourenço Marques a vender água fresca de porta em porta, apercebeu-se de que não existia gelo para conservar o peixe que todos os dias era descarregado nas docas da cidade.

Foi assim que, em 1916, Cretikos abriu a primeira fábrica de gelo e de água mineral de Moçambique, mesmo em frente ao porto de pesca. Chamava-se Victoria Ice and Water Factory e teve um êxito imediato.

Em poucos anos, começou também a produzir refrescos e a sonhar com a primeira marca de cerveja feita em Moçambique.
 
Isso aconteceu em 1932, quando o grego viajou até à Alemanha para contratar um mestre cervejeiro que desenvolveu uma receita de cerveja de estilo europeu a que Cretikos chamou Laurentina, em homenagem aos naturais de Lourenço Marques - laurentinos.
 

25/10/2012

A História em 2 minutos

19/10/2012

O ano da loucura machelista

 Em 19 de outubro de 1986, os camaradas dissidentes, o regime do apartheid e os soviéticos, decidiram travar Samora Machel e a sua loucura de fuga para a frente.

Depois do ultimato ao Malawi e da persistente procura pela confrontação leste-oeste que chamasse soviéticos, americanos e sulafricanos para o Índico, os interesses conjugaram-se e .... o acidente aconteceu!


17/10/2012

Nós, os neandertais e os denisovanos

A ponta de um dedo veio evidenciar ainda mais que, se há coisa que não é simples, é a história da evolução humana. Descoberto em 2008 na gruta Denisova, nos montes Altai, Sibéria, o pequeno osso da falange era afinal de um grupo de humanos desconhecido - os denisovanos, que viveram até há 30 mil anos. E se as surpresas não chegassem, também eles, tal como os neandertais, se reproduziram com a nossa espécie. Uma equipa publica nesta sexta-feira, na revista Science, a análise do genoma completo dos denisovanos, a partir do fragmento de dedo: dentro de nós há um pouco de neandertal e de denisovano, é verdade, mas a genética revelou agora uma nova teia de migrações e relações complexas entre nós e estes dois humanos já extintos.
 
A equipa de Svante Pääbo, do Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, Alemanha, já tinha ficado surpreendida com o que representava a descoberta da falange e de dois dentes molares. Quando os cientistas sequenciaram o ADN das mitocôndrias (as baterias das células), herdado só da parte da mãe e que está fora do núcleo celular, perceberam que era um novo grupo de humanos. O osso é de uma menina de cinco a sete anos de idade, que viveu há 80 mil anos. Tinha a pele escura, cabelos e olhos castanhos.

Em Maio de 2010, a revelação da sua existência espantou o mundo e, em Dezembro desse ano, a equipa de Pääbo avançava com a publicação de um primeiro rascunho do ADN do núcleo. Dizia já que os denisovanos se tinham misturado connosco e que a herança desse passado "promíscuo" não era igual em toda a Terra. Os europeus têm ADN dos neandertais, mas não têm material genético dos denisovanos, que por sua vez deixaram a sua pegada genética para os lados das ilhas da Melanésia.

No meio desta viagem à história da evolução humana através do ADN, a equipa de Pääbo disponibilizou na Internet, no início deste ano, toda a sequenciação do genoma dos denisovanos, para quem a quisesse usar na investigação. A leitura deste ADN antigo já era bastante rigorosa, graças a um método desenvolvido por Matthias Meyer, também do Instituto Max Planck, que permite ler até 30 vezes as letras do genoma (pequenas moléculas que compõem a grande molécula de ADN). Agora, a equipa aprofunda na Science as reflexões sobre essa informação e faz mais revelações, comparando o genoma da nossa espécie (os humanos modernos), dos denisovanos e dos neandertais.

"Pudemos confirmar que parentes de um indivíduo da gruta Denisova contribuíram geneticamente para os antepassados das pessoas actuais na Nova Guiné, mas esse fluxo genético não afectou o resto das pessoas da Eurásia continental, incluindo o Sudeste da Ásia continental", disse um dos autores do artigo, o geneticista David Reich, da Faculdade de Medicina de Harvard, numa conferência organizada pela revista. "No entanto, é claro que os denisovanos contribuíram com 3% a 5% de material genético para os genomas das pessoas da Austrália, Nova Guiné, os nativos das Filipinas e de algumas ilhas das redondezas. A confirmação foi muito forte", acrescentou.

Como se explica que o material genético dos denisovanos não se encontre sequer na Ásia continental, onde viveram, como mostra a falange e os dentes? "Diria que a mistura entre os denisovanos e os antepassados dos habitantes da Melanésia, Papuásia-Nova Guiné e aborígenes australianos deu-se provavelmente no Sudeste da Ásia continental. Quando os antepassados dos humanos modernos chegaram a essa área, encontraram-se com os denisovanos, misturaram-se e depois partiram para colonizar a Melanésia", disse Pääbo.

E agora vem a última descoberta, aquela que complica tudo. Envolve os neandertais, extintos há cerca de 28 mil anos e que durante mais de 150 anos estiveram no centro da polémica sobre se eles e nós tínhamos feito sexo e deixado descendentes. Sim, tinham já concluído outros estudos de Pääbo.

"As pessoas das regiões Leste da Eurásia [Ásia] e os nativos americanos têm mais material genético dos neandertais do que as da Europa, apesar de os neandertais terem vivido sobretudo na Europa, o que é mesmo muito interessante", considerou David Reich. "Vemos que há uma contribuição dos neandertais ligeiramente superior na Ásia do que na Europa- em cerca de 20% -, o que é surpreendente, porque os neandertais viveram na Oeste da Ásia e na Europa", acrescentou Pääbo.

Como aconteceu isto? De início, pensava-se que tinha havido um único intercâmbio genético entre neandertais e humanos modernos, que saíram de África há cerca de 50 mil anos.


Talvez quando os dois tipos de humanos se encontraram no Médio Oriente. Depois a nossa espécie espalhou-se pelo mundo inteiro e teria levado consigo essa herança.
 
 

09/10/2012

"Mil Vietnames" acabaram mal

08/10/2012

Campos de reeducação, com eles!

Que os porcos serão sempre porcos, aqui está entrevista feita a um porco para o demonstrar.

E o porco, em tempos, disse ser católico!

DW África:
Agora à distância, como avalia a existência de campos de reeducação?

Joaquim Chissano:
Campos de reeducação, para nós, significavam exatamente isso: reeducação, reabilitação das pessoas. Foi pena que nós não [continuássemos] a ter campos de reeducação. Porque não eram campos de tortura, eram realmente de reeducação. A pessoa regenerava-se. Nós criámos campos para pessoas criminosas, pessoas que tinham roubado ou até tinham assassinado. E eram reabilitadas. Era um lugar onde as pessoas faziam a sua agricultura, tinham o seu rendimento, refaziam a sua vida, tinham alfabetização, aprendiam ofícios. E então viu-se que ali estávamos a criar um modelo de reeducação de pessoas que haveriam de ser inúteis na vida e poucos países fazem isto. Mas houve uma campanha muito forte contra isto. Mas o pior é que em 1980, a guerra alastrou-se a esses sítios e tiveram de ser descontinuados.

Toda a entrevista disponível aqui:
http://www.dw.de/dw/article/0,1564,16258686,00.html?maca=bra-newsletter_pt_africa_em_destaques-6779-html-newsletter

Para mais detalhes dos crimes frelimescos ver aqui e aqui.
Campo de reeducação com estes criminosos.

03/10/2012

A história contada por quem a viveu

JORNAL PROGRESSO

A Inocência das Idades

O bosque é, por vezes, tão extenso e denso que deixa as pequenas árvores vegetarem sem o entendimento da realidade onde se integram.

Bastam-lhes as raízes saudavelmente firmadas no solo, a chuva, o sol, a lua e o vento que lhes asseguram os ciclos de vida, como garantia da missão aparentemente acometida pela Mãe-Natureza.

É como quem deixa a vida passar, sem perceber que também tem de passar pela vida.

Talvez o mesmo se possa aplicar à interpretação de um episódio ocorrido há trinta e cinco anos e que gira à volta de um Jornal que não chegou a ser: - O "Progresso".

Na passagem do final dos Anos Sessenta para o início dos Anos Setenta formou-se um grupo que, na antiga cidade de Lourenço Marques, pretendeu fundar o Jornal "Progresso" como veículo de expressão juvenil e participação activa na vida sócio-político e económica não só do País, mas sobretudo da antiga Província Ultramarina de Moçambique.

Vivia-se, então, o tempo da Guerra Colonial e sentiam-se também os primeiros sinais da pretensiosa "Primavera Marcelista" que, per si, justificaram o imediato e, porque não, entusiástico apoio de Maria José Salema, na época reitora do Liceu António Enes.


Alguns contributos para a História

Curiosamente ou não, o núcleo inicial era constituído por alunos da Alínea E que propiciava a admissão à Faculdade de Direito, então inexistente em Moçambique por ser entendida como potencial foco subversivo do "status quo", apesar de já existir a Universidade de LM, sucedânea dos "Estudos Gerais" e implantada pelo Professor Doutor Veiga Simão, seu primeiro Reitor e, mais tarde, Ministro da Educação do Governo de Marcelo Caetano e Ministro da Defesa do Governo de António Guterres no início do Século XXI.

Quem terminava a Alínea E teria assim e se pudesse, rumar a outras cidades da Metrópole porque também não existia a Licenciatura em Direito nas restantes Províncias Ultramarinas, não fosse o Diabo tecê-las.

E desse núcleo inicial fundador do projecto "Progresso" faziam parte Victor Nogueira Pereira, Luís Carlos Patraquim, Mário José Fernandes e Emílio Luz Branco, mais conhecido por "Nampula", alcunha que provavelmente lhe estava associada à terra de origem.

A ideia deste projecto surgiu nas conversas que usualmente tínhamos nos intervalos das aulas (dez minutos entre cada disciplina) e cimentou-se em reuniões pós-horário escolar, começando por se criar uma Comissão Directiva que integrou os referidos nomes do núcleo fundador.

Cedo percebemos que a tarefa era aliciante mas de trabalhosa e difícil execução por dois motivos principais e facilmente entendíveis: - por um lado era necessário mobilizar colaboração redactorial com qualidade q.b. e, por outro lado, era também preciso assegurar a viabilidade económica do Jornal.

Com dezassete anos de idade nada parece impossível e até a Lua está mesmo ali à mão.

É claro que o Jornal, sendo do Liceu, só seria possível se fosse autorizado pela reitoria e esse passo foi, como já se disse, realizado e apoiado não só pela Reitora Maria José Salema como também pela Vice-reitora Inês Calisto que se reuniram connosco.

Dado este primeiro passo "oficial", passámos ao contacto directo com algumas empresas da cidade que acolheram com agrado a ideia e contratualizaram verbalmente a publicação de anúncios num montante que não só suportava os custos de produção e distribuição, como sobrava ainda verba para nos aventurarmos a sonhos mais altos, nomeadamente admitir a hipótese de fazer circular o "Progresso" e receber colaboração para o Jornal de todos os Liceus do País, desde o Minho a Timor, como então se dizia.

Contrariamente ao que e pudesse imaginar, até foi muito fácil garantir suporte económico, via publicação de anúncios das empresas locais.

Como não era suposto investirmos em meios gráficos próprios, valeu-nos o apoio da empresa proprietária e editora da Revista "Tempo", dirigida por Rui Cartaxana e que, como jornalista profissional, nos foi dando algumas instruções sobre o processo de fabrico de um jornal. Com ele, passámos algumas tardes no seu gabinete de trabalho e com ele definimos o formato tablóide do "Progresso", paginado a seis colunas e ilustrado com fotografias a preto e branco.

Lembro-me que chegou a ser impresso e distribuído um cartaz a anunciar o nascimento do jornal, cartaz esse desenhado pelo nosso colega Firmino Sousa.

Quanto à colaboração de outros alunos do Liceu, também não foi tarefa difícil e, por isso, logo se conseguiu matéria suficiente para compor e paginar o primeiro exemplar e passá-lo a "offset", fase que antecede a impressão no papel, o que não chegou a acontecer como se verá. Tudo parecia correr bem, o ânimo era elevado quando, afinal, surge a primeira pedra na engrenagem.
 

A Associação Académica e a FNI

Nesta época do Jornal "Progresso" existia já uma incipiente actividade política centrada na Associação Académica de Moçambique e na chamada Frente Nacional Integracionista (FNI), desenvolvida por estudantes universitários.

O grupo da Associação Académica de Moçambique era liderado pelo Ivo Garrido, na altura Presidente da A.A.M. e hoje médico e Ministro da Saúde do governo moçambicano, e conotado com o que na altura se chamava "os do contra".

Através do SIPE, Serviço de Informação e Propaganda Estatística, a Associação Académica editava documentos políticos poli copiados na velha "Stencil" e que eram ou distribuídos gratuitamente ou comprados, como foi por exemplo o caso do "Processo Histórico" de Juan Clemente Zamora, editado semanalmente em fascículos clandestinos.

A "FNI" era um grupo de Direita ou mesmo de Extrema-Direita, alinhado com o Governador-geral da Província e, nomeadamente, com o general Kaulza de Arriaga, Chefe de estado-maior na Província de Moçambique e que coordenava toda a acção política e militar na guerra contra os então chamados terroristas da Frelimo.

A "FNI" era liderada pelo Gonçalo Mesquitela, já falecido, e que era filho do dr. Mesquitela, deputado de Salazar e Caetano e com assento, por nomeação, na "União Nacional" e, mais tarde, na "Assembleia Nacional Popular", ambos Partidos Políticos únicos, uma vez que se vivia em Ditadura.

Com excepção do "Nampula" que era Comandante de Bandeira da Mocidade Portuguesa, todos os outros membros do grupo fundador do Jornal "Progresso" estavam mais ligados ao grupo da Associação Académica do que à "FNI", mas o próprio "Nampula" nada tinha a ver com a "FNI".

Por isso, foi com naturalidade que pedimos alguma colaboração à "A.A.M.", na pessoa do Ivo Garrido, no sentido de ocuparem algum espaço nas páginas do "Progresso" e enriquecerem o conteúdo do jornal. E foi a partir daí que a porca começou a torcer o rabo.

A "FNI" apercebeu-se da ligação do "Progresso" ao grupo da Associação Académica e quis também integrar o grupo de colaboradores do jornal.

 
Uma reunião aterrorizante!

Foi, então, marcada uma reunião com a "FNI" para se conversar sobre a colaboração deles e juntámo-nos no apartamento do Gonçalo Mesquitela, localizado num dos prédios da antiga Avenida António Enes, próximo do local onde terminava a Avenida Pinheiro Chagas.

A reunião foi à noite, o andar era alto, e nela participaram eu próprio, o "Nampula", o Luís Carlos Patraquim e o Mário José Fernandes, ou seja, a Comissão Directiva do "Progresso" em peso, estando a representar a "FNI" o Gonçalo Mesquitela, um indivíduo de apelido Belmonte (que não conhecíamos) e o Guilherme da Silva Pereira, a quem apelidámos de "mata-hari" porque já o tínhamos visto participar em eventos da Associação Académica, o que pressupunha ser um espião que jogava nos dois tabuleiros da actividade política universitária.

A reunião foi dirigida pelo Gonçalo Mesquitela que se dirigiu a nós sempre em tom intimida tório. Refira-se, a propósito, que o Gonçalo era um indivíduo de forte compleição física e cinturão negro de "karaté".

Começou por nos ameaçar com a "PIDE" e por nos dizer que estávamos metidos em maus lençóis por nos relacionarmos com o grupo da Associação Académica de Moçambique, contestatários ao governo e relacionados com os "turras".

As ameaças subiram de tom e, confesso, estávamos todos verdadeiramente amedrontados, par não usar expressão mais vernácula, com o que se estava a passar e o meu pavor era tanto maior quantas as vezes que o Gonçalo se levantava e se dirigia à varanda, espreitando lá para baixo. Cheguei a temer que íamos ser atirados dali a baixo!

Às tantas é-nos lançada a seguinte ordem : - proibição da colaboração da Associação Académica de Moçambique nas páginas do jornal e só a "FNI" poderia publicar os textos que entendesse.

Ainda ripostámos e concedemos ceder igual espaço nas páginas do "Progresso" à "FNI" e à "A.A.M.", mas não aceitámos a exclusão da Associação.

A "FNI" engrossou ainda mais o tom intimida tório e para nos mostrar a gravidade da situação decidiram, ali mesmo e connosco presentes, telefonar ao general Kaulza de Arriaga a quem disseram que os "rapazes" não aceitam desligarem-se do grupo da Associação.

A conversa entre a "FNI" e o general Kaulza de Arriaga durou alguns minutos e, depois de desligarem o telefone, informaram-nos que se persistíssemos na nossa posição seríamos convocados para a tropa e colocados em zona cem por cento de guerra.

Já quase sem voz na garganta, acabámos por dizer que íamos pensar melhor no assunto e que voltaríamos para nova reunião.

É preciso, talvez, recordar que a Comissão Directiva do "Progresso" rondava a faixa etária dos dezassete/dezoito anos e que éramos todos alunos do sétimo ano do liceu António Enes.

O ir para a tropa significava não só enfrentar uma guerra com que discordávamos, mas também a interrupção dos estudos, para além da preocupação que isso causava, naturalmente, às nossas famílias.

Quando descemos o elevador e nos apanhámos na rua, a nossa reacção foi desatar a correr pela Pinheiro Chagas acima e só parámos no velho "Tico-Tico", ponto de encontro da malta da Associação Académica.

Numa das mesas do "Tico-Tico" lá estava o Ivo Garrido com alguns colegas e amigos em animada cavaqueira e que, o verem-nos completamente encharcados em suor e com ar aterrorizado, nos perguntaram o que tinha acontecido?

Nós contámos, eles ficaram muito indignados e depois de umas catembes bem bebidas e de uns pregos trinchados, a noite acabou par ali.

No dia seguinte fomos chamados ao gabinete da reitora que, na presença da vice-reitora, nos informou que o Jornal tinha acabado, afinal sem nunca ter vindo a público!

Os nossos Encarregados de Educação foram, dias depois, também convocados para se responsabilizarem pelas despesas que já tinham sido feitas pela empresa da Revista "Tempo" e que na altura orçavam, salvo o erro, trinta contos em moeda moçambicana.

Sei que o meu pai se recusou a assumir essa responsabilidade e que perguntou à Dr.ª Maria José Salema porque razão não tinha convocado os Encarregados de Educação quando autorizou os alunos a fazerem o referido Jornal e os convocava só agora?

Ainda hoje não sei se essas despesas foram ou não pagas, mas posso assegurar que, caso o Jornal tivesse sido publicado, a receita da publicidade era mais do que suficiente para cobrir as despesas existentes.

Entre nós, miúdos, o ambiente era de revolta que foi ainda agravada quando, passados mais uns dias, entra na aula de Latim da professora Ana Jacob o contínuo que lê um comunicado da reitoria que dizia mais ao menos o seguinte "…na sequência das actividades relacionadas com a criação de um Jornal deste Liceu são aplicadas sanções disciplinares de um dia de suspensão e sete dias de repreensão registada aos alunos Victor Pereira, Luís Carlos Patraquim e Mário José Fernandes e repreensão registada ao aluno Emílio Luz Branco. Inacreditável! Levantámo-nos e saímos logo da sala de aula, depois de autorizados pela Dr.ª Ana Jacob, e dirigimo-nos ao Gabinete da Reitora para apresentarmos o nosso protesto, mas não fomos recebidos.

Mais tarde, o Mário José Fernandes e o Patraquim encontraram a reitora Maria José Salema na rua, junto ao edifício do BNU na antiga Avenida República e insultaram-na e ainda lhe deram uns bem merecidos encontrões.

Na sequência disso, o Mário Fernandes e o Luís Carlos Patraquim viram a pena agravada para um ano de suspensão das aulas.


"Dimensão Quatro"

Este desaire do "Progresso" não nos liquidou a esperança e conseguimos ver aceite um pedido feito à Direcção da Associação dos Naturais de Moçambique, situada na Avenida 24 de Julho e onde pontificavam alguns vultos da cultura moçambicana como José Craveirinha, Eugénio Lisboa, Rui Knopli, entre outros.

Esse pedido consistiu na elaboração de um Suplemento Juvenil no Jornal "Voz de Moçambique", editado pela referida Associação e a que demos o nome de "Dimensão Quatro" porque pretendemos dar continuidade à Comissão Directiva do "Progresso", constituída por quatro pessoas.

Mas, decididamente, estávamos em Maré de azar. Logo no primeiro suplemento fizemos uma primeira página com uma fotografia de graduados da Mocidade Portuguesa em saudação fascista e com uma legenda elucidativa: " Levados, levados sim!"

A falta de humor da "PIDE" determinou a apreensão daquela edição do Jornal "Voz de Moçambique", bem como do primeiro suplemento juvenil que terminou também.


Capítulos seguintes

Depois destas peripécias, o Mário José Fernandes e o Luís Carlos Patraquim deram o salto para a Suécia onde, suponho, pediram asilo político e só voltaram a Portugal e a Moçambique depois do Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974.

Eu continuei a estudar e fiz o curso de Jornalismo na Escola Superior de Meios de Comunicação Social em Lisboa. Iniciei a profissão de jornalista a 1 de Junho de 1976 no semanário "Tempo", passando depois pelo C1 da RTP, Jornal Novo, Teledifusão de Macau (TDM) e RTP-Açores, onde me aposentei por doença em 1997.

O Luís Carlos Patraquim regressou a Moçambique e, meu caro Armando Rocheteau, faz o favor de completar o resto e de acrescentar ou alterar o que achares conveniente.

Sassoeiros, 8 de dezembro de 2005
Victor Pereira

02/10/2012

Fantástica autobiografia de um fantasista

Guilherme Pereira, nacionalidade portuguesa, nascido em Lourenço Marques (Moçambique), oficial Deficiente das Forças Armadas por ferimentos adquiridos em combate durante a guerra colonial em Moçambique, medalha de Cruz de Guerra de Primeira Classe, é Licenciado e Doutorado em Filologia Românica e Doutorado em “Jornalismo e Ciências da Comunicação” (classificação de vinte).

Foi dirigente associativo na Associação Académica de Coimbra e também  dirigente da Associação Académica de Moçambique.

Na Universidade de Coimbra, integrou o núcleo duro dos 39 estudantes que lideraram a insurreição contra o regime político fascista – ao lado de Alberto Martins, Celso Cruzeiro, Strech Ribeiro, entre muitos outros – acabando por ser expulso de todas as universidades portuguesas e mais tarde reintegrado justamente por força da greve geral a exames (98,7% de adesão) levada a efeito em 1969 pelos estudantes da Universidade de Coimbra (in COIMBRA 69, de Celso Cruzeiro, Edições Afrontamento).

Por via do seu envolvimento na luta contra o fascismo, em Moçambique e Portugal, foi várias vezes preso. Estava preso em 25 de Abril de 1974, tendo sido libertado por via da amnistia decretada pela “Junta de Salvação Nacional”.  Estes factos constam, documentalmente e testemunhalmente,  do livro de sua autoria editado pela EDITORIAL PRESENÇA (“Prisão Maior”) e em várias publicações nacionais e internacionais.

Jornalista profissional há 37 anos -  rádio,TV e imprensa escrita - titular da carteira profissional 6964 emitida pela Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas, sócio 6600 do Sindicato de Jornalistas, exerceu e ainda exerce a sua profissão, no total em vinte e três (23) órgãos de informação, cinco dos quais não nacionais.

É também colaborador em cinco órgão de informação chamados regionais, dois dos quais on-line.

Professor Universitário, é membro (número 070540) do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, ensino superior.

Cofundador e ator, sob a direcção de Mário Barradas, do TEUM (Teatro dos Estudantes Universitários de Moçambique), tendo representado, entre outras, a peça de William Shakespeare “Measure for Measure” no papel principal de “Escalus”; foi fundador e Dirigente do Núcleo Provincial de Minibasquete, em Moçambique, e igualmente fundador e Director Geral em  2002,  2003, 2004, 2005 e 2006 das “Ficções Reais”, (nome de registo FICÇÕES ACTUAIS  Lda, no Registo Nacional de Pessoas Coletivas) empresa profissional de guionismo e escrita criativa para TV e cinema, que subscreveu contratos com os canais de TV SIC e TVI, ainda com o grupo SONAE, empresa para a qual são produzidos os documentários subordinados à temática do “Desenvolvimento Sustentável”. Esta empresa iniciou a sua atividade com seis profissionais, tendo actualmente 49, desde guionistas a operadores de câmara, produtores, maquetistas, gráficos, aderecistas, iluminadores, assistentes de realização e realizadores.

Guilherme Pereira, 4 filhos, dois dos quais jornalistas, é autor de  158 publicações académicas relacionadas com literatura portuguesa, literatura africana de expressão portuguesa, linguística e ainda sobre o fenómeno da deficiência em geral, 7 dos quais sobre deficiência de antigos combatentes de Portugal, Vietname, França, Somália, Ruanda, Bósnia, Moçambique, Angola, Reino Unido e EUA.

Do ponto de vista da sua intervenção cívica e académica, é membro, entre outras, da Academia Brasileira de Letras, WWF (World Wilde Foundation), Amnistia Internacional, Prisioners Abroad, Forum Prisões, Sport Lisboa e Benfica, Associação 25 de Abril, Asssociação Deontológica dos Profissionais Militares, Stratego, EUROMIL - Organização Europeia das Associações Militares, Eurodefense-France, Quercus, Associação dos Deficientes das Forças Armadas e Deco.

É igualmente Cofundador e Secretário Geral da ONG “Forum Prisões”.

Guilherme Pereira está coletado, do ponto de vista fiscal, como professor, jornalista, escritor e guionista.

Sempre incansável lutador pelos ideais da liberdade e sem filiação partidária, amigo do seu amigo, indescolável dos seus ideais, sempre até às últimas consequências, Guilherme Pereira, justamente porque não é (não quer ser) indiferente face aos problemas do país, das funções que desempenha e do mundo em geral, que aliás conhece muito pessoalmente, em boa parte devido à sua atividade de jornalista e académico, é uma figura controversa que gera paixões e ódios, sendo geralmente pouco sensível a uns e a outras.

Costuma dizer, entre familiares, amigos e camaradas de profissão, que “está de passagem pela vida e não gostaria de permanecer a observar o mundo comodamente na estação das camionetas do comodismo ou da indiferença”, preferindo escolher “um caminho, mesmo que não seja confortável ou pacífico, até porque há guerras que é preciso fazer e outras que é preciso comprar”.

Publicação: terça-feira, 16 de janeiro de 2007 21:02 por Guilhas
http://comunidade.sol.pt/blogs/guilhas/archive/2007/01/16/GUILHERME-PEREIRA.aspx


NR: A biografia publicada por este herói antifascista e anticolonialista é tão resumida que só por humildade do seu autor se pode entender o esquecimento de muitos outros pontos interessantes:
- porque será que o lutador antifascista ocupava o maior parte do seu tempo como secionista da equipa feminina de basquetebol da Associação Académica de Moçambique, como disfarce da sua atividade clandestina de luta contra a ditadura?
- porque ficou deficiente das forças armadas, em que dia, em que local e contra quem combatia este herói antifascista?

- porque será que o famoso jornalista da "Tribuna" de Lourenço Marques, apareceu agredido pelas forças da reação, em maio de 1974 mas, por alguns, associada a uma refeição bem regada?
- porque será que as agitadas intervenções  nas assembleias de estudantes da Universidade de Lourenço Marques, terminavam num galhofa generalizada?

- porque será que o Festival de Música Popular que o Guilhas organizou, nos anos 70 do séc. XX, nunca se chegou a realizar e os músicos contratados não viram um tusto e sentiram-se (no mínimo) enganados?
- porque será que o jornal «Expresso» recebeu contas de hospedagem de um jornalista homónimo, em diversos hóteis do Algarve que, na verdade, nunca integrou os quadros do jornal?
- porque será que o Guilhas foi parar à prisão nos anos 80 do séc. XX?
- porque o Guilhas está com o
ex-advogado Romeu Francês, no Forum Prisões, uma organização sem fins lucrativos fundada por ex-reclusos?

- porque será que o Guilhas deu uma entrevista televisiva a Margarida Marante, no canal «SIC» em que reconheceu a sua personalidade dupla de fantasista e de herói das suas próprias
histórias?





 

30/09/2012

Gutenberg

A 30 de setembro de 1452, Johannes Gutenberg publicava a primeira obra impressa -  a Bíblia de Gutenberg - por tipos móveis.

Em suma, o inventor da Tipografia e - consequentemente - do Mundo livre, pensador e conhecedor que temos hoje.

08/09/2012

Há dias felizes

25/08/2012

Neil Armstrong – um salto gigantesco para a Humanidade

Recordando a longa e entusiasmante noite de 20 de julho de 1969 em que Neil Armstrong deu os primeiros passos na Lua e daria ímpeto ao desenvolvimento tecnológico que hoje está nas mãos de todos.
 
Descanse em paz!
 
 


 


 

24/08/2012

Uma Fazenda em África


O livro «Uma Fazenda em África», de João Pedro Marques, é um romance histórico fabuloso. Tem por base a história heróica da colonização de Moçâmedes, Angola (hoje, Namibe) por portugueses idos de Pernambuco, Brasil, no séc. XIX, acontecimento que exalta os grande sacrifícios de portugueses e angolanos e cimenta a lusofonia.




Uma obra a não perder!

24/07/2012

A Verdade...

O "camarada" Armando Guebuza diz que a história da Frelimo está a ser atacada. Ora, ninguém (moçambicano) tem atacado a história da Frelimo.


Que o senhor Guebuza se lembre com que emoção recebemos a Frelimo em 1974 depois dos Acordos de Lusaka. O que se tem atacado são os falsos depoimentos e não menos à falta de honestidade para se falar do que realmente aconteceu durante os 10 anos da Luta para a independência do país.


Descobrimos ao longo dos 37 anos que parte do que nos fizeram cantar É FALSO.


Começou-se a partir disso a questionar-se. Se não se questionasse, ainda ficaríamos com a história de que Eduardo Mondlane morreu no seu escritório. Estaríamos ainda a acreditar que quem matou Eduardo Mondlane foi Uria Simango. Se não se questionasse, não teríamos sabido aquilo que Fanuel Mahluza nos deixou e que por sinal nenhum desses fundadores da Frelimo, ainda vivos, ousou confrontá-lo.

Quem nunca se preocupou em saber a verdadeira história ainda acredita que Filipe Magaia foi morto por um tiro do exército colonial. Quem nunca questionou a história nunca saberá das circunstâncias da morte de Silvério Nungo. E aí muita coisa que nestes falsos depoimentos não se diz senão pôr uns a falarem como se estivessem com
jovens da minha geração, em 1974/75.


Guebuza e outros dirigentes da Frelimo devem saber que é o que ainda não foi contado que nos preocupa em saber e NUNCA MAIS aceitaremos cantar Joana, Verónica, Simango, Gumane, Murupa de reacionários.


Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos, Armando Guebuza, Mariano Matsinhe, etc. deviam ter tido coragem e talvez aproveitar este momento para se reconciliar com os outros fundadores da Frelimo e falarem dessa fundada em 1962, essa que faz 50 anos. Ao invés de procurarem desconhecidos para proclamá-los heróis, deviam convidar António Palange, Vicente Ululu, Paulo Murupa (diz-se que está vivo), João Craveirinha, Francisco Moisés Nota, António Disse Zengazenga, entre outros compatriotas para num debate franco e honesto, de reconciliação em volta da FRELIMO, Frente de Libertação de Moçambique, deixarem a verdadeira história do movimento sem se confundir com o partido Frelimo.


Como não tiveram essa coragem, continuaremos a procurar por via informal a versão da verdadeira história por ou- tros que a conhecem e isso não significa atacar a história da Frelimo, mas sim reconstruí-la.


António Kawaria 

03/07/2012

Antigamente

Um carocha ou Volkswagen, era assim:

25/06/2012

Os retornados

Passados 37 anos, vale a pena analisar o fenómeno, para impedir o esquecimento e para memória futura de Verdades incontornáveis.......

Uma das ideias feitas que ainda hoje subsiste em Portugal, é a de que os «retornados do Ultramar» constituíam uma legião de indivíduos que agravaram de várias formas o já de si deplorável estado da sociedade portuguesa à data da Descolonização. Sociedade que estava sofrendo o inevitável depauperamento causado pela emigração maciça dos seus braços mais válidos em busca de melhores condições de vida, sangria que começara muito antes das chamadas «guerra colonial» e que esta veio inevitavelmente acentuar.
Disse-se, escreveu-se, e ficou gravado no entendimento comum dos portugueses, que a maioria dos retornados era uma legião de pessoas rudes, na maioria já de idades avançadas, que tinham queimado as suas energias pelas terras de África, pouco produtivas para a tarefa da reconstrução nacional, e sobretudo escassamente preparados do ponto de vista profissional.

A ideia geral que se fazia — e intencionalmente se propalou!... acerca dos retornados do ex-Ultramar, era a de uma maioria de rudes capatazes agrícolas, broncos e violentos, de astutos comerciantes do mato, e de uns tantos «endinheirados» que exploravam negócios altamente chorudos! Acontece que os sucessivos contingentes que os aviões despejavam diariamente no Aeroporto de Lisboa, nos dois ou três meses que se seguiram ao êxodo maciço dos portugueses de Angola e de Moçambique, bem como as imagens fotográficas ou da Televisão, davam uma aparência de realidade a tão deploráveis e errados juízos.

São hoje suficientemente conhecidas as deploráveis condições em que os retornados de Angola e Moçambique regressaram a Portugal - nove em cada dez, apenas com as roupas que tinham vestidas no momento do embarque, por não terem tido tempo nem possibilidade de voltar aos lares de onde tinham sido expulsos a ferro e fogo para salvar as vidas.

Todavia, serenada a tempestade ou calamidade que se abateu sobre os retornados do Ultramar, acalmadas as inevitáveis paixões políticas e serenados os juízos precipitados — as estatísticas encarregaram-se de rectificar as asneiras insidiosas e intencionais, e de dar ao País um retrato real dos retornados, sob mais diversos aspetos.

Paralelamente, as manipulações da opinião pública foram cessando, e estudiosos atentos e imparciais debruçaram-se sobre a realidade - e os retornados do ex-Ultramar surgem aos olhos da opinião pública e dos seus concidadãos em geral, como aquilo que na realidade são.

Para esboçar esse retrato do retornado socorremo-nos de um valioso e insuspeito estudo realizado por um grupo de universitários, prefaciado por uma brilhante Secretária de Estado de um dos Governos pós 25 de Abril, editado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, para neste momento e neste local, traçarmos um RETRATO DE CORPO INTEIRO dos retornados, e da sua contribuição para a revitalização da sociedade portuguesa.

O apuramento realizado pelo Instituto Nacional de Estatística em 1978, citado pelo referido grupo de universitários no estudo que consultámos, referia a existência de 505.078 indivíduos entrados no País e inscritos como «retornados do Ultramar».

Em termos percentuais esses 505 mil retornados representavam pouco mais de 5% do total da população nacional. Este número é discutível e muitas fontes insistem em números mais elevados, entre 700 a 800 mil. Mas trata-se de números oficiais, registados pela estatística oficial, e é em presença deles que temos de raciocinar.

Ora, segundo os números do Instituto Nacional de Estatística, daqueles 505.078 retornados, um pouco mais de metade - exatamente 298.968 - eram nascidos ou oriundos de Portugal, e portanto os restantes 206.110 eram portugueses já nascidos nas então províncias ultramarinas.

Por enquanto trata-se apenas de distinguir entre portugueses oriundos de Portugal que regressavam ao país de origem, e portugueses nascidos noutras terras e aos quais, só por isso, parecia querer negar-se a qualidade de portugueses também... Porém, o que é realmente importante, e mostra insofismavelmente que os retornados vieram rejuvenescer a sociedade portuguesa, é a observação desses dados estatísticos quando entra na discriminação etária, cultural e profissional dos retornados.

Assim, sob tais aspectos, verifica-se que: daqueles 505.078 retornados, 65,5% tinham menos de 40 anos e constituíam portanto uma parcela válida. Mas acima dos 40 e até aos 64 anos a percentagem de retornados era de 29,8% - todos sabem como no Ultramar os homens até aos 60 anos eram uma das parcelas mais válidas das populações, senão em energias físicas pelo menos em saber e experiência acumulada.

Além disso, do total de retornados, 52,74% eram homens e apenas 47,26% mulheres — o que pressupõe uma maioria de braços válidos para o trabalho. Porém, um dos aspectos mais importantes desta notação estatística, é aquele que refere que a população retornada era em regra profissional e intelectualmente mais bem preparada do que a da metrópole, pois que do recenseamento efectuado, resultava que: 48,4% tinha instrução primária (numa época em que na metrópole havia mais de 20% de analfabetos); e dos restantes 51,6%, descontando apenas 6,5% de não-alfabetizados constituídos quase exclusivamente por crianças com menos de 10 anos de idade, havia 8,5% de possuidores de cursos superiores incluindo médicos, professores universitários, investigadores, advogados, etc., e mais de 30% possuíam cursos médios, secundários e profissionais.

Com a entrada dos retornados, a sociedade portuguesa foi subitamente enriquecida com mais de 5.000 mil engenheiros, arquitectos e técnicos dos mais elevados graus e ramos da engenharia civil e de minas, de industrias transformadoras e outras; cerca de 1.800 biólogos, agrónomos, investigadores dos ramos fisico-químicos e similares; quase 13.000 professores e outros docentes de todos os ramos do ensino, desde o primário ao universitário; 325 navegadores, pilotos e outro pessoal especializado da navegação aérea e marítima; cerca de 16.000 quadros de serviços administrativos e outros, desde estenógrafas a operadores de informática.

No setor da produção, a força do trabalho metropolitana foi enriquecida com mais 13.000 mecânicos especializados; cerca de 7.000 serralheiros civis, montadores de estruturas metálicas, caldeireiros e profissões similares.

A construção civil, cuja maior força de trabalho tinha emigrado para os países da Europa, foi enriquecida com 13.000 pedreiros, carpinteiros e outros profissionais dos mais diversos ramos.

As indústrias transformadoras foram enriquecidas com mais 12.000 operários especializados, desde os ramos têxtil ao da alimentação e bebidas, da mecânica fina ao mobiliário. O sector dos transportes viu-se repentinamente valorizado com a entrada de mais 13.000 condutores de veículos pesados e de transportes públicos.

No setor agro-pecuário surgiram mais 16.000 capatazes e condutores de trabalhos agrícolas, de maneio e tratamento de gados ou de exploração florestal, em escalas que, em muitos casos, não eram conhecidas neste país. Mas vieram ainda cerca de dez mil trabalhadores dos ramos de hotelaria, restaurantes e similares, cozinheiros, ecónomos e outros.

Porém, e talvez mais importante ainda que as suas especializações profissionais, os retornados trouxeram à força de trabalho do País a contribuição valiosíssima da disciplina, da produtividade, da assiduidade, que rapidamente os distinguiram (e não raro os tornaram detestados...) num ambiente em que apenas se falava de postos de trabalho... mas não se trabalhava; em que o absentismo ascendeu a taxas inconcebíveis, em que os locais de trabalho se transformaram em centros de organização de manifestações a propósito de tudo e de nada.

Cremos que estes números, extraídos de fontes absolutamente insuspeitas, serão suficientes para desfazer certas ideias que, infelizmente, ainda de tempos a tempos afloram em certos meios e em determinadas ocasiões, acerca dos Retornados do ex-Ultramar.

Na realidade, e a despeito das desgraçadas condições em que se desenrolou o seu regresso à Pátria de origem ou de opção - o fluxo dos retornados constituiu na realidade um indiscutível e precioso factor de valorização da sociedade portuguesa.

António Pires

24/06/2012

Walther Rathenau

"Nós não podemos usar os métodos da Rússia, pois eles apenas provam que a economia de uma nação agrária pode ser arrasada; os pensamentos da Rússia não são os nossos. Eles são, como está no espírito da elite inteletual urbana russa, não filosóficos, e altamente dialéticos; eles são lógica apaixonada, baseadas em suposições não verificadas. Eles assumem que um único bem, que é a destruição da classe capitalista, pesa mais que todos os outros bens e que pobreza, ditadura, terror e a queda da civilização devem ser aceitos para assegurar aquele único bem."

"Se dez milhões de pessoas tiverem que morrer para livrar outros dez milhões da burguesia, então esta será uma consequência dura porém necessária."
"A ideia russa é felicidade compulsória, no mesmo sentido e com a mesma lógica da introdução compulsória da Cristianismo e da Inquisição."

Assinalam-se hoje os 90 anos do assassinato de Walther Rathenau (Berlim, 29.09.1867 — Berlim, 24.06.1922), proeminente estadista alemão, cuja morte foi um sinal dos anos de chumbo que se iriam abater sobre a Europa.

As ideias que deixou expressas constituiram uma antecipação tremenda.


05/06/2012

A guerra dos seis dias

O início de tudo (5 de junho de 1967):

O árabe foi à loja do judeu para comprar sutiãs pretos.

O judeu, pressentindo bons negócios, diz que as peças são raras e poucas e vende por 40 euros cada uma.

O árabe compra 6, e volta alguns dias depois querendo mais duas dúzias.

O judeu diz que as peças estão ficando cada vez mais escassas e vende por 50 euros a unidade.

Um mês depois, o árabe volta e compra o que resta por 75 euros cada.

O judeu, encucado, pergunta-lhe: "O que faz com tantos sutiãs pretos"?

O árabe responde:
- Corto o sutiã no meio, faço dois chapeuzinhos e vendo para os judeus por 100 euros cada.

FOI AÍ QUE A GUERRA COMEÇOU...

25/04/2012

25 de Abril de 1974

Um instituto superior da capital. 1º ano de Relações Internacionais.

A cadeira é Ciência Política. O professor é um distinto deputado à
Assembleia a República.


A aluna, com rara convicção, explica ao examinador tudo o que se passou no 25 de Abril de 1974:


"A revolução de 74 significou a queda de um regime militar dominado pelo almirante Américo Tomás e pelo marechal Marcelo Caetano, que governava o país depois de deposto o último rei de Portugal, Oliveira Salazar.

25 de Abril foi uma guerra entre dois marechais: o marechal Spínola e o marechal Caetano".

Obviamente, chumbou.
_____

Outra versão, ainda mais criativa, desta vez numa universidade privada de Lisboa, no 3ºano de Relações Internacionais.


- Descreva-me brevemente o que foi o 25 de Abril de 1974.
- Foi um golpe levado a cabo pelos militares, liderados por Salazar, contra Marcelino Caetano.


- (o professor, já disposto a divertir-se) E como enquadra o processo de descolonização nesse contexto?
- Bem, a guerra em África acabou quando Sá Carneiro, que entretanto subiu ao poder, assinou a paz com os líderes negros moderados. Foi por causa disso que ele e esses líderes morreram todos em Camarate.
- Já agora, pode dizer-me quem era o presidente da República Portuguesa antes de 1974?
- Samora Machel.


Conta quem assistiu à oral que o professor quase agrediu a aluna.

23/02/2012

Stefan Zweig 23 fevereiro

A 23 de fevereiro de 1942 desapareceu Stefan Zweig, o escritor austríaco que importa ler por várias razões, sendo todas elas ligadas aos dias de hoje:

Uma delas, porque, como a grande distância, antecipou o Brasil como País de Futuro, precsiamente num livro com esse nome.

Depois, porque biografou o navegador português Fernão de Magalhães como mais ninguém fez.

E, finalmente, porque deixou registo do suicídio da Europa em duas Guerras Mundiais que viveu, no seu livro "O Mundo de ontem / Die Welt von Gestern" (ed. Assírio Alvim, em Portugal) em cujos traços de época de loucura se vê muita da irracionalidade dos dias de hoje.

Um autor a ler, em edições modernas ou a procurar no alfarrabista.

Stefan-Zweig-Weg, em Munique

16/12/2011

Está quente, está quente!

O excelente «The Delagoa Bay» (14.12.2011) faz um interessante comentário ao nosso artigo de 23.10.2011, o dia em que se assinalou o fim do samorismo.

A ele acrescenta uma nota de "possivelmente plausível"!

Pois não só é plausível como verdade, como inside information explica o que se publica.

Além disso, a 25.06.1975, o fotógrafo estava ali (chamava-se Av. do Brasil, um nome "colonial" que agora daria jeito).

Está quente, está quente mas, o resto, é segredo do negócio...