Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

03/09/2010

O dia em que Portugal foi "notícia"

01/09/2010

Memórias do caos

Um relato dos grupelhos que lançaram o caos em Portugal.

25/08/2010

Adrião Rodrigues

Carlos Adrião Rodrigues
Rua de Infantaria 16, n° 103 2° Dto.
LISBOA


Exmo. Sr.
Presidente da República Popular de Moçambique

Excelência,

Venho apresentar a V.Exa a minha demissão do cargo de Vice-governador do Banco de Moçambique.

Em resumo as razões que me levam a tomar esta decisão, são as seguintes:

1 - A política de afastamento das minorias étnicas residentes em Moçambique. Esta política - cuja determinação voluntária por parte do governo não me oferece dúvidas e é facilmente demonstrável - além de pôr em causa a existência de uma sociedade pluriracial em Moçambique, em que eu pessoalmente apostara, empurrou o país para o caos económico e social.

Por virtude de uma injustiça decorrente da situação colonial, mas que ao governo revolucionário seria fácil corrigir, parte importante dos conhecimentos necessários ao país estavam concentrados nessa gama populacional (brancos, indianos, chineses e mulatos).

Ora, grande parte dessas minorias étnicas ficaria no país, caso lhes fossem dadas determinadas garantias básicas (direito a não ser preso excepto nos casos permitidos por lei, respeito pela sua propriedade pessoal, garantias de julgamento rápido e de defesa em caso de prisão legal, respeito da sua identidade cultural própria.

Em troca destas garantias fundamentais (que não seriam uma excepção porque se deveriam aplicar a toda a população) elas dariam ao país o seu trabalho, que enquadrado numa economia socialista, era essencial para o arranque económico.

Em vez de se aproveitar essa parte da população, preferiu-se acossá-la. Multiplicaram-se as prisões arbitrárias, as violências verbais, o desrespeito pelos bens pessoais. Procurou-se substituir essa população pelos cooperantes e por uma apressada formação de quadros, mais apregoada que executada.

Escorraçou-se do país para fora homens que eram absolutamente insubstituíveis, para já, e que num outro contexto teriam ficado. Lembro só para exemplo os quadros agrícolas e veterinários escassos mas extremamente importantes, apostados em ficar mas que um a um se foram embora, bem contra vontade; os quadros de geologia e minas, falsamente acusados de desvio de ouro, nas primeiras páginas dos jornais locais, e que depois de se ter constatado a sua inocência jamais mereceram uma reparação.

Os Zecas Russos, os Macamos e outros marginais ainda em circulação foram promovidos a autênticos heróis nacionais, só porque espoliavam as pessoas de seus teres e haveres o que, parece, era considerado altamente patriótico e revolucionário. Verdade que eles espoliavam as maiorias e as minorias, o que resulta em fraco consolo para umas e outras.

E, neste caminho, acabou-se na pequena truculência anti-branco ou anti-mulato, como foram os casos da expulsão dos agricultores brancos do Vale do Limpopo - gente pobre que trabalhava a terra - e a expulsão dos chamados “comerciantes de nacionalidade” isto é, de pessoas que ao abrigo de uma lei ridícula e que devia ser revogada, mas que existia e tinha sido publicada pelo governo da República Popular de Moçambique, tinham mudado de nacionalidade, para se garantirem um pouco mais contra as arbitrariedades que apontei. Ora, esta expulsão veio afectar a economia do país, na medida em que afastou os últimos operários com alguma especialização e de capacidade de direcção que não fossem negros. E quanto a estes últimos ainda está por fazer o balanço dos que fugiram. Mas segundo me consta, a zona do Rand, na África do Sul, está cheia de carpinteiros, mecânicos, electricistas, operários da construção civil, fugidos de Moçambique.

Durante muito tempo convenci-me que esta política era, não uma política mas sim erros, próprios do processo. Ou tentei convencer-me. Mas a constância dos erros e sobretudo o reforço da posição das pessoas que eram o esteio desta política, surgido do 3° Congresso, convenceu-me que se tratava de uma política sistematicamente prosseguida. Ora eu tinha apostado noutra: a manutenção das minorias étnicas, o respeito pelos seus direitos, mas contrariando severamente todos os privilégios que, indiscutivelmente os beneficiava.

E Moçambique, porque um país onde tais minorias étnicas eram em número reduzido, podia ser o laboratório experimental de uma política que me parecia poder ser exemplo extremamente importante para a África Austral.

Por outro lado a força e o prestígio da FRELIMO permitiam-lhe fazer a experiência. Não se fez e o resultado está à vista: o fracasso económico, e a redução quase a zero das possibilidades de recuperação; um profundo desengajamento do povo, tanto no trabalho da construção do país como na actividade política; uma cada vez maior dependência da África do Sul que hoje, mais que no tempo colonial é a grande fonte das nossas disponibilidades externas e o grande fornecedor dos bens de consumo essenciais que a nossa produção reduzida torna vitais.

2 - Convencido como fiquei de que a sobrevivência das minorias étnicas e o projeto de uma sociedade pluri-racial estavam condenados em Moçambique em virtude da política prática seguida - que contrariava a linha política anunciada - cheguei à conclusão que eu, como branco e ainda por cima não nascido em Moçambique, não tinha lugar nessa sociedade, pelo menos enquanto não mudar a sua praxis e não se decidir a assumir como sua toda a população (que era escassa) habitante do território. Portanto saio. Creia que não lhe minto se lhe disser que o faço com a morte na alma.

E saio já porque também devo pensar um pouco mais em mim e que os meus anos se vão passando para iniciar vida nova utilmente noutro país.

3 - A pressão sobre as minorias não resultou em qualquer benefício para a maioria. Antes pelo contrário - a quebra na produção e a incapacidade de recuperação que se nota em quase todos os setores da economia, fazem prever um acentuado decréscimo no nível de vida da população.

Postas as razões convém-me ainda esclarecer que considero V.Exa ainda hoje, apesar das reservas expostas à política seguida, como o mais autêntico representante do povo moçambicano, o verdadeiro líder nacionalista de que Moçambique precisa.

Por outro lado, e como vacina contra boatos, quero afirmar que nas minhas atuações sempre procurei defender com toda a honestidade os interesses que me foram confiados por Moçambique. Mas a corrupção a alto nível dentro do aparelho de estado existe, e dela tive confirmação em Lisboa.

Pelas razões que exponho para a minha saída, acho ser meu direito, e também meu dever, pedir a V.Exa que autorize a saída dos meus bens pessoais que me fazem mais falta e que só com dificuldade poderia substituir: mobílias, eletrodomésticos, livros, discos e um carro Simca 08-75, com 5 anos de uso. Caso V.Exa autorize, pessoa amiga, que indico ao Cassimo, tratará das demarches necessárias. Mas se V.Exa achar que não deve autorizar, também passarei sem elas. Aceite V.Exa os cumprimentos meus e de minha mulher e os nossos desejos das maiores prosperidades para o Povo Moçambicano.

Carlos Adrião Rodrigues









09/08/2010

Quando éramos peixes

Obra muito interessante para ler na praia, com ou sem peixes.

O que diz a opinião publicada?
O virar de página na Teoria da Evolução. A importância da descoberta do "Elo Perdido". Porque temos este aspecto? O que tem a mão humana em comum com a asa de uma mosca? Estarão os seios, as glândulas sudoríparas e as escamas ligadas de alguma forma? Para uma melhor compreensão do funcionamento do nosso corpo e para identificar a origem de muitas das mais comuns doenças actuais, teremos de procurar fontes inesperadas: vermes, moscas e até mesmo peixes. Neil Shubin, um destacado paleontólogo e professor de anatomia, que descobriu o Tiktaalik - o «elo perdido» que foi notícia um pouco por todo o mundo em Abril de 2006 -, conta a história da evolução remontando os órgãos do corpo humano a milhões de anos no passado, muito antes de as primeiras criaturas terem caminhado sobre a Terra. Shubin leva-nos a ver-nos a nós mesmos e ao nosso mundo a uma luz completamente nova. "Quando Éramos Peixes" é pura divulgação científica: esclarecedora, acessível e contada com um entusiasmo irresistível.

«O estudo dos fósseis, lado a lado com experiências com embriões de animais (e as muitas semelhanças que todos os animais têm, durante o desenvolvimento embrionário) e, nas décadas mais recentes, sobretudo a partir dos anos 1980, com os avanços na genética, permitem-nos traçar um retrato cada vez mais preciso - e, muitas vezes, surpreendente - da evolução. É essa a história contada por Shubin: a nossa própria história, desde os tempos em que não tínhamos sequer cabeça.» - in «Público» (Ípsilon).

Livro a não perder, com comentários detalhados aqui, aqui, aqui e aqui.

28/07/2010

Acordo ortográfico

Contra o acordo ortográfico que projetará língua portuguesa no Mundo? Contra a língua portuguesa nas Nações Unidas? Contra uma maior aproximação entre falantes de língua portuguesa?

Em 1822 escrevia-se assim:

26/07/2010

CPLP: lusofonia é isto

Na Alemanha, três coros, em Munique, Estugarda e Colónia, integrando alemães e emigrantes brasileiros, portugueses, franceses, suíços, italianos e holandeses, cantam em língua portuguesa, temas do Brasil e de Portugal. Aproveitam os seus tempos livres para se divertirem e cantarem poetas e povos da lusofonia.

É neste contexto que se percebe a importância de uma grafia comum para a língua de Camões.



24/07/2010

CPLP é isto



20/07/2010

A origem da vida


Uma série do History Channel, em 9 segmentos, é uma interessante apresentação da origem da vida na Terra: em apenas 200 anos, a Ciência passou da não compreensão da sua origem para uma crescente aproximação aos fundamentos que permitiria a sua existência:



















19/07/2010

Liceu Salazar

Em dois momentos diferentes, 1969 e 1974, o Liceu Salazar de Lourenço Marques, Moçambique.
Todos os miúdos das imagens são hoje pais e mães e provavelmente avôs e avós. Uns e umas, com quase a mesma figura, são reconhecíveis. Outros e outras, completamente diferentes fisicamente, não batem a bota com a perigota. Infelizmente, alguns já ficaram pelo caminho.

O incrível é que a História os espalhou por Moçambique, Portugal, África do Sul, Brasil, Reino Unido, Macau, Austrália, Estados Unidos, Espanha, Bélgica, Itália, Alemanha, Índia.

Uma homenagem a tanta juventude bonita e generosa e a tantos professores que os fizeram gente de valor.

O dia em que vida quase desapareceu


Este documentário mostra a extinção do Permiano-Triássico ou extinção Permo-Triássica foi uma extinção em massa que ocorreu no final do Paleozóico há cerca de 251 milhões de anos. Foi o evento de extinção mais severo já ocorrido no planeta, resultando na morte de aproximadamente 95% da vida na Terra.

18/07/2010

A vida

Michael Benton, professor de paleontologia de vertebrados da Terra da Universidade de Bristol é autor do livro «Breve História da Vida», lançado em português, em Junho de 2010, pela Texto Editora.

Começando o relato há 4500 milhões de anos atrás, como grande entusiasmo, percorrem-se as páginas ao ritmo dos séculos, desde o aparecimento de formas rudimentares, às vigorosas transformações, à explosão câmbrica da vida e pelas sucessivas extinções em massa que quase a liquidaram...

Uma leitura altamente aconselhável mesmo para não-cientistas.

"Poucas histórias haverá mais notáveis do que aquela que nos conta a evolução da vida na Terra. Esta breve introdução apresenta-nos um guia suncinto para os episódios chave dessa história - das controvérsias em torno do próprio nascimento da vida até à extraordinária diversidade das espécies que hoje povoam o Mundo, fazendo paragens no caminho pelas origens do sexo e da multicelularidade, a mudança para terra, as extinsões em massa e, mais recentemente, a ascenção dos conscientes humanos.
Ao introduzir ideias de uma vasta gama de disciplinas cientéficas, da biologia evolucionária e da história da Terra à geoquímica, paleontologia e sistemática, Michael Benton explica-nos como podemos montar as peças deste enorme puzzle evolucionário, a fim de criarmos uma imagem atualizada da história da vida na Terra" (da contracapa)

17/07/2010

A criança do Lapedo

A "criança do Lapedo" é o tema do livro do jornalista luso-moçambicano João Aguiar e publicado em 2006.

Trata-se do relato em torno do achado arqueológico de um discutido híbrido de Homem moderno (Homo Sapiens) e de Homem Neanderthal (Homo Neanderthalensis). Tendo por base uma tese polémica que o autor acaba por subscrever politizadamente, o livro é um interessante repositório sobre o debate científico em torno dos contatos entre as duas espécies humanas que foram contemporâneas na Europa.

07/07/2010

A origem do Homem Moderno

A edição portuguesa da revista "National Geographic" de Julho de 2010 tem um excelente artigo sobre o mapa ADN do Homem Moderno.

Todavia, o DVD "A Árvore Genealógica da Humanidade", que pode ser adquirido com a mesma edição, é um pérola de História a não perder.

É apresentado da seguinte forma: "A área do curso médio do rio Awash, na Etiópia, é a região da Terra com uma ocupação humana mais persistente. Há quase seis milhões de anos que membros da nossa linhagem ali vivem. Entretanto, a erosão solta ossadas do solo. Caso a caso, elas documentam a maneira como um primata foi evoluindo até conquistar o planeta. Haverá melhor sítio para perceber como nos tornámos humanos?


A vida é frágil em África, mas alguns restos mortais têm uma história para contar. A bacia de Afar localiza-se mesmo em cima de uma falha, em alargamento, da crosta terrestre. Ao longo das eras, os vulcões, os terramotos e a lenta acumulação de sedimentos convergiram entre si para enterrar as ossadas e, muito mais tarde, as devolverem à superfície sob a forma de fósseis. De acordo com o paleoantropólogo Tim White, da Universidade da Califórnia, “há milhões de anos que morrem pessoas neste lugar. De vez em quando, temos a sorte de descobrir aquilo que delas resta”. No passado mês de Outubro, o projecto de investigação Middle Awash, co-dirigido por Tim White juntamente com os colegas Berhane Asfaw e Giday WoldeGabriel, anunciou um achado produzido 15 anos antes: a descoberta do esqueleto de um membro da família humana morto há 4,4 milhões de anos num local denominado Aramis, cerca de trinta quilómetros a norte do lago Yardi. Pertencente à espécie Ardipithecus ramidus, esta adulta (batizada “Ardi”) tem mais de um milhão de anos do que a famosa Lucy e fornece informação sobre um dos problemas-chave da evolução: a natureza do antepassado que partilhamos com os chimpanzés."


20/06/2010

O Colar do Neandertal

Na linha de outras obras fortemente recomendadas (ver) sobre a história do ser humano, é altura de referir "O Colar de Neandertal", uma obra soberba do espanhol Juan Luis Arsuaga.

Veja-se esta síntese bem explicada:

O livro, de Juan Luis Arsuaga, professor catedrático de paleontologia da Universidade de Madrid, descreve a trajetória de hominídeos de uma outra humanidade, não ancestral dos seres humanos, misteriosamente desaparecida há 30 mil anos.

Entre todas as ciências, a paleontologia é uma das que mais está ligada à busca de respostas a perguntas como: “O que somos?”, “De onde viemos” ou “Como nos tornamos o que somos?”.

No seu livro "O Colar do Neandertal - em busca dos primeiros pensadores", o paleoantropólogo espanhol Juan Luis Arsuaga conduz o leitor ao cenário em que se deu o encontro de hominídeos mais decisivo da evolução humana.

Há cerca de 40 mil anos, após habitarem durante quase 300 milénios a Europa e o Oriente Médio, os brancos neandertais passaram a ter em seu hábitat a presença de nossos ancestrais recém-chegados da África - e então com a pela mais escura - os cro-magnons.

Depois de aproximadamente dez mil anos dessa convivência no mesmo continente com seus novos vizinhos, os antigos habitantes desapareceram para sempre.

Desde quando foi descoberto o primeiro fóssil dessa linhagem, em 1856, no vale do rio Neander, na Alemanha, os neandertais foram considerados nossos antecessores até quase o final do século XX. Hoje, a partir de pesquisas genéticas com material obtido dos seus fósseis, esses hominídeos cada vez mais são compreendidos como uma outra linhagem, como uma outra humanidade, surgida há cerca de 300 mil anos a partir de uma outra espécie ancestral comum ao cro-magnon, o Homo Antecessor. Essa nova compreensão da árvore genealógica dos hominídeos colocou um novo mistério para a ciência: como e por que o Homem de Neandertal desapareceu?

Longe de diminuir nosso interesse por esses caçadores selvagens que se extinguiram há cerca de 30 mil anos, a concepção de que eles não teriam sido nossos antepassados acabou por aumentar ainda mais nossa atração pelo estudo de sua evolução. Além de buscar as causas de seu desaparecimento, especialistas em paleontologia e em áreas diretamente ligadas a ela estão cada vez mais empenhados em entender por que nós os sobrepujamos. O que não somos? Como e por que nossa diferença com relação a eles teria nos ajudado a sobreviver?

Em "O Colar do Neandertal", Arsuaga, que é professor catedrático de paleontologia da Universidade de Madrid, apresenta de forma emocionante e rigorosa os fatores evolutivos e ambientais que foram cruciais ao longo do trajeto que vai desde os primeiros hominídeos, há mais de dois milhões de anos, a esse dramático encontro entre nossos antepassados e seus parentes mais próximos. Co-diretor de pesquisas sobre as escavações que vêm sendo feitas em um dos mais importantes sítios paleoantropológicos de todos os tempos, a Serra de Atapuerca, próximo a Burgos, no norte da Espanha, o autor ressalta a importância da especialização que o Homem de Cro-Magnon desenvolveu com o uso da linguagem e de símbolos, que teria proporcionado melhores condições para unir esforços coletivos para enfrentar as grandes transformações climáticas ocorridas nesse período.

Diferentemente das interpretações simplistas sobre o Homem de Neandertal, o livro de Arsuaga mostra em detalhes, como essa linhagem havia também desenvolvido a elaboração de ferramentas e o uso de símbolos. Mas, para o pesquisador, havia diferenças cruciais de enfoque da simbologia dessas duas linhagens. “Os deuses dos caçadores não eram os mesmos deuses dos agricultores e fazendeiros.”

Mais que um pesquisador de grande importância para o conhecimento da evolução humana, Juan Luis Arsuaga - que nasceu em Madrid em 1959, em uma família de origem basca - é um divulgador científico que possui texto de qualidade literária e de fácil compreensão para o público não especializado.

19/05/2010

Nacionalistas de Moçambique

«Nacionalistas de Moçambique», de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, lançada pelo Texto Editora, recorda a vida política de dez pessoas que lutaram pela independência moçambicana, pagando com a prisão ou a vida.

Por ordem de apresentação: Noémia de Sousa, Aurélio Bucuane, Ricardo Rangel, Peter Balamanja, Matias M'boa, Malangatana Ngwenya, Júlio Mulenza, Rui Nogar, Zedequias Manganhela, Sebastião Mabote.

Uma leitura indispensável para compreender a injustiça colonial e o fanatismo revolucionário.
(capa de Malangatana)

12/05/2010

Irena Sendler, uma heroína

A polaca Irena Sendler, que salvou cerca de 2500 crianças de serem encaminhadas para campos de concentração nazi, faleceu exatamente há dois anos a 12.05.2008 num hospital de Varsóvia e estaria com 100 anos.

Sendler foi considerada como uma das grandes heroínas da resistência polaca ao nazismo, tendo estado nomeada para o Prémio Nobel da Paz.

Sendler organizou a saída de cerca de 2500 crianças do Gueto de Varsóvia durante a violenta ocupação alemã, na Segunda Guerra Mundial. Ela - que trabalhava como assistente social - e a sua equipa de 20 colaboradores salvaram as crianças entre Outubro de 1940 e Abril de 1943, quando os nazis deitaram fogo ao Gueto, matando os seus ocupantes ou mandando-os para os campos de concentração.

Durante dois anos e meio, Irena Sendler conseguiu ludibriar os nazis e fazer sair do Gueto adolescentes, crianças e bebés - muitos deles disfarçados sob a forma de pacotes - e enviá-los para o seio de famílias católicas, para orfanatos, conventos ou fábricas.

Em Varsóvia viviam 400 mil dos 3,5 milhões de judeus que habitavam a Polónia.

"Fui educada na ideia de que é preciso salvar qualquer pessoa [que se afoga], sem ter em conta a sua religião ou notoriedade", dizia Irena Sendler.

Nascida a 15 de Fevereiro de 1910, a figura de Irena Sendler permaneceu relativamente desconhecida na Polónia, à imagem de Oskar Schindler, que morreu na pobreza, mas que viria a ser imortalizado no cinema pelo realizador Steven Spielberg na película "A Lista de Schindler".

Só em Março de 2007 a polaca foi homenageada de forma solene no seu país, tendo o seu nome sido proposto para o Prémio Nobel da Paz. Em 1965, porém, o memorial israelita Yad Vashem tinha já atribuído a Sendler o título de "Justo Entre as Nações", reservado aos não-judeus que salvaram judeus.

in «Público», 12.05.2008

01/05/2010

Primeiro de Maio

Para quem já se esqueceu ou nunca soube o que era a ditadura social-fascista dos camaradas comunistas da Albânia, a cauda da Europa.

Um postal para os camaradas da CGTP de Portugal, da CUT do Brasil e da OTM de Moçambique:

29/04/2010

A primeira invasão muçulmana

Em 29 de Abril de 711, teve início a invasão muçulmana da Península Ibérica que duraria até 1492, quando ocorreu a conquista de Granada pelos Reis Católicos de Espanha.

A presença árabe teve, na época, um efeito modernizador em vários domínios da ciência já que foi portadora de conhecimento das antigas civilizações egípcia e grega, com especial destaque na agricultura, na medicina, na matemática e na astronomia.

Tempos em que fundamentalismo era desconhecido...


27/04/2010

Magalhães a 27 de Abril de 1521

Fernão de Magalhães, grande navegador português nascido em 1480, faleceu tragicamente a 27 de Abril de 1521 nas Filipinas, na sequência de uma desnecessária luta com habitantes de uma ilha de Mactan.

A extraordinária visão, coragem e capacidade de comando de Fernão de Magalhães levaram-no a propor o acesso à Índia pelo Ocidente, rumando em direção à América e Oceano Pacífico.

Obtido o apoio do rei de Espanha, Carlos V, recusado que foi o do rei de Portugal Dom Manuel I, Magalhães saiu de Cadiz a 20 de Setembro de 1519 com cinco embarcações e 234 tripulantes.

Controlados os danos provocados pelos erros geográficos e pelas revoltas dos marinheiros espanhois, atingem a ilha de Ladrões em 1521, no arquipélogo de Guam.

Os relatos completos da fantástica e difícil viagem foram feitos pelo italiano Antonio Pigafetta que pagara o seu próprio lugar na aventura. Ele foi um dos 18 sobreviventes que completaram a viagem.

Entre os tripulantes seguia Henrique de Malaca, um nativo de Sumatra que era aio e escravo de Magalhães - adquirido em 1511 durante a conquista portuguesa de Malaca - e que, por falar a língua malaia e entender a fala dos locais, foi decisivo para reconhecer e comprovar que fora dada a volta ao Mundo.

O escritor austríaco Stefan Zweig escreveu uma excitante biografia (1938) sobre a vida, a viagem e o génio do navegador português.

(imagens da Wikipedia)

24/04/2010

E depois do adeus

Daqui a dias vai vir novamente a fanfarra, mais os cravos e a liberdade. Sem esquecer a República e o seu farto busto que, por um extraordinário processo de reviravolta histórica, se pretende apresentar como uma antecipação do 25 de Abril. E depois? Depois nada, que a vida está difícil e nós não sabemos como vamos pagar dívidas que não contraímos. Não era de facto isto que estávamos à espera quando nos prometeram a democracia. Na verdade esperava-se muito.
Ao ver as imagens de Portugal em 1974 o mais espantoso é o ar sorridente e esperançado das pessoas. Hoje, rir assim só no futebol, com a desvantagem estética para este último, que a parafernália dos bonés e dos cachecóis, ao contrário do que sucedia com os cravos e as fardas, dá um ar vagamente apalhaçado a quem celebra.
Em Abril de 1974 aos portugueses foi prometido um país mais livre, mais justo, mais rico e mais respeitado. Somos hoje um país certamente mais livre do que éramos até Abril de 1974, mas certamente menos livre do que fomos anos depois.
A desmesura do Estado gerou uma multidão de avençados que se instalou em lugarzinhos de nomeação a partir dos quais se metastizam num universo de jeitos, favores e conhecimentos. Esta gente é hoje o maior obstáculo ao desenvolvimento do país não só porque produz pouco, mas sobretudo porque tem o seu seguro de vida na manutenção desse pântano político-empresarial de dinheiros públicos e interesse privados, tão privados que não são sequer confessáveis.
À parte a liberdade - e essa convém frisar que nos foi garantida pelas Forças Armadas que tão pouco dignificadas têm sido pela democracia - falhou-se em muito daquilo que dependia da competência da classe política. Os pobres são certamente menos pobres hoje do que eram em 1974, mas o sonho de conseguir subir na vida esse perdeu-se no enredo da burocracia, da carga fiscal asfixiante e da loucura dos licenciamentos e dos certificados.
Na justiça, pior seria difícil: seja por causa das leis, seja por causa de quem as aplica, seja pelo que for, Portugal vive uma crise gravíssima, pois gravíssimo é quando um povo descrê da justiça e não se reconhece nas leis que tem.
O legislador sonhou-se e sonha-se nos tempos em que os iluministas esclarecidos impunham mudanças por decreto ao povo ignorante - veja-se o caso do recente Código de Execução de Penas - e os políticos, com especial relevância para o PS, fizeram o resto quando identificaram as responsabilidades éticas e morais do cidadão e político José Sócrates com a possibilidade de o actual primeiro-ministro poder vir ou não a ser constituído arguido. Esta circunstância é um dos momentos mais graves do pós-25 de Abril não só porque se identificou ética com direito penal, como se acabou a instilar a ideia de que a justiça e a investigação são passíveis de serem controladas por quem detém o poder político.
Por fim falemos do respeito. Quando se lêem os jornais pós Abril de 1974, é evidente a tónica então colocada no facto de Portugal ir deixar de ser uma nação isolada. Finalmente íamos deixar de ser criticados internacionalmente. O mesmo discurso exaltante foi depois repetido quando trocámos a incerta via terceiro-mundista do socialismo à portuguesa pela adesão à então CEE.
Os elogios feitos "lá fora" pelos dirigentes europeus à nossa prestação eram repetidos "cá dentro" por homens como Mário Soares e Cavaco Silva. Agora que o estrangeiro deixou de falar bem de nós, vivemos com embaraço as declarações do Presidente checo, tomamo-nos de brios patrióticos perante as agências de rating e descobrem-se pérfidas intenções nos economistas que nos anunciam a falência. Enfim, o habitual em casa onde não há pão.
Em Abril de 1974 os portugueses riam esperançados diante do mundo e das objectivas dos fotógrafos. Agora fazem-lhes manguitos. A culpa não é certamente da democracia e muito menos do povo. A culpa é de quem se esqueceu que "depois do adeus" à ditadura havia que falar verdade ao povo.

Helena Matos, Ensaísta
in «Público», 22.04.2010