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13/04/2011

O socialismo Chávista

Dubai e Venezuela são dois grandes produtores de petróleo. Com dirigentes muito diferentes (respetivamente Mohammed bin Rashid Al Maktoum e Hugo Chávez) são visíveis os resultados.

Palavras para quê?

11/04/2011

Sexo grátis

Publicidade tentadora:

01/04/2011

A capicua

O Instituto Nacional de Estatística português acaba de publicar o novo valor do deficit português, relativo ao orçamento de Estado de 2010.

Do propagandeado êxito de 6,8% anunciado pela camarilha socialista chegou-se, para já (*), ao esmagador valor de 8,6% do PIB, agora apurado pelo Eurostat.

Neste valor passaram a estar incluídos os brilhantes resultados da nacionalização do BPN (antes anunciado como não custando nada ao contribuinte português), os prejuízos acumulados nas empresas públicas de transportes. Todavia, dias virão em que se ficará a saber os prejuízos escondidos (*) em outras empresas públicas: Estradas de Portugal, Parpública, hospitais e autarquias...

Daqui se demonstra que é um simples problema em capicua na matemática socretina.

31/03/2011

A Economia da Europa

Uma aula interessante de análise a Keynes e Milton Friedman e o paradoxo presente na Europa.

28/03/2011

Pinhal de Leiria

AULA DE HISTÓRIA DE PORTUGAL

Pergunta a Professora:
- Joãozinho, sabe a quem é que se deve o pinhal de Leiria?
- Ó s'tora, então essa porcaria também não está paga?!

24/03/2011

The End

O filme de terror socretino está nos minutos finais.

Quinze anos de demagogia, desvario e mentira socialistas conduziram Portugal para a bancarrota.

Mas é preciso que os portuguese não se deixem encantar, mais uma vez, pela anestesia socialista.

A herança é pesada mas os portugueses saberão vencer o desafio.


26/02/2011

Matemática de mendigo profissional

Preste atenção nesta interessante pesquisa de um estagiário de Matemática:

Um sinal de trânsito muda de estado em média a cada 30 segundos (trinta segundos no vermelho e trinta no verde). Então, a cada minuto um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos € 0,10, o que numa hora dará: 60 x 0,10 = € 6,00.

Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá faturado: 25 x 8 x 6 = € 1.200,00. Será que isso é uma conta maluca?

Bom, 6 euros por hora é uma conta bastante razoável para quem está no sinal, uma vez que, quem doa nunca dá somente 10 centimos e sim 20, 50 e às vezes até 1,00.

Mas, tudo bem, se ele faturar a metade: € 3,00 por hora terá € 600,00 no final do mês, que é o salário de um estagiário com carga de 35 horas semanais ou 7 horas por dia.

Ainda assim, quando ele consegue uma moeda de € 1,00 (o que não é raro), ele pode descansar tranquilo debaixo de uma árvore por mais 9 mudanças do sinal de trânsito, sem nenhum chefe para 'encher o saco' por causa disto.

Mas considerando que é apenas teoria, vamos ao mundo real. De posse destes dados fomos entrevistar uma mulher que pede esmolas e que sempre vejo trocar seus rendimentos na padaria. Então perguntámos-lhe quanto ela faturava por dia.

Imaginam o que respondeu.
É isso mesmo, de 35 a 40 euros em média o que dá (25 dias por mês) x 35 = 875 ou 25 x 40 = 1000, então na média € 937,50 e ela disse que não mendiga 8 horas por dia.

Moral da História:
É melhor ser mendigo do que estagiário (e muito menos professor) e, pelo vistos, ser estagiário e professor, é pior que ser mendigo...

Esforce-se como mendigo e ganhe mais do que um estagiário ou um professor. Estude a vida toda e peça esmolas pois é mais fácil e melhor do que arranjar emprego.

E ainda falta o Rendimento Social de Inserção pago por todos e que a mendiga diz receber mensalmente, no valor de 425 €.
Bora lá mendigar!
 
Mendigo não paga 1/3 do que ganha pra sustentar um bando de ladrões.

19/02/2011

Enganar a malta

Os portugueses estão cada vez mais fartos das mentiras socretinas.

Anteontem foi um TGV, ontem foram as SCUT pagas, hoje é a crise internacional, amanhã é a oposição. De truque em truque, de mentira em mentira, de freeport a face oculta, os portugueses vão vendo que já começou uma nova campanha eleitoral.

As medidas indispensáveis à recuperação da economia portuguesas vão sendo empurradas com a barriga para o dia de São Nunca à Tarde, na exata medida em que os socretinos esperam pelo milagre das rosas que venha do regaço da Senhora Merkel...

Esta semana, mais opiniões abalizadas - Alexandre Soares dos Santos (Jerónimo Martins) e José António Saraiva (SOL) - dizem abertamente que é tempo de acabar com mentiras e os truques.

Em suma: a crise está bem aí e é preciso correr com os bandalhos.
 



24/01/2011

A história repete-se (Séc. XIV)

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se...

Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.

13/01/2011

FMI: A frase da situação

"Nunca nenhum curral foi limpo pelos próprios porcos".


09/01/2011

Uma opinião (errada) muito bem encenada


19/12/2010

A China aprende depressa

A China cresce em força e aprende depressa.

Numa Primeira fase com muita vigarice:
|                                                                                                                                                                                 |
Mas em Segunda fase constroi um hotel em poucos dias:

12/12/2010

Caldo Verde e Alfaces

"Quando hoje deixamos de comer umas couves cortadas como para o caldo verde, aferventadas e passadas por azeite, temperadas com alho e acrescentadas com a dita broa, optando por saladas de alface, estamos a trocar a paisagem que conhecíamos pela que resulta de hectares de estufas de produção intensiva, sem que se vislumbre qualquer benefício para a saúde e a dieta."

Henrique Pereira dos Santos
in «Tempo e da Paisagem»

13/11/2010

Selva sem lei ... Isto não fica por aqui!


As autoridades norte-americanas costumavam dar sermões a outros países a respeito dos fracassos econômicos destes e aconselhar que eles imitassem o modelo dos Estados Unidos. A crise financeira asiática do final da década de noventa, em particular, fez com que os norte-americanos dessem muitas lições de moral.

Assim, em 2000, Lawrence Summers, o então secretário do Tesouro dos Estados Unidos, declarou que o segredo para se evitar crises financeiras residia em "bancos bem capitalizados e supervisionados, governança corporativa eficiente e códigos relativos a falências, bem como meios convincentes de fazer com que contratos sejam respeitados". A dedução óbvia é que todas essas eram qualidades das quais os asiáticos careciam - mas que nós tínhamos.

Os escândalos de contabilidade na Enron e na WorldCom acabaram com o mito da governança corporativa eficiente. Atualmente, se alguém falar que os nossos bancos estavam bem capitalizados e supervisionados, todos acharão que trata-se de uma piada de mau gosto. E agora a bagunça das hipotecas está contradizendo as alegações de que nós contamos com um sistema eficaz para garantir o cumprimento de contratos – na verdade, a questão é saber se a nossa economia é governada por algum tipo de regra legal.

A história até o momento é a seguinte: um aquecimento épico do setor imobiliário e um persistentemente elevado índice de desemprego provocaram uma onda de calotes epidêmica, quando milhões de proprietários de residências passaram a atrasar as prestações das suas hipotecas. Assim sendo, as companhias que coletam pagamentos para os donos de hipotecas passaram a cancelar muitos contratos, confiscando diversas propriedades residenciais.

Mas será que elas têm de fato o direito de sequestrar essas casas? Histórias de horror têm se proliferado, como o caso daquele homem da Flórida cuja casa foi confiscada ainda que ele não tivesse nenhuma hipoteca. E o mais significativo é que certas pessoas estão ignorando a lei.

Os tribunais têm aprovado sequestros de imóveis sem exigir que os cobradores apresentem documentação apropriada; em vez disso, eles têm se baseado em declarações que garantem que os papéis estão em ordem. E essas garantias são com frequências prestadas por "assinantes-robôs", ou funcionários de pouca importância hierárquica que não sabem se as declarações apresentadas são de fato verdadeiras.

Agora uma verdade terrível está ficando evidente: em muitos casos, não existe documentação nenhuma. No frenesi da bolha, muitos empréstimos para compra de imóveis foram feitos por companhias inescrupulosas que procuram gerar o maior volume possível de negócios. Essas empresas tinham a obrigação legal de obter e guardar as notas de hipoteca que especificassem as obrigações dos mutuários. Mas agora está claro que tais detalhes foram frequentemente negligenciados. E isso significa que muitos sequestros de residências que estão ocorrendo no momento são, na verdade, ilegais.

Isso é péssimo. Até porque é quase certo que um número significativo de mutuários está sendo fraudado – tendo que pagar taxas que eles na verdade não devem, e sendo declarados insolventes quando, segundo os termos dos seus contratos de empréstimo, não é essa a situação real.

Além disso, se essas empresas são incapazes de apresentar provas de que de fato são donas das hipotecas, os patrocinadores de tais companhias enfrentarão processos judiciais movidos pelos investidores que compraram os títulos de resgate da dívida – títulos que, atualmente, muitas vezes valem apenas uma pequena fração do seu valor real.

E quem são esses patrocinadores? Grandes instituições financeiras – as mesmas instituições que foram supostamente salvas da falência por programas governamentais no ano passado. Assim, a bagunça das hipotecas ameaça provocar uma outra crise financeira.

O que pode ser feito?
A resposta do governo Obama tem sido opor-se a qualquer ação que possa irritar os bancos, como uma moratória temporária dos sequestros de imóveis residenciais enquanto algumas questão são resolvidas. Em vez disso, o governo está pedindo aos bancos, de forma muita educada, que se comportem melhor. Isso funcionou muito bem no passado, não é verdade?

A resposta da direita é, no entanto, ainda pior. Os republicanos no congresso não estão se manifestando muito, mas os comentaristas conservadores como os da página de editorial do "Wall Street Journal" têm afirmado que a falta de documentos é um detalhe sem importância. De fato, eles afirmam que se um banco diz que é dono da casa de um determinado indivíduo, nós devemos acreditar automaticamente na palavra da instituição financeira.

Para mim, isso faz lembrar a época em que os membros da nobreza tinham liberdade para se apossarem do que quisessem, sabendo que os camponeses não tinham voz nos tribunais. Mas é aí que eu suspeito que algumas pessoas veem aquela época como "os bons e velhos dias".

O que deveria estar acontecendo? Os excessos dos anos da bolha criaram um lamaçal moral, no qual os direitos de propriedade são mal definidos porque ninguém possui documentação apropriada. E no qual não existe nenhum direito claro de propriedade; o trabalho de criar tais direitos cabe ao governo.

Isso não será fácil, mas há algumas boas ideias circulando em relação ao problema. Por exemplo, o Centro para o Progresso Americano propôs que seja delegado a conselheiros de hipotecas e outras entidades públicas o poder de modificar diretamente os empréstimos problemáticos, de forma que as suas avaliações sejam o padrão a se seguir a menos que sejam contestadas pelos cobradores de hipotecas. Isso contribuiria bastante para deixar as coisas mais claras e ajudar a nos tirar desse lamaçal.

Uma coisa é certa: o que estamos fazendo agora não está funcionando. E fingir que tudo está bem não convencerá ninguém.
Paul Krugman

Paul Krugman

Professor de Princeton e colunista do New York Times desde 1999, Krugman venceu o prêmio Nobel de economia em 2008

06/11/2010

Cronologia da mentira

I. No Expresso de 9 de Outubro, Filipe Santos Costa fez a cronologia do "socratismo". Convém olhar para esta história dos últimos anos, porque ela é reveladora (vou só usar os dados económicos; os "casos" são outra história).

II. Em 2008, no meio do caos e da incerteza da tal crise internacional, José Sócrates criou a mentira número um: Portugal era um oásis, que resistia à crise internacional. Resultado: o governo baixou o IVA para 20% (um partido tem de fazer pela vidinha). Porém, meses depois, o governo nacionalizou o BPN, e começou a dizer que a crise, afinal, tinha chegado a Portugal. Neste cenário, Sócrates inventou a mentira número dois, que, aliás, permanece no menu do PS: Portugal está mal apenas e só por causa da crise internacional. O facto de Portugal não crescer a sério desde 1999 é um pormenor.

III. Em 2009, a negação da realidade atinge níveis patológicos. Com fins meramente eleitoralistas, Sócrates e Teixeira dos Santos "escondem o valor do défice" e Sócrates promete "o que outros dizem (e o tempo prova) que não pode cumprir: grandes investimentos e generosas medidas de apoio". Pior: sabendo que isso seria suicidário para as contas públicas, Sócrates e Teixeira dos Santos aumentaram a função pública em 2.9% (uma medida eleitoralista que dá voltas ao estômago). Neste ambiente populista e eleitoral, nasceu a mentira número três: aqueles que apontavam o dedo para a realidade não eram realistas, mas sim "bota-abaixistas". No mundo de Sócrates e do PS, ser-se patriota é o mesmo que obedecer ao optimismo torpe dos socialistas.

IV. Fevereiro de 2009: a apresentação do OE2010 "obriga Sócrates a assumir o défice de 2009: nem os 2,2% previstos no início, nem os 5,9% indicados em Maio, nem os 8,5% admitidos em Dezembro". O défice era de 9,3%. Mas, com uma cara de pau ímpar na nossa democracia, Sócrates afirmou que "nunca houve tanta transparência nas contas públicas portuguesas". E, depois, o que fez Sócrates? Entrou em campanha, gastando mais dinheiro em eventos (inúteis, e que apenas serviam a sua propaganda) e abrindo mais escolas e hospitais (que não pode pagar). Entretanto, Sócrates inventa a mentira número quatro: aqueles que querem reformar o insustentável estado social são os neoliberais-malvados-que-querem-fazer-mal-aos-portugueses-pobres. O Estado está a cair de podre, mas não se pode tocar no dito estado.

V. Em Maio de 2010, aparece o PEC II. Sócrates dizia que era suficiente (afinal, chegámos ao final de 2010 com um buraco de 1.8 mil milhões no Orçamento). Para terminar a história, aparece o "29 de Setembro", e os episódios dos últimos dois meses. Caro leitor, vamos ser honestos: V. emprestava dinheiro a este indivíduo?
Tendo em conta este historial, V. emprestava dinheiro a este governo?

Henrique Raposo
in «Expresso», 05.11.2010

 

01/11/2010

Portugal, um país à deriva

Na data deste artigo, a dívida pública nacional atinge um valor superior a 130 mil milhões de euros. Em números, é algo como 130.000.000.000 euros. É um valor assustador.

Os mercados internacionais continuam a demarcar-se do Estado português e da sua dívida. Vale a pena analisar alguns dados. Portugal é neste momento o sétimo país do mundo mais arriscado. Pertencemos atualmente a um top 10 de risco que reúne nomes ilustres como Venezuela, Dubai, Grécia e Iraque. Portugal é considerado atualmente como duplamente mais arriscado que Rússia, Israel ou Colômbia.

Face a este panorama, o Governo nacional demorou mais de seis meses a reagir. Alega o nosso primeiro-ministro que não estava claro para ele que fosse necessário tomar qualquer medida, pois eventualmente, a situação internacional melhoraria, e seriam então desnecessárias quaisquer medidas reformadoras do nosso sistema fiscal moribundo. Em finanças, este tipo de atitude tem apenas um nome - especulação. Só que, infelizmente, neste caso, a especulação foi efetuada com o dinheiro dos cidadãos e empresas. As implicações reais culminam na quase impossibilidade de qualquer empresa portuguesa obter financiamento internacional.

Entre 2011 e 2013, Portugal terá de emitir cerca de 60.000 milhões de euros de dívida pública (75% visam substituir dívida que entretanto chegará à sua maturidade, e os restantes 15.000 milhões visam pagar os défices públicos que irão existir entre 2011 e 2013). Só em 2011 Portugal terá de emitir cerca de 40.000 milhões de euros de dívida pública, dado que tem sucessivamente insistido em emissões de curto prazo, que chegarão à sua maturidade em 2011, e terão de ser renovadas. A estes valores somam-se mais de 15.000 milhões de euros de emissões de dívida a ser emitida pelos principais bancos nacionais. Contudo, estes dependem a quase 100% da credibilidade da República. Se a nossa situação se deteriorar, os mercados internacionais podem ficar completamente fechados para alguns destes bancos, o que terá consequências muito nefastas na economia real.

Portugal paga hoje mais 4% de juro anual do que a Alemanha. Em 2007 este spread era de apenas 0,4%. Como qualquer família com crédito bancário compreende, um aumento de mais de 3% no juro a pagar tem um forte impacto no orçamento familiar. No caso de Portugal, relativamente a 2007 e a manterem-se os valores atuais de risco do país, iremos pagar anualmente mais 4000 a 6000 milhões de euros em juros adicionais. Em termos reais, isto significa que o custo do descalabro orçamental em que nos encontramos, é superior ao custo de um novo aeroporto de Lisboa por ano.

Neste contexto, o que foi feito entretanto? Uma redução das despesas onde é mais fácil (salários de funcionários públicos), e um aumento do imposto mais penalizador da classe média - o IVA. Ao mesmo tempo, em 2009 Portugal foi um dos países do mundo que mais contratou parcerias público-privadas (PPP). Como exemplo, em 2009, Portugal registou um volume de PPP três vezes superior ao da França. Infelizmente, o investimento público direto foi praticamente cancelado, e as PPP passaram a ser a regra em vez da excepção. Contudo, estas PPP têm encargos para os contribuintes muito superiores, e fazem também parte da dívida pública indireta. Em finanças, chama-se a isto engenharia financeira. Ao entrarem sucessivamente em PPP do tipo empréstimo subprime, os sucessivos governos massajam as estatísticas, enganam a Comissão Europeia, mas acima de tudo, penhoram o futuro do país, e qualquer réstia de esperança em melhorar a nossa competitividade e nível de vida. Nos mercados internacionais, este comportamento vem agravar ainda mais o problema da dívida pública. A passagem do fundo de pensões da PT para o Estado tem também custos futuros elevadíssimos para o Estado. Quando a gestão da PT aplaude e os seus sindicatos se congratulam, parece claro que todos ficam a ganhar à excepção do contribuinte. Uma vez mais, a busca do lucro especulativo de curto prazo (redução do défice com medidas artificiais), sobrepõe-se como habitual à busca de uma solução criadora de valor de longo prazo.

Estamos num caminho insustentável. Estamos há 10 anos a divergir da UE. Fomos ultrapassados por 9 dos últimos 10 países que aderiram depois de nós. Quanto tempo mais vamos ter de divergir para que os nossos governantes deixem de seguir a solução fácil, engenharia financeira e transferência de riqueza para determinados grupos da nossa sociedade? Estimativas internacionais apontam apenas para 2037 a entrada no grupo dos países com dívida pública inferior a 60%. Efetuando algumas simulações em cenários bem mais optimistas (assumindo que as medidas apresentadas pelo Governo têm sucesso; a partir de 2013-2014 se atinja um balanço equilibrado; crescimento económico volte a atingir os 3% dentro de 4 anos) só em 2021 Portugal entrará novamente na lista de países com menos de 60% de dívida pública. Estes cenários revelam custos elevadíssimos, se o novo regime de procedimentos automáticos contra países incumpridores e reincidentes em matéria de indisciplina orçamental for aprovado pela União Europeia.

Em conclusão, parece evidente que as medidas de curto prazo apresentadas recentemente não são uma solução duradoira para os graves problemas da nação. Portugal tem de agir, e comunicar ao mercado que irá a partir daqui ter uma gestão financeira rigorosa. É tempo de parar com engenharias financeiras destruidoras de valor. Por que não utilizar algumas das boas práticas das nossas melhores empresas para a gestão do património público? Foi desastrosa a gestão da imagem pública da República nos mercados internacionais este ano. No entanto, temos várias das nossas empresas reconhecidas como excelentes em termos internacionais, e a receberem prémios de excelência em investor relations. Também a Espanha teve um comportamento exemplar este ano, com um roadshow muito bem sucedido, e elaborado com um elevado nível de profissionalismo. Em Portugal o que foi feito?

Nuno Fernandes,
Professor de Finanças na IMD, escola de gestão suíça
in «Público», 31.10.2010

28/10/2010

O que diz Castel-Branco

"A Pobreza dos moçambicanos não é mental nem espiritual" – afirma o economista e diretor do IESE, para quem o discurso do chefe do Estado Armando Guebuza visa esconder a real origem da pobreza que afeta mais da metade dos moçambicanos Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas. Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como um recurso de coleta de ajuda externa, "a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos", bem como "na distribuição do dinheiro para projectos individuais dos governantes".

O diretor-geral do Instituto Estudos Sociais e Económicos (IESE), Carlos Nuno Castel-Branco, refutou o discurso propalado pelo chefe do Estado, segundo o qual, a pobreza dos moçambicanos é mental. O economista considera que este tipo de discurso é um desvio propositado de Armando Guebuza que visa desviar as verdadeiras razões da pobreza no país.

Castel-Branco fez estes pronunciamentos à margem da publicação das obras: "Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique"; e Proteção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique", da autoria de pesquisadores da IESE, em Maputo.

Os comentários de Castel-Branco surgiram no decurso da apresentação de obras do IESE.

Para o economista e investigador, é importante que os moçambicanos não se deixem enganar pelo discurso "miserabilista" de "pobreza mental" do chefe do Estado e encarem a pobreza "como um fenómeno social, que pode ser suprido com base em padrões de produção, distribuição e acumulação da riqueza".

Segundo Castel-Branco, dizer que a pobreza é "mental" ou "espiritual", é "culpabilizar as pessoas pobres devido à sua condição social". Com este tipo de discursos, o chefe do Estado "faz com que a pobreza se torne um problema pessoal e não um fenómeno social", considera o economista.

Discurso estratégico para fugir as responsabilidades

Castel-Branco vê na origem do discurso do chefe do Estado uma estratégia para evitar a responsabilização do Governo pelo fracasso das políticas macroeconómicas.

Castel-Branco mostra outra tendência de discurso do chefe do Estado, de rotular de invejosos os que criticam padrões económicos do Governo.

"Será que acelerar o crescimento económico com base em exportação de recursos naturais e a construção de infra-estruturas de apoio ao desenvolvimento da economia extractiva, associada aos incentivos fiscais não é uma das premissas que gera mais pobreza e mais riqueza ao mesmo tempo? Será que o aumento de preços dos bens básicos de consumo não reduz a oportunidade e opções de desenvolvimento de pessoas singulares no país?", questiona o economista.

Pobreza da população gera riqueza de alguns

Num outro desenvolvimento, o professor universitário diz que a pobreza dos moçambicanos é usada pelo Governo como recurso para conseguir financiamentos externos, que depois são aplicados nos programas de combate à mesma. Segundo a nossa fonte, é evidente que "se a pobreza é um substituto para chancelas fiscais dos recursos naturais por gerar ajuda externa, então o Estado moçambicano pode subsidiar multinacionais", todavia "já não pode subsidiar o pão, o transporte, etc.", disse referindo-se aos mega-projectos que não pagam impostos em Moçambique, sob pretexto de promover o desenvolvimento, quando na leitura do economista, não trazem algum alívio à pobreza.

Nas palavras de Castel-Branco, para além de ser utilizada como recuso de coleta de ajuda externa, "a pobreza é um instrumento para manter o Poder com base na aplicação da ajuda externa em serviços públicos", bem como "na distribuição do dinheiro para projetos individuais dos governantes".

E se os mega-projectos pagassem impostos?

Como tem defendido em diferentes ocasiões, Castel-Branco voltou a afirmar que a isenção fiscal aos mega-projectos é prejudicial ao país.

"O subsídio ao pão custa ao Governo protelar a construção de 10 escolas". "Quantas escolas secundárias poderiam ser construídas? E quantos subsídios para o pão e transporte poderiam ser introduzidos se a Mozal, a SASOL, entre outras empresas, pagassem impostos que deveriam pagar?".

Os livros

Os dois livros do IESE são de carácter científico. O livro "Pobreza, Desigualdade e Vulnerabilidade em Moçambique", contém um total de sete artigos que se debruçam sobre a pobreza, com enfoque no "discurso político oficial sobre a pobreza" baseado nas intervenções do chefe do Estado, Armando Guebuza.

O outro livro – "Protecção Social: Abordagens, Desafios e Experiências para Moçambique" – equaciona diferentes abordagens e debates sobre a protecção social em Moçambique no contexto dos padrões de acumulação de riqueza locais. E é composto por oito artigos que se debruçam sobre o enquadramento institucional e económico da proteção social no país.

in «Canalmoz», 14.09.2010

26/10/2010

Lição de investimentos financeiros

Saiu no «Financial Times» (maior jornal económico do mundo).

Uma jovem mulher escreveu um e-mail para o jornal pedindo conselhos sobre "como arranjar um marido rico".

Contudo, mais interessante que o "pedido" da jovem, foi a resposta do editor do jornal que, muito inspirado, respondeu à mensagem, de forma muito bem fundamentada.

E-mail da moça:
"Sou uma miúda linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Elegante, sensual e tenho classe. Quero casar-me com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Existe no vosso jornal algum homem nessas condições? Ou alguma mulher casada com alguém que ganhe esse valor e me possa aconselhar ?


Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso. E 250 mil por ano não chegam para morar em Central Park West.

Conheço uma mulher (da minha aula de ioga) que casou com um banqueiro e vive em Tribeca! E ela não é tão bonita como eu, nem sequer é particularmente inteligente.

Então, o que ela fez que eu não fiz? Qual a estratégia correta? Como chego ao nível dela?
(Raphaella S.)"


Resposta do editor do jornal:

"Li a sua questão com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e analisei a situação.

Primeiro, eu ganho mais de 500 mil por ano. Portanto, não a estou a fazer perder tempo ...

Posto isto, considero os factos seguintes: Visto da perspetiva de um homem como eu (que reúno os requisitos que procura), o que me está a oferecer é simplesmente, um péssimo negócio.

Eis o porquê: deixando as minudências de lado, o que sugere é uma negociação simples, proposta clara, sem entrelinhas: Trata-se de uma parceria em que você entra com a beleza física e eu com o dinheiro.

Mas há uma questão:
Com toda a certeza, que com o tempo a sua beleza vai diminuir e um dia acabar, ao contrário do meu dinheiro que pode continuar sempre a aumentar.


Assim, em termos económicos, você é um ativo que se vai depreciar e eu sou um ativo que vai render dividendos. Ainda por cima a sua depreciação será progressiva, ou seja, a taxa vai aumentando o que fará que com o decorrer do tempo o seu ativo vai-se depreciar cada vez de forma mais notória.

Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda nos próximos 5 ou 10 anos, mas sempre cada vez menos. E no futuro, quando se comparar com uma foto de hoje, verificará que está um caco.

Isto é, você hoje está em 'alta', na época ideal de ser vendida, não de ser comprada.

Usando o linguajar técnico de Wall Street , quem a tiver hoje deve mantê-la como 'trading position' (para comercializar) e não como 'buy and hold' (comprar e manter), que é para o que se está a oferecer...

Portanto, ainda em termos comerciais, casar (que é um 'buy and hold') consigo não é um bom negócio a médio/longo prazo! Mas alugá-la durante algum tempo, pode ser uma boa decisão!

Assim, em termos sociais, o que eu lhe proponho é namoro.

Claro que ... para certificar-me de que corresponde aos atributos que apregoa, eu, na condição de provável futuro locatário dessa 'máquina', quero tão-somente o que é de praxe: Fazer um 'test drive' antes de fechar negócio...posso marcar?"

(Philip Stephens, associate editor of the «Financial Times» - USA)"

NR: Não é por acaso que o tipo ganha mais de 500 000 USD por ano

24/10/2010

Greve Nacional

Neste momento, o nosso repórter na rua, envia uma imagem de 'depenados' funcionários públicos portugueses, agradecendo ao primeiro-ministro, as medidas recentemente tomadas para proteção do Estado Social.

A imensa satisfação pelas medidas está patente na cara dos funcionários ... (e no resto do corpo):

21/10/2010

Poço sem fundo

Os portugueses vão pagar mais um buraco socretino: o do deficitário Fundo de Pensões da PT, esse mesmo, o que suporta as borgas do SAPO.