A Venuzuela comemora hoje, 19 de Abril, 200 anos da revolução da independência.
Em 1810 teve início o movimento pela independência em 1810 sob a inspiração de Simón Bolívar e que viria a ser proclamada no ano seguinte como parte da Grande Colômbia.
Sucessivamente governada por caudilhos, ditadores e esbanjadores, vive hoje sob a ditadura de fachada democrática de Hugo Chávez e a braços com uma grave crise institucional e económica após desbaratar a riqueza proporcionada pelo petróleo e desinvestir na rede elétrica que está sujeita a apagões sucessivos.
É caso para dizer: acendam as velas...
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19/04/2010
25/03/2010
Purga em Angola - 27 de Maio de 1977
Viúva de Agostinho Neto vai ser julgada por difamação em Lisboa
Divergências sobre a dimensão e natureza dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Luanda, considerados uma tentativa de golpe de Estado contra o então presidente Agostinho Neto, levaram a que a viúva deste, Maria Eugénia Neto, tenha sido acusada de difamação pela historiadora Dalila Cabrita Mateus, co-autora de uma obra sobre aquela época.
Em causa estão declarações em Janeiro de 2008 ao «Expresso» com Eugénia Neto - que conheceu em Lisboa no início dos anos 50 o então jovem angolano que cursava Medicina - a classificar a historiadora como "desonesta" e "mentirosa", a propósito da versão que veicula sobre o 27 de Maio.
Dalila Mateus, em parceria com Álvaro Mateus, escreve em «Purga em Angola - O 27 de Maio de 1977» que o número de mortos causados pela repressão resultou da "preocupação de Neto e dos seus" pelo poder. O livro menciona que a "purga no MPLA atingiu enormes proporções" e indica 30 mil mortos como o número de vítimas que teria custado a Agostinho Neto para neutralizar os seus adversários.
Interrogada sobre este número, Eugénia Neto exclama: "Isso é mentira. Esta senhora é desonesta, é mentirosa", referindo-se à historiadora. Esta interpôs recurso junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e apresentou queixa por difamação nos tribunais. Em Fevereiro, a ERC deliberou a favor de Dalila Mateus na questão da "reputação e boa fama".
Um tribunal de Lisboa considerou agora que as declarações da viúva de Neto, que possui dupla nacionalidade, podem prefigurar o crime de difamação agravada, sendo pronunciada para julgamento. Segundo alguns media angolanos, Eugénia Neto escusou-se sempre a prestar declarações na fase de investigação.
Mas, para além das divergências sobre um dos momentos marcantes da história angolana após a independência de 1975, em causa está também um debate que atravessa este país africano, como a própria Eugénia Neto recordou na entrevista ao «Expresso» e que teria no seu marido o protagonista de uma das perspetivas. Agostinho Neto seria o porta-voz de um projeto moderado, da "concórdia" e de uma Angola negra e mestiça, enquanto o grupo do golpe - Nito Alves e José Van-Dúnem - eram pela "catequese política", por uma Angola negra, "uns jovens imaturos" e "ambiciosos pelo poder".
Nito Alves e José Van-Dúnem foram acusados de fracionismo em Outubro de 1976 e, segundo se lê na obra de Dalila Mateus, "existia o sério risco de conquistarem os principais lugares de direcção" do MPLA no congresso previsto para finais de 1977. Uma das teses de «Purga em Angola» é a de que o 27 de Maio foi um "contragolpe" do círculo de Agostinho Neto para impedir que o seu poder e influência fossem postos em causa. Para Eugénia Neto foi um ato de "imaturidade" do grupo de Nito Alves.
Abel Coelho de Morais
in «Diário de Notícias», 21.03.2010
Divergências sobre a dimensão e natureza dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977 em Luanda, considerados uma tentativa de golpe de Estado contra o então presidente Agostinho Neto, levaram a que a viúva deste, Maria Eugénia Neto, tenha sido acusada de difamação pela historiadora Dalila Cabrita Mateus, co-autora de uma obra sobre aquela época.
Em causa estão declarações em Janeiro de 2008 ao «Expresso» com Eugénia Neto - que conheceu em Lisboa no início dos anos 50 o então jovem angolano que cursava Medicina - a classificar a historiadora como "desonesta" e "mentirosa", a propósito da versão que veicula sobre o 27 de Maio.
Dalila Mateus, em parceria com Álvaro Mateus, escreve em «Purga em Angola - O 27 de Maio de 1977» que o número de mortos causados pela repressão resultou da "preocupação de Neto e dos seus" pelo poder. O livro menciona que a "purga no MPLA atingiu enormes proporções" e indica 30 mil mortos como o número de vítimas que teria custado a Agostinho Neto para neutralizar os seus adversários.
Interrogada sobre este número, Eugénia Neto exclama: "Isso é mentira. Esta senhora é desonesta, é mentirosa", referindo-se à historiadora. Esta interpôs recurso junto da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e apresentou queixa por difamação nos tribunais. Em Fevereiro, a ERC deliberou a favor de Dalila Mateus na questão da "reputação e boa fama".
Um tribunal de Lisboa considerou agora que as declarações da viúva de Neto, que possui dupla nacionalidade, podem prefigurar o crime de difamação agravada, sendo pronunciada para julgamento. Segundo alguns media angolanos, Eugénia Neto escusou-se sempre a prestar declarações na fase de investigação.
Mas, para além das divergências sobre um dos momentos marcantes da história angolana após a independência de 1975, em causa está também um debate que atravessa este país africano, como a própria Eugénia Neto recordou na entrevista ao «Expresso» e que teria no seu marido o protagonista de uma das perspetivas. Agostinho Neto seria o porta-voz de um projeto moderado, da "concórdia" e de uma Angola negra e mestiça, enquanto o grupo do golpe - Nito Alves e José Van-Dúnem - eram pela "catequese política", por uma Angola negra, "uns jovens imaturos" e "ambiciosos pelo poder".
Nito Alves e José Van-Dúnem foram acusados de fracionismo em Outubro de 1976 e, segundo se lê na obra de Dalila Mateus, "existia o sério risco de conquistarem os principais lugares de direcção" do MPLA no congresso previsto para finais de 1977. Uma das teses de «Purga em Angola» é a de que o 27 de Maio foi um "contragolpe" do círculo de Agostinho Neto para impedir que o seu poder e influência fossem postos em causa. Para Eugénia Neto foi um ato de "imaturidade" do grupo de Nito Alves.
Abel Coelho de Morais
in «Diário de Notícias», 21.03.2010
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Comunismo
24/03/2010
Abaixo os Xiconhocas
Abaixo os Xiconhocas.
Abaixo as negociatas.
Abaixo as chipandices.
Abaixo as inteliquices.
Abaixo as guebuzadas.
Abaixa!
Abaixo as negociatas.
Abaixo as chipandices.
Abaixo as inteliquices.
Abaixo as guebuzadas.
Abaixa!
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Negociatas
21/03/2010
Damas de Branco contra a ditadura cubana
Orlando Zapata Tamayo, um dissidente cubano que estava preso e morreu a 23 de Fevereiro depois de uma greve de fome de 85 dias, tornou-se o motivo para novos protestos da oposição à ditadura castrista.
Pela terceira vez em pouco tempo, 30 mulheres vestidas de branco, de entre as quais Reyna Tamayo, mãe do falecido Orlando, participaram numa passeata pela ruas de Havana, clamando pela libertação dos seus filhos ou maridos que estão nas masmorras do regime desde 2003.
A marcha antigovernamental foi aumentando o que levou agentes de segurança a tentarem levá-las num autocarro. Finalmente, à força, arrastaram as "Damas de Branco" pelos cabelos, braços e pernas, no meio de gritos e violência.
Apoiantes dos Castro insultavam as oposicionistas gritando "esta rua pertence a Fidel".
Berta Soler, integrante do Damas de Branco, afirmou: "Quando um animal selvagem é confinado, faz isso e muito mais. Estamos prontas para tudo. Não temos medo".
Cuba vem sendo condenada internacionalmente pela morte de Zapata e o tratamento de outro grevista, Guillermo Farinas, que está num hospital recebendo fluidos intravenosos desde que desmaiou recentemente.
A União Europeia tem exercido pressão sobre a ditadura mas, em certa medida, tem havido uma inaceitável tolerância do primeiro-ministro espanhol Zapatero, presidente rotativo da UE.
foto de Reuters:
Pela terceira vez em pouco tempo, 30 mulheres vestidas de branco, de entre as quais Reyna Tamayo, mãe do falecido Orlando, participaram numa passeata pela ruas de Havana, clamando pela libertação dos seus filhos ou maridos que estão nas masmorras do regime desde 2003.
A marcha antigovernamental foi aumentando o que levou agentes de segurança a tentarem levá-las num autocarro. Finalmente, à força, arrastaram as "Damas de Branco" pelos cabelos, braços e pernas, no meio de gritos e violência.
Apoiantes dos Castro insultavam as oposicionistas gritando "esta rua pertence a Fidel".
Berta Soler, integrante do Damas de Branco, afirmou: "Quando um animal selvagem é confinado, faz isso e muito mais. Estamos prontas para tudo. Não temos medo".
Cuba vem sendo condenada internacionalmente pela morte de Zapata e o tratamento de outro grevista, Guillermo Farinas, que está num hospital recebendo fluidos intravenosos desde que desmaiou recentemente.
A União Europeia tem exercido pressão sobre a ditadura mas, em certa medida, tem havido uma inaceitável tolerância do primeiro-ministro espanhol Zapatero, presidente rotativo da UE.
foto de Reuters:
14/03/2010
O que faz correr este Vitorino?
António Vitorino não tem tempo para "palestras" na RTP. Anda demasiado ocupado.
São os compromissos em Madrid com o PSOE.
São os compromissos em Maputo com o Armando Emílio Guebuza.
Vitorino é visita regular do Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo.
O BCI é um excelente motivo para justificar viagens.
Um novo banco luso-moçambicano dá um bom pé-de-meia.
O empreendimento imobiliário "Water Front" (apartamentos de 1 milhão de dólares), na FACIM, limpa muitos incómodos.
Na verdade, os negócios que envolvem o PS e Guebuza são demasiado importantes para serem tratados por telefones (sujeitos a escutas).
Sócrates e Guebuza têm amigos comuns. Há muito dinheiro a correr e muitas notas a trocar.

São os compromissos em Madrid com o PSOE.
São os compromissos em Maputo com o Armando Emílio Guebuza.
Vitorino é visita regular do Palácio da Ponta Vermelha, em Maputo.
O BCI é um excelente motivo para justificar viagens.
Um novo banco luso-moçambicano dá um bom pé-de-meia.
O empreendimento imobiliário "Water Front" (apartamentos de 1 milhão de dólares), na FACIM, limpa muitos incómodos.
Na verdade, os negócios que envolvem o PS e Guebuza são demasiado importantes para serem tratados por telefones (sujeitos a escutas).
Sócrates e Guebuza têm amigos comuns. Há muito dinheiro a correr e muitas notas a trocar.

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13/03/2010
As mentiras de Vieira
Sérgio Vieira (Tete, Moçambique, 1941), secretário pessoal de Samora Machel para quem escrevia os livros de teoria marxista, criminoso da ditadura com vários cadáveres no seu currículo, autor de violência doméstica sobre as várias mulheres que teve, poeta medíocre e irmão de um conhecido enterteiner português, lança-se agora nas suas "memórias".
Mentiroso compulsivo, provocador racista recalcado, acaba por se desmacarar nos seus próprios relatos (in «Diário Independente»):
A história "aristocrática" da família está bem contada no «Tal & Qual»:
José Castelo Branco, o mais popular concorrente da "Quinta das Celebridades", gaba-se de descender de uma linhagem de famílias reais europeias, mas a "nobreza" de sangue do "marchand" encontra-se em África, precisamente em Moçambique. Sérgio Vieira, o seu irmão mais velho, é uma figura de vulto naquele território africano: foi braço-direito de Samora Machel, co-fundador da Frelimo, ex-ministro da Segurança e é agora diretor do maior programa de desenvolvimento de Moçambique, o Projecto do Vale do Zambeze, entre muitos outros cargos de relevo exercidos desde há anos.
Ao contrário do polémico "conde de White Castle", o seu irmão é uma celebridade que prima pela discrição. E que não se importa de arregaçar as mangas quando se trata de trabalhar. Enquanto José Castelo Branco saltita, de Chanel, entre as couves da Quinta da Baracha, Sérgio Vieira passou a última semana, incontatável, em peregrinação pelas localidades pobres onde começam a florescer infra-estruturas hidráulicas e complexos agro-industriais, aproveitando os recursos do maior rio de Moçambique.
Apesar da polémica à volta do concurso da TVI e da participação de Castelo Branco, Sérgio Vieira alega não saber nada sobre o assunto. "Por onde tenho andado, não vejo televisão, nem tenho tido contatos telefónicos. Nada mesmo! Além disso, é um tipo de programas que eu não vejo", sublinha o ex-deputado em conversa com o "T&Q". Nem sequer a mãe, Nini, tem relatado ao filho mais velho as aventuras agrárias do negociante de arte.
Sérgio Vieira assume ao "T&Q" que nunca foi um irmão presente durante a infância e adolescência de Castelo Branco. "Quando ele nasceu, eu estava na guerra, depois entrei na Frelimo, por isso praticamente não o conheci nessa altura". Nem nas décadas de 60 e 70, nem nas seguintes. "Quando ele partiu para Portugal, foi com os nossos pais, estudar não me lembro o quê para a Escola António Arroio, se não estou em erro".
Sérgio Vieira parece desconhecer grande parte da vida de Castelo Branco. Garante que há "contatos regulares", mas a última vez que se encontraram aconteceu no ano passado, numa visita-relâmpago ao nosso País, a convite do presidente da Assembleia da República. "Não estive em casa dele, ele vive afastado de Lisboa e não deu para ir até lá", conta.
Apesar de afiançar que as relações entre ambos são "perfeitamente normais", o "T&Q" soube que o político nunca aceitou a exuberância de Castelo Branco. "O irmão quase o escorraçou de Tete, não convivia muito bem com os gestos amaneirados do Zé. Já na altura era gozado, e tinha uma alcunha depreciativa de que agora não me recordo", revela ao "T&Q" um familiar de Castelo Branco, que preferiu manter o anonimato. Sérgio Vieira desmente, garantindo que nunca chegou a aperceber-se que o irmão era o homem excêntrico que agora preenche as conversas de muitos portugueses. "Nunca estive com ele durante a infância, estive mais perto da minha irmã", volta a salientar.
Sérgio Vieira reside no bairro de Sommerschield, em Maputo, com a mulher e os quatro filhos - os sobrinhos de Castelo Branco. "É um sítio onde vivem pessoas de elite", conta ao "T&Q" um jornalista do "Diário de Moçambique". Nesse bairro estão igualmente instaladas embaixadas como a dos Estados Unidos, uma clínica e a sede da Frelimo, o partido no poder que ajudou a fundar. Basta-lhe sair de casa e atravessar algumas ruas para lá chegar, embora a maior parte da sua atividade se desenrole hoje na região do Tete, onde nasceu - ele e Castelo Branco.
Acusado de matar Samora Machel
Ao contrário do irmão, Sérgio Vieira prefere não ostentar sinais exteriores de riqueza. "Nunca deixa entender que tem dinheiro. Ë claro que tem um bom carro, como todos os outros políticos e empresários, mas nunca se vê, por exemplo, em estâncias de férias, como outros", continua o jornalista moçambicano.
No entanto, Sérgio Vieira que, soube-se esta semana, vai deixar de ser deputado pela Frelimo, cargo que ocupava na Assembleia da República, foi recentemente criticado por se dedicar mais aos insultos políticos do que ao Gabinete do Vale do Zambeze. "Continuou no Maputo a curtir as noites de luzes, a refrescar-se da brisa marítima das barreiras da Costa do Sol, onde se alojam, preguiçosamente, os novos ricos", desabafa-se num texto publicado na Internet.
Porém, o jornalista garante que Sérgio Vieira é um homem estimado. "Ele não é polémico. As pessoas gostam dele como um político da velha guarda e apreciam o que está a fazer pelo Zambeze", garante.
Mesmo assim, a Renamo, partido da oposição, não perde uma oportunidade para o envolver em diversos escândalos. "Sempre que os ânimos se exaltam, acusam-no de ter sido responsável pela morte de Samora Machel", conta o jornalista. Recorde-se que Sérgio Vieira, além de amigo pessoal do antigo presidente moçambicano, que morreu em 1986, na sequência da queda do avião onde viajava era, na altura, ministro da Segurança.
Esta não foi a única polémica onde se viu envolvido: "Foi acusado publicamente de ter morto algumas pessoas, isto na altura de Samora Machel. Ele próprio chegou a meter o caso em tribunal e nunca se reuniram provas suficientes", recorda o jornalista. As acusações não o fazem calar. "É um dos intelectuais da sua bancada, dos pensadores mais ativos, dos que mais falam na Assembleia. E também o mais atacado", acrescenta.
"Orgulho-me dele"
Castelo Branco já recordou Sérgio Vieira por diversas vezes, em entrevistas e agora na "Quinta das Celebridades". "Tenho um irmão que está em Moçambique, Sérgio Vieira, que é político. Estudou cá, nas Caldinhas, em Santo Tirso, e formou-se em Direito. Aliás, é amigo pessoal do presidente Jorge Sampaio e de uma série de dirigentes da época", disse em entrevista à revista "Caras", em Abril do ano passado. A serem verdade os rumores que dão conta da relação conflituosa com o irmão mais velho, Castelo Branco aparenta não guardar rancor: "O meu irmão sempre foi coerente e abraçou a causa que ainda hoje defende. Orgulho-me muito dele", acrescentou.
O inteletual da família
E tem motivos para isso. O "cérebro" da família não só frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, entre 1959 e 61, curso que viria a prosseguir na Universidade de Paris até 63, como tirou uma licenciatura de Ciências Políticas na Universidade de Argel, na Argélia, e ainda fez estudos políticos no Colege d'Europe, na Bélgica. Regressado a Moçambique, foi combatente da Luta de Libertação Nacional até 1974, seguindo depois para a direção do Gabinete de Samora Machel, até 77. Foi ainda, antes de se tornar Ministro da Segurança, em 1984, Governador do Banco de Moçambique e Ministro da Agricultura - função que acumulou com os cargos de vice-ministro da Defesa e de Governador do Niassa.
No auge da carreira de Sérgio Vieira, já José Castelo Branco tinha rumado a Portugal. Dois ou três anos depois de vir para o nosso País, com o irmão a milhares de quilómetros, o marchand sentiu-se com liberdade suficiente para criar a sua Tatiana Valeska Romanov, uma figura que muitos conhecem da noite lisboeta, apesar de a celebridade garantir que aquela mulher exuberante apenas desfilava. "Isso é mentira! Passava a vida no Finalmente, uma discoteca 'gay', e fazia shows de travesti noutras casas", garante o mesmo familiar que vive em Portugal. Já na década de 80, casa com Maria Arlene, assistente de Fialho Gouveia no programa "Arca de Noé" (RTP1). Mas as saias e a maquilhagem continuam a transformá-lo em Tatiana.
Sérgio Vieira, reputado político, professor universitário, escritor e investigador científico, entre muitas outras atividades, nem desconfiava que, em Portugal, o irmão Castelo Branco inundava a noite com purpurinas.
O homem dos sete instrumentos
Nome: Sérgio Vieira
Local de nascimento: Tete (centro de Moçambique)
Estado civil: casado Filhos - quatro
Formação académica - licenciado em Ciências Políticas na Universidade de Argel (Argélia), em 1967; estudou Direito na Faculdade de Direito de Lisboa entre 1959 e 61; estudou Direito na Universidade de Paris entre 1961 e 63; fez estudos políticos no Colege d'Europe (Bélgica) em 1962.
Atividades políticas e profissionais: antigo combatente na luta de libertação de Moçambique; diretor do gabinete do Presidente Samora Machel (1975/77); governador do Banco de Moçambique (1978/81); ministro da Agricultura (1982/83); governador do Niassa (1983/84); vice-ministro da Defesa (1983/84); ministro da Segurança (1984/87); professor na Universidade Eduardo Mondlane (desde 1987); diretor do Gabinete de Estudos Africanos (1987/92); escritor; consultor em Ciências Sociais; investigador científico do Centro de Estudos Africanos da UEM; membro da Organização Nacional de Professores; Organização da Juventude Moçambicana; Associação de Escritores Moçambicanos; diretor do Projecto do Vale de Zambeze (desde 2001); membro do Comité Central da Frelimo; deputado nas legislaturas 94/99 pelo círculo eleitoral do Tete pela bancada da Frelimo; deputado; membro da comissão permanente da Assembleia da República; coronel na reserva.
O grande projeto do irmão
A zona do vale do Rio Zambeze é considerada pelos especialistas uma das regiões hidrográficas de maior potencial energético da África Austral. Além da criação de uma central hidroelétrica, o projeto dirigido por Sérgio Vieira prevê a ligação de populações pobres à Internet, a arborização da albufeira de Cahora Bassa, incentivos à pecuária e reflorestamento de grandes áreas.
Mas não é só: "No dia 5 de Outubro começou a nascer ali a maior linha ferroviária do Mundo!", congratula-se o político ao "T&Q", "Está tudo a correr perfeitamente e temos tido muitos incentivos do estrangeiro", diz-nos.
Vieira, eu?!
José Castelo Branco - ou José da Silva Vieira -, escolheu usar o apelido da família materna. O seu avô chamava-se Pedro Castelo Branco, um homem que o "marchand" alega ter começado como escrivão e que rapidamente chegou a solicitador. De acordo com um familiar do negociante de arte contatado pelo "T&Q", o apelido teria sido "oferecido" pelo patrão ao bisavô da celebridade, que nasceu na Guarda e foi trabalhar para a Índia. "O homem não tinha apelido e quando nasceram os primeiros filhos, o patrão ficou com pena e deu-lhes o próprio nome", conta.
A mãe, Inês Castelo Branco, mais conhecida por Nini, que vive com o filho e Betty Grafstein na vivenda de Sintra, casou-se com o indiano Francisco da Silva Vieira. O casal teve três filhos: Sérgio, Gabriela - que é veterinária em Portugal - e o "caçula" José.
André Barbosa
in «Tal&Qual», 15.10.2004
Mentiroso compulsivo, provocador racista recalcado, acaba por se desmacarar nos seus próprios relatos (in «Diário Independente»):
A história "aristocrática" da família está bem contada no «Tal & Qual»:
José Castelo Branco, o mais popular concorrente da "Quinta das Celebridades", gaba-se de descender de uma linhagem de famílias reais europeias, mas a "nobreza" de sangue do "marchand" encontra-se em África, precisamente em Moçambique. Sérgio Vieira, o seu irmão mais velho, é uma figura de vulto naquele território africano: foi braço-direito de Samora Machel, co-fundador da Frelimo, ex-ministro da Segurança e é agora diretor do maior programa de desenvolvimento de Moçambique, o Projecto do Vale do Zambeze, entre muitos outros cargos de relevo exercidos desde há anos.
Ao contrário do polémico "conde de White Castle", o seu irmão é uma celebridade que prima pela discrição. E que não se importa de arregaçar as mangas quando se trata de trabalhar. Enquanto José Castelo Branco saltita, de Chanel, entre as couves da Quinta da Baracha, Sérgio Vieira passou a última semana, incontatável, em peregrinação pelas localidades pobres onde começam a florescer infra-estruturas hidráulicas e complexos agro-industriais, aproveitando os recursos do maior rio de Moçambique.
Apesar da polémica à volta do concurso da TVI e da participação de Castelo Branco, Sérgio Vieira alega não saber nada sobre o assunto. "Por onde tenho andado, não vejo televisão, nem tenho tido contatos telefónicos. Nada mesmo! Além disso, é um tipo de programas que eu não vejo", sublinha o ex-deputado em conversa com o "T&Q". Nem sequer a mãe, Nini, tem relatado ao filho mais velho as aventuras agrárias do negociante de arte.
Sérgio Vieira assume ao "T&Q" que nunca foi um irmão presente durante a infância e adolescência de Castelo Branco. "Quando ele nasceu, eu estava na guerra, depois entrei na Frelimo, por isso praticamente não o conheci nessa altura". Nem nas décadas de 60 e 70, nem nas seguintes. "Quando ele partiu para Portugal, foi com os nossos pais, estudar não me lembro o quê para a Escola António Arroio, se não estou em erro".
Sérgio Vieira parece desconhecer grande parte da vida de Castelo Branco. Garante que há "contatos regulares", mas a última vez que se encontraram aconteceu no ano passado, numa visita-relâmpago ao nosso País, a convite do presidente da Assembleia da República. "Não estive em casa dele, ele vive afastado de Lisboa e não deu para ir até lá", conta.
Apesar de afiançar que as relações entre ambos são "perfeitamente normais", o "T&Q" soube que o político nunca aceitou a exuberância de Castelo Branco. "O irmão quase o escorraçou de Tete, não convivia muito bem com os gestos amaneirados do Zé. Já na altura era gozado, e tinha uma alcunha depreciativa de que agora não me recordo", revela ao "T&Q" um familiar de Castelo Branco, que preferiu manter o anonimato. Sérgio Vieira desmente, garantindo que nunca chegou a aperceber-se que o irmão era o homem excêntrico que agora preenche as conversas de muitos portugueses. "Nunca estive com ele durante a infância, estive mais perto da minha irmã", volta a salientar.
Sérgio Vieira reside no bairro de Sommerschield, em Maputo, com a mulher e os quatro filhos - os sobrinhos de Castelo Branco. "É um sítio onde vivem pessoas de elite", conta ao "T&Q" um jornalista do "Diário de Moçambique". Nesse bairro estão igualmente instaladas embaixadas como a dos Estados Unidos, uma clínica e a sede da Frelimo, o partido no poder que ajudou a fundar. Basta-lhe sair de casa e atravessar algumas ruas para lá chegar, embora a maior parte da sua atividade se desenrole hoje na região do Tete, onde nasceu - ele e Castelo Branco.
Acusado de matar Samora Machel
Ao contrário do irmão, Sérgio Vieira prefere não ostentar sinais exteriores de riqueza. "Nunca deixa entender que tem dinheiro. Ë claro que tem um bom carro, como todos os outros políticos e empresários, mas nunca se vê, por exemplo, em estâncias de férias, como outros", continua o jornalista moçambicano.
No entanto, Sérgio Vieira que, soube-se esta semana, vai deixar de ser deputado pela Frelimo, cargo que ocupava na Assembleia da República, foi recentemente criticado por se dedicar mais aos insultos políticos do que ao Gabinete do Vale do Zambeze. "Continuou no Maputo a curtir as noites de luzes, a refrescar-se da brisa marítima das barreiras da Costa do Sol, onde se alojam, preguiçosamente, os novos ricos", desabafa-se num texto publicado na Internet.
Porém, o jornalista garante que Sérgio Vieira é um homem estimado. "Ele não é polémico. As pessoas gostam dele como um político da velha guarda e apreciam o que está a fazer pelo Zambeze", garante.
Mesmo assim, a Renamo, partido da oposição, não perde uma oportunidade para o envolver em diversos escândalos. "Sempre que os ânimos se exaltam, acusam-no de ter sido responsável pela morte de Samora Machel", conta o jornalista. Recorde-se que Sérgio Vieira, além de amigo pessoal do antigo presidente moçambicano, que morreu em 1986, na sequência da queda do avião onde viajava era, na altura, ministro da Segurança.
Esta não foi a única polémica onde se viu envolvido: "Foi acusado publicamente de ter morto algumas pessoas, isto na altura de Samora Machel. Ele próprio chegou a meter o caso em tribunal e nunca se reuniram provas suficientes", recorda o jornalista. As acusações não o fazem calar. "É um dos intelectuais da sua bancada, dos pensadores mais ativos, dos que mais falam na Assembleia. E também o mais atacado", acrescenta.
"Orgulho-me dele"
Castelo Branco já recordou Sérgio Vieira por diversas vezes, em entrevistas e agora na "Quinta das Celebridades". "Tenho um irmão que está em Moçambique, Sérgio Vieira, que é político. Estudou cá, nas Caldinhas, em Santo Tirso, e formou-se em Direito. Aliás, é amigo pessoal do presidente Jorge Sampaio e de uma série de dirigentes da época", disse em entrevista à revista "Caras", em Abril do ano passado. A serem verdade os rumores que dão conta da relação conflituosa com o irmão mais velho, Castelo Branco aparenta não guardar rancor: "O meu irmão sempre foi coerente e abraçou a causa que ainda hoje defende. Orgulho-me muito dele", acrescentou.
O inteletual da família
E tem motivos para isso. O "cérebro" da família não só frequentou a Faculdade de Direito de Lisboa, entre 1959 e 61, curso que viria a prosseguir na Universidade de Paris até 63, como tirou uma licenciatura de Ciências Políticas na Universidade de Argel, na Argélia, e ainda fez estudos políticos no Colege d'Europe, na Bélgica. Regressado a Moçambique, foi combatente da Luta de Libertação Nacional até 1974, seguindo depois para a direção do Gabinete de Samora Machel, até 77. Foi ainda, antes de se tornar Ministro da Segurança, em 1984, Governador do Banco de Moçambique e Ministro da Agricultura - função que acumulou com os cargos de vice-ministro da Defesa e de Governador do Niassa.
No auge da carreira de Sérgio Vieira, já José Castelo Branco tinha rumado a Portugal. Dois ou três anos depois de vir para o nosso País, com o irmão a milhares de quilómetros, o marchand sentiu-se com liberdade suficiente para criar a sua Tatiana Valeska Romanov, uma figura que muitos conhecem da noite lisboeta, apesar de a celebridade garantir que aquela mulher exuberante apenas desfilava. "Isso é mentira! Passava a vida no Finalmente, uma discoteca 'gay', e fazia shows de travesti noutras casas", garante o mesmo familiar que vive em Portugal. Já na década de 80, casa com Maria Arlene, assistente de Fialho Gouveia no programa "Arca de Noé" (RTP1). Mas as saias e a maquilhagem continuam a transformá-lo em Tatiana.
Sérgio Vieira, reputado político, professor universitário, escritor e investigador científico, entre muitas outras atividades, nem desconfiava que, em Portugal, o irmão Castelo Branco inundava a noite com purpurinas.
O homem dos sete instrumentos
Nome: Sérgio Vieira
Local de nascimento: Tete (centro de Moçambique)
Estado civil: casado Filhos - quatro
Formação académica - licenciado em Ciências Políticas na Universidade de Argel (Argélia), em 1967; estudou Direito na Faculdade de Direito de Lisboa entre 1959 e 61; estudou Direito na Universidade de Paris entre 1961 e 63; fez estudos políticos no Colege d'Europe (Bélgica) em 1962.
Atividades políticas e profissionais: antigo combatente na luta de libertação de Moçambique; diretor do gabinete do Presidente Samora Machel (1975/77); governador do Banco de Moçambique (1978/81); ministro da Agricultura (1982/83); governador do Niassa (1983/84); vice-ministro da Defesa (1983/84); ministro da Segurança (1984/87); professor na Universidade Eduardo Mondlane (desde 1987); diretor do Gabinete de Estudos Africanos (1987/92); escritor; consultor em Ciências Sociais; investigador científico do Centro de Estudos Africanos da UEM; membro da Organização Nacional de Professores; Organização da Juventude Moçambicana; Associação de Escritores Moçambicanos; diretor do Projecto do Vale de Zambeze (desde 2001); membro do Comité Central da Frelimo; deputado nas legislaturas 94/99 pelo círculo eleitoral do Tete pela bancada da Frelimo; deputado; membro da comissão permanente da Assembleia da República; coronel na reserva.
O grande projeto do irmão
A zona do vale do Rio Zambeze é considerada pelos especialistas uma das regiões hidrográficas de maior potencial energético da África Austral. Além da criação de uma central hidroelétrica, o projeto dirigido por Sérgio Vieira prevê a ligação de populações pobres à Internet, a arborização da albufeira de Cahora Bassa, incentivos à pecuária e reflorestamento de grandes áreas.
Mas não é só: "No dia 5 de Outubro começou a nascer ali a maior linha ferroviária do Mundo!", congratula-se o político ao "T&Q", "Está tudo a correr perfeitamente e temos tido muitos incentivos do estrangeiro", diz-nos.
Vieira, eu?!
José Castelo Branco - ou José da Silva Vieira -, escolheu usar o apelido da família materna. O seu avô chamava-se Pedro Castelo Branco, um homem que o "marchand" alega ter começado como escrivão e que rapidamente chegou a solicitador. De acordo com um familiar do negociante de arte contatado pelo "T&Q", o apelido teria sido "oferecido" pelo patrão ao bisavô da celebridade, que nasceu na Guarda e foi trabalhar para a Índia. "O homem não tinha apelido e quando nasceram os primeiros filhos, o patrão ficou com pena e deu-lhes o próprio nome", conta.
A mãe, Inês Castelo Branco, mais conhecida por Nini, que vive com o filho e Betty Grafstein na vivenda de Sintra, casou-se com o indiano Francisco da Silva Vieira. O casal teve três filhos: Sérgio, Gabriela - que é veterinária em Portugal - e o "caçula" José.
André Barbosa
in «Tal&Qual», 15.10.2004
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Geração da Independência
Nos últimos tempos fala-se da geração de 8 de Março. Também da de 25 de Setembro. Este texto defende que existe um esquecimento consciente da geração da independência, numa clara lavagem e/ou arranque de páginas da história. Porque será?
Os porta-vozes da geração de 8 de Março são geralmente algumas pessoas que compõem a atual numenklatura. E quando se fala dessa geração, refere-se aos jovens abrangidos pelas medidas de 8 de Março de 1977 que os afetou a várias tarefas então consideradas prioritárias. Possuíam em redor de 20 anos. A geração do 25 de Setembro é representada pelos dirigentes e antigos combatentes. Sem retirar importância às elites, não há dúvidas que os processos históricos são resultantes de movimentos sociais de que a luta de libertação nacional é uma evidência. Mas as abordagens que se fazem são classistas, neste caso da numenklatura no poder. Esquece-se o povo.
Considera-se por geração da independência a juventude que imediatamente antes e depois da independência, aderiu e se envolveu no projecto nacional de construção de uma nova nação. Hoje, na maioria, são cidadãos cinquentões. Muitos tornaram-se ou já eram membros da FRELIMO. Alguns deixaram de o ser, pelo menos desta FRELIMO.
É justo não esquecer os milhares de jovens soldados, camponeses, operários das fábricas, funcionários, inteletuais, técnicos, cooperantes (porque não?), etc., que construíram os alicerces do Estado moçambicano e que contribuíram para a libertação da África Austral. Foi um movimento social, onde existia um projecto para a nação com grande legitimidade e apoio popular, mesmo que sem o consenso de todos os moçambicanos.
Para não haver desvio ao objetivo, o texto refere-se a partir de agora às elites dessa geração. Jovens de origens sociais e raças diferentes, entregaram-se generosamente e mesmo ingenuamente a causas nobres, mesmo que idealistas (a última geração utópica, para referir o título de um livro de Pepetela, escritor angolano). Uma sociedade justa, de igualdade de oportunidades, desenvolvida, moderna, apenas constituída pela raça humana, sem exploração. Um ideário de sonhos, mobilizador da generosidade de jovens, de ideólogos, de pessoas de boa vontade que acreditaram no discurso e sobretudo num homem, Samora Machel, que, por mais críticas que se lhes possam tecer, tornou-se o ícone de um país e de uma geração.
Jovens que por causas, aceitaram sacrifícios e muitos a morte. Eram técnicos e dirigentes de empresas que produziam alimentos mas que comiam carapau e repolho em casa. Que aceitavam tarefas e nunca perguntaram pelo salário nem por benesses. Que trabalharam em contexto de guerra. Que asseguraram o funcionamento do Estado e das empresas sem horário de trabalho. E desse trabalho, ainda em princípios dos anos oitenta, em plena guerra, produzia-se mais que hoje em quase todos os produtos. Muitos, no exército e nas forças de segurança, lutaram e deram a vida pela libertação da Africa Austral E por aqui me limito.
Cometeram, juntamente com a geração de 25 de Setembro que detinha (e detém) o poder, muitos erros. Foi-se autoritário. Esqueceu-se que a economia possuía regras que não podiam ser esquecidas nem alteradas administrativamente. Houve guerra que não foi apenas produto externo. Os ideais e o projeto nacional, esqueceram as realidades sociais e antropológicas do povo. Porque se assumiam funções exigentes, também existiram incompetências.
Hoje, muitas interpretações existem sobre esses jovens. Esquerdolas pequeno-burgueses. Porque muitos eram não negros, alguns chamam-lhes de branquelas colhidos de surpresa pela independência que não souberam para onde ir. Que passaram de portugueses de segunda classe para moçambicanos por favor legal. Outros, em positivo, reconhecem os valores, a coragem e os ideais que perseguiam. Dos jovens que não pertencem à elite, pouco se fala. Quando muito a heroicidade, em abstrato, na guerra (civil, dos 16 anos, da democracia, etc., como cada um defenda).
O poder de então, sempre teve uma relação difusa em relação à geração da independência. Aproveitaram-se as habilitações técnicas que possuíam para substituição dos portugueses, em muitos casos através de descendentes de portugueses. Por isso e pela origem de classe burguesa e pequeno burguesa, a fobia do inimigo infiltrado no aparelho de Estado de "operários e camponeses". Para alguns, era uma situação de compromisso tolerável e de pouco risco, porque não possuíam base social que pudesse incomodar os setembristas. Para poucos, a convicção de uma sociedade não racial onde se privilegia o mérito e a dedicação a causas e também, porque não, a lealdade (diferente de fidelidade). Para uns quantos dos de 25 de Setembro, a simpatia, amizade e o reconhecimento patriótico ou mesmo de camaradagem.
Da elite desta geração, existem hoje nomes reconhecidos por mérito e honradez em quase todas as áreas da sociedade e internacionalmente. Nas letras e artes, dirigentes e funcionários de alto nível em organizações internacionais, académicos, empresários e técnicos, etc. Alguns também enveredaram por caminhos questionáveis. A grande maioria, porque não negros e que lutou pelo people empowerment, foi objecto do black empowerment silencioso mas eficaz. A maioria adaptou-se e hoje, possivelmente, agradecem esse black empowerment.
Esquece-se esta geração pelas mesmas razões porque dela sempre houve receios. Mas ao esquecê-la, pretendem-se esquecer os ideais, o projecto de nação. Pretende-se ignorar a numenklatura da FRELIMO que não está no poder. E porque não sugerir que se pretende esquecer Samora.
A elite da geração da independência era progressista, possuía ideais, era modernista e, se não se importam, patriótica a nacionalista. E já ficou na história. Construiu os alicerces do Estado e contribui para a libertação da África Austral. Veremos como as outras duas gerações ficarão na história. Sim as duas, porque muitos da geração de 25 de Setembro estão hoje identificados com elementos do pós-libertação nacional. E não sei se estão a trocar o direito a páginas douradas da história moçambicana (mesmo que com zonas de penumbra), por páginas cinzentas ou negras. Em relação aos de Março, para além da propaganda e manipulação política do poder e de alguns parceiros externos, as estatísticas internacionais indicam que a pobreza não recuou significativamente, o país é dos últimos no Índice de Desenvolvimento Humano, está classificado como dos mais corruptos e menos competitivos do mundo e com as maiores taxas de prevalência de doenças endémicas. Muito que fazer para deixar uma marca histórica.
João Mosca
in «Savana», 12.03.2010
Fotografia 1: Carlos Cardoso, Mia Couto, João Mosca, anti-colonialistas, da "Geração da Independência"
Fotografia 2: original de João Costa Funcho sobre Assembleia Magna da Universidade de Lourenço Marques
Os porta-vozes da geração de 8 de Março são geralmente algumas pessoas que compõem a atual numenklatura. E quando se fala dessa geração, refere-se aos jovens abrangidos pelas medidas de 8 de Março de 1977 que os afetou a várias tarefas então consideradas prioritárias. Possuíam em redor de 20 anos. A geração do 25 de Setembro é representada pelos dirigentes e antigos combatentes. Sem retirar importância às elites, não há dúvidas que os processos históricos são resultantes de movimentos sociais de que a luta de libertação nacional é uma evidência. Mas as abordagens que se fazem são classistas, neste caso da numenklatura no poder. Esquece-se o povo.
Considera-se por geração da independência a juventude que imediatamente antes e depois da independência, aderiu e se envolveu no projecto nacional de construção de uma nova nação. Hoje, na maioria, são cidadãos cinquentões. Muitos tornaram-se ou já eram membros da FRELIMO. Alguns deixaram de o ser, pelo menos desta FRELIMO.
É justo não esquecer os milhares de jovens soldados, camponeses, operários das fábricas, funcionários, inteletuais, técnicos, cooperantes (porque não?), etc., que construíram os alicerces do Estado moçambicano e que contribuíram para a libertação da África Austral. Foi um movimento social, onde existia um projecto para a nação com grande legitimidade e apoio popular, mesmo que sem o consenso de todos os moçambicanos.
Para não haver desvio ao objetivo, o texto refere-se a partir de agora às elites dessa geração. Jovens de origens sociais e raças diferentes, entregaram-se generosamente e mesmo ingenuamente a causas nobres, mesmo que idealistas (a última geração utópica, para referir o título de um livro de Pepetela, escritor angolano). Uma sociedade justa, de igualdade de oportunidades, desenvolvida, moderna, apenas constituída pela raça humana, sem exploração. Um ideário de sonhos, mobilizador da generosidade de jovens, de ideólogos, de pessoas de boa vontade que acreditaram no discurso e sobretudo num homem, Samora Machel, que, por mais críticas que se lhes possam tecer, tornou-se o ícone de um país e de uma geração.
Jovens que por causas, aceitaram sacrifícios e muitos a morte. Eram técnicos e dirigentes de empresas que produziam alimentos mas que comiam carapau e repolho em casa. Que aceitavam tarefas e nunca perguntaram pelo salário nem por benesses. Que trabalharam em contexto de guerra. Que asseguraram o funcionamento do Estado e das empresas sem horário de trabalho. E desse trabalho, ainda em princípios dos anos oitenta, em plena guerra, produzia-se mais que hoje em quase todos os produtos. Muitos, no exército e nas forças de segurança, lutaram e deram a vida pela libertação da Africa Austral E por aqui me limito.
Cometeram, juntamente com a geração de 25 de Setembro que detinha (e detém) o poder, muitos erros. Foi-se autoritário. Esqueceu-se que a economia possuía regras que não podiam ser esquecidas nem alteradas administrativamente. Houve guerra que não foi apenas produto externo. Os ideais e o projeto nacional, esqueceram as realidades sociais e antropológicas do povo. Porque se assumiam funções exigentes, também existiram incompetências.
Hoje, muitas interpretações existem sobre esses jovens. Esquerdolas pequeno-burgueses. Porque muitos eram não negros, alguns chamam-lhes de branquelas colhidos de surpresa pela independência que não souberam para onde ir. Que passaram de portugueses de segunda classe para moçambicanos por favor legal. Outros, em positivo, reconhecem os valores, a coragem e os ideais que perseguiam. Dos jovens que não pertencem à elite, pouco se fala. Quando muito a heroicidade, em abstrato, na guerra (civil, dos 16 anos, da democracia, etc., como cada um defenda).
O poder de então, sempre teve uma relação difusa em relação à geração da independência. Aproveitaram-se as habilitações técnicas que possuíam para substituição dos portugueses, em muitos casos através de descendentes de portugueses. Por isso e pela origem de classe burguesa e pequeno burguesa, a fobia do inimigo infiltrado no aparelho de Estado de "operários e camponeses". Para alguns, era uma situação de compromisso tolerável e de pouco risco, porque não possuíam base social que pudesse incomodar os setembristas. Para poucos, a convicção de uma sociedade não racial onde se privilegia o mérito e a dedicação a causas e também, porque não, a lealdade (diferente de fidelidade). Para uns quantos dos de 25 de Setembro, a simpatia, amizade e o reconhecimento patriótico ou mesmo de camaradagem.
Da elite desta geração, existem hoje nomes reconhecidos por mérito e honradez em quase todas as áreas da sociedade e internacionalmente. Nas letras e artes, dirigentes e funcionários de alto nível em organizações internacionais, académicos, empresários e técnicos, etc. Alguns também enveredaram por caminhos questionáveis. A grande maioria, porque não negros e que lutou pelo people empowerment, foi objecto do black empowerment silencioso mas eficaz. A maioria adaptou-se e hoje, possivelmente, agradecem esse black empowerment.
Esquece-se esta geração pelas mesmas razões porque dela sempre houve receios. Mas ao esquecê-la, pretendem-se esquecer os ideais, o projecto de nação. Pretende-se ignorar a numenklatura da FRELIMO que não está no poder. E porque não sugerir que se pretende esquecer Samora.
A elite da geração da independência era progressista, possuía ideais, era modernista e, se não se importam, patriótica a nacionalista. E já ficou na história. Construiu os alicerces do Estado e contribui para a libertação da África Austral. Veremos como as outras duas gerações ficarão na história. Sim as duas, porque muitos da geração de 25 de Setembro estão hoje identificados com elementos do pós-libertação nacional. E não sei se estão a trocar o direito a páginas douradas da história moçambicana (mesmo que com zonas de penumbra), por páginas cinzentas ou negras. Em relação aos de Março, para além da propaganda e manipulação política do poder e de alguns parceiros externos, as estatísticas internacionais indicam que a pobreza não recuou significativamente, o país é dos últimos no Índice de Desenvolvimento Humano, está classificado como dos mais corruptos e menos competitivos do mundo e com as maiores taxas de prevalência de doenças endémicas. Muito que fazer para deixar uma marca histórica.
João Mosca
in «Savana», 12.03.2010
Fotografia 1: Carlos Cardoso, Mia Couto, João Mosca, anti-colonialistas, da "Geração da Independência"
Fotografia 2: original de João Costa Funcho sobre Assembleia Magna da Universidade de Lourenço Marques
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07/03/2010
Cuba: 200 presos por motivos políticos
O dissidente cubano Guillermo Fariñas disse na sexta-feira que sua saúde está se debilitando, mas manterá a greve de fome iniciada há dez dias para pedir a libertação dos presos políticos da ilha, num protesto iniciado após a morte de um detento que passou 85 dias em jejum voluntário.
Fariñas, um psicólogo de 48 anos, parou de se alimentar em 24 de fevereiro, um dia depois da morte do dissidente Orlando Zapata, um encanador de 42 anos, o que causou muitas críticas internacionais sobre a situação dos direitos humanos em Cuba.
"Tenho muita debilidade em todos os membros (...), a gente já tem vontade de acabar", disse Fariñas à Reuters, levantando a blusa do pijama para mostrar sua magreza. "Estou disposto a ir nesta greve de fome até as últimas consequências, inclusive minha morte", acrescentou o dissidente em sua casa, no centro da cidade de Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana.
Com cabeça raspada e olhos fundos, usando um bastão para se apoiar ao andar pela casa, ele afirmou que o governo faria um "gesto de boa vontade" se liberasse 26 presos políticos doentes. "Se soltarem esses presos políticos, abandono a greve".
"Esses presos em nenhum momento vão desestabilizar o governo, nem Raúl (Castro, presidente do país) vai ter que entregar o poder, nem o Partido Comunista vai ter que deixar de ser a entidade hegemônica."
Sem entrar em detalhes, Fariñas contou que já esteve preso três vezes por diversos motivos, e que esta é sua 23ª greve de fome. Em 2006, após meses de protesto por livre acesso à Internet, ele foi internado e alimentado por via intravenosa.
Desta vez, ele recebeu na terça-feira oito litros de glicose, lactose, água e minerais num hospital de Santa Clara, para onde foi levado por familiares e amigos após uma crise de hipoglicemia que o deixou inconsciente.
Ele disse que os médicos lhe recomendaram repetir a dose dentro de seis a oito dias, caso continue sem ingerir água ou alimentos.
O governo cubano qualifica oposicionistas como Fariñas como traidores ao serviço do seu inimigo Estados Unidos. Grupos de direitos humanos, por outro lado, afirmam que há na ilha cerca de 200 presos por motivos políticos.
Fariñas, um psicólogo de 48 anos, parou de se alimentar em 24 de fevereiro, um dia depois da morte do dissidente Orlando Zapata, um encanador de 42 anos, o que causou muitas críticas internacionais sobre a situação dos direitos humanos em Cuba.
"Tenho muita debilidade em todos os membros (...), a gente já tem vontade de acabar", disse Fariñas à Reuters, levantando a blusa do pijama para mostrar sua magreza. "Estou disposto a ir nesta greve de fome até as últimas consequências, inclusive minha morte", acrescentou o dissidente em sua casa, no centro da cidade de Santa Clara, 270 quilômetros a leste de Havana.
Com cabeça raspada e olhos fundos, usando um bastão para se apoiar ao andar pela casa, ele afirmou que o governo faria um "gesto de boa vontade" se liberasse 26 presos políticos doentes. "Se soltarem esses presos políticos, abandono a greve".
"Esses presos em nenhum momento vão desestabilizar o governo, nem Raúl (Castro, presidente do país) vai ter que entregar o poder, nem o Partido Comunista vai ter que deixar de ser a entidade hegemônica."
Sem entrar em detalhes, Fariñas contou que já esteve preso três vezes por diversos motivos, e que esta é sua 23ª greve de fome. Em 2006, após meses de protesto por livre acesso à Internet, ele foi internado e alimentado por via intravenosa.
Desta vez, ele recebeu na terça-feira oito litros de glicose, lactose, água e minerais num hospital de Santa Clara, para onde foi levado por familiares e amigos após uma crise de hipoglicemia que o deixou inconsciente.
Ele disse que os médicos lhe recomendaram repetir a dose dentro de seis a oito dias, caso continue sem ingerir água ou alimentos.
O governo cubano qualifica oposicionistas como Fariñas como traidores ao serviço do seu inimigo Estados Unidos. Grupos de direitos humanos, por outro lado, afirmam que há na ilha cerca de 200 presos por motivos políticos.
in «Globo», 07.03.2010
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25/02/2010
A ETA e o Último Tango em Paris
Há 37 anos, os franceses viam O Último Tango em Paris.
Os portugueses tiveram de esperar por Agosto de 1974. Já os espanhóis, pelo menos os que residiam no Norte, tiravam proveito da sua localização geográfica e aos fins-de-semana metiam-se no carro, passavam os Pirenéus, faziam compras nos supermercados franceses (nesses tempos pretéritos o comércio regia-se pelos princípios daquele cartaz d’Os Verdes que nos manda comer produtos nacionais: um supermercado francês tinha as prateleiras cheias de coisas francesas difíceis de encontrar em Espanha) e davam animação às salas de cinema gaulesas onde podiam ver aquilo que literalmente a censura espanhola lhes tirava da frente dos olhos. O Último Tango em Paris terá mesmo gerado uma espécie de excursionismo cinéfilo.
Foi precisamente o desejo de ver o que em Espanha não se podia ver que nesse ano de 1973 levou José Humberto Fouz Escobero, de 29 anos, Jorge Juan García Carneiro, de 23, e Fernando Quiroga Veiga, de 25, a vestir fato e gravata e atravessar a fronteira de Irún. Uma ida a uma discoteca em França também fazia parte dos seus planos. Foi na discoteca que um comando da ETA os viu.
Fosse por estarem de fato ou por serem novos e bem constituídos, a verdade é que os homens da ETA se convenceram que estavam perante polícias espanhóis à paisana. Do que sucedeu daí em diante só se sabe seguramente que os três jovens galegos nunca mais foram vistos. O restante, que é tenebroso, tem sido reconstituído a partir das declarações soltas de etarras e fala de torturas inimagináveis até que aos algozes se tornou evidente que estavam apenas perante três rapazes que tinham ido ver O Último Tango em Paris. A ETA, que então passava por antifascista e gozava de largas simpatias nos sectores democráticos, ocultou estes cadáveres que testemunhavam a sua barbárie.
Há algum tempo que tinha pensado escrever sobre José Humberto Fouz Escobero, Jorge Juan García Carneiro e Fernando Quiroga Veiga. Talvez a data mais apropriada fosse na semana de 23 de Março, dia em que desapareceram. Mas antecipei essa decisão ao ouvir na rádio as declarações de Teletxea Maia sobre a tortura que a polícia espanhola exerce sobre os acusados de pertencerem à ETA. Não é segredo para ninguém que foi usada tortura no interrogatório a etarras na ditadura e também na democracia, e é esta última que para o caso interessa. Mas não só esse procedimento foi e é condenado com veemência pelos responsáveis espanhóis como foram feitos inquéritos e houve condenações, nomeadamente a do ex-general Galindo.
O que até agora nunca se ouviu foi um pedido de desculpa por parte da ETA. Nem sequer, ao fim destes 37 anos, os seus membros entenderam ser já tempo de deixar as armas ou, pelo menos, de dizer onde está o que resta dos corpos desses três rapazes que puseram fato domingueiro para irem ver O Último Tango em Paris.
Helena Matos
in «Público», 25.02.2010
Os portugueses tiveram de esperar por Agosto de 1974. Já os espanhóis, pelo menos os que residiam no Norte, tiravam proveito da sua localização geográfica e aos fins-de-semana metiam-se no carro, passavam os Pirenéus, faziam compras nos supermercados franceses (nesses tempos pretéritos o comércio regia-se pelos princípios daquele cartaz d’Os Verdes que nos manda comer produtos nacionais: um supermercado francês tinha as prateleiras cheias de coisas francesas difíceis de encontrar em Espanha) e davam animação às salas de cinema gaulesas onde podiam ver aquilo que literalmente a censura espanhola lhes tirava da frente dos olhos. O Último Tango em Paris terá mesmo gerado uma espécie de excursionismo cinéfilo.
Foi precisamente o desejo de ver o que em Espanha não se podia ver que nesse ano de 1973 levou José Humberto Fouz Escobero, de 29 anos, Jorge Juan García Carneiro, de 23, e Fernando Quiroga Veiga, de 25, a vestir fato e gravata e atravessar a fronteira de Irún. Uma ida a uma discoteca em França também fazia parte dos seus planos. Foi na discoteca que um comando da ETA os viu.
Fosse por estarem de fato ou por serem novos e bem constituídos, a verdade é que os homens da ETA se convenceram que estavam perante polícias espanhóis à paisana. Do que sucedeu daí em diante só se sabe seguramente que os três jovens galegos nunca mais foram vistos. O restante, que é tenebroso, tem sido reconstituído a partir das declarações soltas de etarras e fala de torturas inimagináveis até que aos algozes se tornou evidente que estavam apenas perante três rapazes que tinham ido ver O Último Tango em Paris. A ETA, que então passava por antifascista e gozava de largas simpatias nos sectores democráticos, ocultou estes cadáveres que testemunhavam a sua barbárie.
Há algum tempo que tinha pensado escrever sobre José Humberto Fouz Escobero, Jorge Juan García Carneiro e Fernando Quiroga Veiga. Talvez a data mais apropriada fosse na semana de 23 de Março, dia em que desapareceram. Mas antecipei essa decisão ao ouvir na rádio as declarações de Teletxea Maia sobre a tortura que a polícia espanhola exerce sobre os acusados de pertencerem à ETA. Não é segredo para ninguém que foi usada tortura no interrogatório a etarras na ditadura e também na democracia, e é esta última que para o caso interessa. Mas não só esse procedimento foi e é condenado com veemência pelos responsáveis espanhóis como foram feitos inquéritos e houve condenações, nomeadamente a do ex-general Galindo.
O que até agora nunca se ouviu foi um pedido de desculpa por parte da ETA. Nem sequer, ao fim destes 37 anos, os seus membros entenderam ser já tempo de deixar as armas ou, pelo menos, de dizer onde está o que resta dos corpos desses três rapazes que puseram fato domingueiro para irem ver O Último Tango em Paris.
Helena Matos
in «Público», 25.02.2010
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24/02/2010
Cuba: Assassinato! Orlando Zapata Tamayo
Após uma greve de fome de 85 dias, o preso político cubano Orlando Zapata Tamayo, de 42 anos, faleceu no hospital de Havana. Trinta outros opositores foram detidos para impedir que participem no funeral.
É o socialismo castrista na sua verdadeira face: assassínio puro por delito de ideias.
Esperam-se declarações da Embaixada da Ditadura à Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa, Portugal.
É o socialismo castrista na sua verdadeira face: assassínio puro por delito de ideias.
Esperam-se declarações da Embaixada da Ditadura à Rua Soeiro Pereira Gomes em Lisboa, Portugal.
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21/02/2010
Grande Hotel da Incompetência
Símbolo da megalomania de um empresário colonial, 35 anos de independência não foram suficientes para um governo da Frelimo - um qualquer deles - encontrar uma solução para o escandaloso "zoo" em que está transformado o mais famoso edifício da cidade da Beira (Moçambique) e que é um verdadeiro monumento à sua incompetência.
(fotos: Revista Pública, 27.12.2009)
(fotos: Revista Pública, 27.12.2009)
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14/02/2010
Chávez, amigo de José
Hugo Chávez fez uma tomografia cerebral que permitiu perceber porque apresenta frequentes acessos de diarreia verbal.
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11/02/2010
Os ricos de Angola
Tomemos nota, da relação de cidadãos angolanos que, fruto do seu trabalho e competência, apresentam rendimentos económicos substanciais e plenamente justificados:
Com mais de 100 milhões de US$:
01-José Eduardo dos Santos - Presidente da República
02-Lopo do Nascimento - Deputado
03-José Leitão - Chefe da Casa Civil de Luanda
04-Elísio de Figueiredo - Embaixador
05-João de Matos - General
06-Higino Carneiro - Ministro das Obras Públicas
07-Hélder Vieira Dias (Kopelipa) - General
08-António Mosquito - Empresário
09-Valentim Amões - Empresário (falecido recentemente)
10-Sebastião Lavrador - Bancário
11-José Severino - Empresário
12-Joaquim David - Ministro da Indústria
13-Manuel Vicente - PCA da Sonangol
14-Abílio Sianga - Admnistrador da Sonangol
15-Mário Palhares - PCA do BAI 1
16-Aguinaldo Jaime - Ministro Adjunto do 1°.Ministro
17-França Ndalu - General da Reserva
18-Amaro Taty - Governador do Bié
19-Noé Baltazar - Director Delegado da ASCORP
20-Desidério Costa - Ministro dos Petróleos
Com mais de 50 milhões e menos de 100 milhões de US$:
21-João Lourenço - Secretário Geral do MPLA
22-Isaac dos Anjos-Embaixador
23-Faustino Muteka - Ministro da Admnistração do Território
24-António Vandúnem-Secretário do Conselho de Ministros
25-Dumilde Rangel - Governador de Benguela
26-Salomão Xirimbimbi - Ministro das Pescas
27-Fátima Jardim -Ex-Ministra das Pescas
28-Dino Matross - 1° Vice-Presidente da Assembleia Nacional
29-Álvaro Carneiro - Ex-Director Adjunto da Endiama
30-Flávio Fernandes - Ex-PCA da Multiperfil
31-Fernando Miala - Ex-Director dos Servios de Segurança do Estado
32-Armindo César - Empresário
33-Ramos da Cruz - Governador da Huila
34-Gomes Maiato - Governador da Lunda-Norte
35-João E. dos Santos - Governador do Moxico
36-Gonçalves Muandumba - Governador da Lunda-Sul
37-Aníbal Rocha - Governador de Cabinda
38-Ludy Kissassunda - Governador do Zaire
39-Luiz Paulino dos Santos - Ex-Governador do Bié
40-Paulo Kassoma - Governador do Huambo
41-Rui Santos - Empresário
42-Mário António - Membro do BP do MPLA e administrador da GEFI
43-Silva Neto - Ex-Admnistrador da Sonangol Distribuidora
44-Júlio Bessa - Ex-Ministro das Finanças
45-Paixão Franco - Presidente do FDES
46-Mello Xavier-Deputado e Empresário
47-Kundi-Payhama - Ex-Ministro da Defesa
48-Ismael Diogo - Presidente da FESA
49-Maria Mambo Café - Membro do BP do MPLA
50-Augusto Tomás - Deputado
51-Generoso de Almeida - PCA DO BCI
52-Luiz Faceira - General
53-Cirilo de Sá - General
54-Adolfo Razoilo - General
55-Gilberto Lutukuta - Ministro da Agricultura
56-Simão Júnior - Empresário (Grupo Chamavo e Gema)
57-Carlos Feijó - Assessor da Presidência da República
58-Armando da Cruz Neto - Chefe do Estado Maior das FAA
59-Fernando Borges - Empresário ( falecido)
Os miseráveis, com menos de 1 US$:
14.000.000 (catorze milhões)
Com mais de 100 milhões de US$:
01-José Eduardo dos Santos - Presidente da República
02-Lopo do Nascimento - Deputado
03-José Leitão - Chefe da Casa Civil de Luanda
04-Elísio de Figueiredo - Embaixador
05-João de Matos - General
06-Higino Carneiro - Ministro das Obras Públicas
07-Hélder Vieira Dias (Kopelipa) - General
08-António Mosquito - Empresário
09-Valentim Amões - Empresário (falecido recentemente)
10-Sebastião Lavrador - Bancário
11-José Severino - Empresário
12-Joaquim David - Ministro da Indústria
13-Manuel Vicente - PCA da Sonangol
14-Abílio Sianga - Admnistrador da Sonangol
15-Mário Palhares - PCA do BAI 1
16-Aguinaldo Jaime - Ministro Adjunto do 1°.Ministro
17-França Ndalu - General da Reserva
18-Amaro Taty - Governador do Bié
19-Noé Baltazar - Director Delegado da ASCORP
20-Desidério Costa - Ministro dos Petróleos
Com mais de 50 milhões e menos de 100 milhões de US$:
21-João Lourenço - Secretário Geral do MPLA
22-Isaac dos Anjos-Embaixador
23-Faustino Muteka - Ministro da Admnistração do Território
24-António Vandúnem-Secretário do Conselho de Ministros
25-Dumilde Rangel - Governador de Benguela
26-Salomão Xirimbimbi - Ministro das Pescas
27-Fátima Jardim -Ex-Ministra das Pescas
28-Dino Matross - 1° Vice-Presidente da Assembleia Nacional
29-Álvaro Carneiro - Ex-Director Adjunto da Endiama
30-Flávio Fernandes - Ex-PCA da Multiperfil
31-Fernando Miala - Ex-Director dos Servios de Segurança do Estado
32-Armindo César - Empresário
33-Ramos da Cruz - Governador da Huila
34-Gomes Maiato - Governador da Lunda-Norte
35-João E. dos Santos - Governador do Moxico
36-Gonçalves Muandumba - Governador da Lunda-Sul
37-Aníbal Rocha - Governador de Cabinda
38-Ludy Kissassunda - Governador do Zaire
39-Luiz Paulino dos Santos - Ex-Governador do Bié
40-Paulo Kassoma - Governador do Huambo
41-Rui Santos - Empresário
42-Mário António - Membro do BP do MPLA e administrador da GEFI
43-Silva Neto - Ex-Admnistrador da Sonangol Distribuidora
44-Júlio Bessa - Ex-Ministro das Finanças
45-Paixão Franco - Presidente do FDES
46-Mello Xavier-Deputado e Empresário
47-Kundi-Payhama - Ex-Ministro da Defesa
48-Ismael Diogo - Presidente da FESA
49-Maria Mambo Café - Membro do BP do MPLA
50-Augusto Tomás - Deputado
51-Generoso de Almeida - PCA DO BCI
52-Luiz Faceira - General
53-Cirilo de Sá - General
54-Adolfo Razoilo - General
55-Gilberto Lutukuta - Ministro da Agricultura
56-Simão Júnior - Empresário (Grupo Chamavo e Gema)
57-Carlos Feijó - Assessor da Presidência da República
58-Armando da Cruz Neto - Chefe do Estado Maior das FAA
59-Fernando Borges - Empresário ( falecido)
Os miseráveis, com menos de 1 US$:
14.000.000 (catorze milhões)
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Comunismo,
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07/02/2010
Está-se a acabar o dinheiro
Na Rússia, a malta anda um tanto ou quanto farta do primeiro-ministro Vladimir Putin:
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Comunismo
30/01/2010
Os campos da vergonha
Em 1995, o jornal português «Público» deu à estampa o impresionante trabalho «Os campos da vergonha» [*] (24 Mb) sobre os campos de concentração em Moçambique, vulgo campos de reeducação, com que a Frelimo perseguiu os seus adversários e muitas outras vítimas inocentes.
Quase 15 anos depois dessa edição, importa revisitá-la com os olhos de hoje, sobretudo tendo em conta que muitos dos carrascos são parte da nomenklatura do país (produtos do mesmo pote) e, todavia, nunca prestaram contas por ações que, nos casos de Charles Taylor (Libéria) e Slobodan Milošević (Sérvia), os conduziram ao Tribunal de Haia.
[*] José Pinto de Sá
in «Público Magazine», 25.06.1995
Quase 15 anos depois dessa edição, importa revisitá-la com os olhos de hoje, sobretudo tendo em conta que muitos dos carrascos são parte da nomenklatura do país (produtos do mesmo pote) e, todavia, nunca prestaram contas por ações que, nos casos de Charles Taylor (Libéria) e Slobodan Milošević (Sérvia), os conduziram ao Tribunal de Haia.
[*] José Pinto de Sá
in «Público Magazine», 25.06.1995
29/01/2010
Is Mozambique’s elite moving from corruption to development?
O investigador Joseph Hanlon, do International Development Centre da Open University do Reino Unido, é um observador insistente da realidade moçambicana. A apresentação que fez num seminário em Outubro de 2009 tem anotações curiosas sobre as ligações da nomenklatura:
«The main company partly owned by the President is INTELEC, which is involved in electricity transmission and equipment, telecommunications, gas, consulting, cement, tourism, construction, Tata vehicles, and fishing. The company is headed by Salimo Amad Abdula, who is also head of the Mozambican business association, which gives President Guebuza a direct role in all Mozambican business. Intelec also holds 5% of Vodacom Moçambique, the private mobile telephone company which competes with the state operator and Abdula recently became chair of the board of Vodacom Moçambique, Cornelder de Mocambique which has the port management contracts for Beira and Quelimane is partly owned Guebuza (the majority is owned by Cornelder in the Netherlands and CFM, the state railway company).
Guebuza children and relatives have interests in various companies, often in participation with other children of the elite, and are involved in telecommunications, mining, construction, tourism, environmental issues, petrol stations, and a new grain terminal; several consultancy companies have also been established. Armando Guebuza is also a shareholder of some of them, particularly through the family company Focus.
Guebuza family companies have a number of projects around natural gas from a large field on the coast at Inhambane. Intelec had a gas fired power station supplying electricity to Vilankulo, the nearest city to the gas field. It is part of a group (linked to the French company Suez) building a second power station along the existing pipeline in Moamba, in part to sell electricity to South Africa. A company owned by another member of the family has the contract to convert and sell natural gas as motor fuel.»
Joseph Hanlon
in «Mozambique's elite - finding its way in a globalised world and returning to old development models»
«The main company partly owned by the President is INTELEC, which is involved in electricity transmission and equipment, telecommunications, gas, consulting, cement, tourism, construction, Tata vehicles, and fishing. The company is headed by Salimo Amad Abdula, who is also head of the Mozambican business association, which gives President Guebuza a direct role in all Mozambican business. Intelec also holds 5% of Vodacom Moçambique, the private mobile telephone company which competes with the state operator and Abdula recently became chair of the board of Vodacom Moçambique, Cornelder de Mocambique which has the port management contracts for Beira and Quelimane is partly owned Guebuza (the majority is owned by Cornelder in the Netherlands and CFM, the state railway company).
Guebuza children and relatives have interests in various companies, often in participation with other children of the elite, and are involved in telecommunications, mining, construction, tourism, environmental issues, petrol stations, and a new grain terminal; several consultancy companies have also been established. Armando Guebuza is also a shareholder of some of them, particularly through the family company Focus.
Guebuza family companies have a number of projects around natural gas from a large field on the coast at Inhambane. Intelec had a gas fired power station supplying electricity to Vilankulo, the nearest city to the gas field. It is part of a group (linked to the French company Suez) building a second power station along the existing pipeline in Moamba, in part to sell electricity to South Africa. A company owned by another member of the family has the contract to convert and sell natural gas as motor fuel.»
Joseph Hanlon
in «Mozambique's elite - finding its way in a globalised world and returning to old development models»
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27/01/2010
Hugo Chávez, o ditador
O ditador Hugo Chávez, presidente-ditador-de-fachada-democrática da Venezuela (por sinal, amigo de Fidel Castro, Mahmoud Ahmadinejad, Mário Soares, José Sócrates, José Eduardo dos Santos e Armando Guebuza), ao impor a obrigação de todos os canais de TV retransmitirem em simultâneo as suas «Conversas em Família» e subsequente encerramento da RCTV, provocou a revolta de novos setores da população, originou morte de manifestantes e abriu uma séria brecha no coração do regime.
O seu mais próximo apoiante, o vice-presidente Ramón Carrizález - militar aposentado - demitiu-se duas semanas depois da crise de energia - apagões em série em Caracas - e que conduzira à forçada demissão do ministro da Energia, acelerando divergências no seio das forças armadas.
Segundo o «Globo», a atual crise de energia, causada por uma longa estiagem que secou represas e ameaça a principal hidro-elétrica do país, responsável por 70% do abastecimento, causou reprovação na capital devido às polémicas medidas de racionamento, e o pouco investimento em infra-estrutura para geração de energia - as termo-elétricas são antiquadas - sugere que a situação se deverá agravar. A recente e forçada desvalorização do bolívar e a escalada da inflação - que especialistas acreditam poder subir aos 60% nos próximos meses - afundam a economia. E o aumento da criminalidade, que explode na capital, também ameaça a "popularidade" do governo, que nunca esteve tão baixa, em vésperas das eleições legislativas, marcadas para Setembro.
O seu mais próximo apoiante, o vice-presidente Ramón Carrizález - militar aposentado - demitiu-se duas semanas depois da crise de energia - apagões em série em Caracas - e que conduzira à forçada demissão do ministro da Energia, acelerando divergências no seio das forças armadas.
Segundo o «Globo», a atual crise de energia, causada por uma longa estiagem que secou represas e ameaça a principal hidro-elétrica do país, responsável por 70% do abastecimento, causou reprovação na capital devido às polémicas medidas de racionamento, e o pouco investimento em infra-estrutura para geração de energia - as termo-elétricas são antiquadas - sugere que a situação se deverá agravar. A recente e forçada desvalorização do bolívar e a escalada da inflação - que especialistas acreditam poder subir aos 60% nos próximos meses - afundam a economia. E o aumento da criminalidade, que explode na capital, também ameaça a "popularidade" do governo, que nunca esteve tão baixa, em vésperas das eleições legislativas, marcadas para Setembro.
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23/01/2010
O golpe de estado
The death of Samora Machel
On Sunday 19 October Mozambican President Samora Machel’s plane crashed at Mbuzini, near Komatipoort, South Africa, killing the President and 33 other passengers. An investigation of the incident revealed that when returning from a meeting of the Frontline States in Mbala, Zambia, Machel’s plane had turned eight minutes too early and thus missed Maputo airport’s guidance signals.
Upon receiving abnormal instrument readings the crew reported that their system was faulty and were cleared for a visual landing. The plane thus began to descend at 470 feet per minute in an attempt to gain visual contact with the airport, and while the pilot held a confused conversation with the air-traffic controller they crashed into the mountains along the border with South Africa.
An international inquiry into the incident by the Margo Commission reported that the crew was qualified to fly the aircraft, the craft was properly maintained, the radio navigational aids were operating satisfactorily, the weather was not a factor, runway lights at Maputo airport were operating normally, and the crew had not suffered disability prior to landing. However, the Commission found that procedures were not followed correctly during the descent and thus placed blame for the accident on the Russian crew.
David Alexander Robinson
in «A Case of Assassination? President Samora Machel and the plane crash at Mubuzini»
On Sunday 19 October Mozambican President Samora Machel’s plane crashed at Mbuzini, near Komatipoort, South Africa, killing the President and 33 other passengers. An investigation of the incident revealed that when returning from a meeting of the Frontline States in Mbala, Zambia, Machel’s plane had turned eight minutes too early and thus missed Maputo airport’s guidance signals.
Upon receiving abnormal instrument readings the crew reported that their system was faulty and were cleared for a visual landing. The plane thus began to descend at 470 feet per minute in an attempt to gain visual contact with the airport, and while the pilot held a confused conversation with the air-traffic controller they crashed into the mountains along the border with South Africa.
An international inquiry into the incident by the Margo Commission reported that the crew was qualified to fly the aircraft, the craft was properly maintained, the radio navigational aids were operating satisfactorily, the weather was not a factor, runway lights at Maputo airport were operating normally, and the crew had not suffered disability prior to landing. However, the Commission found that procedures were not followed correctly during the descent and thus placed blame for the accident on the Russian crew.
David Alexander Robinson
in «A Case of Assassination? President Samora Machel and the plane crash at Mubuzini»
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Comunismo
22/01/2010
O regresso do partido único
A Assembleia Nacional de Angola, dominada a 81% pelo antigo partido único MPLA, aprovou um novo texto constitucional que assegura, ao atual presidente - desde 1979 - perpetuar-se por 40 anos de poder.
Com a nova constituição, o presidente deixa de ser eleito por voto popular - não vá o diabo pregar uma partida -, passa a presidir ao Conselho de Ministros (extinto o cargo de primeiro-ministro) e a nomear um vice-presidente e os demais membros do Governo.
O governador do banco nacional, os juízes do Tribunal Supremo, o procurador-geral da República e os membros do Conselho Superior da Magistratura serão, igualmente nomeados pelo presidente da república.
Trata-se de um retrocesso político e uma injustificada concentração de poderes no chefe do partido governamental.
Uma democracia de fachada, oleada com petróleo.
Acompanhemos o que escreveu Miguel Sousa Tavares:
"Está a chegar a Luanda o mais recente brinquedo do Presidente José Eduardo dos Santos: um iate de luxo, seguramente comprado com o seu salário, que ronda os 4000 euros, e cuja tripulação é recrutada em Portugal, com vistos passados em 24 horas.
E, enquanto o Presidente se prepara para navegar nas tépidas águas do Mussulo, a sua filha, a elegantíssima empresária Isabel dos Santos, não pára de aumentar a sua fortuna nascida do nada.
Com a anunciada compra esta semana de parte do capital da Zon, Isabel dos Santos tem já investidos dois mil milhões de euros em empresas portuguesas. É um excelente negócio para estas empresas, que não apenas recebem capitais frescos como também recebem de braços abertos um parceiro estratégico que lhes garante participação nos melhores e mais favorecidos negócios angolanos. Pena que não reservem uma pequena parte dos lucros para financiar próteses para as crianças vítimas da guerra civil angolana, para construir habitação social para os milhões de favelados de Luanda ou para criar esgotos e infra-estruturas básicas que dêem à imensa maioria da população miserável condições mínimas de dignidade.
Porque, até prova em contrário, a riqueza de Angola pertence a todo o seu povo e não apenas aos que se passeiam em iates de luxo e vêm a Lisboa comprar roupas de marca, jóias ou empresas de telecomunicações.
Nunca tão poucos tiraram tanto a tantos."
Com a nova constituição, o presidente deixa de ser eleito por voto popular - não vá o diabo pregar uma partida -, passa a presidir ao Conselho de Ministros (extinto o cargo de primeiro-ministro) e a nomear um vice-presidente e os demais membros do Governo.
O governador do banco nacional, os juízes do Tribunal Supremo, o procurador-geral da República e os membros do Conselho Superior da Magistratura serão, igualmente nomeados pelo presidente da república.
Trata-se de um retrocesso político e uma injustificada concentração de poderes no chefe do partido governamental.
Uma democracia de fachada, oleada com petróleo.
Acompanhemos o que escreveu Miguel Sousa Tavares:
"Está a chegar a Luanda o mais recente brinquedo do Presidente José Eduardo dos Santos: um iate de luxo, seguramente comprado com o seu salário, que ronda os 4000 euros, e cuja tripulação é recrutada em Portugal, com vistos passados em 24 horas.
E, enquanto o Presidente se prepara para navegar nas tépidas águas do Mussulo, a sua filha, a elegantíssima empresária Isabel dos Santos, não pára de aumentar a sua fortuna nascida do nada.
Com a anunciada compra esta semana de parte do capital da Zon, Isabel dos Santos tem já investidos dois mil milhões de euros em empresas portuguesas. É um excelente negócio para estas empresas, que não apenas recebem capitais frescos como também recebem de braços abertos um parceiro estratégico que lhes garante participação nos melhores e mais favorecidos negócios angolanos. Pena que não reservem uma pequena parte dos lucros para financiar próteses para as crianças vítimas da guerra civil angolana, para construir habitação social para os milhões de favelados de Luanda ou para criar esgotos e infra-estruturas básicas que dêem à imensa maioria da população miserável condições mínimas de dignidade.
Porque, até prova em contrário, a riqueza de Angola pertence a todo o seu povo e não apenas aos que se passeiam em iates de luxo e vêm a Lisboa comprar roupas de marca, jóias ou empresas de telecomunicações.
Nunca tão poucos tiraram tanto a tantos."
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17/01/2010
Chinesices
Internet e socialismos, de todos os sabores, repelem-se mutuamente:
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